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domingo, 29 de janeiro de 2023

Boeing vai aposentar jumbo 747; modelo famoso transformou viagens aéreas nas últimas décadas

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Produção comercial termina depois de 50 anos. 'Jumbo jet' revolucionou as viagens, mas perdeu espaço para aviões mais eficientes.
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TOPO
Por Reuters

Postado em 29 de janeiro de 2023 às 14h35m

 #.*Post. - N.\ 10.659*.#

Boeing 474-400 no Aeroporto de Newquay, no Reino Unido.  — Foto: Reuters/ Henry Nicholls
Boeing 474-400 no Aeroporto de Newquay, no Reino Unido. — Foto: Reuters/ Henry Nicholls

O revolucionário jumbo 747 vai se aposentar.

O último jumbo Boeing comercial na versão cargueiro será entregue à Atlas Air na próxima terça-feira (31).

Há 53 anos, o jato de passageiros chamou a atenção do mundo com uma silhueta "corcunda", pela companhia aérea Pan Am.

"No chão é imponente, é imponente. "E no ar é surpreendentemente ágil", disse Bruce Dickinson, vocalista do Iron Maiden, que pilotou um 747 especialmente apelidado de "Ed Force One" em 2016, durante a turnê da banda britânica de heavy metal.

"Ed Force One" - Boeing 747 da banda Iron Maiden no Aeroporto Internacional de Santiago, no Chile, em 2016. — Foto: REUTERS/Ivan Alvarado
"Ed Force One" - Boeing 747 da banda Iron Maiden no Aeroporto Internacional de Santiago, no Chile, em 2016. — Foto: REUTERS/Ivan Alvarado

Projetado no final da década de 1960 para atender à demanda por viagens em massa, o modelo foi o primeiro jato de corredor duplo do mundo, um "luxo" nas nuvens.

Mas foi entre a classe média que a então novidade transformou as viagens.

“Este foi o avião que introduziu o voo para a classe média nos EUA”, disse o CEO da Air France-KLM, Ben Smith.

"Antes do 747, uma família de classe média não podia voar dos Estados Unidos para a Europa de forma acessível", disse Smith à Reuters.

O jumbo também deixou sua marca nos assuntos globais, simbolizando a guerra e a paz. Esteve presente em momentos que vão desde o posto de comando nuclear do "Avião do Juízo Final" americano até visitas papais, em fretados apelidados de Shepherd One.

Agora, dois 747 entregues anteriormente estão sendo adaptados para substituir os jatos presidenciais dos Estados Unidos, conhecidos globalmente como Força Aérea Um.

Como comissária de bordo da Pan Am, Linda Freier atendeu passageiros que iam desde Michael Jackson até Madre Teresa.

"Era uma diversidade incrível de passageiros. Pessoas "bem vestidas", e outras que tinham muito pouco e gastaram tudo naquela passagem", disse Freier.

Modelo fez quantidade de passageiros dobrar

O primeiro 747 decolou de Nova York em 22 de janeiro de 1970, após um atraso devido a uma falha no motor. Com ele, mais do que dobrou a capacidade do avião, que passou para 350-400 assentos.

"Era a aeronave para o povo, aquela que realmente oferecia a capacidade de ser um mercado de massa", disse o historiador da aviação Max Kingsley-Jones.

"Foi transformador em todos os aspectos da indústria", acrescentou o consultor sênior da Ascend by Cirium.

A história da aeronave tem suas curiosidades. O fundador da Pan Am, Juan Trippe, queria cortar custos - e, para isso, aumentar o número de assentos das aeronaves. Em uma viagem de pesca, ele desafiou o presidente da Boeing, William Allen, a fazer algo que superasse o 707.

Allen colocou o lendário engenheiro Joe Sutter no comando. Levou apenas 28 meses para a equipe de Sutter, conhecida como "os Incríveis", desenvolver o 747 antes do primeiro voo, em 9 de fevereiro de 1969.

Mas o começo não teve tanto glamour. Os primeiros anos do 747 foram repletos de problemas e os custos de desenvolvimento de US$ 1 bilhão quase levaram a Boeing à falência. Na época, acreditava-se que o futuro das viagens aéreas estava nos jatos supersônicos.

Depois de uma queda durante a crise do petróleo da década de 1970, o auge do avião chegou em 1989, quando a Boeing lançou o 747-400 com novos motores e materiais mais leves, tornando-o perfeito para atender à crescente demanda por voos mais longos.

