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quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Irã pode "prolongar guerra" até Trump sair do cargo, diz guarda do país

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Assessor da Guarda Revolucionária afirma estratégia para causar desgaste e garantir segurança nacional, mirando no próximo mandato presidencial
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https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/
12/08/26 às 13:22 | Atualizado 12/08/26 às 13:22
Postado em 12 de Agosto de 2.026 às 13h40m

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Agentes armados das forças especiais da polícia iraniana monitoram uma área enquanto estão em um veículo militar blindado em frente a uma bandeira do país durante uma manifestação pró-governo no centro de Teerã, Irã, em 12 de janeiro de 2026
Agentes armados das forças especiais da polícia iraniana monitoram uma área enquanto estão em um veículo militar blindado em frente a uma bandeira do país durante uma manifestação pró-governo no centro de Teerã, Irã, em 12 de janeiro de 2026  • Morteza Nikoubazl/NurPhoto via Getty Images

O Irã poderia "prolongar" a guerra com os Estados Unidos até que o presidente Donald Trump deixe o cargo, afirmou um importante assessor do comandante da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã.

"Precisamos alcançar a dissuasão para que o inimigo nunca ouse nos atacar, para que possamos viver em segurança", disse Mohammad Reza Naqdi à rede de televisão americana PBS em uma entrevista publicada na terça-feira (11).

"Uma maneira é prolongar esta guerra até o próximo mandato presidencial e causar desgaste, para que, se alguém quiser atacar o Irã, saiba que haverá consequências."


Naqdi atuou como vice-coordenador da Guarda Revolucionária Islâmica de 2019 a 2025, um cargo de alto escalão responsável pela coordenação em toda a organização.

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Atualmente, ele é assessor sênior do comandante da Guarda Revolucionária Islâmica, uma posição que confere menos autoridade de comando, mas que provavelmente preserva o acesso à cúpula da organização.

Questionado se acredita que o Irã está atualmente no controle da guerra, Naqdi respondeu: "Certamente, a vitória está do nosso lado."

Washington está conduzindo uma “guerra sem estratégia”, declarou ele. “A cada dois ou três dias, eles anunciam um novo objetivo, incluindo a invasão da Ilha de Kharg e a reabertura do Estreito de Ormuz”, continuou o assessor.

“Quanto mais essa guerra durar, mais experiência ganharemos. Nunca tínhamos visto uma guerra de verdade para adquirir experiência real e aprender a lutar contra os Estados Unidos. Nestes cinco meses, aprendemos como”, acrescentou Naqdi. “Também vimos como as forças armadas americanas são mais fracas do que imaginávamos.”

O assessor discutiu o bombardeio de navios no Estreito de Ormuz, afirmando que, se as embarcações estão navegando por uma área fora do controle do Irã, “pode ser que estejam transportando suprimentos para o inimigo”.

Sobre mísseis, Naqdi disse que o Irã fabrica mais dessas armas do que usa diariamente.

“Se chegar o dia em que o Irã não tiver mais mísseis, aí sim seremos ainda mais perigosos para os Estados Unidos. Porque os Estados Unidos têm milhares de interesses econômicos em todo o mundo, e todos eles podem ser facilmente destruídos", declarou ele.

Relembre como começou a guerra no Irã

No dia 28 de fevereiro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou um ataque "de grande escala" ao Irã, afirmando que o principal objetivo do país era "defender o povo americano, eliminando as ameaças iminentes do regime iraniano".

Segundo ele, essas ameaças incluíam o programa nuclear de Teerão – um ponto de atrito recorrente que também tem dificultado as negociações mais recentes para pôr fim aos combates.

Os ataques conjuntos dos EUA e de Israel contra o Irã — que resultaram na morte do então líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei — causaram milhares de mortes em todo o país e danos a dezenas de museus, edifícios históricos e sítios culturais, segundo veículos de imprensa e autoridades iranianas.

Em resposta, o Irã lançou uma série de ataques retaliatórios em todo o Oriente Médio e fechou efetivamente o Estreito de Ormuz, uma via navegável estratégica onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.

Semanas antes do início da guerra, o governo Trump realizou o maior acúmulo militar no Oriente Médio desde a invasão do Iraque em 2003, desencadeando alertas sobre a escalada da violência regional caso um conflito eclodisse.

