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sábado, 10 de julho de 2021

A misteriosa nuvem de gelo que envolve o Sistema Solar

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Na parte mais fria e escura de nosso sistema — uma região ainda a ser visitada por espaçonaves humanas —, está uma nuvem estranha e gelada que contém material de outras estrelas.
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TOPO
Por BBC

Postado em 10 de julho de 2021 às 11h00m


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O cometa C/2020 F3 (Neowise) não deverá retornar à região do Sistema Solar onde está a Terra nos próximos 6,8 mil anos — Foto: Jeff Overs/BBC
O cometa C/2020 F3 (Neowise) não deverá retornar à região do Sistema Solar onde está a Terra nos próximos 6,8 mil anos — Foto: Jeff Overs/BBC

Por algumas semanas no verão de 2020, se você estivesse olhando para o céu em uma noite clara, teria sido possível avistar um visitante raro na nossa região do Sistema Solar.

Através de binóculos, ele tinha a forma de um cometa clássico — um núcleo brilhante e uma longa cauda formada pelo gelo liberado em forma de gás pelo calor do Sol. Pôde até ser visto a olho nu no hemisfério norte durante o início de julho. Mas depois ele desapareceu.

Ninguém que viu aquele cometa — chamado C/2002 F3 (Neowise) — voltará a vê-lo novamente. Nem seus filhos. Tampouco várias gerações depois dos filhos de seus filhos. Este cometa, em particular, não será visto novamente por mais de 6,8 mil anos.

Sua breve passagem, no entanto, foi notável por algo que vai além de quanto tempo levaria para retornar (muitos cometas de ciclo curto visitam nossos céus várias vezes durante a vida de uma pessoa). Acredita-se que o C/2002 F3 (Neowise) tenha vindo de uma das partes menos exploradas e mais misteriosas de nosso sistema — a vasta e congelada Nuvem de Oort.

Ela se encontra nos confins do Sistema Solar, além do cinturão de asteroides e dos gigantes gasosos, mais longe do que os mundos gelados de Urano e Netuno, e até mesmo bem fora da distante órbita de Plutão. Situa-se além do limite da heliosfera, a bolha de plasma lançada por nosso Sol que envolve nosso sistema e marca o início do espaço interestelar.

Como uma enorme concha, a Nuvem de Oort envolve o Sistema Solar — não apenas ao longo do plano em que os planetas, asteroides e planetas anões se encontram, mas se estendendo por todas as direções. O único problema é que não podemos ter certeza absoluta de que essa enorme cúpula de gelo está realmente lá.

Os astrônomos nunca viram diretamente a Nuvem de Oort, e a espaçonave mais distante já lançada pela humanidade — a Voyager 1 — não deve chegar lá pelos próximos 300 anos. Mas novas pesquisas estão começando agora a revelar alguns de seus segredos, e o mesmo se espera das próximas missões espaciais. Visitas de cometas distantes como o C/2002 F3 (Neowise) também fornecem algumas pistas.

A Nuvem de Oort foi prevista pela primeira vez por Jan Oort, em 1950, para explicar a existência de cometas como Neowise. Diferentemente dos cometas de ciclo curto, que geralmente levam menos de 200 anos para orbitar o Sol e são provenientes de um disco de gelo que fica além de Netuno chamado Cinturão de Kuiper, a origem daqueles com órbitas muito mais longas era mais difícil de explicar.

A maioria dos cometas de ciclo longo leva entre 200 e 1.000 anos para completar uma órbita do Sol. Eles também têm órbitas excêntricas, chegando muito perto do Sol e, em seguida, ficando extremamente distantes novamente.

Oort teorizou que esses cometas poderiam vir de um conjunto de objetos distantes, feitos principalmente de rocha e gelo, muito longe do alcance de nosso sistema. Acredita-se que essa enorme massa de objetos comece em algum lugar em torno de 306 bilhões de km a 756 bilhões de km do Sol.

