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terça-feira, 10 de junho de 2025

Como o domínio da China sobre um mineral obscuro ameaça os Exércitos mais mortíferos do planeta

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Os rigorosos controles da China sobre a exportação de ímãs resistentes ao calor feitos com minerais de terras raras expuseram uma grande vulnerabilidade na cadeia de suprimentos militar dos EUA.
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 • 4 h • História de Keith Bradsher
Postado em 10 de Junho de 2.025 às 13h40m


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Os rigorosos controles da China sobre a exportação de ímãs resistentes ao calor feitos com minerais de terras raras expuseram uma grande vulnerabilidade na cadeia de suprimentos militar dos EUA.

A China produz todo o suprimento mundial de samário, um metal de terras raras particularmente obscuro usado quase que exclusivamente em aplicações militares. Os ímãs de samário podem suportar temperaturas altas o suficiente para derreter chumbo sem perder sua força magnética. Eles são essenciais para suportar o calor de motores elétricos de alta velocidade em espaços apertados, como os cones de mísseis.

Sem esses ímãs, os Estados Unidos e seus aliados na Europa terão dificuldades para reabastecer os estoques de armas de ponta, recentemente esgotados em razão da ajuda militar enviada à Ucrânia na guerra contra a Rússia e para Israel no confronto com o Hamas e o Hezbollah.

Chineses trabalham em mina de terras raras em Ganxian, China Foto: AP / AP
Chineses trabalham em mina de terras raras em Ganxian, China Foto: AP / AP

Por mais de uma década, os Estados Unidos não conseguiram desenvolver uma alternativa ao fornecimento chinês de um tipo específico de terra rara crucial para a fabricação de ímãs para mísseis, caças a jato, bombas inteligentes e muitos outros equipamentos militares.

Por isso, os minerais de terras raras são uma questão central nas negociações comerciais entre os Estados Unidos e a China, atualmente em andamento em Londres.

Em 4 de abril, a China suspendeu as exportações de sete tipos de metais de terras raras, bem como de ímãs feitos com eles. A China controla a maior parte do fornecimento mundial desses metais e ímãs. O Ministério do Comércio da China declarou que esses materiais tinham usos civis e militares, e que quaisquer exportações adicionais só seriam permitidas com licenças emitidas especialmente para esse fim. A medida, de acordo com o ministério, “protegeria a segurança nacional” e “cumpriria obrigações internacionais, como a não proliferação”.

Uma refinaria de terras raras em Baotou, China. O país asiático produz todo o suprimento mundial de samário, um metal de terra rara do qual os Estados Unidos e seus aliados precisam para reconstruir os estoques de caças, mísseis e outros equipamentos. Foto: NYT/NYT
Uma refinaria de terras raras em Baotou, China. O país asiático produz todo o suprimento mundial de samário, um metal de terra rara do qual os Estados Unidos e seus aliados precisam para reconstruir os estoques de caças, mísseis e outros equipamentos. Foto: NYT/NYT

O ministério começou a emitir algumas licenças para ímãs que incluem dois dos metais raros restritos, disprósio e térbio, para montadoras na Europa e nos Estados Unidos. Os ímãs com esses dois metais raros, usados em sistemas de freio e direção, podem suportar o calor de um motor a gasolina próximo, mas não toleram de forma confiável o calor mais intenso encontrado em aplicações militares. Mas não há sinais de que a China tenha aprovado as exportações de samário, que tem poucas aplicações civis.

Negociações

Autoridades chinesas e americanas iniciaram na segunda-feira duas jornadas de negociações comerciais em Londres. Restaurar o fluxo de terras raras é uma prioridade para as autoridades americanas, mas poucos esperam que a China revogue totalmente seu novo sistema de licenças de exportação.

“Não acho que isso vá desaparecer”, disse Michael Hart, presidente da Câmara de Comércio Americana na China, que está coordenando os esforços do setor privado americano em Pequim para obter mais materiais de terras raras.

O principal usuário americano de samário é a Lockheed Martin, uma empresa aeroespacial e militar que coloca cerca de 22 kg de ímãs de samário em cada caça F-35.