Ao mesmo tempo, enviados dos EUA mantinham conversas regulares com o Irã sobre um possível novo acordo nuclear. Mas essas negociações não foram capazes de evitar uma ação militar, com Trump acusando o Irã na época de rejeitar “todas as oportunidades de renunciar às suas ambições nucleares”.

O início da guerra em fevereiro também ocorreu após protestos em massa contra o regime no Irã no mês anterior, alimentados pelo descontentamento econômico em meio ao aumento vertiginoso dos custos.

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Análise: Fuga secreta de Trump expõe contradições da guerra contra o Irã

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Uso de jato alternativo para deixar a Turquia após a cúpula da Otan revela nova crise política para o presidente dos Estados Unidos
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Stephen Collinson, da CNN
12/08/26 às 11:15 | Atualizado 12/08/26 às 11:57
Postado em 12 de Agosto de 2.026 às 12h20m

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Donald Trump embarca no Air Force One  • Kevin Lamarque/Reuters

O uso de um caminhão de catering pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em uma fuga secreta em meio a uma ameaça do Irã é o mais recente episódio embaraçoso de uma guerra que repetidamente desafia suas declarações de vitória.

O Serviço Secreto cumpriu seu papel ao usar qualquer método necessário para retirar Trump da Turquia em julho, utilizando, no fim, um jato alternativo ao que vem trazendo presidentes de volta para casa com segurança desde os anos 1990.

Mas as revelações tardias sobre o drama, divulgadas primeiro pelo Washington Post, desencadearam uma grande tempestade política. De forma mais significativa, a manobra evocou novas imagens prejudiciais sobre uma guerra impopular que Trump não consegue encerrar.


A existência de uma potencial ameaça contra o presidente não significa, por si só, que sua guerra contra o Irã é um fracasso. Mas o espetáculo de ele partir incógnito após uma cúpula da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) provavelmente será interpretado no exterior como um novo ultraje ao poder americano.

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Isso também levanta a seguinte questão: se Trump não consegue garantir sua própria segurança no território de um grande aliado, como a afirmação de seu governo de que praticamente obliterou a capacidade militar do Irã e a ameaça terrorista regional pode ser plenamente acreditada?

O Irã ainda não se manifestou. Mas seu aparente sucesso em forçar metaforicamente Trump a se esconder é um golpe de propaganda. Apesar de toda a bravata do presidente, o regime não parece estar caminhando para o colapso nem implorando por um acordo.

As peripécias no aeroporto de Ancara são apenas a mais recente ocasião em que a realidade zombou da narrativa otimista de guerra da administração.

Trump, na segunda-feira (10), por exemplo, insistiu mais uma vez que o Estreito de Ormuz estava "aberto agora". No entanto, a hidrovia crítica permanece efetivamente sob o controle do Irã, o que significa que as forças americanas vêm lutando há meses para retornar ao status quo — e ao estreito aberto — que prevalecia antes da guerra.

Todos perderam a conta das previsões de Trump de que um acordo é iminente, apenas para o impasse continuar se arrastando.

Em outro sinal de aparente desorganização estratégica dos EUA, a guerra que Trump declarou vencida após alguns dias esgotou seriamente os estoques de mísseis americanos, incluindo quase 80% dos interceptores de um sistema-chave de defesa antimíssil, informou a CNN na semana passada.

Trump "odeia qualquer coisa assim"

Curiosamente, dada a sua posição, os presidentes frequentemente transitam por locais pouco glamorosos, já que as precauções de segurança os obrigam a entrar em edifícios por garagens subterrâneas, entradas de serviço, cozinhas e elevadores de carga. Portanto, até mesmo o chefão do dourado Mar-a-Lago pode não ter ficado tão chocado ao se aventurar em um caminhão hidráulico de catering em Ancara.

Mas a saída clandestina de Trump da Turquia combina mal com a autoimagem do presidente como vencedor e homem forte.

Mesmo ensanguentado e desgrenhado após uma tentativa de assassinato em 2024, ele se levantou, ergueu o punho e disse "lute, lute." Quando um atirador tentou invadir o Jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca em abril, Trump foi à televisão para insistir que não se deixaria intimidar e que o show deveria continuar.

"Donald Trump odeia absolutamente qualquer coisa assim", disse Alyssa Farah Griffin, diretora de comunicações do presidente em seu primeiro mandato, ao apresentador Phil Mattingly da CNN no programa "The Lead", na terça-feira (11). "Ele odiava quando tinha que ir para o bunker por causa do ambiente de ameaças na Casa Branca… Ele queria voltar imediatamente para mostrar que não estava com medo, que não estava fugindo."

