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segunda-feira, 10 de novembro de 2025

Vídeo mostra chegada de tornado em cidade que foi devastada no Paraná

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Tornado estava dentro de supercélula que destruiu 90% de Rio Bonito do Iguaçu na sexta-feira (7). No mesmo dia, outros dois tornados foram registrados no estado. 
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Por Millena Sartori, g1 PR — Ponta Grossa

Postado em 10 de Novembro de 2.025 às 12h40m
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Vídeo mostra chegada de tornado no Paraná
Vídeo mostra chegada de tornado no Paraná

Um vídeo gravado na sexta-feira (7) pelo circuito de câmeras do campus de Laranjeiras do Sul da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) mostra a chegada do tornado na cidade vizinha de Rio Bonito do Iguaçu, na região central do Paraná. Assista acima.

A gravação foi feita em time-lapse - ou seja, em velocidade acelerada - e mostra o avanço da supercélula. A tempestade, que carregava o tornado dentro dela, é caracterizada pela presença de um mesociclone (uma corrente de ar ascendente girando no interior da nuvem).

O vídeo inicia às 18h e vai até às 18h16, e impressiona pelo tamanho e força do fenômeno. As câmeras da UFFS ficam na zona rural de Laranjeiras do Sul, a cerca de 5 km de Rio Bonito do Iguaçu.

Elas foram analisadas pelo Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) e divulgadas nesta segunda-feira (10).

Nesta segunda (10) o Simepar também atualizou que em Rio Bonito do Iguaçu os ventos chegaram a até 330 km/h, e que outros dois tornados foram registrados no mesmo dia, sendo um em Guarapuava (a 130 km) e outro em Turvo (a 166 km).

No total, seis vítimas morreram durante as tempestades. Outras 750 pessoas ficaram feridas, e 22 delas permaneciam internadas até o início da manhã desta segunda-feira (10).

"O Corpo de Bombeiros informa que não há mais buscas ou resgates e atendimentos pré-hospitalares. O trabalho de cadastramento e atendimento das famílias continua, assim como a distribuição dos donativos. O esforço coletivo de moradores, voluntários e servidores do Estado e prefeitura para retirada de estruturas danificadas e limpeza segue em andamento", disse o Governo, nesta segunda (10).

Vídeo mostra chegada de tornado no Paraná — Foto: Reprodução/Governo do Paraná

Rio Bonito do Iguaçu ficou 90% destruída após passagem de tornado — Foto: Jefferson Silva/ Rádio Campo Aberto/ Coprossel
Rio Bonito do Iguaçu ficou 90% destruída após passagem de tornado — Foto: Jefferson Silva/ Rádio Campo Aberto/ Coprossel

Rio Bonito do Iguaçu foi a cidade mais afetada, proporcionalmente. O município tem cerca de 14 mil habitantes e teve 90% dos imóveis destruídos.

Segundo o prefeito Sezar Augusto Bovino, a cidade terá que ser reconstruída, e o governo estadual vai destinar R$ 50 milhões do Fundo Estadual de Calamidade Pública (Fecap) para isso. O valor poderá ser repassado diretamente às famílias, com previsão de até R$ 50 mil por residência, conforme um projeto de lei aprovado em regime de urgência na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep).

Até o momento, foi autorizada a reconstrução das escolas destruídas, e a prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que seria aplicada neste domingo, foi adiada na cidade.

O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) ainda informou que moradores de Rio Bonito do Iguaçu que recebem benefícios assistenciais poderão solicitar a antecipação da renda mensal.

Os efeitos do tornado no Paraná — Foto: Reprodução/TV Globo
Os efeitos do tornado no Paraná — Foto: Reprodução/TV Globo

O subcomandante-geral do Corpo de Bombeiros, coronel Jonas Emmanuel Benghi Pinto, descreveu o cenário encontrado em Rio Bonito do Iguaçu como “de guerra”.