"O 747 é o avião mais bonito e fácil de pousar... é como pousar em uma poltrona", disse Dickinson, que também preside a empresa de manutenção de aviação Caerdav.

Trabalhadores carregam Boeing 747 Cargolux no aeroporto Payerne, na Suíça. — Foto: REUTERS/Pascal Lauener
Trabalhadores carregam Boeing 747 Cargolux no aeroporto Payerne, na Suíça. — Foto: REUTERS/Pascal Lauener

Modelos mais eficientes

A mesma onda de inovação que fez o 747 decolar significou o seu fim. Os avanços permitiram que os jatos bimotores replicassem o alcance e a capacidade, com um custo menor.

No entanto, o 777X, definido para ocupar o lugar do 747 no topo do mercado de jatos, não estará pronto até pelo menos 2025, após atrasos.

"Em termos de tecnologia impressionante, grande capacidade, grande economia... (o 777X) infelizmente faz o 747 parecer obsoleto", disse o diretor administrativo da AeroDynamic Advisory, Richard Aboulafia.

No entanto, a versão mais recente do 747-8 está definida para enfeitar os céus por anos, principalmente como um cargueiro, tendo superado a produção do jato de passageiros A380 de dois andares da Airbus europeia.

A entrega final do 747 desta semana deixa dúvidas sobre o futuro da Boeing, que lida com os efeitos da pandemia de covid-19 e com uma crise de segurança do 737 Max.

O presidente-executivo Dave Calhoun disse que a Boeing pode não projetar um novo avião por pelo menos uma década.

"Foi uma das maravilhas da era industrial moderna", disse Aboulafia, "mas esta não é uma era de maravilhas, é uma era de economia."

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sábado, 28 de janeiro de 2023

Cientistas criam robô capaz de mudar de forma, escapar de gaiola e mover objeto em órgão artificial

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Minirrobôs alternam entre estado líquido e sólido para trabalhar no conserto de eletrônicos ou até dentro do corpo humano.
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Por Marina Pagno, g1

Postado em 28 de janeiro de 2023 às 07h30

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Robô de Lego derrete, “escapa” de gaiola e volta à forma original com ajuda de molde — Foto: Reprodução/Matter

Cientistas afirmam ter desenvolvido um robô de metal que consegue mudar de forma, alternando entre o estado "líquido" e sólido. Ao se esticar, mover ou derreter, ele se torna macio e maleável para trabalhar em espaços pequenos e estreitos. Além disso, se torna forte o suficiente para mover objetos mais pesados que ele mesmo.

🤖 Como o robô foi criado? A descoberta foi divulgada em um estudo científico coordenado por pesquisadores dos Estados Unidos, da China e de Hong Kong.

  • Eles criaram um robô de tamanho milimétrico a partir de uma mistura de gálio de metal líquido e pedaços microscópicos de um material magnético feito de neodímio, ferro e boro.
  • No estado sólido, o material era forte o suficiente para suportar um objeto com 30 vezes sua própria massa.
  • Para amolecer, esticar, mover ou derreter, os pesquisadores o colocaram perto de ímãs.
  • Os campos magnéticos personalizados dos ímãs exerceram forças nas minúsculas peças magnéticas do robô, movendo-as e deformando o metal circundante em diferentes direções.

🔎 Experimentos: Nos testes, os cientistas fizeram um robô minifigura de Lego.

  • Neste experimento, o robô conseguiu "escapar" de uma gaiola ao derreter e fluir entre as barras.
  • Fora da jaula, o material líquido que formou o robô caiu em um molde e, assim, ele 'reviveu', voltando à sua forma sólida original.
  • Confira o experimento na imagem que está no início da reportagem.

👀 Teste em estômago artificial: Os pesquisadores aplicaram outro conjunto de campos magnéticos para fazer o robô se aproximar de um objeto no órgão artificial.

  • O robô derreteu sobre o objeto "intruso" e conseguiu retirá-lo do órgão falso.
  • Confira como foi o teste na imagem abaixo.

Dentro de um estômago artificial, robô se aproxima de um objeto, derrete sobre ele e consegue arrastá-lo para fora — Foto: Reprodução/Matter

💡 Teste com lâmpada: A equipe também fez dois robôs carregarem e soldarem uma pequena lâmpada em uma placa de circuito.

