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segunda-feira, 19 de dezembro de 2022

Único conhecido no planeta, tamanduá albino é encontrado no Cerrado

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Um tamanduá-bandeira albino foi encontrado em uma fazenda no Mato Grosso do Sul. Sua raríssima existência, no entanto, está envolta em mistérios.
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TOPO
Por Leandro Machado, BBC

Postado em 19 de dezembro de 2022 às 17h50m

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Alvin foi descoberto em uma fazenda do Mato Grosso do Sul — Foto: LUCIANO CANDISANI/@LUCIANOCANDISANI
Alvin foi descoberto em uma fazenda do Mato Grosso do Sul — Foto: LUCIANO CANDISANI/@LUCIANOCANDISANI

Um tamanduá albino foi encontrado recentemente no Mato Grosso do Sul. Com pelagem clara e olhos avermelhados, foi batizado com o nome de Alvin.

Segundo especialistas, ele é o único tamanduá-bandeira albino conhecido no planeta e sua existência pode ajudar a explicar como o desmatamento do Cerrado afeta a espécie.

A descoberta ocorreu em agosto deste ano e está mobilizando pesquisadores do Instituto de Conservação de Animais Silvestres (ICAS), que iniciou um estudo científico sobre o bicho e sua adaptação ao Cerrado.

Com apenas oito meses de vida, ele foi encontrado por funcionários de uma fazenda particular na região de Três Lagoas, cidade a cerca de 330 km da capital, Campo Grande. Ainda filhote, ele estava com a mãe, que o carregava nas costas - a fêmea costuma cuidar do filhote por até 10 meses.

Sua mãe, no entanto, tinha características comuns ao tamanduá-bandeira: pelagem acinzentada que serve para camuflar o animal em meio à vegetação do Cerrado.

O tamanduá-bandeira, mamífero tido como um dos símbolos da rica fauna do bioma, está em risco de extinção por causa da caça e também da constante destruição da vegetação que lhe serve como habitat.

Estima-se que, nos últimos 10 anos, a espécie tenha perdido 30% da população, que está presente em todo o Cerrado brasileiro, mas também em outras áreas na América do Sul.

Nesse contexto de risco, Alvin ocupa uma posição ainda mais rara: não há notícias de que existam outros albinos como ele.

O albinismo é uma desordem genética que limita a produção de melanina, gerando animais com pelagem de coloração clara ou aloirada.

Alvin tinha cerca de oito meses quando foi encontrado — Foto:  LUCIANO CANDISANI/@LUCIANOCANDISANI
Alvin tinha cerca de oito meses quando foi encontrado — Foto: LUCIANO CANDISANI/@LUCIANOCANDISANI

O albinismo pode atingir todas as espécies, mas é extremamente raro - e, dado o tamanho da fauna de um bioma extenso como o Cerrado, encontrar um animal albino depende muito da sorte.

Nesse cenário, a existência de Alvin está envolta em alguns mistérios que os cientistas vão tentar desvendar nos próximos meses.

O primeiro é que ele não foi o primeiro tamanduá albino a aparecer na região de Três Lagoas.

Um ano antes, em agosto de 2021, outro indivíduo com pelagem aloirada como ele foi encontrado por funcionários da mesma fazenda.

"Quando nós chegamos lá, ele já estava morto, mas conseguimos coletar amostras genéticas que foram enviadas para a análise em laboratório", explica a médica veterinária Débora Yogui.

Segundo a bióloga Nina Attias, pesquisadora do ICAS, é provável que esse primeiro tamanduá albino seja irmão de Alvin, que nasceu meses depois.

Para comprovar essa tese serão necessários testes genéticos com material coletado dos dois animais.

"Dois tamanduás albinos aparecerem na mesma fazenda é como se dois raios caíssem no mesmo lugar. Por isso, nós acreditamos que sejam irmãos", explica Attias.

Para Attias, porém, há um problema nessa configuração familiar: os tamanduás não são monogâmicos, ou seja, eles acasalam e produzem filhotes com vários parceiros ao longo da vida.

