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segunda-feira, 25 de março de 2019

Dia Mundial da Água: reflorestamento pode ajudar a diminuir estresse hídrico

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Data é comemorada nesta sexta-feira (22). Demanda alta, mudanças climáticas e poluição contribuem para escassez de água.

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Por Tatiana Coelho, G1 

Postado em 25 de março de 2019 às 10h00m 
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Alta demanda, mudanças climáticas e poluição colaboram para escassez de água — Foto: Pixabay 

Estresse hídrico é cada vez mais comum em cidades populosas mundo afora. No Brasil, a organização não-governamental The Nature Conservacy (TNC) calcula que diversas regiões sofram com o problema, entre elas Rio de Janeiro e São Paulo.

Mas o que é estresse hídrico e por que devemos nos preocupar com isso? Estresse hídrico é quando não há um equilíbrio entre a demanda por água e a capacidade de renovação do local. Pode ser causado tanto por problemas naturais- como quando não há disponibilidade natural de água- ou por fatores associados à atuação do homem, como a poluição e o desmatamento.

Em relatório da ONU divulgado no dia 18 de março, estimativas recentes mostram que 31 países experimentam estresse hídrico entre 25% e 70%. Outros 22 países estão acima do nível de 70% e, por isso, encontram-se em uma situação grave de estresse hídrico.

Causas do estresse hídrico
  • poluição
  • alta demanda
  • desmatamento
  • crescimento desordenado de cidades
  • uso descontrolado por empresas, agricultores e consumidores
Muita demanda, poucos recursos
A agricultura (incluindo irrigação, pecuária e aquicultura) é a maior consumidora de água globalmente, respondendo por 69% da retirada anual de água em todo o mundo. A indústria (incluindo a geração de energia) responde por 19% e as residências particulares por 12%.

Segundo a The Nature Conservacy, a demanda mundial pela água vem crescendo cada vez mais, enquanto a sua oferta só diminui. Ou seja, atualmente, consumimos mais água mais rápido do que conseguimos reservar.

Samuel Barrêto, gerente de água da TNC no Brasil, explica que o manejo inadequado de uma bacia hidrográfica e o desequilíbrio hídrico tem sido os fatores estruturantes para o estresse hídrico.
"Comparando a situação, seria como as pessoas que vivem em condomínio. Não dá para as pessoas fazerem o que quiserem, há regras de convívio. Devemos seguir essa mesma analogia para o manejo da bacia hidrográfica onde vivemos"- Samuel Barrêto, gerente de água da The Nature Conservacy no Brasil.
"Sem essas regras de ordenamento e uso dos recursos hídricos temos acelerado esse quadro de estresse hídrico", diz ele.

Segundo ele, na América Latina e no Brasil, de maneira geral, isso significa o crescimento desordenado das cidades, a ocupação de áreas que deveriam ser preservadas, o desmatamento, a poluição da água, a superexploração. "Para manter a disponibilidade hídrica precisaremos ter o ordenamento da bacia hidrográfica e o equilíbrio da gestão da oferta e da demanda", diz.

O papel do reflorestamento
Algumas medidas podem ajudar a equilibrar esta equação entre demanda e oferta. Além do consumo mais consciente da indústria, da agricultura e da população, o reflorestamento tem papel chave nesta transformação.

Com o desmatamento, o solo fica mais exposto. Quando existe uma cobertura florestal, a árvore e as florestas contribuem para ajudar com que a água se infiltre e reabasteça o lençol freático, funcionado como uma esponja. Sem cobertura, a água corre superficialmente e provoca a erosão do solo com terra e sedimentos sendo levados para dentro dos corpos de água como córregos, rios e represas, que levam ao assoreamento.