  • Ao derreterem nas bordas, a eletricidade percorreu os corpos de metal líquido
  • Em seguida, a lâmpada acendeu.
  • Veja o experimento abaixo.

Dois robôs soldam pequena lâmpada em placa de circuito; quando derretem, a lâmpada acende — Foto: Reprodução/Matter 

🤖 Como o robô pode ser útil? De acordo com os cientistas, a invenção pode ser usada de diversas formas, entre elas:

  • Consertar eletrônicos;
  • Remover objetos do corpo humano;
  • Fazer tarefas em locais de difícil acesso;
  • Reparos de emergência em situações que as mãos humanas ou robóticas não alcançam.

👩 Uso em humanos: Usar os minirrobôs em estômagos de verdade ainda não é uma realidade.

  • Segundo os cientistas, é preciso desenvolver métodos para rastrear o robô com precisão.
  • Esses métodos tornariam precisos a posição do robô em cada etapa do procedimento.
  • Isso garantiria a segurança do paciente, de acordo com os pesquisadores.

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sexta-feira, 27 de janeiro de 2023

A múmia coberta de ouro encontrada em sarcófago fechado há 4.300 anos

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Acredita-se que esta múmia seja uma dos corpos não pertencentes à realeza mais antigos e completos já encontrados no Egito.
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Por BBC

Postado em 27 de janeiro de 2023 às 12h15m

 #.*Post. - N.\ 10.657*.#

Uma das quatro tumbas recém-descobertas no sítio arqueológico de Saqqara, ao sul do Cairo — Foto: Getty Images via BBC
Uma das quatro tumbas recém-descobertas no sítio arqueológico de Saqqara, ao sul do Cairo — Foto: Getty Images via BBC

Arqueólogos dizem ter encontrado na quinta-feira (26/01) uma múmia coberta de ouro dentro de um sarcófago que não era aberto há 4.300 anos.

Acredita-se que esta múmia, os restos mortais de um homem chamado Hekashepes, seja um dos corpos não pertencentes à realeza mais antigos e completos já encontrados no Egito.

A múmia foi descoberta a 15 metros de profundidade em um cemitério em Saqqara, no sul do Cairo, onde três outras tumbas também foram encontradas.

A maior das múmias descobertas na antiga necrópole pertence a um homem chamado Khnumdjedef — um sacerdote, inspetor e supervisor de nobres.

Outra pertencia a um homem chamado Meri, que era um alto funcionário do palácio com o título de "guardião de segredos", o que permitia a ele realizar rituais religiosos especiais.

Acredita-se que um juiz e escritor chamado Fetek tenha sido sepultado na outra tumba, onde foi descoberta uma coleção de estátuas — provavelmente as maiores já encontradas na área.

Vários outros itens, incluindo artigos de cerâmica, também foram encontrados entre os túmulos.

Várias estátuas e peças de cerâmica foram encontradas nos túmulos — Foto: Getty Images via BBC
Várias estátuas e peças de cerâmica foram encontradas nos túmulos — Foto: Getty Images via BBC

O arqueólogo Zahi Hawass, ex-ministro de Antiguidades do Egito, afirmou que todas as descobertas datam aproximadamente dos séculos 25 a 22 a.C.

"Esta descoberta é muito importante pois conecta os reis com as pessoas que vivem ao seu redor", diz Ali Abu Deshish, outro arqueólogo envolvido na escavação.

Saqqara foi um cemitério ativo por mais de 3 mil anos — e é um Patrimônio Mundial da Unesco. Está localizada no que era Mênfis, antiga capital egípcia, e abriga mais de uma dúzia de pirâmides — incluindo a Pirâmide de Degraus, perto de onde a múmia foi encontrada.

A descoberta aconteceu um dia depois de especialistas em Luxor, no sul do país, anunciarem ter encontrado uma cidade residencial completa da era romana, que remonta aos séculos 2 e 3 d.C.

Os arqueólogos encontraram edifícios residenciais, torres e o que chamaram de "oficinas de metal" — contendo vasos, ferramentas e moedas romanas.

O Egito revelou uma série de grandes descobertas arqueológicas nos últimos anos, como parte dos esforços para revitalizar sua indústria do turismo.