Antonio Gieteski, filho de José Gieteski - uma das vítimas que morreram na tragédia -, disse que o pai estava dentro de uma casa que foi arremessada com a força do vento.

"O pai estava com a mãe em casa, como de costume. De repente veio o tornado e, em questão de um minuto, um minuto e 20 segundos, foi como se caísse uma bomba na casa deles. A casa dele foi arremessada uns 30 metros de distância, era uma casa de madeira. Nesse impulso, ele foi junto e as madeiras caíram em cima", conta o filho.

Infográfico: tornado deixa rastro de destruição no Paraná — Foto: g1
Infográfico: tornado deixa rastro de destruição no Paraná — Foto: g1

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Conheça a estação espacial da China, Tiangong

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Conheça Tiangong, a estação espacial exclusiva da China em órbita desde 2021, que compete em presença espacial com a ISS, a Estação Espacial Internacional.
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Avatar de alexandre marques
Alexandre Marques
3 de maio de 2024
Postado em 10 de Novembro de 2.025 às 05h00m
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Conheça Tiangong, a estação espacial exclusiva da China em órbita desde 2021, que compete em presença espacial com a ISS, a Estação Espacial Internacional.

A estação espacial da China, Tiangong, representa um marco significativo na exploração espacial do país asiático. Composta por módulos principais e laboratórios, a estação foi projetada para operações de longa duração, visando a realização de experimentos científicos e tecnológicos, além de promover a cooperação internacional no espaço. Tiangong é parte integrante do ambicioso programa espacial chinês, que inclui missões tripuladas, demonstrando o comprometimento da China com a exploração espacial e a pesquisa científica de ponta.

O projeto Tiangong que teve seu primeiro módulo lançado em 2021, representa uma conquista significativa para a China, consolidando seu status como potência espacial em ascensão. A estação espacial oferece oportunidades únicas para a pesquisa em microgravidade, biologia espacial, física e outras áreas científicas. Saiba mais sobre o projeto a seguir.

Fundação

Estação espacial da china
A Tiangong é uma estação espacial em órbita terrestre baixa, entre 340-450 km acima da superfície da Terra. Foto: Reprodução / Internet.

Projetada e controlada pela Agência Espacial Tripulada Chinesa (CMSA), a Estação Espacial Tiangong, ou Tiangong-3, marca um avanço importante em seu programa espacial. O nome “Tiangong”, que significa “Palácio Celestial” em chinês, reflete a ambição e a importância que a China atribui a esta estação espacial. Projetada como um complexo espacial modular, a Tiangong foi concebida para ser um laboratório de pesquisa em órbita terrestre baixa, promovendo a realização de experimentos científicos de vanguarda, observações da Terra e o desenvolvimento de tecnologias espaciais avançadas.

A construção da Estação Espacial Tiangong foi realizada em várias etapas. O primeiro módulo, Tianhe, foi lançado em abril de 2021, sendo posteriormente ocupado pelo trio de taikonautas — termo utilizado pela agência espacial chinesa para denominar os astronautas chineses — enviado pela Shenzhou-12. Posteriormente, a estação foi complementada pelos módulos experimentais Wentian e Mengtian em 2022. Assim, a estação é composta por uma série de módulos principais interligados que formam um complexo espacial funcional, proporcionando um ambiente seguro e eficiente para a realização de pesquisas no espaço.

A China demonstrou interesse em colaborar com outras agências espaciais internacionais, como a NASA e a ESA, para realizar experimentos e missões conjuntas na estação espacial. A Tiangong está planejada para operar por pelo menos uma década, com planos de expansão e atualização ao longo do tempo. A estação servirá como uma base essencial para a exploração espacial chinesa e como um trampolim para futuras missões tripuladas à Lua, Marte e além.

Estruturas

Estação espacial da china
A Tiangong, também conhecida como “Palácio Celestial” em chinês, é composta por pelos módulos: Tianhe, Wentian e Mengtian. Foto: Reprodução / Internet.

