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domingo, 8 de junho de 2025

Centralia: a cidade que está em chamas há 60 anos, seguirá queimando por décadas e inspirou filme de terror

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Em 1962, um incêndio subterrâneo se espalhou por minas de carvão e condenou a cidade do leste dos EUA. Dos mais de 1.200 moradores que viviam no local, apenas cinco permanecem.
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Por Wesley Bischoff, g1 — São Paulo

Postado em 08 de Junho de 2.025 às 07h00m

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Conheça a cidade dos EUA que está pegando fogo há mais de 60 anos
Conheça a cidade dos EUA que está pegando fogo há mais de 60 anos

Era véspera do feriado do Memorial Day na pequena cidade de Centralia, a 180 km da Filadélfia, nos Estados Unidos. Dezenas de famílias se preparavam para visitar o cemitério local e homenagear soldados americanos mortos em combate, uma tradição local. Mas havia um problema: o mau cheiro de um lixão vizinho.

Foi então que funcionários públicos decidiram queimar uma pilha de lixo no aterro para evitar que o fedor atrapalhasse a homenagem. Ninguém esperava que aquela chama daria início a um incêndio subterrâneo que já dura mais de 60 anos — e transformaria Centralia em uma cidade-fantasma.

A região ficou conhecida por suas minas de carvão. A extração mineral começou em 1842 e fez Centralia crescer aos poucos. Na década de 1960, cerca de 1.200 pessoas viviam na cidade, em uma comunidade pequena e pacata.

Tudo começou a mudar em 1962. O fogo, iniciado para "limpar" a área antes das homenagens do Memorial Day — comemorado sempre na última segunda-feira de maio —, por si só não seria capaz de causar um desastre. Mas havia uma mina de carvão abandonada abaixo do lixão, que foi atingida pelas chamas. Isso foi o suficiente para deflagrar um desastre subterrâneo jamais controlado.

Com o tempo, o fogo foi avançando pelos túneis das minas de carvão, lançando gases tóxicos, abrindo crateras e tornando a área cada vez mais instável. Centralia acabou condenada ao abandono.

  • 📉 A população caiu de 1.200 para apenas 5 pessoas.
  • 💸 O governo gastou mais de US$ 40 milhões para combater o incêndio e realocar os moradores.
  • 😔 O solo rachou em diversos pontos e chegou a engolir um garoto em 1981 — ele foi salvo pelo primo, mas sofreu com traumas ao longo da vida.
  • 🔥 O fogo continua ativo até hoje e pode queimar por mais de 200 anos, segundo estimativas.
  • 🌡️ A temperatura no subsolo de Centralia pode ultrapassar os 500 °C.
  • 😱 A história inspirou o filme de terror "Silent Hill", adaptação para o cinema de um videogame com o mesmo nome. O longa mostra uma cidade coberta por névoa e presa em uma realidade paralela após um incêndio em uma mina de carvão.
Conheça a história de Centralia mais abaixo.

Do feriado ao caos
Imagem mostra o antes e o depois da cidade de Centralia, nos Estados Unidos — Foto: David DeKok/Centralia Photo Archive
Imagem mostra o antes e o depois da cidade de Centralia, nos Estados Unidos — Foto: David DeKok/Centralia Photo Archive

A queima do lixo para acabar com o mau cheiro e não atrapalhar o Memorial Day é a hipótese mais provável para o desastre de Centralia, segundo o governo da Pensilvânia. A mina que estava abaixo do local havia sido abandonada em 1935 e, provavelmente, não havia sido vedada corretamente.

O jornalista David DeKok, autor de dois livros sobre a história de Centralia, explica que o aterro estava sobre um antigo poço de mineração a céu aberto.

"O problema era que, como muitos poços de mineração a céu aberto, havia buracos que iam para a rede de minas abandonadas sob a cidade. E então, quando eles atearam fogo ao lixo, por acidente, ele se espalhou por um desses buracos para a rede de minas abandonadas", afirma.

