Total de visualizações de página

quinta-feira, 5 de março de 2020

PIB do Brasil cresce 1,1% em 2019, menor avanço em 3 anos

=.=.=.= =---____---------   ---------____--------------____::_____   _____= =..= = =..= =..= = =____   _____::____-------------______---------   -----------____---.=.=.=.= 


IBGE mostra que houve desaceleração no 4º trimestre. Apesar do 3º ano de resultados positivos, economia ainda não anulou perdas da recessão e está no patamar de 2013.
=.=.=.= =---____---------   ---------____------------____::_____   _____= =..= = =..= =..= = =____   _____::____--------------______---------   -----------____---.=.=.=.= =
 Por Darlan Alvarenga e Daniel Silveira, G1 — São Paulo e Rio de Janeiro  

 Postado em 05 de março de 2020 às 11h00m  
Gipope-Marketing
      Post.N.\9.163  
    .__-___________    _____________    _______________    ___________ _________  ____________   _______-
PIB cresce 1,1% em 2019 e frustra expectativas de analistas
PIB cresce 1,1% em 2019 e frustra expectativas de analistas
O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 1,1% em 2019, segundo divulgou nesta quarta-feira (4) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi o desempenho mais fraco em 3 anos, com o resultado afetado principalmente pela perda de ritmo do consumo das famílias e dos investimentos privados. Em valores correntes, o PIB do ano passado totalizou R$ 7,3 trilhões em 2019.

Foi a 3ª alta anual consecutiva após 2 anos de retração, mas a recuperação lenta ainda mantém a economia do país abaixo do patamar pré-recessão.

Já o PIB per capita (por habitante) teve alta de apenas 0,3% em termos reais em 2019, alcançando R$ 34.533 em 2019.
“São três anos de resultados positivos, mas o PIB ainda não anulou a queda de 2015 e 2016 e está no mesmo patamar do primeiro trimestre de 2013”, destacou Rebeca Palis, coordenadora das Contas Nacionais do IBGE.
Segundo ela, em valores correntes, o PIB brasileiro ainda segue 3,1% abaixo do pico (ponto mais alto da economia brasileira), registrado no primeiro trimestre de 2014. "Por outro lado, estamos a 5,4% do vale, o ponto mais baixo que foi alcançado no 4º trimestre de 2016", explicou.

Em 2017 e 2018 o crescimento foi de 1,3% em ambos os anos, após retrações de 3,5% em 2015 e de 3,3% em 2016. Veja gráfico abaixo:
Evolução do PIB anual — Foto: Arte G1
Evolução do PIB anual — Foto: Arte G1

Apesar de mais um ano de crescimento decepcionante, o resultado veio dentro do esperado pelo mercado que, após resultados fracos da atividade econômica em novembro e dezembro, passou a projetar mais um ano de taxa bem próxima de 1%. No começo de 2019, a estimativa era de um avanço de mais de 2% no ano. A estimativa do Ministério da Economia era de uma alta de 1,12%.

O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir a evolução da economia.
Veja os principais destaques do PIB em 2019:
  • Serviços: 1,3%
  • Indústria: 0,5%
  • Agropecuária: 1,3%
  • Consumo das famílias: 1,8%
  • Consumo do governo: -0,4%
  • Investimentos: 2,2%
  • Construção civil: 1,6% (1ª alta após cinco anos consecutivos de queda).
  • Exportação: -2,5% (1ª queda em 5 anos)
  • Importação: 1,1%
Casal de bailarinos viu 2019 como um ano de estabilidade; veja relato
Casal de bailarinos viu 2019 como um ano de estabilidade; veja relato
Consumo das famílias tem resultado mais fraco desde 2016
Informalidade atrapalha crescimento do consumo das famílias
Informalidade atrapalha crescimento do consumo das famílias

O crescimento da economia em 2019 foi mais uma vez sustentado pelo consumo das famílias, mas o ritmo de recuperação do consumo desacelerou 1,8%, após avanços de 2% em 2017 e 2,1% em 2018. Foi o resultado mais fraco desde 2016, diante da baixa confiança e do mercado de trabalho ainda frágil.

"O crescimento do PIB continua ancorado no consumo das famílias", enfatizou a pesquisadora, destacando que trata-se do componente com maior peso no cálculo do PIB, representando 65% de toda a atividade econômica.

