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domingo, 5 de fevereiro de 2023

Como medo e nostalgia do 'mundo de ontem' viraram arma para radicalizar brasileiros mais velhos

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Insegurança e percepção de ameaça a valores tradicionais, junto a suscetibilidade à desinformação, colocam idosos sob risco maior do populismo e do extremismo de direita.
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TOPO
Por Paula Adamo Idoeta e Luís Barrucho, BBC

Postado em 05 de fevereiro de 2023 às 09h40

 #.*Post. - N.\ 10.669*.#

Mulher durante atos em Brasília, em 8 de janeiro; insegurança, nostalgia e percepção de ameaça a valores tradicionais, junto a suscetibilidade à desinformação, colocam pessoas mais velhas sob risco do populismo e extremismo de direita — Foto: REUTERS
Mulher durante atos em Brasília, em 8 de janeiro; insegurança, nostalgia e percepção de ameaça a valores tradicionais, junto a suscetibilidade à desinformação, colocam pessoas mais velhas sob risco do populismo e extremismo de direita — Foto: REUTERS

"Você é patriota ou 'jornazista'?", pergunta dona Heloísa (nome fictício), de 67 anos, antes de aceitar conceder uma entrevista à BBC News Brasil.

Avessa aos meios de comunicação tradicionais, ela se informa apenas pelo WhatsApp. Foi no aplicativo de mensagens que ela recebeu a convocação para participar, ativamente, dos atos antidemocráticos em Brasília em 8 de janeiro.

"Não assisto à TV desde 2015. Naquele ano, eu me politizei ao descobrir o Brasil Paralelo [canal bolsonarista desmonetizado por ordem do Supremo Tribunal Federal] e o Olavo de Carvalho [ensaísta e influenciador digital de direita, morto em janeiro de 2022]", diz dona Heloísa.

Embora não tenha entrado no Congresso Nacional, ela esteve entre o grupo que subiu na rampa e na parte elevada do edifício legislativo. Acabou detida no dia seguinte, quando a polícia desbaratou os acampamentos bolsonaristas diante de quartéis. Foi fichada e liberada após 12 horas, conta.

Alguns dos detidos nos atos e acampamentos agora responderão a processo legal. Até 31 de janeiro, o Ministério Público Federal havia apresentado denúncia contra 479 pessoas por crimes como associação criminosa, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado e dano qualificado pela violência.

Dona Heloísa emociona-se ao explicar por que decidiu encarar a longa viagem de ônibus do interior de Minas Gerais, onde vive com o filho de 28 anos ("que também é de direita"), até a capital federal.

"Quero um país melhor para mim, para você e para todos. O Lula e a esquerda vão implementar o comunismo no Brasil. Vamos virar uma Venezuela, uma Cuba, uma Coreia do Norte", argumenta.

O medo sentido por dona Heloísa, embora não tenha base em fatos concretos, parece ser chave para entender um fenômeno visível: os atos antidemocráticos pós-eleição presidencial passaram a atrair pessoas mais velhas em comparação ao que se via em protestos populares até então no Brasil.

De um lado, há o temor de que isso alimente uma "velhofobia", ou preconceito contra idosos. De outro, provoca debates sobre como prevenir — ou reverter — a radicalização, o isolamento, a sensação de ressentimento e a suscetibilidade à desinformação de parte da população mais velha, um grupo que é cada vez mais numeroso no Brasil e no mundo.

"Existe maior vulnerabilidade dos mais velhos ao discurso que provoca medo e ameaça destruir o mundo que eles conhecem e onde se sentem seguros e protegidos", diz Mirian Goldenberg, professora-titular do Departamento de Antropologia Cultural do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

"O WhatsApp e a mídia de extrema direita se tornaram armas poderosas para provocar medo e insegurança nos mais velhos. Eles sentem muito mais medo com as ameaças de destruição dos seus valores."

O perigo, porém, segundo Goldenberg, é associar a velhice a uma inclinação ao extremismo de direita.

