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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Cientistas estudam espécie rara de macaco no cerrado do Centro-Oeste

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Animais vistos em Pitangui são típicos da Amazônia e da Mata Atlântica.
Desmatamento é apontado como motivo de fuga.

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Ricardo Welbert Do G1 Centro-Oeste de Minas
15/02/2015 13h17 - Atualizado em 15/02/2015 13h17
Postado às 10h40m
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Macaco sauá avistado na região de Pitangui (Foto: Norberto Lobato/Arquivo pessoal)Macaco sauá avistado na região de Pitangui (Foto: Norberto Lobato/Arquivo pessoal)

Uma espécie de macaco ameaçada de extinção tem chamado atenção de cientistas no Centro-Oeste mineiro. A incidência do macaco sauá em regiões do cerrado preocupa cientistas e primatólogos. 

Batizado de Callicebus nigrifrons, o animal é típico da selva amazônica e da Mata Atlântica. Mas, o desmatamento nessas regiões tem forçado a espécie a se refugiar na área de transição entre esses dois biomas. Bandos têm sido vistos com frequência na região.

Norberto Lobato, coordenador da agência do Instituto Estadual de Florestas (IEF) em Pitangui, disse ao G1 que já viu muitos deles. "Não é difícil encontrar a espécie na região, principalmente ao amanhecer, que é quando os macacos começam a busca por alimentos. 

Eles entram na cidade pelas árvores, em busca de frutas nos quintais. Outro dia avistei um em um pé de manga. Até tirei fotos", contou.


Ao saber disso, o biólogo Eduardo José Azevedo decidiu conferir de perto. Ele sabia que os primatas estão entre os mamíferos mais ameaçados da Mata Atlântica por causa do desmatamento, de incêndios e da fragmentação das famílias. "Dentre as 23 espécies de primatas que ocorrem na Mata Atlântica, 15 estão enquadradas em alguma categoria de ameaça de extinção", disse.

Eduardo queria estudar o comportamento da espécie na região e contribuir para a proteção dos animais. Para isso, visitou a fazenda experimental da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), que fica em uma área de preservação permanente, perto do Rio São João. O desafio era conseguir chamar a atenção dos animais. 

"Vi que eles ficam o tempo todo quietos, na deles. Quando aparece alguém fazendo barulho, eles reagem e se espalham", comentou.
A solução apareceu em março de 2014, quando Eduardo era um dos professores que compunham uma banca de pesquisa no campus do Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG) em Bambuí. O biólogo e especialista em primatas Frederico Pahlm contou sobre seu trabalho de conservação de espécies ameaçadas de extinção.
Frederico Pahlm mostra sauá que resgatou: animal tinha cortes no antebraço e cauda fraturada (Foto: Frederico Pahlm/Arquivo pessoal)
Frederico Pahlm mostra sauá que resgatou: animal
tinha cortes no antebraço e cauda fraturada
(Foto: Frederico Pahlm/Arquivo pessoal)

Frederico sugeriu a Eduardo que usasse gravações do som emitido pelos macacos da espécie para atraí-los. Ideia que foi bem recebida. As observações de campo ocorreram em agosto e setembro do ano passado. "Levei um notebook com áudios dos gritos e grunhidos de macacos. 

As sessões de playback eram iniciadas a cerca de dez metros da borda, em direção ao rio. Após o surgimento de um indivíduo do grupo, o estímulo foi mantido. Aproveitei para registrar, através de fotografias", explicou Eduardo.

Foram feitos cerca de dez testes de vocalização. Após o som ser emitido durante 15 minutos, indivíduos adultos da espécie apareceram e começaram a vocalizar também - ou seja, os macacos responderam aos sons emitidos pelo computador. A resposta dos animais foi toda gravada em áudio.