Griffin, agora comentarista da CNN, acrescentou: "Isso me diz que esta era uma ameaça muito real. Se ele está disposto a tomar essas medidas e a fazê-lo. Isso fala sobre o momento em que estamos no Oriente Médio."

A troca sorrateira de Trump na pista de decolagem também alimentou nova controvérsia sobre a frota de aviões presidenciais, já que ele havia anteriormente abandonado os planos de voar em seu novo jato vermelho, branco e azul doado pelo Qatar, sobre o qual críticos alertam que carece de sistemas de segurança suficientes para um presidente. O presidente e a Casa Branca negaram que uma ameaça os tenha levado a recorrer a uma aeronave reserva.

Há ainda a questão de saber se assessores, agentes do Serviço Secreto, jornalistas e tripulantes correram perigo de morte ao decolar em um avião que Trump havia sido mostrado na televisão embarcando minutos antes — antes de partir secretamente.

Na terça-feira (11), Trump foi questionado por repórteres sobre por que era considerado perigoso demais para ele voar em um dos aviões normalmente utilizados como Air Force One, enquanto o mesmo não se aplicava aos membros da imprensa.

"O avião em que eu voei estava em maior risco … porque seria o avião, eu acho, que eles teriam mais probabilidade de atacar", disse o presidente.

Mas seu comentário não respondeu à questão em pauta, pois ao embarcar no jato presidencial, ele deu toda a impressão de que planejava viajar nele — antes de sua partida não anunciada.

O governador de Illinois, JB Pritzker, um possível candidato presidencial democrata em 2028, disse à Erin Burnett, da CNN, na terça-feira, que Trump "colocou pessoas em perigo para se salvar — é isso que Donald Trump é".

Pritzker então relacionou o incidente à guerra mais ampla, dizendo: "Ele está disposto a colocar tropas em perigo… ele se esgueirou literalmente em um caminhão de catering enquanto os repórteres e sua própria equipe estavam em um avião que aparentemente estava sob ameaça".

Os comentários de Pritzker colocaram o drama no centro da batalha eleitoral de meio de mandato. E provavelmente haverá investigações se os democratas vencerem uma ou ambas as câmaras do Congresso em novembro.

Trump pode passar o resto de sua vida enfrentando ameaças do Irã

Trump, que sobreviveu a pelo menos duas tentativas diretas de assassinato, provavelmente passará o resto de sua vida sob a ameaça de um ataque do Irã. Sua exposição remonta ao seu primeiro mandato, quando ordenou um ataque que matou o general iraniano Qasem Soleimani. O incentivo do Irã cresceu quando o líder supremo Ali Khamenei foi morto em ataques aéreos dos EUA e de Israel no início da guerra atual.

Demonstrações coreografadas de desafio no funeral de Khamenei, em julho, viram manifestantes exigir a morte do presidente. Portanto, há boas razões para o Serviço Secreto levar a sério qualquer informação sobre possíveis ataques. Houve relatos anteriores de assassinatos de iranianos contrários ao governo de Teerã na Turquia, e o regime iraniano tem sido um dos exportadores de terrorismo mais proeminentes do mundo.

"Acho totalmente plausível que possa haver uma ameaça séria ao presidente por parte de alguma entidade apoiada pelo Irã. Os EUA, o Reino Unido e vários estados europeus frustraram ou interromperam ataques apoiados pelo Irã ao longo dos últimos anos, francamente remontando a décadas", disse a tenente-general aposentada do Exército dos EUA Karen Gibson no programa "The Lead", na terça-feira. "Eles demonstraram intenção e capacidade de fazer isso."

Trump alertou em julho que mil mísseis estavam "travados e carregados e apontados para a República Islâmica do Irã, com milhares de outros para seguir imediatamente" caso ela tentasse ou conseguisse assassiná-lo. Na prática, qualquer resposta à morte de um presidente não seria decidida por ordens que ele deixou para trás, mas por seu sucessor, neste caso, o vice-presidente JD Vance. A necessidade de restaurar a dissuasão e a credibilidade dos EUA provavelmente exigiria uma escalada massiva americana.

