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domingo, 17 de julho de 2022

Dia de Proteção às Florestas: dados alertam para importância da preservação e conservação da Amazônia

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O Pará, que abriga 9% das florestas tropicais do mundo, é o segundo estado que mais desmatou a Amazônia em 2022 até o momento.
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Por Alan Martins, g1 Santarém e região — PA

Postado em 17 de julho de 2022 às 15h10m

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Pará abriga 9% das florestas tropicais do mundo — Foto: Asimas/Divulgação
Pará abriga 9% das florestas tropicais do mundo — Foto: Asimas/Divulgação

O Dia de Proteção às Florestas é celebrado neste domingo (17), dia do Curupira, que é um personagem do folclore brasileiro considerado o protetor das florestas, famoso pelos cabelos vermelhos semelhante ao fogo e pés posicionados ao contrário, com os calcanhares para frente. Não faltam motivos para que a data em homenagem a ele seja lembrada como forma de conscientizar sobre a importância da conservação florestal.

E mesmo diante de tantas campanhas promovidas por diversas instituições, órgãos de segurança e ONGs a favor da preservação, as florestas continuam correndo riscos constante de queimadas e devastação.

De acordo com o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), apenas nos cinco primeiros meses de 2022, a Amazônia perdeu mais de 2 mil campos de futebol por dia de mata nativa, a maior devastação dos últimos 15 anos para o período. A Amazônia ainda conta com vastas áreas de floresta, mas elas se encontram sob ameaça.

Segundo maior desmatador da Amazônia

O Pará está situado no maior corredor de florestas protegidas do mundo com cerca de 21 milhões de hectares — Foto: Agência Pará
O Pará está situado no maior corredor de florestas protegidas do mundo com cerca de 21 milhões de hectares — Foto: Agência Pará

O Pará é o segundo maior estado do Brasil, e também o segundo que mais desmatou a Amazônia em 2022, com cerca de 471 km², o que representa 32% e lidera ranking com mais de mil processos contra desmatadores na região amazônica.

Com extensão territorial de 1.245.871 km², o estado do Pará abriga 9% das florestas tropicais do mundo, segundo a organização The Nature Conservancy. O desmatamento nessas áreas, além de trazer prejuízos ambientais, pode resultar ainda em riscos à saúde de comunidades tradicionais.

Em solo paraense, um dos grandes problemas é o avanço da devastação sobre áreas protegidas, como unidades de conservação (UCs) e terras indígenas (TIs). Seis das 10 UCs e quatro das 10 TIs mais desmatadas na Amazônia ficam no Pará, segundo o Imazon.

O Pará apresenta metade das Áreas de Proteção (APs) no ranking das 10 mais ameaçadas na região como APA do Tapajós e a Floresta Nacional (Flona) do Tapajós.

As florestas

Parte da Floresta Nacional do Tapajós com o rio Tapajós ao fundo — Foto: g1
Parte da Floresta Nacional do Tapajós com o rio Tapajós ao fundo — Foto: g1

Preservar as florestas é essencial, pois não garante somente os processos biológicos, como traz diversos benefícios à sociedade.

"As florestas fornecem água potável para mais de 33% das maiores cidades do mundo. A qualidade deste recurso, primordial para a saúde e o desenvolvimento rural e urbano, está vinculada com a gestão florestal. As florestas propiciam 40% de toda a energia renovável do mundo", destacou João Victor, brigadista.

Além disso, as grandes florestas desempenham um papel primordial na regulação do clima ao ajudar na absorção do gás carbônico da atmosfera.

Proteção às florestas

Floresta Nacional do Tapajós — Foto: g1
Floresta Nacional do Tapajós — Foto: g1

Segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), as políticas públicas para o combate ao desmatamento implementadas a partir de 2004 contribuíram para que a taxa de desmatamento na Amazônia brasileira desacelerasse em mais de 80%, caindo de 27,8 mil km² em 2004 para 4,6 mil km² em 2012, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

Na região Oeste do Pará, o ICMBio atua nas unidades de conservação federal como Flona Tapajós e o Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará (IdeflorBio). O órgão também abrange unidades de conservação estaduais, como o Parque Estadual de Monte Alegre.