Cadeiras do lado de fora da sala onde o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da China, Xi Jinping, se reuniram na Cúpula do G20 em Osaka, Japão, em junho de 2019. Foto: Erin Schaff/NYT
Cadeiras do lado de fora da sala onde o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da China, Xi Jinping, se reuniram na Cúpula do G20 em Osaka, Japão, em junho de 2019. Foto: Erin Schaff/NYT

A Lockheed Martin comentou a questão com um breve comunicado: “Avaliamos continuamente a cadeia de abastecimento global de terras raras para garantir o acesso a materiais críticos que apoiam as missões de nossos clientes. Perguntas específicas sobre a cadeia de abastecimento de terras raras serão melhor respondidas pelo governo dos EUA.”

Autoridades do governo Biden estavam tão preocupadas com a falta de abastecimento doméstico de samário para as Forças Armadas dos EUA que emitiram grandes contratos para a construção de duas instalações de produção de samário. Nenhuma delas foi construída devido a preocupações com sua viabilidade comercial, deixando os Estados Unidos totalmente dependentes da China.

A interrupção no fornecimento de samário nos últimos dois meses ocorre no momento em que os Estados Unidos e seus aliados na Europa estão correndo para reconstruir os estoques de armamento avançado.

Uma mina de terras raras nos arredores de Longnan, na China Foto: Keith Bradsher/NYT
Uma mina de terras raras nos arredores de Longnan, na China Foto: Keith Bradsher/NYT

Sanções

O governo Trump também está tentando fornecer mais armas para Taiwan, um dos principais aliados de Washington na Ásia cuja soberania é reivindicada por Pequim. Além de interromper as exportações de terras raras para uso militar, a China recentemente impôs sanções a alguns contratados militares americanos por causa de seus papéis no fornecimento a Taiwan.

Essas sanções agora proíbem empresas e indivíduos chineses de ter qualquer conexão financeira com empresas com contratos com o Pentágono. Isso não teve muito efeito sobre a indústria de samário até recentemente, porque a China exportava samário para empresas químicas que misturavam o metal com cobalto antes de vendê-lo a fabricantes de ímãs, que então o revendia para fornecedores do Departamento de Defesa.

Mas os novos controles de exportação de terras raras de Pequim especificam que as licenças podem ser emitidas com base apenas no usuário final do mineral no final da cadeia de abastecimento, o que acaba afetando as empresas que vendem o material ao Pentágono.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cumprimenta o presidente da China, Xi Jinping, em Osaka, Japão Foto: Erin Schaff/NYT
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cumprimenta o presidente da China, Xi Jinping, em Osaka, Japão Foto: Erin Schaff/NYT

Segundo Stanley Trout, geólogo da Metropolitan State University of Denver, especializado em ímãs de samário desde a década de 1970, dos sete tipos de metais de terras raras restringidos pela China, a demanda por seis deles é principalmente civil, mas o samário é a excessão.

“Os regulamentos do Departamento de Defesa dos EUA exigem que a fundição ou fusão de ímãs militares seja feita nos Estados Unidos ou em um país amigo. Mas as regras permitem que os ingredientes dos ímãs militares sejam importados de qualquer lugar. Por isso, o samário de baixo custo vem da China há muitos anos”, explica Trout.

Em 2009, o Congresso americano ficou preocupado com a dependência dos Estados Unidos do fornecimento de samário chinês e ordenou que o Departamento de Defesa elaborasse um plano até o ano seguinte para resolver a questão.

Os metais de terras raras são encontrados em todo o mundo, mas raramente em concentrações altas o suficiente para uma mineração eficiente. Eles estão fortemente ligados entre si, e quebrar essas ligações químicas pode exigir uma sequência de 100 ou mais processos químicos usando ácidos extremamente poderosos.

Mina de terras raras em Longan, China Foto: Keith Bradsher/NYT
Mina de terras raras em Longan, China Foto: Keith Bradsher/NYT

Um esforço americano de US$ 1 bilhão começou logo depois para reparar, expandir e reabrir a única mina de terras raras dos EUA, em Mountain Pass, Califórnia, que havia suspendido as operações em 1998 após um vazamento na tubulação.

A mina de Mountain Pass não havia tentado anteriormente extrair o samário de seu minério e não começou a fazê-lo como parte de sua expansão. A mina reabriu em 2014, produzindo outros metais raros, mas fechou um ano depois e faliu porque não conseguia competir com a produção chinesa.

Jay Truesdale, um ex-diplomata americano que desempenhou um papel importante no Departamento de Estado na política de minerais críticos em 2014 e 2015, disse que o governo Obama se concentrou em usar as regras da Organização Mundial do Comércio para obrigar a China a vender seus metais raros.

