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sexta-feira, 23 de dezembro de 2022

Governo faz nova projeção e prevê superávit de R$ 34,1 bi em 2022

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Previsão anterior da pasta era de R$ 23,4 bilhões de superávit. Economia também detalhou nesta quinta-feira (22) o desbloqueio de recursos do Orçamento de 2022.
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Por Ana Paula Castro, TV Globo — Brasília

Postado em 23 de dezembro de 2022 às 10h30m

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O Ministério da Economia informou nesta quinta-feira (22) as contas do governo devem registrar um superávit primário de R$ 34,1 bilhões neste ano.

O saldo primário indica que o governo deve gastar menos do que a arrecadação do ano, sem contar as despesas com a dívida pública. Se confirmado, será interrompida uma trajetória de oito anos com as contas no vermelho.

No final de novembro, o governo previa fechar o ano com um superávit de R$ 23,4 bilhões. A melhora do resultado é explicada, principalmente, pelo bom desempenho da arrecadação.

De acordo com a Receita Federal, no acumulado de janeiro a novembro, a arrecadação federal somou R$ 2 trilhões.

Os números da Receita Federal mostram que essa foi a maior arrecadação, para o período, desde o início da série histórica, em 1995.

Cenário em 2023

Apesar do resultado positivo estimado para este ano, as contas devem voltar ao vermelho em 2023, ou seja, deve ser registrado um déficit primário.

O déficit primário é registrado quando as despesas do governo superam as receitas, sem considerar o pagamento de juros da dívida pública. Para honrar esse valor adicional, a União tem de emitir mais dívida. Quando acontece o contrário, o resultado é de superávit.

O projeto de lei enviado pelo governo ao Congresso Nacional com a proposta de Orçamento para 2023 previa um déficit de R$ 63,7 bilhões. Na versão aprovada aprovada nesta quinta-feira (22) pelo Congresso, a previsão para o rombo das contas do governo em 2023 subiu para R$ 231,5 bilhões.

A proposta aprovada acrescentou o espaço previsto na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Transição para gastos correntes e investimentos.

Congresso aprova Orçamento de 2023Congresso aprova Orçamento de 2023

A PEC foi aprovada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado e promulgada pelo Congresso nesta quarta-feira (21). A proposta liberou R$ 145 bilhões em despesas dos ministérios no ano que vem, além de mais recursos para investimentos.

Congresso promulga PEC da Transição; Orçamento de 2023 já pode ser votado a partir desta quinta
Congresso promulga PEC da Transição; Orçamento de 2023 já pode ser votado a partir desta quinta

Desbloqueio de recursos

O Ministério da Economia também informou nesta quinta-feira (22) que houve um desbloqueio de R$ 7,56 bilhões do Orçamento de 2022.

A ação foi tomada depois que uma Medida Provisória, editada na última quinta-feira (15), permitiu a abertura de crédito extraordinário para pagamento de despesas previdenciárias (veja mais abaixo). A MP liberou R$ 7,56 bilhões para a previdência social via crédito extraordinário.

Como o crédito extraordinário fica fora do teto de gastos, o governo “ganhou” espaço para desbloquear parte dos recursos.

"Isso aqui [a edição da MP] permitiu que a gente pudesse, portanto, desbloquear recursos que estavam destinados à despesa previdenciária, uma vez que a MP é aberta, ela fica fora do teto de gastos, (...) então nós tivemos a possibilidade (...) de retornar 7,6 bilhões para despesas dos órgãos, desbloqueamos recentemente", explicou o secretário de Orçamento Federal, Ariosto Culau.

Medida provisória

Com o crescimento de despesas obrigatórias que precisam ser acomodadas no orçamento (como as previdenciárias), o espaço para gastos não obrigatórios dentro do teto de gastos — regra fiscal que limita o crescimento das despesas da União à inflação do ano anterior — ficou reduzido, com isso, o governo começou a realizar bloqueios de recursos do orçamento.

