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quinta-feira, 18 de junho de 2020

Estudo diz que tipo sanguíneo A pode ser mais suscetível à forma grave de Covid-19

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Cientistas de vários países observaram que pacientes com o tipo sanguíneo O eram menos propensos a desenvolver formas graves da doença provocada pelo novo coronavírus.  
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Por G1  
18/06/2020 07h11  Atualizado há 3 horas
Postado em 18 de junho de 2020 às 10h20m 


                     Post.N.\9.347                
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Enfermeira coleta material para teste de anticorpos para o novo coronavírus, também chamado de teste sorológico, na terça-feira (16) — Foto: Vitória McNamee / Getty Images / AFP
Enfermeira coleta material para teste de anticorpos para o novo coronavírus, também chamado de teste sorológico, na terça-feira (16) — Foto: Vitória McNamee / Getty Images / AFP

Uma análise genética de pacientes com Covid-19 sugere que o tipo sanguíneo pode influenciar se alguém desenvolve a forma grave da doença provocada pelo novo coronavírus, o Sars-Cov-2.

Os cientistas que compararam os genes de milhares de pacientes na Europa descobriram que aqueles que tinham sangue tipo A eram mais propensos a ter a forma grave da doença, enquanto aqueles com tipo O eram menos propensos.

O relatório divulgado no “New England Journal of Medicine”, na quarta-feira (17), não prova uma conexão do tipo sanguíneo, mas confirma um estudo anterior chinês sobre essa relação.

Parameswar Hari, especialista em sangue da Faculdade de Medicina de Wisconsin, afirmou que a maioria dos especialistas desconsiderou esse primeiro estudo feito na China, mas que com esse novo levantamento ele passou a acreditar.

“Pode ser muito importante [a relação entre o tipo sanguíneo e a evolução da doença]”, afirmou, de acordo com a agência de notícias Associated Press.

No entanto, outros especialistas pedem cautela. Eric Topol, que chefe do Instituto Translacional de Pesquisa Scripps, em San Diego (EUA), afirmou que o estudo ainda não é suficiente para ter certeza do papel do tipo sanguíneo.

Cientistas na Itália, Espanha, Dinamarca, Alemanha, entre outros países, compararam cerca de 2 mil pacientes em estado grave de Covid-19 com milhares de outras pessoas saudáveis ou que apresentavam apenas sintomas leves ou inexistentes.

Os pesquisadores vincularam variações em seis genes à probabilidade do paciente desenvolver a forma grave da doença, incluindo alguns que poderiam ter um papel na vulnerabilidade das pessoas ao novo coronavírus, o Sars-Cov-2. Eles também vincularam grupos sanguíneos a possíveis riscos.

A maioria dos estudos genéticos como esse é muito mais amplo, por isso, na avaliação de Eric Topol era preciso outros cientistas tenham a oportunidade de avaliar novos grupos de pacientes para constatar se existem as mesmas relações entre sangue e gravidade da Covid-19.

Existem quatro tipos principais de sangue: A, B, AB e O. Mary Horowitz, chefe científica do Centro Internacional de Pesquisa em Transplante de Sangue e Medula, explicou que as pessoas com o tipo O são mais capazes de reconhecer certas proteínas como estranhas.

Parameswar Hari explica que essa propriedade pode se estender às proteínas da superfície do novo coronavírus. O especialista lembra que, durante o surto de SARS, causado por um tipo de coronavírus, observou-se que pessoas com tipo sanguíneo O eram menos propensas a contrair formas grave da doença.

CORONAVÍRUS

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quarta-feira, 17 de junho de 2020

Copom faz novo corte, e juro básico cai para 2,25% ao ano

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Taxa estava em 3% ao ano desde o dia 6 de maio. Próxima reunião do comitê está marcada para os dias 4 e 5 de agosto. 
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Por Laís Lis, G1 — Brasília  
17/06/2020 18h06  Atualizado há 3 horas
Postado em 17 de junho de 2020 às 

                     Post.N.\9.346                
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O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) reduziu nesta quarta-feira (17) a taxa básica de juros da economia brasileira de 3% para 2,25% ao ano. Esta foi a oitava redução consecutiva. A decisão foi unânime.

