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quinta-feira, 4 de janeiro de 2024

Fiat Strada é o veículo novo mais vendido do Brasil em 2023; veja a lista

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Picape permanece na liderança dos emplacamentos da Fenabrave desde 2021. País teve alta de 9,7% nos emplacamentos, chegando a 2,3 milhões de unidades no ano.
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Por Raphael Martins, g1

Postado em 04 de janeiro de 2023 às 13h40m

#.*Post. - N.\ 11.064*.#

Veja lista dos veículos novos mais vendidos do Brasil em 2023

A Fiat Strada foi o veículo novo mais vendido do Brasil em 2023, segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). Foram comercializadas 120.600 unidades da picape no país.

A Strada encabeça a lista desde 2021, quando foi o veículo mais vendido do ano pela primeira vez e derrubou do topo da lista o Chevrolet Onix, que havia sido o líder por seis anos seguidos. Em 2022, a picape também fechou o ano na liderança, com 112.456 unidades emplacadas.

A novidade é a vice-liderança do Volkswagen Polo. O novo modelo de entrada da marca, desde a aposentadoria do Gol, teve 111.242 unidades emplacadas em 2023. O Chevrolet Onix ficou em terceiro lugar, com 102.043 unidades.

Os dados foram publicados nesta quinta-feira (4) pela Fenabrave. Os emplacamentos totais no país tiveram alta de 9,7% em 2023, apoiados no programa de desconto no carro zero do governo federal em meados do ano. (veja mais abaixo)

10 veículos mais vendidos de 2023

  1. Fiat Strada: 120.600 unidades
  2. Volkswagen Polo: 111.242 unidades
  3. Chevrolet Onix: 102.043 unidades
  4. Hyundai HB 20: 88.905 unidades
  5. Chevrolet Onix Plus: 74.887 unidades
  6. Fiat Mobi: 73.428 unidades
  7. Volkswagen T-Cross: 72.441 unidades
  8. Fiat Argo: 66.717 unidades
  9. Chevrolet Tracker: 66.643 unidades
  10. Hyundai Creta: 65.817 unidades
Fiat Strada 2021 — Foto: Divulgação
Fiat Strada 2021 — Foto: Divulgação

Fiat é a líder de mercado

Entre as montadoras, a líder de emplacamentos foi a Fiat, com uma fatia de 21,82% do mercado de automóveis e comerciais leves. A Volkswagen vem logo na sequência, com 15,83%.

Veja o top 10 abaixo.

  1. Fiat: 21,82% ou 475.519 unidades;
  2. Volkswagen: 15,83% ou 344.996 unidades;
  3. Chevrolet: 15,05% ou 328.020 unidades;
  4. Toyota: 8,82% ou 192.277 unidades;
  5. Hyundai: 8,55% ou 186.235 unidades;
  6. Jeep: 5,83% ou 126.957 unidades;
  7. Renault: 5,79% ou 126.270 unidades;
  8. Nissan: 3,33% ou 72.548 unidades;
  9. Honda: 3,31% ou 72.041 unidades;
  10. Peugeot: 1,6% ou 34.910 unidades.
Emplacamentos em 2023

O país registrou 2.308.140 de emplacamentos de veículos novos em 2023, segundo dados da Fenabrave. Em 2022, foram 2.104.050 unidades emplacadas. O g1 não contabiliza motos e implementos rodoviários.

Em dezembro, a entidade registrou aumento de 16,9% nos emplacamentos em relação ao mês anterior, totalizando 248.544 unidades. Em relação ao mesmo mês do ano passado, a alta foi de 14,6% (216.889).

O mercado automotivo teve um grande incentivo no ano, com o programa de descontos para carros populares. A estimativa do governo é que 125 mil veículos tenham sido vendidos entre junho e julho.

No total, o programa liberou R$ 1,8 bilhão para baratear o preço dos veículos novos. Na modalidade de carros populares foram destinados R$ 800 milhões. O desconto serviu para abater os preços de veículos com valor total de até R$ 120 mil.

Os descontos foram de R$ 2 mil a R$ 8 mil para carros de pequeno porte. De acordo com o governo, a última semana de junho havia sido o período com maior venda de veículos leves dos últimos 10 anos.