Acredita-se que a Nuvem de Oort consiste em bilhões, senão trilhões, de pedaços de gelo e rocha que se formaram aproximadamente ao mesmo tempo que os planetas — Foto: Pablo Carlos Budassi
Acredita-se que a Nuvem de Oort consiste em bilhões, senão trilhões, de pedaços de gelo e rocha que se formaram aproximadamente ao mesmo tempo que os planetas — Foto: Pablo Carlos Budassi

Isso é equivalente de 2 mil a 5 mil vezes a distância da Terra ao Sol (uma distância de 150 milhões de km, conhecida como unidade astronômica, ou UA).

Algumas estimativas preveem que a nuvem se estenda por até 100 mil a 200 mil UA (15 trilhões de km a 29 trilhões de km) no espaço.

"Até agora não temos nenhuma outra explicação satisfatória para o fornecimento contínuo de cometas de período longo que observamos", diz Cyrielle Opitom, que estuda cometas e o Sistema Solar na Universidade de Edimburgo, na Escócia.

"Ao reconstruir suas órbitas, eles parecem compartilhar um afélio — a maior distância do Sol — a cerca de 20 mil vezes a distância do Sol à Terra, no que chamamos de Nuvem de Oort."

As origens da nuvem ainda são um mistério. Ela pode conter centenas de bilhões ou até mesmo trilhões de planetesimais — pedaços sólidos de rocha ou gelo, semelhantes aos cometas, que muitas vezes são os blocos de construção dos planetas.

Mas esses objetos, todos variando de alguns quilômetros a algumas dezenas de quilômetros, são pequenos demais para serem vistos diretamente da Terra, mesmo com nossos telescópios mais poderosos.

Um estudo recente, no entanto, ofereceu algumas pistas sobre o que pode ter levado à formação da Nuvem de Oort. Simon Portegies Zwart e seus colegas da Universidade de Leiden, na Holanda, usaram uma série de simulações de computador para estudar como a nuvem se formou, em ordem cronológica, ao longo de 100 milhões de anos.

É o primeiro estudo a vincular todas as etapas na formação da nuvem, em vez de examiná-las separadamente. Os resultados mostram que a nuvem "não se formou de forma simples, mas por uma espécie de conspiração da natureza, em que uma série de processos teve que acompanhar", diz Portegies Zwart.

Segundo ele, planetas, estrelas e a Via Láctea desempenharam um papel em sua formação. "A complexidade do processo me surpreendeu."

Mas os resultados significam que é improvável que nosso sistema seja o único envolto por uma vasta nuvem de gelo. "Uma vez que tínhamos mapeado os vários processos, eles acabaram sendo uma consequência bastante natural da evolução do Sistema Solar", afirma Portegies Zwart.

Comparada ao sistema solar, a Nuvem de Oort é uma enorme bolha de material que envolve os planetas e nosso So — Foto: Mark Garlick/Gettty Images
Comparada ao sistema solar, a Nuvem de Oort é uma enorme bolha de material que envolve os planetas e nosso So — Foto: Mark Garlick/Gettty Images

Seu trabalho também fez previsões sobre o que a Nuvem de Oort poderia conter. E, se estiverem corretas, ela pode conter material estranho ao nosso sistema solar: "Coisas de outras estrelas", diz Portegies Zwart.

A ideia de que nosso Sol pode ter roubado material de outro lugar foi apresentada pela primeira vez há cerca de uma década. "No aglomerado de estrelas de nascimento do Sol, as estrelas irmãs estariam aninhadas próximas o suficiente para suas nuvens de cometa se sobreporem e se emaranharem", diz Michele Bannister, astrônoma planetária da Universidade de Canterbury, na Nova Zelândia. "Depois, elas se separaram enquanto o aglomerado se dispersava."

Assim como a Nuvem de Oort pode conter cometas de outras estrelas, alguns de nossos próprios cometas podem estar orbitando agora outras estrelas em contrapartida.

