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terça-feira, 11 de março de 2025

O monstro-de-gila, lagarto de digestão lenta que foi essencial na criação do Ozempic

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Veneno do animal da América do Norte contém uma enzima que ajudou a desenvolver tratamentos que aumentam a atividade do receptor GLP-1.
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TOPO
Por BBC

Postado em 11 de Março de 2.025 às 06h00m
 
#.* Post. - Nº.\  11.542*.#

Um hormônio presente no veneno do monstro-de-gila é a base da semaglutida, princípio ativo do Ozempic — Foto: Getty Images via BBC
Um hormônio presente no veneno do monstro-de-gila é a base da semaglutida, princípio ativo do Ozempic — Foto: Getty Images via BBC

É uma pequena criatura, de pele brilhante e escamosa, que vagueia pelos desertos da América do Norte com passos lentos e que, indiretamente, serviu para promover uma revolução farmacológica.

Seu nome científico é Heloderma suspectum, mas a maioria das pessoas conhece este réptil como monstro-de-gila.

E embora sua mordida venenosa possa causar sérias complicações para um ser humano — em novembro de 2024, um homem morreu no Estado do Colorado, nos EUA, após ser mordido por seu monstro-de-gila de estimação —, este pequeno animal um tanto desajeitado está por trás de uma das descobertas médicas que mais prometem salvar vidas no futuro.

Em seu veneno, pesquisadores descobriram uma enzima que inspiraria os cientistas a desenvolver medicamentos que aumentam a atividade do receptor GLP-1, que hoje são vendidos nas farmácias com os nomes Ozempic, Wegovy e Mounjaro — e prometem ser uma revolução no combate ao diabetes tipo 2 e à obesidade.

Assim como o monstro-de-gila foi a espécie-chave para o desenvolvimento destes medicamentos, o estudo do veneno de outros animais também já rendeu avanços importantes, como o desenvolvimento de medicamentos para controle da pressão arterial e anticoagulantes.

Mas, afinal, o que há de tão especial neste lagarto? E como é possível obter a partir de uma de suas toxinas, um dos medicamentos mais promissores das últimas décadas?

A semaglutida gerou uma revolução no tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade — Foto: Getty Images via BBC
A semaglutida gerou uma revolução no tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade — Foto: Getty Images via BBC

"As toxinas evoluem para desempenhar funções muito específicas, como se defender contra predadores ou incapacitar suas presas", explica à BBC News Mundo, serviço de notícias em espanhol da BBC, o professor Kini, que dedicou sua vida a explorar diferentes tipos de toxinas para encontrar usos alternativos para elas.

No caso do monstro-de-gila — uma das duas espécies de lagartos venenosos nativos da América do Norte — seu veneno evoluiu para imobilizar pequenas presas, devido à sua falta de agilidade.

O que os cientistas descobriram é que, além de ter um efeito sobre a presa, um hormônio presente no veneno do monstro-de-gila parecia ajudar o metabolismo deste lagarto a desacelerar a tal ponto, que ele é capaz de sobreviver por até um ano com apenas seis refeições, de acordo com a Universidade de Queensland, na Austrália.

Ao isolá-lo, os pesquisadores descobriram que este hormônio, que chamaram de exendina-4, era muito semelhante ao GLP-1, uma substância que o ser humano produz naturalmente para regular os níveis de açúcar no sangue após as refeições.

No entanto, a exendina-4 é diferente do GLP-1 em uma característica fundamental: enquanto o GLP-1 humano deixa o corpo rapidamente por meio de mecanismos de excreção natural, a exendina-4 permanece por mais tempo no organismo, o que faz com que seu efeito na regulação da glicose seja mais duradouro.

Isso fornece a base para o desenvolvimento de medicamentos que atuam como agonistas do receptor de GLP-1.

Os monstros-de-gila passam a maior parte de suas vidas escondidos, e os cientistas acreditam que seu veneno tem tanto a ver com defesa quanto com ataque — Foto: Getty Images via BBC
Os monstros-de-gila passam a maior parte de suas vidas escondidos, e os cientistas acreditam que seu veneno tem tanto a ver com defesa quanto com ataque — Foto: Getty Images via BBC

A primeira grande aplicação prática da exendina-4 foi no desenvolvimento de um medicamento chamado Byetta (exenatida), especificamente para tratar diabetes tipo 2.

