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sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

A cidade onde as pessoas vivem embaixo da Terra por causa do calor

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Em cidade incomum no deserto australiano, tudo é subterrâneo – de igrejas a área de acampamentos. Com aquecimento global pela frente, deveríamos todos estar indo para o subsolo?
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TOPO
Por BBC

Postado em 26 de Dezembro de 2.026 às 08h15m
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Andar a pé no deserto perto de Coober Pedy pode ser perigoso. O terreno é salpicado de poços de mineração abandonados — Foto: Getty Images/BBC
Andar a pé no deserto perto de Coober Pedy pode ser perigoso. O terreno é salpicado de poços de mineração abandonados — Foto: Getty Images/BBC

Na longa estrada rumo ao centro da Austrália, 848 km ao norte das planícies costeiras de Adelaide, surgem enigmáticas pirâmides de areia.

Em torno delas, o cenário é totalmente desolado – uma extensão sem fim de poeira rosa-salmão, ocasionalmente salpicada de teimosos arbustos.

No entanto, à medida que você avança pela rodovia, surgem outras construções misteriosas similares – montes de terra clara, espalhados aleatoriamente como monumentos esquecidos há muito tempo. E, de vez em quando, tubos brancos se elevam do solo ao lado desses montes.

Estes são os primeiros sinais de Coober Pedy, uma cidade de mineradores de opala com cerca de 2,5 mil habitantes. Muitos dos pequenos picos da região são resíduos de solo gerados após décadas de mineração, mas também são sinais de outra característica do local: as moradias subterrâneas.

Neste canto do mundo, 60% da população vive em casas construídas nas rochas de arenito e siltito ricas em ferro da região. Em alguns locais, os únicos sinais de moradia são os poços de ventilação que se erguem do chão e o excesso de solo acumulado perto das entradas das casas.

No inverno, este estilo de vida pode parecer apenas excêntrico. Mas, no verão, Coober Pedy – “homem branco em um buraco”, em tradução livre de uma expressão aborígene australiana – não requer explicações: o local atinge 52°C, uma temperatura tão alta que faz com que os pássaros caiam do céu e aparelhos eletrônicos precisem ser guardados no refrigerador.

E, nos últimos anos, este costume parece ter sido mais profético que nunca.

Enquanto intensas ondas de calor prosseguem em algumas regiões, com temperaturas que nem os cactos conseguem suportar, e incêndios florestais dizimam grandes áreas do mundo, o que podemos aprender com os moradores de Coober Pedy?

Longa história

Coober Pedy não é o primeiro, nem o maior assentamento subterrâneo do mundo.

As pessoas se refugiam embaixo da terra para enfrentar climas inóspitos há milhares de anos – desde ancestrais dos humanos que deixaram suas ferramentas em uma caverna na África do Sul há dois milhões de anos, até os neandertais que criaram pilhas inexplicáveis de estalagmites em uma gruta na França na idade do gelo, 176 mil anos atrás.

Até os chimpanzés já foram observados se refrescando em cavernas, para se proteger do extremo calor durante o dia no sudeste do Senegal.

Outro exemplo é a Capadócia, uma região antiga no centro da Turquia. Ela fica em um planalto árido e é famosa pela sua notável geologia, quase utópica, e seu cenário de cumes, chaminés e casas esculpidos pelo homem e pela natureza em rochas vulcânicas, como em um reino de conto de fadas.

Mas espetacular mesmo é o que está escondido abaixo disso. E a história de como isso foi descoberto é muito boa. Segundo a crença popular, tudo começou com o desaparecimento das galinhas de um de seus moradores.

Em 1963, um homem que fazia reformas no porão de sua casa notou que suas aves estavam desaparecendo por um buraco que ele havia aberto acidentalmente.

Ao derrubar a parede, ele descobriu uma passagem secreta – um íngreme caminho subterrâneo que levava a um labirinto de nichos e outros corredores. Era uma das muitas entradas para a cidade perdida de Derinkuyu.