Dados por montadora

Segundo o governo, a maior parte dos descontos foi concedido pela montadora Fiat, seguida pela Volkswagen e Renault. Veja a lista abaixo:

  • FCA Fiat Chrysler: R$ 230 milhões
  • Volkswagen: R$ 100 milhões
  • Renault: R$ 90 milhões
  • Hyundai: R$ 80 milhões
  • GM: R$ 50 milhões
  • Peugeot Citroen: R$ 50 milhões
  • Nissan: R$ 20 milhões
  • Toyota: R$ 20 milhões
  • Honda: R$ 20 milhões

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quarta-feira, 3 de janeiro de 2024

As imagens que mostram as mudanças na superfície do planeta causadas por ação humana em 2023

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Do Chile e da Argentina à Ucrânia e ao Vietnã, superfície do nosso planeta sofreu grandes mudanças este ano.
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TOPO
Por Richard Gray

Postado em 03 de janeiro de 2024 às 06h10m

#.*Post. - N.\ 11.063*.#

— Foto: MAXAR TECHNOLOGIES via BBC
— Foto: MAXAR TECHNOLOGIES via BBC

Existem pouquíssimos lugares na Terra onde os seres humanos não deixaram sua marca.

🌎 Estima-se que 95% da superfície do planeta — sem incluir a Antártica, embora a humanidade também tenha deixado marcas por lá — apresenta alguns sinais de atividade humana.

❗ Segundo uma análise recente, 16% dessas terras foram significativamente modificadas.

O desenvolvimento urbano, as obras de engenharia em grande escala e os projetos de mineração estão transformando completamente as paisagens, enquanto o desmatamento e a agricultura estão alterando ecossistemas inteiros.

A poluição produzida pelo homem pode ser encontrada em quase todos os cantos do planeta.

Essa interferência continuou em ritmo acelerado ao longo de 2023, para o bem e para o mal.

Aqui mostramos alguns exemplos das mudanças mais drásticas em nosso planeta no ano passado.

Há apenas dois anos, o recife Pearson, no Mar da China Meridional, era pouco mais do que um pequeno atol entre os mais de 100 recifes de areia que, vistos do espaço, constituíam as Ilhas Spratly.

Recife Pearson, também conhecido como Ilha Phan Vinh, é agora muito maior do que seu tamanho original após dragagem de sucção pelo Vietnã. — Foto: MAXAR TECHNOLOGIES via BBC
Recife Pearson, também conhecido como Ilha Phan Vinh, é agora muito maior do que seu tamanho original após dragagem de sucção pelo Vietnã. — Foto: MAXAR TECHNOLOGIES via BBC

Mas o Vietnã, que ocupa essas ilhas desde o final da década de 1970, embarcou num grande projeto para expandir seu território terrestre no final de 2021.

👉 Por meio de um processo de dragagem e aterro, o país acrescentou 660.000 m² às ilhas e criou um porto no meio do recife que pode ser visto em uma imagem de satélite registrada em agosto de 2023.

Esse é apenas um dos vários projetos de expansão que o Vietnã empreendeu nas Ilhas Spratly desde 2021, apesar da reivindicação de vários países, como a China e as Filipinas, bem como Taiwan, à soberania das ilhas.

Em abril de 2021, recife Pearson nada mais era do que pequeno pedaço de terra na ponta de recife submerso. — Foto: MAXAR TECHNOLOGIES via BBC
Em abril de 2021, recife Pearson nada mais era do que pequeno pedaço de terra na ponta de recife submerso. — Foto: MAXAR TECHNOLOGIES via BBC

Em 2023, o Vietnã criou 133 hectares adicionais de terras insulares em cinco novos locais nas Spratlys, segundo a ferramenta Asia Maritime Transparency Initiative (AMTI), ligada à Universidade Georgetown, em Washington, nos Estados Unidos, que monitora o ambiente marinho da área.

Mas, segundo a AMTI, na última década foram destruídos cerca de 2.150 hectares de recifes de coral devido à construção de ilhas no Mar da China Meridional, a maior parte delas pela China.

