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domingo, 2 de junho de 2024

Sonda chinesa pousa na face oculta da Lua em missão inédita para recolher amostras do solo

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A sonda Chang'e-6 alunissou na imensa Bacia Aitken, uma das maiores crateras de impacto conhecidas no Sistema Solar. A China é o único país que conseguiu chegar a essa região lunar.
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TOPO
Por France Presse

Postado em 02 de junho de 2024 às 09h15m

#.*Post. - N.\ 11.219*.#


A sonda Chang'e-6 realizou um pouso suave na Bacia Aitken

A sonda chinesa Chang'e-6 conseguiu realizar um pouso suave na face oculta da Lua para recolher amostras, o avanço mais recente do programa espacial de Pequim, informou neste domingo (2) a agência estatal Xinhua.

A sonda Chang'e-6 alunissou na imensa Bacia Aitken, uma das maiores crateras de impacto conhecidas no Sistema Solar, diz a Xinhua, citando a Agência Espacial da China.

Essa será a primeira vez que amostras serão recolhidas dessa área pouquíssimo explorada do satélite. A China é o único país que conseguiu chegar a essa região lunar.

Agora que alunissou, a sonda tentará coletar poeira e rochas lunares, bem como efetuar outros experimentos em suas imediações. O processo deverá ser concluído em dois dias.

A sonda utilizará dois métodos de coleta: uma furadeira para recolher amostras embaixo do solo e um braço robótico para pegar amostras sobre a superfície.

Posteriormente, os engenheiros chineses tentarão realizar um lançamento sem precedentes a partir da face oculta da Lua.

Cientistas afirmam que a face oculta da Lua -- chamada assim porque não é visível da Terra -- tem grande potencial para a ciência porque suas crateras estão menos cobertas pelos antigos fluxos de lava da face visível.

O material recolhido da face oculta pode oferecer informações inéditas sobre como a Lua se formou.

Ambição espacial

A China já havia coloca do em 2019 uma nave espacial na face oculta da Lua, mas não recolheu nenhuma amostra.

Sob o comando do presidente Xi Jinping, o país tem dedicado um esforço considerável para realizar seu "sonho espacial".

Pequim investiu pesadamente em seu programa espacial na última década, visando uma série de iniciativas ambiciosas voltadas a reduzir a defasagem em relação às duas potências espaciais tradicionais, Estados Unidos e Rússia.

O país asiático vem obtendo vários feitos notáveis, incluindo a construção da estação espacial Tiangong, ou "Palácio Celestial".

A China também enviou sondas robóticas para Marte, e se tornou o terceiro país no mundo a colocar humanos em órbita.




China lança missão para explorar lado "oculto" da Lua

Para os EUA, porém, o programa espacial chinês vem sendo utilizado para ocultar objetivos militares e um esforço para alcançar o domínio do espaço.

"Acreditamos que muito de seu denominado programa espacial civil é um programa militar", afirmou em abril o administrador da Nasa, Bill Nelson, a legisladores americanos no Capitólio.

A China pretende enviar uma missão tripulada à Lua em 2030 e planeja também construir uma base na superfície do satélite natural.

Os EUA também planejam voltar a enviar astronautas à Lua por volta do ano de 2026, com sua missão Artemis 3.

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sexta-feira, 31 de maio de 2024

Ibovespa tem a maior queda de 2024 até aqui entre 15 bolsas pelo mundo, mostra ranking

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Especialistas ouvidos pelo g1 explicam que as principais razões para a queda são os juros altos nos Estados Unidos, a fraqueza da economia chinesa e o pessimismo com o cenário fiscal brasileiro.
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Por Bruna Miato, g1

Postado em 31 de maio de 2023 às 16h55m

#.*Post. - N.\ 11.218*.#

Queda do Ibovespa é puxada por diversos fatores — Foto: adobe stock
Queda do Ibovespa é puxada por diversos fatores — Foto: adobe stock

O Ibovespa, principal índice acionário da bolsa de valores brasileira (B3), teve a maior queda de 2024 até aqui entre 15 das principais bolsas do mundo, segundo ranking elaborado por Einar Rivero, sócio-fundador da Elos Ayta Consultoria.

Até 30 de maio, o Ibovespa acumula uma queda de 14,82%, considerando o retorno em dólares. O levantamento considera os retornos dos índices na moeda americana para que a base comparativa entre os países seja semelhante.