“Havia menos uma perspectiva alarmista naquela época, porque a OMC era vista como a árbitra correta e adequada para essas questões”, disse Truesdale, que agora é diretor executivo da TD International, uma empresa de consultoria de Washington.

Durante seu primeiro mandato, o presidente Trump reduziu consideravelmente a participação dos EUA na OMC, e as relações com a China pioraram. Quando o governo Biden assumiu o poder, altos funcionários ficaram mais preocupados com o samário.

Uma nova empresa, a MP Materials, adquiriu a mina Mountain Pass e retomou as operações lá em 2018. Mas, inicialmente, ela enviou minério para a China para processamento.

O Departamento de Defesa concedeu US$ 35 milhões à MP no início de 2022 para iniciar a produção de samário e vários outros elementos de terras raras que a China agora restringiu. A MP então gastou US$ 100 milhões, usando grande parte de seu próprio dinheiro, para comprar o equipamento necessário para processá-los, disse James Litinsky, diretor executivo da empresa.

Litinsky disse que o mercado de samário era tão pequeno que não seria viável ter dois produtores nos Estados Unidos. Com isso, a MP nunca instalou seu equipamento de processamento de samário, que ainda está armazenado.

A MP está disposta a instalar seu equipamento de processamento de samário agora apenas se os clientes prometerem melhores condições financeiras, observou Litinsky. “Nos sentimos muito prejudicados por toda essa situação”, disse ele.

Logo depois, o governo Biden concedeu US$ 351 milhões à australiana Lynas Rare Earths para construir uma instalação no Texas que também produziria samário.

A Lynas também nunca construiu sua fábrica no Texas, depois que uma licença que tinha para mineração de terras raras na Malásia, que estava em limbo, foi renovada. A Lynas não respondeu a e-mails e telefonemas para comentar o assunto.

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Ameaça de bomba atômica: qual o tamanho do arsenal nuclear da Rússia

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Presidente russo Vladimir Putin e assessores têm feito ameaças nucleares à Ucrânia, caso o país tente retomar territórios conquistados durante a guerra.
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Por Redação g1

Postado em 10 de Junho de 2.025 às 10h35m

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Tensão entre Trump e Putin aumenta em meio à intensificação do conflito na Ucrânia; Rússia cita risco de 3ªGuerra Mundial — Foto: Reprodução/TV Globo
Tensão entre Trump e Putin aumenta em meio à intensificação do conflito na Ucrânia; Rússia cita risco de 3ªGuerra Mundial — Foto: Reprodução/TV Globo

O aumento da tensão na guerra entre Rússia e Ucrânia fica cada dia mais evidente, principalmente após o ataque com drones feito em território russo há cerca de uma semana, no domingo (1º).

Nesta segunda-feira (9), um assessor do presidente da Vladimir Putin ameaçou uma "guerra nuclear" caso Ucrânia e Otan (Aliança Militar do Atlântico Norte) tentem reaver territórios ocupados pelas tropas russas no país, segundo a agência estatal russa Tass.

Vladimir Medinski, assessor de Putin que também lidera a delegação russa nas negociações diretas com a Ucrânia pelo fim do conflito, disse que seria "o fim do mundo" caso não haja a assinatura de uma "paz verdadeira" para encerrar a guerra. Ameaças de uso de armas nucleares não são novidade no conflito entre os dois países, que já dura três anos.

A Rússia, que herdou as armas nucleares da União Soviética, possui o maior número de ogivas nucleares do mundo, segundo a Federação dos Cientistas dos EUA, um think tank (instituto de análises políticas) americano (FAS, em inglês). Ogiva é uma arma nuclear “guardada” em uma cápsula para ser colocada na parte cilíndrica de um foguete, míssil ou projétil.

Essa quantidade de ogivas significa, na prática, que a Rússia poderia destruir o mundo "várias vezes", segundo a agência Reuters.

Nesta reportagem você vai ler alguns fatos sobre o arsenal nuclear da Rússia e o contexto no qual o país comandado por Vladimir Putin se encontra:

Durante a Guerra Fria, a União Soviética chegou a ter 40 mil ogivas simultaneamente, enquanto os EUA possuíam cerca de 30 mil.

Putin controla 5.580 ogivas, segundo a Federação dos Cientistas dos EUA.

Destas, 4.380 estão armazenadas para uso em lançadores estratégicos de curta e de longa distância e outras 1.200 estão “aposentadas” – fora do arsenal oficial, mas provavelmente intactas, guardadas em bunkers –, de acordo com a FAS.

