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quarta-feira, 26 de abril de 2023

VÍDEO: Parque de crocodilos é inaugurado em Dubai

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Espaço reúne 250 crocodilos do Nilo, uma das maiores espécies do mundo, e começou a receber visitantes este mês. Além do espaço para os animais, espaço tem museu, áreas de lazer e aquário.
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Por g1

Postado em 26 de abril de 2023 às 07h35m

 #.*Post. - N.\ 10.770*.#

Parque com 250 crocodilos do Nilo é inaugurado em DubaiParque com 250 crocodilos do Nilo é inaugurado em Dubai

Um parque que tem como atração principal centenas de crocodilos do Nilo foi inaugurado neste mês em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos (VEJA VÍDEO ACIMA).

Os répteis, conhecidos por estarem entre os maiores predadores da África, têm diferentes idades e ficam em espaços com clima controlado e lagos artificiais, no Dubai Crocodile Park.

Crocodilo mergulhando em aquário no Dubai Crocodile Park, em Dubai, em 17 de abril de 2023 — Foto: Giuseppe Cacace / AFP
Crocodilo mergulhando em aquário no Dubai Crocodile Park, em Dubai, em 17 de abril de 2023 — Foto: Giuseppe Cacace / AFP

Além do espaço reservado para os animais, o complexo tem um museu de história natural, áreas de lazer e um aquário com espécies de peixes naturais dos lagos do continente africano.

Crocodilo que fica em exposição no Dubai Crocodile Park, em Dubai, em 17 de abril de 2023 — Foto: Giuseppe Cacace / AFP
Crocodilo que fica em exposição no Dubai Crocodile Park, em Dubai, em 17 de abril de 2023 — Foto: Giuseppe Cacace / AFP

"Este parque é dedicado à educação, conscientização e conhecimento sobre crocodilos. Ele será totalmente aberto a estudantes que desejam estudar crocodilos", explica Marc Jansuana, que é especialista em crocodilos.

A atração deveria ter sido inaugurada em 2013. Atrasos na obra e outros problemas provocaram adiamentos, e a abertura para o público aconteceu no último dia 18.

O passeio custa 95 dirhams (R$ 130, na cotação de 26 de abril) para adultos e 75 dirhams (cerca de R$ 100) para crianças.

FOTOS: Parque em Dubai reúne centenas de crocodilos como atração principal
Crocodilos são a atração principal do parque — Foto: Giuseppe Cacace / AFP

Criança observa crocodilo juvenil nadando em um tanque no Dubai Crocodile Park, em Dubai, em 17 de abril de 2023 — Foto: Giuseppe Cacace / AFP
Visitante passa por um esqueleto fóssil em exibição no Dubai Crocodile Park, em Dubai, em 17 de abril de 2023 — Foto: Giuseppe Cacace / AFP
Dubai Crocodile Park foi inaugurado neste mês após 10 anos de atraso. Complexo reúne zoológico, museu e área de lazer.

Como tirar passaporte

Veja como tirar o passaporteVeja como tirar o passaporte
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terça-feira, 25 de abril de 2023

Empresa japonesa tenta pouso lunar histórico, mas perde comunicação com a sonda

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ispace seria a primeira companhia privada a completar a missão. Apenas os governos dos Estados Unidos, Rússia e China conseguiram colocar um robô na superfície da Lua.
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Por g1

Postado em 25 de abril de 2023 às 14h40m

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Sonda japonesa faz imagem da superfície da lua
Sonda japonesa faz imagem da superfície da lua

Uma sonda da empresa japonesa ispace tentou fazer um pouso histórico na Lua nesta terça-feira (25), mas perdeu a comunicação minutos antes de completar o feito.

🚀 Caso o pouso tivesse dado certo, a ispace se tornaria a primeira companhia privada a pousar uma sonda na Lua.

“Perdemos a comunicação, então temos que assumir que não conseguimos completar o pouso na superfície lunar”, disse o CEO da ispace, Takeshi Hakamada, em uma transmissão ao vivo da empresa.

