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domingo, 2 de setembro de 2018

Aquecimento global vai estimular crescimento de insetos e pragas, diz estudo

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Uma consequência pouco estudada das mudanças climáticas é que o aumento das temperaturas estimula o crescimento dos insetos e, portanto, das pragas que devoram cultivos como o milho, arroz e trigo.
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RFI
Por RFI 
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* Série Natureza e Lagos - N. 008 *




















Insetos em plantações de caju, em Serra do Mel, no RN. (Foto: Thiago Messias/ Inter TV Costa Branca/Reprodução) 

Pesquisadores da Universidade do Estado de Washington concluem, em um estudo publicado nesta quinta-feira (30) na revista Science, que a produção agrícola mundial verá seu rendimento reduzido por causa de uma característica fisiológica universal dos insetos, a de que quanto mais calor faz, mais comem.

Além disso, nas regiões temperadas, o aumento das temperaturas também fará com que os insetos se reproduzam mais rápido, com a soma de ambos os efeitos.

"Haverá mais insetos e eles comerão mais", diz em resumo à AFP Curtis Deutsch, um dos autores do estudo, professor de oceanografia na Universidade de Washington.

Europa, Estados Unidos e China, grandes produtores de cereais, serão mais afetados que os países em regiões tropicais como Brasil ou Vietnã, onde os insetos já estão aproveitando ao máximo as condições climáticas, disse.

Simulação de perdas
Avaliar as perdas agrícolas adicionais é um exercício difícil, mas o pesquisadores o fizeram simulando o impacto de um aumento de 2°C no metabolismo dos insetos e calculando o novo apetite. Isso não leva em conta o uso adicional de pesticidas ou outras mudanças para prevenir esses estragos.

Uma espécie invasora se beneficiaria particularmente: o pulgão russo do trigo. Esse inseto verde, de entre 1mm e 2mm, colonizou os Estados Unidos na década de 1980 e atacou o trigo e a cevada.

Apenas exemplares fêmeas do inseto foram encontrados. "Estes insetos nascem já gestando suas filhas, cada uma estando já grávida de suas netas", disse à AFP Scott Merrill, especialista em insetos na Universidade de Vermont.

O poder das fêmeas
Cada fêmea pode dar à luz oito filhotes por dia, que se multiplicam por oito pelo número de netas."Imaginem o quão rápido a população desses pulgões pode explodir", diz.

"Um ou dois pulgões podem dar à luz bilhões de insetos, se as condições são ideais", acrescenta.

Até agora, o efeito do aquecimento global no desenvolvimento das plantas era o principal foco de pesquisas. Deutsch espera que este trabalho estimule mais cientistas a estudarem o efeito sobre os insetos em regiões particulares. 
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sábado, 1 de setembro de 2018

Mercado já prevê crescimento menor da economia em 2018, próximo de 1%

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PIB avançou 0,2% no 2º trimestre; resultado do 1º trimestre foi revisado de alta de 0,4% para 0,1%. 
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Por Luísa Melo e Marta Cavallini 




PIB do Brasil cresceu 0,2% no 2º trimestre. E eu com isso?
PIB do Brasil cresceu 0,2% no 2º trimestre. E eu com isso?

O crescimento de 0,2% da economia brasileira no 2º trimestre veio em linha com o esperado, mas a revisão para baixo dos números do 1º trimestre surpreendeu e sinaliza que as projeções do mercado para o PIB do ano todo devem ser reduzidas para uma alta em torno de 1%, segundo economistas ouvidos pelo G1. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) baixou de 0,4% para 0,1% o avanço da economia nos três primeiros meses do ano.

A atual estimativa Tendências é de uma alta de 1,7% no PIB do ano, mas pode ser revisada para um patamar abaixo dos 1,47% esperados pelo mercado no último boletim Focus.

"Como derrubou muito no primeiro trimestre, por mais que a economia cresça no terceiro, e é esperada uma alta mais forte por causa do contraponto com a greve, é bem razoável que o mercado revise para baixo, porque a base mudou muito", diz Alessandra Ribeiro, economista da consultoria.

Nas contas dela, se a economia crescer 0,8% no segundo trimestre e 0,5% no quarto trimestre, o avanço no ano fica em torno de 1,2%.