Faixa etária prevalente entre os mais de mil detidos nos atos de 8 de janeiro era de 50 a 59 anos; entre 60 e 69 anos, houve 40 pessoas presas. Mais duas tinham mais de 70 anos, e uma terceira, mais de 80 — Foto: REUTERS
Faixa etária prevalente entre os mais de mil detidos nos atos de 8 de janeiro era de 50 a 59 anos; entre 60 e 69 anos, houve 40 pessoas presas. Mais duas tinham mais de 70 anos, e uma terceira, mais de 80 — Foto: REUTERS

"Esse discurso não é só perigoso, mas criminoso. É reforçar ainda mais o preconceito", afirma Goldenberg, uma das principais estudiosas do envelhecimento no Brasil. "Se antes ouvíamos que velhos são 'teimosos' ou 'gagás', agora estamos ouvindo que eles são 'fascistas e de extrema-direita'."

O que, então, podemos concluir a partir da presença de tantos cabelos grisalhos na invasão dos Três Poderes e nos acampamentos diante de quartéis?

Os presos em Brasília

Os dados corroboram a percepção de que os atos antidemocráticos atraíram um público mais velho, embora não necessariamente idoso (que, para efeitos legais, é quem tem 60 anos ou mais).

Segundo a lista divulgada pela Secretaria de Administração Penitenciária do Distrito Federal (Seape-DF) depois do 8 de janeiro, a faixa etária prevalente entre os mais de mil detidos nos atos era de 50 e 59 anos (393 presos).

No grupo entre 60 e 69 anos, havia 40 pessoas presas. Mais duas tinham mais de 70 anos, e uma terceira, mais de 80.

No entanto, antes disso, a Polícia Federal havia liberado outras 684 pessoas detidas no acampamento diante do QG do Exército, acusadas de participarem das manifestações pró-Bolsonaro. A Seape-DF não informou quantas dessas pessoas liberadas eram idosas.

No Brasil em geral, uma pesquisa sobre a polarização no país, divulgada em abril de 2022, das organizações Locomotiva, Despolarize e Tide Setúbal, identificou que 35% dos 1.300 entrevistados de 60 anos ou mais se diziam de direita — o maior contingente entre todas as faixas etárias.

Os idosos entrevistados também se identificavam mais com expressões como "cidadão de bem" e "patriota", em comparação com outras faixas etárias.

Presença de tantos grisalhos em atos e acampamentos chama atenção, mas especialista ressalta se tratar de uma minoria entre idosos — Foto: REUTERS
Presença de tantos grisalhos em atos e acampamentos chama atenção, mas especialista ressalta se tratar de uma minoria entre idosos — Foto: REUTERS

Mas não se pode dizer que houve nesse grupo um alinhamento automático a Jair Bolsonaro (PL). Em 27 de outubro, a poucos dias do segundo turno das eleições de 2022, pesquisa Datafolha apontou que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) liderava em intenção de votos entre eleitores com 60 anos ou mais, com 51% contra os 43% de Bolsonaro.

O que parece corroborar a tese de Mirian Goldenberg de que, embora muitos desse grupo etário se identifiquem mais com a direita, a maioria não se radicalizou em favor do ex-presidente. "Trata-se de uma pequena minoria de pessoas, e não foi com a velhice que se tornaram assim. A população mais idosa está sendo erroneamente estigmatizada", opina a antropóloga à BBC News Brasil.

O problema é que os fenômenos por trás dessa radicalização são complexos — e estão associados a questões tanto nacionais, quanto globais.

Medo e nostalgia

Alguns anos atrás, o acadêmico italiano Edoardo Campanella analisou, em países da Europa e nos Estados Unidos, o que chama de "elo entre envelhecimento e populismo".

Campanella observou que eleitores mais velhos desses lugares se mostraram desproporcionalmente mais alinhados que outros grupos etários ao nacionalismo e à direita, e em eleições cruciais — por exemplo, no plebiscito do Brexit, que resultou na saída do Reino Unido da União Europeia, e na vitória de Donald Trump nos Estados Unidos, ambos em 2016.

"Nem o Lei e Justiça nem o Fidesz [partidos populistas de direita no poder na Polônia e Hungria, respectivamente] teriam chegado ao poder sem o apoio entusiasmado dos mais velhos", escreveu em 2018 Campanella, atualmente pesquisador no Centro de Negócios e Governo na Escola de Negócios Kennedy da Universidade Harvard, nos Estados Unidos.