Um estudo, de novembro de 2020, sugere que os objetos interestelares podem ser mais numerosos do que os do nosso próprio sistema. Outro estudo, que divulgou os resultados preliminares no início deste ano, identificou três estrelas que podem ter passado pela Nuvem de Oort.

Exatamente quanto da Nuvem de Oort vem de outras estrelas permanece um mistério, e estudar os cometas de perto pode não responder essa questão.

"Seria muito difícil saber quais cometas não foram formados aqui, mas talvez estudos futuros de cometas interestelares visitantes em tempo real nos deem algumas pistas sobre isso", diz Kat Volk, cientista planetária da Universidade do Arizona, nos Estados Unidos.

Os resultados do estudo de Portegies Zwart e sua equipe sugerem que cerca de metade dos objetos na parte interna da nuvem e um quarto na parte externa podem ter sido capturados de outro lugar.

Compreender a Nuvem de Oort — e os cometas provenientes dela — pode nos dar algumas pistas importantes sobre as origens do nosso sistema e como ele se formou. Esses objetos são alguns dos mais primitivos a um alcance próximo, e acredita-se que eles se formaram ao mesmo tempo que os planetas.

"Seria muito bom ser capaz de fazer alguns furos em alguns objetos da Nuvem Oort e analisar o material", diz Portegies Zwart.

Mas a Voyager 1, que foi lançada há mais de 40 anos, ainda está a apenas um décimo da distância dos limites do Sistema Solar até a Nuvem de Oort, e é improvável que faça contato direto com qualquer coisa lá a menos que colida, e a obtenção de tais amostras poderia demorar muito.

Há quatro outras espaçonaves que vão chegar futuramente à Nuvem de Oort — Voyager 2, New Horizons e Pioneer 10 e 11.

"Mas vai demorar tanto para chegarem lá que sua fonte de energia vai morrer muito antes", diz Opitom. "É muito longe."

Em vez disso, pode ser mais fácil obter amostras de um pedaço da Nuvem de Oort que chegou até nós. Os cientistas já estão coletando pistas do que esses objetos misteriosos são feitos a partir de dados que estão reunindo a partir de observações de cometas suspeitos de terem se originado lá. Não precisamos ir aos cometas para ver do que são feitos.

Os resultados iniciais de alguns estudos encontraram monóxido de carbono, água e outros tipos de carbono e silicato em cometas da Nuvem de Oort. Mas há a expectativa de que seja possível dar uma olhada mais de perto em um desses cometas com uma missão espacial.

Missões recentes, como a sonda Rosetta e o módulo de aterrissagem Philae, da Agência Espacial Europeia, e a espaçonave Deep Impact da Nasa, agência espacial americana, visitaram cometas que estavam de passagem. Outras, como a Hayabusa e Hayabusa 2, do Japão, e a Osiris-Rex, da Nasa, também coletaram amostras de asteroides para trazê-los de volta à Terra.

Mas não é tão fácil no caso de cometas da Nuvem de Oort, uma vez que eles geralmente não são descobertos até alguns anos antes de atingirem o ponto mais próximo em sua órbita do Sol. "É uma escala de tempo muito curta para preparar uma missão e enviá-la ao encontro de um cometa", diz Opitom.

Uma próxima missão, no entanto, tem como objetivo voar perto de um cometa que veio diretamente da Nuvem de Oort, em vez de um que já passou pelo Sol algumas vezes antes.

"Há missões de naves espaciais projetadas para visitar novos cometas de período longo, elas são lançadas e depois aguardam em uma espécie de estacionamento em órbita até que um alvo adequado seja detectado", explica Volk.

Uma delas, a Comet Interceptor ("Interceptador de Cometa", em tradução livre), que será lançada pela Agência Espacial Europeia, vai usar várias espaçonaves para selecionar um cometa como alvo e depois estudá-lo de perto. "Esta é uma missão muito emocionante... e espero que nos permita investigar um cometa muito primitivo vindo diretamente da Nuvem de Oort pela primeira vez", diz Opitom.