O assoreamento é o acúmulo destes detritos e até mesmo de lixo no fundo de corpos de água. Esse acúmulo impede que rios, córregos e lagoas portem todo o seu volume hídrico, provocando transbordamento em épocas de grande quantidade de chuvas.
"É indispensável restaurar áreas prioritárias para a conservação de água e a ciência pode ajudar na identificação dessas áreas como as nascentes e matas ciliares. Outra tecnologia importante é o manejo adequado do uso do solo, como por exemplo, a construção de 'barragenzinhas', pequenas barragens que podem ser implementadas em propriedades e estradas rurais retendo o sedimento (terra ou areia) e auxiliando na infiltração da água da chuva no solo", explica Barrêto.
Mata no entorno de nascentes deve ser preservada para que a água da chuva consiga penetrar no solo — Foto: PixabayMata no entorno de nascentes deve ser preservada para que a água da chuva consiga penetrar no solo — Foto: Pixabay

Uso sustentável

O uso da água de forma sustentável também faz parte das medidas necessárias para frear o estresse hídrico. Os cidadãos têm um papel importante neste cenário, mas empresas e governantes devem trabalhar para evitar os impactos de uma possível crise hídrica generalizada.

"Aí está o maior desafio. Em geral há uma descrença global nos governos que não têm conseguido entregar ou responder aos desafios que temos. Mas também não é possível generalizar e temos exemplos positivos inclusive no nível municipal como na cidade de Extrema, Minas Gerais. Município pioneiro no pagamento por serviço ambiental à proprietários rurais por conservar e recuperar áreas em suas propriedades, como fez Nova Iorque", diz Barrêdo.

Com a demanda crescente, a produção de alimentos pode ser afetada e conflitos por causa da água podem aumentar, diz a ONU.

“Os números falam por si. Como mostra o relatório, se a degradação do ambiente natural e a pressão insustentável sobre os recursos hídricos globais continuarem em ritmo atual, 45% do Produto Interno Bruto global e 40% da produção global de grãos estarão em risco até 2050. Populações pobres e marginalizadas serão afetadas de forma desproporcional, agravando ainda mais as desigualdades”, disse Gilbert F. Houngbo, Presidente da ONU-Água e Presidente do Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola.

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domingo, 24 de março de 2019

Os 5 países que fabricam 75% das armas do mundo (e seus maiores compradores)

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Enquanto o maior vendedor de armamentos do mundo está nas Américas, o maior comprador fica no Oriente Médio, em um mercado altamente influenciado pela geopolítica global.

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Por BBC 

Postado em 24 de março de 2019 às 17h00m 
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A venda de aviões de guerra foi um dos setores que mais geraram receita para os países exportadores de armas — Foto: Marinha dos EUA

Cinco países controlam três quartos do mercado de vendas de armas no mundo. O último relatório do Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (Sipri, na sigla em inglês) aponta que Estados Unidos, Rússia, França, Alemanha e China responderam, nesta ordem, por 75% das exportações de armas no período entre 2014 e 2018.

Os Estados Unidos não apenas lideram a lista como estão bem à frente da Rússia, o segundo maior vendedor de armas do mundo. Entre 2009 e 2013, os números de vendas de armas americanas eram 12% maiores do que as dos russos. De acordo com o relatório do Sipri, entre 2014 e 2018, essa diferença alcançou 75%.

O Oriente Médio é o principal destino das armas. A região registrou um aumento das compras, enquanto foi identificada uma redução em outras partes do mundo se comparado o volume registrado nos períodos 2009-2013 e 2014-2018.

"Por décadas, os Estados Unidos têm sido o principal exportador de armas do mundo. É impressionante como a diferença em relação aos outros países tem ficado cada vez mais notável", disse à BBC News Mundo, o serviço em espanhol da BBC News, Aude Fleurant, que é diretora do programa de gastos militares e armas do Sipri.

Os Estados Unidos respondem por 36% das exportações mundiais, enquanto a França vende 6,8%, a Alemanha contribuiu com 6,4% e a China com 5,2% neste lucrativo mercado. Americanos, franceses e alemães aumentaram suas vendas se comparados os períodos 2009-2013 e 2014-2018. A Rússia, por sua vez, viu suas exportações despencarem 17%.