O consumo das famílias em 2019 foi beneficiado, entre outros fatores, pela melhora da ocupação no mercado de trabalho, pela redução da taxa básica de juros e pela liberação de recursos extras do FGTS.
Questionada sobre o motivo pelo qual estes fatores não permitiram um crescimento maior que no ano anterior, Rebeca ponderou que "o crescimento do emprego foi muito ancorado na informalidade, que tem salários menores, e sabemos que o efeito da liberação do FGTS não é direto no consumo, já que as famílias estavam endividadas".
Segundo a pesquisadora, a contribuição da demanda interna no resultado do PIB de 20198 foi de 1,7%, sendo 1,2 ponto percentual (p.p). do consumo das famílias, 0,6 p.p. de investimento e estoque e -0,1% do consumo do governo. Já a demanda externa contribuiu negativamente com 0,5%.

Investimentos desaceleram
Os investimentos tiveram uma desaceleração mais forte, registrando uma alta de 2,2% no ano passado, após um salto de 3,9% em 2018 e queda de 2,6% em 2017. Já a despesa de consumo do governo caiu 0,4%, em meio ao rombo das contas públicas e dificuldades orçamentárias.

A taxa de investimento em 2019 foi de 15,4% do PIB, acima do observado em 2018 (15,2%), mas ainda bem abaixo do patamar acima de 21% registrado em 2013. Já a taxa de poupança caiu para 12,2%, ante 12,4% em 2018.

No setor de serviços, as atividades que registraram maior avanço no ano foram: informação e comunicação (4,1%) – maior taxa de crescimento entre todos os componentes do PIB –, atividades imobiliárias (2,3%) e comércio (1,8%).

Na agropecuária, o crescimento foi puxado pelo cultivo de milho (23,6%), algodão (39,8%), laranja (5,6%) e feijão (2,2%).
PIB 2019 setores  — Foto: Arte/G1
PIB 2019 setores — Foto: Arte/G1

Construção tem 1ª alta após 5 anos de quedas
Pela ótica da produção, tanto os serviços como a agropecuária tiveram um crescimento menor em 2019, enquanto que a indústria manteve o resultado de 0,5%, com destaque para construção civil que cresceu 1,6% – (1ª alta após 5 anos consecutivos de quedas).

Apesar do crescimento, o setor se encontra 30% abaixo do pico, que foi alcançado no primeiro trimestre de 2014. E no 4º trimestre houve retração de 2,5%, ante o 3º trimestre. O IBGE destacou também que a alta em 2019 foi puxado pela atividade imobiliária, e não pelo setor de infraestrutura.
Já a indústria extrativa teve queda de 1,1% em 2019, enquanto que a de transformação registraram avanço de apenas 0,1%.

No setor externo, as exportações de bens e serviços caíram 2,5% – a 1ª queda em 5 anos –, enquanto as importações de bens e serviços avançaram 1,1%.

A necessidade de financiamento da economia brasileira cresceu de R$ 168 bilhões em 2018 para R$ 212,2 bilhões em 2019. "O principal fator para esse crescimento foi a transformação do superávit de R$ 26,3 bilhões do saldo externo de bens e serviços no ano de 2018 para o déficit de menos R$ 24,1 bilhões em 2019", destacou Rebeca.
PIB 2019 ótica da demanda — Foto: Arte G1
PIB 2019 ótica da demanda — Foto: Arte G1

Economia desacelerou no final do ano
No 4º trimestre, o PIB cresceu 0,5% na comparação com o trimestre anterior, o que representa uma desaceleração frente ao avanço de 0,6% registrado no 3º trimestre. Na comparação com o 4º trimestre de 2018, houve alta de 1,7%, o 12º resultado positivo consecutivo.

A indústria e os serviços apresentaram variação positiva de 0,2% e 0,6%, respectivamente, na comparação com o 3º trimestre, enquanto a agropecuária caiu 0,4%.

Do lado da demanda, o consumo das famílias desacelerou para um avanço de 0,5% (ante 0,7% no 3º trimestre), enquanto que os investimentos caíram 3,3%, interrompendo 2 trimestres seguidos de altas. Já a despesa do governo cresceu 0,4% em relação ao trimestre imediatamente anterior.