O ICMBio faz a gestão dessas unidades de conservação com a missão de “proteger o patrimônio natural e promover o desenvolvimento socioambiental”.

As florestas públicas

O conceito de florestas nacionais nasceu com o Código Florestal de 1934, que institui os tipos de florestas públicas especialmente protegidas: Áreas de Proteção Ambiental (APA), Áreas de Relevante Interesse Ecológico (ARIE), Florestas Nacionais (Flona), Reservas Extrativistas (Resex), Reservas de Fauna e Reservas de Desenvolvimento Sustentável.

Reguladas pela Lei 9.985/00 que criou o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC), as espécies nativas podem ser usadas na cadeia produtiva do setor florestal e no oeste do Pará, o manejo florestal sustentável é realizado na Floresta Nacional do Tapajós, garantindo emprego e renda, com o uso múltiplo sustentável dos recursos naturais.

Em 2006 foi entrou em vigor a Lei 11.284, que dispõe sobre a gestão de florestas públicas para produção sustentável e instituiu o Serviço Florestal Brasileiro.

Manejo florestal sustentável na Floresta Nacional do Tapajós — Foto: Asimas/Divulgação
Manejo florestal sustentável na Floresta Nacional do Tapajós — Foto: Asimas/Divulgação

“Nas florestas nacionais, a concessão florestal é aberta, qualquer empresa pode solicitar, desde que cumpra os requisitos do Código Florestal Brasileiro e no edital de licitação da área. Já nas reservas extrativistas, como o objetivo é conservar o modo de vida tradicional, apenas os moradores podem manejar”, reforça Candido Batista do Nascimento, Presidente da Associação das Indústrias Madeireiras de Santarém e Região (Asimas).

De acordo com a legislação atual, é permitido realizar as atividades de manejo florestal por meio de concessões, que autorizam o solicitante a explorar a área de forma sustentável. A lei aponta que uma floresta nacional, como a Flona Tapajós, em Belterra (PA), é de posse e domínio públicos. Quando criada, as áreas privadas incluídas em seus limites devem ser desapropriadas; já as populações tradicionais que já a habitavam permanecem, desde que incluídas no regulamento e no Plano de Manejo da unidade para garantir o uso sustentável da floresta.

“Nessas áreas é permitida a presença humana, bem como atividades de subsistência, pesquisas científicas e o ecoturismo, contudo, a atividade mais rentável dentro de uma Flona é o manejo florestal, o qual pode ser madeireiro ou não madeireiro. A atividade de manejo é altamente interessante para as comunidades que moram dentro das Florestas Nacionais, pois emprega muitos trabalhadores em atividades como inventário, corte, arraste de toras, assim como subsidia outras atividades, como a produção de móveis a partir de resíduos florestais, e artesanatos produzidos a partir de cipós, cascas, entre outros”, ressalta Victor Moutinho, professor da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) e doutor em Recursos Florestais.

A concessão é uma alternativa prevista do Código Florestal Brasileiro que tem como princípio impedir a degradação e devastação da floresta pela ocupação desordenada e, assim fomentar e viabilizar uma gestão sustentável, aumentar a renda e ofertar melhor qualidade de vida para as populações locais.

As florestas públicas estão sob a gestão do governo federal e devem ser monitoradas por seus órgãos de regulamentação e fiscalização. A colheita passa por um rigoroso processo de análise documental, incluindo tecnologia de GPS, que permite o monitoramento de toda a cadeia do produto, da retirada da floresta ao consumidor final.

Alvos de incêndios

Voluntário combatendo incêndio em Alter do Chão — Foto: Semma/Divulgação
Voluntário combatendo incêndio em Alter do Chão — Foto: Semma/Divulgação

No dia 14 de setembro de 2019, um incêndio de grande proporção atingiu a floresta de Alter do Chão, localizada em Santarém, no oeste do Pará. As chamas avançaram para a rodovia Everaldo Martins e o incêndio se estendeu até Ponta de Pedras, afetarando grande área da mata nativa.

No dia seguinte, os brigadistas iniciaram o combate ao fogo, que naquele momento tinha três grandes focos. O Corpo de Bombeiros e o Exército Brasileiro também foram acionados.

