Objetivo:
“Projetando o futuro e o desenvolvimento autossustentável da sua empresa, preparando-a para uma competitividade e lucratividade dinâmica em logística e visão de mercado, visando sempre e em primeiro lugar, a satisfação e o bem estar do consumidor-cliente."
Google, Microsoft, Meta, Amazon e Twitter anunciaram demissão nos últimos meses. O cenário econômico enfraquecido e a queda no número de anúncios explicam o mau momento. <<<===+===.=.=.= =---____-------- ----------____---------____::____ ____= =..= = =..= =..= = =____ ____::____-----------_ ___---------- ----------____---.=.=.=.= +====>>> Por g1 Postado em 20 de janeiro de 2023 às 11h55m #.*Post. - N.\ 10.641*.#
Google, Meta e Microsoft vivem mau momento no mercado de ações — Foto: Reuters
Analistas veem uma combinação de menos vendas, com o declínio da
pandemia, e menos anúncios, dada a atual situação econômica dos Estados
Unidos.
"Muitas dessas empresas cresceram em 2020 e aí depois houve a queda. No
auge da pandemia, a digitalização aumentou. Todo mundo estava em casa,
muitos recebem auxílio do governo e as pessoas gastaram mais online",
explica ao g1Arthur Igreja, especialista em tecnologia e inovação e professor convidado da FGV.
"As
big techs precisavam de pessoas para suportar a demanda, mas esse
crescimento não se manteve após a flexibilização do isolamento causado
pela Covid", completa.
As"big techs", como são conhecidas Apple, Microsoft, Meta (dona de
Facebook, Instagram e WhatsApp), Alphabet (dona do Google) e Amazon —
vivem um mau momento. Nos últimos 12 meses, elas perderam juntas quase US$ 4 trilhões em valor de mercado.
Os dados são de um levantamento feito por Einar Rivero, do TradeMap, a pedido do g1, comparando os valores de mercado no último dia 4 com os de 1 ano atrás.
Catálogo pode ser considerado o maior do tipo até então. <<<===+===.=.=.= =---____-------- ----------____---------____::____ ____= =..= = =..= =..= = =____ ____::____-----------_ ___---------- ----------____---.=.=.=.= +====>>> Por Roberto Peixoto, g1 19/01/2023 11h50 Atualizado há 2 horas Postado em 19 de janeiro de 2023 às 13h50m #.*Post. - N.\ 10.640*.#
Detalhe do novo mapa da Via Láctea que revelou mais de 3,3 bilhões de
objetos celestes. — Foto: DECaPS2/DOE/FNAL/DECam/CTIO/NOIRLab/NSF/AURA
Uma nova imagem com detalhes sem precedentes da Via Láctea foi lançada nesta quinta-feira (19)para marcar a segunda fase de uma das maiores pesquisas de rastreio da galáxia da qual o nosso Sistema Solar faz parte (veja um extrato da imagem acima).
Como resultado do levantamento gigantesco, que levou dois anos para ser concluído, cerca de 3,32 bilhões de objetos foram identificados, o que pode ser considerado o maior catálogo do tipo até então.
O estudo, que produziu mais de 10 terabytes de informação,
foi encabeçado pela Fundação Nacional de Ciências dos Estados Unidos
(NSF), e utilizou dados da Câmera de Energia Escura do Observatório
Interamericano Cerro Tololo (CTIO) do Chile.
Localizado nos Andes, a mais de 2.200 metros de altitude, o CTIO é um
dos mais poderosos complexos de telescópios astronômicos do mundo e,
justamente por causa dessa sua posição, seus instrumentos fornecem a
astrônomos uma visão privilegiada do céu do Hemisfério Sul.
"Imagine
uma foto de grupo de mais de três bilhões de pessoas e cada indivíduo é
reconhecível!", disse Debra Fischer, diretora da divisão de Ciências
Astronômicas da NSF.
"Os astrônomos vão se debruçar sobre este retrato detalhado de mais de
três bilhões de estrelas da Via Láctea até as próximas décadas".
Telescópio Víctor M. Blanco, um dos observatórios do complexo
Interamericano Cerro Tololo, no Chile. — Foto: CTIO/NOIRLab/NSF/AURA/D.