No entanto, este mês, o Tribunal de Contas da União (TCU) considerou legal que o governo abra crédito extraordinário para honrar despesas previdenciárias quando houver risco de interrupção do pagamento.

A partir desse entendimento, o governo editou a MP liberando crédito extraordinário de R$ 7,56 bilhões para a previdência social.

Após a edição da MP, “sobrou” um espaço de R$ 7,56 bilhões dentro do teto de gastos, então o governo conseguiu desbloquear parte dos recursos.

Segundo a Economia, outros R$ 4,41 bilhões foram remanejados de despesas discricionárias (não obrigatórias) para o pagamento de despesas obrigatórias.

Relatório extemporâneo

Nesta quinta-feira (22), o Ministério da Economia divulgou também o relatório extemporâneo de avaliação de receitas e despesas.

O documento costuma ser divulgado a cada dois meses e é através dele que o governo pode anunciar um novo bloqueio de recursos para cumprimento das regras fiscais (como o teto de gastos) ou o desbloqueio de recursos que estavam contingenciados.

O relatório divulgado nesta quinta (22) é chamado de extemporâneo justamente porque foi divulgado com um prazo menor, entre o intervalo de dois meses.

Na apresentação do documento, o secretário de Orçamento Federal, Ariosto Culau, informou que, diante da nova avaliação, mais R$ 547,3 milhões do Orçamento de 2022 podem ser desbloqueados.

“Chega no relatório agora, a gente atualiza as estimativas e aí chegamos a conclusão que temos mais uma redução de despesa obrigatória de 547 milhões, quando temos a redução da despesa obrigatória, posso desbloquear", explicou.

Culau disse ainda que a destinação desses recursos deve ser decidida pela Junta de Execução Orçamentária (JEO) nos próximos dias.

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Preços dos alimentos disparam e renda dos brasileiros não acompanha; entenda por quê

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Levantamento feito pelo g1 mostra que, enquanto a renda média do brasileiro subiu 19,7% em três anos, os alimentos ficaram 41% mais caros.
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Por Marta Cavallini, g1

Postado em 23 de dezembro de 2022 às 08hh10m

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Preços de alimentos exibidos em supermercado no Rio de Janeiro. — Foto: REUTERS/Ricardo Moraes
Preços de alimentos exibidos em supermercado no Rio de Janeiro. — Foto: REUTERS/Ricardo Moraes

Se antes da pandemia os brasileiros já sofriam para dar conta da feira e do supermercado, nos últimos três anos virou um verdadeiro malabarismo tentar não comprometer tanto o orçamento com a cesta de alimentos.

Mas a renda dos trabalhadores não tem acompanhado a escalada de preços. Mesmo quando os salários são reajustados pela inflação, a defasagem continua, porque os alimentos têm subido acima dela desde a pandemia. Assim, o poder de compra fica comprometido, ou seja, o que as pessoas ganham não acompanha a alta dos alimentos.

Levantamento feito pelo g1 mostra que, enquanto a renda média do brasileiro subiu 19,7% em três anos, os alimentos ficaram 41,5% mais caros.

Veja o que mostram os dados:

  • Em outubro de 2019, o rendimento médio mensal do trabalho era de R$ 2.301
  • Em outubro de 2022, esse rendimento era de R$ 2.754 – uma alta de 19,68%
  • No intervalo entre esses meses, a inflação ficou em 22,45%
  • Já os alimentos subiram 41,5%
Cesta básica e rendimento

O resultado dessas altas desiguais é que a cesta básica vem comprometendo uma fatia maior da renda das famílias.

Dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostram que, em outubro de 2019, 43,8% do salário mínimo era comprometido com a compra da cesta básica. Neste ano, essa fatia cresceu para 58,78%.

Em 2019, o brasileiro precisava trabalhar, em média, 88 horas e 39 minutos para comprar os produtos da cesta básica. Agora, são totalizando 119 horas e 37 minutos.