"Para um nascer albino, é necessária uma combinação dos genes do pai e da mãe. É uma questão de acaso mesmo, muito difícil de acontecer", explica a bióloga.

Então, para os dois serem irmãos e albinos, é mais provável que eles sejam filhos dos mesmos pais. "Teria que ser uma coincidência muito grande nascerem dois tamanduás albinos de pais diferentes em uma mesma fazenda", explica Attias.

Nesse ponto entra outro fator importante que pode explicar o fenômeno: o desmatamento do Cerrado.

Segundo a bióloga, a destruição do bioma pode levar à "endogamia" da espécie. Ou seja, com menos opções de parceiros para acasalar, os tamanduás teriam atingido um grau menor de diversidade genética, aumentando a chance de dois indivíduos albinos nascerem na mesma região em período curto de tempo.

O tamanduá-bandeira come cerca de 10 mil formigas por dia — Foto: ICAS
O tamanduá-bandeira come cerca de 10 mil formigas por dia — Foto: ICAS

"Muito provavelmente esse declínio populacional e isolamento desse bichos têm a ver com o alto grau de degradação do Cerrado no Mato Grosso do Sul", diz.

Um estudo científico recente apontou que, no Mato Grosso do Sul, existem apenas 16% da vegetação original do Cerrado. O restante foi destruído, principalmente para dar lugar à agropecuária.

Desmatamento do Cerrado

Esse desmatamento ocorre em grande parte do bioma, considerado a savana mais biodiversa do planeta, com mais de 14 mil plantas, além de uma rica fauna silvestre.

Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontam que o Cerrado perdeu 10.689 quilômetros quadrados de vegetação entre agosto de 2021 e julho deste ano - proporcionalmente, ele sofre mais com o desmatamento do que a Amazônia.

De acordo com o MapBiomas, plataforma que monitora o uso do solo no Brasil, 45,4% do Cerrado já foi destruído para dar lugar à agropecuária, principalmente para o cultivo de soja e milho.

Como um albino sobrevive

O estudo sobre tamanduá Alvin também pode descobrir outro mistério: como um animal albino consegue sobreviver no Cerrado?

Os cientistas colocaram um colar de monitoramento em Alvin. Toda sua movimentação está sendo registrada.

"A teoria ecológica fala que os bichos albinos têm mais dificuldades adaptativas e de sobrevivência. Ele sofre mais com o calor por causa da pelagem, e também é mais difícil para ele se camuflar na vegetação. Praticamente não existem dados sobre os desafios que os albinos enfrentam para sobreviver", explica Attias.

Para Alvin, talvez seja mais difícil fugir dos grandes predadores, como as onças parda e pintada. Essa predação, inclusive, é importante para a vida no Cerrado: esses grandes carnívoros dependem da existência do tamanduá-bandeira para se alimentar.

Já outros servem de comida para o tamanduá: cada animal come cerca de 10 mil formigas por dia, além de milhares de cupins.

Além de rara, a vida de Alvin não será nada fácil.

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domingo, 18 de dezembro de 2022

O título em fotos: 10 imagens que resumem tri da Argentina na Copa

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Desde a derrota surpreendente para a Arábia Saudita, Messi e companhia se reinventaram e levaram seleção a um título que não era conquistado há 36 anos
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Por Redação do ge — Doha, Catar

Postado em 18 de dezembro de 2022 às 22h00m

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Em vídeos, Messi e companhia podem ser vistos em gols, belos lances e comemorações do título da Copa do Mundo, conquistado pela Argentina após empate por 3 a 3 com a França e vitória nos pênaltis, neste domingo, no estádio Lusail.

Muitas fotos, porém, também ajudam a contar a história do título, que teve surpreendente derrota para a Arábia Saudita, na estreia, num já distante 22 de novembro, e depois se construiu até a conquista deste 18 de dezembro.

A começar pelo beijo de Messi na taça...