Antes do lançamento da Comet Interceptor em 2029, um telescópio atualmente em construção no Chile, chamado Observatório Vera Rubin, começará a procurar cometas de ciclo longo provenientes da Nuvem de Oort quando for concluído em 2023.

"Isso nos permitirá enviar missões a cometas provenientes da Nuvem de Oort, e é isso que a Comet Interceptor vai fazer, mesmo que não colete e traga de volta uma amostra", explica Opitom.

Estudar os cometas de perto nos permite "monitorar como eles mudam à medida que são aquecidos pelo Sol quando chegam perto, após eras em congelamento profundo", diz Bannister.

E se for a primeira visita, podem trazer alguns segredos com eles. Olhar diretamente para os cometas desta maneira pode ajudar a responder perguntas como o quão grande a nuvem realmente é — e quanto dela é proveniente do nosso sistema.

Enquanto os cientistas continuam a juntar essas pistas para aprender mais sobre a Nuvem de Oort e reunir evidências de sua existência, só saberemos com certeza quando uma de nossas espaçonaves se aventurar nesta região desconhecida do espaço.

Se a Voyager 1 conseguir sobreviver por mais 300 anos, a humanidade realmente terá alcançado uma nova fronteira.

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sexta-feira, 9 de julho de 2021

A previsão de Stephen Hawking sobre buracos negros confirmada 50 anos depois por cientistas

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Cientistas do Instituto Tecnológico de Massachusetts (MIT) nos Estados Unidos comprovaram pela primeira vez um dos teoremas mais importantes sobre buracos negros.
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Por José Carlos Cueto, BBC

Postado em 09 de julho de 2021 às 09h00m


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Cientistas do MIT nos Estados Unidos comprovaram um dos teoremas mais importantes sobre buracos negros, a de que seu horizonte de eventos nunca deve diminuir, observando uma onda gravitacional resultado da colisão de dois buracos negros — Foto: Ligo
Cientistas do MIT nos Estados Unidos comprovaram um dos teoremas mais importantes sobre buracos negros, a de que seu horizonte de eventos nunca deve diminuir, observando uma onda gravitacional resultado da colisão de dois buracos negros — Foto: Ligo

Cinquenta anos depois, um grupo de cientistas confirmou um dos teoremas mais famosos do físico britânico Stephen Hawking.

É a teoria da área dos buracos negros. Segundo essa proposição, a área do horizonte de eventos de um buraco negro jamais pode diminuir. O horizonte de eventos é a fronteira ao redor de um buraco negro da qual nada, nem mesmo a luz, pode escapar, engolida pela força de sua gravidade.

Cientistas do prestigiado Instituto Tecnológico de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês), nos Estados Unidos, e de outros centros de pesquisa, liderados pelo físico Maximiliano Isi, foram os primeiros a confirmar essa teoria. E o fizeram a partir da observação de ondas gravitacionais.

Apesar de processos muito extremos ocorrerem dentro de um buraco negro, no qual não se aplicam as leis físicas que acreditamos ser universais, "é curioso que coisas semelhantes às leis da termodinâmica aconteçam no nível microfísico", explica Isi à BBC News Mundo, o serviço de notícias em espanhol da BBC.

A pesquisa de Isi e seus colegas foi publicada em 1º de julho na revista científica Physical Review Letters.

Os buracos negros são um dos fenômenos mais enigmáticos do universo.

Para que se formem, uma estrela deve primeiro morrer.

Além disso, tudo que entra em um buraco negro nunca consegue escapar, nem mesmo a luz. E em seu centro, o tempo e o espaço param.

Embora até 2019 ninguém tivesse visto um buraco negro, a prova de sua existência estava nas equações da teoria da relatividade geral de Albert Einstein.