O gigante asiático construiu várias bases militares nas novas ilhas que formou, incluindo uma importante base aérea.

Argentina

Com o crescimento da produção e venda de veículos elétricos e outros dispositivos alimentados por baterias, a procura por lítio disparou nos últimos anos.

Mina de lítio Cauchari-Olaroz, na província argentina de Jujuy, visa atender à crescente demanda por mineral. — Foto: MAXAR TECHNOLOGIES via BBC
Mina de lítio Cauchari-Olaroz, na província argentina de Jujuy, visa atender à crescente demanda por mineral. — Foto: MAXAR TECHNOLOGIES via BBC

Mas os alertas sobre uma escassez iminente desse mineral crítico levaram à abertura de novas minas.

Entre as que começaram a operar em 2023, está o projeto Cauchari-Olaroz, na província de Jujuy, na Argentina.

Lagoas de evaporação verdes brilhantes são claramente visíveis na imagem de satélite da Maxar Technologies.

Mudanças nas práticas agrícolas transformaram a superfície do Lago Inle nas montanhas Shan, no leste de Mianmar.

Fazendas flutuantes reduziram drasticamente superfície do Lago Inle, em Mianmar. — Foto: EU/COPERNICUS SENTINEL-2 via BBC
Fazendas flutuantes reduziram drasticamente superfície do Lago Inle, em Mianmar. — Foto: EU/COPERNICUS SENTINEL-2 via BBC

Reconhecido como Patrimônio Mundial da Unesco (braço da ONU para cultura), o lago é famoso pelos jardins flutuantes criados pelos moradores que vivem em suas margens, bem como pelos pescadores que remam com as pernas.

Mas o crescimento da aquicultura de tomate em grande escala reduziu drasticamente a área de superfície do lago.

Chile

No alto da Cordilheira dos Andes, a cerca de 4.400 metros acima do nível do mar, uma enorme cicatriz se abriu no solo.

Trata-se da mina de cobre a céu aberto Quebrada Blanca, que ampliou suas operações em 2023.

As empresas que a administram esperam produzir 300 mil toneladas de cobre por ano.

Mina de cobre a céu aberto Quebrada Blanca, localizada na região de Tarapacá, no norte do Chile, expandiu operações em 2023. — Foto: MAXAR TECHNOLOGIES via BBC
Mina de cobre a céu aberto Quebrada Blanca, localizada na região de Tarapacá, no norte do Chile, expandiu operações em 2023. — Foto: MAXAR TECHNOLOGIES via BBC

Ucrânia

Em 6 de junho de 2023, uma série de explosões de madrugada rompeu a barragem de Nova Kakhovka, causando graves inundações nos dias seguintes.

A Ucrânia acusou a Rússia de explodir deliberadamente a barragem, enquanto os russos culparam os ucranianos.

Mina de cobre a céu aberto Quebrada Blanca, localizada na região de Tarapacá, no norte do Chile, expandiu operações em 2023. — Foto: GETTY IMAGES via BBC
Mina de cobre a céu aberto Quebrada Blanca, localizada na região de Tarapacá, no norte do Chile, expandiu operações em 2023. — Foto: GETTY IMAGES via BBC

Sem o dique para reter a água, a paisagem acima e abaixo da barragem se transformou nos meses seguintes.

Antes das explosões, o nível de água do reservatório de Nova Kakhovka era o mais alto dos últimos anos, mas depois do rompimento da barragem quase secou.

Isso também afetou uma rede de canais alimentados pelo reservatório que secou durante o verão, deixando os agricultores próximos com dificuldades para irrigar as suas colheitas.

Depois que barragem rompeu, água correu rio abaixo, e reservatório secou. — Foto: NASA via BBC
Depois que barragem rompeu, água correu rio abaixo, e reservatório secou. — Foto: NASA via BBC

Uma avaliação do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) descreveu os danos como um "desastre ambiental de grande alcance" que se estenderia para muito além das fronteiras da Ucrânia.

O próprio reservatório era um ecossistema em pleno funcionamento que foi dizimado, enquanto as inundações causaram danos consideráveis ​​aos habitats naturais.

