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domingo, 24 de junho de 2018

Oito razões pelas quais o plástico conquistou o mundo

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Maleabilidade, praticidade e higiene fizeram desse material um queridinho dos humanos por mais de um século - até seu uso começar a sair do controle.
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BBC
Por BBC 
O plástico é hoje um conhecido vilão do meio ambiente. Ele demora a se decompor e vem poluindo cada vez mais os oceanos, sendo uma ameaça à vida marinha - a ponto de diversas cidades, como Rio de Janeiro, "declararem guerra" aos canudos ou a outros itens plásticos de uso único.

E como será que esse material se tornou tão presente no nosso cotidiano?
O cientista de materiais e apresentador Mark Miodownik analisa a complicada relação humana com o plástico e sua importância na vida moderna:
A versatilidade do plástico o tornou amplamente usado (Foto: Reprodução/Pequenas Empresas & Grandes Negócios) A versatilidade do plástico o tornou amplamente usado (Foto: Reprodução/Pequenas Empresas & Grandes Negócios)

1. Os primeiros plásticos substituíram o marfim
Surpreendentemente, o primeiro plástico comercial foi feito de algodão.

Em 1863, o marfim de elefantes, então amplamente usado para produtos cotidianos, como candelabros, guarda-chuvas, bolas de sinuca e teclas de piano, estava se tornando escasso. Para enfrentar a carência do material, um fabricante americano de bolas de sinuca ofereceu US$ 10 mil a qualquer inventor capaz de encontrar uma alternativa.

O inventor amador John Wesley Hyatt aceitou o desafio e começou a experimentar materiais feitos de lã de algodão e ácido nítrico.

Acabou inventando o nitrocelulose, que chamou de "celuloide", um material amarelado maleável capaz de tomar formas distintas.

No entanto, as bolas feitas de celuloide eram levemente explosivas e produziam um barulho alto quando se chocavam entre si.

De qualquer modo, a invenção de Hyatt acabou tendo milhares de usos distintos - tanto que a celuloide comercial acabou permitindo o desenvolvimento do filme cinematográfico. O que nos leva para o item 2...
Plástico descartável é conveniente, mas cobra seu preço do meio ambiente (Foto: José Marcelo/ G1 PI)Plástico descartável é conveniente, mas cobra seu preço do meio ambiente (Foto: José Marcelo/ G1 PI)

2. O plástico pavimentou o caminho do cinema
O primeiro carretel de filme para cinema era, na verdade, feito de papel.
A maleabilidade e a força da celuloide faziam dela o material perfeito para aumentar a praticidade da produção cinematográfica.

Esse plástico inflamável se destacava porque poderia ser confeccionado em longas tiras e pintado com químicos que mudavam conforme a presença da luz.

Por isso, a celuloide acabou permitindo a ampla produção e distribuição de filmes da indústria de Hollywood.

3. Baquelite: Um material de mil usos
Em 1907, entrou em cena o baquelite, uma resina sintética que era subproduto da queima de carvão.

Era um material quebradiço e de coloração marrom-escura, mas com benefícios: podia ser moldado em formatos distintos e era muito duradouro.

Além disso, sua propriedade como isolante elétrico o tornava perfeito para instalações, tomadas e soquetes de luz.

O baquelite abriu caminho para o desenvolvimento de outros plásticos sintéticos que viriam nos 50 anos seguintes.

4. O plástico influenciou a Segunda Guerra Mundial
Nos anos 1930 e 1940, cientistas petroquímicos criaram diversos plásticos novos, inclusive o polietileno, que teve um papel vital na Segunda Guerra Mundial: era usado para isolar as longas linhas elétricas usadas pelos radares aéreos das forças aliadas (formadas primordialmente por Reino Unido, Estados Unidos, União Soviética e China), ajudando-os, por exemplo, a proteger a frota naval britânica no oceano Atlântico.
"(O plástico) deu aos nossos (militares) uma vantagem, e há quem diga que ele contribuiu para o desfecho da guerra", diz Susan Lambert, curadora do Museu do Design em Plástico na Universidade de Artes de Bournemouth, na Inglaterra.
O material teve incontáveis usos militares: o nylon serviu para substituir a seda na fabricação de paraquedas; o acrílico foi usado nas janelas de compartimentos de tiro dos tanques e capacetes de plástico tomaram o lugar dos de metal, que eram mais pesados.
A invenção de novas utilidades também coincidiu com um crescimento exponencial da indústria plástica.

5. A música pôde ser gravada
Até meados do século 19, só era possível escutar música que fosse tocada diretamente dos instrumentos musicais.
Isso mudou com o clindro fonográfico, inventado por Thomas Edison em 1877.