O corte renovou o menor patamar histórico para a taxa Selic desde 1999, quando entrou em vigor o regime de metas para a inflação.
A decisão do Copom foi tomada em um momento de forte redução do nível de atividade da economia mundial em razão da pandemia do coronavírus, o que tem impactado os índices de inflação.

A evolução da Taxa Selic
Desde 2017, em % ao ano
Fonte: Banco Central

Em comunicado, o comitê afirmou que o momento exige estímulo monetário extraordinariamente elevado, mas reconheceu também que "o espaço remanescente para utilização da política monetária é incerto e deve ser pequeno”.

O Copom também informou que que os cortes na Selic já implementados parecem compatíveis com os impactos da pandemia da Covid-19, e que “um eventual ajuste futuro no atual grau de estímulo monetário será residual”.

Na última reunião, os membros do comitê já haviam afirmado que consideravam um último corte para esta reunião.

O governo brasileiro já admite um tombo de 4,7% para o Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, enquanto os economistas do mercado financeiro estimam um recuo de 6,5% em 2020.
No comunicado, o Copom destaca que a divulgação do PIB do primeiro trimestre confirmou a maior queda desde 2015, refletindo os efeitos iniciais da pandemia. E, que indicadores sugerem que a contração no segundo trimestre será ainda maior.

Com a forte queda da atividade econômica, os preços têm caído. Em maio, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou deflação de 0,38%. Foi o segundo mês consecutivo de queda nos preços e o menor índice desde agosto de 1998.

O mercado financeiro prevê que o IPCA ficará em 1,60% neste ano, isto é, abaixo do piso de 2,5% previsto pelo sistema de metas.
Pela regra vigente, o IPCA pode oscilar de 2,5% a 5,5% sem que a meta seja formalmente descumprida. Quando a meta não é cumprida, o BC tem de escrever uma carta pública explicando as razões.

A meta de inflação é fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Para alcançá-la, o Banco Central eleva ou reduz a taxa básica de juros da economia (Selic).
Banco Mundial projeta queda de 8% no PIB do Brasil em 2020
Banco Mundial projeta queda de 8% no PIB do Brasil em 2020

Aplicações renderão menos
A redução da Selic também afeta aplicações financeiras como a caderneta de poupança e os investimentos em renda fixa.

No caso da poupança, a regra atual de remuneração prevê que os rendimentos estão atrelados aos juros básicos sempre que a Selic estiver abaixo de 8,5% ao ano.

Nesse cenário, a correção anual das cadernetas fica limitada a um percentual equivalente a 70% da Selic, mais a Taxa Referencial, calculada pelo Banco Central. A norma vale apenas para depósitos feitos a partir de 4 de maio de 2012.

Com o juro da economia em 2,25% ao ano, a correção da poupança será de 70% desse valor – o equivalente a 1,575% ao ano, mais a Taxa Referencial.

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Com pandemia, setor de serviços tem queda recorde de 11,7% em abril

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Setor passa a acumular perda de 18,7% em 3 meses seguidos de retração, mostra IBGE. Serviços prestados às famílias registram tombo de 44,1% no mês. 
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Por Darlan Alvarenga e Daniel Silveira, G1  
17/06/2020 09h00  Atualizado há 2 horas
Postado em 17 de 17 de junho de 2020 às 11h10m  

                     Post.N.\9.345                
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Vista do Terminal 2 do Aeroporto Internacional de São Paulo, em maio, em meio à pandemia do coronavírus (COVID-19) — Foto: Mister Shadow/ASI/Estadão Conteúdo
Vista do Terminal 2 do Aeroporto Internacional de São Paulo, em maio, em meio à pandemia do coronavírus (COVID-19) — Foto: Mister Shadow/ASI/Estadão Conteúdo

O volume de serviços prestados no Brasil teve queda recorde de 11,7% em abril, na comparação com março, com perdas generalizadas em todas as as atividades, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (17) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

"Esse é o terceiro recuo consecutivo e o mais intenso da série histórica, iniciada em janeiro de 2011", destacou o IBGE.
Na comparação com abril do ano passado, a queda foi ainda maior, de 17,2% – a segunda taxa negativa nesta base de comparação.