No setor externo, as exportações cresceram 2,6%, enquanto as importações caíram 3,2%.
PIB variação trimestral  — Foto: Arte/G1
PIB variação trimestral — Foto: Arte/G1

Perspectivas para 2020
Após um início de ano de maior otimismo sobre as perspectivas para a economia brasileira, preocupações em torno dos impactos do coronavírus na economia global e incertezas sobre o ritmo de aprovação de reformas no Congresso têm derrubado as projeções para o PIB do Brasil em 2020.

Embora não faça projeções, o IBGE considera que a economia brasileira será afetada negativamente pelo coronavírus. "Quando a gente divulgar o primeiro trimestre do ano provavelmente a gente vai ver o impacto do coronavírus sobre a economia", disse a gerente das Contas Nacionais, Rebeca Palis.

"Vai ser um impacto no todo, provavelmente vai afetar o comercio exterior e, também, a produção nacional", acrescentou ao ser questionada sobre quais setores devem ser impactados.

O mercado brasileiro reduziu para 2,17% a previsão a alta do PIB neste ano, segundo a última pesquisa Focus do Banco Central, mas diversos bancos e consultorias já estimam um crescimento abaixo de 2% e mais cortes na taxa básica de juros.
Até o final de janeiro deste ano, o ministro da Economia, Paulo Guedes, se dizia confiante em uma taxa de crescimento de 2,5% em 2020. Nesta quarta, em comunicado, o ministério da Economia afirmou que o coronavírus tornou o crescimento este ano 'desafiador', ao reduzir a expectativas de crescimento mundial e "adicionar incertezas" sobre a evolução do comércio internacional.

A estimativa atual do governo para o crescimento da economia em 2020 segue em 2,4%, mas o secretário de Política Econômica do Ministério da Economia, Adolfo Sachsida, já adiantou que, até o início da próxima semana, a projeção oficial deverá ser revisada.
O que o PIB tem a ver com o nosso dia a dia?
O que o PIB tem a ver com o nosso dia a dia?

Fatores de impacto em 2019
Entre os principais fatores que impediram um ritmo de recuperação mais forte da economia em 2019, estão:
  • a retração da indústria extrativa, impactada pela tragédia de Brumadinho (MG), que levou a Vale, maior produtora de minério do país, a suspender a produção em diversas instalações;
  • incertezas no ambiente externo, como a guerra comercial entre China e Estados Unidos e a recessão na Argentina, que impactaram negativamente a produção industrial e o resultado da balança comercial. Pela 1ª vez em 40 anos, Brasil exportou mais produtos básicos do que industrializados;
  • a recuperação lenta do mercado de trabalho e o desemprego resistente. No trimestre encerrado em dezembro, a taxa de desocupação ficou em 11%, atingindo 11,6 milhões de pessoas. Mesmo com a redução do desemprego, a informalidade atingiu patamar recorde em 2019, superando 50% em 19 estados e no Distrito Federal;
  • dependência cada vez maior da recuperação dos investimentos privados, em meio ao rombo das contas públicas. As contas do governo federal apresentaram em 2019 um déficit primário de R$ 95,065 bilhões, com bloqueio de verbas atingindo diversas atividades do setor público. Foi o sexto ano seguido em que as contas ficaram no vermelho.
Do lado dos fatores positivos para a economia e para a confiança dos investidores no ano passado, destaque para a aprovação da reforma da Previdência, com previsão de economia de R$ 855 bilhões em 10 anos, e a queda da taxa básica de juros para mínimas históricas, que reduziu o custo de empréstimos e permitiu um avanço do crédito bancário.

Para tentar aquecer a economia, o governo Bolsonaro também anunciou, no ano passado, a liberação de saques das contas inativas, e ativas, do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), injetando mais de R$ 27 bilhões na economia.

=.=.=.= =---____---------   ---------____------------____::_____   _____= =..= = =..= =..= = =____   _____::____--------------______---------   -----------____---.=.=.=.= =

terça-feira, 3 de março de 2020

Pesquisadores da UFV realizam estudos há quase 20 anos sobre solos da Antártica e mudanças climáticas

=.=.=.= =---____---------   ---------____--------------____::_____   _____= =..= = =..= =..= = =____   _____::____-------------______---------   -----------____---.=.=.=.= 


O G1 conversou com pesquisadores que analisam o permafrost -, o solo congelado do continente - e monitoram as alterações. 
=.=.=.= =---____---------   ---------____------------____::_____   _____= =..= = =..= =..= = =____   _____::____--------------______---------   -----------____---.=.=.=.= =
 Por Amanda Andrade, G1 Zona da Mata  