A China realizou um esforço ambicioso para estabelecer sua própria presença na órbita baixa da Terra, construindo a estação espacial Tiangong como parte desse ambicioso objetivo. O país, não sendo um parceiro da Estação Espacial Internacional (ISS), lançou os laboratórios espaciais precursores Tiangong-1 em 2011 e Tiangong-2 em 2016, ambos fornecendo informações cruciais para o desenvolvimento da estação Tiangong. Esses laboratórios espaciais foram fundamentais para a evolução e aprendizado da China no espaço, preparando o terreno para a construção da estação espacial.

O módulo fundamental da estação, o Tianhe, foi lançado em 29 de abril de 2021. Com o significado de “harmonia dos céus”, ele desempenha um papel vital ao fornecer suporte de vida e alojamento para até três tripulantes. Este módulo é essencial para as operações tripuladas na estação, servindo como base para as atividades humanas no espaço e como um centro de controle para as operações gerais da estação.

A China avançou com a montagem da estação, lançando o módulo de laboratório Wentian em 24 de julho de 2022, que oferece alojamento adicional, suporte de vida suplementar e uma plataforma científica externa com um braço robótico. Em seguida, em 31 de outubro de 2022, foi lançado o módulo do laboratório Mengtian, que completa o núcleo da estação. Mengtian é equipado com uma pequena câmara de descompressão para facilitar a transferência de experimentos dentro e fora da estação, utilizando o braço robótico de Wentian para movimentação. Esses módulos adicionais ampliam as capacidades da estação, permitindo uma variedade de atividades de pesquisa e experimentos no espaço.

A conclusão da estação espacial chinesa Tiangong em 5 de novembro de 2022 estabeleceu um marco importante para a China no campo da exploração espacial. A estação foi concluída após uma manobra cuidadosa para transferir o módulo recém-chegado, Mengtian, para seu porto de ancoragem permanente. Em comparação com a Estação Espacial Internacional (ISS), a Tiangong é consideravelmente menor, com apenas três módulos em comparação com os 16 da ISS. Além disso, a Tiangong é significativamente mais leve, com cerca de 20% da massa da ISS, pesando cerca de 400 toneladas (450 toneladas métricas).

O módulo Tianhe, com 16,6 metros de comprimento, desempenha um papel central na estação, com um centro de acoplamento que permite receber a tripulação da Shenzhou e a espaçonave de carga Tianzhou. Um grande braço robótico foi fundamental para posicionar os módulos Mengtian e Wentian e também auxilia os astronautas durante as caminhadas espaciais. Tianhe é muito maior do que os laboratórios espaciais de teste Tiangong 1 e 2, lançados pela China na última década, e quase três vezes mais pesado, pesando 24 toneladas (22 toneladas métricas). Este módulo oferece uma riqueza de espaço utilizável para os astronautas chineses, proporcionando um ambiente mais espaçoso e confortável para viver e trabalhar no espaço.

Além de servir como habitat principal dos astronautas e abrigar os sistemas de propulsão necessários para manter a estação em órbita, o Tianhe apresenta suporte de vida regenerativo, incluindo um sistema para reciclar a urina dos astronautas, permitindo que eles permaneçam em órbita por longos períodos.

A Tiangong também terá a companhia de um telescópio espacial semelhante ao Hubble, chamado Xuntian, que compartilhará a órbita da estação e poderá acoplar-se a ela para reparos, manutenção e possivelmente atualizações. Com um espelho de 2 metros de diâmetro e um campo de visão 300 vezes maior que o do Hubble, o Xuntian terá como objetivo pesquisar 40% do céu ao longo de 10 anos usando sua enorme câmera de 2,5 bilhões de pixels.

A estação espacial Tiangong tem potencial para expansão, podendo ser aumentada para seis módulos no futuro. Bai Linhou, vice-designer-chefe da estação espacial, mencionou que a estação poderia evoluir para uma combinação de quatro módulos em forma de cruz, permitindo a adição de mais dois módulos ao posto orbital.