Já o número do segundo trimestre vieram exatamento como esperado pela Tendências. "(Os dados) mostram que a greve dos caminhoneiros realmente deu uma boa quebrada (no ritmo de recuperação da economia). A indústria sofreu bem, especialmente a de transformação, muito por efeito da greve, e os serviços fizeram o contraponto positivo", afirma Alessandra.

"(A greve) foi um tombo muito grande para uma economia que vinha timidamente se recuperando, endossa a professora de MBAs da Fundação Getulio Vargas (FGV), Virene Matesco.

Para ela, o resultado do PIB do segundo trimestre também já era esperado. “A recuperação está lenta. Estamos vivendo muitas incertezas internas e externas”, diz. Por causa disso, ela prevê que o crescimento do ano fique entre 0,9% e 1%.

De acordo com a professora da FGV, apesar do crescimento tímido de 0,2% em relação ao trimestre anterior, que mostra baixa e tímida recuperação, olhando para o mesmo trimestre do ano anterior, sem os efeitos sazonais como a greve dos caminhoneiros, é possível notar uma recuperação – o crescimento foi de 1%, e nos últimos 12 meses, a variação é de 1,4%. "Ou seja, saímos da recessão, mas nada de grandes comemorações", afirma.
Variação do PIB trimestral brasileiro (Foto: Karina Almeida/Arte G1)Variação do PIB trimestral brasileiro (Foto: Karina Almeida/Arte G1)

Para a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o elevado grau de incerteza decorrente de desfecho do cenário político tem contaminado as expectativas quanto ao desempenho da economia brasileira desde o primeiro trimestre. Com isso, a entidade revisou sua expectativa de crescimento do PIB para 2018 de 1,6% para 1,3%.

A expectativa foi revista para baixo, segundo a CNC, após a confirmação do fraco desempenho da economia no segundo trimestre e se baseia na percepção de que o atual processo de desvalorização do real deverá somar-se às pressões nos preços das tarifas, contaminando a inflação e, consequentemente, tornando iminente o início de um novo ciclo de aperto monetário.

“Embora esse tenha sido o sexto trimestre sem quedas no PIB, a economia apresentou claras dificuldades em acelerar o ritmo de crescimento nos últimos três trimestres. 
Diante do modesto avanço, o nível atual de geração de riqueza gerada no país equivale àquele observado em 2011 e encontra-se 6% abaixo do pico de produção verificado no período pré-recessivo”, explica Fabio Bentes, chefe da Divisão Econômica da confederação.

Investimento preocupa
Na visão do economista-chefe do Banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves, apesar de prevista, a queda de 1,8% nos investimentos das empresas (Formação Bruta de Capital Fixo) é o movimento que mais preocupa no segundo trimestre.

"Esse é o pior sinal. Porque, obviamente, uma economia que não investe não cresce e, pior, não gera emprego". Ele esperava investimento zero neste ano, mas diz que vai rever a previsão.

"Se o segundo trimestre foi assim, não vejo motivos para que investimento se recupere no terceiro trimestre. Não se vê sinal de decisões relevantes (no terceiro tri), pelo contrário, é um trimestre de revisões", diz. "Vai demorar bastante e para se recuperar e não se sabe bem quanto".
PIB do 2º trimestre de 2018: desempenho pela ótica da demanda (Foto: Juliane Monteiro/G1) 
PIB do 2º trimestre de 2018: desempenho pela ótica da demanda (Foto: Juliane Monteiro/G1)

Retomada lenta

Na avaliação de Alessandra, da Tendências, os dados divulgados nesta sexta reforçam uma retomada lenta e gradual da economia, mas há espaço para uma recuperação mais robusta em 2019.

"No fundo, a gente vê uma economia que cresce muito muito devagar, mas por outro lado a indústria tem osciosidade e estamos com os fundamentos macro em ordem. Apesar da questão fiscal, que precisa ser resolvida, temos o teto de gastos, inflação controlada e juros muito baixos", explica.

Essa tração mais forte depende, de acordo com a economista, da volta da confiança, tanto das famílias para consumir quanto dos empresários para investir. "E sabemos que boa parte disso depende de eleições", pondera. "O problema é que caímos muito (na recessão). Nossa expectativa é de uma uma volta para o nível do PIB de 2014 em 2021, talvez só em 2022."