O objetivo inicial da empresa é explorar a região lunar e, no futuro, trabalhar com o envio de cargas, inclusive da Nasa, a partir de 2025, segundo a agência Reuters.

O módulo Hakuto-R Mission já estava em órbita desde março e, por isso, não houve decolagem. Ele foi lançado em dezembro da Terra por um foguete Falcon 9, da SpaceX, do bilionário Elon Musk.

Simulação do pouso histórico na lua da sonda da empresa ispace — Foto: Reprodução/ispace
Simulação do pouso histórico na lua da sonda da empresa ispace — Foto: Reprodução/ispace

Esse módulo estava transportando um automóvel, batizado de "Rashid", que tem quatro rodas e foi produzido por uma empresa dos Emirados Árabes Unidos. Também foi enviado um robô lunar criado pela agência espacial japonesa, a JAXA.

A ispace não é a primeira empresa privada a não concluir uma missão lunar. Em abril de 2019, a israelense SpaceIL observou a queda de seu módulo na superfície da Lua.

Antes de perder a comunicação, a sonda enviou imagens da Lua para a equipe.

Confira todas as etapas da missão:

  1. 28/11/2022 - Conclusão dos preparativos para o lançamento;
  2. 11/12/2022 - Conclusão do lançamento;
  3. 16/12/2022 - Estabelecimento de operação estável;
  4. 15/12/2022 - Conclusão da primeira manobra de controle orbital;
  5. 11/01/2023 - Conclusão de voo estável no espaço profundo;
  6. 17/03/2023 - Conclusão de manobras de controle orbital em espaço profundo;
  7. 21/03/2023 - Alcançar o campo gravitacional da Lua;
  8. 13/04/2023 - Conclusão de manobras na órbita da Lua;
  9. 25/04/2023 - Houve perda de comunicação na conclusão do pouso na Lua e não é possível confirmar o sucesso da missão.
Sobre a empresa

Com apenas 200 funcionários, a ispace afirma que "deseja ampliar a esfera da vida humana ao espaço e criar um mundo sustentável, fornecendo serviços de transporte de alta frequência e baixo custo para a Lua".

O fundador da empresa disse que a missão estabeleceria "as bases para liberar o potencial da Lua e transformá-la em um sistema econômico robusto e vibrante".

A empresa informou que acredita no potencial da Lua para poder receber uma população de 1 mil pessoas em 2040, além de 10 mil visitantes por ano.

SpaceX

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Menor lua de Marte é fotografada em detalhes por sonda dos Emirados Árabes; veja

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Nave, que orbita o Planeta Vermelho há dois anos, chegou a 100 quilômetros da lua Deimos, o menor e mais afastado dos dois satélites naturais de Marte.
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Por g1

Postado em 25 de abril de 2023 às 07h10m

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Sonda Hope captura imagem de Deimos, uma das duas luas de Marte — Foto: EMIRATES MARS MISSION / AFP
Sonda Hope captura imagem de Deimos, uma das duas luas de Marte — Foto: EMIRATES MARS MISSION / AFP

A Agência Espacial dos Emirados Árabes Unidos divulgou nesta segunda-feira (24) novas imagens capturadas pela sonda 'Hope', enviada ao espaço para explorar Marte. As fotos revelam detalhes da lua Deimos, que é o menor e mais afastado dos dois satélites naturais do Planeta Vermelho.

A nave não tripulada conseguiu chegar a uma distância de 100 quilômetros de Deimos, que é um objeto rochoso de 12 quilômetros de largura. As fotos capturadas pela sonda árabe foram as mais precisas até agora e apresentaram novas descobertas sobre a estrutura da lua marciana.

A missão conseguiu capturar imagens do lado oculto da lua, mostrando áreas ainda não vistas e não estudadas pelos humanos - até agora.

Os novos registros também podem reascender o debate sobre as origens das luas de Marte - além de Deimos, o planeta vermelho possui Fobos (ou Phobos), que é sete vezes maior.

Teorias apontam que as duas luas surgiram de asteroides, que foram "sugados" para a órbita de Marte. Mas, de acordo com as novas descobertas feitas pela sonda árabe, as luas de Marte podem ter surgido do próprio Planeta Vermelho.