Esta foi a primeira vez que a pesquisa refletiu um mês inteiro sob o quadro de isolamento social e de restrições impostas pela pandemia de coronavírus, que começaram a ser implementadas no país na segunda quinzena de março.
Volume de serviços mês a mês — Foto: Economia G1
Volume de serviços mês a mês — Foto: Economia G1

Com o tombo recorde em abril, o setor, que possui o maior peso na composição do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, passou a acumular perda de 18,7% em 3 meses.
Com os resultados de abril, o setor de serviços atingiu o patamar mais baixo da série histórica da pesquisa. Ele ficou 27% abaixo do pico mais alto, registrado em novembro de 2014, e bem abaixo do piso até então alcançado, em maio de 2018, quando ficou 15,7% abaixo do pico.
Os números de abril vieram piores do que as expectativas do mercado. Pesquisa da Reuters com analistas apontava contração de 10,5% no mês e de 15,8% no ano.

Setor passa para o vermelho no acumulado em 12 meses
No acumulado do ano, a queda é de 4,5% frente a igual período do ano anterior. Em 12 meses, passou de uma alta de 0,7% em março para retração de 0,6% em abril, evidenciando quão expressiva foi a queda do setor em 2020 diante da pandemia.

“O acumulado em 12 meses é um indicador mais demorado, de trajetória de longo prazo. Até mesmo por isso, perder 1,3 ponto percentual de um mês para o outro é muito expressivo”, destacou o gerente da pesquisa, Rodrigo Lobo.
“A recuperação, quando ocorrer, vai ser de forma bastante devagar e paulatina, não rápida como vimos com a greve dos caminhoneiros, que foi imediata”, avalia Lobo.
Setor de serviços cai 11,7% em abril
Setor de serviços cai 11,7% em abril

Quedas recordes em todas as 5 atividades
Este foi o segundo mês seguido em que os cinco grandes ramos de atividade do setor tiveram queda, com forte impacto da pandemia nos setores de transportes e nas operações de hotéis e restaurantes.

O tombo em abril foi recorde em todas as atividades, com destaque para transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio (-17,8%) e serviços prestados às famílias (-44,1%). Em 2 meses, esses dois setores acumulam quedas de 24,9% e 61,6%, respectivamente.

Os demais resultados negativos vieram de serviços profissionais, administrativos e complementares (-8,6%), de informação e comunicação (-3,6%) e de outros serviços (-7,4%).

Considerando todos os subgrupos, os tombos mais expressivos foram registrados no transporte aéreo (-73,8%), nos serviços de alojamento e alimentação (-46,5%) e nos outros serviços prestados às famílias, incluindo salões de beleza, academias e reparos (-33,3%).

Segundo o gerente da pesquisa, Rodrigo Lobo, antes da pandemia a última vez que se observou queda disseminada entre todos os cinco ramos foi em maio de 2018, quando ocorreu a greve dos caminhoneiros.

Veja a variação do volume de serviços em abril, por atividade e subgrupos:
  • Serviços prestados às famílias: -44,1%
  • Serviços de alojamento e alimentação: -46,5%
  • Outros serviços prestados às famílias (salões de beleza, academias, reparos, etc): -33,3%
  • Serviços de informação e comunicação: -3,6%
  • Serviços de tecnologia da informação e comunicação: -1,1%
  • Telecomunicações: 0,1%
  • Serviços de tecnologia da informação: -2,4%
  • Serviços audiovisuais: -22,7%
  • Serviços profissionais, administrativos e complementares: -8,6%
  • Serviços técnico-profissionais: -3,5%
  • Serviços administrativos e complementares: -9,9%
  • Transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio: -17,8%
  • Transporte terrestre: -20,6%
  • Transporte aquaviário: -0,1%
  • Transporte aéreo: -73,8%
  • Armazenagem, serviços auxiliares aos transportes e correio: -5,8%
  • Outros serviços: -7,4%
Índice de atividades turísticas tem queda recorde de 54,5%
O índice de atividades turísticas também teve forte recorde, com um tombo de 54,5% em abril, após queda de 30% em março.

Regionalmente, todas as 12 unidades da federação acompanharam este movimento de retração observado no Brasil, com destaque para São Paulo (-52,0%), seguido por Rio de Janeiro (-52,7%), Minas Gerais (-49,4%) e Bahia (-63,1%).

