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terça-feira, 11 de agosto de 2026

"Truculência" inédita dos EUA exige resposta à altura do Brasil, diz fonte

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Funcionário do Itamaraty rechaça críticas sobre politização da diplomacia e diz que reação à revogação de visto de embaixadora deve ser proporcional
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Priscila Yazbek
Correspondente em Nova York, Priscila é apaixonada por coberturas internacionais e econômicas — e por conectar ambas. Ganhou 11 prêmios de jornalismo

https://www.cnnbrasil.com.br/blogs/priscila-yazbek/internacional/tr
11/08/26 às 13:00 | Atualizado 11/08/26 às 13:00
Postado em 11 de Agosto de 2.026 às 13h25m


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Itamaraty
Palácio do Itamaraty, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília  • Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Em resposta às críticas feitas à CNN Brasil por alguns diplomatas do governo, que enxergam "politização da política externa" diante da crise EUA-Brasil, uma fonte do Itamaraty afirmou que, se a defesa diante dos ataques dos Estados Unidos não tem precedentes, é porque a truculência dos ataques, das ameaças e da agressão à democracia e à soberania também não têm precedentes.

Ele diz que a linha do tempo das medidas adotadas pelos Estados Unidos em relação ao Brasil desde julho de 2025, quando foi anunciado o tarifaço, deixa clara a falta de disposição do governo de Donald Trump para o diálogo. "Temos tentado a via da negociação há mais de um ano e, nos últimos meses, ficou claro que o outro lado não quer negociar; prefere atacar o Brasil na tentativa de impor sua vontade na eleição [presidencial no  Brasil], disse.

O diplomata procurou a CNN Brasil para rebater as críticas feitas por outros integrantes do Itamaraty, que avaliam que as respostas do governo brasileiro extrapolaram o campo da diplomacia e entraram no terreno político.

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Eles argumentam que a negativa de vistos a autoridades americanas, por exemplo, foi uma reação exagerada e contribuiu para escalar a crise entre os dois países. E também consideram que as respostas do Itamaraty e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, evocando a defesa da soberania nacional, assumiram um tom eleitoral que foge da tradicional postura adotada pela diplomacia brasileira.

Ao defender a posição do governo, o diplomata afirmou que a ingerência atual dos Estados Unidos não tem precedentes, por isso a resposta "tem que ser proporcional e rápida". "Isso não é politização, é profissionalismo e saber ler a realidade", afirmou. "Não adianta pensar em respostas convencionais para desafios sem precedentes", acrescentou.

Na avaliação do diplomata, diversas autoridades brasileiras continuam sem visto "por ter cumprido sua função, julgar e condenar os golpistas".

"Reitero, não tem precedentes, nem mesmo para o padrão de intervencionismo deles", completa.

Em abril, o Gabinete de Assuntos do Hemisfério Ocidental do governo dos Estados Unidos pediu que o delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo deixasse o território americano. O delegado atuava em Miami, na investigação da "Abin Paralela" e de planos de golpe, e foi responsável pela prisão de Alexandre Ramagem no país, aliado da família Bolsonaro.

O ex-deputado foi solto dois dias depois, mas a atuação de Ivo incomodou as autoridades americanas. Em resposta, o governo brasileiro usou o princípio da reciprocidade e expulsou do Brasil um oficial de imigração dos EUA (do órgão Homeland Security), cassando suas credenciais de trabalho.

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