Ainda assim, é notável que Trump não tenha respondido à sua saída indecorosa da Turquia com uma reação emocional própria. Talvez seu sucesso em manter o assunto em sigilo até agora tenha preservado as aparências. Mas ele também consistentemente chegou a encruzilhadas e recuou diante de expansões de missão que poderiam resultar em pesadas baixas americanas.

É possível que as ações do Serviço Secreto na Turquia tenham evitado um ataque que poderia ter arrastado os EUA para um atoleiro ainda mais profundo.

Mas a fuga furtiva de Trump da Turquia torna muito mais difícil para ele argumentar que tornou o mundo mais seguro.

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Projeto de 'avião-arraia' promete tornar voos mais baratos; veja como ele será

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Batizado de Z4, aeronave está sendo desenvolvido pela americana JetZero, que planeja fazer primeiro voo com protótipo em 2027. Empresa diz que o modelo reduzirá custos com combustível em até 50%.
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Por Redação g1 — São Paulo

Postado em 12 de Agosto de 2.026 às 05h00m

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Projeto de 'avião-arraia' promete tornar voos mais baratos; veja como ele será
Projeto de 'avião-arraia' promete tornar voos mais baratos; veja como ele será

O projeto de uma nova aeronave tem atraído investidores com um visual que integra a área central às asas em um único componente. A promessa é de que a mudança ajudará companhias aéreas a economizar combustível em voos.

Com um visual comparado ao de uma arraia, o avião Z4 está sendo desenvolvido pela americana JetZero. A empresa Planeja realizar o primeiro voo de um protótipo em escala real em 2027 e iniciar o uso comercial no início da década de 2030.

Baseada na Califórnia, a JetZero anunciou em julho um acordo de US$ 3 bilhões com o governo dos Estados Unidos para financiar a construção de sua fábrica na Carolina do Norte.

A fábrica servirá para acelerar a criação do avião que foge do padrão usado há décadas e pode representar a maior transformação no design de aeronaves desde o antigo Concorde, que deixou de operar em 2003.

O Z4 está sendo projetado para transportar cerca de 250 passageiros distribuídos em seis seções dentro da cabine e oferecer um compartimento de bagagens para cada assento.

Fabricante americana JetZero está projetando o avião Z4 — Foto: Divulgação/JetZero

Em vez das janelas ao lado dos assentos, passageiros terão telas que oferecerão uma visão externa com um sistema de câmeras de alta definição. A iluminação natural virá de duas claraboias que ficarão perto das primeiras fileiras.

A JetZero afirma que o avião poderá fazer voos de até 5.000 milhas náuticas, cerca de 9.200 km – para se ter uma ideia, a distância de voos entre São Paulo e Madri, na Espanha, é de cerca de 8.400 km.

A fabricante diz que o estilo "arraia" melhorará a aerodinâmica do Z4 e fará com que a aeronave reduza o consumo de combustível em 30% a 50% em relação a modelos como o Boeing 787.

Avião Z4 terá telas no lugar das janelas ao lado dos assentos — Foto: Divulgação/JetZero
Avião Z4 terá telas no lugar das janelas ao lado dos assentos — Foto: Divulgação/JetZero

Segundo o Wall Street Journal, críticos do projeto apontam que passageiros próximos às asas poderão sentir mais desconforto durante curvas da aeronave e que a falta de janelas poderá aumentar a sensação de enjoo.

Outra preocupação é a saída de passageiros, já que as portas serão posicionadas em locais diferentes do padrão, o que dificultaria a adaptação em aeroportos projetados para aviões convencionais.

Ainda de acordo com o jornal, a JetZero espera desenvolver o Z4 mais rapidamente ao usar componentes usados em outros aviões e que, por isso, já foram aprovados pela Administração Federal de Aviação dos EUA (FAA), que regula o setor de aviação no país.

A fabricante tem acordos com companhias aéreas como a United Airlines, que planeja comprar 200 unidades do Z4. Empresas como a Delta e a Alaska Airlines também estão apoiando o projeto.

Z4, projeto de avião em desenvolvimento pela americana JetZero — Foto: Reprodução/JetZero


Z4, projeto de avião em desenvolvimento pela americana JetZero — Foto: Divulgação/JetZero
Z4, projeto de avião em desenvolvimento pela americana JetZero — Foto: Divulgação/JetZero

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terça-feira, 11 de agosto de 2026

IPCA: Inflação desacelera para 0,07% em julho com queda nos preços dos alimentos

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No acumulado do ano, a inflação está em 3,44% e, nos 12 meses encerrados em julho, em 4,44%, abaixo dos 4,64% registrados até junho.
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Por Micaela Santos, g1 — São Paulo

Postado em 11 de Agosto de 2.026 às 14h00m


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IPCA desacelera a 0,07% em julho
IPCA desacelera a 0,07% em julho

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, subiu 0,07% em julho, segundo dados divulgados nesta terça-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado representa uma desaceleração em relação a junho, quando a alta havia sido de 0,16%.