Considerando o rendimento médio do trabalho, em valores nominais, a fatia comprometida pela cesta básica passou de 20,6% para 27,7%. Os dados consideram o valor da cesta básica apurado na capital paulista, o mais alto encontrado pelo Dieese.

Veja no gráfico abaixo:


Os vilões da alta dos alimentos

André Braz, coordenador dos índices de preços do FGV Ibre, aponta que a inflação dos alimentos tem sido praticamente o dobro da inflação média, calculada pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Nos acumulado em 12 meses até novembro deste ano o IPCA ficou em 5,90%, enquanto os alimentos subiram 11,84%.

O g1 não fez a comparação do rendimento médio com a inflação de novembro porque os dados do mercado de trabalho só serão divulgados pelo IBGE em janeiro próximo.

“Os salários são orientados pelo IPCA geral ou INPC. Então quem ganha muito pouco e recebe um aumento orientado pelo IPCA médio vai ter perda da qualidade de vida porque não vai conseguir repor a cesta de consumo, composta por alimentos que acumulam o dobro da inflação, e isso vem piorando ao longo dos últimos anos”, explica o economista.

Entre os motivos citados por Braz para a alta dos alimentos estão episódios climáticos que prejudicaram a agricultura, a crise hídrica que afetou o preço da energia elétrica e a guerra entre Rússia e Ucrânia que reduziu a oferta de milho, trigo e soja.

Braz cita ainda a alta do diesel, que é o combustível usado pelas máquinas no campo e para escoamento da produção agrícola, além da alta de derivados do petróleo como agrotóxicos, adubos e fertilizantes. “Então a produção de alimentos é desafiada pelo custo dos insumos básicos para o plantio, pelo custo do frete e pela própria força de trabalho”, afirma.

Para Bruno Imaizumi, economista da LCA Consultores, a alta do dólar, a seca de 2021 e a escassez de insumos afetaram a produção de alimentos. E o encarecimento do preço dos barris de petróleo em 2021 e neste ano também tiveram grande influência sobre os preços.

Imaizumi aponta também que a desvalorização do real ante o dólar chegou a 31,5% entre janeiro de 2020 e 12 de dezembro deste ano. “Tivemos também a maior seca do último século no ano passado, o encarecimento das commodities após as expectativas de vacinação e a guerra na Ucrânia que encareceu as commodities energéticas e agrícolas”, diz.

O economista do FGV Ibre afirma que as hortaliças e legumes, o açúcar, os derivados do leite e do trigo acumulam uma inflação elevada. E os únicos itens que não têm subido tanto de preço são as carnes. Porém, elas pararam de subir recentemente e se estabilizaram em um nível de preços mais alto.

Alta dos juros desacelera a inflação

“A tendência para 2023 é que haja uma desaceleração no ritmo de alta de preços, porque a inflação subiu no mundo inteiro, vários países estão vivendo uma inflação mais forte, como os Estados Unidos. Então a elevação da taxa de juros limita a demanda e o consumo e ajuda a conter o avanço da inflação”, estima Braz.

O economista lembra que a alta dos juros também penaliza o desenvolvimento. “Com taxas mais altas ninguém vai investir para pagar uma dívida maior, então ao desestimular o investimento há uma redução da demanda”.

Segundo Braz, a queda na demanda e nos investimentos desfavorece o aumento de preços. E como esse cenário é global, isso pode ajudar a esfriar as tensões inflacionárias no Brasil e no mundo.

“O desaquecimento da economia global prevista para os próximos meses em função do aumento de juros é que vai conter um pouco esse processo inflacionário. E a alimentação não está isenta disso, apesar de ser influenciada por outras questões”, diz.

Informalidade afeta renda do trabalhador

Imaizumi afirma que o rendimento médio do real do trabalhador diminuiu porque a qualidade da recuperação das vagas durante a pandemia se deu por meio da informalidade, o que acabou precarizando o mercado de trabalho.