O governo espera que o Grande Museu Egípcio, previsto para abrir neste ano após atrasos, atraia 30 milhões de visitantes por ano até 2028.

No entanto, os críticos acusam o governo do Egito de priorizar as descobertas midiáticas em detrimento de pesquisas acadêmicas complexas, a fim de atrair mais turismo.

- Este texto foi publicado em https://www.bbc.com/portuguese/geral-64412106

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'Maior quebra-cabeça 3D do mundo': o desafio de remontar um navio do século 15

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Depois de 20 anos de trabalhosa restauração, os arqueólogos podem agora começar a remontar o convés de um navio do século 15 encontrado às margens de um rio no sul do País de Gales.
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Por Peter Shuttleworth, BBC

Postado em 27 de janeiro de 2023 às 07h30m

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O Navio de Newport, da era medieval, é uma das maiores descobertas históricas do País de Gales — Foto: NEWPORT MUSEUMS AND HERITAGE SERVICE
O Navio de Newport, da era medieval, é uma das maiores descobertas históricas do País de Gales — Foto: NEWPORT MUSEUMS AND HERITAGE SERVICE

Com quase 2,5 mil peças, 30 metros de comprimento e pesando 25 toneladas, ele está sendo chamado de "o maior quebra-cabeça 3D do mundo".

Depois de 20 anos de trabalhosa restauração, os arqueólogos podem agora começar a remontar o convés de um navio do século 15 encontrado às margens de um rio no sul do País de Gales.

Especialistas afirmam que o navio medieval é uma descoberta tão importante quanto a do navio de guerra Mary Rose, encontrado no estreito de Solent, no sul da Inglaterra — e ainda é um século mais antigo.

"O navio tem interesse e significado global", segundo o historiador e apresentador de TV britânico Dan Snow.

Especialistas vêm trabalhando no projeto de conservação do Navio de Newport desde a descoberta de quase um terço da antiga embarcação, usada para o comércio de vinho, em 2002. Com ele, havia 1 mil artefatos medievais nas margens do rio Usk, perto da cidade galesa de Newport.

Os restauradores conseguiram um feito importante em 19 de janeiro. Todo o madeiramento, preservado por mais de 550 anos, está seco e restaurado, pronto para ser exibido.

A equipe do projeto multimilionário agora planeja o que será a maior tentativa já realizada de remontar um navio arqueológico.

"Temos um navio enorme e desmontado que precisamos remontar e não temos as instruções", afirma o curador do projeto, Toby Jones. "Haverá muito trabalho de encaixe, verificação, desmontagem e novos encaixes."

"Existem navios arqueológicos em exibição em todo o mundo, mas nenhum do século 15. É isso que o torna tão especial e significativo. Temos um navio medieval que é totalmente único", explica Jones.

O navio militar Mary Rose navegava sob a bandeira do rei Henrique 8°, da dinastia Tudor. Hoje, talvez seja o navio mais famoso do século 16 em exibição. Já o navio sueco Vasa é o seu equivalente do século 17.

O navio foi encontrado em 2002, durante a construção de um novo teatro em Newport — Foto: Divulgação
O navio foi encontrado em 2002, durante a construção de um novo teatro em Newport — Foto: Divulgação

Agora, os historiadores afirmam que o Navio de Newport será o único objeto marítimo do século 15 em exibição em todo o mundo.

"O Mary Rose sempre foi o mais importante desde que foi encontrado e levantado em 1982, como lembram muitas pessoas. Agora, o Navio de Newport atingiu o mesmo nível", afirma o chefe de conservação do Mary Rose, David Pearson.

Para Pearson, "ele pode fornecer muitas informações sobre como era a vida em meados dos anos 1400 e podemos aprender sobre a construção de navios no final da era medieval e com os itens encontrados a bordo".

Vigas do Navio de Newport sendo removidas da máquina de secagem por congelamento no Museu Mary Rose de Portsmouth, na Inglaterra — Foto: Divulgação
Vigas do Navio de Newport sendo removidas da máquina de secagem por congelamento no Museu Mary Rose de Portsmouth, na Inglaterra — Foto: Divulgação

Cerca de 8 milhões de libras (cerca de R$ 50 milhões) já foram gastos para preservar e restaurar as vigas, incluindo a secagem da madeira por congelamento no Museu Mary Rose, em Portsmouth, no litoral sul da Inglaterra.