“Não temos certeza das origens de Phobos e Deimos”, disse Hessa Al Matroushi, líder da missão. "Nossas observações de Deimos até agora apontam para uma origem planetária", afirmou.

O cientista Christopher Edwards, responsável por um dos instrumentos da sonda árabe, afirmou que a composição rochosa das duas luas são mais parecidas com a estrutura de Marte do que com a de um asteroide. Isso pode significar que os dois corpos já fizeram parte do planeta, mas se separaram dele.

A Agência Espacial dos Emirados Árabes Unidos também anunciou que a missão em Marte será estendida por mais um ano. A sonda Hope foi lançada ao espaço em 2020 e chegou na órbita do planeta em 2021. Ela foi a primeira espaçonave de um país árabe a chegar a Marte.


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segunda-feira, 24 de abril de 2023

Bilionários da Rússia ficam mais ricos, apesar de guerra e sanções

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Fortunas crescem US$ 152 bilhões no ano que passou, impulsionadas pelos altos preços dos recursos naturais e após recuperação das perdas sofridas logo após o início da invasão da Ucrânia, segundo revista 'Forbes'.
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TOPO
Por Deutsche Welle

Postado em 24 de abril de 2023 às 08h00m

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Andrei Melnichenko, homem mais rico da Rússia, mais que dobrou sua fortuna desde o ano passado — Foto: Mikhail Metzel/TASS/picture alliance
Andrei Melnichenko, homem mais rico da Rússia, mais que dobrou sua fortuna desde o ano passado — Foto: Mikhail Metzel/TASS/picture alliance

As pessoas mais ricas da Rússia acumularam no ano que passou US$ 152 bilhões às suas fortunas pessoais, impulsionadas pelos altos preços dos recursos naturais e após se recuperarem das grandes perdas que sofreram logo após o começo da guerra na Ucrânia, disse a Forbes.

O número de bilionários da Rússia também cresceu. O país tem 110 bilionários oficiais na lista dos mais ricos, 22 a mais que no ano passado.

Segundo a revista, que informa que a riqueza total deles aumentou dos US$ 353 bilhões registrados na lista de 2022 para US$ 505 bilhões, levando em consideração que em março de 2023, quando o ranking foi elaborado, o dólar estava cotado a 75,9 rublos, enquanto era vendido a 133 rublos há um ano.

A lista seria maior se cinco bilionários não tivessem renunciado à cidadania russa. São eles: Yuri Milner, fundador da DST Global; Nikolay Storonsky, fundador da Revolut; Timur Turlov, fundador da Freedom Finance, além de Sergei Dmitriev e Valentin Kipyatkov, cofundadores da JetBrains.

Riqueza total era maior antes da guerra

"Os resultados do ano passado também foram influenciados por previsões apocalípticas sobre a economia russa", afirmou a Forbes, acrescentando que a riqueza total dos bilionários da Rússia era de US$ 606 bilhões em 2021, antes do início da guerra.

Depois que o presidente russo, Vladimir Putin, ordenou a invasão da Ucrânia em 24 de fevereiro de 2022, o Ocidente impôs o que considera as sanções mais severas na história moderna contra a economia da Rússia – e algumas de suas pessoas mais ricas – em uma tentativa de punir Putin pela guerra.

O chefe do Kremlin disse que o Ocidente estava tentando destruir a Rússia e repetidamente divulgou o fracasso das sanções ocidentais para destruir a economia russa ou até mesmo parar os produtos ocidentais de chegarem ao país.

A economia do país encolheu 2,1% em 2022 sob a pressão das sanções ocidentais, mas conseguiu exportar petróleo, metais e outros recursos naturais para os mercados globais, em particular para a China, Índia e Oriente Médio.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) elevou este mês sua previsão de crescimento da Rússia em 2023 de 0,3% para 0,7%, mas reduziu sua previsão para 2024 de 2,1% para 1,3%, prevendo que escassez de mão-de-obra e o êxodo de empresas ocidentais prejudiquem a economia do país.