Outro fator que afeta o poder de compra, segundo Imaizumi, é que o reajuste do salário mínimo pelo INPC, que tem praticamente a mesma variação do IPCA (a diferença está no perfil de famílias pesquisadas), não permite que a inflação dos alimentos seja reposta.

“Isso faz com que o reajuste não seja feito de maneira correta, sendo que a alimentação tem um peso maior na cesta das famílias mais pobres. Esses índices de inflação acabam não retratando fielmente a cesta de consumo da maioria dos brasileiros”, diz o economista.

“A gente tem que lembrar que muitos brasileiros vivem na situação de pobreza, então tem essa questão da alta da alimentação dentro do IPCA bem maior que o próprio índice nesses últimos anos. Mas talvez em 2023 a gente tenha um alívio um pouco maior no aumento de preços dos alimentos”, aponta.

Política fiscal também influencia

Braz aponta que a discussão do momento é como a política fiscal será absorvida pelo orçamento. Essa incerteza pode desvalorizar o real frente ao dólar, o que ajuda a potencializar a inflação de duas maneiras.

A primeira é que o país passa a exportar mais. Com o real desvalorizado, todo mundo quer comprar produtos do Brasil porque estão mais baratos – mas, ao mesmo tempo em que o aumento da exportação é bom para a balança comercial, acaba sendo um desafio para a inflação porque isso pode desabastecer o mercado interno, o que pode forçar a alta de preços.

O outro fator é a importação, que também eleva os preços: com o real desvalorizado, o país paga mais caro pelos produtos em dólar, o que gera mais inflação. O trigo é um exemplo, pois é um dos produtos mais importados e matéria-prima para uma série de itens da cesta dos brasileiros, como pão e macarrão.

“Então são vários desafios. O país pode não seguir essa onda de desinflação global com tanta intensidade como em outros países justamente pela fragilidade fiscal e os efeitos negativos que isso pode trazer sobre o câmbio e o preço dos alimentos”, conclui Braz.
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quinta-feira, 22 de dezembro de 2022

A recém-descoberta árvore mais alta da Amazônia que corre risco de desaparecer

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Angelim-vermelho gigante, do tamanho de um prédio de 30 andares, está sob ameaça por causa da ação ilegal de grileiros e garimpeiros, alertam ambientalistas.
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TOPO
Por BBC

Postado em 22 de dezembro de 2022 às 11h20m

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Altura de angelim-vermelho gigante, é equivalente a de um prédio de 30 andares — Foto: IMAZON, IDEFLOR-BIO E HAVITA RIGAMONTI
Altura de angelim-vermelho gigante, é equivalente a de um prédio de 30 andares — Foto: IMAZON, IDEFLOR-BIO E HAVITA RIGAMONTI

A árvore mais alta da Amazônia — um angelim-vermelho de aproximadamente 400 anos, 9,9 metros de circunferência e 88,5 metros de altura, o equivalente a um prédio de 30 andares — "corre perigo" por causa da ação ilegal de grileiros e garimpeiros, alertam ambientalistas.

A árvore, que foi descoberta em setembro durante uma expedição apoiada pela ONG Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), faz parte de um conjunto de árvores gigantes encontradas na Floresta Estadual (Flota) do Paru, na divisa dos Estados do Amapá e do Pará.

Ela é maior, por exemplo, do que alguns dos principais cartões postais do mundo, como a Grande Esfinge de Gizé (20 metros), no Egito, o Cristo Redentor (38 metros), no Rio de Janeiro e a Torre de Pisa (57 metros), na Itália. Por pouco não ultrapassa o Big Ben (96 metros), em Londres, na Inglaterra e a Estátua da Liberdade (93 metros), em Nova York, nos EUA.