Por que a venda de armas caiu na Rússia?
Aude Fleurant, diretora do Sipri, explica que Índia e Venezuela, principais clientes dos russos, cancelaram compras.
A Índia foi buscar armamentos em outros mercados, e a Venezuela sentiu o impacto da crise econômica e política no país e reduziu drasticamente a aquisição de armas.
Aeronave desenhada pelos soviéticos chegou à Venezuela no ano passado — Foto: AFPAeronave desenhada pelos soviéticos chegou à Venezuela no ano passado — Foto: AFP

De acordo com o relatório do Sipri, a Venezuela foi o maior importador de armas da América Latina entre 2009 e 2013. Mas as aquisições do país caíram 83% nos cinco anos subsequentes.

"A Venezuela foi por anos um cliente muito importante da Rússia, um dos poucos compradores das armas russas na América Latina. Agora, com a crise econômica, a hiperinflação, e a situação política, muitos contratos foram postergados ou cancelados. Isso tem influenciado de forma negativa as exportações de armas russas", avalia Fleurant.

A Rússia, depois da China, é o segundo parceiro comercial e credor da Venezuela. Entre 2005 e 2013, os governos de Caracas e Moscou firmaram mais de 30 contratos na área de defesa orçados em aproximadamente US$ 11 bilhões (cerca de R$ 42,3 bilhões).

Em dezembro passado, chegaram à Venezuela dois Tupolev 160, o "Cisne Branco", um bombardeiro estratégico supersônico desenhado por soviéticos e um grupo de pilotos de treinamento.

Ainda assim, segundo Fleurant, apesar das aquisições recentes e de algumas doações de armas, os níveis de compras caíram drasticamente na Venezuela e impactaram negativamente o mercado de armas russo.

Por que os EUA são os maiores vendedores de armas?
Os Estados Unidos lideram há anos o mercado mundial de venda de armas, apesar de oferecer produtos muitas vezes mais caros.

Fleurant diz que o êxito está relacionado a uma estratégia complexa de vendas, que inclui capacitação, treinamento e garantia de segurança, além de apoio em caso de conflitos.
Por isso muitos países preferem comprar equipamentos americanos, apesar de China e Rússia, por exemplo, oferecerem produtos mais baratos.
Caças F-35 estão na lista de armamentos mais vendidos — Foto: AFPCaças F-35 estão na lista de armamentos mais vendidos — Foto: AFP

Para a diretora do Sipri, há ainda questões geopolíticas em jogo. Países que apoiam bloqueios regionais, como as sanções impostas pela Otan, preferem comprar equipamentos e tecnologias de nações aliadas e não de países que se colocam como inimigos em potencial, como a Rússia.

"Há também o fato de ser estratégico nessas alianças regionais ter uma tecnologia comum a todos os países", acrescenta Fleurant.

No governo do presidente americano Barack Obama, Prêmio Nobel da Paz em 2009, a Casa Branca implantou uma ampla manobra para promover a assinatura de acordos internacionais sobre armas, que, segundo o Centro de Estudos sobre Políticas Internacionais, foi o maior da história após a Segunda Guerra Mundial (1939-45).

No ano passado, em uma entrevista à rede de televisão americana CNN, o senador republicano Marco Rubio considerou que, por trás dessa estratégia de venda de armas, há a possibilidade de influência em conflitos potenciais.

"As vendas de armamentos são importantes não apenas pelo dinheiro, mas também porque proporcionam influência sobre comportamentos futuros. Armas precisam de nossas peças sobressalentes, nosso treinamento... e essas são coisas que podemos usar para influenciar comportamentos", disse o senador.

A China, por exemplo, vem expandindo seu mercado consumidor e, por extensão, sua influência. Entre 2004 e 2008, eram 32 países importadores. Nos quadriênios seguintes, passou a 41 e depois a 53 compradores.

Que tipo de armas são as mais vendidas?
São diversos os tipos de armamentos complexos que dominam o mercado internacional de compra e venda. Entre 2014 e 2018, os mais vendidos foram:
  • Caças F-35, aviões de combate de quinta geração
  • Mísseis
  • Sistemas antimísseis
  • Helicópteros
Quem mais compra armas?
O relatório do Sipri indica que países da Ásia e da Oceania (entre eles Índia, Austrália, China, Coreia do Sul e Vietnã como os principais compradores regionais) receberam 40% do total das importações mundiais de armas entre 2014 e 2018.