"(A economia) vai demorar bastante e para se recuperar e não se sabe bem quanto", diz José Francisco, do Fator.
Greve dos caminhoneiros marca economia no segundo trimestre
Greve dos caminhoneiros marca economia no segundo trimestre

Virene Matesco aponta que o desemprego ainda está muito alto e é preciso atenção ao grande índice de pessoas endividadas e inadimplentes. "Mas estamos vagarosamente saindo do atoleiro".

Ela considera significativa a variação nula da agropecuária, que costuma ser o carro-chefe da economia. "Isso é preocupante em termos de inflação para o futuro, teremos pressão grande da agropecuária, e a desvalorização cambial pode contaminar os preços", afirma.

Segundo ela, como o país não terá uma safra de grandes ofertas, com essa variação zero significando plantio igual do ano passado, “a oferta de alimentos não deverá ter aquele boom que vivemos no ano passado”.
Variação trimestral dos setores do PIB no 2º trimestre de 2018 (Foto: Juliane Monteiro/G1)Variação trimestral dos setores do PIB no 2º trimestre de 2018 (Foto: Juliane Monteiro/G1)

Virene diz que o consumo das famílias, que é o motor da economia do lado da demanda e representa, no destino da produção, quase 64% do PIB, teve uma recuperação muito tímida em comparação com o 1º trimestre, mas em relação ao 2º trimestre do ano anterior e nos últimos 12 meses as variações de 1,7% e 2,3%, respectivamente, são bastante positivas.

"O que confirma uma trajetória positiva, embora tímida, mas esse consumo vem se recuperando aos poucos", diz.

Em relação aos investimentos e a queda da indústria, Virene considera que há ainda um clima de insegurança, que acaba levando incerteza para quem quer investir.

"O investimento é algo que você olha para o amanhã, mas o consumo é o hoje. Você só investe no amanhã se você tiver expectativa positiva com relação ao que você vai ver no amanhã".

Segundo ela, o tombo da indústria, de -0,6%, foi consequência quase direta da greve dos caminhoneiros, mas também há incertezas em meio ao cenário eleitoral e às medidas que serão tomadas pelo próximo governo.

"Tudo isso mostra claramente um compasso de espera. Quando você toma decisão de investimento você compra equipamentos e tem custos. Se não há expectativa mais favorável, você adia essa compra".
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quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Nasa quer voltar à Lua – e fazer dela um hub para viagens espaciais

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A ideia é que astronautas usem o satélite como base para viagens pelo Sistema Solar.
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Estimativa é que os primeiros astronautas possam chegar à Lua em 2024 (Foto: Projeção/Nasa) 

Nasa, agência espacial americana, está planejando um salto gigantesco para a humanidade: a volta à Lua, não apenas para pisar no satélite natural da Terra, mas para fazer dele uma base fixa para viagens espaciais mais longas.

O minúsculo país que lidera a 'corrida do ouro' espacial

Nesta semana, a agência anunciou não só o interesse em mandar uma missão tripulada à Lua até o fim da década seguinte, como também detalhou o ambicioso projeto de construir uma estação espacial orbitando o satélite, chamada de Orbital Platform Gateway. 

Em comunicado recém-divulgado, a Nasa revelou o plano. A ideia é que astronautas usem a Lua como base para viagens pelo Sistema Solar.

"Estamos nos preparando para uma visita ao nosso satélite. Mas, desta vez, será diferente. O objetivo não será deixar pegadas. Acreditamos que este é o momento ideal para estabelecermos uma presença permanente na Lua", afirmou o vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence.

Sim, pelo visto, os planos da Nasa vão muito além daqueles de 49 anos atrás, quando Neil Armstrong se tornou o primeiro homem a pisar no satélite.

Um porto seguro e confiável
Conforme informações da agência espacial, a Gateway será uma base tanto para humanos quanto para robôs na exploração espacial. Estima-se que os primeiros astronautas possam chegar lá em 2024.

"Os astronautas da Nasa vão explorar a superfície lunar antes do fim da próxima década. E, desta vez, vamos ficar. E sairemos para Marte. E iremos além.", afirmou a agência espacial, em comunicado à imprensa.