Messi beija a taça da Copa do Mundo: enfim, ela parou nas mãos do craque — Foto: Reuters
Messi beija a taça da Copa do Mundo: enfim, ela parou nas mãos do craque — Foto: Reuters

Veja abaixo outras nove imagens da Argentina na Copa:

A surpresa

Messi lamenta derrota da Argentina para a Arábia Saudita — Foto: Dylan Martinez/Reuters
Messi lamenta derrota da Argentina para a Arábia Saudita — Foto: Dylan Martinez/Reuters

O respiro
Gol de Enzo Fernández em Argentina x México: garoto entrou e definiu vitória por 2 a 0 — Foto: Dan Mullan/Getty Images
Gol de Enzo Fernández em Argentina x México: garoto entrou e definiu vitória por 2 a 0 — Foto: Dan Mullan/Getty Images

O susto
Messi perdeu pênalti contra a Polônia: no fim, Argentina venceu e se classificou em primeiro — Foto: Reuters
Messi perdeu pênalti contra a Polônia: no fim, Argentina venceu e se classificou em primeiro — Foto: Reuters

A esnobada
Messi ignora Lewandowski em Polônia x Argentina — Foto: REUTERS/Dylan Martinez
Messi ignora Lewandowski em Polônia x Argentina — Foto: REUTERS/Dylan Martinez

O Messi fofo
Messi conversa com menina momentos antes de Argentina x Austrália — Foto: Divulgação/Fifa
Messi conversa com menina momentos antes de Argentina x Austrália — Foto: Divulgação/Fifa

A maior provocação
Argentinos provocam holandeses depois da vitória nos pênaltis — Foto: Reuters
Argentinos provocam holandeses depois da vitória nos pênaltis — Foto: Reuters

"Qué mirá, bobo?"
Lionel Messi, da Argentina, comemora seu gol contra a Holanda  — Foto: Paul Childs/Reuters
Lionel Messi, da Argentina, comemora seu gol contra a Holanda — Foto: Paul Childs/Reuters

Vaga e exaustão
Lionel Messi em Argentina x Croácia: vaga na final estava garantida após muito suor — Foto: REUTERS/Peter Cziborra
Lionel Messi em Argentina x Croácia: vaga na final estava garantida após muito suor — Foto: REUTERS/Peter Cziborra

A defesa da Copa
Dibu Martínez faz defesaça que levou Argentina x França para os pênaltis — Foto: Divulgação
Dibu Martínez faz defesaça que levou Argentina x França para os pênaltis — Foto: Divulgação
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sábado, 17 de dezembro de 2022

Veja os destinos turísticos mais superestimados e subestimados no mundo

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Estudo foi feito com base nas avaliações do TripAdvisor.
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Por g1

Postado em 17 de dezembro de 2022 às 14h45m

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Cidade de Orlando, na Flórida — Foto: Divulgação
Cidade de Orlando, na Flórida — Foto: Divulgação

Orlando, no estado americano da Flórida, foi considerado o destino mais superestimado do mundo, de acordo com levantamento da Radical Storage.

De acordo com a pesquisa, baseada nas avaliações do TripAdvisor, por causa do grande número de turistas e preços elevados, quase 20% dos visitantes do local turístico tinham alguma reclamação a fazer sobre a cidade.

Orlando teve a maior proporção de visitantes reclamando que a cidade não atendeu às expectativas. Além disso, teve também a maior porcentagem de comentários em que os turistas se sentiram "roubados", bem como o maior número de comentários de pessoas "rudes".

O segundo destino turístico mais superestimado foi Jacarta , na Indonésia, seguido pela praia tailandesa Pattaya.

Alguns destinos entre os dez primeiros são aqueles que geralmente são conhecidos por sua beleza estética, como Da Nang e Ha Long, no Vietnã, e Guilin, na China.

No levantamento foram pesquisadas 826.292 avaliações no TripAdvisor das dez atrações turísticas mais avaliadas em 100 cidades ao redor do mundo, com base no número de visitantes internacionais do relatório dos 100 principais destinos de cidades da EuroMonitor e do Índice de cidades globais' da Mastercard.