 Postado em 03 de março de 2020 às 16h00m  
Gipope-Marketing

      Post.N.\9.162  
    .__-___________    _____________    _______________    ___________ _________  ____________   _______-
Oito anos depois do incêndio que destruiu a Estação Antártica Comandante Ferraz, base brasileira reabre para cientistas e pesquisadores. — Foto: Divulgação Marinha do BrasilOito anos depois do incêndio que destruiu a Estação Antártica Comandante Ferraz, base brasileira reabre para cientistas e pesquisadores. — Foto: Divulgação Marinha do Brasil


Há quase 20 anos, pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa (UFV) coordenam projetos em um território muito diferente das paisagens da Zona da Mata mineira. Na gelada Antártica, os professores Márcio Francelino e Carlos Schaefer estudam e analisam as mudanças climáticas do continente por meio do solo.

O G1 conversou com Carlos Schaefer, responsável pelo projeto Permaclima e que viajou à Antártica durante 18 anos seguidos. O colega de profissão, Márcio Francelino, embarcou para o continente no início de fevereiro, após a inauguração das novas instalações da Estação Antártica Comandante Ferraz.

Rede de monitoramento das mudanças climáticas
Gelo da Antártica está derretendo 6 vezes mais rápido do que há 40 anos — Foto: Chris Larsen/Nasa/AFPGelo da Antártica está derretendo 6 vezes mais rápido do que há 40 anos — Foto: Chris Larsen/Nasa/AFP

Em parceria com diversas universidades brasileira, a UFV lidera o projeto na parte de monitoramento das mudanças climáticas por meio de análise dos solos congelados - chamado permafrost.

A análise do que acontece no continente antártico gera informações importantes para a elaboração de possíveis cenários futuros de mudanças climáticas no Brasil.

“Se ocorre aquecimento, o permafrost se aprofunda. Se ocorre resfriamento, ele chega mais próximo da superfície. Isso o torna um eficiente sensor das variações do clima e nos permite modelar o que pode acontecer por aqui”, analisou o professor Márcio Francelino.

Carlos Schaefer afirmou que as pesquisas são para entender a dimensão ecológica destas mudanças e o impacto que gera na vegetação e evolução do relevo e dos solos.

Para realizar esse trabalho do monitoramento da mudanças e da dinâmica do permafrost, era necessário uma viagem anual de navio até a Antártica para recolher os dados.

Atualmente, o grupo de pesquisadores está realizando automação do envio dos dados e, com isso, a necessidade de viajar até o local mudou de um ano para três anos.

"Nós temos uma rede de monitoramento, que são 23 sítios espalhados por toda a Antártica e esses sítios demandam apoio de navio para deslocamento e para baixar os dados de monitoramento", afirmou o pesquisador.

Os sítios de monitoramento são localizados na Antártica peninsular, em ilhas e em uma parte continental.

Outros estudos do grupo avaliam a emissão de gases de efeito estufa nas áreas livres de gelo, principalmente naquelas que estão recentemente expostas com o recuo das geleiras.

Por conta dos anos de estudo, o grupo brasileiro é um dos maiores em atuação no continente em pesquisas de clima e solo. Com as estruturas novas da estação, a expectativa é de que o apoio para continuar os estudos e permanência na região seja facilitado.

As instalações da Estação Antártica Comandante Ferraz foram destruída por um incêndio, em 2012, e reinauguradas em janeiro de 2020.

"Com o incêndio, tivemos perda de alguns equipamentos que estavam na estação, mas depois foram repostos pelo Ministério da Ciência e Tecnologia e continuamos realizando os estudos utilizando o navio como base", revelou Schaefer.

Para 2021, os planos são de voltar a trabalhar entorno da estação brasileira e com o foco em pesquisas na Baía do Almirantado, uma área de 8 km de comprimento.

