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quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Vendas de elétricos e híbridos sobem 26% em 2025, e crescem 10 vezes mais que o mercado

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Foram 220 mil veículos eletrificados emplacados em 2025, puxados pelos modelos híbridos plug-in. Fábricas da BYD e GWM, recém-inauguradas no país, devem ampliar ainda mais as vendas para este ano.
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Por André Fogaça, g1 — São Paulo

Postado em 08 de Janeiro de 2.026 às 06h00m
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 — Foto: João Pantoja/Rede Amazônica
— Foto: João Pantoja/Rede Amazônica

A venda de carros elétricos e híbridos cresceu 26% em relação ao número de emplacamentos registrados em 2024. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (6) pela Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE).

Segundo a entidade, foram vendidos 223.192 veículos eletrificados em 2025, ante 177.538 em 2024 e 93.927 em 2023. Na comparação com 2023, o avanço chega a 138%.

O ano também foi marcado pela inauguração das fábricas da BYD e da GWM, além do início da fabricação nacional de modelos elétricos da Chevrolet, que prometem ampliar ainda mais as vendas em 2026. (veja mais abaixo)

O crescimento entre 2024 e 2025 já é expressivo por si só, mas ganha ainda mais destaque quando comparado à previsão de alta de apenas 2,5% para todo o mercado de automóveis da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).

Com isso, o segmento de veículos elétricos e híbridos deve crescer cerca de 10 vezes mais do que o mercado total, que inclui também os modelos movidos a combustão.

A ABVE não inclui na contagem os veículos com sistema híbrido leve, já que esse tipo de tecnologia não utiliza o motor elétrico para movimentar as rodas.

Alguns modelos com esse sistema são:

  • Fiat Pulse;
  • Fiat Fastback;
  • Peugeot 208;
  • Peugeot 2008;
  • Caoa Chery Tiggo 7 Pro;
  • Kia Sportage;
  • Land Rover Defender 110 e 130.

Ao incluir esse tipo de eletrificação no total, foram emplacados 282.252 veículos em 2025. Os híbridos leves responderam por 34% de todas as vendas.

A diferença de 59.060 unidades é superior ao volume registrado por todos os modelos com conjunto híbrido pleno (42.354 unidades).

Entre eles, estão:

  • Honda Civic;
  • Honda CR-V;
  • Toyota Corrolla;
  • Toyota Corolla Cross;
  • Toyota Rav4;
  • Ford Maverick;
  • Hyundai Kona;
  • GWM Haval H6;
  • GAC GS4.

“Ultrapassamos o marco simbólico dos 200 mil veículos eletrificados vendidos num único ano. Em 2016, tínhamos ficado felizes quando atingimos 1.091 unidades e agora, em 2025, chegamos a 223.912. O mercado aumentou 20.423% em apenas 10 anos!”, apontou Ricardo Bastos, presidente da ABVE.

Segundo a ABVE, os veículos eletrificados responderam por 13% das vendas de carros zero km em 2025.

Híbrido plug-in é o preferido do brasileiro

Mesmo com grande parte das vendas concentrada nos híbridos leves, os híbridos plug-in que registraram os maiores volumes. Neles, o motor elétrico move as rodas e garante menor consumo de combustível.

Veja quantos emplacamentos foram feitos por cada tecnologia:

  1. Híbrido plug-in: 101.394 unidades emplacadas;
  2. 100% elétrico: 80.178 unidades emplacadas;
  3. Híbrido leve 12V: 44.459 unidades emplacadas;
  4. Híbrido pleno flex: 21.323 unidades emplacadas;
  5. Híbrido pleno: 21.047 unidades emplacadas;
  6. Híbrido leve 48V: 16.881 unidades emplacadas.
Brasil expandiu a fabricação local em 2025
Fábrica da BYD em Camaçari (BA) — Foto: divulgação/BYD
Fábrica da BYD em Camaçari (BA) — Foto: divulgação/BYD

Em 2025, começaram a operar fábricas de três grandes marcas no Brasil, que devem ampliar a oferta e os emplacamentos de eletrificados no Brasil. A primeira foi a BYD, que inaugurou sua planta em Camaçari (BA), onde a Ford produzia veículos como o EcoSport.

Na unidade do Nordeste são produzidos:

  • BYD Dolphin Mini;
  • BYD Song Pro;
  • BYD King.

A GWM também assumiu e adaptou a unidade fabril que antes pertencia à Mercedes-Benz, em Iracemápolis (SP) — onde a marca alemã produzia modelos como o sedã Classe C e o SUV GLA.

A partir da planta no interior paulista, a fabricante chinesa produz:

  • GWM Haval H6;
  • GWM Haval H9;
  • GWM Poer P30.