No acumulado de 2026, a inflação está em 3,44%. Já nos 12 meses encerrados em julho, a alta é de 4,44%, abaixo dos 4,64% registrados até junho.

  • 🔎 Com o resultado, a inflação acumulada em 12 meses permanece dentro do intervalo de tolerância da meta definida pelo Banco Central (BC). Desde 2025, o sistema de metas contínuas estabelece um objetivo de inflação de 3%, com intervalo de tolerância de 1,50% a 4,50%.

O grupo Habitação teve a maior alta em julho, de 0,99%, puxado principalmente pelo aumento da conta de luz. A energia elétrica residencial subiu 3,09% no mês, ante 1,53% em junho, e sozinha respondeu por 0,13 ponto percentual da inflação.

Já Alimentação e bebidas ajudou a segurar a inflação, com queda de 0,67%. Entre os demais grupos, os preços variaram de uma queda de 0,66% em Vestuário a uma alta de 0,40% em Saúde e cuidados pessoais.

IPCA - Inflação oficial mês a mês — Foto: Arte g1
IPCA - Inflação oficial mês a mês — Foto: Arte g1

Veja o resultado dos grupos do IPCA

  • Alimentação e bebidas: -0,67%;
  • Habitação: 0,99%;
  • Artigos de residência: 0,07%;
  • Vestuário: -0,66%;
  • Transportes: 0,05%;
  • Saúde e cuidados pessoais: 0,40%;
  • Despesas pessoais: 0,22%;
  • Educação: -0,03%;
  • Comunicação: 0,04%.
IPCA - Inflação oficial acumulada em 12 meses — Foto: Arte g1
IPCA - Inflação oficial acumulada em 12 meses — Foto: Arte g1

Alimentos mais baratos ajudam a segurar inflação

Os preços de alimentos e bebidas caíram 0,67% em julho, principalmente por causa da redução de 1,14% nos alimentos comprados para consumo em casa. Entre os produtos que mais ficaram baratos estão:

  • 🍅 tomate (-29,09%),
  • 🥔batata-inglesa (-19,59%),
  • 🥕 cenoura (-14,41%)
  • ☕ café moído (-2,45%).

O tomate foi o produto que mais ajudou a reduzir a inflação no mês. Na outra ponta, o leite longa vida subiu 2,47% e as frutas ficaram 1,20% mais caras.

Já quem comeu fora de casa enfrentou uma alta maior nos preços. A alimentação fora do domicílio subiu 0,55% em julho, contra 0,15% em junho. O preço dos lanches aumentou 0,76%, enquanto o das refeições subiu 0,42%.

Entre as regiões pesquisadas pelo IBGE, Rio Branco teve a maior alta de preços em julho, de 0,32%, principalmente por causa do aumento das passagens aéreas e da energia elétrica.

Belém teve a maior queda, de 0,45%, influenciada principalmente pela redução dos preços da gasolina e do açaí.

O grupo Habitação acelerou de uma alta de 0,63% em junho para 0,99% em julho, principalmente por causa do aumento da energia elétrica residencial, que passou de 1,53% para 3,09%.

A conta de luz foi o item que mais contribuiu individualmente para a inflação do mês, com impacto de 0,13 ponto percentual.

O resultado considera reajustes nas tarifas de energia em algumas cidades:

  • Em São Paulo, uma das concessionárias aumentou as tarifas em 8,85%, a partir de 4 de julho;
  • Em Porto Alegre, o reajuste foi de 14,89%, válido desde 19 de junho;
  • Em Curitiba, de 19,55%, desde 24 de junho.

Além dos reajustes, a conta de luz continuou sendo influenciada pela bandeira tarifária amarela, que acrescenta R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos.

Ainda no grupo Habitação, a taxa de água e esgoto subiu 0,40%, refletindo reajustes aplicados em Salvador, Porto Alegre, Brasília e Rio Branco. Já o gás encanado ficou 0,04% mais barato, devido a uma redução média de 2% nas tarifas no Rio de Janeiro.