Feitos de cera, os primeiros cilindros permitiram a gravação e a reprodução do som, mas a mudança para o plástico aumentou drasticamente a vida útil das gravações, permitindo que elas fossem tocadas por anos e anos.

Vieram depois os discos de vinil, as gravações em cassete e os CDs, tornando a música acessível ao público em grande escala - tudo graças ao plástico.
O plástico permitiu que a música fosse gravada e reproduzida (Foto: Reprodução/TV Globo) O plástico permitiu que a música fosse gravada e reproduzida (Foto: Reprodução/TV Globo)

6. Hospitais se tornaram mais higiênicos
Ao adicionar químicos extras ao plástico, inventores descobriram que conseguiam deixá-lo mais elástico e maleável.

Essas propriedades o tornaram perfeito para equipamentos hospitalares e, assim, garrafas de vidro e tubos de borracha - difíceis de serem esterilizados e suscetíveis a rachaduras - foram substituídos por bolsas de sangue e tubos plásticos.

Além disso, seringas descartáveis facilitaram a higiene em hospitais e ajudaram a salvar vidas.

7. Descarte conveniente
Depois da Segunda Guerra Mundial, a indústria petroquímica viveu grande expansão, desenvolvendo dezenas de novos materiais plásticos. Foi a chamada "revolução do plástico".
Economias de escala tornaram o material muito barato quando fabricado em grandes quantidades.

Por volta dos anos 1960, surgiu o plástico de uso único - canudos, copinhos, colheres e etc -, que conquistou consumidores por ser completamente descartável e livrá-los da tarefa de ter que lavar louças após a festa de aniversário.
Nasceu aí a cultura do descartável, que cobraria um alto preço do meio ambiente.

8. Plástico reduz o desperdício de comida
Segundo a FAO, braço da ONU para alimentação e agricultura, a América Latina e o Caribe perdem ou desperdiçam anualmente 15% dos seus alimentos disponíveis.
E um aliado contra o desperdício é a embalagem plástica.

"Uma das grandes vantagens dessas embalagens é a quantidade de tempo adicional que elas dão às pessoas para levar o alimento (produzido) no campo até a gôndola do supermercado", diz o cientista de materiais Phil Purnell. "Isso nos permite proteger alimentos no transporte."
Embalagens plásticas foram cruciais no transporte e armazenamento de alimentos (Foto: Fabio Rodrigues/G1)Embalagens plásticas foram cruciais no transporte e armazenamento de alimentos (Foto: Fabio Rodrigues/G1)

O que deu errado?
Hoje, porém, nossa dependência de produtos plásticos baratos, rapidamente descartáveis e extremamente duradouros gerou um problema ambiental grave, sobretudo nos oceanos, onde vai parar grande parte dos produtos descartados - e onde eles permanecem por décadas ou séculos.

Os oceanos recebem, a cada minuto, o equivalente a um caminhão cheio de plástico. É crucial, portanto, mudar a forma como usamos e valorizamos esse material.

O mantra que tem guiado isso é reduzir o consumo, reutilizar o que já existe e reciclar o que precisar ser descartado.
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    sábado, 23 de junho de 2018

    Cientistas explicam por que o gotejar da torneira tem um barulho tão característico

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    Bolha de ar atua como alto-falante acústico, diz estudo publicado na 'Scientific Reports'. Autor da pesquisa decidiu estudar fenômeno após não conseguir dormir na casa de um amigo. 
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    France Presse
    Por France Presse 






















    Barulho de gota da torneira é incômodo para muitos -- e para o autor do estudo publicado na 'Scientific Reports" (Foto: Jonathans Lins / G1) 

    O mistério que se esconde por trás do incômodo do barulho do gotejar de uma torneira acaba de ser dissipado por um grupo de pesquisadores, que propõem um remédio simples para solucioná-lo: o detergente líquido.

    Segundo os cientistas, não é a gota em si que provoca o barulho, mas uma bolha de ar que é criada quando a gota cai sobre a superfície, destacam esses pesquisadores em um estudo publicado na "Scientific Reports" nesta sexta-feira (22).

    "Sem a bolha não há barulho", explica à AFP Peter Jordan, pesquisador CNRS no Instituto Prime e coautor do estudo."

    Essa bolha de ar faz a superfície da água vibrar. Ela atua como um alto-falante acústico, o que gera o ruído que todos conhecemos", conclui.

    Um "ploc ploc" breve, claro e agudo que rapidamente se torna um barulho incômodo durante a noite.