A Flota do Paru é a terceira maior unidade de conservação de uso sustentável em floresta tropical do mundo. O bioma tem 36 mil km², cerca de três vezes o tamanho do Catar, que sediou a Copa do Mundo de 2022.

Ou seja, ali é permitida a exploração sustentável de parte dos recursos naturais desde que aliada à conservação da natureza.

Angelim-vermelho gigante está sob ameaça por causa da ação ilegal de grileiros e garimpeiros, alertam ambientalistas — Foto: IMAZON, IDEFLOR-BIO E HAVITA RIGAMONTI
Angelim-vermelho gigante está sob ameaça por causa da ação ilegal de grileiros e garimpeiros, alertam ambientalistas — Foto: IMAZON, IDEFLOR-BIO E HAVITA RIGAMONTI

No entanto, ambientalistas afirmam que não é isso que vem ocorrendo. Segundo eles, a Flota do Paru, que pertence ao maior bloco de áreas protegidas do mundo, sofre com a ação de grileiros e garimpeiros — em novembro, foi a terceira unidade de conservação mais desmatada de toda a Amazônia.

Dados baseados em imagens de satélite do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) do Imazon mostram que a floresta já perdeu 46,5 km² de cobertura vegetal desde 2008. Já dados do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (PRODES) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), também baseados em imagens de satélite, indicam um número maior em igual período: 74 km².

Ambos apontam um pico de desmatamento em 2019, primeiro ano do governo de Jair Bolsonaro (PL), acusado de beneficiar desmatadores e criticado por sua política ambiental em relação à Amazônia. Desde 2019, o Pará é governado por Helder Barbalho (MDB), reeleito nas eleições de outubro. Ele se manteve neutro nas eleições presidenciais daquele ano e declarou apoio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no último pleito.

Na última quinta-feira (15/12), a Imazon e outras nove ONGs lançaram uma campanha online com a hashtag #ProtejaAsArvoresGigantes, com o objetivo de chamar a atenção da sociedade para a necessidade de o governo do Pará fiscalizar e monitorar a área.

Segundo Jakeline Pereira, pesquisadora do Imazon e conselheira da Flota do Paru, as árvores gigantes estão ameaçadas pela grilagem de terras e, sobretudo, pelo garimpo ilegal de ouro.

"No limite sul da unidade de conservação, está havendo uma mudança de ocupação do solo, com arrendamento de terras para a agropecuária e retirada ilegal de madeira", diz ela à BBC News Brasil.

Área desmatada para abertura de garimpo — Foto: JAKELINE PEREIRA
Área desmatada para abertura de garimpo — Foto: JAKELINE PEREIRA


Vista aérea de um garimpo. — Foto: JAKELINE PEREIRA
Vista aérea de um garimpo. — Foto: JAKELINE PEREIRA


Imagem de desmatamento e do rejeito da lavagem do garimpo (que emprega mercúrio) em meio à floresta — Foto: JAKELINE PEREIRA
Imagem de desmatamento e do rejeito da lavagem do garimpo (que emprega mercúrio) em meio à floresta — Foto: JAKELINE PEREIRA

"Mas são os garimpos ilegais de ouro que estão mais próximos das árvores. Apesar de o desmatamento causados por eles não ser tão grande, uma vez que abrem uma pequena clareira na floresta e usam métodos artesanais, o impacto acaba sendo, pois se usa mercúrio e promove a circulação de pessoas dentro da unidade de conservação. Um levantamento estimou em 2 mil o número de garimpeiros na área em 2009", acrescenta.

Pereira diz que, para acessar o local onde ficam as árvores gigantes, na última expedição de setembro, os pesquisadores "passaram pelos garimpos".

Árvore tem cerca de 400 anos, estimam especialistas — Foto: IMAZON, IDEFLOR-BIO E HAVITA RIGAMONTI
Árvore tem cerca de 400 anos, estimam especialistas — Foto: IMAZON, IDEFLOR-BIO E HAVITA RIGAMONTI

"O local é uma região de difícil acesso, com rios encachoeirados. É preciso andar muito tempo na floresta, então o acesso é bem ruim", diz.