Campanella acha que esse fenômeno internacional é motivado, em grande parte, pelo medo: muitas pessoas mais velhas são desproporcionalmente mais marginalizadas pela revolução tecnológica global e, em partes da Europa e dos Estados Unidos, sentem que seus valores mais tradicionais têm sido ameaçados por movimentos pró-integração e imigração.

"Líderes populistas tendem a usar esses medos em benefício eleitoral próprio", diz Campanella, agregando que isso ocorre num momento em que até mesmo países ricos têm menos capacidade de aplacar as preocupações financeiras dessa faixa etária.

"A maior parte dos governos não tem mais a capacidade fiscal de proteger os mais vulneráveis, que geralmente incluem os idosos. No passado, especialmente na Europa continental, o sistema previdenciário tinha o papel de absorver choques [econômicos e sociais] e era extremamente importante para aplacar esses medos diante da instabilidade econômica. No momento, isso não é mais possível, ou ficou extremamente difícil."

Para pesquisador, medo e nostalgia também ajudam a explicar apoio de pessoas mais velhas a Brexit, no Reino Unido, e à eleição de Trump em 2016 — Foto: BBC
Para pesquisador, medo e nostalgia também ajudam a explicar apoio de pessoas mais velhas a Brexit, no Reino Unido, e à eleição de Trump em 2016 — Foto: BBC

Além do medo, outro elemento importante entre os mais velhos, diz Campanella, é a nostalgia, ou o apego à ideia de um passado glorioso e próspero.

"É uma força que teve um papel muito importante (...) no Brexit — a nostalgia em relação ao Império Britânico — e nos Estados Unidos — com o slogan (de Trump) Faça a América Grande Novamente", afirma o pesquisador, autor de um livro sobre o assunto: Anglo-Nostalgia, a Política da Emoção em um Ocidente Fraturado, em tradução livre.

"Todos esses movimentos nacionalistas e populistas, especialmente da extrema direita na Europa, tentaram criar o mito de um passado que não existe mais. E está muito claro que as pessoas mais velhas são mais vulneráveis a esses sentimentos nostálgicos, porque tendem a se projetar mais no passado do que no futuro", diz Campanella à BBC News Brasil.

Aqui no Brasil, alguns traços de nostalgia aparecem também no discurso de dona Heloísa ao comentar sua motivação para participar dos atos em Brasília — em especial quando a conversa com a reportagem toca no período da ditadura militar, repetidamente glorificado por Bolsonaro.

"Não fale 'ditadura militar', fale 'governo militar'", diz ela. "Foi a melhor época da minha vida. Eu tinha uma vida tranquila. Eu andava à noite, só eu e meu irmão, a gente ia para a boate, voltava às 3h da manhã, andando a pé, porque era muito, muito legal. Eu acho que nosso ensino era bom, a gente sabia o que era pátria, o que era Deus, sabia o que era moral e bons costumes", diz dona Heloísa, ao longo de uma hora de conversa por telefone.

"Me considero de direita e a favor da intervenção militar. Defendo pátria, família e liberdade. E acredito que o Bolsonaro venceu as eleições, mas elas foram fraudadas. Por isso, decidi participar da manifestação em Brasília", diz ela, repetindo uma das desinformações que circularam após o pleito de 2022.

'Tédio crônico'

Exposição e suscetibilidade à desinformação é maior entre pessoas de mais idade — Foto: GETTY IMAGES/via BBC
Exposição e suscetibilidade à desinformação é maior entre pessoas de mais idade — Foto: GETTY IMAGES/via BBC

No Brasil, o sociólogo Rudá Ricci acha que um outro fenômeno se interrelaciona com o medo e o ressentimento: a busca humana por sentido e emoção na vida.

Ele teoriza que uma espécie de "tédio crônico" parece estar acometendo uma parcela dos brasileiros radicalizados, em especial em cidades do interior do Brasil, onde as oportunidades tendem a ser mais escassas.

"Esse tédio impele a pessoa não só à melancolia, mas a uma luta desesperada para ter um sentido na vida", diz Ricci, que é autor do livro Fascismo Brasileiro: E o Brasil Gerou o seu Ovo da Serpente (Kotter Editorial, 2022).

"O que define [esse tédio crônico], me parece, é essa característica interiorana — de pessoas que têm uma vida extremamente pacata, mas que o seu espírito gostaria de algo mais. E, nesse sentido, o bolsonarismo criou um caminho, o de poder se projetar pelo anti-institucionalismo, ou seja, pela negação do campo institucional."