    Autor do estudo não conseguia dormir com o barulho
    Um dos autores do estudo, Anurag Agarwal, do Departamento de Engenharia da Universidade de Cambridge, disse que se interessou pelo tema depois de se ver diante do irritante ruído na casa de um amigo.

    "Quando não conseguia dormir por culpa do barulho da água comecei a refletir sobre o problema", lembra Agarwal. 

    Falou da questão com dois pesquisadores e "nos surpreendemos ao descobrir que ninguém havia realmente encontrado a causa deste barulho", assegura Anurag Agarwal, citado no comunicado da Universidade de Cambridge.

    No momento do impacto, é formada uma espécie de cavidade, depois surge um pequeno jato de líquido e cria-se uma bolha de ar.

    Até agora, a nível sonoro, os cientistas haviam se focado mais no barulho produzido pela queda da gota na água do que no que é gerado no ar, destaca Peter Jordan.

    Detergente pode resolver 'problema'
    Os pesquisadores registraram com um microfone o som propagado no ar e com um hidrofone captaram o som disperso na água.

    A fim de modificar as propriedades elásticas do líquido, adicionaram detergente líquido à água. "Constatamos que isso impedia a formação da bolha de ar e que não havia mais barulho", explica Jordan. 

    "Um pouco de detergente líquido na água pode potencialmente resolver o problema", concluem.
    "Nosso estudo, no entanto, é válido para uma certa velocidade de impacto e um certo tamanho da gota de água". 
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    sexta-feira, 22 de junho de 2018

    Cientistas descobrem composto que imobiliza célula do câncer e impede metástase

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    Estudo testou nova estratégia contra o espalhamento de tumores pelo organismo; em vez de matar a célula, pesquisadores primeiro impediram que elas se movimentassem.
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    Por G1 















    O cientista Raymond Bergan e equipe em laboratório no Instituto OHSU Knight Cancer, no estado de Óregon (EUA) (Foto: Kristyna Wentz-Graff/OHSU)

    Uma nova pesquisa publicada na revista "Nature Communications" nesta sexta-feira (22) abre novos caminhos para impedir que o câncer se espalhe para outras áreas do organismo. Em estratégia inédita, cientistas "congelaram" a célula cancerígena para que ela não se movimentasse.

    Trata-se de uma mudança de perspectiva na luta contra o câncer, dizem os cientistas. Isso porque, na maior parte das pesquisas em oncologia, os esforços se concentram mais em matar o tumor.

    Os testes foram feitos com a molécula KBU2046, composto que inibiu o movimento de células do câncer em quatro diferentes tipos de células do câncer humanas: câncer de mama, próstata, colorretal e pulmão.

    "O movimento é a chave. Se as células cancerígenas se espalharem por todo o seu corpo, elas vão tirar sua vida. Podemos tratar, mas esse movimento vai tirar sua vida", diz em nota Raymond Bergan, professor de oncologia médica no Instituto OHSU Knight Cancer (EUA).

    "Estamos estudando uma maneira completamente diferente de tratar o câncer", conclui Bergan.

    O cientista explica que ele e a sua equipe fizeram diversos estudos na química para pensar um composto que só inibiria o movimento de células do câncer -- e não tivesse nenhum outro efeito em células saudáveis. 
















    Terapia tem o objetivo de imobilizar a célula para que ela seja incapaz de atingir outros órgãos no organismo (Foto: Pixabay/Creative Commons/Qimono) 

    Bergan cita ainda que o laboratório de Karl Scheidt, professor de química e farmacologia da Universidade de Northwestern, foi o responsável por pensar em novos compostos que pudessem impedir a motilidade de tumores. O desafio era encontrar substâncias com poucos efeitos colaterais.

    "Começamos com uma substância química que impedia as células de se moverem. Depois, sintetizamos o composto várias vezes para que ele fizesse um trabalho perfeito de parar as células sem efeitos colaterais", diz Karl Scheidt, em nota. 

    Scheidt explica que o KBU2046 se liga a proteínas das células de forma específica para somente impedir o movimento. Não há uma outra ação sobre as estruturas celulares, o que diminui os efeitos colaterais e a toxicidade. "Levamos anos para descobrir", comemora, em nota.

    Pesquisadores almejam que a droga possa ser administrada em cânceres iniciais para diminuir ao máximo que o tumor se espalhe para o resto do corpo e o paciente tenha um tumor intratável no futuro.

    Cientistas estimam que serão necessários dois anos e US$ 5 milhões para que os primeiros testes sejam realizados em seres humanos.
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