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terça-feira, 1 de outubro de 2019

Produção industrial cresce 0,8% e tem melhor agosto desde 2014

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Indústria volta a crescer após 3 quedas seguidas, mas ritmo de recuperação ainda é menor que o registrado em 2018. No ano, setor ainda acumula queda de 1,7%. 
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 Por Darlan Alvarenga e Daniel Silveira, G1  

 Postado em 01 de outubro de 2019 às 13h00m  
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Produção industrial cresce 0,8% em agosto, após três meses de queda
Produção industrial cresce 0,8% em agosto, após três meses de queda

Depois de três meses em queda, a produção industrial brasileira cresceu 0,8% em agosto, na comparação com julho, segundo divulgou nesta terça-feira (dia 1º) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Trata-se do melhor resultado para meses de agosto desde 2014, quando a alta foi de 0,9%.
O crescimento registrado em agosto é também o melhor resultado mensal desde junho do ano passado, quando houve avanço de 12,6%, na comparação com o mês imediatamente anterior.
Indústria avança após três quedas seguidas, mas ainda opera no campo negativo, diz IBGE
Indústria avança após três quedas seguidas, mas ainda opera no campo negativo, diz IBGE
Segundo o IBGE, a recuperação em agosto de 2019 foi puxada pela indústria extrativa, que cresceu 6,6% no mês, impulsionada pelo aumento na extração de minério de ferro, petróleo e gás.

"Esse é o crescimento mais intenso desde junho do ano passado e interrompe uma sequência de três meses de queda da produção industrial, que acumularam perda de 0,9%. Portanto o avanço observado neste mês elimina uma parte importante daquela queda acumulada", destacou André Macedo, gerente da pesquisa.

Evolução da produção industrial
Comparação com o mês imediatamente anterior, em %
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Fonte: IBGE

Setor ainda tem queda de 1,7% no ano
Apesar de a indústria ter voltado a crescer, o ritmo de recuperação ainda é menor que o registrado no ano passado.

Na comparação com agosto de 2018, a produção caiu 2,3%. No acumulado nos nove primeiros meses do ano, o setor ainda tem queda de 1,7%. Em 12 meses, a produção industrial mostra uma perda ainda maior de ritmo, ao passar de -1,3% em julho para -1,7% em agosto, permanecendo na trajetória descendente iniciada em julho do ano passado.
"Este resultado está longe de recuperar as perdas acumuladas no ano e também não significa que o setor industrial esteja começando uma trajetória de crescimento, até porque a alta de agosto está concentrada em poucas atividades”, afirmou André Macedo.
Em termos de patamar de produção, Macedo destacou que a indústria opera 17,3% abaixo do pico de produção, alcançado em maio de 2011. É como se o setor operasse no ritmo em que se encontrava dez anos atrás.

Produção industrial em 12 meses
Variação acumulada em 1 ano, em %
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Fonte: IBGE

Para iniciar uma trajetória de crescimento, a indústria também depende, segundo o pesquisador, de uma recuperação efetiva do mercado de trabalho.

"Embora venha sendo captada uma melhora no mercado de trabalho, a gente ainda tem um contingente grande fora dele. Além disso, a qualidade dos postos gerados caminha mais para informalidade, com salários mais baixos, o que não traz aumento da massa salarial e acaba não contribuindo com a demanda doméstica para que tenhamos impulso na retomada da produção industrial", observou.
16 dos 26 ramos pesquisados registraram queda
Segundo o IBGE, apenas 10 dos 26 ramos pesquisados registraram alta na produção, o que mostra que a recuperação registrada em agosto foi concentrada em poucas áreas, com destaque para as indústrias extrativas – elas avançaram 6,6%.

Foi a quarta alta seguida na produção do setor extrativo, acumulando ganho de 25,2% no período e eliminando a perda de 24,2% acumulada nos três meses anteriores, em meio aos impactos da tragédia de Brumadinho (MG) na produção da Vale.

Os outros impactos mais relevantes no resultado de agosto vieram a produção de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (3,6%) e de produtos alimentícios (2%).

Na outra ponta, as maiores quedas foram registradas pelos ramos de veículos automotores, reboques e carrocerias (-3%), confecção de artigos do vestuário e acessórios (-7,4%), máquinas e equipamentos (-2,7%) e produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-4,9%).
16 dos 26 ramos industriais pesquisados pelo IBGE registraram queda em agosto — Foto: Divulgação/IBGE
16 dos 26 ramos industriais pesquisados pelo IBGE registraram queda em agosto — Foto: Divulgação/IBGE

Entre as grandes categorias econômicas, bens intermediários foi a única que registrou alta (1,4%), sustentada pelo crescimento das indústrias extrativas.

O pior resultado foi o do setor de bens de consumo duráveis, que recuou 1,8%, pressionado pela queda na produção de automóveis. Os segmentos de bens de consumo semi e não duráveis e de bens de capital também ficaram no negativo, ambos com queda de 0,4%.

Recuperação lenta e perspectivas
A indústria tem sido afetada em 2019 pelo ritmo mais fraco de recuperação da economia e também por fatores adicionais, como a queda das exportações para a Argentina, devido à crise econômica no país vizinho.
Pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostrou que o excesso de estoques foi reduzido em agosto, mas que os índices de expectativa de demanda, de quantidade exportada e de investimentos permanecem em queda.