Veja os 10 destinos mais superestimados do mundo e a porcentagem de reclamações:

  1. Orlando, EUA - 19,52%
  2. Jacarta , Indonésia - 13,49%
  3. Pattaya, Tailândia - 10,50%
  4. Denpasar, Indonésia - 9,98%
  5. Guilin, China - 9,70%
  6. Joanesburgo, África do Sul - 9,25%
  7. Da Nang, Vietnã - 9,17%
  8. Ha Long, Vietnã - 9,15%
  9. Shenzen, China - 9,05%
  10. Pequim, China - 9,01%
Ha Long, no Vietnã — Foto: Divulgação
Ha Long, no Vietnã — Foto: Divulgação

Destinos mais subestimados
Budapeste, na Hungria, foi considerada a cidade mais subestimada — Foto: Átila Kisbenedek/AFP
Budapeste, na Hungria, foi considerada a cidade mais subestimada — Foto: Átila Kisbenedek/AFP

Na outra ponta, o destino mais subestimado na lista da Radical Storage foi Budapeste - 96,17% das avaliações da capital húngara incluíram comentários positivos.

Budapeste foi a cidade onde os viajantes foram mais surpreendidos positivamente em sua experiência. E foi considerada a cidade mais bela, enquanto Roma tem as atrações mais imperdíveis, de acordo com as avaliações dos turistas.

A segunda mais subestimada foi a capital da Bélgica, Bruxelas, enquanto a terceira foi Zurique , na Suíça.

As três primeiras colocadas são cidades europeias sem litoral, talvez uma indicação de que os turistas tenham menos expectativas para locais longe do mar.

Veja abaixo os 10 destinos mais subestimados e a porcentagem de comentários positivos:

  1. Budapeste, Hungria - 96,17%
  2. Bruxelas, Bélgica - 96,04%
  3. Zurique, Suíça - 96,02%
  4. Dublin, Irlanda - 95,90%
  5. Lima, Peru - 95,87%
  6. Lisboa, Portugal - 95,74%
  7. Cidade do México, México - 95,74%
  8. Nice, França - 95,63%
  9. Auckland, Nova Zelândia - 95,45%
  10. Sidney, Austrália - 95,44%
Um turista em Sidney, na Austrália, no dia 20 de março de 2020 — Foto: Peter Parks / AFP
Um turista em Sidney, na Austrália, no dia 20 de março de 2020 — Foto: Peter Parks / AFP

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sexta-feira, 16 de dezembro de 2022

Cientistas encontram clitóris em cobras fêmeas

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Fêmeas foram negligenciadas por muito tempo, dizem cientistas, que sugerem que sexo da cobra pode envolver sedução.
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Por Frances Mao, BBC

Postado em 16 de dezembro de 2022 às 16h00m

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Descoberta do clitóris em cobras sugere que pode haver sedução e prazer no processo de acasalamento — Foto: GETTY IMAGES
Descoberta do clitóris em cobras sugere que pode haver sedução e prazer no processo de acasalamento — Foto: GETTY IMAGES

Cientistas descobriram que as cobras têm clitóris, rompendo com uma suposição de longa data de que as fêmeas desse animal não tinham um órgão sexual.

O estudo publicado por eles nesta quarta-feira (14/12) detalha as primeiras descrições anatômicas da genitália das cobras fêmeas.

Os pênis das cobras — chamados de hemipênis — são estudados há décadas. Eles estão usualmente invertidos — dentro do corpo, são bifurcados e alguns comportam espinhos ou ganchos para ancorar o macho dentro da fêmea.

Cientistas encontraram clitóris em forma de coração na espécie cobra-da-morte — Foto: Luke Allen
Cientistas encontraram clitóris em forma de coração na espécie cobra-da-morte — Foto: Luke Allen

Já o órgão sexual feminino sempre permaneceu "ignorado em comparação" com o masculino, disseram os pesquisadores.

Não que ele não existisse — em vez disso, os cientistas não estavam realmente procurando por ele.

"Havia uma combinação de fatores: a genitália feminina era um tabu, os cientistas não conseguiam encontrá-la e todo mundo aceitava a identificação incorreta das cobras intersexuais", diz Megan Folwell, doutoranda na Universidade de Adelaide, na Austrália, e responsável pelo estudo.