Segundo a especialista, essas árvores gigantes não são comuns na região — o angelim-vermelho é "uma espécie madeireira", que cresce normalmente "entre 25 e 30 metros", explica.

Com 88,5 metros, o angelim-vermelho gigante tornou-se a quarta árvore viva mais alta documentada pelo Guinness World Records, o livro dos recordes. A maior do mundo é uma sequoia de 116 metros localizada no Parque Nacional de Redwood, no Estado da Califórnia, nos Estados Unidos.

Garimpo de barrancos. É quando garimpeiros quebram a terra com a força da água. A lama é escoada para uma peneira com mercúrio e o ouro fica grudado no mercúrio. O rejeito é jogado na floresta — Foto: JAKELINE PEREIRA
Garimpo de barrancos. É quando garimpeiros quebram a terra com a força da água. A lama é escoada para uma peneira com mercúrio e o ouro fica grudado no mercúrio. O rejeito é jogado na floresta — Foto: JAKELINE PEREIRA


O garimpo ilegal destrói a flora e polui a floresta com mercúrio — Foto: JAKELINE PEREIRA
O garimpo ilegal destrói a flora e polui a floresta com mercúrio — Foto: JAKELINE PEREIRA

Segundo Pereira, "além da maior árvore da Amazônia, a Flota do Paru tem várias espécies endêmicas, aquelas que só existem em uma determinada região. É uma área importante para preservar a biodiversidade local, conter as mudanças climáticas e tem enorme potencial para ecoturismo e extrativismo vegetal, que pode gerar renda com a floresta em pé".

"Portanto, não podemos perder nosso patrimônio para esses infratores, precisamos de fiscalização e efetiva implementação do plano de manejo para impedir a destruição", conclui.

De janeiro a novembro, 10.286 km² de floresta na Amazônia foram derrubados, o equivalente a mais de 3 mil campos de futebol por dia. É o pior acumulado dos últimos 15 anos, segundo dados do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) do Imazon. Somente o Pará foi responsável por desmatar 279 km² em novembro, quase a metade do que foi registrado em toda Amazônia.

Outro lado

Em comunicado enviado à BBC News Brasil, o governo do Pará, por meio do Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade (IDEFLOR-Bio) informa que "recebeu uma denúncia de invasão de grileiros nas áreas da Unidade de Conservação (UC) da Floresta Estadual do Paru (Flota Paru), que estão sob concessão florestal, na porção sudeste da (UC), especificamente nas Unidades de Manejo Florestal (UMF) 1 e 2, que somam 190 mil hectares e representam 5,3% da FLOTA (3,613 milhões de hectares)".

"Desde o dia 08 de dezembro uma equipe da Diretoria de Gestão de Floresta Pública do Ideflor-Bio e Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas) e Polícia Civil, incluindo a Polícia Científica, estão na área sob concessão florestal averiguando estas denúncias. Informamos também, que por meio da Diretoria de Gestão e Monitoramento das Unidades de Conservação (DGMUC), o Ideflor tem avançado na implementação das Unidades de Conservação, estabelecendo ferramentas importantes de gestão como: a elaboração dos Planos de Manejo das (UCs), utilizando metodologia participativa de todos os setores que representam a sociedade civil organizada; garantia da participação direta como cogestores, nos Conselhos Gestores, discutindo e trazendo soluções para todos os problemas que envolvem as Unidades de Conservação", conclui a nota.