Motivações

Estação espacial da china
Tiangong leva os experimentos científicos chineses e busca por novas descobertas da China. Foto: Agência Espacial Tripulada da China / Reprodução.

A China tem várias motivações para lançar a estação espacial Tiangong e expandir suas capacidades no espaço. Uma das principais razões é o desejo do país de se tornar uma potência espacial líder, demonstrando sua capacidade de realizar operações espaciais avançadas e de longo prazo. O lançamento e operação da Tiangong são vistos como um símbolo do progresso tecnológico e do prestígio internacional da China no campo da exploração espacial.

Além disso, a China está focada em impulsionar a pesquisa científica e a inovação tecnológica por meio da Tiangong. A estação espacial oferece um ambiente único para a realização de experimentos em microgravidade, biologia espacial, física e outras áreas científicas. A presença contínua de astronautas na estação permitirá a realização de uma ampla gama de experimentos que contribuirão significativamente para o avanço do conhecimento humano no espaço.

A China também está interessada em expandir suas colaborações internacionais no campo da exploração espacial por meio da Tiangong. Embora a China não seja um parceiro da Estação Espacial Internacional, o país expressou interesse em cooperar com outras agências espaciais internacionais, como a NASA e a ESA, em projetos de pesquisa e exploração espacial. Essas colaborações podem abrir novas oportunidades para avanços científicos e tecnológicos compartilhados entre a China e outras nações.

O desenvolvimento e a operação bem-sucedidos da Tiangong são fundamentais para a preparação da China para futuras explorações espaciais ambiciosas, consolidando sua posição como uma potência espacial global.

Por que a China não faz parte da ISS?

Estação espacial da china
Na foto, os astronautas Chen Dong, Liu Yang e Cai Xuzhe se preparam para o lançamento do foguete transportador Longa Marcha-2F. Foto: Reproduçãpo / Internet.

A exclusão da China do programa ISS está principalmente relacionada às preocupações dos EUA sobre as ligações dos programas espaciais chineses com o Exército de Libertação Popular, o ramo militar do Partido Comunista no poder. Essas preocupações levaram o Congresso dos EUA a aprovar a Emenda Wolf em 2011, que proibiu a NASA de cooperar substancialmente com a agência espacial chinesa sem autorização prévia expressa. Como resultado, a China não é uma parceira da ISS, e nenhum astronauta chinês jamais visitou a estação.

Diante da impossibilidade de colaborar com a ISS, a China decidiu construir sua própria estação espacial. A estação espacial chinesa, conhecida como Tiangong, é significativamente menor que a ISS, composta por apenas três módulos em comparação com os 16 módulos da ISS. A estação chinesa também é mais leve, pesando cerca de 77 toneladas (70 toneladas métricas), em comparação com as 450 toneladas (408 toneladas métricas) da ISS.

Na corrida pela liderança espacial, a China está em busca de alcançar seus rivais americanos. Atualmente, a ISS está programada para operar até 2030, mas após esse período, a Tiangong poderia se tornar o único posto avançado da humanidade em órbita. A Tiangong poderia se tornar não apenas um símbolo da crescente influência da China no cenário espacial, mas também uma base mundial vital para futuras missões tripuladas e exploratórias além da órbita terrestre.

Veja também:

Fontes: Space, Planetary e Space

Revisado por Glauco Vital em 3/5/24.

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domingo, 9 de novembro de 2025

Endividamento volta a subir com rombo nas contas públicas no governo Lula e preocupa analistas

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Dívida pública é termômetro da capacidade de um país honrar seus compromissos; endividamento brasileiro tem nível acima de países da América Latina e emergentes.
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Por Alexandro Martello, g1 — Brasília

Postado em 09 de Novembro de 2.025 às 06h00m
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Economistas alertam que excesso de gastos fora da meta compromete credibilidade das contas públicas
Economistas alertam que excesso de gastos fora da meta compromete credibilidade das contas públicas

A dívida do setor público consolidado registrou alta de um ponto percentual em setembro, atingindo 78,1% do PIB — o equivalente a R$ 9,75 trilhões, segundo dados do Banco Central.