O Pnuma alertou que os danos causados ​​pelo rompimento da barragem podem ser "irreversíveis".

Um pedaço de deserto localizado a 35 km de Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, foi transformado na maior usina de energia solar do mundo.

Mais de 4 milhões de painéis solares apontam para o céu no Projeto de Energia Solar Al Dhafra, capaz de gerar eletricidade suficiente para quase 200 mil moradias.

Projeto de energia solar Al Dhafra, nos Emirados Árabes Unidos, se alastra por mais de 20 km² de deserto. — Foto: MAXAR TECHNOLOGIES via BBC
Projeto de energia solar Al Dhafra, nos Emirados Árabes Unidos, se alastra por mais de 20 km² de deserto. — Foto: MAXAR TECHNOLOGIES via BBC

Etiópia

Em setembro de 2023, a Etiópia anunciou que tinha enchido com sucesso a sua Grande Barragem da Renascença Etíope (Gerd, na sigla em inglês) no Nilo Azul.

Mas a notícia irritou os países localizados rio abaixo, especialmente o Egito, que acusa a Etiópia de ameaçar o seu abastecimento de água.

A barragem, que a Etiópia cogita utilizar para produzir eletricidade, tem sido motivo de polêmica, pois também poderia dar ao governo do país o controle sobre o abastecimento de água de seus vizinhos.

Etiópia encheu barragem durante três anos, levando a preocupações de países vizinhos. — Foto: MAXAR TECHNOLOGIES via BBC
Etiópia encheu barragem durante três anos, levando a preocupações de países vizinhos. — Foto: MAXAR TECHNOLOGIES via BBC

Arábia Saudita

As fundações de parte do The Line ("A Linha", em tradução livre para o português), uma cidade de 170 quilômetros de extensão que está sendo construída em um enorme território na costa ocidental da Arábia Saudita, estendem-se pelo deserto.

As obras de construção do projeto — que a Arábia Saudita quis promover como uma cidade ecológica de alta tecnologia que será o "modelo de amanhã" — podem ser vistas numa extremidade de uma rodovia que liga as cidades de Gayal e Ras Al Sheikh Al Hamid.

Alguns críticos também questionaram as credenciais verdes da cidade planejada.

Imagem do projeto The Line na Arábia Saudita. — Foto: GETTY IMAGES via BBC
Imagem do projeto The Line na Arábia Saudita. — Foto: GETTY IMAGES via BBC

Leia a íntegra desta reportagem (em inglês) no site BBC Future.

2023 deve ser o ano mais quente em 125 mil anos, diz observatório europeu

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terça-feira, 2 de janeiro de 2024

Os lasers mais poderosos do mundo que podem desvendar segredos do cosmos

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Dentro de um laboratório de pesquisa da Universidade de Michigan, uma luz verde brilhante enche a câmara de vácuo de um gigante tecnológico. É do tamanho de duas quadras de tênis. Trata-se de Zeus, que em breve será o laser mais poderoso dos EUA. Mas para que ele serve?
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TOPO
Por Charlotte Lytton

Postado em 02 de janeiro de 2024 às 10h30m

#.*Post. - N.\ 11.062*.#

Lasers são usados na astronomia há muitos anos — Foto: GETTY IMAGES via BBC
Lasers são usados na astronomia há muitos anos — Foto: GETTY IMAGES via BBC

Dentro de um laboratório de pesquisa da Universidade de Michigan, uma luz verde brilhante enche uma câmara de vácuo gigante. É do tamanho de duas quadras de tênis.

As paredes são protegidas por 60cm de concreto para impedir o vazamento de radiação, e a equipe usa máscaras e redes de cabelo para garantir que os eletrônicos delicados não sejam afetados.

Trata-se de Zeus, que em breve será o laser mais poderoso dos EUA - e agora aparece para seus primeiros experimentos oficiais.

Ao contrário dos lasers contínuos que digitalizam seus códigos de barras nas lojas, Zeus é um laser pulsado, disparando em explosões de alguns quililionésmos de segundo.