No mesmo dia, centenas de fotos viralizaram nas redes sociais com uma verdadeira cortina de fumaça sobre a vila de Alter do Chão. Pelas imagens aéreas era possível vislumbrar a extensão do fogo que atingiu a floresta.

Um grupo com representantes da Polícia Militar, Companhia de Missões Ambientais, Companhia de Polícia Ambiental, Semma e Corpo de Bombeiros foi montado para trabalhar em conjunto nas investigações para apurar possível ação criminosa no local. Um inquérito havia sido instaurado.

Brigadistas presos por suspeita de incêndio em Alter do Chão

Da esquerda para a direita: Marcelo Cwerver, Gustavo Fernandes, João Romano e Daniel Gutierrez, brigadistas de Alter do Chão — Foto: Divulgação
Da esquerda para a direita: Marcelo Cwerver, Gustavo Fernandes, João Romano e Daniel Gutierrez, brigadistas de Alter do Chão — Foto: Divulgação

Quatro integrantes da Brigada de Incêndio de Alter do Chão foram presos no dia 26 de novembro de 2019, por suspeita de incêndio criminoso na Área de Proteção Ambiental (APA).

Foram presos preventivamente Daniel Gutierrez Govino, João Victor Pereira Romano, Gustavo de Almeida Fernandes e Marcelo Aron Cwerver.

Na época, Wlandre Leal, advogado de defesa dos brigadistas, disse que não existiam no inquérito provas concretas que ligassem os brigadistas aos crimes contra a flora e associação criminosa, dos quais são apontados como suspeitos pela polícia.

A Justiça Federal, no dia 9 de fevereiro de 2021, arquivou o inquérito da Polícia Federal (PF) que investigou as causas dos incêndios. Em março, a Promotoria de Justiça de Santarém, também promoveu o arquivamento do Procedimento Investigatório Criminal (PIC) que apurava a suposta prática de incêndios criminosos.

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sábado, 16 de julho de 2022

Bar aceita cripto e reproduz ambiente do metaverso com NFT e realidade virtual

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Em São Paulo, o empresário Natan Lima viu uma oportunidade neste hype do metaverso e inaugurou em 25 de junho um bar temático na zona norte.
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TOPO
Por Valor Online

Postado em 16 de julho às 14h25m

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Meta Bar — Foto: Divulgação
Meta Bar — Foto: Divulgação

Nova casa da zona norte pega carona no hype do metaverso para atrair a clientela desde que o Facebook trocou seu nome para Meta por conta da ideia de que o futuro da internet é se tornar um espelho do mundo real em um ambiente digital acessado por aparelhos de realidade virtual, o conceito de metaverso saiu da ficção científica e virou tendência nos negócios. Em São Paulo, o empresário Natan Lima viu uma oportunidade neste hype do metaverso e inaugurou em 25 de junho um bar temático na zona norte.

O Meta Bar tem cenários compostos com LED e luz neon, quadros em homenagem a Tokens Não Fungíveis (NFTs, na sigla em inglês) como os macacos milionários da coleção Bored Apes Yacht Club e já aceita o pagamento em criptomoedas – a grande moeda do metaverso segundo especialistas. Só não tem (ainda) um espaço no próprio metaverso, mas de acordo com Natan, este próximo passo é questão de tempo.

Meta Bar — Foto: Divulgação
Meta Bar — Foto: Divulgação

“Ainda não começamos a construção do nosso bar no metaverso porque quando pensamos em começar algumas empresas surgiram oferecendo parceria para fazermos isso nas ferramentas de metaverso delas”, garante o empresário. Para ele, o que falta agora é só definir em qual metaverso ficará o Meta Bar.

Vale lembrar que não há um único metaverso e que os projetos da Meta como o Horizon e seu hardware, os óculos RV Quaest, são só uma das possibilidades. A Epic Games tem flertado consistentemente com o metaverso ao sediar shows, exibições de filmes e outros eventos no game Fortnite, enquanto Roblox, Microsoft, Nvidia, Decentraland e a própria Disney já estão investindo na novidade.