Frederico Pahlm afirmou que o risco de extinção da espécie é alto. "Principalmente devido à diminuição da variabilidade genética e risco de endogamia, que é o cruzamento entre indivíduos de parentesco próximo, causando vários problemas genéticos", explica.
Entre galhos, macaco sauá ficou curioso após escutar som emitido por computador (Foto: Eduardo José Azevedo/Arquivo pessoal)
Entre galhos, macaco sauá ficou curioso após escutar
ruído (Foto: Eduardo José Azevedo/Arquivo pessoal)

Instalar rastreadores nos animais é um tipo de prática comum entre os biólogos que trabalham com proteção de espécies. "Mas os sauás têm um pescoço curto e isso machuca e os atrapalha na vida livre. Eu trabalho com habitação natural de grupos. 

No caso, os macacos vão me observando em seu habitat por todo o dia, a toda hora, até se acostumarem com minha presença. Com a detecção de grupos, espero que a comunidade científica se envolva na conservação da espécie ameaçada", comentou.

Fiscalização
Em nota ao G1, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) informou que não desenvolve nenhuma ação de proteção do macaco sauá. Esse trabalho fica a cargo do ICMBio, que é responsável pela elaboração de planos de ação para conservação de espécies ameaçadas de extinção.


"O processo de elaboração, monitoria e revisão adotado, instituído pela Instrução Normativa ICMBio é baseado no planejamento estratégico e estabelece um método simples e robusto que pode ser aplicado em todos os níveis taxonômicos ou geográficos. 

Estes níveis podem incluir uma única espécie, grupos ou conjuntos de espécies e subespécies individuais, bem como em âmbito global, regional ou nacional", informou o órgão.
O responsável pelo IEF em Pitangui explicou que o órgão tem a atribuição de definir áreas adequadas para a soltura de animais que forem apreendidos. 

"Já está sendo verificada a determinação de uma área segurança na região Centro-Oeste para a soltura de animais que forem capturados ou encontrados em cativeiro", finalizou Norberto Lobato.
Exemplar de macaco sauá avistado na região de Pitangui (Foto: Norberto Lobato/Arquivo pessoal)Exemplar de macaco sauá fotografado em Pitangui (Foto: Norberto Lobato/Arquivo pessoal)

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EUA correm risco de 'mega seca' inédita em mil anos

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Estudo alerta para períodos de estiagem de até 35 anos em partes do país a partir de 2050, piores que "anomalia climática" na Idade Média.

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Jonathan Amos Correspondente de Ciência da BBC News
16/02/2015 08h05 - Atualizado em 16/02/2015 08h06
Postado às 08h45m
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 Secas nos próximos anos acontecerão por combinação de redução das chuvas e aumento da evaporação da água do solo  (Foto: Nasa) Secas nos próximos anos acontecerão por combinação de redução das chuvas e aumento da evaporação da água do solo (Foto: Nasa)

O sudoeste e as planícies centrais dos Estados Unidos correm o risco de enfrentar uma mega seca a partir de 2050 – a maior em mil anos, segundo pesquisadores.
Algumas regiões, como a Califórnia, já enfrentam uma séria escassez de chuvas, mas a situação é branda se comparada com alguns períodos dos séculos 12 e 13.

"Essas mega secas durante os anos 1100 e 1200 persistiram por 20, 30, 40, 50 anos de cada vez e foram secas que ninguém na história dos Estados Unidos jamais experimentou", disse Ben Cook, do Instituto Goddard para Estudos Espaciais da Nasa.

São esses eventos climáticos sem precedentes no último milênio que podem vir a acontecer, segundo os novos modelos.
"As secas que as pessoas conhecem – como a que foi chamada de dust bowl nos anos 1930 por causa das tempestades de areia, a seca dos anos 1950 ou mesmo a atual seca na Califórnia e no sudoeste – foram secas naturais que esperava-se que durassem apenas alguns anos ou talvez uma década", disse Cook.

"Imagine se a seca atual na Califórnia continuasse por mais 20 anos", comparou.

Duplo efeito
O estudo reforçou um consenso sobre as secas que deverão afligir o sudoeste e as planícies centrais americanas (uma larga faixa de território do norte do Texas até as Dakotas do Norte e do Sul) em consequência das crescentes emissões de gases na atmosfera.


Elas serão causadas por um fenômeno duplo: a precipitação reduzida (redução da quantidade de chuvas e neve) e o aumento da evaporação (impulsionado pelas altas temperaturas, que deixará os solos mais ressecados).