Como esse fenômeno parece ganhar capilaridade com as redes sociais, traz um desafio adicional ao presidente Lula, avalia Ricci. "O governo está na parede porque [a esquerda] não sabe mais movimentar a sociedade civil. Não é que não tenha identidade, mas não tem mais essas relações orgânicas [com a população comum]. E o bolsonarismo tem", opina.

Por fim, um elemento importante nessa equação toda é o que se chama de "letramento digital": pesquisas acadêmicas já identificaram que pessoas mais velhas são mais suscetíveis à desinformação online.

Nos Estados Unidos, pessoas com 65 anos ou mais "tinham o dobro de probabilidade de serem expostas a fake news e sete vezes mais probabilidade de compartilhar notícias falsas no Facebook, em comparação com jovens de 18 a 29 anos", segundo estudo publicado na revista Nature.

A mesma pesquisa, porém, traz razões para otimismo: após uma sessão de um curso digital (em inglês), 85% dos participantes aumentaram sua capacidade de discernir informações falsas, 11 pontos percentuais a mais do que antes dessa sessão.

Caminhos possíveis

ara Edoardo Campanella, as saídas têm de passar também pela ação sociopolítica.

"O que os partidos populistas tentam fazer é proteger os mais velhos. Então, acho que os partidos tradicionais deveriam empoderar os mais velhos, o que é bem diferente", diz ele.

"Empoderá-los significa mantê-los munidos das ferramentas e habilidades certas para um mundo em transformação. Também significa que precisamos ser realistas quanto ao processo de globalização — a ideia de que a integração econômica é sempre boa provavelmente já ficou datada. Mesmo em economias grandes, é preciso combinar integração econômica com políticas domésticas que empoderem e, em certa medida, protejam os mais vulneráveis."

Partidos tradicionais terão de encontrar formas de empoderar pessoas mais velhas para se contrapor ao populismo, avalia estudioso — Foto: REUTERS
Partidos tradicionais terão de encontrar formas de empoderar pessoas mais velhas para se contrapor ao populismo, avalia estudioso — Foto: REUTERS

Não há caminhos fáceis, diz o estudioso, mas "a ideia de aprendizado constante precisa ser adaptada à realidade".

Ao mesmo tempo em que Campanella vê um risco de crescentes conflitos intergeracionais por conta da radicalização, acha que a nostalgia pode, também, ser uma força benigna:

"Existe uma forma positiva de nostalgia, (...) se ela for usada para trazer um futuro melhor. Você pode valorizar a tradição, a história, mas sem a ilusão de recriar aquela realidade, porque o mundo mudou".

Para Rudá Ricci, alienar ou punir as pessoas radicalizadas também traz riscos — o de esse grupo se entrincheirar ainda mais.

"Claro que tem que haver a afirmação da lei [para participantes de atos democráticos], regras de convivência, ordem democrática. Mas se a gente ficar preso nisso, a gente vai pagar mais caro daqui a pouco. E eu não vejo o governo federal, nem as instituições, discutindo esses valores, esse problema existencial, essa decadência econômica [que movem o radicalismo]."

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sábado, 4 de fevereiro de 2023

Com dados preliminares, alertas de desmatamento em janeiro na Amazônia apontam queda

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Faltando 4 dias para fechar o mês, taxa de desmate para janeiro já é a 3ª menor da série histórica do Inpe: 121 km². Novo sistema de medições do instituto começou em 2015.
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Por Roberto Peixoto, g1

Postado em 04 de fevereiro de 2023 às 10h35m

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Os alertas são feitos pelo Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), que produz sinais diários de alteração na cobertura florestal para áreas maiores que 3 hectares (0,03 km²). — Foto: Ueslei Marcelino/Reuters
Os alertas são feitos pelo Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), que produz sinais diários de alteração na cobertura florestal para áreas maiores que 3 hectares (0,03 km²). — Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

Faltando 4 dias para o fechamento dos dados do mês, o acumulado de alertas de desmatamento em janeiro de 2023 na Amazônia Legal está em 121 km², a terceira menor marca para o mês até então na série histórica do Deter, que começou em 2015. Os números são do Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe).