"Em poucos dias, havia vapor branco saindo das laterais daquele poço. E eles estavam praticamente certos de que um incêndio na mina havia começado. Claro, eles não tinham ideia do tamanho que se tornaria ou da dificuldade que seria para apagar."

O efeito foi devastador. O fogo avançou sobre o carvão e se espalhou rapidamente no subsolo de Centralia. A partir daí, teve início uma manobra milionária — e que fracassou — para conter o incêndio.

Veja a linha do tempo da cidade de Centralia — Foto: Bruna Azevedo/g1
Veja a linha do tempo da cidade de Centralia — Foto: Bruna Azevedo/g1
Operação milionária

Operação milionária

Autoridades americanas iniciaram uma operação para tentar controlar as chamas. Segundo o governo da Pensilvânia, num primeiro momento, os brigadistas tentaram usar água e até mesmo argila para sufocar o fogo. Não funcionou.

Em novos esforços, o governo passou a fazer escavações para isolar o incêndio, além de preencher os túneis com materiais como areia e rocha britada. Também não funcionou.

DeKok afirma que as autoridades não previram o quão caro seria apagar o fogo, o que se tornou um grande problema. As operações para extinguir as chamas foram interrompidas várias vezes por falta de recursos.

"Eles começavam o trabalho, começavam a escavar para conter o fogo, mas ficavam sem dinheiro e precisavam parar. E então eles voltavam cerca de um ano depois. Mas, nesse ponto, o incêndio estava ainda maior. Tornou-se uma situação impossível", explica.

Em pouco mais de 15 anos, os governos estadual e federal gastaram US$ 3,3 milhões para controlar o incêndio. A administração da Pensilvânia admite que os efeitos foram limitados.

"O que tornou o incêndio tão difícil de controlar foi a geologia subterrânea de Centralia. Você tem que pensar nas veias das minas de carvão. Elas meio que sobem e descem. São como tigelas empilhadas umas sobre as outras", diz DeKok.

Imagem mostra fumaça saindo do chão durante incêndio subterrâneo em Centralia — Foto: David DeKok/Centralia Photo Archive
Imagem mostra fumaça saindo do chão durante incêndio subterrâneo em Centralia — Foto: David DeKok/Centralia Photo Archive 

Escalada do perigo

Em 1969, famílias que moravam em três casas precisaram abandonar seus lares. Segundo DeKok, gases tóxicos começaram a invadir as residências, tornando a permanência no local perigosa.

Ainda assim, Centralia tentava levar uma vida normal. Enquanto o governo procurava conter as chamas, na década de 1970, a população seguia com sua rotina diária. Com o tempo, no entanto, o solo da cidade ficou instável, e as emissões de gases tóxicos se tornaram cada vez mais frequentes.

Em 1981, uma tragédia quase aconteceu. DeKok relembra que um adolescente de 12 anos estava caminhando pelo jardim da casa da avó quando avistou o que parecia ser fumaça saindo do chão.

"Ele foi investigar o que era e desapareceu de vista em um buraco aberto pelo incêndio da mina. Ele se salvou ao se agarrar à raiz de uma árvore e gritar por socorro. Por sorte, seu primo de 14 anos estava por perto. Conseguiu alcançá-lo, segurou-o pelo casaco de inverno e o puxou para fora", conta.

O jornalista conta que o menino foi levado ao hospital para fazer exames e se recuperou fisicamente. Por outro lado, o trauma ficou. DeKok diz que o jovem passou a sofrer de estresse pós-traumático.

"Quando o entrevistei, cerca de 20 anos depois do acidente, ele contou que tinha pesadelos recorrentes com o que aconteceu. Nos sonhos, pedalava pela calçada da cidade, que de repente se abria e o engolia. Ou seja, ele não saiu ileso daquilo."

Mais tarde, já adulto, a vítima passou a se envolver com o uso de opióides e morreu aos 51 anos — provavelmente por complicações causadas pelo uso prolongado das drogas, segundo DeKok.

"Eu tenho quase certeza de que há, sim, alguma ligação entre o uso de drogas e o transtorno de estresse pós-traumático que ele desenvolveu — e o fato de a vida dele, com o tempo, ter desmoronado. Então, sim, eu atribuiria isso ao acidente", afirma o jornalista.