Munizaga
Em 2017, o mesmo grupo de pesquisadores divulgou o primeiro conjunto de
dados da pesquisa, mas, na época, "apenas" 2 bilhões de objetos foram
mapeados.
Nesta quarta (18), em um comunicado, os cientistas informaram que,
desta vez, mais de 21.400 exposições individuais do céu do Hemisfério
Sul foram feitas para capturar o plano galáctico.
Com isso, os cientistas afirmam que conseguiram catalogar cerca de 6,5% de todo o céu noturno.
Versão comprimida da imagem mostra toda a região catalogada. — Foto: DECaPS2/DOE/FNAL/DECam/CTIO/NOIRLab/NSF/AURA
“Uma das principais razões para o sucesso [desse projeto] é que
simplesmente apontamos para uma região com uma densidade
extraordinariamente alta de estrelas e tivemos o cuidado de identificar
fontes que aparecem quase umas sobre as outras”, disse Andrew Saydjari,
aluno de pós-graduação da Universidade de Harvard e principal autor do
estudo, publicado nesta semana no Astrophysical Journal Supplement.
"Fazer
isso nos permitiu produzir o maior catálogo de todos os tempos a partir
de uma única câmera, em termos do número de objetos observados",
acrescentou Saydjari.
Cientistas divulgam imagem inédita de buraco negro no centro da Via Láctea
Foi a menor taxa de desocupação desde o trimestre encerrado em abril de 2015; número de desocupados é o menor desde junho de 2015. <<<===+===.=.=.= =---____-------- ----------____---------____::____ ____= =..= = =..= =..= = =____ ____::____-----------_ ___---------- ----------____---.=.=.=.= +====>>> Por Marta Cavallini, g1 19/01/2023 09h00 Atualizado há uma hora Postado em 19 de janeiro de 2023 às 10h00m #.*Post. - N.\ 10.639*.#
Desempregados se aglomeram em fila do lado de fora de escritório de
seguro-desemprego em Santiago, o Chile, em 29 de maio — Foto:
Reuters/Ivan Alvarado
A taxa de desemprego no Brasil caiu para 8,1% em novembro. Foi a menor
taxa de desocupação desde o trimestre encerrado em abril de 2015, que
registrou a mesma taxa.
Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, divulgada nesta quinta-feira (19) pelo IBGE.
Com isso, a taxa recuou 0,9 ponto percentual em relação ao trimestre
encerrado em agosto (8,9%) e 3,5 pontos percentuais na comparação com
novembro de 2021 (11,6%).
A população desocupada estava em 8,7 milhões de pessoas em novembro,
recuo de 9,8% (menos 953 mil pessoas) frente ao trimestre terminado em
agosto e de 29,5% (menos 3,7 milhões de pessoas desocupadas) na
comparação com novembro de 2021. Trata-se do menor contingente desde o
trimestre encerrado em junho de 2015.
Taxa vem caindo há 6 trimestres, diz IBGE
De acordo com o IBGE, "a taxa de desocupação vem caindo de forma significativa há seis trimestres móveis consecutivos".
Adriana Beringuy, coordenadora de Pesquisas por Amostra de Domicílios
do IBGE, explica que a retração em novembro é explicada pelo aumento de
0,7% na ocupação no período - acréscimo
de 680 mil pessoas no mercado de trabalho -, que novamente atingiu o
maior nível da série histórica da pesquisa, iniciada em 2012.
“Embora
o aumento da população ocupada venha ocorrendo em um ritmo menor do que
o verificado nos trimestres anteriores, ele é significativo e contribui
para a queda na desocupação”, explica a pesquisadora.
Beringuy acrescenta que as quedas sucessivas na taxa de desocupação
também foram um reflexo do aumento no número de ocupados, em um
movimento de recuperação do mercado de trabalho observado desde 2021.
“A
partir desse momento, houve essa expansão da população ocupada,
primeiramente dos trabalhadores informais e, depois, do emprego com
carteira assinada nos mais diversos grupamentos de atividades, como
comércio e indústria. Mais recentemente, também houve aumento nos
serviços, que exercem um papel importante na recuperação da população
ocupada no país”, diz.
Com o aumento do número de trabalhadores, o nível da ocupação
(percentual de ocupados na população em idade de trabalhar) foi estimado
em 57,4%, variação de 0,3 ponto percentual frente ao trimestre
encerrado em agosto (57,1%).