No dia 19 de janeiro, a equipe fez sua última visita ao museu para recolher o último lote de cerca de 100 vigas e levá-las de volta a Newport. Com isso, todas as vigas ficaram novamente sob o mesmo teto, pela primeira vez depois de anos.

Os historiadores agora esperam remontar os destroços e colocá-los em exposição dentro dos próximos cinco anos.

'É como uma cápsula do tempo'

"O Navio de Newport nos conta muitas coisas que o Mary Rose não consegue", segundo Dan Snow.

"O Mary Rose foi um navio da era Tudor e parece um dos primeiros navios modernos. Já o Navio de Newport é uma embarcação comercial que operava no início de uma revolução na construção de navios na Europa", segundo Snow.

"Era uma época em que os que moravam ao longo do litoral do Atlântico — os galeses, pessoas da Bretanha, do norte da Espanha, de Portugal, de Devon e da Cornualha [na Inglaterra] — estavam começando a sair ao mar em navios maiores e mais fortes, que permitiriam que eles, um dia, cruzassem o Atlântico e o Oceano Índico", prossegue o historiador.

"Por isso, o Navio de Newport simboliza o nascimento dessa era de exploração europeia e chega em um momento muito importante da história marítima — apenas uma geração antes que Cristóvão Colombo atravessasse o Atlântico."

"É o nascimento de uma era que mudou o mundo de todas as formas imagináveis", explica Snow. "As pessoas falam em globalização e comércio internacional como se fosse algo recente, mas este navio mostra que, muito antes, no nosso passado medieval, tínhamos fortes ligações com a Europa e estávamos comercializando e bebendo vinhos franceses."

Para Snow, "o Navio de Newport é um dos destroços mais importantes e interessantes encontrados em águas britânicas em uma geração. É um achado verdadeiramente internacional; a madeira veio do norte da Espanha e o vinho, da França."

"É como uma cápsula do tempo, um pedaço do século 15 oferecido para nós, aqui no século 21. É algo que terá significado e interesse global. Turistas virão de todo o mundo, pois está muito bem preservado", conclui ele.

Por que em Newport?

Acredita-se que o navio de tamanho médio, com 30 metros de comprimento e pesando 400 toneladas, estivesse sendo reabastecido após uma viagem da Península Ibérica até a vizinha Bristol, na Inglaterra.

O reabastecimento estava ocorrendo em um cais do rio Usk em 1468 ou 1469, quando o ancoradouro quebrou.

Grande parte das tábuas de carvalho e ferro foi retirada antes que a maré escondesse os restos da embarcação e um terço do navio ficou preservado no seu túmulo de lama, permanecendo intocado por mais de cinco séculos.

Avaliações do impacto econômico preveem que o navio preservado pode atrair até 150 mil visitantes por ano. Com isso, o navio se tornaria uma das atrações turísticas mais populares do País de Gales. Ele representaria, para a economia do sul de Gales, um aumento de 7 milhões de libras (cerca de R$ 44 milhões) por ano.

As 2,5 mil tábuas do Navio de Newport foram mantidas em cera por quatro anos, como parte do processo de restauração — Foto: NEWPORT MUSEUMS AND HERITAGE SERVICE
As 2,5 mil tábuas do Navio de Newport foram mantidas em cera por quatro anos, como parte do processo de restauração — Foto: NEWPORT MUSEUMS AND HERITAGE SERVICE

Os arqueólogos planejam permitir ao público assistir à remontagem dos restos quando for destinada uma construção suficientemente grande para receber o navio.

"Você não pode construir isso e depois movê-lo", explica Jones. "Você só pode construí-lo na sua posição final, mas, quando estiver pronto, ele ficará estável e com potencial para ficar em exibição permanente."

O conselho de Newport, que liderou o trabalho de conservação, irá começar em breve um estudo de viabilidade para decidir qual o melhor local para abrigar o navio. Uma loja de departamentos vazia é uma possibilidade.

"Estamos dispostos a encontrar um lar que maximize o acesso a todas as pessoas, pois queremos compartilhar este grande tesouro", afirma a líder do conselho de Newport, Jane Mudd. "Os possíveis benefícios econômicos também são importantes — mais de 1 mil pessoas comparecem às discussões sobre o Navio de Newport, o que indica que o interesse é enorme."

Este texto foi publicado em https://www.bbc.com/portuguese/geral-64351575

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