=.=.=.= =---____---------   ---------____------------____::_____   _____= =..= = =..= =..= = =____   _____::____--------------______---------   -----------____---.=.=.=.= =

Home office ganha adesão no país; veja direitos, cuidados e dicas para produtividade

=.=.=.= =---____---------   ---------____--------------____::_____   _____= =..= = =..= =..= = =____   _____::____-------------______---------   -----------____---.=.=.=.= 


Prática exige cuidados por parte dos profissionais, que devem administrar o tempo para não extrapolar jornada; pesquisas revelam aumento de adesão, mas apontam possibilidade de epidemia de solidão e perda de produtividade.
=.=.=.= =---____---------   ---------____------------____::_____   _____= =..= = =..= =..= = =____   _____::____--------------______---------   -----------____---.=.=.=.= =
 Por Marta Cavallini, G1  

 Postado em 03 de março de 2020 às 10h00m  
Gipope-Marketing

      Post.N.\9.161  
    .__-___________    _______ ________    _______________    ___________ _________  ____________   _______-
Home office — Foto: Bench Accounting/UnsplashHome office — Foto: Bench Accounting/Unsplash
O número de brasileiros que trabalham em esquema de home office, ou trabalho remoto, vem batendo recorde. A adesão aumentou com a alta do trabalho informal, mas também coincide com a reforma trabalhista, em vigor há dois anos, que regulamentou o trabalho em casa.

A prática, no entanto, exige cuidados por parte dos profissionais, que devem administrar o tempo para que não extrapolem a jornada e transformem sua casa em ambiente de trabalho. E as empresas devem se organizar para evitar problemas com fiscalizações e ações trabalhistas. Além disso, trabalhar à distância, longe do burburinho de colegas em um escritório, pode gerar desânimo e até solidão, justamente por não haver alguém para incentivar, dar opinião ou compartilhar experiências.

Levantamento divulgado em dezembro pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que, em 2018, 3,8 milhões de brasileiros trabalhavam dentro de casa, o chamado home office. Trata-se do maior contingente de pessoas nesta condição de trabalho já registrado – resultado da alta informalidade no país.

De acordo com o IBGE, o home office correspondia a 5,2% do total de trabalhadores ocupados no pais, excluídos da conta os empregados no setor público e os trabalhadores domésticos. Na comparação com 2012, quando teve início a série histórica da pesquisa, esse contingente teve alta de 44,4%.

Já dados da Sociedade Brasileira de Teletrabalho e Teleatividades (Sobratt) revelam que cresceu 22% a adoção do home office pelas empresas entre 2016 e 2018. Foram consultadas mais de 300 empresas de diferentes segmentos e portes, com capital nacional e internacional, que empregam mais de 1 milhão de pessoas.

A pesquisa mostrou que 45% das empresas participantes praticam home office e 15% estão avaliando a implantação.

Os segmentos onde a modalidade apresenta maior representatividade (44% do total) são TI/telecom (28%) e serviços (16%). E as áreas são tecnologia da informação, recursos humanos marketing, controladoria/finanças e jurídico.

Os principais objetivos para a implantação do home office foram:
  • melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores: 70%
  • mobilidade urbana (rodízio de veículos e diminuição do tempo no trânsito): 63%
  • concessão de benefício para os colaboradores: 47%
  • atração e retenção de talentos: 47%
  • redução de despesas com espaço físico: 36%
  • despesas e aumento de produtividade: 33%
No entanto, o home office é adotado principalmente para níveis de cargos específicos como executivos, diretores, coordenadores e supervisores (52%). Já 25% das empresas adotam para todos os cargos, incluindo os de natureza operacional, e 23% para todos, menos os operacionais.
  • 66% das empresas adotaram o regime parcialmente flexível, com carga horária definida, mas com flexibilidade de horário
  • 22% adotaram a jornada completamente flexível, podendo trabalhar em qualquer horário, já que o trabalho é medido por atividade e resultado
  • 18% adotaram o regime rígido, com hora para começar e terminar
Direitos trabalhistas
De acordo com Bianca Canzi, advogada especialista em direito do trabalho do escritório Aith, Badari e Luchin Advogados, a reforma trabalhista alterou o regimento da modalidade de prestação de serviço, pois agora os empregados não são submetidos ao controle de jornada e não terão direito ao recebimento de horas extras. Contudo, nada impede que o controle de jornada e as horas extras sejam acordados mediante acordo individual.

A nova lei ainda não especificou quem deverá arcar com as despesas relacionadas à aquisição, manutenção e fornecimento dos equipamentos necessários para o trabalho, sejam tecnológicos ou referentes à infraestrutura. Dessa forma, essa responsabilidade deverá estar prevista no contrato de trabalho. Além disso, o empregado segue com todos os direitos trabalhistas previstos, como férias, 13º salário, aviso prévio e as verbas rescisórias previstas pela lei trabalhista.