Plano de saúde e passagens aéreas ficam mais caros

O grupo Saúde e cuidados pessoais subiu 0,40% em julho, influenciado principalmente pelos produtos de higiene pessoal, que ficaram 0,64% mais caros. O destaque foi o perfume, com alta de 1,04%.

Os planos de saúde também subiram, 0,42%, refletindo os reajustes autorizados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

Já o grupo Transportes teve alta de 0,05%. As passagens aéreas subiram 11,67%, mas o resultado foi parcialmente compensado pela queda de 1,44% nos combustíveis.

O etanol recuou 2,26%, a gasolina caiu 1,37%, o diesel, 1,22%, e o gás veicular, 0,08%.

Economistas veem espaço limitado para novos cortes de juros

Apesar de estar dentro da meta do BC (4,50%), a inflação acumulada em 12 meses (4,44%) ainda está acima do centro da meta, de 3%. Isso significa que o IPCA está dentro da faixa considerada aceitável pelo BC, mas ainda não está no nível que a autoridade monetária considera ideal.

  • 🔎 Por que a inflação importa para os juros? A inflação é um dos principais indicadores observados pelo Banco Central para decidir se deve manter, aumentar ou reduzir a Selic. Quando os preços sobem de forma persistente e as expectativas ficam acima da meta, o BC tende a manter os juros elevados por mais tempo. Quando a inflação está sob controle e as expectativas melhoram, pode haver espaço para reduzir a taxa.

Para Gabriel Magno, especialista em investimentos e sócio da AW Capital, o IPCA de julho veio “levemente acima do esperado”, mas a diferença foi pequena, uma vez que o mercado projetava alta de 0,03%, contra os 0,07% registrados.

Por isso, ele não espera que o resultado altere significativamente a estratégia do Copom para conter os juros.

“Como a diferença entre realizado e projetado pelos analistas foi bem pequena, acredito que o Copom [Comitê de Política Monetária] ainda terá um tom mais cauteloso”, disse. Magno prevê que a Selic termine o ano em 13,75%, o que representaria apenas mais um corte de 0,25 ponto percentual em relação ao nível atual.

Já Joel Freitas, diretor e sócio da M7, avaliou que o cenário de inflação continua relativamente favorável, principalmente porque a taxa acumulada em 12 meses está próxima do teto da meta.

Ele ponderou, porém, que serviços como saúde, educação e alimentação fora de casa continuam pressionados pelo mercado de trabalho aquecido.

Para os próximos meses, Freitas espera uma inflação mais controlada, mas destaca que o comportamento dos alimentos e das tarifas de energia elétrica ainda pode alterar esse cenário.

Segundo ele, o fenômeno climático El Niño também pode representar um risco para os preços dos alimentos, já que mudanças nos regimes de chuva e temperatura podem afetar a produtividade das lavouras, atrasar colheitas e reduzir a oferta de produtos mais sensíveis às condições climáticas.

“Caso esses impactos se confirmem, a atual trajetória de queda dos preços pode perder força ou até se reverter, com reflexos sobre a inflação. Por isso, o fenômeno deve seguir no radar do Banco Central como um possível vetor de pressão inflacionária nos próximos meses”, afirmou Freitas.

Mesmo com a desaceleração dos preços, o Banco Central mantém uma postura cautelosa em relação aos juros. Na ata divulgada nesta terça-feira (11), o Copom afirmou que há “riscos elevados” para a inflação e que o cenário atual exige “serenidade e cautela” na condução da política monetária.

Na semana passada, o BC reduziu a Selic de 14,50% para 14% ao ano, no quarto corte consecutivo. Para a próxima reunião, porém, o Comitê não indicou se continuará reduzindo os juros.

Segundo a ata, a intensidade do ciclo de cortes dependerá da evolução dos indicadores econômicos.

  • 💰 Os gastos públicos podem aumentar o consumo e dificultar a queda da inflação, além de gerar preocupação com a dívida do governo;
  • 🛢️ O BC também monitora fatores externos, como a alta do petróleo em meio à guerra no Oriente Médio, e climáticos, que podem encarecer produtos e se espalhar para outros preços.
  • 📈 Outro ponto de atenção são as expectativas: as projeções do mercado para os próximos anos continuam acima da meta, o que pode levar o BC a manter os juros altos por mais tempo.
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