Físico britânico Stephen Hawking esboçou algumas das teorias mais importantes sobre os buracos negros — Foto: Santi Visalli/Getty Images via BBC
Físico britânico Stephen Hawking esboçou algumas das teorias mais importantes sobre os buracos negros — Foto: Santi Visalli/Getty Images via BBC

Qual é a teoria de Hawking?

Stephen Hawking, o famoso físico britânico que morreu em 2018, propôs esse teorema — um dos mais importantes sobre a mecânica dos buracos negros — em 1971.

O teorema prevê que a área total do horizonte de eventos de um buraco negro nunca deve diminuir.

Essa proposição é paralela à segunda lei da termodinâmica.

Ela indica que a entropia também nunca deve diminuir. Entropia é uma grandeza usada na termodinâmica para medir o grau de desordem em um sistema. Quanto maior a entropia em um processo físico ou químico, menos organizado e mais aleatório ele é.

A semelhança entre as duas teorias sugere que os buracos negros podem se comportar como objetos térmicos que emitem calor.

Mas essa proposição era confusa, uma vez que se acreditava que os buracos negros, por sua própria natureza, nunca deixavam escapar ou irradiar energia.

"Hawking conseguiu coordenar essas ideias em 1971, mostrando que os buracos negros têm entropia e emitem radiação em escalas de tempo muito longas se seus efeitos quânticos forem levados em consideração", diz um comunicado do MIT.

Este fenômeno foi chamado de "radiação Hawking" e é uma das revelações mais importantes sobre os buracos negros.

Mas os cientistas ainda não tinham sido capazes de verificar visualmente esse teorema.

Cinquenta anos depois, isso foi possível.

Como os cientistas conseguiram confirmá-lo?

O mais importante para Isi, para além da curiosidade natural despertada por buracos negros, era "corroborar o total paralelismo de certas leis dos buracos negros com as leis da termodinâmica". Neste caso, a entropia, diz ele.

"Com este estudo, confirmamos com alguma precisão essa previsão fundamental de Hawking sobre como os buracos negros deveriam funcionar."

"É muito importante que essas teorias, até agora principalmente abstratas, possam ser abordadas por meio de uma análise observacional", acrescenta o especialista.

Até agora, o teorema de Hawking tinha sido provado matematicamente, mas nunca tinha sido visualizado na natureza.

No estudo, a equipe analisou cuidadosamente a onda gravitacional GW150914, a primeira capturada diretamente pelo observatório LIGO (Observatório de Ondas Gravitacionais por Interferômetro Laser, um projeto de observação de ondas gravitacionais de origem cósmica).

Essa onda gravitacional é chamada de GW150914 pelas siglas de "Gravitational Wave" (onda gravitacional) e a data de sua observação, 14 de setembro de 2015.

A onda foi produto da fusão de dois buracos negros que geraram um novo buraco negro, concentrando uma enorme quantidade de energia que ondulou através do espaço-tempo na forma de ondas gravitacionais.

Segundo o teorema de Hawking, a área final do horizonte desse novo buraco negro não poderia ser menor que a área do horizonte de seus dois buracos negros originais. Em outras palavras, a área final não poderia ter diminuído.

Com uma análise da onda gravitacional GW150914, seria possível verificar isso.

"Com sistemas de detecção aprimorados, pudemos observar o antes e o depois dessa colisão", explica Isi.

Sua equipe desenvolveu uma técnica para captar frequências específicas e reverberações da fusão que eles poderiam usar para calcular a massa e a rotação do buraco negro final. A massa e a rotação de um buraco negro estão diretamente relacionadas à área de seu horizonte de eventos.

Assim, conseguiram confirmar que a área não diminuiu após a fusão - ela aumentou. E esse resultado a equipe reporta com 95% de certeza.

"No futuro, quando nossos observadores continuarem a melhorar, detectaremos cada vez mais sinais com mais precisão. Com isso esperamos continuar corroborando essas leis e, um dia, conseguir descobrir algo completamente novo", diz Isi à BBC News Mundo.