Este tratamento ajuda a reduzir os níveis de glicose e, com pequenas modificações, lançou as bases para outros compostos mais resistentes e duradouros, como a semaglutida (princípio ativo do Ozempic e Wegovy).

"É impressionante como uma mudança em um ou dois aminoácidos pode fazer com que a molécula dure mais tempo na corrente sanguínea, mantendo ou até mesmo aumentando sua eficácia terapêutica", diz Kini à BBC News Mundo.

No caso da semaglutida, ele explicou, o que foi feito foi adicionar uma cadeia de ácidos graxos que a liga à albumina sérica — a proteína no sangue que ajuda a transportar hormônios, vitaminas e enzimas pelo corpo —, o que faz com que ela permaneça na circulação por mais tempo.

Kini afirma, no entanto, que a semaglutida não é o único caso em que as toxinas serviram de base para o desenvolvimento de um medicamento.

Imitando a natureza

O veneno da Bothrops jararaca facilitou o desenvolvimento de medicamentos que ajudam milhares de pessoas a controlar a pressão arterial — Foto: Getty Images via BBC
O veneno da Bothrops jararaca facilitou o desenvolvimento de medicamentos que ajudam milhares de pessoas a controlar a pressão arterial — Foto: Getty Images via BBC

Como destacou Kini, pesquisadores do mundo todo analisam venenos de diferentes espécies há décadas, revelando compostos que depois são transformados em medicamentos para uso em massa.

Segundo ele, "já na década de 1970, foi isolado um peptídeo do veneno da cobra brasileira Bothrops jararaca, que deu origem aos inibidores da ECA (enzima conversora da angiotensina)", medicamentos que hoje são essenciais para o controle da pressão arterial e da insuficiência cardíaca.

Com o tempo, foram sintetizados produtos como o captopril e o enalapril, que ainda são receitados para milhões de pacientes ao redor do mundo.

Os exemplos são muitos: desde caracóis marinhos, cujas neurotoxinas permitem tratar a dor crônica quando modificadas em laboratório, até sanguessugas medicinais, cujo anticoagulante natural deu origem a medicamentos que reduzem o risco de embolias.

O princípio é sempre o mesmo: "As toxinas evoluem para causar efeitos muito precisos no organismo de suas presas ou predadores. Se conseguirmos isolar e compreender esses mecanismos, podemos transformar o veneno em um aliado terapêutico", explica Kini.

O próprio Kini estuda o veneno de cobras e a saliva de mosquitos com o objetivo de desenvolver medicamentos que previnam danos ao coração após um ataque cardíaco e controlem problemas de diurese.

Em sua experiência, muitas destas toxinas apresentam pequenas variações em um ou dois aminoácidos que desencadeiam efeitos fisiológicos altamente específicos, sendo uma questão de isolá-las e modificá-las para criação de novas terapias.

Um futuro com toxinas

O estudo de toxinas continua sendo realizado com diferentes espécies — Foto: Getty Images via BBC
O estudo de toxinas continua sendo realizado com diferentes espécies — Foto: Getty Images via BBC

A experiência com o monstro-de-gila demonstra o potencial de combinar a biologia molecular, a farmacologia e o estudo detalhado de venenos.

Para Kini, o fato de um réptil relativamente lento e inofensivo à primeira vista —capaz de sobreviver com poucas refeições e portar um veneno estável —, ter fornecido a base para medicamentos revolucionários é uma amostra do que poderia ser encontrado em outras criaturas.

"Vivemos em uma era em que novas ferramentas nos permitem avançar mais rápido do que nunca. Ainda assim, o maior desafio costuma ser o financiamento: transformar uma descoberta de laboratório em um medicamento disponível comercialmente leva anos de ensaios clínicos e grandes investimentos", ele adverte.

No entanto, ele acredita que os resultados mais do que justificam o esforço, especialmente considerando o profundo impacto de doenças como diabetes, obesidade e hipertensão.

"As próximas décadas podem nos reservar novas surpresas", diz Kini.