Adeus, Centralia

Imagem mostra fumaça de incêndio em Centralia, nos EUA — Foto: David DeKok/Centralia Photo Archive
Imagem mostra fumaça de incêndio em Centralia, nos EUA — Foto: David DeKok/Centralia Photo Archive

Na década de 1980, a permanência em Centralia passou a ser insustentável. Naquela época, o Escritório de Mineração de Superfície estimou em US$ 663 milhões os gastos para acabar com o incêndio, e o governo optou por retirar os moradores da área.

O Congresso dos Estados Unidos aprovou um repasse de US$ 42 milhões para a desapropriação de imóveis prejudicados pelo incêndio e para a realocação de famílias e comércios para outras regiões.

DeKok afirma que as famílias foram assentadas num raio de cerca de 20 km de Centralia, já que muitos queriam continuar com acesso a escolas e hospitais da região. Ainda assim, a saída não foi tranquila.

"A situação ficou bastante tensa por volta de 1982. Dois terços da cidade queriam ser realocados, e um terço era contra. Isso gerou muitos conflitos entre os moradores", conta.

O jornalista afirma que, entre os moradores que não queriam deixar a cidade, estavam aqueles que acreditavam que o fogo não era tão grave quanto as autoridades diziam ou que viviam em áreas consideradas mais seguras.

"Eventualmente, a maior parte do grupo que resistia acabou aceitando a saída, mas com relutância. Foram embora porque todos estavam indo, e porque o valor das indenizações aumentou com o tempo. Foi uma combinação de fatores, mas no fim quase todos deixaram Centralia."

Atualmente, apenas cinco proprietários continuam morando em Centralia. Os imóveis abandonados foram demolidos, e a cidade passou a ser um amontoado de quadras com ruas vazias.

Legado e impacto cultural

A Graffiti Highway, em Centralia — Foto: David DeKok/Centralia Photo Archive
A Graffiti Highway, em Centralia — Foto: David DeKok/Centralia Photo Archive 
chive

A decadência de Centralia despertou a curiosidade pública e teve impacto até no cinema. Em entrevista ao site francês "Ecranlarge", o diretor Christophe Gans afirmou que Centralia serviu como referência para o filme de terror "Silent Hill", lançado em 2006.

Segundo Gans, o roteirista Roger Avary conhecia a história da cidade e resolveu se inspirar no que tinha acontecido para ambientar o filme. Avary, por sua vez, deu várias entrevistas falando sobre o processo de pesquisa e a ligação com Centralia.

O longa é uma adaptação para o cinema de um jogo de videogame também chamado Silent Hill, lançado no fim da década de 1990. No filme de 2006, a cidade aparece isolada por uma névoa densa e coberta por cinzas que caem do céu, resultado de um grande incêndio em uma mina de carvão.

A trama também mostra Rose, uma mãe que decide levar a filha até a cidade depois que a menina começa a mencionar o local durante episódios de sonambulismo. No caminho, as duas sofrem um acidente e atravessam um portal para a realidade paralela de Silent Hill.

Logo após o acidente, Sharon desaparece misteriosamente, e Rose inicia uma busca desesperada pela cidade, que está repleta de criaturas sobrenaturais.

Já na vida real, um dos grandes símbolos do legado do incêndio em Centralia é a chamada "Graffiti Highway" — ou "Rodovia do Grafite".

O local é um trecho da Rota 61 que foi interditado após as chamas provocarem rachaduras no asfalto. DeKok diz que o governo tentou manter a estrada transitável por algum tempo, mas acabou desistindo. A região também se tornou perigosa aos motoristas por causa da fumaça que saía do chão.

Anos depois, moradores e visitantes começaram a cobrir o asfalto com grafites coloridos. “Foi como um projeto de arte pública, quase como o Muro de Berlim”, descreve.