⚡ Cada pulso será capaz de atingir um pico de potência de três petawatts - que equivalem a mil vezes o consumo de eletricidade de todo o mundo. Um laser capaz de uma energia tão extremamente comprimida ajudará pesquisadores a estudar as leis quânticas que sustentam a realidade, por exemplo, ou a recriar as condições da astrofísica extrema no espaço.

Mas Zeus não é o único laser enorme que poderia revelar novas descobertas nos próximos anos - há uma série de outros lasers de alta potência em instalações da Europa à Ásia em seus calcanhares.

Esse campo "está realmente crescendo", diz Karl Krushelnick, diretor do Centro Gérard Mourou de ciência óptica ultrarrápida da Universidade de Michigan. "As pessoas estão expandindo os limites da tecnologia."

👉 No Reino Unido, um laser chamado Vulcan 20-20 se tornará o mais poderoso do mundo quando for concluído em 2029.

Produzirá um feixe bilhões de vezes mais brilhante do que a luz solar mais intensa. Este único pulso produzirá seis vezes mais energia do que é produzido em todo o mundo - mas durará menos de um trilionésimo de segundo, com seu alvo medindo apenas alguns micrômetros (ou 0,001 de milímetro).

Como Zeus, Vulcan 20-20 receberá cientistas de todo o mundo para realizar experimentos que possam ampliar nossa compreensão do cosmos, da fusão nuclear e até mesmo criar matéria até hoje desconhecida.

O Vulcan 20-20 de 20 petawatts é uma atualização de £85 milhões (US$ 106 milhões) no Vulcan existente na Central Laser Facility (CLF) em Harwell, no Reino Unido - que está sendo desmontado.

Atualmente do tamanho de duas piscinas olímpicas, seus espelhos de um metro de largura pesam 1,5 tonelada cada. Fios brancos grossos serpenteiam para fora da abertura do laser, à medida que o aparelho se dobra ao redor da sala.

Considerado tecnologia de ponta quando foi construído pela primeira vez no Laboratório Rutherford Appleton em 1997, o novo laser será 100 vezes mais brilhante.

A "coisa impressionante não é apenas a potência, mas sim a intensidade do laser", diz Rob Clarke, líder do grupo de ciência experimental da CLF. Para entender essa intensidade, imagine 500 milhões de milhões de lâmpadas padrão de 40W.

Agora "comprima essa luz em algo em torno de um décimo do tamanho de um cabelo humano", diz ele. "O resultado disso é uma fonte de luz muito, muito intensa, e é isso que cria todas as coisas divertidas de plasma, como enormes campos elétricos e magnéticos, e aceleração de partículas."

O Vulcan 20-20 permitirá que os cientistas realizem pesquisas astrofísicas no laboratório - recriando as condições de galáxias distantes para analisar o funcionamento interno de estrelas ou nuvens de gás, ou como a matéria pode se comportar quando exposta a temperaturas e densidades específicas.

O campo de estudo é impulsionado pelo desejo de investigar o cosmos, explica Alex Robinson, o principal físico teórico de plasma do CLF. A pesquisa astrofísica geralmente é "observacional", diz ele."

Você está apontando algum tipo de telescópio e vê várias coisas. Mas surge a questão do que realmente está acontecendo."A esperança é que a realização de experimentos com um laser de tal poder, pela primeira vez, permita "testes realmente rigorosos sobre se certas teorias poderiam funcionar ou não".

Entre os mistérios que se espera investigar em Oxford estão as origens dos campos magnéticos, que cercam a maioria dos objetos substanciais no Universo, como estrelas e planetas.

"Por que esses campos magnéticos estão lá? Não é exatamente óbvio”, diz Robinson, e nenhuma observação pode realmente voltar e testar por que eles primeiramente surgiram.

Um desses métodos de teste pode envolver a fusão de matéria para criar ondas de choque e a adição de turbulência fabricada, como causadas por nuvens moleculares, planetas e poeira, para ver se isso "poderia dar origem a campos magnéticos".

Outros experimentos explorarão as origens dos raios cósmicos (partículas de alta energia que podem viajar quase na velocidade da luz), como os jatos (sprays de partículas que disparam de colisões de alta energia) são formados e a estrutura dentro de planetas gigantes.