Na comparação com abril de 2019, houve retração de 67,3%. No acumulado no ano, a queda ficou em 20,9% frente a igual período do ano passado, pressionada, sobretudo, pelos ramos de restaurantes; hotéis; transporte aéreo e rodoviário coletivo (ambos de passageiros); e catering, bufê e outros serviços de comida preparada.
Com a crise, as atividades turísticas perderam participação no setor de serviços. Antes da pandemia, representava 13% de todo o setor. Em março, essa participação passou para 9,5%, caindo quase pela metade em abril, quando ficou em 4,86%

Serviços caíram em 26 das 27 Unidades da Federação
Regionalmente, 26 das 27 unidades da federação tiveram recuos entre marco e abril, com destaque para São Paulo (-11,6%) e Rio de Janeiro (-12,7%), que sofreram pressão negativa, principalmente, dos segmentos de alojamento e alimentação.

A única alta foi registrada em Mato Grosso (9%), cuja expansão é explicada não só pela baixa base de comparação, já que em março os serviços haviam recuado 12,6%, mas também pelo bom desempenho do transporte de cargas.

Cenário de recessão e perspectivas
A atividade de serviços sofreu contração de 1,56% no 1º trimestre, o que teve forte influência na queda de 1,5% do PIB nos três primeiros meses do ano, já que exerce forte peso sobre a atividade.

Na véspera, o IBGE mostrou que as vendas do comércio varejista registraram tombo recorde de 16,8% em abril. Na produção industrial, a queda também foi recorde em abril, com recuo de 18,8% na comparação com março.

Apesar do afrouxamento das medidas de isolamento no país e da reabertura de boa parte das atividades, os economistas do mercado financeiro continuam piorando as estimativas para o PIB do Brasil em 2020 em meio a incertezas sobre a recuperação da economia, tensões políticas e aumento do desemprego.
IBGE mostra que um milhão de brasileiros ficaram desempregados em maio
IBGE mostra que um milhão de brasileiros ficaram desempregados em maio

A projeção do mercado passou de queda de 6,48% para um tombo de 6,51% do PIB em 2020, conforme boletim "Focus" do Banco Central divulgado na segunda-feira (15). Caso a expectativa se confirme, será o pior desempenho anual desde 1901, pelo menos.

Já a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) estima que a retração do PIB do Brasil poderá chegar a 9,1% em caso de segunda onda da pandemia e necessidade de regresso aos confinamentos.
OCDE afirma que economia mundial vai ter a maior queda da história em tempos de paz
OCDE afirma que economia mundial vai ter a maior queda da história em tempos de paz

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Entenda como 15 países em cinco continentes dominaram a pandemia

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Empresa alemã de análise de dados lista os casos de sucesso de recuperação desde que o novo coronavírus tornou-se ameaça ao planeta.
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Por Sandra Cohen
Especializada em temas internacionais, foi repórter, correspondente e editora de Mundo em 'O Globo'
17/06/2020 05h01  Atualizado há uma hora
Postado em 17 de junho de 2020 às 10h00m  
      Post.N.\9.344  
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Pessoas se sentam em café ao ar livre em Nelson, na Nova Zelândia, no primeiro dia após o fim das regulamentações depois de o país ser declarado livre do coronavírus, na terça-feira (9) — Foto: Reuters/Tatsiana Chypsanava
Pessoas se sentam em café ao ar livre em Nelson, na Nova Zelândia, no primeiro dia após o fim das regulamentações depois de o país ser declarado livre do coronavírus, na terça-feira (9) — Foto: Reuters/Tatsiana Chypsanava

Quinze países, em cinco continentes, destacam-se por terem dominado a pandemia do novo coronavírus. São casos identificados pela empresa alemã Iunera, de análise de dados, como “um caminho bem-sucedido de recuperação".

Desde que o Sars-Cov-2 deu os primeiros sinais, há sete meses, a doença imprimiu uma nova rotação ao planeta, com 8 milhões de infectados e 440 mil mortos.

A grande maioria adotou bloqueios rígidos ou recorreu a toques de recolher para achatar a curva da doença, sem sobrecarregar o sistema de saúde.
Leia abaixo como os 15 se livraram do novo coronavírus e estão encaram a pós-pandemia.

ÁFRICA — Tunísia, Marrocos e Chade
Clientes em mercado de Túnis, capital da Tunísia, em 4 de maio de 2020 — Foto: Fethi Belaid / AFP
Clientes em mercado de Túnis, capital da Tunísia, em 4 de maio de 2020 — Foto: Fethi Belaid / AFP

Após enfrentar três meses de toque de recolher, a Tunísia planeja reabrir suas fronteiras dentro de dez dias. Lojas, empresas, mesquitas, cafés e hotéis, que sustentam a vocação turística do país, equivalente a 10% do PIB, já funcionam normalmente.