O rendimento da bolsa brasileira foi pior entre as principais bolsas da América Latina, considerando também México, Colômbia, Argentina, Peru e Chile, e também o pior entre os principais mercados do mundo - Estados Unidos, China, Japão, França, Inglaterra e Alemanha.

Veja o ranking completo:

Já em termos nominais, ou seja, considerando os retornos do Ibovespa na moeda nacional, em reais, o índice acumula uma queda de 7,99% no ano, após registrar baixa de 0,50%, caindo aos 122.098 pontos, nesta sexta-feira (31).

Por que a bolsa está caindo?

Especialistas ouvidos pelo g1 explicam que há três principais motivos para a queda acentuada da bolsa brasileira nos primeiros cinco meses de 2024:

  1. as perspectivas de que os juros nos Estados Unidos devem demorar para cair
  2. uma atividade econômica menor que o esperado na China
  3. cenário fiscal brasileiro ainda preocupante e com expectativa de taxa Selic elevada
1️⃣ Juros nos Estados Unidos

Jefferson Laatus, estrategista-chefe da Laatus Capital, diz que investidores iniciaram o ano com uma grande expectativa de que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) iniciasse um ciclo de corte nas taxas de juros dos Estados Unidos ainda no primeiro trimestre, em março.

"O mercado acreditava que o Fed poderia cortar até seis vezes a taxa de juros neste ano", comenta Laatus, "o que seria ótimo para a economia e para fazer fluir dinheiro para os mercados emergentes".

Mas isso não aconteceu e o cenário para os cortes ainda está distante. Atualmente, os juros americanos estão entre 5,25% e 5,50% ao ano e, de acordo com a ferramenta FedWatch, da CME, que mede a expectativa dos participantes do mercado sobre as taxas no país, a maioria dos investidores acredita que uma queda nos juros só deve começar no último trimestre do ano.

Isso porque a economia americana continua forte, com um mercado de trabalho aquecido e com dinheiro na mão da população. Isso faz com que o consumo não tenha uma redução tão acentuada e a inflação continue pressionando o Fed a manter os juros elevados por mais tempo.

Taxas de juros altas nos Estados Unidos, que é a maior economia do mundo, faz com que os investidores migrem seus investimentos para os títulos públicos do país (considerados os mais seguros e que têm a rentabilidade atrelada às taxas do Fed), o que retira dinheiro de mercados de risco, como a bolsa de valores brasileira.

2️⃣ Atividade econômica na China

O especialista também destaca a China, que o principal parceiro comercial do Brasil. Segundo Laatus, o ano começou com expectativas de que o país asiático faria grandes investimentos em infraestrutura, principalmente no setor imobiliário, para reaquecer sua economia.

Por ser um grande parceiro do Brasil, grandes estímulos na economia chinesa podem aumentar a demanda por produtos e matérias-primas brasileiras. Mas isso não aconteceu e a atividade do país continua mais fraca que o esperado.

Um exemplo disso na bolsa são as ações da Vale, empresa com maior peso na composição do Ibovespa. No ano, até aqui, os papéis da mineradora despencaram quase 20%, puxando o Ibovespa para o campo negativo.

A razão para isso é uma demanda mais fraca pelo minério de ferro - commodity que tem como um dos seus principais compradores no mundo a China.

3️⃣ Preocupações internas

Por fim, o cenário interno no Brasil também tem deixado investidores mais receosos, principalmente com a questão fiscal. Em abril, o governo mudou a meta fiscal brasileira e propôs déficit zero em 2025, em vez de superávit de 0,5% projetado anteriormente.

"A percepção de risco fiscal elevado e a alteração da meta fiscal para 2025 provocaram deterioração nas expectativas, contribuindo para a volatilidade do mercado e restritas expectativas de cortes nas taxas de juros, essencialmente limitando o apelo de investimentos no país", pontua André Colares, presidente da Smart House Investments.

A cautela com o cenário fiscal também tem reduzido as expectativas de cortes da Selic, taxa básica de juros da economia brasileira, nas próximas reuniões do Banco Central do Brasil. Em seu último encontro, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu o ritmo de cortes na taxa Selic: a redução foi de 0,25 ponto percentual, a 10,5% ao ano, depois de uma série de quedas de 0,50 ponto percentual.