"Podemos encontrar compostos ainda mais eficazes no veneno de algum outro animal, ou criar versões sintéticas que ataquem doenças por novos ângulos."

Ozempic e outros inibidores de apetite podem causar perda muscular; veja como evitar

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segunda-feira, 10 de março de 2025

A computação quântica ao alcance das mãos com o Majorana 1

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Publicado por Adrien, 09 de março de 2025 às 02:00
Fonte: Microsoft
Outras Línguas: FR, EN, DE, ES
Postado em 10 de Março de 2.025 às 07h00m

 
#.* Post. - Nº.\  11.541*.#

A Microsoft revelou um avanço significativo no campo da computação quântica com o processador Majorana 1. Este último integra uma arquitetura Topological Core, uma primeira mundial, que permite estabilizar e tornar escaláveis os qubits, as unidades básicas da computação quântica.

Esta inovação baseia-se no uso de topocondutores, materiais capazes de manipular partículas de Majorana. Essas partículas, até então teóricas, são essenciais para criar qubits mais estáveis e menos sensíveis a perturbações externas. Esta tecnologia poderia permitir a construção de computadores quânticos com um milhão de qubits, capazes de resolver problemas atualmente insolúveis.


O processador quântico Majorana 1, uma revolução no campo da computação quântica.
Crédito: Microsoft

O desenvolvimento do Majorana 1 exigiu a criação de um novo material composto à base de arsenieto de índio e alumínio. Este material, projetado átomo por átomo, permite estabilizar os qubits topológicos, oferecendo assim um caminho promissor para a computação quântica em grande escala.

A Microsoft também desenvolveu um método de controle digital dos qubits, simplificando assim sua manipulação. Esta abordagem contrasta com os métodos analógicos atuais, mais complexos e menos escaláveis. O controle digital permite uma melhor gestão de erros e uma maior facilidade de escalonamento.


A empresa recebeu o apoio da DARPA, uma agência do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, para acelerar o desenvolvimento desta tecnologia. A Microsoft faz parte das duas empresas selecionadas para a fase final do programa US2QC da DARPA, que visa criar um computador quântico em escala industrial.

Por fim, a Microsoft colabora com parceiros como Quantinuum e Atom Computing para explorar as aplicações práticas desta tecnologia. Essas colaborações visam criar computadores quânticos confiáveis, capazes de funcionar em conjunto com sistemas de inteligência artificial.

O Majorana 1 representa um passo crucial para a realização de computadores quânticos capazes de resolver problemas complexos em química, ciência dos materiais e outros domínios industriais. Esta tecnologia poderia revolucionar a maneira como concebemos materiais, medicamentos e catalisadores, permitindo cálculos precisos e rápidos que até agora eram impossíveis.

O que é um qubit topológico?

Um qubit topológico é uma unidade básica da computação quântica que utiliza propriedades topológicas para manter a coerência quântica. Ao contrário dos qubits tradicionais, os qubits topológicos são mais estáveis e menos sensíveis a perturbações externas.

Esses qubits exploram partículas exóticas chamadas Majoranas, que podem existir em materiais específicos chamados topocondutores. As Majoranas permitem proteger a informação quântica de erros, o que é crucial para a confiabilidade dos cálculos.

A criação de qubits topológicos requer materiais especiais, como o arsenieto de índio, que devem ser montados com precisão atômica. Essa complexidade é compensada pelos benefícios em termos de estabilidade e potencial de escalonamento.

Por fim, os qubits topológicos abrem caminho para computadores quânticos mais poderosos e confiáveis, capazes de resolver problemas complexos em ciências e diversos domínios industriais.

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domingo, 9 de março de 2025

Justiça reverte decisão e determina que Apple permita lojas de aplicativos alternativas no iOS

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Empresa terá que abrir acesso para outras lojas além da App Store em até 90 dias, segundo decisão do TRF-1 que valida uma determinação do Cade. Apple diz que pretende recorrer.
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Por Redação g1

Postado em 09 de Março de 2.025 às 07h00m

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Fachada da loja da Apple em Manhattan, em Nova York, em 21 de julho de 2015 — Foto: REUTERS/Mike Segar

Fachada da loja da Apple em Manhattan, em Nova York, em 21 de julho de 2015 — Foto: REUTERS/Mike Segar

O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) reverteu, na quarta-feira (2), uma decisão favorável à Apple e determinou que a empresa permita outras lojas de aplicativos no iOS em até 90 dias.