O preço do petróleo dos Urais, a força vital da economia russa, registrou uma média de US$ 76,09 por barril em 2022, contra US$ 69 em 2021. Os preços dos fertilizantes também subiram no ano passado.

Amigos de Putin entre os primeiros da lista

Andrei Melnichenko, que fez fortuna com fertilizantes, fundador da química internacional EuroChem Group AG, com sede na Suíça, foi listado como o homem mais rico da Rússia pela Forbes, com um patrimônio estimado de US$ 25,2 bilhões, mais que o dobro do que no ano passado. Ele também criou a empresa SUEC, a maior fornecedora de carvão da Rússia.

Em seguida, aparecem na lista oligarcas intimamente relacionados ao Kremlin, como Vladimir Potanin – o chamado czar do níquel, presidente e maior acionista da Nornickel, maior produtor mundial de paládio e níquel refinado – o segundo mais rico da Rússia com uma fortuna de US$ 23,7 bilhões.

Depois, aparecem Vladimir Lisin, empresário do setor siderúrgico, com US$ 22,1 bilhões; e Leonid Mikhelson, fundador da empresa de gás Novatek, com US$ 21,6 bilhões.

Entre os 10 primeiros também estão o investidor Gennady Timchenko e o criador do Telegram, Pavel Durov, com US$ 11,5 bilhões.

Antes considerado o homem mais rico da Rússia, Roman Abramovich, agora tem US$ 9,2 bilhões; e os amigos pessoais de Putin, Arkady Rotenberg, construtor da ponte da Crimeia, acumula US$ 3,5 bilhões, e Yury Kovalchuk, US$ 2,7 bilhões.

A primeira mulher da lista é Tatiana Bakalchuk, diretora da empresa de comércio digital Wildberries, que aparece em 17º lugar com US$ 8,8 bilhões.

No início do ano, a Forbes publicou a lista dos bilionários que mais perderam dinheiro durante a intervenção militar russa na Ucrânia devido às sanções, incluindo Alexei Mordashov, que perdeu US$ 11,1 bilhões; a já citada Taiana Bakalchuk, agora com US$ 8,3 bilhões a menos na conta bancária, e Oleg Tinkov, que perdeu US$ 5,9 bilhões.

Ascensão no governo Yeltsin

Muitos bilionários russos consideram as sanções ocidentais uma ferramenta grosseira e até mesmo racista.

Construindo fortunas enquanto a União Soviética desmoronava, um pequeno grupo de magnatas conhecidos como "oligarcas" persuadiu o Kremlin sob o falecido presidente Boris Yeltsin a dar a eles o controle sobre algumas das maiores empresas de petróleo e metais do mundo.

Os acordos de privatização impulsionaram muitos dos magnatas para a liga mundial dos superricos, rendendo-lhes também a duradoura antipatia dos milhões de russos empobrecidos.

Mas sob Putin, alguns dos oligarcas originais, como Mikhail Khodorkovsky e Boris Berezovsky, foram destituídos de seus ativos, que acabaram em empresas estatais, muitas vezes chefiadas por ex-espiões.

Novos nomes russos na lista da Forbes incluem bilionários que ganhavam dinheiro com lanches, supermercados, produtos químicos, construção e produtos farmacêuticos, indicando que a demanda doméstica russa permaneceu forte, apesar das sanções.

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domingo, 23 de abril de 2023

A megaestrada que ligará Brasil e Chile cruzando 'inferno verde' no Paraguai

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A rodovia cruzará as regiões do Mato Grosso do Sul no Brasil, Gran Chaco no Paraguai, as províncias de Salta e Jujuy na Argentina e as regiões de Antofagasta e Tarapacá no Chile.
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TOPO
Por Jane Chambers, BBC

Postado em 23 de abril de 2023 às 8h00m

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Egon Neufeld é um empresário menonita que trabalha na região do Gran Chaco — Foto: BBC
Egon Neufeld é um empresário menonita que trabalha na região do Gran Chaco — Foto: BBC

"É um novo Canal do Panamá". É assim que Egon Neufeld descreve o corredor bioceânico, um gigantesco projeto de infraestrutura que tentará ligar a costa do oceano Pacífico no Chile com a costa atlântica no Brasil.