Os óculos Quaest 2 são, inclusive, um dos atrativos do Meta Bar. No ambiente há três deles, com algumas opções de jogos para os frequentadores do bar como Fruit Ninja e Beat Saber. “O Quaest cria muita facilidade. Temos também experiências 3D de escalar montanha ou de fazer turismo”, explica Natan.

Quando finalmente entrar para o metaverso, Natan diz que o Meta Bar deve ter uma integração entre o espaço físico e o digital para que as pessoas se conheçam e usem a casa como se fosse um Tinder. “Queremos colocar uma câmera lá dentro para as pessoas verem quem está no digital. O objetivo é botar todo mundo para interagir.”

Para além de se tornar mais um bar temático em São Paulo, cidade em que a saturação deste tipo de espaço faz surgirem cada vez mais modelos diferentões para atrair a clientela (bar com arco e flecha, jogos de tabuleiro, etc), Natan alega que quer genuinamente que seu bar ajude as pessoas a entenderem mais sobre criptoativos e web 3.0.

“Há muito preconceito com criptomoeda, então queremos unir tudo isso ao metaverso para criar uma experiência interessante. Todos os nossos garçons sabem o que é NFT e criptoativos. Eles ganham bônus em criptomoeda, o que ajuda a inserir eles nesse mundo e permite que eles ensinem os nossos clientes”, defende.

Hoje, o Meta Bar aceita, além dos meios de pagamento tradicionais, o pagamento em bitcoin e ether. A ideia é, no futuro, dar desconto a quem pagar por essas modalidades. Os planos são de incluir também a possibilidade dos clientes pagarem na stablecoin tether, na binance coin e na dogecoin. No caso da última, Natan admite que é mais pelo marketing de ser uma moeda digital muito popular (apesar de seus próprios criadores admitirem que a criaram só pelo meme).

A parte educacional é complementada de maneira lúdica por um jogo de tabuleiro chamado “Crypto Quest”, que imita o “Jogo da Vida” usando gamificação para ensinar sobre bitcoin e metaverso.

E a meta não é parar por aí. Natan diz que pretende lançar coleções de NFTs exclusivos do bar além daquela que já presenteia os aniversariantes com um NFT. Uma das possibilidades em desenvolvimento é uma coleção temática da Copa do Mundo do Qatar.

“Queremos fazer um álbum e outras coleções, algumas de figurinha e outras com caricatura. Não é só um colecionável, ele trará algum benefício no mundo físico. Como na Copa o que mais vai ter é bar lotado de gente querendo ver jogo, podemos, por exemplo, atrelar a reserva de um lugar a um NFT”, sugere.

Meta Bar : Avenida Luís Dumont Vilares, 699 - São Paulo - Horários: 17hrs às 0hrs (Terça à Sexta) 12hrs às 0hrs (Sábado e Domingo) Redes Sociais: @metabaroficial

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O 'lugar mais estéril do planeta', onde cientistas buscam misteriosa matéria escura

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Mais de um quilômetro abaixo da terra, uma equipe de mais de 250 pesquisadores está tentando detectar uma partícula que seria a chave para explicar do que é feito 25% do Universo.
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TOPO
Por BBC

Postado em 16 de julho de 2022 às  10h00m

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LUX-ZEPLIN (LZ), laboratório localizado a 1,5 km de profundidade em uma mina de ouro abandonada na cidade de Lead, nos EUA — Foto: LZ SURF
LUX-ZEPLIN (LZ), laboratório localizado a 1,5 km de profundidade em uma mina de ouro abandonada na cidade de Lead, nos EUA — Foto: LZ SURF

O que é matéria escura? A resposta é simples: ninguém sabe. É um dos maiores enigmas da Ciência.

Os cientistas passaram décadas procurando pistas sobre esse misterioso componente, do que é feito 25% do Universo.

Mas como você procura algo que você nem sabe o que é? Como encontrar algo que é invisível?

E se é tão difícil de encontrá-la, por que embarcar em uma missão tão complicada?

Estas questões foram a inspiração para uma equipe de mais de 250 pesquisadores de vários países, que publicou recentemente os primeiros resultados de um ambicioso projeto com o qual esperam finalmente encontrar sinais da matéria escura.