O jornalista conta que, durante a pandemia de Covid-19, a região voltou a atrair visitantes em busca de espaços abertos em meio ao isolamento. O aumento no fluxo de pessoas fez com que uma empresa que controlava a área colocasse pilhas de terra ao longo da estrada.

"Eles queriam impedir que motocicletas e quadriciclos passassem por ali, mas, na verdade, tornaram aquilo um desafio. Os motociclistas adoram subir e descer montanhas de terra. Mas isso fez com que a maior parte dos grafites fosse coberta", conta.

Atualmente, DeKok também coordena visitas turísticas a Centralia. Os passeios são realizados apenas em áreas consideradas seguras. Segundo o jornalista, os visitantes ainda conseguem ver partes da cidade e, dependendo do clima, até fumaça saindo do solo.

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sábado, 7 de junho de 2025

Diamante de 646 quilates descoberto em MG pode mudar de cor após lapidação? Entenda

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Segundo o geólogo Daniel Fernandes, o processo que dá o tom amarronzado ao diamante avaliado em R$ 16 milhões está ligado à pureza durante o processo de formação. A pedra foi extraída das margens do Rio Douradinho, em Coromandel, no Triângulo Mineiro.
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Por Gabriel Reis, g1 Triângulo — Coromandel

Postado em 07 de Junho de 2.025 às 13h05m

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Diamante encontrado em Coromandel se tornou o segundo maior do Brasil — Foto: ANM/Divulgação
Diamante encontrado em Coromandel se tornou o segundo maior do Brasil — Foto: ANM/Divulgação

De tom amarronzado, o diamante bruto de 646,78 quilates descoberto em Coromandel, no Alto Paranaíba, MG, é agora o segundo maior já encontrado em território brasileiro, segundo a Agência Nacional de Mineração (ANM).

O geólogo Daniel Fernandes contou ao g1 que a tonalidade do diamante pode mudar durante o processo de lapidação.

Antes de explicar a possível mudança de cor do diamante é preciso entender o processo de formação. De acordo com o geólogo, os diamantes tem a composição formada de carbono. Quanto mais puro for o diamante, ou seja, quanto mais a composição for formada apenas por carbono, maior será a transparência e o valor.

Contudo, a pureza é algo extremamente rara na natureza porque pode ser que a gema seja contaminada pelos elementos químicos presentes ao redor.

"Existem casos em que a pedra é contaminada por nitrogênio, por exemplo, o que faz com que ela fique com esse aspecto amarronzado e amarelado. Por isso, esse diamante de Coromandel não é considerado tão valioso, uma vez que 95% dos diamantes são contaminados pelo nitrogênio e apresentam essa coloração", explicou o geólogo.

Além disso, segundo Daniel, os diamantes podem ter todas as cores do arco-íris, dependendo do elemento químico pelo qual ele é contaminado durante a formação. A cor pode variar, ainda, conforme as regiões brasileiras, uma vez que cada uma delas tem o solo rico em determinado elemento.

Diamante encontrado em Coromandel se tornou o segundo maior achado no Brasil. — Foto: Reprodução/Redes Sociais
Diamante encontrado em Coromandel se tornou o segundo maior achado no Brasil. — Foto: Reprodução/Redes Sociais

O diamante de Coromandel pode mudar de cor?

Segundo Daniel, ao longo da carreira profissional já observou diversos compradores que tiveram prejuízo ao comprarem um diamante e ele mudar de cor após a lapidação. De acordo com o geólogo o fenômeno ocorre porque grande parte das gemas apresenta uma capa de alteração hidrotermal, capa de cloritização ou outro nome a depender do elemento químico pelo qual a capa é formada.

Durante a lapidação essa capa é perdida e é quando o diamante pode mudar de cor, ficando branco ou amarelado.

"Por isso é importante que uma análise microscópica seja feita para saber se o diamante realmente apresenta determinada coloração ou se é apenas uma capa".

Logo, é a cor que determina o valor do diamante de acordo com a pureza, ou seja, quanto mais transparente for o diamante, mais caro ele será. A fluorescência da pedra também interfere na avaliação, uma vez que diamantes mais caros apresentam menor fluorescência.