Ilustração mostra clitóris — hemiclitores (em vermelho) ao lado das glândulas odoríferas marcadas — Foto: Megan Folwell
Ilustração mostra clitóris — hemiclitores (em vermelho) ao lado das glândulas odoríferas marcadas — Foto: Megan Folwell

Seu artigo em coautoria com outros pesquisadores foi publicado na revista científica Proceedings of the Royal Society B nesta semana e localiza o clitóris na cauda de uma cobra fêmea.

As cobras têm dois clitóris individuais — hemiclitores — separados por tecido e escondidos na parte inferior da cauda. O órgão de parede dupla é composto de nervos, colágeno e glóbulos vermelhos consistentes com o tecido erétil, explicam os pesquisadores.

Folwell diz que começou a procurar pelo órgão sexual feminino pois "sempre teve dificuldades em aceitar" a literatura sobre essa parte da anatomia das cobras fêmeas, apregoando que ora elas não tinham clitóris ou que essa estrutura desapareceu devido à evolução.

"Sei que [o clitóris] está em muitos animais e não faz sentido que não esteja em todas as cobras", diz ela.

"Só tinha que dar uma olhada, para ver se essa estrutura estava lá ou se apenas foi perdida (com a evolução)", acrescenta.

Ela começou sua busca pelo órgão sexual feminino em uma cobra-da-morte (Acanthophis antarcticus) e encontrou o clitóris — uma estrutura em forma de coração — bem imediatamente, perto das glândulas odoríferas do animal, usadas para atrair parceiros sexuais.

"Havia essa estrutura dupla que era bastante proeminente na fêmea, que era bem diferente do tecido circundante — e não havia implicação das estruturas [do pênis] que vi antes."

Folwell e seus colegas então verificaram a mesma característica em uma variedade de cobras — dissecando um total de nove espécies, incluindo a píton-tapete (Morelia spilotes variegata), a biúta (Bitis arietans ou Bitis lachesis) e a cobra-cantil (Agkistrodon bilineatus). Os hemiclitores variavam em tamanho, mas eram distintos.

Reescrevendo o sexo da cobra

A descoberta agora permite novas teorias sobre o sexo da cobra — que pode envolver estimulação e prazer das fêmeas.

Até agora, os cientistas acreditavam que as relações sexuais entre as cobras era "principalmente sobre coerção e a cobra macho forçando o acasalamento", diz Folwell.

Isso porque as cobras machos são tipicamente bastante agressivas fisicamente durante o acasalamento, enquanto a fêmea, mais "serena".

"Mas agora, com a descoberta do clitóris, podemos começar a olhar mais para a sedução e a estimulação como outra forma de a fêmea estar mais disposta e propensa a acasalar com o macho", diz ela.

Também lança uma nova luz sobre as preliminares hipotéticas da cobra. As cobras machos geralmente se enrolam na cauda de suas parceiras — na qual o clitóris está localizado — e fazem pressão sobre essa parte.

"Este é um comportamento que pode indicar que eles (cobras machos) estão, na prática, estimulando a fêmea".

Folwell diz que houve uma recepção positiva para a descoberta no mundo da ciência das cobras — "um pouco chocante por ter passado despercebida por tanto tempo, mas também surpresa porque faz sentido que ela exista".

Ela observa que, em algumas espécies de cobras, o clitóris é frágil e particularmente pequeno — menos de um milímetro.

Também havia uma crença predominante de que as cobras fêmeas tinham uma versão menor do hemipênis masculino, como é o caso dos lagartos-monitores (Varanus). Como tal, em alguns estudos de cobras intersexuais, os cientistas rotularam erroneamente um hemipênis como hemiclitores.

Uma das outras pesquisadoras do projeto, a professora Kate Sanders, também da Universidade de Adelaide, diz que a descoberta não teria acontecido se não fosse pela "nova perspectiva" de Folwell.

"Esta descoberta mostra como a ciência precisa de diferentes pensadores com diferentes ideias para evoluir".

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