Os pesquisadores também usarão o laser Vulcan 20-20 para investigar a formação de novos materiais. Uma forma de nitreto de boro, um material mais duro que o diamante, foi potencialmente considerada metastável - criada em condições de pressão e intensidade muito altas fabricadas no laboratório, que podem posteriormente sobreviver em temperaturas ambientais.

E então a questão é: que outros materiais você poderia fazer da mesma maneira? Eles teriam propriedades eletrônicas ou ópticas fantásticas? Eu não sei. Mas pelo menos há um pedaço lá nos dizendo que há algo que vale a pena explorar.
— Alex Robinson, o principal físico teórico de plasma do CLF

Por que os lasers mais poderosos do mundo podem desvendar segredos do cosmos? — Foto: Getty Images via BBC
Por que os lasers mais poderosos do mundo podem desvendar segredos do cosmos? — Foto: Getty Images via BBC

Alcançando a fusão

A fusão nuclear também está na lista de áreas onde os lasers de ultra-alta potência. Em julho, pesquisadores da National Ignition Facility do Lawrence Livermore National Laboratory, na Califórnia, usaram lasers para obter um ganho líquido de energia pela segunda vez.

❗ Um experimento em 2023 criou um rendimento energético mais alto do que o primeiro, aumentando novamente as esperanças de que a energia limpa possa substituir nossas fontes de energia existentes. (Reações de fusão não liberam gases de efeito estufa ou resíduos radioativos.)

A fusão também tem sido uma das principais áreas de estudo no centro de Infraestrutura de Luz Extrema para Física Nuclear (ELI-NP) em Măgurele, Romênia - que com uma força de 10 petawatts mantém o título de laser mais poderoso do mundo.

No ano passado, o operador do laser romeno começou a fazer parceria com empresas privadas para desenvolver tecnologias que possam alimentar as primeiras usinas de fusão comercial do mundo.

Usando a técnica de "Amplificação de Pulso Chirped" que rendeu o Prêmio Nobel de Física em 2018, os pulsos a laser serão esticados, reduzindo sua potência máxima, antes de serem amplificados e comprimidos novamente.

Espera-se que a pesquisa sobre os processos físicos dessa interação seja publicada em três anos, antes da construção das primeiras usinas de fusão comercial na década de 2030.

Os físicos estão bastante interessados em enfatizar a natureza colaborativa do campo - mas o tamanho continua sendo uma um ponto para se gabar.

⚡⚡⚡ De acordo com Chang Hee Nam, diretor do Centro de Ciência Relativística do Laser (CoReLS) na Coreia do Sul e professor do Instituto de Ciência e Tecnologia de Gwangju, o laser do centro atualmente "detém o recorde de maior intensidade" do mundo, atingindo 10^23 W/sq cm - ou uma intensidade tão poderosa quanto toda a luz na Terra focada em pouco mais de um micrômetro, ou menos de um quinquagésimo do diâmetro de um cabelo humano.

Os cientistas sul-coreanos estão usando a tecnologia para explorar, entre outras coisas, a terapia de prótons - um tratamento de câncer que tem como alvo feixes carregados positivamente nos tumores dos pacientes.

Pesquisas que podem produzir novas aplicações médicas, juntamente com o teste de ideias centenárias sobre o estado do Universo, foram bem exploradas na máquina de quatro petawatts da CoReLS - mas a equipe não para por aí.

Nam diz que "agora estamos pressionando para ter um laser de petawatt mais alto; estamos preparando algumas propostas para um feixe de laser de 25 petawatts". Se encomendado nos próximos seis anos, como ele espera, superará o ainda não construído Vulcan 20-20.

Ainda assim, Clarke, do Vulcan, diz que poder e intensidade não são tudo.

A métrica mais importante agora é "o que você pode fazer com ele? Que ciência você está buscando? O que você vai conseguir com isso?"

Esses lasers, e os pesquisadores que trabalham neles, preocupam-se com uma coisa acima de tudo, diz ele. "É sobre construí-lo corretamente e usá-lo corretamente."

Nasa constrói robô 'humano' para ajudar astronautas no espaço
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