Os países do Oriente Médio representaram 35% do total global nesse período.
A Arábia Saudita é o principal comprador global de armas. Comprou 12% do total de armas vendidas entre 2014 e 2018, ante 4,4% no quinquênio anterior. Os Estados Unidos são o principal fornecedor de armas para os sauditas.

Não se sabe, contudo, se essa parceria será afetada pela morte de Jamal Khashoggi, jornalista saudita que trabalhava no jornal americano Washington Post e que foi assassinado em um consulado da Arábia Saudita na Turquia. Há ainda alegações de supostos crimes de guerra cometidos pela aviação do país árabe no conflito do Iêmen.
Trump defendeu a venda de armas à Arábia Saudita mesmo depois do assassinato do jornalista Jamal Khashoggi, morto no consulado saudita na Turquia — Foto: Getty ImagesTrump defendeu a venda de armas à Arábia Saudita mesmo depois do assassinato do jornalista Jamal Khashoggi, morto no consulado saudita na Turquia — Foto: Getty Images

Trump, que escolheu as terras sauditas como seu primeiro destino para uma visita externa como chefe de Estado, recusou-se a impor sanções por causa da morte de Khashoggi, alegando que tal decisão poderia significar que a Arábia Saudita se abriria ao mercado de armas da Rússia ou da China.

Fleurant explica que nos países do Golfo as armas dos Estados Unidos assim como as de países europeus, a exemplo de França e Reino Unido, também desfrutam de maior popularidade.
O segundo maior comprador é a Índia, mesmo tendo reduzido as importações de armas nos últimos cinco anos analisados na pesquisa.

Na América Latina, o México, a América Central e países caribenhos compraram 49% mais armas nos últimos cinco anos analisados. Na América do Sul, por sua vez, as aquisições caíram em 51% de acordo com os dados coletados pelo Sipri.

O Brasil foi responsável por 27% das compras de armas na América do Sul no período analisado, apesar de ter comprado 28% menos que no quinquênio anterior. O país ocupa a 23ª posição entre os exportadores e a 35ª entre os importadores.

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Professor queniano é escolhido melhor do mundo, fica com 'Nobel da Educação' e leva prêmio de US$ 1 milhão

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Global Teacher Prize tinha a brasileira Débora Garofalo, que dá aulas em São Paulo, dentre os finalistas.

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Por Fabricio Vitorino*, G1 

Postado em 24 de março de 2019 às 14h15m 
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Queniano Peter Tabichi foi escolhido o melhor professor do ano pelo Global Teacher Prize. — Foto: Fabricio Vitorino 
Queniano Peter Tabichi foi escolhido o melhor professor do ano pelo Global Teacher Prize. — Foto: Fabricio Vitorino

O queniano Peter Tabichi foi escolhido o “melhor professor do ano”, e leva para casa US$ 1 milhão. Seu trabalho, ensinando ciências em uma região remota do Quênia para alunos de diversas etnias e religiões, em situações extremamente precárias, foi reconhecido durante o Global Education and Skills Forum, realizado em Dubai, nos Emirados Árabes.

Tabichi superou outros nove candidatos, dentre eles a professora brasileira Débora Garofalo, que ensina robótica na Escola Ary Parreiras, na periferia de São Paulo. Outro brasileiro, o pernambucano Jayse Ferreira, também figurou na lista dos 50 melhores professores do mundo.

Muito emocionado, o queniano subiu ao palco do evento para agradecer seus alunos e dizer que acredita no poder da ciência para mudar a África. “Todos os dias, em nosso continente, nós viramos uma nova página. E hoje escrevemos uma nova. Esse prêmio não é um reconhecimento a mim, mas sim aos jovens desse grande continente que é a África. O Global Teacher Prize diz a eles que eles podem fazer qualquer coisa. O dia é uma criança e há uma nova página a ser escrita. É a hora da África”, disse.
O queniano Peter Tabichi recebe o prêmio de melhor professor do mundo das mãos do ator Hugh Jackman. — Foto: Gesf/Reprodução O queniano Peter Tabichi recebe o prêmio de melhor professor do mundo das mãos do ator Hugh Jackman. — Foto: Gesf/Reprodução

O professor recebeu, ainda no palco, os parabéns do presidente queniano, Uhuru Kenyatta, que também apostou no futuro do continente. “Você nos dá fé de que os melhores dias da África estão adiante. Sua história, Peter, é a história de nosso continente. Tudo o que precisamos é estarmos unidos para darmos aos alunos uma chance”.