Em relatório, o Bank of America comenta que espera receber retornos de títulos brasileiros, por conta da expectativa de que os juros devem continuar elevados. "Os riscos no Brasil são preocupações fiscais que colocam pressão estrutural sobre as taxas ou pressão inflacionária a médio prazo", diz a instituição.

Além disso, Colares explica que o temor de intervenções do governo em empresas com participação de capital estatal, como a Petrobras (que teve mudança de presidente em maio), reduz a confiança dos investidores, tanto domésticos quanto internacionais.

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O cientista profeta: Svante Arrhenius previu o aquecimento global ainda no século 19

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Mudanças climáticas e aumento da temperatura terrestre são alertadas desde 1896
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Vitrine / Ciência - Victória Gearini 
Publicado em 27/02/2020, às 19h55
Postado em 31 de maio de 2024 às 07h00m

#.*Post. - N.\ 11.217*.#


Imagem ilustrativa - Getty Images

Na atualidade, as consequências do efeito estufa são iminentes, entre elas está a principal causa do aquecimento global. Embora seja um assunto relativamente novo, os estudos sobre este fenômeno são antigos e remetem ao século 19. 

Svante Arrhenius (1859-1927) foi um grande químico sueco e o primeiro cientista a reconhecer o efeito estufa como a causa do aquecimento global, em 1896. Durante seus estudos na Alemanha, o especialista foi questionado sobre sua credibilidade científica. “Lá vem o gênio estrangeiro. Gostaria de saber se todos os suecos se parecem com cervejeiros aposentados”, disse um colega alemão.  

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Svante Arrhenius (1859-1927) / Crédito: Wikimedia Commons

De acordo com a jornalista Surenda Verma, autora da coleção de livros Ideias Geniais, Arrhenius não se intimidou com os comentários pejorativos e passou a desenvolver sua tese sobre o efeito estufa. Segundo a pesquisadora, o cientista afirmou que, naquela época, a temperatura do planeta estava aumentando gradativamente.

“Arrhenius (veja p. 99) sugeriu que a queima de combustíveis fósseis aumentaria o  dióxido de carbono na atmosfera, o que traria mudanças significativas para o nosso clima — mas a advertência de Arrhenius foi ignorada pelos cientistas da época”, trecho retirado da obra Ideias Geniais. 

Surenda Verma explica, ainda, que os gases naturais representam menos de 1% da atmosfera e são importantes para manter o equilíbrio da temperatura terrestre. No entanto, alguns gases produzidos pelos os seres humanos, como os clorofluorcarbonos, são um risco para o planeta, uma vez que absorvem o calor solar irradiado na superfície da Terra.  

“A temperatura global aumentou 0,6ºC desde sua advertência e, agora, está aumentando cerca de 0,2ºC a cada década. A quantidade de dióxido de carbono na atmosfera aumentou 34% desde 1975, e as emissões de dióxido de carbono continuam a crescer. Cerca de três quartos das emissões de dióxido de carbono provêm da queima de combustíveis fósseis”, conclui a autora.


+Saiba mais sobre o tema por meio de grandes obras:

Ideias geniais: Descobertas por acidente, erros surpreendentes e escorregões que mudaram a nossa visão sobre a Ciência, de Surendra Verma (2016) - https://amzn.to/37Hl7ht

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quinta-feira, 30 de maio de 2024

Caos climático: gráficos mostram que efeitos do aquecimento global estão mais intensos em 2024; entenda

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Diversos recordes climáticos estão sendo quebrados consecutivamente desde junho do ano passado. Veja como visualizações de dados ajudam a entender esse cenário inédito.
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Por Roberto Peixoto, g1

Postado em 30 de maio de 2024 às 14h15m

#.*Post. - N.\ 11.216*.#


Entenda em 10 gráficos o que está acontecendo com o planeta

2024 ainda está longe de terminar, mas um conjunto de gráficos atualizados com os dados mais recentes disponíveis gritam que o ano será marcante na trajetória da emergência climática.

Abaixo, nesta reportagem, o g1 reuniu 10 gráficos essenciais para entender a crise do clima. Quatro deles apresentam o cenário deste ano, mostrando como os efeitos do aquecimento global estão ainda mais intensos nos oceanos, na atmosfera e nas camadas de gelo.