Para o consolidado de 2019, os economistas das instituições financeiras projetam uma queda de 0,54% na produção industrial, segundo pesquisa Focus do Banco Central. Para o resultado do PIB de 2019 do Brasil, a previsão atual do mercado é de uma alta de 0,87%.

Segundo Gabriela Fernandes, economista-chefe da Gauss Capital, a expectativa é de "recuperação gradual da economia ao longo do último trimestre do ano, impulsionada pelo consumo e beneficiada por uma redução da incerteza após a aprovação final da reforma da previdência e da liberação dos saques do FGTS ao longo dos próximos meses".

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segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Iceberg de 315 bilhões de toneladas se desprende da Antártida

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O bloco tem uma área de 1.636 km² - um pouco maior que a cidade de São Paulo - e foi batizado de D28.
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 Por BBC  

 Postado em 30 de setembro de 2019 às 19h45m  

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Sistema de satélite Sentinel-1 da União Europeia capturou essas imagens para fazer a comparação antes e depois — Foto: Divulgação/CopernicusSistema de satélite Sentinel-1 da União Europeia capturou essas imagens para fazer a comparação antes e depois — Foto: Divulgação/Copernicus

A plataforma de gelo Amery, localizada na Antártida, acaba de produzir seu maior iceberg em mais de 50 anos.

O bloco tem uma área de 1.636 km² — um pouco maior que a cidade de São Paulo — e foi batizado de D28.

Assim que começa a se deslocar, um iceberg desse tamanho passa a ser monitorado e rastreado, pois no futuro pode se tornar um risco para o transporte marítimo. A Amery não produzia um iceberg tão grande desde a década de 1960.
Amery é a terceira maior plataforma de gelo da Antártida e um importante canal de escoamento para o leste do continente.

A plataforma é a extensão flutuante de várias geleiras que fluem na direção do mar. Perder icebergs para o oceano é a maneira como essas correntes de gelo mantêm o equilíbrio diante dos acúmulos de mais neve.

Mas os cientistas já previam esse acontecimento. O interessante é que boa parte da atenção sobre a área foi focada no leste do trecho que se separou.
'Dente mole' retratado no início dos anos 2000; D28 é vista se formando à esquerda — Foto: Divulgação/Nasa'Dente mole' retratado no início dos anos 2000; D28 é vista se formando à esquerda — Foto: Divulgação/Nasa

'Dente' vizinho
Este é um segmento da Amery que ficou carinhosamente conhecido como Dente Mole, devido à sua semelhança em imagens de satélite com a dentição de uma criança. Ambas as áreas de gelo tinham o mesmo sistema de fendas.

Mas, embora pendente, o Dente Mole ainda continua preso. O D28 é que foi "extraído".

"É um molar quando comparado a um dente de leite", disse à BBC a professora Helen Fricker, da Scripps Institution of Oceanography.

Fricker havia previsto em 2002 que o Dente Mole se descolaria em algum momento entre 2010 e 2015.

"Estou empolgada em ver esse evento após todos esses anos. Sabíamos que isso aconteceria eventualmente, mas, para ficarmos mais espertos, não aconteceu exatamente quando esperávamos", disse ela.

A pesquisadora do Scripps enfatizou que não havia ligação entre este evento e as mudanças climáticas.
Amery, 3ª maior plataforma de gelo da Antártida, não produzia um iceberg tão grande como esse desde a década de 1960 — Foto: Arquivo Pessoal/Richard ColemanAmery, 3ª maior plataforma de gelo da Antártida, não produzia um iceberg tão grande como esse desde a década de 1960 — Foto: Arquivo Pessoal/Richard Coleman

Dados de satélite capturados desde a década de 1990 mostraram que a Amery está em equilíbrio com o ambiente, apesar de sofrer forte derretimento da superfície durante o verão.

"Embora haja muito com o que se preocupar na Antártida, ainda não há motivo de alarde em relação a essa plataforma de gelo em particular", acrescentou a professora Fricker.

Entretanto, a Divisão Australiana da Antártida vai observar a Amery de perto para ver como ela reage. Os cientistas da divisão têm instrumentos na região.

É possível que a perda de um iceberg tão grande mude o equilíbrio na plataforma de gelo. Isso pode influenciar o comportamento das rachaduras e até a estabilidade do Dente Mole.

Calcula-se que o D28 tenha cerca de 210 metros de espessura e cerca de 315 bilhões de toneladas de gelo. 

O nome vem de um sistema de classificação administrado pelo Centro Nacional de Neve e Gelo dos Estados Unidos, que divide a Antártida em quadrantes.

O quadrante D cobre as longitudes de 90 graus Leste a zero grau, o Meridiano de Greenwich. O tamanho do D28 é ofuscado pelo poderoso iceberg A68, que rompeu com a plataforma de gelo Larsen C em 2017. Atualmente, ele cobre uma área três vezes maior.

As correntes e ventos costeiros levarão o D28 para o oeste. É provável que demore vários anos para que se desmanche e derreta completamente.

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