O país recebeu elogios da OMS por implementar rastreamento e quarentena, quando o número de casos era inferior a 100. Ainda assim, com 1.125 doentes de Covid-19 e 49 mortos, o governo custou a declarar vitória sobre o coronavírus. O premiê Elyes Fakhfakh só o fez neste domingo, quando já não havia novos casos registrados.
O marroquino Daoui Mohammed, presidente da associação comunitária Anwal, posa para uma foto em Sale, no Marrocos. Daoui contribui e ajuda as autoridades a aumentar a conscientização sobre a nova pandemia de coronavírus entre os moradores — Foto:  Fadel Senna/AFP
O marroquino Daoui Mohammed, presidente da associação comunitária Anwal, posa para uma foto em Sale, no Marrocos. Daoui contribui e ajuda as autoridades a aumentar a conscientização sobre a nova pandemia de coronavírus entre os moradores — Foto: Fadel Senna/AFP

No Marrocos, o governo precisou combater o fluxo inverso da migração, barrando a entrada de quem voltava da Espanha, país duramente castigado pelo novo coronavírus. Embora criticada por organizações de direitos humanos, esta abordagem agressiva, que impediu a repatriação de seus cidadãos, permitiu ao país conter a propagação do vírus e manter-se com cerca de 9 mil casos e 200 mortos.

O fechamento prematuro das fronteiras marroquinas levou também em conta o sistema de saúde pública precário do país, que no ano passado enfrentou a demissão de mais de 300 médicos. A mais alta entidade religiosa do Marrocos, o Conselho Supremo de Ulemás, emitiu um decreto encerrando cultos em todas as mesquitas. Os marroquinos entraram em quarentena em 20 de março, submetidos a um toque de recolher entre 19h e 5h.

Outro exemplo listado é o do Chade, no centro-norte do continente, que conseguiu conter a propagação da pandemia, com 850 casos e 73 mortos. As restrições se assemelharam às dos vizinhos: declaração de estado de emergência sanitária, fechamento de fronteiras, toque de recolher, restrições de viagens internas e encerramento de comércio e escolas.

AMÉRICAS — Dominica, Barbados e Uruguai
Dominica não registrou mortos entre os 18 casos do novo coronavírus na população de 72 mil habitantes. Afetada há três anos pelo Furacão Maria, a pequena ilha do Caribe superou outro desafio. Foi declarada livre do Covid-19 por seu primeiro-ministro, Roosevelt Skerrit.

No Caribe Oriental, Barbados ainda tem poucos casos isolados, de um total de 96 infectados e sete mortos. As empresas reabriram nesta segunda-feira, seguidas por atividades esportivas, parques e praias. Eventos podem ter até 250 pessoas, mas o toque de recolher ainda vigora de sexta-feira a domingo, entre 22h e 5h.
Homem e menina passeiam pela Rambla, o calçadão da orla de Montevidéu — Foto: Eitan Abramovich/AFP
Homem e menina passeiam pela Rambla, o calçadão da orla de Montevidéu — Foto: Eitan Abramovich/AFP

Com apenas 848 doentes e 23 mortos, o Uruguai é apontado como modelo entre os países da América do Sul. Optou pela quarentena, mas sem impô-la de forma obrigatória a seus 3,5 milhões de habitantes.

A ameaça da pandemia pairou de imediato sobre o recém-empossado presidente conservador Luis Lacalle Pou. Ele apelou para o senso de responsabilidade dos uruguaios, suspendendo aulas e fechando fronteiras. Saía para trabalhar quem realmente precisava. Atualmente, o maior risco para o país vem do Brasil.

ÁSIA — Camboja, Tailândia e Japão
Pessoas fazem fila para entrar no shopping Siam Paragon, em Bangcoc, na Tailândia — Foto:  Mladen Antonov / AFP
Pessoas fazem fila para entrar no shopping Siam Paragon, em Bangcoc, na Tailândia — Foto: Mladen Antonov / AFP

O país foi incluído na lista da Iunera por ter agido com rapidez para conter a doença, que afetou 128 pessoas, todas recuperadas. Não houve quarentena obrigatória, mas as escolas permaneceram fechadas, assim como as fronteiras, internas e externas, causando impacto econômico ao país de 16 milhões de habitantes.