A Amazônia Legal corresponde a 59% do território brasileiro, e engloba a área de 8 estados (Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins) e parte do Maranhão.

Áreas sob alerta de desmatamento na Amazônia Legal em janeiro (2015-23)*
*Dados de 2023 ainda não estão completos. Índice considera ano civil


Fonte: Deter/Inpe

Os alertas são feitos pelo Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), que produz sinais diários de alteração na cobertura florestal para áreas maiores que 3 hectares (0,03 km²) – tanto para áreas totalmente desmatadas como para aquelas em processo de degradação florestal (por exploração de madeira, mineração, queimadas e outras).

Por isso, os números podem ter alteração até o finalização da análise dos dados pelo Inpe, que costuma rever a influência de fatores como a cobertura de nuvens na medição das taxas.

Até o momento, com os 121 km² (uma área do tamanho da cidade de Niterói), a taxa deste ano só ficou acima das marcas de 2017 e 2021, quando o índice chegou a 58 e 83 km², respectivamente (veja gráfico acima).

"A queda observada nos dados de desmatamento, em janeiro, deve ser interpretada com cautela, pois a cobertura de nuvem registrada nesse período é a maior dos últimos seis anos para o início do ano. A cobertura de nuvem pode aumentar o tempo de detecção pelo sistema DETER que usa imagens de satélites com sensores ópticos", aponta Daniel Silva, especialista em Conservação do WWF-Brasil.

"É possível, por exemplo, que mais desmatamento tenha ocorrido, mas será registrado somente nos próximos dias ou semanas, quando esse cenário será menor". 
Recordes em 2022

No ano passado, janeiro e fevereiro acumularam recordes de desmatamento. Como explicou o g1, a situação foi extraordinária porque normalmente, o período entre dezembro, janeiro, fevereiro e março acumula taxas menores de desmate já que estão dentro da estação chuvosa da maioria dos estados do bioma.

No entanto, as taxas da época se comparam aos registros da estação seca em anos onde houve maior ação contra os crimes ambientais.

  • Em janeiro de 2022 foram 430,44 km² de área sob alerta de desmatamento, de acordo com o sistema Deter. A média para janeiro no período entre 2016 e 2021 é de 162 km². A taxa foi 165% maior;
  • Já em fevereiro de 2022 foram 199 km² de áreas sob alerta de desmate, segundo o Inpe ; a média entre 2016 e 2021 é de 135 km². O número registrado no ano passado foi 47% maior.

O motivo desse avanço, segundo especialistas: um "senso de oportunidade" de criminosos que temiam os resultados da eleição presidencial do ano passado e uma consequente mudança no combate ao desmatamento na Amazônia, que já se viu refletida nos primeiros dias da nova gestão federal.

Ao assumir o Ministério do Meio Ambiente pela segunda vez, Marina Silva criticou a política ambiental dos últimos anos e ressaltou o compromisso do novo governo com o desmatamento zero no bioma, uma das promessas de campanha do presidente Lula.

Além de ajudar a combater incêndios florestais e queimadas na região, a Força Nacional está apoiando as ações de fiscalização e de repressão ao desmatamento ilegal e demais crimes ambientais.

O Deter não é o dado oficial de desmatamento, mas alerta sobre onde o problema está acontecendo. O Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes) é considerado o sistema mais preciso para medir as taxas anuais.

E de acordo com o último relatório do Prodes, divulgado em novembro, a área desmatada na Amazônia foi de 11.568 km² entre agosto de 2021 e julho de 2022 (o equivalente ao tamanho do Catar).

O índice representa uma queda de 11% do total da área desmatada entre a última temperada (agosto de 2020 – julho de 2021). Na edição anterior, o número foi de 13.038 km².

Apesar dessa queda pontual, o desmatamento na Amazônia cresceu 59,5% durante os quatro anos de governo do presidente Jair Bolsonaro (PL), a maior alta percentual num mandato presidencial desde o início das medições por satélite, em 1988.

Na temporada 2020-2021 – período que engloba agosto de 2020 a julho de 2021 –, foram 13 mil km² de área sob alerta de desmatamento, maior número desde 2006.