MIT
Stephen Hawking

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quinta-feira, 8 de julho de 2021

O plano da China para lançar foguetes e desviar asteroide que poderia acabar com vida na Terra

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Foguetes Longa Marcha 5 citados no estudo são chave para ambições espaciais de curto prazo da China. Eles são usados para diferentes finalidades: desde carregar módulos de estações espaciais até lançar sondas à Lua e a Marte.
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Por BBC

Postado em 08 de julho de 2021 às 13h05m


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Cálculos sobre plano de usar foguetes para desviar asteroide se basearam no corpo celeste Bennu. — Foto: Nasa via BBC
Cálculos sobre plano de usar foguetes para desviar asteroide se basearam no corpo celeste Bennu. — Foto: Nasa via BBC

Como num filme de ficção científica, pesquisadores chineses traçaram um plano de enviar 23 dos maiores foguetes da China para desviar um asteroide enorme, algo que poderia ser crucial caso um corpo celeste entre de fato em rota de colisão com a Terra.

Segundo especialistas do Centro Nacional de Ciências Espaciais do país, simulações matemáticas apontaram que a estratégia de foguetes atingindo simultaneamente um grande asteroide poderia desviá-lo de seu caminho original a uma distância de 1,4 vezes o raio da Terra.

Os cálculos são baseados em um asteroide chamado Bennu, que orbita o Sol e é tão largo quanto o arranha-céus Empire State Building, em Nova York, que tem 381 metros de altura e está entre os 50 maiores edifícios do mundo. O Bennu pertence a uma classe de rochas com potencial para causar danos regionais ou continentais — estima-se que asteroides medindo mais de 1 km poderiam gerar consequências globais.

O estudo em torno do tema, assinado por seis pesquisadores, foi publicado recentemente na revista científica Icarus.

Nele, os cientistas afirmam que "os impactos de asteroides representam uma grande ameaça para toda a vida na Terra" e que a estratégia de lançar algo contra eles é a abordagem mais possível, porém com efeito limitado.

Por isso, eles passaram a calcular o envio de um conjunto de objetos contra eventuais asteroides em rota de colisão com o planeta.

Os foguetes Longa Marcha 5 citados no estudo são a chave para as ambições espaciais de curto prazo da China. Eles são usados para diferentes finalidades: desde carregar módulos de estações espaciais até lançar sondas à Lua e a Marte.

A China lançou com sucesso seis foguetes Longa Marcha 5 desde 2016. Mas o último gerou preocupações de segurança ao redor do mundo, uma vez que pedaços remanescentes dele reentraram na atmosfera em maio sem controle e poderiam atingir uma região habitada, algo que acabou não acontecendo.

Nave espacial da Nasa captura amostra de asteroide em operação histórica
Nave espacial da Nasa captura amostra de asteroide em operação histórica

"A proposta de manter o compartimento superior do foguete de lançamento para uma espaçonave guiadora, criando um grande "impactador cinético' para desviar um asteroide me parece um conceito bastante bom", disse o professor Alan Fitzsimmons, do centro de pesquisa em astrofísica da Queen's University em Belfast, na Irlanda do Norte.

"Ao aumentar a massa que atinge o asteroide, a física simples deve garantir um efeito muito maior", acrescentou Fitzsimmons à agência de notícias Reuters.

Para ele, no entanto, caso essa missão se torne realidade um dia, seriam necessários cálculos bem mais detalhados.

Atualmente, estimativas apontam que há quase 1% de chance de um asteroide de 100 metros de largura atingir a Terra nos próximos 100 anos, afirmou o professor Gareth Collins, da universidade Imperial College London, no Reino Unido.

Lançamento do foguete 5B Longa Marcha, ligado a uma nova estação espacial chinesa; esse tipo de equipamento seria usado no plano hipotético de desviar um corpo celeste. — Foto: China Daily via Reuters/BBC
Lançamento do foguete 5B Longa Marcha, ligado a uma nova estação espacial chinesa; esse tipo de equipamento seria usado no plano hipotético de desviar um corpo celeste. — Foto: China Daily via Reuters/BBC

"Algo em rota de colisão do tamanho de um Bennu é cerca de 10 vezes menos provável."