Para o novo estudo, a equipe de Cook comparou reconstruções das condições climáticas do passado feitas a partir da análise dos anéis de crescimento das árvores – os anéis são mais largos em anos mais úmidos. Foram levados em conta também outros 17 modelos climáticos, além de índices diferentes usados para descrever a quantidade de umidade que se manteve nos solos.

Com estas informações, os pesquisadores conseguiram entender a variação natural do sistema climático, separando o que são situações normais e o que seriam situações extremas.

O que o grupo descobriu foi que, após 2050, o sudoeste e as planícies centrais provavelmente passarão por períodos de estiagem que ultrapassariam até mesmo a chamada "anomalia climática medieval" nos séculos 12 e 13.

"Tanto no sudoeste quanto nas planícies centrais, estamos falando de um risco de 80% de uma seca de 35 anos até o final do século, se a mudança climática se consumar", disse o coautor do estudo Toby Ault, da Universidade de Cornell.

"E esse é um ponto muito importante – não estamos necessariamente presos neste alto risco de uma mega seca se tomarmos providências para retardar os efeitos da emissão dos gases estufa nas temperaturas globais."

Vivendo em estiagem
Ault definiu as condições de uma mega seca usando o exemplo da cidade de Tucson, no Arizona, onde a precipitação está em 80% dos níveis esperados desde o final dos anos 1990. Se isso continuar por mais duas décadas, a situação se qualifica como mega seca.


Apesar do desafio, o pesquisador se disse otimista com a possibilidade de desenvolver estratégias para lidar com o problema.
"Os registros que temos de mega secas do passado são baseados em estimativas de anéis de crescimento. Se você pensar bem, isso é um pouco animador, porque significa que as secas não foram ruins a ponto de matar todas as árvores", disse Ault.

"Estou otimista porque uma mega seca não significa não ter água – significa apenas ter muito menos água do que nos acostumamos a ter no século 20."

O estudo, divulgado na publicação científica Science Advances, foi discutido no encontro anual da Associação Americana para o Avanço das Ciências, que acontece em San Jose, na Califórnia.

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domingo, 15 de fevereiro de 2015

Crise começa a atingir mercado de luxo

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Profissionais liberais, que engrossaram camada dos novos ricos, enfrentam dificuldades

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O setor que passava até pouco tempo incólume pelas agruras da crise econômica mundial deve começar a sofrer maiores impactos. O mercado de luxo brasileiro, que se fortaleceu no país nos últimos anos devido ao aumento da renda e do crédito, vai precisar inovar e fazer ajustes para não sofrer perdas significativas, confirmam especialistas que acompanham o mercado. 

Como a confiança do consumidor anda baixa, inclusive entre os da classe mais alta, o supérfluo deve ser cortado da lista de compras como um reflexo de temores, como do desemprego. Por falar em trabalho, profissionais liberais que oferecem serviços específicos para os mais abastados também já estariam sentido o baque.

Como o mercado de luxo lida com um público de alto poder aquisitivo, que normalmente não é o primeiro atingido por crises econômicas, ele não é afetado tão rapidamente por momentos complicados, ou o é, em menor escala, lembra Renata Galhanone, especialista em mercado de luxo, com doutorado pela USP.

No Brasil, contudo, um público formado principalmente com o movimento de aumento da renda e do crédito dos últimos anos já sente esses efeitos e, com a baixa confiança na economia, começa a cortar gastos. E o mercado de luxo, que começou a se expandir no país justamente atraído por essa nova demanda de consumidores ávidos por novidades, pode aí sofrer cortes.

Para Claudio Goldberg, professor dos MBAs da FGV, com certeza, os profissionais liberais, que engrossaram muito a classe de novos ricos e aumentaram demais o consumo do mercado de luxo, mais do que outros clientes, estão sentindo drasticamente a queda da receita, porque estão pressionados, com menos clientes.
Presidente da Confederação Nacional das Profissões Liberais alerta para situação dos trabalhadores de maior qualificação 
Presidente da Confederação Nacional das Profissões Liberais alerta para situação dos trabalhadores de maior qualificação 
Carlos Alberto Schmitt de Azevedo, presidente da Confederação Nacional das Profissões Liberais (CNPL), que representa cerca de 15 milhões de trabalhadores, argumenta que o cenário atual, de baixo crescimento, inflação alta e ameaças ao mercado de trabalho, é extremamente perverso para os profissionais liberais, porque afeta principalmente o setor de serviços, que aglutina o maior contingente entre as categorias que compõem as profissões liberais.