Nesta reportagem, você vai ver:

  • Os quatro gráficos de 2024 em sequência.
  • Em seguida, a explicação para cada um deles.
  • As demais ilustrações essenciais para entender o caos climático.
  • A explicação sobre como chegamos ao atual momento e quais são as nossas perspectivas.
Os quatro gráficos de 2024 explicados em 4 pontos

  1. Temperatura do ar: desde junho do ano passado, estamos quebrando recordes de temperatura mensal da superfície do ar. A temperatura média global dos últimos doze meses (maio de 2023 a abril de 2024) é a mais alta já registrada, estando 0,73°C acima da média de 1991-2020 e 1,61°C acima da média pré-industrial de 1850-1900.
  2. Temperatura da superfície do mar: maio é o décimo terceiro mês consecutivo em que a temperatura da superfície do mar tem sido a mais quente nos registros de dados do observatório europeu Copernicus para o respectivo mês do ano.
  3. Degelo na Antártida: em 2024, a extensão do gelo marinho antártico atingiu um dos níveis mais baixos já registrados pelo terceiro ano consecutivo. Em 20 de fevereiro, a redução de 200 mil km² superou o recorde do ano anterior.
  4. Degelo no Ártico: as altas temperaturas contribuem para uma das menores extensões de gelo marinho já observadas na região: cobertura está abaixo do registrado em maio de 2012, sugerindo a possibilidade de um novo recorde mínimo este ano.
O que está acontecendo?

Olhando para o gráfico acima não é difícil imaginar o que está acontecendo com o nosso planeta. Se as cores vermelhas nele representam os anos mais quentes e as azuis os mais frios, nesta visualização fica evidente que a temperatura global está em ascensão - e de maneira significativa nos últimos anos.

Chamado de “Climate Stripes” (do inglês, listras climáticas), esse gráfico foi criado pelo cientista climático Ed Hawkins, da Universidade de Reading, no Reino Unido.

Ele foi apresentado publicamente pela primeira vez em 2018 e mostra o aumento da temperatura global desde a Revolução Industrial. E em 2023, as temperaturas foram tão altas que ultrapassaram a escala de representação das listras do aquecimento. Em janeiro Hawkins compartilhou sua atualização do gráfico e chegou até a comentar que “precisaria de uma nova cor” para ilustrar essa disparidade que foi o último ano.

A listrar do aquecimento global, projetadas nos Penhascos brancos de Dover, falésias que formam parte da costa inglesa em frente ao Estreito de Dover e a França. — Foto: University of Reading/Divulgação
A listrar do aquecimento global, projetadas nos Penhascos brancos de Dover, falésias que formam parte da costa inglesa em frente ao Estreito de Dover e a França. — Foto: University of Reading/Divulgação

Mas o que cada faixa do gráfico revela exatamente? Cada listra representa a temperatura média global de um ano, nesse período que vai de 1850 a 2023. Assim, as listras vermelhas são os anos mais quentes que a média de 1971 a 2000. Já as listras azuis são os anos mais frios que isso.

📝 Os cientistas chamam isso de anomalia de temperatura. Em outras palavras, é um indicador que mostra quanto a temperatura se desvia de uma determinada média histórica.

Nesse caso, Hawkins conta que escolheu esses anos (1971 a 2000) como referência porque esse período representa um “ponto médio” do aumento da temperatura global, ou seja, o intervalo logo antes das mudanças climáticas se tornarem mais intensas e evidentes.

Já o gráfico acima traz uma outra forma de observar esse aumento na temperatura global, apresentando os dados em uma escala mensal.

Desta vez, as listras se referem a diferença da temperatura do ar na superfície terrestre e da água do mar em relação à média de 1951-1980, compilados pelo Instituto Goddard de Estudos Espaciais da Nasa (GISS, na sigla em inglês), que analisa uma série de medições de temperatura de estações meteorológicas espalhadas pelo mundo.

"Boas visualizações permitem que as pessoas tenham uma resposta mais visceral aos dados, e assim podem ser mais eficazes quando acontecimentos importantes estão ocorrendo no mundo real", diz ao g1 o climatologista britânico Gavin Schmidt, diretor do GISS. 
Como exatamente chegamos até aqui

A resposta é simples, quando queimamos combustíveis fósseis liberamos na nossa atmosfera quantidades significativas de dióxido de carbono (CO2), o principal gás do efeito estufa, que absorve e irradia calor.