De acordo com a empresa de dados alemã, a Tailândia é atualmente um dos melhores países em recuperação da pandemia em todo o mundo e o primeiro na Ásia. O toque de recolher foi suspenso nesta segunda-feira, depois de 21 dias sem registrar casos. Máscaras são obrigatórias desde janeiro.

Escolas que têm até 120 alunos, cinemas, shows, museus e parques de diversão foram reabertos na Tailândia, que registrou 3.135 casos e 58 mortes. Em breve, o país retomará viagens para China, Japão, Laos, Mianmar, Camboja e Coreia do Sul entre outros.
Pessoas bebem em um ‘izakaya’, bar em estilo informal, no distrito Shinbashi, em Tóquio, no Japão, em 10 de junho — Foto: Charly Triballeau/AFP
Pessoas bebem em um ‘izakaya’, bar em estilo informal, no distrito Shinbashi, em Tóquio, no Japão, em 10 de junho — Foto: Charly Triballeau/AFP

Já o Japão — que teve 17.587 contaminados e 927 mortos — conseguiu controlar a doença e já se encontra na terceira e última fase da reabertura da economia. No início, o panorama parecia sombrio, mas o sistema de saúde, o rastreamento de doentes e hábitos de higiene já enraizados na população funcionaram de forma eficaz e ajudaram a conter o vírus no estágio inicial do surto.

EUROPA — Montenegro, Islândia e Croácia
Com 315 dos 326 infectados já recuperados, Montenegro suspendeu a exigência do uso de máscaras e autorizou a entrada de estrangeiros no país, que declarou-se livre da Covid-19 em 24 de maio, antes dos demais vizinhos do continente europeu.

A Islândia foi, desde o início da pandemia, uma história de sucesso, registrou apenas 10 mortos. O país insular, de 360 mil habitantes, manteve o surto sob controle, sem necessidade de bloqueio rigoroso. Mas imprimiu velocidade na detecção da doença, com alto índice de testagens.
O país já recebe visitantes, há dez cabines de testes instaladas no aeroporto de Keflavik, o maior da Islândia, onde chegam diariamente oito voos da Europa.
Não se pode dizer que a doença foi erradicada no país — ainda há quatro casos ativos. A Croácia, por sua vez, aproxima-se rapidamente desta realidade. Atualmente, o país tem dois doentes internados e um total de 2.137 recuperados, com 107 vítimas.

OCEANIA — Fiji, Nova Zelândia e Austrália
Foto de 17 de abril de 2020 - Equipe médica em uma estação de testes de Covid-19 em Christchurch, na Nova Zelândia — Foto: AP Photo/Mark Baker, File
Foto de 17 de abril de 2020 - Equipe médica em uma estação de testes de Covid-19 em Christchurch, na Nova Zelândia — Foto: AP Photo/Mark Baker, File

A Nova Zelândia é considerada outro modelo bem-sucedido. O governo da primeira-ministra trabalhista Jacinda Ardern impôs três meses de fortes restrições aos cinco milhões de habitantes. A flexibilização se deu em cinco fases — a última anunciada recentemente pela primeira-ministra. As fronteiras ainda estão fechadas a estrangeiros, mas o distanciamento social já não é necessário.

Apesar do pânico entre a população de 930 mil habitantes, o arquipélago de Fiji reafirmou sua condição paradisíaca na pandemia: 18 infectados, todos curados. No último dia 4, o país zerou os casos de Covid, conforme o premiê Frank Bainimarama anunciou pelas redes sociais, após 45 dias sem registrar doentes. A fórmula, segundo ele, combinou orações respondidas, trabalho duro e afirmação da ciência.

Desde o primeiro caso confirmado, no início de março, os australianos entraram em quarentena. Quem saía acompanhado era sujeito à multas. A saúde da população foi prioritária em relação à economia. Funcionou.
Exemplo de combate à Covid, Nova Zelândia retoma jogos da liga de rugby, com direito à torcida
Exemplo de combate à Covid, Nova Zelândia retoma jogos da liga de rugby, com direito à torcida

CORONAVÍRUS

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