A advogada ressalta que a lei deixa clara a responsabilidade do empregador de instruir os trabalhadores sobre as precauções que devem ser tomadas para evitar doenças ocupacionais e acidentes, o que deve ser feito de “maneira expressa e ostensiva”. O trabalhador deverá assinar um termo de responsabilidade, comprometendo-se a seguir as instruções repassadas.

“As empresas devem buscar a transição entre antigos e novos modelos, não apenas do ponto de vista tecnológico, mas de cultura interna para prevenir possíveis problemas na Justiça do Trabalho. Muitas têm buscado conciliar tanto o trabalho tradicional como o home office, ao permitir que empregados trabalhem em casa em alguns dias da semana ou apenas às sextas-feiras, por exemplo”, diz a advogada.

Gestão do home office
Para Renato Grinberg, diretor geral da Tiger Consulting, a gestão de funcionários deve envolver métricas e mecanismos para checar se as metas estão evoluindo conforme planejado, além de desenvolver alto grau de confiança entre líderes e funcionários e ter algum tipo de contato presencial de tempos em tempos para evitar uma desconexão com quem está trabalhando de casa.

Grinberg alerta que, para quem faz home office, além do risco de perder a disciplina e se tornar menos produtivo, existe outro risco que é o de transformar qualquer período em horário de trabalho.

Nesses casos, o home office acaba se tornando um “office at home”, ou seja, a casa do profissional se torna a empresa e isso acaba tirando os potenciais benefícios da modalidade.
“Para que isso não aconteçam a questão fundamental é manter disciplina com os horários. Exceções podem obviamente ocorrer, contanto que a exceção não vire a regra. Para aqueles que são mais quantitativos, a minha métrica é permitir até duas exceções por semana. Se ocorrer mais do que isso, cuidado. Talvez você não esteja trabalhando de casa e sim transformando sua casa em um ambiente de trabalho”, aponta.  
Dicas para ser produtivo
No home office, é preciso desconsiderar opções como o sofá da sala ou a cama do quarto, já que eles podem acabar com qualquer desejo de cumprir com as demandas de trabalho — Foto: Dillon Shook/UnsplashNo home office, é preciso desconsiderar opções como o sofá da sala ou a cama do quarto, já que eles podem acabar com qualquer desejo de cumprir com as demandas de trabalho — Foto: Dillon Shook/Unsplash

Os profissionais que trabalham em casa precisam evitar uma série de distrações a fim de não perder o ritmo do escritório. Pensando nisso, Paulo Marchetti, CEO da Compara, marketplace de seguros e produtos financeiros que já investe na modalidade de trabalho fora do escritório, listou abaixo 5 dicas de produtividade para quem faz home office.

Crie a própria agenda, com horários pré-definidos
Fazer home office não significa, exatamente, trabalhar no horário de sua preferência. É importante alinhar um horário com a sua equipe, em que todos estarão online.

Geralmente, as empresas respeitam as escalas de um dia normal de trabalho. Ter um comprometimento com uma hora para começar e terminar vai ajudar a estabelecer uma disciplina, além de evitar distrações como a TV ou pendências pessoais.

Reserve um local tranquilo e confortável para trabalhar em casa
É importante ter um lugar apropriado para trabalhar em casa, um espaço que seja cômodo, organizado e silencioso para que você se dedique às tarefas do dia a dia. Por isso, desconsidere opções como o sofá da sala ou a cama do quarto, já que eles podem acabar com qualquer desejo de cumprir com as demandas de trabalho. Monte uma escrivaninha ou crie um escritório na sala mesmo – e negocie com familiares para que a sua presença em casa não seja um sinônimo de disponibilidade para momentos de lazer ou tarefas domésticas.

Esqueça as distrações como TV e redes sociais
Estar em casa durante uma tarde inteira pode ser uma tentação se você é fã de séries ou ama um programa de auditório na TV. Caso você não trabalhe nessa área, é importante evitar essas distrações. Outro fator que pode dispersar no home office são as redes sociais. Se a vontade de entrar nelas for grande, estabeleça pausas periódicas no trabalho para fazer isso.