A metodologia utilizada no cálculo do indicador, entretanto, não observa as normas internacionais. Em nota, o Banco Central informou que seu método, utilizado desde 2008, "reflete as características institucionais brasileiras".

➡️ No padrão do Fundo Monetário Internacional (FMI), referência para comparação internacional — que inclui títulos públicos que estão na carteira do BC no endividamento brasileiro —, a dívida do país é muito maior: 90,5% do PIB (patamar de setembro).

➡️Com a manutenção de déficits anuais seguidos na atual gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a dívida vem registrando crescimento.

➡️Em 2023, o governo registrou um rombo de R$ 230 bilhões em suas contas, valor que caiu para R$ 43 bilhões em 2024. Para 2025, a previsão do governo é de um déficit de cerca de R$ 75 bilhões e, para 2026, de R$ 23,3 bilhões. Os valores incluem despesas com precatórios fora das metas fiscais.

➡️Entre o início de 2023 e setembro deste ano, a alta na dívida brasileira foi de 6,5 pontos percentuais, e o Tesouro Nacional admite que o endividamento vai subir mais até o fim do atual mandato, para 82,5% do PIB e mais ainda nos próximos anos, algo que preocupa analistas.

🔎 A dívida do setor público consolidado é um conceito fiscal que representa o montante total das obrigações financeiras assumidas por um ente da Federação (União, Estados, Distrito Federal e Municípios), apurado sem duplicidade.

🔎 O indicador é considerado um termômetro da chamada "solvência" de uma nação, ou seja, da capacidade de honrar seus compromissos futuros. Quanto maior o indicador, maior o risco de um calote em momentos de crise.

💵 Em termos práticos, com uma dívida mais alta há uma pressão maior sobre a taxa de juros brasileira. Isso se reflete nos juros cobrados pelo mercado financeiro ao setor produtivo da economia, restringindo o crescimento do país.

🌎Na comparação internacional, o endividamento brasileiro já estava muito próximo do padrão de países da Zona do Euro em 2024; bem acima de países da América Latina e de nações emergentes. Mas segue abaixo endividamento de países desenvolvidos.

DÍVIDA POR BLOCOS ECONÔMICOS EM 2024
% DO PIB (CONCEITO DO FMI)


Fonte: FUNDO MONETÁRIO INTERNACIONAL

Relatório do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) recomendou em 2023 que os países da América Latina e Caribe reduzam sua dívida pública para um patamar entre 46% a 55% do PIB.

O objetivo seria aumentar a confiança dos investidores e possibilitar a redução da taxa de juros, com efeitos positivos sobre o nível de atividade e sobre o emprego.

Comparação entre governos

De acordo com a série histórica do Banco Central, que tem início em dezembro de 2001, considerando o critério internacional adotado pelo FMI, a dívida se mostrou relativamente contida até 2015 — quando começou o segundo mandato da presidente Dilma Rousseff (PT).

TRAJETÓRIA DA DÍVIDA BRASILEIRA
EM % DO PIB (FIM DE PERIODO, CONCEITO DO FMI)


Fonte: BANCO CENTRAL

Os números oficiais mostram queda da dívida nas duas primeiras gestões do presidente Lula, e também no primeiro mandato de Dilma.

Na segunda gestão da presidente Dilma, interrompido em agosto de 2016 por um processo de "impeachment", o endividamento avançou, assim como no mandato de Michel Temer, que assumiu até 2018.Houve pequena queda no governo Bolsonaro, mesmo em meio à pandemia da Covid-19. O resultado foi favorecido, porém, pela limitação no pagamento de precatórios após a aprovação de uma PEC.