Em nota, a Apple disse que pretende recorrer da decisão (veja abaixo).

Hoje, a Apple só permite que aplicativos para iOS sejam baixados em sua própria loja, a App Store. Aplicativos pagos e outras compras feitas pela pela plataforma dão à empresa o direito de receber uma comissão pela transação.

A decisão do desembargador federal Pablo Zuniga Dourado restabeleceu uma determinação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que investigou a empresa por supostas práticas anticompetitivas no mercado digital.

A Apple havia conseguido uma liminar favorável em primeira instância na Justiça Federal, que foi revertida agora no TRF-1.

Dessa forma, a empresa terá que permitir que os usuários do sistema iOS tenham acesso a outras lojas de aplicativos e opções de compra, além de possibilitar que os desenvolvedores de aplicativos ofereçam alternativas para distribuição dos apps e processamento de pagamentos.

Ao justificar a decisão, o desembargador diz que a suspensão da medida do Cade, agora revertida, validaria “as barreiras artificiais à concorrência” e reforçaria “a dependência exclusiva da App Store como canal de distribuição de aplicativos para iOS, consolidando o poder de mercado da Apple”.

O juiz também cita precedentes em outros países, destacando que a conduta da Apple é objeto de investigações e sanções na União Europeia, Estados Unidos, Reino Unido e Coreia do Sul, “o que demonstra a plausibilidade da tese defendida pelo Cade”, segundo Dourado.

Por fim, o juiz define que a empresa se adeque às medidas do Cade em até 90 dias. Em sua resolução de novembro, o órgão havia determinado uma multa diária de R$ 250 mil em caso de descumprimento. 
Apple diz que deverá recorrer

Em nota, a Apple disse que “acredita em “mercados vibrantes e competitivos onde a inovação possa florescer”, e informa que pretende recorrer da decisão.

“Enfrentamos concorrência em todos os segmentos e jurisdições onde operamos, e nosso foco é sempre a confiança de nossos usuários. Estamos preocupados que as medidas provisórias propostas pelo Cade possam prejudicar a privacidade e a segurança de nossos usuários e pretendemos apelar da decisão”, afirma a empresa.

A denúncia ao Cade foi registrada em 2022 pelo Mercado Livre e pontua que a Apple impõe restrições a desenvolvedores de aplicativos e serviços digitais que dificultam ou impedem a compra dentro de apps. Questionado pelo g1, o Mercado Livre disse que não comentará a decisão do TRF-1.

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Calor extremo acelera silenciosamente o envelhecimento em nível molecular

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Neste artigo, gerontóloga explica que altas temperaturas aumentam o risco de várias doenças, incluindo problemas renais e cardíacos. Adultos mais velhos são os mais vulneráveis a seus efeitos.
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TOPO
Por Eunyoung Choi

Postado em 09 de Março de 2.025 às 06h00m

#.* Post. - Nº.\  11.539*.#

Céu de Presidente Prudente (SP)  — Foto: Lucas Dantas/g1
Céu de Presidente Prudente (SP) — Foto: Lucas Dantas/g1

E se o calor extremo não apenas nos deixa exausto, mas também nos faz envelhecer mais rapidamente?

Cientistas já sabem que o calor extremo aumenta o risco de insolação, doença cardiovascular, disfunção renal e até mesmo de morte. Vejo esses efeitos com frequência em meu trabalho como pesquisadora que estuda como estressores ambientais influenciam o processo de envelhecimento. Mas até agora, poucas pesquisas exploraram como o calor afeta o envelhecimento biológico: a deterioração gradual das células e dos tecidos que aumenta o risco de doenças relacionadas à idade.

Uma nova pesquisa que minha equipe e eu publicamos na revista "Science Advances" sugere que a exposição de longo prazo ao calor extremo pode acelerar o envelhecimento biológico em nível molecular, gerando preocupações sobre os riscos à saúde de longo prazo representados pelo aquecimento do planeta.