Alta vem dos 'com carteira'
O principal impacto para o aumento da ocupação veio dos empregados com
carteira assinada no setor privado, que cresceu 2,3% (ou 817 mil
pessoas) em relação a agosto. No ano, esse contingente subiu 7,5%, 2,6
milhões de pessoas a mais.
“Desde o segundo semestre de 2021, observamos o crescimento dessa
categoria. É um registro importante, uma vez que não apenas indica o
aumento do número de trabalhadores, mas também sinaliza a redução na
informalidade da população ocupada”, diz a coordenadora.
Informalidade cai
De acordo com o IBGE, a taxa de informalidade ficou em 38,9%, a
menor desde o trimestre encerrado em novembro de 2020 e queda de 0,8
ponto percentual em relação ao trimestre encerrado em agosto. No período, o IBGE contabilizou 38,8 milhões de trabalhadores informais.
A queda veio dos seguintes fatores:
O
número de empregados sem carteira no setor privado ficou estável frente
ao trimestre anterior - eram 13,3 milhões de pessoas em novembro. Mas,
comparado ao mesmo trimestre do ano anterior, houve aumento de 9,3% (ou
1,1 milhão de pessoas)
Empregadores sem CNPJ ficaram estáveis frente ao trimestre anterior e ao mesmo período de 2021
Trabalhadores
por conta própria sem CNPJ tiveram queda de 2,9% frente ao trimestre
anterior (menos 563 mil pessoas) e de 4,1% em relação ao trimestre
terminado em novembro de 2021 (menos 796 mil)
“Houve uma expansão do emprego com carteira de trabalho e também uma
retração do trabalhador por conta própria, que responde por parte
significativa do trabalho informal. A queda nesse número acabou
influenciando a taxa de informalidade”, explica Adriana.
Número de desalentados cai
A pesquisa registrou queda de 203 mil pessoas entre os desalentados,
redução de 4,8%. Em novembro, esse contingente de trabalhadores era
estimado em 4,1 milhões.
A população desalentada é definida como aquela desistiu de procurar
trabalho e está fora da força de trabalho por uma das seguintes razões:
não consegue trabalho adequado, ou não tem experiência ou qualificação,
ou é considerado muito jovem ou idosa, ou porque não há trabalho na
região – e que, se tivesse oferta de trabalho, estaria disponível para
assumir a vaga.
Já entre aqueles que não estavam ocupados nem procuravam uma vaga no
mercado, mas tinham potencial para se transformarem em força de trabalho
(força de trabalho potencial), eram 454 mil pessoas a menos - queda de
5,8%.
A população fora da força de trabalho cresceu 1% no trimestre, o que representa 660 mil pessoas a mais.
Rendimento cresce
O rendimento médio real (descontada a inflação) foi estimado em R$
2.787, aumento de 3% em relação ao trimestre encerrado em agosto. Quando
comparado ao mesmo trimestre do ano anterior, o crescimento foi de
7,1%.
A massa de rendimento real habitualmente recebida por pessoas ocupadas
(em todos os trabalhos) também cresceu nas duas comparações e chegou a
R$ 273 bilhões, novamente atingindo recorde na série histórica da
pesquisa. Frente ao trimestre terminado em agosto, o aumento foi de
3,8%, ou mais R$ 10,1 bilhões.
“A massa de rendimento vem crescendo ao longo do ano. No trimestre
encerrado em novembro, o crescimento foi influenciado simultaneamente
pela expansão no número de trabalhadores e pelo aumento do rendimento
médio real”, destaca Adriana. Na comparação com o mesmo trimestre de
2021, houve aumento de 13%, um acréscimo de R$ 31,4 bilhões.
O rendimento médio real habitual cresceu em relação a agosto nas seguintes categorias:
Construção (7,5%, ou mais R$ 156)
Transporte, armazenagem e correio (5,9%, ou mais R$ 152)
Alojamento e alimentação (5,7%, ou mais R$ 96)
Administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (3,6%, ou mais R$ 134)
Entre as modalidades de ocupação, houve aumento nas seguintes categorias:
Empregado com carteira de trabalho assinada (2,1%, ou mais R$ 55)
Empregado no setor público (inclusive servidor estatutário e militar)(2,6%, ou mais R$ 106)
Conta própria (6,1%, ou mais R$ 128)
Setores com maior contratação
Em relação aos grupamentos de atividades, os maiores aumentos de
trabalhadores foram nos setores de Informação, Comunicação e Atividades
Financeiras, Imobiliárias, Profissionais e Administrativas, além de
Transporte, armazenagem e correio. Administração pública, defesa,
seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais vem em
seguida, com destaque para os segmentos de saúde e educação.