Dívida pública por mandatos pelo critério do FMI

  • Lula (2003 a 2006): queda de 11,5 pontos do PIB;
  • Lula (2006 a 2010): recuo de 2,2 pontos do PIB;
  • Dilma (2010 a 2014): queda de 0,8 ponto do PIB;
  • Dilma (2014 a agosto de 2016): alta de 10,7 pontos do PIB;
  • Temer (setembro 2016 a dezembro de 2018): alta de 12,5 pontos do PIB;
  • Bolsonaro (2019 a 2022): recuo de 0,8 ponto do PIB;
  • Lula (considerando a projeção do Tesouro Nacional): alta de 10,8 pontos percentuais.
Aumento no 3º mandato de Lula

No terceiro mandato de Lula, o endividamento subiu 6,6 pontos percentuais em pouco mais de dois anos e meio por conta do aumento de despesas públicas, algo que tem pressionado a taxa de juros, tais como:

  • PEC da transição: ampliou o limite para gastos públicos, permanentemente, em cerca de R$ 170 bilhões por ano.
  • Reajuste real do salário mínimo: é um dos principais motivo da alta, pois os benefícios previdenciários têm como piso o salário mínimo.
  • Pisos saúde e educação: retomada da política de atrelar à receita os gastos mínimos em saúde e educação.
  • Pagamento de precatórios atrasados: valores que deixaram de ser pagos com Bolsonaro foram acertados com Lula, um montante de R$ 92,3 bilhões.
  • Reajustes a servidores públicos: retomada dos reajustes a servidores públicos, represada com Bolsonaro, com base na inflação. Cerca de 100 categorias contempladas.
  • Despesas com juros da dívida pública: em doze meses até setembro, esses gastos somaram R$ 985 bilhões, segundo o BC. Como a dívida é alta, na ausência de um ajuste fiscal maior, o mercado cobra juros maiores para comprar títulos do governo, explicou o ex-presidente do BC, Roberto Campos Neto.
Arcabouço fiscal

Para tentar conter o crescimento da dívida, em 2023 o governo aprovou o chamado "arcabouço fiscal", ou seja, novas regras para as contas públicas em substituição ao teto de gastos. Por estas regras:

  • a despesa não pode registrar crescimento maior do que 70% do aumento da arrecadação;
  • a alta de gastos fica limitada, em termos reais, a 2,5% por ano;
  • o arcabouço busca conter o crescimento da dívida pública no futuro.

Sem um corte robusto de despesas, necessário para manter de pé o arcabouço fiscal, especialistas em contas públicas estimam que a regra terá de ser abandonada nos próximos anos. Eles argumentam que, no atual formato, as regras ficarão insustentáveis.

Na ausência de uma "âncora" fiscal crível para os próximos anos, o mercado financeiro estima que a dívida pública brasileira, pelo critério de cálculo do FMI, ultrapassará 100% do PIB em 2028 ou 2029 — ficando bem distante do patamar de emergentes, e próxima de países desenvolvidos.

— Foto: Caio Rocha/Framephoto/Estadão Conteúdo
— Foto: Caio Rocha/Framephoto/Estadão Conteúdo

Para o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), porém, as críticas de analistas do mercado financeiro são infundadas. Em evento da Bloomberg nesta semana, em São Paulo, ele afirmou que o Brasil, na política para suas contas públicas, está melhor do que "qualquer país da América do Sul".

“Vamos entregar o melhor resultado fiscal do país em quatro anos, mesmo considerando tudo o que se pagou no calote do governo anterior. A impressão que se tem é que estamos vivendo uma crise fiscal. É um delírio que eu precisava entender do ponto de vista psicológico, porque do ponto de vista econômico eu não consigo entender. Estão falando que eu vou mudar a meta de resultado primário desde 2023, eu não mudei nenhuma vez", afirmou Haddad, na ocasião.

Em 2024, porém, o governo federal propôs, e conseguiu, reduzir as metas de superávit primário para as contas públicas nos anos seguintes. Com isso, obteve um espaço adicional para novos gastos públicos de cerca de R$ 160 bilhões em 2025 e 2026, o que elevou mais o endividamento (em relação à proposta inicial).