Neufeld, um rico proprietário de vastas terras no Paraguai, diz que a rodovia – que terá cerca de 2.200 quilômetros e cortará Argentina, Brasil, Chile e Paraguai – facilitará a vida dos fazendeiros e camponeses da região no transporte de gado e na exportação de produtos de exportação aos portos que estão no Atlântico e no Pacífico.

Os governos de cada um dos países envolvidos no projeto manifestaram apoio, mas o presidente paraguaio, Mario Abdo, foi um de seus principais impulsores.

"O Paraguai é o quarto maior exportador de soja do mundo. Para que a soja chegue ao Oceano Pacífico é preciso passar pelo Canal do Panamá. Com a nova rodovia pronta, haverá uma economia para todo o setor produtivo em cerca de 25% nos custos de logística", disse entusiasmado o presidente à BBC.

Cerca de 525 quilômetros dessa nova rodovia passam pela região conhecida como Gran Chaco, uma das principais reservas ambientais do país, povoada por cerrados e zonas úmidas.

É o lar de onças, onças-pardas, tamanduás e milhares de espécies de plantas, um dos lugares de maior biodiversidade do planeta.

O Gran Chaco paraguaio é uma área inóspita para muitos dos habitantes do país — Foto: GETTY IMAGES via BBC
O Gran Chaco paraguaio é uma área inóspita para muitos dos habitantes do país — Foto: GETTY IMAGES via BBC

Esse lugar nem sempre foi amado por aqueles que quiseram se estabelecer nessas terras.

Quando os menonitas, uma comunidade cristã protestante, desembarcaram ali no início do século 20, eles o chamaram de "inferno verde".

O avô de Neufeld foi um dos menonitas que se estabeleceram no Chaco em 1930, depois de escapar da perseguição na Ucrânia.

Quase 100 anos depois, seu neto continua lutando contra o ambiente hostil.

O corredor bioceânico unirá as costas dos oceanos Pacífico e Altântico — Foto: BBC
O corredor bioceânico unirá as costas dos oceanos Pacífico e Altântico — Foto: BBC

O que é o corredor bioceânico?

O corredor bioceânico é um projeto de infraestrutura desenvolvido desde 2015 pelos governos da Argentina, Brasil, Paraguai e Chile para ligar quatro portos localizados no Oceano Pacífico – sendo eles Antofagasta, Mejillones, Tocopilla e Iquique – ao porto da cidade brasileira de Santos.

Estima-se que a rodovia terá cerca de 2.200 quilômetros de extensão e o custo aproximado do investimento total é de US$ 10 bilhões.

A rodovia cruzará as regiões do Mato Grosso do Sul no Brasil, Gran Chaco no Paraguai, as províncias de Salta e Jujuy na Argentina e as regiões de Antofagasta e Tarapacá no Chile.

Cada país tem a responsabilidade de cumprir alguns trechos e prazos, porém não está claro qual é o prazo final para a conclusão do projeto.

De fato, em janeiro deste ano, os presidentes do Brasil e do Chile, Lula e Gabriel Boric, confirmaram que iriam acelerar a construção dos trechos que correspondem aos seus territórios.

Talvez um dos países que está mais avançado na execução dos projetos seja o Paraguai, que já tem um dos três trechos de seu território pronto.

"O trecho um do corredor bioceânico, que está pronto, já permitiu um acesso muito mais fácil para os comércios, porque antes a estrada era de terra e quando chovia era difícil transitar. Agora você pode chegar facilmente às diferentes cidades menonitas e suas colônias", disse à BBC o engenheiro Alfredo Sánchez, porta-voz do governo para a questão do corredor.

“Para nós, o maior problema é que temos que retirar o mato dos campos. Se você não cuidar, esse mato volta e toma conta de tudo”, explicou.

Para Neufeld, a rodovia dará mais oportunidades de trabalho que atrairão pessoas de outras partes do Paraguai.