Já a GM adotou uma estratégia diferente ao terceirizar a produção de seus modelos elétricos para a Comexport, em Horizonte (CE).

A partir dessa unidade saem modelos como:

  • Chevrolet Spark;
  • Chevrolet Captiva EV.

“Em resumo, os eletrificados são o setor mais inovador e dinâmico do mercado automotivo brasileiro, e o que mais investe em geração de emprego", disse o presidente da ABVE.

Fábrica da GWM em Iracemápolis (SP) — Foto: divulgação/GWM
Fábrica da GWM em Iracemápolis (SP) — Foto: divulgação/GWM

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terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Dólar cai e Ibovespa sobe com atenção à crise na Venezuela e a dados no Brasil e nos EUA

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Na véspera, a moeda americana teve queda de 0,34%, cotada a R$ 5,4054. Já a bolsa teve alta de 0,83%, aos 161.870 pontos.
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Por Redação g1 — São Paulo

Postado em 06 de Janeiro de 2.026 às 09h40m
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Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair

O dólar opera em queda nesta terça-feira (6) e recuava 0,62% por volta das 13h55, cotado a R$ 5,3720. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, avançava 1,29%, aos 163.964 pontos.

Os mercados continuam reagindo às tensões políticas na Venezuela e aos sinais da economia global. Além disso, investidores aguardam a divulgação de dados e discursos no Brasil e nos Estados Unidos, que podem influenciar as projeções econômicas para 2026.

▶️ Em meio às incertezas sobre o futuro da Venezuela, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o país sul-americano não deve realizar eleições nos próximos 30 dias. Ele também sugeriu que o governo americano pode subsidiar esforços de empresas de energia para reconstruir a indústria petrolífera venezuelana.

▶️ No Brasil, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços divulga à tarde os dados da balança comercial de dezembro, com um panorama das exportações e importações no fechamento do ano. O vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin participa de coletiva para comentar os números.

▶️ No cenário externo, além da divulgação do PMI de dezembro dos EUA — indicador que ajuda a medir o ritmo da atividade econômica —, investidores acompanham o discurso de Tom Barkin, presidente do Federal Reserve de Richmond, que pode dar pistas sobre o futuro dos juros americanos.

💲Dólar

  • Acumulado da semana: -0,34%;
  • Acumulado do mês: -1,52%;
  • Acumulado do ano: -1,52%.
📈Ibovespa

  • Acumulado da semana: +0,83%;
  • Acumulado do mês: +0,46%;
  • Acumulado do ano: +0,46%.
EUA x Maduro

A prisão de Nicolás Maduro pelo governo dos EUA troux bastante volatilidade aos mercados ontem (5), e deve continuar influenciando o humor dos investidores.

🔎 A produção venezuelana despencou nas últimas décadas, restringida pela má administração e pela falta de investimentos estrangeiros após a nacionalização das operações petrolíferas nos anos 2000. Com a ação dos EUA, a expectativa de alguns agentes do mercado é a de que o petróleo venezuelano seja liberado e disponibilizado, aumentando a oferta da commodity no mercado internacional.

Apesar disso, Trump declarou ontem que os norte-americanos não estão em guerra com a Venezuela. À emissora americana NBC News, ele também descartou a realização de eleições no país dentro de 30 dias.

O republicano afirmou que os EUA estão em conflito com traficantes, e não necessariamente com a Venezuela. Ele voltou a dizer que outros países estariam enviando criminosos e dependentes químicos para território norte-americano.

Ao ser questionado sobre uma possível transição de poder na Venezuela, o presidente disse que o país precisará ser “consertado” antes da realização de novas eleições. Segundo ele, não há condições de organizar um pleito neste momento.

“Vai levar um tempo. Precisamos cuidar para que o país se recupere”, afirmou.

Enquanto isso, Trump disse que um grupo de autoridades irá supervisionar o governo da Venezuela. Segundo ele, entre os integrantes da equipe estarão: o secretário de Estado, Marco Rubio; o secretário de Defesa, Pete Hegseth; o vice-chefe de gabinete da Casa Branca, Stephen Miller; e o vice-presidente, JD Vance.

Bolsas globais

Os principais índices de Wall Street abriram em alta nesta segunda-feira, com a recuperação das ações de tecnologia e os ganhos dos papéis de empresas petrolíferas após a prisão do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelos EUA em um ataque militar.

As ações de companhias como Exxon Mobil e Chevron subiam com força, assim como empresas de serviços petrolíferos, mesmo com os preços do petróleo recuando diante de temores de excesso de oferta.