♨️O preço oculto do calor extremo no corpo

Meus colegas e eu examinamos amostras de sangue de mais de 3.600 adultos idosos nos Estados Unidos. Medimos sua idade biológica usando relógios epigenéticos, que capturam padrões de modificação do DNA - metilação - que mudam com a idade.

A metilação do DNA refere-se a modificações químicas no DNA que agem como interruptores para ligar e desligar os genes. Fatores ambientais podem influenciar esses interruptores e alterar o funcionamento dos genes, afetando o envelhecimento e o risco de doenças com o tempo. A medição dessas alterações por meio de relógios epigenéticos pode prever com precisão o risco de doenças relacionadas à idade e o tempo de vida.

Pesquisas em modelos animais mostraram que o calor extremo pode desencadear o que é conhecido como memória epigenética mal adaptativa, ou mudanças duradouras nos padrões de metilação do DNA. Estudos indicam que um único episódio de estresse térmico extremo pode causar mudanças de longo prazo na metilação do DNA em diferentes tipos de tecido em camundongos.

Para testar os efeitos do estresse térmico nas pessoas, associamos os dados do relógio epigenético aos registros climáticos para avaliar se as pessoas que vivem em ambientes mais quentes apresentam um envelhecimento biológico mais rápido.

➡️Descobrimos que os adultos mais velhos que residem em áreas com dias muito quentes frequentes apresentaram envelhecimento epigenético significativamente mais rápido em comparação com aqueles que vivem em regiões mais frias.

Por exemplo, os participantes que moram em locais com pelo menos 140 dias de calor extremo por ano, classificados como dias em que o índice de calor excedeu 90 graus Fahrenheit (32,33 graus Celsius), apresentaram até 14 meses de envelhecimento biológico adicional em comparação com aqueles que moram em áreas com menos de 10 dias desse tipo por ano.

Essa ligação entre idade biológica e calor extremo permaneceu mesmo após levar em conta uma ampla gama de fatores individuais e comunitários, como níveis de atividade física e status socioeconômico. Isso significa que, mesmo entre pessoas com estilos de vida semelhantes, aquelas que vivem em ambientes mais quentes ainda podem estar envelhecendo mais rapidamente em nível biológico.

Ainda mais surpreendente foi a magnitude do efeito: o calor extremo tem um impacto comparável ao tabagismo e consumo excessivo de álcool na aceleração do envelhecimento. Isso sugere que a exposição ao calor pode estar acelerando silenciosamente o envelhecimento, em um nível equivalente ao de outros grandes estressores ambientais e de estilo de vida conhecidos.

😷Consequências para a saúde pública

Embora nosso estudo tenha jogado luz sobre a conexão entre o calor e o envelhecimento biológico, ainda há muitas perguntas sem resposta. É importante esclarecer que nossas descobertas não significam que cada ano adicional de calor extremo se traduz diretamente em 14 meses extras de envelhecimento biológico.

Em vez disso, nossa pesquisa reflete diferenças em nível populacional entre grupos com base em sua exposição local ao calor. Em outras palavras, tiramos uma foto de populações inteiras em um momento no tempo; ela não foi projetada para analisar os efeitos em pessoas individuais.

➡️Nosso estudo também não capta totalmente todas as formas de as pessoas se protegerem do calor extremo. Fatores como acesso a ar-condicionado, tempo passado ao ar livre e exposição ocupacional, todos desempenham um papel na formação da exposição pessoal ao calor e seus efeitos. Alguns indivíduos podem ser mais resistentes, enquanto outros podem enfrentar maiores riscos devido a condições de saúde preexistentes ou barreiras socioeconômicas. Essa é uma área em que são necessárias mais pesquisas.

O que está claro, no entanto, é que o calor extremo é mais do que apenas um risco imediato à saúde - ele pode estar acelerando silenciosamente o processo de envelhecimento, com consequências de longo prazo para a saúde pública.

Os adultos mais velhos são especialmente vulneráveis porque o envelhecimento reduz a capacidade do corpo de regular a temperatura de forma eficaz. Muitos idosos também tomam medicamentos, como betabloqueadores e diuréticos, que podem prejudicar a tolerância ao calor, tornando ainda mais difícil para o corpo lidar com altas temperaturas. Portanto, mesmo dias moderadamente quentes, como os que atingem 80 graus Fahrenheit (26,67 graus Celsius), podem representar riscos à saúde dos idosos.