Desde a Revolução Industrial no século XVIII, quando passamos a queimar grandes quantidades de combustíveis fósseis, esta instabilidade está em um curso cada vez mais perigoso.

"Basicamente, 88% dos gases de efeito estufa emitidos nos últimos 10 anos provêm de combustíveis fósseis. Então, podemos dizer que 88% da responsabilidade pelas mudanças climáticas dos últimos 10 anos recai sobre essas fontes", diz Luciana Gatti, pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) especialista em emissão de carbono.

Como resultado, as concentrações atmosféricas de gases do efeito estufa, responsáveis pelo aquecimento global causado pelo homem vem atingindo níveis sem precedentes.

Em 2022, segundo a agência da Organização das Nações Unidas (ONU), as concentrações médias globais de dióxido de carbono (CO2), o gás de efeito estufa mais abundante na Terra, ultrapassaram em mais de 150% os níveis da era pré-industrial (definida pelo ano de 1750), alcançando o pico de 417,9 ppm (partes por milhão - o número de moléculas do gás a cada milhão de moléculas de ar).

A ONU publica um relatório com esses números em novembro, geralmente com um ano de atraso (por isso os dados são de 2022), mas no gráfico acima, que tem níveis diários de CO2 registrados no Observatório Mauna Loa, no Havaí – uma das principais referências para essa medição – já é possível ver que 2023 também deve apontar para uma taxa recorde, perto dos 420 ppm.

Licypriya Kangujam, uma ativista climática indígena da Índia, segura uma faixa com os dizeres "Acabem com os combustíveis fósseis. Salvem nosso planeta e o nosso futuro", em um protesto durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas de Dubai, a COP 28. — Foto: REUTERS/Thomas Mukoya
Licypriya Kangujam, uma ativista climática indígena da Índia, segura uma faixa com os dizeres "Acabem com os combustíveis fósseis. Salvem nosso planeta e o nosso futuro", em um protesto durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas de Dubai, a COP 28. — Foto: REUTERS/Thomas Mukoya

As temperaturas estão subindo de forma sem precedentes devido às nossas emissões de combustíveis fósseis, a principal hipótese é essa.
— Carlos Nobre, climatologista e um dos principais especialistas em mudanças climáticas do mundo.

Década de recordes

É fato que o ano de 2023 foi marcado por uma verdadeira derrubada de recordes climáticos em escala global, que desencadearam impactos socioeconômicos massivos em todas as regiões do mundo, afetando especialmente as populações mais vulneráveis.

Mas o que pode parecer uma surpresa para alguns é que todos os 10 anos mais quentes que temos registro ocorreram na última década (2014-2023).

No gráfico acima, dá para ter uma clara ideia disso. Ele mostra a temperatura anual da superfície da Terra de 1800 a 2023 comparada com a média de 1951 a 1980.

Nele, as barras avermelhadas, que mostram os anos mais quentes, começam sua ascensão contínua em 1978 e vão ficando cada vez mais altas nos últimos 10 anos.

Já o outro gráfico acima, do Copernicus, mostra esse mesmo panorama de uma forma diferente. Ele apresenta o número de dias em que a temperatura do planeta ultrapassou (em mais de 1°C) a média de 1850-1900, o período pré-industrial.

Antes de 2015, nenhum dia do ano registrava taxas de temperatura acima de 1.5°C. No entanto, a análise do gráfico revela uma tendência alarmante nos últimos 10 anos: cada vez mais dias estão superando essa marca. O ano de 2023 foi especialmente preocupante, marcando um recorde com 173 dias registrando temperaturas acima de 1.5°C.

Francyne Elias-Piera, PhD em Ciência e Tecnologia Ambiental pela Universitat Autònoma de Barcelona e especialista nas regiões polares alerta: "Para mitigar (os efeitos das mudanças climáticas), o essencial ainda é a redução das emissões de gases de efeito estufa! Precisamos exigir políticas climáticas ambiciosas, transição para fontes de energia renovável e práticas agrícolas sustentáveis".

"Além disso, a conservação de habitats, a restauração de ecossistemas e a adaptação às mudanças climáticas são essenciais para fortalecer a resiliência das regiões polares. Pois, como sempre digo, tudo está conectado e se cuidarmos do Brasil, estaremos cuidando das regiões polares", diz Francyne.

ONU alerta que mundo entrou na "era da fervura"

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