O Dow Jones subia 0,19% na abertura, para 48.475,81 pontos. O S&P 500 tinha alta de 0,49%, para 6.892,19 pontos, enquanto a Nasdaq Composite avançava 0,92%, para 23.449.669 pontos.

Os mercados da Europa encerraram o pregão em alta, impulsionados pelo desempenho do setor de defesa, em meio ao aumento das tensões geopolíticas. A perspectiva de elevação nos orçamentos militares sustentou a valorização das ações do segmento, que atingiram o maior nível em quase três meses.

No fechamento, o índice pan-europeu STOXX 600 avançou 0,94%, aos 601,76 pontos, superando pela primeira vez a marca dos 600 pontos.

Entre as principais bolsas, Londres teve alta de 0,54%, com o FTSE 100 aos 10.004,57 pontos. Em Frankfurt, o DAX subiu 1,34%, para 24.868,69 pontos, enquanto em Paris o CAC 40 avançou 0,20%, aos 8.211,50 pontos.

Já as bolsas asiáticas fecharam em forte alta, impulsionadas pelo setor de defesa.

Em Tóquio, ações de fabricantes como IHI Corp e Mitsubishi Heavy Industries dispararam, enquanto o Kospi, na Coreia do Sul, renovou recorde histórico pelo segundo pregão consecutivo, apoiado também por papéis de tecnologia.

No fechamento, o Nikkei subiu 2,97%, a 51.832,80 pontos; o Kospi avançou 3,43%, a 4.457,52 pontos; e o Taiex, em Taiwan, ganhou 2,57%, a 30.105,04 pontos.

Em Hong Kong, o Hang Seng ficou praticamente estável, com alta de 0,03%, a 26.347,24 pontos. Na China continental, o Xangai Composto subiu 1,38%, a 4.023,42 pontos, e o Shenzhen Composto avançou 2%, a 2.581,52 pontos.

Notas de dólar. — Foto: Rick Wilking/Reuters
Notas de dólar. — Foto: Rick Wilking/Reuters

*Com informações da agência de notícias Reuters

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segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Anvisa libera estudo clínico e autoriza aplicação de polilaminina em cinco pacientes com lesão na medula

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Estudo de fase 1 vai avaliar a segurança da polilaminina, aplicada diretamente na área lesionada da medula espinhal em pacientes com trauma recente.
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Por Redação g1

Postado em 05 de Janeiro de 2.026 às 11h55m
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Nova pesquisa pode ajudar quem perdeu movimentos
Nova pesquisa pode ajudar quem perdeu movimentos

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou nesta segunda-feira (5) o início de um estudo clínico de fase 1 para avaliar a segurança do uso da polilaminina, proteína que se mostrou capaz de regenerar lesões na medula espinhal, e cinco pacientes vão receber a substância.

A substância vem sendo estudada há mais de 20 anos pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O composto é uma versão recriada em laboratório da laminina, proteína presente no desenvolvimento embrionário e que ajuda os neurônios a se conectarem.

Luiz Fernando Mozer recebeu medicação experimental polilaminina após liberação judicial e realizou procedimento no Espírito Santo — Foto: Acervo pessoal
Luiz Fernando Mozer recebeu medicação experimental polilaminina após liberação judicial e realizou procedimento no Espírito Santo — Foto: Acervo pessoal

O que será feito?

Nesta fase do estudo, cinco pacientes, com idades entre 18 e 72 anos, que apresentem lesões agudas completas da medula espinhal torácica, entre as vértebras T2 e T10.

As lesões devem ter ocorrido há menos de 72 horas e os pacientes precisam ter indicação cirúrgica.

Os locais onde o estudo será realizado ainda serão definidos pela empresa patrocinadora e posteriormente informados à Anvisa. Isso acaba por definir quem recebe a substância.

Esta etapa avalia a segurança da substância, ou seja, se ela é segura para os pacientes. A avaliação de segurança busca identificar riscos potenciais aos quais os participantes possam estar expostos. Com base nessas informações, podem ser adotadas medidas para minimizar riscos ou, se necessário, reavaliar a viabilidade de continuidade do estudo.

Dependendo dos resultados da fase 1, o estudo poderá avançar para as fases 2 e 3, que têm como objetivo comprovar a eficácia do tratamento.

O que se sabe até agora?

A substância já foi aplicada em pequenos grupos de pacientes brasileiros em caráter experimental, dentro de protocolos acadêmicos.

Segundo os pesquisadores, alguns voluntários que haviam perdido completamente os movimentos abaixo da lesão recuperaram parte da mobilidade —algo considerado improvável sem intervenção. Houve relatos que variaram de pequenos movimentos a ganhos mais amplos, como controle de tronco e até passos com auxílio.