"É um setor extremamente sensível e que nos momentos de crise econômica é o primeiro a ser impactado nos cortes de orçamentos das famílias na busca por uma economia doméstica mais equilibrada. Some-se a isso também, o aumento de impostos", diz Azevedo.

Azevedo alerta que é fato que a somatória de todas as conjunturas atuais e futuras indicam queda na geração de empregos e na perda de postos de trabalho de profissionais mais qualificados, já que o patronato, por vezes, prefere demitir o trabalhador muito qualificado para contatar outro mais barato.

Alexandre Espírito Santo, economista da Simplific Gestão de Patrimônio e professor do Ibmec-RJ, ajuda a explicar o fortalecimento do mercado em anos anteriores. Ele ressalta o aumento do crédito aos brasileiros, com a possibilidade, por exemplo, de comprar uma joia com pagamento em algumas parcelas. Com o aumento da produtividade, sobretudo devido à inserção de produtos chineses, os preços também caíram, mesmo os do segmento de luxo. "Tudo isso alimentou esse processo de segurar o mercado de luxo em alta."

De uns anos para cá, contudo, acrescenta Alexandre, o país começou a apresentar um processo de esgotamento do crescimento de renda verificado nos 10 anos. O desempenho da economia anda fraco, com a possibilidade mesmo do PIB ficar estável ou negativo neste ano. 

"Aí, as pessoas começam a cortar supérfluo, e o mercado de luxo está associado a esse supérfluo. Eu não posso cortar o colégio do meu filho, mas eu posso trocar um artigo de luxo por um bem que se assemelha e, aí sim, você vai afetar um mercado que até então não estava sendo afetado, e que não sei se se preparou para este momento", destaca Alexandre.
Padaria de luxo em Copacabana fechou as portas no início de fevereiro
Padaria de luxo em Copacabana fechou as portas no início de fevereiro
No Rio de Janeiro, no início do mês, a menos de uma semana de completar três anos de funcionamento, a Boulangerie Guerin, padaria e confeitaria de luxo inspirada nos tradicionais estabelecimentos franceses, anunciou que fecharia as portas. A causa apontada foi "o reajuste das despesas e a conjuntura econômica". Nesta segunda-feira (13), contudo, reabriu. 

Outro caso, também no Rio de Janeiro, é da Lidador, mais tradicional rede de delicatessens. Em junho do ano passado, fechou cinco de suas 13 lojas. Agora, só tem três lojas, a matriz, no Centro, e as outras na Tijuca e em Copacabana.

Por mais que esses dois casos possam estar atrelados a questões independentes da conjuntura, como problemas de gestão do negócio, conforme destacam especialistas, eles ajudam a ilustrar esse cenário de maiores dificuldades. 

De acordo com números da pesquisadora Renata Galhanone, já no ano passado, o setor esteve mais ou menos estável em relação ao anterior. Neste ano, com base em número preliminares, deve haver um crescimento abaixo da média global do mercado de luxo. Consultorias projetam que o mercado global cresça em torno de 5%, e o Brasil entre 3% e 4%. Até 2013, o mercado de luxo crescia em torno de 7% neste país, destaca Renata.

"O mercado de luxo se favorece muito dos momentos de crescimento da economia e da classe média, que aumentou em seu tamanho. Mas isso vai parar, e, na hora que para, o setor tem que ficar com o cliente que já tinha, só que esse cliente, acostumado a consumir, pode ficar temeroso também de perder sua renda, e na dúvida, sua confiança na economia diminui", salienta Alexandre.