"Estamos criando um sistema de exploração do século 21. Acessível, confiável, versátil e seguro", propagandeia a Nasa.

Para chegar até a Lua, a agência projeta uma cápsula semelhante à bem-sucedida Apollo, mas três vezes maior - permitindo que quatro astronautas viajem nela a cada vez.

O veículo será equipado com placas de energia solar e os motores - tanto da cápsula quanto do módulo lunar - serão movidos a metano líquido. A escolha do combustível tem uma boa explicação: por ser um gás presente na atmosfera de Marte, os cientistas vislumbram que um dia os astronautas possam "abastecer" a nave em solo marciano.

Com a base orbital lunar estabelecida, a Nasa garante que os astronautas possam ficar na Lua por até seis meses, pesquisando e coletando informações. Ao mesmo tempo, essa longa permanência funciona como um teste para aventuras espaciais mais longas.

Outros países e empresas privadas também andam anunciando projetos de exploração lunar. No fim do ano passado, o empresário Elon Musk divulgou um plano de criar uma base lunar também como entreposto para uma futura viagem a Marte - segundo ele, seriam necessários cinco anos para o projeto sair do papel, e sua ideia é possibilitar o turismo espacial.

Um grupo privado israelense anunciou, em julho, plano de lançar um foguete não-tripulado para a Lua. A China também tem um programa espacial voltado para o satélite natural da Terra: o Chinese Lunar Exploration Program foi criado em 2007 e pretende colocar um homem na Lua entre 2025 e 2030.

Cronograma
Segundo anunciou a Nasa na última segunda, o primeiro passo para sua missão será um lançamento previsto para 2023. Será um voo tripulado que vai "contornar" a Lua e retornar para a Terra, em uma trajetória em forma de oito - ou seja, circundando tanto a Terra quanto a Lua.

"Durante essa missão, teremos uma série de testes previstos para demonstrar funções críticas - desempenho do sistema, interfaces de tripulação e navegação e orientação espacial", afirmou Bill Hill, do departamento de Desenvolvimento de Sistemas de Exploração da Nasa. "O mesmo ocorreu com os programas Mercury, Gemini e Apollo: construíram e demonstraram suas capacidades com uma série de missões." 

Cerca de um ano antes, a Gateway deve começar a ser construída, ainda sem a presença de humanos. Em 2024, a estação orbital já deve estar pronta para receber os primeiros astronautas. 

A Gateway terá três componentes principais: um módulo de habitat, para a tripulação; um setor para fornecimento de energia e propulsão; e uma câmara onde as espaçonaves possam ser atracadas. 

Marte e a militarização do espaço
As aspirações da Nasa não param por aí. A meta é fazer da Lua um pit-stop na sonhada viagem tripulada até Marte, o planeta mais próximo da Terra. Greg Williams, da Divisão de Exploração e Operações Humanas da agência espacial americana, já afirmou que "se conduzirmos uma missão tripulada ao longo de um ano na estação orbital, teremos conhecimento para enviar astronautas para Marte em uma viagem de 1 mil dias". 

Não é de hoje que cientistas apontam que o melhor caminho para Marte incluiria essa paradinha na Lua. A estação orbital, portanto, funcionaria não só como um ponto de pesquisas e testes mas também como uma entreposto - para reabastecimento e ajustes rumo ao planeta vermelho. 

Desde o governo Barack Obama os Estados Unidos fixaram a meta de chegar a Marte, no máximo, até a década de 2030. Donald Trump, em 2017, afirmou que o homem deveria voltar a pisar na Lua antes do fim de seu segundo mandato - se ele for reeleito. Um eventual segundo mandato de Trump acabaria em 2024.

O presidente americano tem recebido críticas até mesmo de republicanos e de militares por um projeto de criar uma força militar para o espaço. Ele anunciou o projeto em junho. 

"Não é suficiente termos uma presença no espaço. Temos de ter um domínio americano no espaço", afirmou Trump, na ocasião. O órgão, chamado de Space Force, seria uma divisão da Força Aérea americana, destinada especificamente para um "patrulhamento" espacial. 

A maior crítica é porque os Estados Unidos são signatários do Tratado do Espaço Exterior, um acordo firmado em 1967 que prevê a exploração espacial de forma pacífica e não armamentista. 
NASA
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