O número de pessoas testadas, porém, ainda era muito pequeno –foram oito voluntários– e os cientistas ressaltavam que os resultados precisam ser confirmados em estudos maiores e controlados.

O que é a polilaminina

A polilaminina é uma forma reorganizada em laboratório da laminina, uma proteína naturalmente presente no organismo e fundamental para o desenvolvimento do sistema nervoso.

A laminina faz parte da chamada matriz extracelular –uma espécie de “andaime biológico” que dá suporte às células e orienta processos como crescimento, migração e conexão entre neurônios. Durante o desenvolvimento embrionário, ela ajuda os neurônios a formar circuitos funcionais; na vida adulta, porém, essa capacidade fica muito limitada, especialmente no sistema nervoso central.

O diferencial da polilaminina está no estado físico em que a proteína é aplicada ao tecido lesionado. No organismo, a laminina funciona de forma polimérica, organizada em estruturas tridimensionais que orientam o comportamento das células nervosas.

Fora do corpo, essa organização se desfaz e a proteína perde parte de sua atividade biológica. A polilaminina foi desenvolvida para restaurar essa conformação, permitindo que a laminina volte a atuar de maneira semelhante à observada nas fases iniciais do desenvolvimento do sistema nervoso.

Nos estudos experimentais, essa organização se mostrou crucial. Ao ser aplicada diretamente na medula espinhal lesionada, a polilaminina funciona como um substrato permissivo, capaz de estimular o crescimento de prolongamentos dos neurônios (axônios) por meio de um ambiente que normalmente é hostil à regeneração.

Após um trauma medular, forma-se uma cicatriz rica em moléculas inibitórias que bloqueiam esse crescimento. A polilaminina ajuda a “reprogramar” esse ambiente, favorecendo a reconexão neural.

Resultados observados em modelos animais e em estudos clínicos iniciais sugerem que essa abordagem pode permitir ganhos funcionais mesmo quando a recuperação espontânea seria improvável, como em lesões completas da medula.

Em um estudo longitudinal com cães com lesão medular crônica, por exemplo, a aplicação da polilaminina foi considerada segura e associada a melhora progressiva da marcha, sem efeitos adversos graves.

Os próprios pesquisadores ressaltam, no entanto, que a polilaminina não é uma cura isolada, mas parte de uma estratégia mais ampla de regeneração. A expectativa é que, combinada a outras abordagens —como fatores de crescimento ou técnicas cirúrgicas adequadas—, ela ajude a restaurar parte da comunicação entre neurônios danificados.

É justamente esse potencial que agora começa a ser testado de forma controlada em humanos, sob autorização da Anvisa.

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domingo, 4 de janeiro de 2026

De roupa inflável a banho químico: conheça protocolos de segurança no 1º laboratório do Brasil para estudar vírus mais letais do mundo

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Novo laboratório de biossegurança máxima está em construção em Campinas (SP); g1 foi conferir procedimentos exigidos para evitar contaminação na entrada e saída do local.
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Por Bárbara Camilotti, g1 Campinas e região

Postado em 04 de Janeiro de 2.026 às 06h00m
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Como Orion vai garantir segurança para estudar vírus e bactérias altamente perigosos
Como Orion vai garantir segurança para estudar vírus e bactérias altamente perigosos

O Orion, primeiro laboratório do Brasil com nível máximo de biossegurança, precisará seguir protocolos rigorosos, com trajes especiais e até tratamento do ar, para que pesquisadores analisem com segurança vírus e bactérias considerados os mais perigosos pelo alto potencial infeccioso e letal.

A unidade está em construção em Campinas, no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), e a previsão é que fique pronto em 2027. O g1 visitou o centro de treinamento que simula, sem nenhum risco real, o procedimento para acessar o espaço, evitando contaminação.

🔎 O Orion recebe a inscrição de laboratório NB4, que significa o nível de biossegurança máximo exigido para laboratórios que trabalham com agentes perigosos, ou seja, com alto risco de infecções que podem ser fatais e com potencial elevado de transmissão por aerossóis.

A instalação terá vários pontos de controle de acesso em áreas estratégicas, como a entrada principal, a sala onde ficam os trajes de proteção e a sala de descarte de materiais.

Traje especial

Para entrar no NB4, o pesquisador precisará vestir um macacão pressurizado com capacete, botas e luvas acoplados. — Foto: Bárbara Camilotti/g1
Para entrar no NB4, o pesquisador precisará vestir um macacão pressurizado com capacete, botas e luvas acoplados. — Foto: Bárbara Camilotti/g1

Para entrar no NB4, o pesquisador precisará vestir um macacão pressurizado com capacete, botas e luvas acoplados. Esse traje isola completamente o profissional, evitando contato até com o ar do laboratório.