À medida que a população dos EUA envelhece rapidamente e as mudanças climáticas intensificam as ondas de calor em todo o mundo, acredito que simplesmente dizer às pessoas para se mudarem para regiões mais frias não é realista. O desenvolvimento de soluções adequadas à idade que permitam que os idosos permaneçam em segurança em suas comunidades e protejam as populações mais vulneráveis pode ajudar a lidar com os efeitos ocultos, porém significativos, do calor extremo.

Eunyoung Choi tem pós-doutorado associado em Gerontologia, Universidade do Sul da Califórnia.

"Frente fria deve acabar com onda de calor no fim de semana."

Este texto foi publicado originalmente no site do The Conversation Brasil.

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sexta-feira, 7 de março de 2025

O que viram os primeiros turistas a entrar na Coreia do Norte após anos de fronteiras fechadas

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Um grupo de viajantes visitou a cidade de Rason, perto da fronteira com a China e a Rússia, pela primeira vez desde que o regime de Kim Jong-un cancelou a entrada no país devido à covid-19.
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TOPO
Por BBC

Postado em 07 de Março de 2.025 às 18h30m

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Os guias locais seguem um cronograma rigoroso e pré-aprovado, que incluiu uma visita a uma farmácia nova e totalmente abastecida. — Foto: Joe Smith/BBC
Os guias locais seguem um cronograma rigoroso e pré-aprovado, que incluiu uma visita a uma farmácia nova e totalmente abastecida. — Foto: Joe Smith/BBC

Não insulte os líderes. Não insulte a ideologia. E não julgue.

Essas são as regras que os guias leem para os turistas ocidentais enquanto eles se preparam para cruzar a fronteira para a Coreia do Norte, sem dúvida o país mais fechado e repressivo do mundo.

Depois, há a informação prática: não há sinal de telefone, nem internet, nem caixas eletrônicos.

"Os norte-coreanos não são robôs. Eles têm opiniões, objetivos e senso de humor. E em nossos briefings, incentivamos as pessoas a ouvi-los e entendê-los", diz Rowan Beard, diretor da Young Pioneer Tours, uma das duas empresas ocidentais que retomaram as excursões ao país na semana passada após um hiato de cinco anos.

A abertura teve vida curta, pois na quinta-feira (6/3) foi descoberto que o governo norte-coreano havia novamente suspendido a entrada de visitantes, sem motivo claro.

Rowan e um punhado de outros guias turísticos foram autorizados a retomar as operações — Foto: Rowan Beard / Young Pioneer Tours/BBC
Rowan e um punhado de outros guias turísticos foram autorizados a retomar as operações — Foto: Rowan Beard / Young Pioneer Tours/BBC

A Coreia do Norte fechou suas fronteiras no início da pandemia, impedindo a entrada de diplomatas, trabalhadores humanitários e viajantes, e tornando quase impossível descobrir o que estava acontecendo por lá.

Desde então, o país se isolou ainda mais da maior parte do mundo, contando com o apoio da Rússia e da China. Muitos duvidavam que os ocidentais algum dia seriam autorizados a voltar.

Mas, depois de anos de solicitações e várias tentativas frustradas, Rowan e outros guias turísticos receberam luz verde para reiniciar as operações.

Em cinco horas, ele reuniu um grupo de viajantes ansiosos que não queriam perder a oportunidade. A maioria era de vloggers ou viciados em viagens, alguns queriam riscar o último país da lista, e não faltaram entusiastas da Coreia do Norte.

Os turistas, do Reino Unido, França, Alemanha e Austrália, cruzaram a fronteira da China para a remota área de Rason para uma viagem de quatro noites.

Turistas do Reino Unido, França, Alemanha e Austrália cruzaram a fronteira em uma viagem de quatro noites — Foto: Joe Smith/BBC
Turistas do Reino Unido, França, Alemanha e Austrália cruzaram a fronteira em uma viagem de quatro noites — Foto: Joe Smith/BBC

Entre eles estava o youtuber britânico Mike O'Kennedy, de 28 anos. Embora já conhecesse a reputação do país, ele ficou chocado com o nível extremo de controle.