Peter Tabichi tem 36 anos e doa 80% de seu salário para ajudar as famílias mais pobres. Um terço de seus alunos é órfã e 95% deles tem origem muito pobre, segundo dados da Varkey Foundation. Em sua rotina, Tabichi lida com problemas também muito comuns aos professores de áreas críticas no Brasil, como tráfico de drogas, gravidez prematura, abandono escolar e suicídios – além de jovens que caminham até 7km para assistirem às aulas. Sua turmas chegam a ter 58 alunos – e sua escola tem apenas um computador com uma conexão de internet de baixíssima qualidade.

Apesar das dificuldades, seus alunos criaram um dispositivo que ajuda pessoas cegas e surdas a medirem objetos e se classificaram para a feira internacional de ciências e engenharia, promovida pela Intel. Com outra experiência, sua turma de ciências levou o prêmio de química da Royal Society of Chemistry, por usar uma planta para gerar eletricidade.

'Não tem motivo para ficar triste', diz brasileira
Após o prêmio, a brasileira no top 10 Débora Garofalo falou com exclusividade ao G1, e, sem mostrar nenhum abatimento pelo fato de não ter sido eleita, a professora de São Paulo prometeu levar seu trabalho para ainda mais escolas não só pelo Brasil, mas por todo o mundo. “Acredito que o projeto vai ser multiplicado por outros países. Recebi uma mensagem do Vaticano, do papa Francisco, querendo implementar e levar nosso trabalho adiante. Então não tem motivo para ficar triste. Estou muito feliz!".

Débora ainda aproveitou para passar uma mensagem para os alunos do Brasil – sejam de sua escola, em São Paulo, ou não: “Vocês são cidadãos do mundo. Não é o lugar que determina o que vocês podem ser. Então, abracem o mundo que o mundo é de vocês. Vamos transformar nossa educação com muito amor, com muita garra, e com muita força de vontade fazer a diferença. Vocês podem!”

'Profissão muito nobre'
Também ao G1, Tabichi lembrou que, para vencer os desafios que teve no Quênia, precisou usar o pouco que tinha para conseguir engajar os alunos e ter sucesso. “Para os professores, o maior desafio é exatamente lidar com a falta de professores, que acaba provocando uma sobrecarga de trabalho. E, para as crianças, é muito difícil manter a concentração já que elas vêm de famílias com uma renda muito baixa”.

O queniano também aproveitou para deixar sua mensagem aos alunos e professores de todo o mundo: “Independente dos desafios que você enfrenta, você pode se tornar uma grande pessoa, você pode superar esses desafios e se tornar um herói. Se você fizer com paixão e comprometimento, pode ter muito sucesso. E se alguém quiser ser um professor, deixe-o ser um professor. Ensinar é uma profissão que tem muitas dificuldades, mas é uma profissão muito nobre.”

Considerado o Nobel da Educação, o Global Teacher Prize é realizado há cinco anos pela Varkey Foundation – uma organização sem fins lucrativos criada para promover a educação. Foram mais de 30 mil professores inscritos, dos quais 50 foram pré-selecionados para a semifinal e apenas 10 vieram a Dubai para a grande final. O evento atraiu mais de 1.700 pessoas de 144 países.

Na edição de 2015, o prêmio ficou com Nancie Atwel, dos Estados Unidos. Em 2016, foi a vez de Hanan Al Hroub, da Palestina, ficar com o título. Em 2017, quando o Brasil teve seu primeiro representante no top 10, o capixaba Wemerson da Silva, Maggie MacDonnel foi eleita a melhor professora do mundo. Em 2018, foi a vez da britânica Andria Zafirakou levar US$ 1 milhão – superando outros nove candidatos, dentre eles o professor paulista Diego Mahfouz.

* O repórter viajou para Dubai a convite da Varkey Foundation.

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