O macacão, que se assemelha ao usado por astronautas no espaço, precisa estar conectado a uma mangueira que fornece ar filtrado e respirável. Ele fica inflado o tempo todo, mantendo pressão positiva - ou seja, a própria ventilação impede a entrada de ar externo ao traje, dificultando a penetração de microorganismos.

Assim, se houver algum rompimento no material, o usuário não será exposto ao patógeno e poderá chegar com segurança ao banho químico.

Saída do laboratório

Ao sair, o pesquisador terá que passar por um banho químico obrigatório, ainda com o macacão, por cerca de sete minutos. Depois, o traje descontaminado será guardado para novo uso.

Em seguida, o profissional vai retirar os equipamentos de proteção e tomar um banho pessoal com água e produtos de higiene.

A roupa hospitalar usada por baixo do macacão será esterilizada em autoclave (com altas temperaturas) antes de seguir para lavagem comum.

Ilustração mostra as etapas que um pesquisador deve cumprir para entrar e sair de um ambiente de máxima biossegurança. — Foto: Reprodução CNPEM
Ilustração mostra as etapas que um pesquisador deve cumprir para entrar e sair de um ambiente de máxima biossegurança. — Foto: Reprodução CNPEM

Tratamento do ar

O ar do laboratório passará por dupla filtragem antes de ser liberado para o meio ambiente. Sensores vão monitorar a pressão do ar continuamente, e dispositivos de exaustão vão manter pressão negativa nas cabines e áreas adjacentes.

Um corredor de segurança com pressão negativa vai funcionar como mais uma barreira - nesse caso, a ventilação impede a saída do ar de dentro do laboratório.

Manipulação segura e descarte

As amostras dos agentes biológicos de alto risco serão manipuladas apenas em cabines de segurança, que filtram o ar para proteger o pesquisador e o ambiente.

Todo o material de descarte será esterilizado em autoclaves de porta dupla. Os efluentes vão passar por dois tratamentos: químico, dentro do laboratório, e térmico, no subsolo.

Treinamento para reduzir riscos

Antes da inauguração, um centro de treinamento vai preparar os pesquisadores para atuar com segurança. O treinamento começa de forma lúdica, com brinquedos e tintas, para que os cientistas se aprendam as usar os equipamentos de proteção individual sem que haja risco biológico.

“Esse é o primeiro laboratório de biossegurança para treinamento da América Latina. Aqui, durante esse tempo de treinamento, a gente tem a oportunidade de desenvolver essas seguranças, essas compreensões”, afirma Tatiane Ometto, gerente de biossegurança do CNPEM. 
Como será o Orion?

🧪 O complexo laboratorial de máxima contenção biológica representa um avanço para o Brasil, que permitirá pesquisas com patógenos capazes de causar doenças graves e com alto grau de transmissibilidade (das chamadas classes 3 e 4) - estrutura essa que não existe até hoje em toda a América Latina.

💉Possuir um laboratório de biossegurança máxima (NB4) oferece condições ao país de monitorar, isolar e pesquisar os agentes biológicos para desenvolver métodos de diagnóstico, vacinas e tratamentos.

🧫No caso do Brasil, mais do que armazenar e manipular essas amostras biológicas, o laboratório de biossegurança máxima terá acesso exclusivo a três linhas de luz (estações de pesquisa) do Sirius, o que não existe em nenhum outro lugar do mundo.

🌟 É por conta dessa conexão com o Sirius que vem o nome do projeto, Orion, em homenagem à constelação que possui três estrelas apontadas para a estrela que batizou o acelerador de partículas brasileiro.

👩‍🔬 O projeto prevê a capacitação de cientistas brasileiros para lidar com agentes infecciosos desses tipos. Essa formação já integra o custo do projeto, atualizado para R$ 1,5 bilhão.

🏗 O complexo laboratorial terá cerca de 29 mil metros quadrados, e sua construção está prevista para ficar pronta ao final de 2027. Após essa etapa, o Orion passará pelo chamado comissionamento técnico e científico, e também por certificações internacionais de segurança, para que possa entrar em operação regular.

Imagem área mostra área onde está sendo construido o Orion ao lado do Sirius, acelerador de partículas que fica no CNPEM, em Campinas (SP) — Foto: CNPEM/Divulgação
Imagem área mostra área onde está sendo construido o Orion ao lado do Sirius, acelerador de partículas que fica no CNPEM, em Campinas (SP) — Foto: CNPEM/Divulgação

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