O setor comercial, que costuma oferecer mais oportunidades de trabalho
com a proximidade das festas de fim de ano, foi um dos que não avançaram
significativamente na comparação com o trimestre anterior. Além do
comércio, os outros grupamentos de atividades pesquisados também ficaram
estáveis no trimestre. Veja abaixo:
Informação,
comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e
administrativas: 2,6% (mais 307 mil trabalhadores)
Transporte, armazenagem e correio: 2,5% (mais 129 mil)
Administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais: 1,8% (mais 319 mil)
Outros serviços: 1,7% (mais 92 mil)
Indústria geral: 1,3% (mais 165 mil)
Comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas: 0,1% (mais 11 mil)
Serviços domésticos: 0,1% (mais 7 mil)
Construção: -1%(menos 73 mil)
Agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura: -1,7%(menos 147 mil)
Alojamento e alimentação: -2,4%(menos 130 mil)
Resumo da Pnad de novembro de 2022
Veja os principais números do mercado de trabalho divulgados pelo IBGE:
A população desocupada (8,7 milhões de pessoas) recuou 9,8% (menos 953 mil pessoas) frente ao
trimestre anterior e 29,5%(menos 3,7 milhões de pessoas desocupadas)na
comparação anual. É o seu menor contingente desde o trimestre móvel
encerrado em junho de 2015.
A população ocupada (99,7
milhões) foi recorde da série iniciada em 2012, com alta de 0,7%
ante o trimestre anterior e de 5,0% (mais 4,8 milhões)
no ano.
O nível da ocupação(percentual de
pessoas ocupadas na população em idade de trabalhar), estimado em 57,4%,
variou 0,3 p.p. frente ao trimestre anterior (57,1%) e subiu 2,2 p.p.
ante igual trimestre de 2021 (55,1%).
A taxa composta de subutilização(18,9%) caiu 1,6 ponto percentual no trimestre (20,5%) e 6,1 p.p. no ano (25,0%).
A população subutilizada(21,9 milhões de pessoas)caiu 8,4% frente ao trimestre anterior e 24,6% na comparação anual.
A população subocupada por insuficiência de horas trabalhadas(5,8 milhões) caiu 9,4% (menos 597 mil pessoas)no trimestre e 23,7% (menos 1,8 milhão) no ano.
A população fora da força de trabalho(65,3 milhões de pessoas) cresceu 1,0% ante o trimestre anterior (mais 660 mil) e ficou estável na comparação anual.
A população desalentada (4,1 milhões de pessoas)caiu 4,8% em relação ao trimestre anterior
(menos 203 mil pessoas)e 16,7% (menos 817 mil pessoas) na comparação
anual.
O percentual de desalentados na força de trabalho ou desalentada(3,6%) variou -0,2 p.p. no trimestre e caiu 0,7 p.p. no ano.
O número de empregados com carteira de trabalho assinada no setor privado(exclusive
trabalhadores domésticos) foi de 36,8 milhões, subindo 2,3% (817 mil
pessoas)frente ao trimestre anterior e 7,5% (mais 2,6 milhões de
pessoas) na comparação anual.
O número de empregados sem carteira assinada no setor privado(13,3 milhões) ficou estável ante o trimestre anterior e cresceu 9,3% (1,1 milhão de pessoas) no ano.
O número de trabalhadores por conta própria(25,5 milhões de pessoas) caiu 1,4% ante o trimestre anterior (menos 370 mil pessoas) e ficou estável no ano.
O número de trabalhadores domésticos(5,9 milhões de pessoas) ficou estável no confronto com o trimestre anterior e cresceu 4,5% (mais 255 mil pessoas) no ano.
O número de empregadores(4,3 milhões de pessoas) ficou estável frente ao trimestre anterior e subiu 12,0% (466 mil pessoas) na comparação anual.