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'Cobra DiCaprio': fétida e comedora de lesmas, nova espécie já está em risco por causa da mineração

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Além de DiCaprio, outro conservacionista e a associação sem fins lucrativos Nature and Culture Internacional também puderam escolher os nomes de outras espécies de cobras.
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Por Júlia Putini, g1

Postado em 04 de fevereiro de 2023 às 09h05m

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Sibon irmelindicaprioae, em homenagem à mãe de Leonardo DiCaprio, é a mais rara. Ela vive nas selvas Chocó-Darién do leste do Panamá e oeste da Colômbia. — Foto: Reprodução/Alejandro Arteaga
Sibon irmelindicaprioae, em homenagem à mãe de Leonardo DiCaprio, é a mais rara. Ela vive nas selvas Chocó-Darién do leste do Panamá e oeste da Colômbia. — Foto: Reprodução/Alejandro Arteaga

Nas florestas do Equador, Colômbia e Panamá, cinco novas espécies de cobras foram descobertas e os resultados das pesquisas sobre elas foram divulgados no fim de janeiro.

Entre elas, uma teve o nome de batismo inspirado indiretamente no ator Leonardo DiCaprio, graças ao trabalho da celebridade em prol da conservação do meio ambiente.

A cobra de olhos e manchas vermelhas, Sibon irmelindicaprioae, recebeu o nome em homenagem à mãe do astro, Irmelin.

Com cerca de 38 centímetros de comprimento, ela passa as noites nas folhas das palmeiras a três metros acima do solo, procurando caracóis e lesmas.

Essa espécie vive nas árvores de selva entre Equador e Colômbia, região na qual a atividade mineradora cresceu muito nos últimos três anos, fazendo com que a espécie recém-descoberta seja ameaçada de extinção.

Extremamente dócil, a cobra se defende sem atacar, apenas se enrolando em torno da própria cabeça e exalando um odor fétido.

Além da Sibon irmelindicaprioae: também foram descritas nos estudos a cobra-caracol dossel (Sibon dossel), cobra comedora de caracóis de Marley (Sibon marleyae), cobra comedora de caramujos de Vieira (Sibon vieirai) e cobra comedora de caracóis de Welborn (Dipsas welborni).

Sob risco no Equador e Colômbia

A cobra Sibon marleyae, com tons vermelhos, laranjas, amarelos e marrom, foi batizada em homenagem à filha do conservacionista Brian Sheth. Ela foi descoberta nas florestas tropicais de Chocó, uma das mais úmidas e intocadas do Equador e Colômbia. (Veja abaixo)

Sibon marleyae, em homenagem à filha do conservacionista Brian Sheth, foi descoberta nas florestas tropicais de Chocó mais úmidas e intocadas do Equador e da Colômbia. — Foto: Reprodução/Eric Osterman
Sibon marleyae, em homenagem à filha do conservacionista Brian Sheth, foi descoberta nas florestas tropicais de Chocó mais úmidas e intocadas do Equador e da Colômbia. — Foto: Reprodução/Eric Osterman

As áreas montanhosas da floresta amazônica superior e as selvas de Chocó-Darién são mundialmente conhecidas pelas novas espécies continuamente descobertas na região, rica em biodiversidade.

Em um estudo publicado em 25 de janeiro na revista científica ZooKeys, voltada para a pesquisa de biodiversidade, os pesquisadores descreveram as cobras e relataram como a mineração de ouro e cobre na região ameaça outras espécies desse réptil.

Atividades de mineração de ouro na província de Napo, Equador. — Foto: Reprodução/Ivan Castaneira
Atividades de mineração de ouro na província de Napo, Equador. — Foto: Reprodução/Ivan Castaneira

Durante a pandemia, a mineração ilegal atingiu um nível crítico e está dizimando as populações de cobras que vivem nas árvores.