Trata-se do LUX-ZEPLIN (LZ), um sofisticado laboratório localizado a 1,5km de profundidade em uma mina de ouro abandonada na cidade de Lead, na Dakota do Sul, Estados Unidos.

Ele é subterrâneo com o intuito de isolar a maior quantidade de radiação e poeira que poderiam gerar contaminação e dificultar a busca pela matéria escura.

Este é o mapa mais detalhado da distribuição da matéria escura no universo. As áreas brilhantes representam os pontos de maior concentração, que é onde as galáxias se formam. — Foto: N JEFFREY/OBSERVATORIO DE LA ENERGÍA OSCURA
Este é o mapa mais detalhado da distribuição da matéria escura no universo. As áreas brilhantes representam os pontos de maior concentração, que é onde as galáxias se formam. — Foto: N JEFFREY/OBSERVATORIO DE LA ENERGÍA OSCURA

De acordo com seus criadores, o LZ é o detector de matéria escura mais sensível já construído. Para fazer isso, eles dizem que conseguiram tornar o interior da LZ "o lugar mais estéril da Terra".

"O centro do detector é como a mente de um monge budista", disse Chamkaur Ghag, pesquisador da LZ e professor do Departamento de Física e Astronomia da University College London, no Reino Unido, à BBC News Mundo (serviço em espanhol da BBC).

O detector foi projetado para captar um sinal, mesmo extremamente fraco, do que poderia ser uma partícula de matéria escura. É como "ouvir com atenção no meio de um campo silencioso", dizem os criadores do LZ em seu site.

Como funciona o LZ? Como ele pesquisa a matéria escura?

A enigmática matéria escura

Atualmente, sabemos apenas do que é feito 5% do Universo. Esses 5% correspondem à matéria comum, que podemos ver ou tocar.

As partículas que compõem essa matéria comum são descritas no que é conhecido como Modelo Padrão.

Os 95% restantes de matéria são um mistério.

Ninguém viu a matéria escura, mas seus efeitos estão sendo sentidos no cosmos — Foto: GETTY
Ninguém viu a matéria escura, mas seus efeitos estão sendo sentidos no cosmos — Foto: GETTY

Físicos e astrônomos suspeitam que, dessa porcentagem, 70% é energia escura e 25% é matéria escura. A energia escura é um tipo de força repulsiva que acelera a expansão do Universo.

Por sua vez, a matéria escura é um "algo" invisível que age como um ímã que mantém as galáxias unidas.

Observações astronômicas mostraram que as galáxias giram muito mais rápido do que seria esperado com base em sua massa visível.

Os cálculos indicam que a gravidade correspondente a essa massa não é suficiente para manter as galáxias juntas, então deve haver "algo" que adicione massa e, portanto, gravidade extra e evite que sejam disparadas pelo espaço.

Esse "algo" que explica a gravidade extra é a matéria escura.

É chamada de escura porque não emite, reflete ou absorve luz, tornando-a muito difícil de ser observada.

Por isso, até agora, o único sinal que os cientistas têm de sua existência é o efeito gravitacional que a matéria escura exerce sobre a matéria comum, da qual são feitas estrelas e galáxias, por exemplo.

O laboratório LZ é projetado para detectar matéria escura — Foto: LZ SURF
O laboratório LZ é projetado para detectar matéria escura — Foto: LZ SURF

Portanto, não sabemos o que é a matéria escura, mas, sem ela, o Universo seria muito diferente de como o conhecemos.

E do que é feita a matéria escura?

Várias ideias foram formuladas por décadas para explicar do que é feita a matéria escura, mas ainda não há uma resposta convincente.

Uma possibilidade é que seja feita de "partículas supersimétricas", que são partículas hipotéticas que formam pares com aquelas que compõem a matéria comum.

E há outro candidato para explicar do que é feita a matéria escura. O WIMP (Partícula Massiva de Interação Fraca), uma partícula hipotética que o LZ espera detectar.

Segundo a Nasa, a agência especial americana, os WIMPs são os principais candidatos a explicar a matéria escura.

Acredita-se que os WIMPs tenham se formado naturalmente após o Big Bang, e deve haver tantos deles que poderiam ser uma explicação para a matéria escura.