Sua comunidade conseguiu se estabelecer com sucesso em algumas seções do "inferno verde", especialmente eles conseguiram construir uma lucrativa indústria de gado e laticínios, que agora são transportados em caminhões 4x4 e não em carroças puxadas por cavalos como em outras comunidades

Mas o que para alguns é atrativo, para outros é preocupante.

Taguide Picanerai, um jovem líder da comunidade indígena Ayoreo, uma das primeiras a habitar o Chaco, a comunidade já está sofrendo os efeitos do desmatamento, porque milhares de árvores foram derrubadas em razão da pecuária.

Cerca de 20% da floresta do Gran Chaco, o equivalente à área do estado de Nova York, foi convertida em terras para pastagem de gado e produção agroindustrial desde 1985, segundo fotografias de satélite da NASA.

“A nova rodovia vai significar mais criação de gado, o que leva a uma grande perda de biodiversidade”, diz Picanerai, acrescentando que também está preocupado com a perda de território dos Ayoreo.

Ele explica que no passado os produtores se mudaram para os territórios ancestrais dos Ayoreo, impediram o acesso à água e restringiram o espaço de caça para as comunidades indígenas.

A vida dos Ayoreo mudou significativamente em apenas uma geração. Os pais de Picanerai viviam na floresta impenetrável, onde caçavam javalis e tartarugas.

A comunidade foi convencida por missionários americanos que vieram para o Paraguai na década de 1960 a abandonar a vida de caçadores, vestir roupas e se estabelecer com outras comunidades indígenas.

E grande parte de suas terras foi vendida a fazendeiros e pecuaristas, o que levou a batalhas legais de anos para recuperar parte dessas terras para que a comunidade pudesse se restabelecer.

"Esse território é vital para nós", declarou Picanerai.

As obras do corredor bioceânico avançam no Paraguai — Foto: BOB HOWARD via BBC
As obras do corredor bioceânico avançam no Paraguai — Foto: BOB HOWARD via BBC

A ameaça ambiental

O presidente Abdo reconhece que a nova rodovia “aumentará a população no Chaco” e gerará “mais atividade comercial”. Mas ele acredita que, desde que as leis sejam cumpridas, o impacto será positivo.

Ele disse à BBC que já existiam regras rígidas para os proprietários de terras, incluindo uma cláusula que estipulava que "o máximo que as pessoas podem desmatar no Chaco é 50% de seu latifúndio, e menos se a biodiversidade da área for considerada mais delicada”.

Para o ambientalista Miguel Lovera, essas medidas não são suficientes.

“A construção de novas estradas leva a um maior desmatamento e derrubada de florestas em pequenos trechos, o que coloca uma enorme pressão sobre o frágil ecossistema”, disse Lovera, que dirige uma organização que luta pela proteção de grupos indígenas no Chaco.

Por outro lado, para Bianca Orqueda, jovem cantora e compositora do grupo indígena Nivaclé, a estrada tem alguns aspectos positivos.

Orqueda, que dirige uma escola de música infantil na periferia da cidade menonita de Filadelfia, divide seu tempo entre sua comunidade e a capital do Paraguai, Assunção.

E a rodovia a ajudará a encurtar os tempos de viagem.

Ela não está convencida de que seja possível que sua comunidade continue vivendo isolada, acrescentando que os Nivaclé precisam "progresir", o que para alguns pode significar deixar o Chaco e seu modo de vida para trás.

"Eu digo às crianças que, se quiserem ser médicas, arquitetas, dentistas ou musicistas, terão que sair assim que terminarem a escola e irem para outra cidade."

"Aqui na Filadélfia não há universidades, não há nada a menos que você queira ir para a agricultura", disse Orqueda.

Para Picanerai, a conservação do Chaco é mais do que apenas o modo de vida de sua comunidade indígena.

“A rica biodiversidade do Chaco significa que é um problema global que deveria preocupar a todos”, comentou ele, acrescentando que está determinado a proteger sua terra dos recém-chegados que se mudarem para a região após o fim das obras da nova rodovia.

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