O número de empregados no setor público(12,3 milhões de pessoas)também ficou estável frente ao trimestre
anterior, mas cresceu 8,8% na comparação anual (mais 993 mil).
A taxa de informalidadefoi de 38,9% da população ocupada(ou 38,8 milhões de trabalhadores informais) contra 39,7% no trimestre móvel encerrado em agosto e 40,6% no mesmo tri de 2021.
O rendimento real habitual (R$ 2.787) cresceu 3,0% no trimestre e 7,1% no ano.
A massa de rendimento real habitual(R$ 273 bilhões) cresceu 3,8% frente ante o trimestre anterior e 13,0% na comparação anual.
No último mês de 2022, os maiores avanços nos preços foram registrados em grupos que contam com muitos produtos importados e sofrem com a variação do dólar. <<<===+===.=.=.= =---____-------- ----------____---------____::____ ____= =..= = =..= =..= = =____ ____::____-----------_ ___---------- ----------____---.=.=.=.= +====>>> Por Bruna Miato, g1 18/01/2023 05h01 Atualizado há 2 horas Postado em 18 de janeiro de 2023 às 07h25m #.*Post. - N.\ 10.638*.#
Dólar impacta a inflação brasileira — Foto: Pixabay
Na semana passada, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que a inflação avançou 0,62% em dezembro de 2022, levando o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA)
a uma alta acumulada de 5,79% no ano passado — é o segundo ano
consecutivo de fechamento acima da meta estabelecida pelo Banco Central
(BC).
E, dentro desse avanço, as principais contribuições vieram de produtos que sofrem, sobretudo, com a variação do dólar.
Em dezembro, o grupo que registrou a maior variação e o maior impacto
no IPCA foi o de saúde e cuidados pessoais, com alta de 1,60% no mês
frente a novembro. Dentro do grupo, os produtos com maiores avanços
foram os perfumes (9,02%), artigos de maquiagem (5,42%) e produtos para
pele (3,85%). Na sequência, a segunda maior variação veio do grupo de
vestuários, com alta de 1,52%.
Especialistas ouvidos pelo g1
explicam que estes são alguns dos grupos que mais sofrem com a variação
do dólar, tendo em vista que boa parte dos itens que os compõem são
importados.
"Esses
produtos são precificados em dólar em sua origem. Então, se o dólar
sobe, isso impacta no preço que é praticado no Brasil, mesmo que já
tenha sido convertido para reais", pontua Daniel Karp, economista do
Santander.
Inflação: Brasil segue longe da meta pelo segundo ano seguido
Os impactos do dólar na inflação
De acordo com Tatiana Nogueira, economista da XP Investimentos, a
influência da taxa de câmbio sobre os preços domésticos se dá por dois
principais canais.
O primeiro é a importação de produtos
— razão da pressão inflacionária nos grupos de vestuário e saúde e
cuidados pessoais. Dentro deste canal, Tatiana ressalta que os efeitos
da variação do dólar podem ser sentidos de duas formas.
"A(forma) mais direta é nos produtos que são importados, como nos vestuários, eletroeletrônicos e farmacêuticos, por exemplo. A segunda é pelos insumos,
como peças específicas para montar um produto, caso de algumas peças
para automóveis, ou insumos, como a resina plástica para fabricar
garrafas pet", comenta a economista.
O segundo canal de influência é a equiparação dos preços praticados no Brasil com o mercado internacional.
"Como
a produção interna também é para exportações, a dinâmica externa de
preços também influencia o mercado brasileiro porque se a exportação for
mais lucrativa o produtor só vai querer exportar. Por isso, o mercado
doméstico acaba se equilibrando e se aproximando dos preços
internacionais", explica Tatiana.
Ou
seja, para que não faltem produtos no Brasil (principalmente os
essenciais), o preço de itens, que são produzidos no Brasil e
exportados, sobe internamente para acompanhar a variação do dólar.
Como o produtor pode receber em dólares, o negócio fica mais lucrativo
do que vender em reais. É o caso de milho, soja, petróleo e uma série de
commodities produzidas por aqui.
Efeitos sobre itens essenciais
Fernando Giavarina, chefe de câmbio da Valor Investimentos, afirma que os efeitos
da variação da taxa de câmbio na inflação sempre são mais expressivos
quando os itens afetados são os produtos essenciais.