Esses WIMPs teriam a capacidade de permear o Universo e até mesmo passar pela matéria comum, mas, em raras ocasiões, um deles poderia colidir com o núcleo de um átomo. E o LZ está à procura desse momento preciso.

Jogo de sinuca

O LZ é um tanque feito de titânio, preenchido com 10 toneladas de xenônio líquido ultrapuro.

Os pesquisadores escolhem o xenônio porque, sendo um gás nobre, pode ser levado a níveis muito altos de purificação, para que a maioria dos contaminantes possa ser removida.

O experimento consiste em observar as partículas que percorrem o cosmos até chegarem ao centro do tanque.

Com sorte, uma dessas partículas colide com o núcleo de um dos átomos de xenônio, como duas bolas de bilhar.

Quando esse choque ocorre, uma explosão de luz é gerada e detectada pelos sensores do LZ.

Assim, após uma colisão, a tarefa é analisar as características da luz que foi gerada e, com base na análise, deduzir que tipo de partícula colidiu com o átomo de xenônio.

O LZ está equipado com sensores de luz para detectar colisões de partículas — Foto: LZ SURF
O LZ está equipado com sensores de luz para detectar colisões de partículas — Foto: LZ SURF

Com a paciência de um monge budista, os pesquisadores do LZ esperam que, em algum momento, seja um WIMP que atinja o tanque e colida com o núcleo de um átomo de xenônio.

O LZ começou a operar em abril e, em seus primeiros resultados publicados no início de julho, ainda não foram detectados vestígios de matéria escura.

'O lugar mais estéril do planeta'

Um dos grandes desafios do LZ é evitar a entrada de partículas indesejadas no tanque - que contaminam, confundem ou impedem a visualização de um WIMP que chega repentinamente.

O objetivo é esterilizar todo o cenário para quando o WIMP - se existir - decidir aparecer.

Portanto, é fundamental que a LZ seja subterrânea.

Raios cósmicos bombardeiam constantemente a atmosfera do planeta, criando partículas que podem atingir um detector como o LZ e gerar sinais indesejados.

Dois investigadores da LZ inspecionando possíveis partículas de poeira no tanque de xenônio — Foto: LZ SURF
Dois investigadores da LZ inspecionando possíveis partículas de poeira no tanque de xenônio — Foto: LZ SURF

Como ele está a 1,5km abaixo do solo, evita-se a chegada de um grande número dessas partículas. Alguns podem chegar ao tanque, mas as chances são muito menores.

Por que procurar a matéria escura?

"Encontrar a matéria escura nos ajudaria a resolver o problema da massa que está faltando", diz Ghag. "Isso equivale a entender do que 25% do Universo é feito."

Ghag também menciona que "entender ou descobrir a matéria escura seria a primeira janela para ver além do Modelo Padrão, que atualmente é uma sala fechada".

O Modelo Padrão é de longe a melhor explicação das partículas e forças que compõem toda a matéria comum. Este modelo, no entanto, apenas explica do que é feito cerca de 5% do Universo.

Outra questão que surge é se, ao detectar a matéria escura, ela poderia ser usada como fonte de energia.

Pesquisadores tentam detectar partícula que seria chave para explicar do que é feito 25% do Universo — Foto: LZ SURF
Pesquisadores tentam detectar partícula que seria chave para explicar do que é feito 25% do Universo — Foto: LZ SURF

A este respeito, os criadores da LZ sustentam que "é improvável que consigamos aproveitar o poder da matéria escura nos próximos séculos".

"Não está claro que benefícios as gerações futuras podem obter ao aproveitar a matéria escura, embora essas coisas tendam a ser notavelmente imprevisíveis."

Mas, além da missão principal do LZ, o laboratório em si é um avanço para a Ciência.

Suas técnicas de análise de raios e sensores podem levar a inovações na indústria farmacêutica de alimentos, e seus algoritmos de sistema podem ser utilizados em áreas como a medicina nuclear.

"Mas talvez o maior benefício para a humanidade seja o próprio conhecimento", dizem os criadores do LZ.

"Somos uma espécie curiosa, parece que estamos programados para querer saber como funciona o mundo ao nosso redor."

Texto originalmente publicado em http://bbc.co.uk/portuguese/geral-62177600

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