Para os cientistas, alterar o caminho de um asteroide representa um risco menor do que explodir a rocha com explosivos nucleares, que podem criar fragmentos menores sem alterar seu curso.

O resultado prático de todos esses cálculos e hipóteses deve ser visto em breve. Em algum momento entre o final de 2021 e o início de 2022, os Estados Unidos lançarão uma espaçonave robótica para interceptar dois asteroides relativamente próximos da Terra.

Quando chegar ao destino, um ano depois, a espaçonave da Nasa (agência espacial americana) fará um pouso forçado no menor dos dois corpos rochosos para ver o quanto a trajetória do asteroide muda. Será a primeira tentativa da humanidade de mudar o curso de um corpo celeste.

Com informações da agência de notícias Reuters.

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IPCA: inflação fica em 0,53% em junho e atinge 8,35% em 12 meses

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Apesar de taxa mensal ter desacelerado, inflação acumulada em 12 meses é a maior desde setembro de 2016. A vilã do mês foi novamente a energia elétrica, com alta de 1,95%.
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Por Darlan Alvarenga e Daniel Silveira, G1

Postado em 08 de julho de 2021 às 10h00m


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Linhas de transmissão de energia na região de Brasília; a conta de luz teve o maior impacto individual na inflação do mês de junho. — Foto: REUTERS/Ueslei Marcelino
Linhas de transmissão de energia na região de Brasília; a conta de luz teve o maior impacto individual na inflação do mês de junho. — Foto: REUTERS/Ueslei Marcelino

Puxado pela alta da energia elétrica, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – a inflação oficial do país – ficou em 0,53% em junho, após ter registrado taxa de 0,83% em maio, conforme divulgou nesta quinta-feira (8) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

"Esse é o maior resultado para o mês desde junho de 2018 (1,26%). Com isso, o indicador acumula alta de 3,77% no ano e 8,35% nos últimos 12 meses", informou o IBGE.

Com o resultado, a inflação acumulada em 12 meses fica ainda mais acima do teto da meta do governo para o ano – o centro da meta é de 3,75% em 2021, podendo variar entre 2,25% e 5,25%.

Segundo o IBGE, a taxa de 8,35% é a maior para o acumulado em 12 meses desde setembro de 2016 (8,48%).

Inflação oficial foi a mais alta para um mês de junho desde 2018 — Foto: Economia/G1
Inflação oficial foi a mais alta para um mês de junho desde 2018 — Foto: Economia/G1

O resultado veio um pouco abaixo das expectativas. A mediana das projeções de 38 instituições ouvidas pelo Valor Data era de alta de 0,59% no mês e de taxa de 8,41% em 12 meses.

IPCA de junho fica em 0,53%; Miriam Leitão comenta
IPCA de junho fica em 0,53%; Miriam Leitão comenta

Veja o resultado para cada um dos grupos pesquisados

Dos 9 grupos de produtos e serviços pesquisados, 8 tiveram alta em junho.Veja abaixo:

  • Alimentação e bebidas: 0,43%
  • Habitação: 1,10%
  • Artigos de residência: 1,09%
  • Vestuário: 1,21%
  • Transportes: 0,41%
  • Saúde e cuidados pessoais: 0,51%
  • Despesas pessoais: 0,29%
  • Educação: 0,05%
  • Comunicação: -0,12%
Indicador acumulado em 12 meses até junho é o maior registrado desde setembro de 2016 — Foto: Economia/G1
Indicador acumulado em 12 meses até junho é o maior registrado desde setembro de 2016 — Foto: Economia/G1

Energia elétrica foi novamente a vilã

O maior impacto na inflação de junho veio do grupo habitação (1,10%), principalmente, por causa da energia elétrica (1,95%).