O especialista traz como exemplo o petróleo: quando há uma alta nos
preços, uma cadeia de outros produtos tem impactos secundários, como a
gasolina, plásticos e derivados, querosene de avião, passagens aéreas e
diversos outros produtos e serviços que dependem da commodity como fonte
de energia ou como transporte.
Outro produto que subiu bastante no último ano foi o trigo, aponta
Giavarina. O Brasil não é autossuficiente em produção de trigo e precisa
importar da Argentina. Em 2022, os preços da commodity dispararam por conta da guerra na Ucrânia, impactando os valores dos pães, massas, bolos, e diversos outros itens.
"(Quando
sobem os produtos essenciais) é diferente de aumentar o preço de um
iPhone, que não é essencial e não está na cesta de produtos da
inflação", diz ele.
Há formas de combater a inflação pelo dólar?
A instituição responsável por adotar medidas de combate à inflação
dentro de um país é o Banco Central. E a principal maneira pela qual os
bancos centrais combatem a inflação é com a elevação das taxas de juros.
Tatiana, da XP, destaca que a elevação das taxas no Brasil não tem um
efeito imediato sobre a inflação exportada, descendente do dólar. No
entanto, com essas taxas mais altas, a tendência é de uma valorização do
real frente à moeda americana, em especial pela entrada de
investimentos estrangeiros no país. Esse fluxo de dólares para dentro,
faz a oferta de dólar subir e a cotação cair.
"O aumento dos juros também é uma estratégia para combater a alta do
dólar, porque tende a atrair investidores para o Brasil com a
rentabilidade dos ativos nacionais. Aumentando os juros aqui, também se
reduz o incentivo de brasileiros enviarem dinheiro para fora com
investimentos porque aqui os retornos estão mais atrativos", aponta
Karp.
Tatiana afirma que, ao longo de 2023, os investimentos brasileiros
podem continuar ganhando destaque por conta dos juros altos e da entrada
de investidores nas ações de empresas ligadas às commodities — o que
pode valorizar o real e, consequentemente, reduzir a inflação que vem do
dólar. "Mas os riscos fiscais ainda podem pesar contra (o real) e o
dólar pode não ir abaixo dos R$ 5", diz ela.
Além disso, com os juros mais altos, os processos de financiamento e
tomada de crédito ficam mais caros e isso leva a uma redução no consumo
doméstico. Assim, Daniel Karp explica que, mesmo
com a alta no dólar, os empresários brasileiros tendem a segurar o
repasse de preços porque a demanda está menos aquecida — e uma elevação
no valor do produto pode desaquecer ainda mais o consumo.
"O
repasse do preço desses aumentos depende muito do momento da economia.
Se a economia está bombando e as pessoas consumindo muito, fica mais
fácil repassar choques cambiais (aumentar o preço da mercadoria para
compensar a alta do dólar). O contrário também é válido", afirma o
economista.
Histórico da relação entre inflação e dólar no Brasil
A relação entre o preço do dólar e a inflação brasileira nem sempre foi como é hoje.
Bruno Mori, economista e sócio fundador da Sarfin, afirma que, antes da implementação do Plano Real(o plano econômico que criou o real e tirou o Brasil da era de
hiperinflação), a economia brasileira era extremamente fechada, o que
facilitava o descontrole inflacionário.
Ele explica que o comércio exterior era bastante restrito e possuía
altas taxas, em uma política que buscava defender a indústria nacional.
Um dos problemas de tal política, entretanto, é que a economia passa a
ser "muito indexada", pontua o economista.
"A
inflação atual era reflexo da inflação passada e o reajuste de preços
era enraizado socialmente", comenta Mori, ao relembrar que era muito
comum que comerciantes não disponibilizassem os produtos em sua
totalidade de forma a segurar a demanda para um aumento de preços poucos
dias depois.
O especialista ressalta que os salários eram reajustados com base nos
índices inflacionários e, consequentemente, os preços dos produtos
também subiam, em um ciclo.
Neste contexto, o Plano Real, que equiparou a moeda brasileira ao
dólar, entre outras medidas, abriu o comércio brasileiro para o exterior
e os produtos importados chegaram custando menos que os nacionais — o
que forçou os empresários a frearem os aumentos nos preços internamente,
explica Mori.