Vista-se de forma apropriada
A forma como você se veste diz muito sobre como enfrenta os desafios do trabalho e que tipo de mensagem gostaria de compartilhar com o time. Quando estiver em home office, mantenha o dress code de um dia normal no escritório. Vista-se de maneira apropriada, como se fosse ter uma reunião com um dos seus líderes na empresa. E, certamente, numa ocasião como essa, você não iria de pijama.

Respeite o fim do expediente
Se você tem um horário para começar a trabalhar, é também importante estabelecer um fim para seu expediente. Apesar de você estar em casa, não trabalhe até altas horas da noite. Respeite seu horário e concentre-se para realizar todas as tarefas dentro dele. Ao fim do dia, desligue seu computador e aproveite o tempo livre para se dedicar a compromissos pessoais.

Solidão
O home office pode ajudar a desencadear epidemia de solidão e perda de produtividade nas empresas, tornando-se o vilão da saúde mental nas organizações, aponta recente estudo realizado pela consultoria global de gestão estratégica A.T. Kearney.

A análise revela a tendência a uma epidemia de solidão entre os trabalhadores nos próximos cinco anos, e ela deve ter como gatilho, entre outros fatores, o uso indiscriminado do trabalho remoto. O estudo revela ainda que a geração mais jovem é a que se sente mais só e sugere políticas corporativas para gerar senso de pertencimento nos colaboradores.

Segundo a análise, fatores como as mudanças de padrões e comportamento nos ambientes mais modernos de trabalho e o uso excessivo das redes sociais, entre outros, darão a essa tendência de solidão o status de epidemia. E, além do impacto na saúde física e mental, ela também acarretará a perda de produtividade nas empresas.

De acordo com o estudo, a solidão e o reduzido senso de pertencimento no ambiente de trabalho devem impactar o ambiente corporativo como um todo. A análise indica ainda que o número de trabalhadores remotos cresceu 115% entre 2008 e 2018 em nível global, e são justamente esses colaboradores os mais propensos a desistir do trabalho por causa da solidão.

"É fundamental promover ações de socialização, como happy hours, reuniões e treinamentos presenciais para despertar nos colaboradores o sentimento de que eles são parte do grupo e importantes para a empresa", sugere Sandra Strongren, gestora da área de Recursos Humanos da A.T. Kearney no Brasil.

"Outra boa prática é a adoção de programas de mentores. O colaborador escolhe alguém mais sênior para que seja uma espécie de tutor dentro da companhia. É para essa pessoa que ele pedirá conselhos sobre sua vida profissional", diz Sandra, lembrando que esse tipo de política ajuda a desenvolver no funcionário os sensos de direcionamento, inclusão e propósito.

O estudo da A.T. Kearney aponta ainda que ter amigos no trabalho importa, especialmente para os profissionais mais novos. Segundo o levantamento, 74% da Geração Z (nascidos a partir de 1995) e 69% dos Millenials (1980 - 1994) dizem que tendem a ficar numa companhia quando têm mais amigos ali. Os índices caem para 59% dos trabalhadores da Geração X (1965 - 1979) para e 40% entre os Baby Boomers (1945 - 1964).

Impacto positivo
Pesquisa divulgada pela Catho revela que 25% dos entrevistados trabalham em casa pelo menos uma vez por semana. Veja abaixo:
  • uma vez por semana (9%)
  • de uma a duas vezes por semana (6%)
  • de duas a três vezes por semana (3%)
  • mais de três vezes por semana (7,5%)
Ainda de acordo com o estudo, a produtividade se destacou entre os profissionais que trabalham em home office. Para 72% os impactos são positivos, enquanto para 24,5% são neutros.

Para Maiara Tortorette, gerente da Catho, para um futuro próximo, o conceito de confiança será cada vez mais presente. A relação será construída por meio de resultados e entregas, sem ter como base as tradicionais 44 horas semanais dentro de um escritório.

"A inserção desse modelo de trabalho será inevitável, principalmente com a expansão dos negócios ligados à área de tecnologia. Na Catho, por exemplo, já incorporamos o trabalho remoto até três vezes por semana e, alguns times, já são formados remotamente, se interligando de diferentes locais do Brasil com um único propósito", afirma.

=.=.=.= =---____---------   ---------____------------____::_____   _____= =..= = =..= =..= = =____   _____::____--------------______---------   -----------____---.=.=.=.= =