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quarta-feira, 21 de dezembro de 2022

Investimentos estrangeiros diretos somam US$ 82,3 bilhões até novembro, maior valor em 10 anos

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Informações foram divulgadas nesta quarta-feira pelo Banco Central. Ao mesmo tempo, rombo nas contas externas subiu para US$ 44,6 bilhões nos 11 primeiros meses de 2022.
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Por Alexandro Martello, g1 — Brasília

Postado em 21 de dezembro de 2022 às 10h50m

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Cédulas de dólar — Foto: Freepik
Cédulas de dólar — Foto: Freepik

Os investimentos estrangeiros diretos na economia brasileira totalizaram US$ 82,3 bilhões de janeiro a novembro deste ano, informou nesta quarta-feira (21) o Banco Central.

Trata-se do maior patamar para este período desde 2012 (US$ 87,5 bilhões). Em 2021, o ingresso de investimentos diretos, até novembro, totalizou US$ 51,6 bilhões. A série histórica do BC para esse indicador tem início em 1995.

Somente em novembro, os investimentos estrangeiros diretos totalizaram US$ 8,3 bilhões, contra US$ 5 bilhões no mesmo ano de 2021.

A entrada de investimentos estrangeiros mostra que estrangeiros estão realizando investimentos produtivos no país, o que demonstra confiança na economia brasileira.

Apesar da desaceleração, o Produto Interno Bruto (PIB) ainda exibe números positivos enquanto o resto do mundo teme por uma recessão (com a alta de juros para combater a inflação e crise energética na Europa, consequência da guerra na Ucrânia).

Contas externas

Ainda de acordo com o BC, as contas externas do país registraram um déficit de US$ 44,6 bilhões nos onze primeiros meses do ano, com aumento de 15,5% na comparação com o mesmo período do ano passado (-US$ 38,6 bilhões).

O resultado em transações correntes, um dos principais indicadores sobre o setor externo do país, é formado por balança comercial (comércio de produtos entre o Brasil e outros países), serviços (adquiridos por brasileiros no exterior) e rendas (remessas de juros, lucros e dividendos do Brasil para o exterior).

Apesar do aumento no rombo das contas externas, os investimentos estrangeiros diretos na economia foram suficientes para "financiar" o resultado negativo.

De acordo com o BC, o aumento no déficit das contas externas na parcial de 2022 está relacionada, principalmente, a uma piora na conta de serviços (mais gastos no exterior, incluindo viagens) e de renda (aumento das remessas ao exterior pelas empresas).

  • Somente em novembro, o déficit nas contas externas somou US$ 60 milhões, contra o resultado negativo de US$ 8,5 bilhões no mesmo mês do ano passado.
  • Para todo ano de 2022, a expectativa do Banco Central é de uma piora nas contas externas. A estimativa da instituição é de um déficit de US$ 60 bilhões. Se confirmado, será o maior desde 2019 (-US$ 65 bilhões), ou seja, em três anos.
Gastos de brasileiros no exterior

Segundo informações do Banco Central, os gastos de brasileiros com viagens ao exterior somaram US$ 1,08 bilhão em novembro deste ano, com alta na comparação com o mesmo mês do ano passado (US$ 618 milhões) - quando o país enfrentava uma fase mais dura da pandemia de Covid-19.

Já no acumulado dos dez primeiros meses deste ano, ainda segundo o BC, os gastos de brasileiros no exterior somaram US$ 11,13 bilhões. Isso representa um aumento de 149% na comparação com o mesmo período do ano passado (US$ 4,46 bilhões).

  • Os números do BC mostram que os gastos de brasileiros no exterior ainda não retomaram o patamar de antes da pandemia, iniciada em março de 2020.
  • Antes da Covid-19, as despesas geralmente ficavam acima de US$ 1,3 bilhão por mês, podendo superar US$ 2 bilhões em meses de alta temporada.
  • As despesas de brasileiros lá fora são influenciadas por alguns fatores, como o nível de atividade econômica e o preço do dólar, usado nas transações internacionais.
  • Passagens e despesas com hotéis, por exemplo, são cotadas em moeda estrangeira. Com isso, quando o dólar está alto, os brasileiros acabam gastando mais com esses itens.
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