Sibon canopy foi nomeada em homenagem ao sistema de reservas Canopy Family. — Foto: Reprodução/Alejandro Arteaga
Sibon canopy foi nomeada em homenagem ao sistema de reservas Canopy Family. — Foto: Reprodução/Alejandro Arteaga

Isso ocorre por dois fatores:

  • Essas cobras são arborícolas, ou seja, não podem sobreviver em áreas sem vegetação;
  • Elas se alimentam exclusivamente de lesmas e caracóis, que vivem em córregos e rios que vão diminuindo devido à poluição dos corpos d'água.
Dipsas welborni recebeu o nome de David Welborn, ex-membro do conselho da fundação Nature and Culture International — Foto: Reprodução/Alejandro Arteaga
Dipsas welborni recebeu o nome de David Welborn, ex-membro do conselho da fundação Nature and Culture International — Foto: Reprodução/Alejandro Arteaga

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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2023

‘Melhor pagar por vacinas do que tentar ir a Marte’, diz Bill Gates

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Bilionário falou sobre seu trabalho de filantropia, que é diferente de como Elon Musk ou Jeff Bezos usam suas fortunas.
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TOPO
Por BBC

Postado em 03 de fevereiro de 2023 às 16h35m

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 — Foto: GETTY IMAGES
— Foto: GETTY IMAGES

O bilionário americano Bill Gates disse que prefere usar seu dinheiro para financiar vacinas do que para viajar para Marte — o que, para ele, não é um bom uso do dinheiro.

"Ir a Marte é caro demais. Você pode comprar vacinas contra o sarampo e salvar vidas por US$ 1 mil (cerca de R$ 5 mil) por cada vida salva", disse ele à BBC.

"E então [isso] meio que faz você concluir — não vá para Marte."

Outros bilionários famosos têm investido suas fortunas em projetos espaciais. Elon Musk, CEO da Tesla e da Space X, disse que quer colonizar Marte e Jeff Bezos, dono da Amazon, também tem construído foguetes.

A SpaceX, a empresa de foguetes cofundada por Musk em 2002, estabeleceu como objetivo final enviar voos tripulados a Marte e um dia criar colônias no planeta.

Bezos, o fundador da Amazon, é dono da empresa aeroespacial Blue Origin. Ele próprio fez uma curta viagem ao espaço em 2021. Já o magnata britânico Richard Branson também viajou para o espaço em seu avião-foguete Virgin Galactic.

Gates, que é cofundador da Microsoft, também acredita que a inteligência artificial transformará a humanidade "de forma bastante dramática".

Ele disse: "Isso nos ajudará a examinar questões médicas e científicas. Não são apenas robôs. A tecnologia está ajudando a ler e a escrever também."

"Na verdade, houve mais progresso nessa área do que no lado robótico. Ambos lados nos darão uma produtividade muito maior."

'Bicho papão'

Gates também falou sobre sua surpresa de virar o protagonista de diversas teorias da conspiração durante a pandemia de covid.

"Eu não estava esperando isso", disse ele, referindo-se às teorias de que ele lucrou com as vacinas ou até mesmo de que criou o vírus.

“Durante a pandemia, houve dezenas de milhões de mensagens sendo disseminadas de que eu causei intencionalmente o vírus ou de que estou rastreando pessoas com as vacinas. É verdade que estou envolvido com vacinas, mas mey envolvimento é com vacinas para salvar vidas."

"Essas mensagens meio que inverteram isso. Eu acho que as pessoas estão procurando um 'bicho-papão' por trás da história ou alguma explicação simplista. A malevolência é muito mais fácil de entender do que a biologia."

Gates também falou sobre como conheceu o criminoso sexual Jeffrey Epstein.

"Hoje eu sou certamente mais cuidadoso do que quando fiz isso. Eu tenho mais cuidados. Eu posso vir a cometer um erro novamente. Eu ando pelo mundo e tento não ser um recluso."

'Pelos padrões da minha avó, eu sou louco'

Gates, que passou grande parte de sua vida sendo a pessoa mais rica do mundo, doou dezenas de bilhões de dólares para causas filantrópicas, muitas vezes voltadas para a saúde global, especialmente crianças.

Ele agora divide seu tempo entre o combate às mudanças climáticas, desnutrição e doenças como poliomielite e malária.

Sobre ser frugal em sua vida privada, Gates disse: "Eu não tenho um guarda-roupa gigantesco. Não uso joias. Quando estou abrindo um presente, eu não guardo o papel de embrulho para usá-lo novamente. Minha avó nunca jogou fora sequer um saco de papel ou um barbante em toda sua vida. Então, pelos padrões dela, eu sou louco."

Gates se divorciou de sua esposa, Melinda, em maio de 2021. Quando perguntado se gostaria de se apaixonar novamente, ele disse: "É claro, não sou um robô."

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