"É através da fluorescência que conseguimos identificar as zonas de cor do diamante, porque há casos em que ele pode ter apenas uma cor ou até duas. Eu vejo muitos amadores tendo prejuízo com diamantes por conta dessas questões".

"No caso do diamante de Coromandel eu vejo que ele claramente tem uma capa de laterização, como se fosse uma água de ferrugem que bateu nele. Como ele foi encontrado dentro do rio, fica claro que ele teve milhões de anos de erosão transportando ele e adquirindo contaminantes".

Exame de fluorescência mostra que pedras de menor valor tem maior fluorescência — Foto: Daniel Fernandes
Exame de fluorescência mostra que pedras de menor valor tem maior fluorescência — Foto: Daniel Fernandes

Como é calculado o valor de um diamante?

Ainda conforme Daniel Fernandes, o primeiro fator considerado é peso em quilates (veja abaixo). Depois, a transparência e a pureza também são fatores importantes, porque resultam em uma gema lapidada de alto valor. A cor também interfere diretamente, já que os diamantes existem em praticamente todas as cores do arco-íris, e algumas são mais valiosas que outras.

“No Brasil, não existe uma tabela oficial que defina seu valor, mas não há dúvidas de que se trata de uma gema extremamente rara. Quando essa pedra foi descoberta, eu não duvidei em nenhum momento. Fiquei muito feliz em ver o Brasil novamente em destaque. Isso cria esperança para todo garimpeiro que sonha encontrar uma pedra como essa”, ressaltou Daniel.

Daniel Fernandes diz que definição de valor de pedras preciosas no Brasil é difícil pela ausência de uma tabela oficial — Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal
Daniel Fernandes diz que definição de valor de pedras preciosas no Brasil é difícil pela ausência de uma tabela oficial — Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal

Encontrei um diamante, e agora?

De acordo com a presidente da Cooperativa dos Médios e Pequenos Garimpeiros de Coromandel (Coopemg), Denize Fernandes da Silva, o processo até a comercialização de uma pedra preciosa funciona da seguinte forma:

  1. O garimpeiro encontra uma pedra preciosa;
  2. Após o achado, um comunicado é enviado à Agência Nacional de Mineração (ANM), e um responsável da instituição vai até o local do achado e confirma a legalidade da gema encontrada;
  3. Em seguida a pedra pode ser vendida apenas para aqueles que possuem um cadastro oficial de comércio na ANM;
  4. Após isso, uma nota em que consta as características como peso, cor e da gema é feita e enviada para o Processo de Certificação de Kimberley, que, no caso de achados de Coromandel acontece normalmente em Belo Horizonte;
  5. O Certificado de Kimberley é onde é feito o reconhecimento oficial das características da pedra preciosa, validando sua legalidade;
  6. 2% do valor de venda da pedra é enviado ao Governo Federal que faz o repasse integral para o Município;
  7. É o Certificado de Kimberley que permite que uma nota fiscal aduaneira seja feita e a gema possa ser enviada ao comprador, que na maior parte das vendas é outro país;
  8. Todas as alfândegas por onde a pedra irá passar durante a viagem até o destino final devem ser comunicadas pela empresa que encontrou a gema;
  9. Além disso, caso a pedra não seja levada em mãos, a mercadoria é colocada em uma caixa própria e transportada sozinha no voo;
  10. Quando o valor pela pedra chegar ao banco da empresa de origem, é por meio do Certificado de Kimberley que a conversão para o Real é feita;
  11. Segundo Denize, a porcentagem de venda da pedra é dividida entre os envolvidos: garimpeiros, fazendeiros, sócios, etc.
Segundo maior diamante do Brasil

A pedra avaliada em R$ 16 milhões, segundo a prefeitura municipal, passou a ocupar o posto de segundo maior diamante já encontrado em território brasileiro, segundo a ANM.