Claudio Goldberg, professor dos MBAs da FGV, fortalece o debate, salientando também que, em termos de mercado, o mercado de luxo está no topo da pirâmide, e seria o último a ser alcançado. Mas, como todos os consumidores de luxo, para ganhar dinheiro, precisam de outros agentes econômicos, e esses agentes econômicos estão contaminados pelo ambiente complicado da economia brasileira, de possível crescimento zero e inflação alta, as pessoas estão fazendo cortes, e o mercado de luxo começa também a ser afetado.

Vai haver uma diminuição no consumo, sim, então. E ainda com um agravante, aponta Goldberg. Ao contrário de outros segmentos, marcas de luxo não fazem promoções ou campanhas, que poderiam prejudicar a sua imagem. Conforme lembra Renata, em termos de comunicação, às vezes ela até existe certa medida, mas não necessariamente, e a dinâmica pode ser muito baseada também no boca a boca. Outros complicadores deste momento são a restrição recente ao crédito e ainda o aumento dos juros. 

"A situação do mercado de luxo já está precificada, porque as marcas estão com campo reduzido para manobras, não podem fazer muita coisa. Elas não vão abrir os seus números, mas a gente sabe que elas estão tendo dificuldades, mesmo o mercado de moda e de joias. De uma forma geral, o mercado de luxo vai sofrer as consequências dessa crise sistêmica. Os agentes econômicos estão todos conectados, não dá para ser uma ilha, e, uma hora, a crise chega", analisa Goldberg.

Sobre a questão da confiança do consumidor, como envolve questões políticas também, Goldberg lembra que não se trata de uma decisão racional, mas de um humor, de um estado de espírito que provoca determinados temores, receios. E o humor atual, completa, seria de "uma incerteza muito grande".
"O mercado de luxo não vai entrar exatamente em crise, vai ter uma diminuição do consumo, que vai afetar muito o seu dia a dia. 

A margem de manobra dele é muito restrita, e este ano já está precificado, não tem muito o que fazer. Tem que fazer ajuste e buscar inovação, aproveitar espaço e oportunidades, como a alta do dólar e a imigração de consumo do exterior para o mercado interno. Vai ter que trabalhar melhor", aponta Goldberg.

Renata, por sua vez, acredita que algumas marcas podem segurar seus planos de expansão, mas que este ano não deve trazer grandes mudanças ao setor, a ponto de afetar a presença de marcas no país, a não ser que o mau momento fique mais prolongado, para além de 2015 e 2016. "Em um primeiro momento, não deve afetar muito a presença das marcas no Brasil, de elas se retirarem. Com uma ou outra, pode ser que aconteça, mas as que já se estabeleceram aqui, a tendência, por enquanto, é se manter, porque são investimentos elevados."

O mercado de carros e de motos de luxo, contudo, ainda têm algum potencial para crescer, como indica Renata. Em 2014, enquanto houve retração de vendas de carros mais normais, as vendas dos de luxo aumentaram em 18%, e as motos das motos de luxo em quase 11%. 

Alta do dólar pode ser salvação do mercado de luxo brasileiro
Os brasileiros que costumam viajar para fazer compras, que estão entre os turistas que mais consomem em suas viagens do mundo todo, podem migrar sua demanda por artigos de luxo para cá, incentivados pela recente alta recorde do dólar. O brasileiro perde poder de compra, e passa a evitar o exterior. Nas casas de dólar, nesta sexta-feira (13), o dólar turismo já era vendido por mais de R$ 3.

De acordo com a análise de Claudio Goldberg, este fator, não previsto pelos economistas, comercialmente falando, é bastante significativo, considerando que a classe alta que consome o luxo estava consumindo parte dele em terras estrangeiras, porque era mais fácil e melhor, e que agora, certamente, haverá deve diminuir significativamente esse movimento, porque não vai mais compensar. 

"É uma boa oportunidade e possibilidade de canalizar esse consumo interno. Então, isso pode, surpreendentemente, trazer um fôlego extra, não previsto, para o mercado de luxo. Seria uma demanda que não existe hoje no Brasil, por conta do consumo lá fora. Com a alta do dólar, que já está em um para três, de repente fica mais acessível comprar aqui, porque você ainda tem a possibilidade do parcelamento, e ainda não tem fiscalização da alfândega e outras questões", conclui.

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