Como em todas as viagens à Coreia do Norte, os turistas foram acompanhados por guias locais, que seguiram um cronograma rigoroso e pré-aprovado.

A viagem incluiu visitas cuidadosamente coreografadas a uma cervejaria, uma escola e uma farmácia nova e totalmente equipada.

Uma cidade diferente

Ben Weston, um dos guias, comparou a visita à Coreia do Norte a "uma viagem escolar". "Você não pode sair do hotel sem os guias", disse ele.

"Algumas vezes eu até tive que dizer para eles usarem o banheiro. Nunca precisei fazer isso em lugar nenhum do mundo."

Apesar da companhia constante, Mike conseguiu ver vislumbres da vida real: "Todo mundo estava trabalhando, não parecia que ninguém estava apenas relaxando. Foi um pouco desolador de ver."

A caminho da escola, um grupo de crianças de oito anos fez uma dança ao som de animações de mísseis balísticos atingindo alvos.

Um vídeo da apresentação mostra meninas e meninos de gravatas vermelhas cantando enquanto explosões acontecem em uma tela atrás deles.

Mike viu um grupo de crianças de oito anos dançando ao som de animações de mísseis balísticos — Foto: Mike O'Kennedy/BBC
Mike viu um grupo de crianças de oito anos dançando ao som de animações de mísseis balísticos — Foto: Mike O'Kennedy/BBC

Os turistas foram mantidos longe da capital, Pyongyang. Greg Vaczi, da Koryo Tours, a outra empresa de turismo autorizada a retornar, admite que os marcos mais emblemáticos de Pyongyang não estavam no itinerário.

Ele suspeita que as autoridades escolheram Rason como destino porque a área é relativamente isolada e fácil de controlar.

Criada como uma zona econômica especial para testar novas políticas financeiras, ela funciona como um pequeno enclave capitalista dentro de um estado socialista.

Empresários chineses administram empresas conjuntas com norte-coreanos e podem entrar e sair com relativa liberdade.

Joe Smith, um viajante norte-coreano experiente e ex-editor da plataforma NK News, focada na Coreia do Norte, esteve lá pela terceira vez: "Sinto que, quanto mais vezes você visita, menos você sabe. Cada vez que você vai, você dá uma espiadinha nos bastidores, o que te deixa com mais perguntas", diz ele.

O momento de destaque para Joe foi uma visita surpresa e fora do horário normal a um mercado de artigos de luxo, onde as pessoas vendiam jeans e perfumes, além de bolsas Louis Vuitton falsas e máquinas de lavar japonesas, provavelmente importadas da China.

Neste local, os turistas não eram autorizados a tirar fotos, numa aparente tentativa de esconder essa bolha de consumismo do resto do país.

"Este era o único lugar onde as pessoas não nos esperavam", diz Joe. "Parecia confuso e real – um lugar onde os norte-coreanos comuns vão. Eu adorei."

Medo da covid continua

Mas, de acordo com guias turísticos experientes, os movimentos do grupo eram mais restritos do que em viagens anteriores, com menos oportunidades de passear pelas ruas, ir a uma barbearia ou supermercado ou conversar com os moradores locais.

A covid foi frequentemente citada como um motivo, disse Greg da Koryo Tours: "Eles parecem ainda estar preocupados. Nossa bagagem foi desinfetada na fronteira, nossas temperaturas foram medidas e cerca de 50% das pessoas ainda usam máscaras."

Greg não consegue determinar se o medo é genuíno ou uma desculpa para controlar as pessoas. Acredita-se que a covid tenha atingido duramente a Coreia do Norte, embora o impacto real seja difícil de quantificar.

Guias locais repetiram a versão do governo de que o vírus entrou no país em um balão enviado da Coreia do Sul e foi rapidamente erradicado em 90 dias.

Mas Rowan, que já esteve na Coreia do Norte mais de 100 vezes, sentiu que Rason foi afetado pelas duras regulamentações da covid. Muitas empresas chinesas fecharam, ela disse, e seus trabalhadores foram embora.