Com a descoberta, Coromandel passa a ser a cidade onde foram encontrados os dois maiores diamantes já descobertos no país:

  • 1° - Diamante 'Getúlio Vargas' de 727 quilates foi descoberto em 1938;
  • 2° - Diamante de 646,78 quilates descoberto em 2025.
Estátua em homenagem ao diamante 'Getúlio Vargas', em Coromandel — Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal
Estátua em homenagem ao diamante 'Getúlio Vargas', em Coromandel — Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal

Como 1 quilate equivale a 0,2 gramas, o diamante recém descoberto tem peso estimado de 129,36 gramas.

A pedra foi encontrada no mês de maio em uma área com Permissão de Lavra Garimpeira (PLG), com título em vigor, ou seja, o local tem permissão ativa da ANM para extração mineral em pequena escala.

De acordo com a Prefeitura de Coromandel, a pedra foi extraída das margens do Rio Douradinho, tem coloração marrom e alto valor comercial.

Segundo o prefeito de Coromandel, Fernando Breno, conforme a Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM), a alíquota gerada pelo diamante encontrado é de 2% sobre a receita bruta da venda, deduzidos os tributos já pagos sobre a comercialização. Logo, o valor gerado que deverá ser pago ao Governo Federal e repassado de maneira integral para o Município está em torno de R$ 320 mil.

Após o achado, o dono da área onde o diamante foi encontrado, que não teve a identidade revelada, declarou a descoberta oficialmente no Relatório de Transações Comerciais (RTC) junto ao Cadastro Nacional de Comércio de Diamantes (CNCD) no dia 29 de maio, atendendo aos trâmites legais e, assim, podendo comercializar a pedra no Brasil ou exterior.

A origem e o uso do quilate para pesar pedras preciosas

O quilate, medida utilizada para pesar pedras preciosas, tem uma origem curiosa e natural: ele surgiu a partir das sementes da alfarroba, árvore típica do Mediterrâneo.

Daniel explica que na Antiguidade comerciantes perceberam que as sementes da carobeira (Ceratonia siliqua) tinham peso muito uniforme, sendo ideais para servirem como padrão em balanças de precisão no comércio de gemas e metais preciosos. Uma única semente pesava, em média, cerca de 0,2 gramas, valor que acabou dando origem à unidade.


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sexta-feira, 6 de junho de 2025

Brasil tem menor parcela de católicos da história; evangélicos batem recorde

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Espiritismo recua, religiões afro-brasileiras triplicam e cresce número de brasileiros sem religião, segundo Censo sobre religião divulgado nesta sexta-feira (6).
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Por Redação g1, g1 — São Paulo

Postado em 06 de Julho de 2.025 às 12h00m

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Brasil tem menor parcela de católicos da história; evangélicos batem recorde
Brasil tem menor parcela de católicos da história; evangélicos batem recorde

A proporção de brasileiros que se declaram católicos caiu e chegou ao menor nível já registrado desde 1872 segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base em dados do Censo 2022 divulgados nesta sexta-feira (6).

Apesar da queda, o catolicismo segue sendo a maior religião no país, seguida da evangélica.

Segundo o instituto, 56,7% da população brasileira afirmou ser católica em 2022, o menor percentual desde as primeiras pesquisas sobre religião realizadas no país, há 153 anos. Em 1872, quando o primeiro levantamento do tipo foi feito no país, os católicos representavam 99,7% da população.

Desde então, a religião católica vem diminuindo. A maior queda ocorreu entre 2000 e 2010, quando a proporção de católicos no país recuou 9 pontos percentuais, de 74,1% para 65,1%. Na última década, o ritmo foi um pouco mais lento: 8,4 pontos, de 65,1% para 56,7%.

População evangélica cresce e chega a 1 em cada 4 no país

Já o número de evangélicos no Brasil atingiu o maior número registrado e cresceu 5,2 pontos percentuais entre 2010 e 2022, passando de 21,6% para 26,9% da população. O crescimento desse grupo também foi mais devagar: na década anterior, entre os Censos de 2000 e 2010, o avanço havia sido de 6,5 pontos percentuais — ou seja, 1,3 ponto a mais do que no período mais recente.