Nesta semana, o Tesouro Nacional avaliou que uma redução sustentada da dívida/PIB, no médio prazo, depende da continuidade de reformas que melhorem o ambiente de negócios e maior crescimento do PIB, com destaque para aquelas que promovam a "consolidação fiscal" (contenção de despesas permanentes).

Em agosto, o secretário do Tesouro, Rogério Ceron, afirmou que o sistema previdenciário brasileiro está pressionado e que esse tema precisará ser discutido, inevitavelmente, em até dez anos. Ele destacou que esse debate é complexo, e que o reajuste real do salário mínimo (acima da inflação), traz desafios "relevantes" para as despesas públicas — embora tenha um papel "correção de desigualdades muito importante".

O que dizem analistas

Enquanto o governo admite que seguirá com as contas no vermelho até 2026, a Instituição Fiscal Independente (IFI), ligada ao Senado Federal, calculou que, para conter o crescimento da dívida pública, o governo deveria registrar um superávit anual, de, ao menos, 2,1% do Produto Interno Bruto (cerca de R$ 265 bilhões em 2025).

Em análise divulgada em outubro, Marcus Pestana, diretor-executivo da IFI, avaliou que, no cenário fiscal e orçamentário do setor público, "o céu não é o limite".

Segundo ele, as duas principais fontes de financiamento da máquina e das políticas públicas, a tributação (carga tributária elevada para emergentes) e o endividamento, estão demostrando "esgotamento".

"Há graves restrições e consequências importantes que mais cedo ou mais tarde se apresentarão, se a rota não for alterada. E há um momento, em que o problema terá que ser enfrentado estruturalmente, quando a possibilidade de adiar soluções não for possível. Há um aspecto inclusive, na questão do aumento do endividamento, que diz respeito ao pacto intergeracional. A estratégia de trocar gasto presente por dívida futura tem que levar em conta os interesses vitais das futuras gerações", acrescentou Marcus Pestana, da IFI.

Estudo do Centro de Liderança Pública (CLP), assinado pelo economista Daniel Duque, diz que a redução expressiva da pobreza no Brasil nas últimas décadas foi motivada por três fatores:

  • controle da inflação;
  • aumento de transferências de renda (BPC e Bolsa Família); e
  • a redução da desigualdade no mercado de trabalho — também por conta da valorização do salário-mínimo.

Acrescentou que esses resultados, porém, tiveram um preço fiscal, com a carga tributária subindo para 34% do PIB em 2024, patamar de nações desenvolvidas, ou seja, uma "capacidade de financiamento incomum para um país de renda média".

"Em termos simples, construímos um Estado com receitas de país rico sem ter alcançado a mesma dinâmica de produtividade e crescimento", avaliou.

O autor conclui que o Brasil ganhou muito em redução da pobreza e desigualdade, mas perdeu posições de renda e de crescimento econômico, e que isso "cobra um preço dos mais pobres, porque menos crescimento significa menos emprego de qualidade e mobilidade".

Simulações contidas no estudo, segundo ele, mostram que haveria uma "clara vantagem" para o crescimento econômico para aumentar a renda dos mais pobres.

A conclusão é que é preciso combinar frentes para reduzir a desigualdade no Brasil: preservar e aprimorar a progressividade das políticas, mas, ao mesmo tempo, virar a chave do crescimento.

"Para acelerar a economia, é preciso uma estratégia coerente e simultânea em três eixos: sustentabilidade fiscal de longo prazo, para reduzir risco, juros e liberar espaço a investimentos; competitividade e abertura, para destravar produtividade via comércio, investimento externo, concorrência e um ambiente regulatório simples; e eficiência das políticas sociais, elevando capital humano e saneando os gastos que mais impactam bem-estar e produtividade", avaliou o estudo do CLP.
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