Das que estão armazenadas, 1.710 estão posicionadas: são cerca de 870 em mísseis balísticos para lançamento em terra, cerca de 640 para lançamento de submarinos e possivelmente 200 em bases aéreas, diz a Federação dos Cientistas.

Lançador de armas nucleares russo — Foto: Arte g1
Lançador de armas nucleares russo — Foto: Arte g1

Em quais situações armas nucleares seriam usadas?

A Rússia publicou em novembro de 2024 um novo texto de sua doutrina nuclear, na qual são estabelecidas as condições em que um presidente russo pode considerar usar uma arma nuclear:

  • como resposta a um ataque à Rússia com armas nucleares ou outras armas de destruição em massa;
  • no caso de uma ameaça crítica à soberania ou integridade territorial do Estado.
Rússia volta a atacar capital ucraniana com drones e mísseis
Rússia volta a atacar capital ucraniana com drones e mísseis

Quem dá a ordem para o lançamento de uma arma nuclear na Rússia?

Vladimir Putin é o principal responsável pela decisão sobre o uso de armas nucleares russas. Uma maleta nuclear, que possibilita o lançamento de ogivas, está sempre com o presidente.

Acredita-se que o ministro da Defesa russo, Andrey Belousov, e o chefe do Estado-Maior russo, Valery Gerasimov, também tenham uma dessas maletas.

A maleta nuclear é uma ferramenta de comunicação que conecta o presidente aos seus principais militares e, em seguida, às forças de foguetes através da rede de comando e controle eletrônico altamente secreta chamada "Kazbek".

Ela funciona assim: se a Rússia considerar que está sofrendo um ataque nuclear, Putin abre a maleta e envia uma ordem de lançamento direto para o comando do Estado-Maior e unidades de comando de reserva que detêm códigos nucleares. Tais ordens se propagam rapidamente por diferentes sistemas de comunicação para unidades de força de foguetes estratégicos, que então lançam mísseis, que poderiam ter os Estados Unidos e a Europa como alvos.

Se um ataque nuclear for confirmado, Putin também poderia ativar um sistema de último recurso, chamado "Dead Hand" ou "Perimetr", em que computadores decidiriam o dia do juízo final. Um foguete de controle ordenaria ataques nucleares de todo o arsenal russo.

Putin afirmou que a Rússia consideraria testar uma arma nuclear caso os Estados Unidos o fizessem.

Em 2023, o presidente russo assinou uma lei que retirou a Rússia do Tratado de Proibição Total de Testes Nucleares (CTBT, na sigla em inglês).

Até hoje, a Rússia pós-soviética não realizou nenhum teste nuclear.

Segundo a Associação de Controle de Armas, organização sediada nos EUA, desde o colapso da União Soviética, em 1991, apenas alguns países testaram armas nucleares: os Estados Unidos testaram pela última vez em 1992; China e França, em 1996; Índia e Paquistão, em 1998; e Coreia do Norte, em 2017.

A União Soviética testou pela última vez em 1990.

O Tratado de Proibição Total de Testes Nucleares foi assinado pela Rússia em 1996 e ratificado em 2000. Os Estados Unidos assinaram o tratado em 1996, mas ainda não o ratificaram.

Novas armas nucleares

Os EUA afirmaram em 2022, em sua Revisão da Posição Nuclear, que Rússia e China estavam expandindo e modernizando suas forças nucleares, e que Washington (capital dos EUA) deveria adotar uma postura baseada no controle de armas, de forma a evitar corridas armamentistas de alto custo.

“Ao mesmo tempo em que a retórica nuclear da Rússia é motivo de preocupação, o arsenal e as operações nucleares russas mudaram pouco desde as nossas estimativas de 2023 para além do atual processo de modernização”, diz a FAS em sua análise de 2024.

“No futuro, porém, o número de ogivas disponibilizadas para as forças estratégicas russas pode aumentar, com mísseis de ogiva única dando lugar a mísseis equipados com múltiplas ogivas”, completa o FAS.

Guerra, tensões com o Ocidente e eleições

A Rússia está em guerra com a Ucrânia há três anos, após Putin ordenar uma invasão em larga escala em território ucraniano em fevereiro de 2022.

As tensões na guerra estão acirradas nas últimas semanas, após o ataque a drones feito pela Ucrânia em solo russo, o maior ataque do tipo desde o início do conflito.

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