Entre os católicos, 45,9% são brancos e 44% pardos, enquanto a maioria dos evangélicos é parda (49,1%). No espiritismo, predominam pessoas brancas (63,8%), seguidas por pardas (26,3%). Já entre os adeptos da umbanda e do candomblé, os maiores percentuais também são de brancos (42,9%) e pardos (33,2%). Nas tradições indígenas, 74,5% se declaram indígenas. Por fim, entre os que não seguem nenhuma religião, a maioria é parda (45,1%).

➡️No Censo 2010, o IBGE detalhou as religiões dentro de cada grupo. Entre os evangélicos, por exemplo, informou quantos eram da Assembleia de Deus, Batistas ou Metodistas. No Censo de 2022, o instituto informou que ainda não é possível precisar se trará este novo detalhamento dos dados em futuras divulgações.

Infográfico - Evolução das religiões no Brasil, segundo Censo de 2022. — Foto: Arte/g1
Infográfico - Evolução das religiões no Brasil, segundo Censo de 2022. — Foto: Arte/g1

Além dos católicos, também caiu a parcela daqueles que seguem o espiritismo no país: de 2,2% em 2010 para 1,8% em 2022. Em contrapartida, a parcela de seguidores da umbanda e do candomblé triplicou no mesmo período, de 0,3% para 1%.

Já a parcela de brasileiros que se declararam sem religião também aumentou, de 8% para 9,3%, uma alta de 1,4 ponto percentual em 12 anos.

Outros segmentos religiosos também cresceram. Seguidores de tradições indígenas passaram a ser 0,1% (antes, a proporção era menor que 0,1%), e praticantes de outras religiões subiram de 2,7% para 4%. Aqueles que não sabem ou não declararam cresceu de 0,1% para 0,2%.

No Chuí (RS), Pedro Osório (RS) e Atalaia do Norte (AM), a maioria da população se declara sem religião. Já em Palmelo (GO), a religião espírita é a mais presente.

O levantamento apontou que:

🗺️ Nas regiões:

  • Os católicos são maioria em todas as regiões do país, com maior concentração no Nordeste (63,9%), seguido pela Região Sul (62,4%).
  • Os evangélicos têm maior presença no Norte (36,8%) e no Centro-Oeste (31,4%).
  • A maior concentração de espíritas está na Região Sudeste, onde representam 2,7% da população.
  • Umbandistas e candomblecistas estão mais presentes no Sul (1,6%) e no Sudeste (1,4%).
  • Já os que se declararam sem religião são mais representativos na Região Sudeste (10,5%).
🏙️ Nos municípios:

  • Católicos são maioria da população em 4.881 dos 5.570 municípios do país e formam o principal grupo religioso em 5.322 cidades.
  • Eles representam mais de 95% da população em 20 municípios — 14 deles localizados no Rio Grande do Sul. As maiores proporções foram registradas em cidades com forte influência da imigração italiana e/ou polonesa, como Montauri (RS), Centenário (RS), União da Serra (RS) e Vespasiano Corrêa (RS).
  • Em 244 municípios, os evangélicos são o maior grupo religioso, e em 58 dessas cidades eles representam mais da metade da população com 10 anos ou mais.
  • As maiores proporções de evangélicos estão em cidades com colonização alemã ou pomerana, como Arroio do Padre (RS), Arabutã (SC) e Santa Maria de Jetibá (ES).
♀️♂️ Por sexo

  • Homens: São maioria entre os sem religião (56,2%) e nas tradições indígenas (50,9%).
  • Mulheres: Predominam nos demais grupos religiosos, com destaque para o espiritismo, onde 60,6% dos praticantes são mulheres.
👥 Por cor/ raça:

  • Entre os católicos, 45,9% são brancos e 44%, pardos;
  • Entre os evangélicos, a maioria é parda (49,1%);
  • Entre os espíritas, 63,8% eram pessoas brancas e 26,3% eram pardos;
  • Entre os umbandistas e candomblecistas, os maiores percentuais são brancos (42,9%) e pardos (33,2%);
  • Entre a população de tradições indígenas, 74,5% são indígenas;
  • A maioria entre os sem religião é parda (45,1%).
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