Até Joe, o viajante com experiência anterior na Coreia do Norte, comentou sobre o quão dilapidados os edifícios estavam.

"Os lugares estavam mal iluminados e não havia aquecimento, exceto nos nossos quartos de hotel", disse ele, referindo-se a uma visita a uma galeria de arte fria, escura e deserta: "Parecia que eles tinham aberto as portas só para nós."

Fotos do regime podem fazer a Coreia do Norte parecer limpa e brilhante, explicou Joe, mas pessoalmente você percebe que "as estradas são horríveis, as calçadas são instáveis e os edifícios são construídos de forma estranha".

Seu quarto de hotel era antigo e sujo, ele descreveu, lembrando "uma sala de estar de vó". A janela estava quebrada.

"Eles tiveram cinco anos para consertar as coisas. Os norte-coreanos são muito cuidadosos com o que mostram aos turistas. Se isso é o melhor que eles podem mostrar, temo pensar no que mais existe por aí."

A maior parte do país permanece escondida de olhares externos e acredita-se que mais de quatro em cada dez pessoas estejam desnutridas e precisem de ajuda.

Um país fechado

Joe disse que seu quarto de hotel parecia uma 'sala de estar de vó' — Foto: Joe Smith/BBC
Joe disse que seu quarto de hotel parecia uma 'sala de estar de vó' — Foto: Joe Smith/BBC

Uma das poucas oportunidades que os turistas têm de interagir com os moradores locais na Coreia do Norte é por meio de seus guias, que às vezes falam inglês.

Nessas últimas viagens, eles estavam surpreendentemente bem informados, apesar da intensa máquina de propaganda do regime e do apagão de notícias.

Provavelmente é porque eles conversam com empresários chineses que vão e vêm, disse Greg.

Eles sabiam sobre as tarifas de Trump e a guerra na Ucrânia, e até mesmo que tropas norte-coreanas estavam envolvidas. Mas quando Joe mostrou uma foto da Síria, seu guia não sabia que o presidente Assad havia sido deposto.

"Expliquei-lhe cuidadosamente que, às vezes, quando as pessoas não gostam do seu líder, elas se rebelam e o forçam a sair, e ele não acreditou em mim no início."

Essas conversas devem ser tratadas com delicadeza. Leis rigorosas impedem os norte-coreanos de falar livremente. Se muito for perguntado ou revelado, os turistas podem colocar em risco seu guia ou a si mesmos.

Mike admite que houve momentos em que isso o deixou nervoso. Em uma viagem à Casa da Amizade Rússia-Coreia do Norte, ele foi convidado a escrever no livro de visitas.

"Fiquei em branco e escrevi algo como 'Desejo paz mundial'. Depois, meu guia me disse que não era apropriado escrever algo assim. Isso me deixou paranoico", disse ele. "No geral, os guias fizeram um ótimo trabalho em nos fazer sentir seguros. Houve alguns momentos em que pensei: 'Isso é estranho'."

Para Greg, da Koryo Tours, essas interações trazem um propósito mais profundo ao turismo na Coreia do Norte: "Os norte-coreanos têm a chance de interagir com estrangeiros. Isso lhes permite ter novas ideias, o que, num país tão fechado, é muito importante."

Mas o turismo na Coreia do Norte é controverso, especialmente porque os viajantes foram autorizados a retornar antes dos trabalhadores humanitários e da maioria dos diplomatas ocidentais.

Críticos, incluindo Joanna Hosaniak, da Aliança dos Cidadãos pelos Direitos Humanos na Coreia do Norte, argumentam que essas viagens beneficiam principalmente o regime.

"Isso não é como o turismo em outros países pobres, onde a população local se beneficia da renda extra. A grande maioria não sabe que esses turistas existem. O dinheiro deles vai para o Estado e, em última análise, para seus militares", disse ela.

Uma conversa ficou na cabeça de Mike: durante sua ida à escola, ele ficou chocado quando uma garota, depois de conhecê-lo, disse que esperava visitar o Reino Unido um dia.

"Não tive coragem de dizer a ela que suas chances eram muito, muito pequenas", ele admitiu.

Esta reportagem foi escrita e revisada por jornalistas utilizando o auxílio de IA na tradução, como parte de um projeto piloto.

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