Embora tenha desacelerado em relação ao mês anterior (5,37%), a conta de luz teve o maior impacto individual no índice do mês, respondendo por 0,09 ponto percentual do IPCA de junho. No acumulado em 12 meses, a alta da energia elétrica residencial é de 14,20%.

“A energia continuou subindo muito por conta da bandeira tarifária vermelha patamar 2, que passou a vigorar em junho e acrescenta R$ 6,243 à conta de luz a cada 100 quilowatts-hora consumidos. Em maio, estava em vigor a bandeira vermelha patamar 1, cujo acréscimo é menor (R$ 4,169)", destacou o analista da pesquisa, André Filipe Guedes Almeida.

Vale lembrar que em julho, a cobrança extra da tarifa vermelha foi reajustada para R$ 9,49 a cada 100 kWh consumidos, o que fará com que a energia elétrica continue pressionando a inflação..

No grupo dos transportes, os combustíveis subiram 0,87% e acumulam alta de 43,92% nos últimos 12 meses.

Mais uma vez, o maior impacto veio da gasolina, que subiu 0,69% em junho, depois de um aumento de 2,87% em maio. Os preços do etanol (2,14%) e do óleo diesel (1,10%) e do gás veicular (0,16%) também registraram alta.

"Essa desaceleração na energia elétrica e nos combustíveis, embora ainda tenham tido variação positiva, contribuíram para uma inflação menor em junho", apontou Almeida.

Apenas 4 das 11 regiões pesquisadas tiveram inflação abaixo da média nacional — Foto: Economia/G1
Apenas 4 das 11 regiões pesquisadas tiveram inflação abaixo da média nacional — Foto: Economia/G1

Carnes sobem pelo 5º mês seguido

No grupo Alimentação e bebidas, a alta de 0,43% ficou próxima à do mês anterior (0,44%). A alimentação no domicílio passou de 0,23% em maio para 0,33% em junho, principalmente por conta das carnes (1,32%), que subiram pelo quinto mês consecutivo e acumulam alta de 38,17% em 12 meses.

No lado das quedas no mês, os destaques foram a batata-inglesa (-15,38%), a cebola (-13,70%), o tomate (-9,35%) e as frutas (-2,69%).

Repercussão e perspectivas

A meta central do governo para a inflação em 2021 é de 3,75%, e o intervalo de tolerância varia de 2,25% a 5,25%. Para alcançá-la, o Banco Central eleva ou reduz a taxa básica de juros da economia (Selic), que está atualmente em 4,25% ao ano.

A expectativa do mercado financeiro para a inflação de 2021 foi elevada na semana passada para 6,07%, segundo a pesquisa Focus do Banco Central. Com isso, a projeção dos analistas segue cada vez mais acima do teto do sistema de metas. Se confirmado o resultado, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, terá de redigir uma carta aberta explicando os motivos para o descumprimento da meta.

Já a expectativa para a taxa Selic no fim do ano segue em 6,50%, o que pressupõe que haverá novas altas nos próximos meses.

Para o economista da Necton, André Perfeito, o resultado de junho mostra que em parte alguns componentes da cesta do IPCA estão respondendo à atividade ainda fraca.

"O indicador veio bom e pode tirar certo peso das costas do Banco Central. No entanto a recente desvalorização do real pode jogar no sentido contrário", afirma o economista, que projeta alta de 100 pontos base na próxima reunião do Copom.

Para 2022, o mercado financeiro estima uma inflação de 3,77%. No ano que vem, a meta central de inflação é de 3,5% e será oficialmente cumprida se oscilar de 2% a 5%.

INPC desacelera para 0,60% em junho

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), usado para reajustes salariais, desacelerou para 0,60% em junho, ficando abaixo do resultado de maio (0,96%). No ano, o indicador acumula alta de 3,95% e, em 12 meses, de 9,22%, acima dos 8,90% observados nos 12 meses imediatamente anteriores.

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