Derinkuyu é apenas uma das centenas de moradias em cavernas entre as diversas cidades subterrâneas da região. Acredita-se que ela tenha sido construída perto do século 8° a.C.

A cidade foi habitada de forma quase constante por milênios, com seus próprios poços de ventilação e de água, estábulos, igrejas, armazéns e uma ampla rede de casas subterrâneas. E servia também de abrigo de emergência para até 20 mil pessoas, em caso de invasão.

Como em Coober Pedy, as moradias subterrâneas ajudavam os habitantes da região a enfrentar o clima continental, que alterna entre invernos frios com neve e verões quentes e secos. No lado externo, a temperatura flutua de vários graus abaixo de zero até mais de 30 °C, enquanto, embaixo da terra, ela fica estável em 13 °C.

Mesmo nos dias de hoje, as cavernas construídas por seres humanos na região são famosas pelas suas capacidades de refrigeração passiva – uma técnica de construção que envolve o uso de opções de design para reduzir o aumento e a perda de calor sem o uso de energia.

As antigas galerias e passagens da Capadócia abrigam hoje milhares de toneladas de batatas, limões, repolhos e outros produtos que precisariam ser refrigerados se fossem armazenados em outros locais. A demanda popular cresceu tanto que novas cavernas estão sendo construídas na região.

A cidade subterrânea de Derinkuyu, na Capadócia (Turquia), foi abandonada em 1923. Ele ficou totalmente esquecida até ser redescoberta, nos anos 1960 — Foto: Getty Images/BBC
A cidade subterrânea de Derinkuyu, na Capadócia (Turquia), foi abandonada em 1923. Ele ficou totalmente esquecida até ser redescoberta, nos anos 1960 — Foto: Getty Images/BBC

Solução eficaz

Mais à frente, na estrada para Coober Pedy, fica o centro da cidade.

À primeira vista, ela pode ser confundida com um assentamento comum da região desértica que compõe o chamado outback australiano. As ruas são cor-de-rosa devido à poeira e existem restaurantes, bares, supermercados e postos de gasolina.

No alto de uma colina, a única árvore da cidade – na verdade, uma escultura feita de metal – observa o panorama.

Na superfície, Coober Pedy é assustadoramente vazia. As casas são bastante espaçadas entre si e a impressão é de que algo realmente parece estar errado. Mas, embaixo do solo, tudo se explica.

Alguns dos “subterrâneos” de Coober Pedy podem ser visitados através dessas casas. Elas têm aparência normal, mas suas passagens subterrâneas se revelam gradualmente à medida que entramos. Parece que estamos atravessando um guarda-roupa para sair no mundo fictício de Nárnia (de As Crônicas de Nárnia, de C.S.Lewis).

Outras passagens são mais óbvias. Em uma área de camping chamada Riba’s, as pessoas podem montar suas tendas em nichos vários metros abaixo da superfície. A entrada é através de um túnel escuro.

Em Coober Pedy, as construções subterrâneas precisam ficar a pelo menos quatro metros de profundidade, para evitar que o teto desabe. Embaixo daquele enorme volume de rocha, a temperatura é sempre agradável: 23 °C.

As pessoas que moram acima do solo precisam suportar verões extremamente quentes e noites frias de inverno, com temperaturas que costumam cair até 2-3 °C. Mas as casas subterrâneas mantêm a temperatura ambiente perfeita, 24 horas por dia, o ano inteiro.

Além do conforto, outra importante vantagem de morar embaixo da terra é a economia. Coober Pedy gera toda a eletricidade que consome – 70% dela, de origem eólica e solar. Mas ligar o ar-condicionado, muitas vezes, é caro e impraticável.

Em Coober Pedy, a rocha é tão mole que pode ser raspada com a unha. — Foto: Alamy
Em Coober Pedy, a rocha é tão mole que pode ser raspada com a unha. — Foto: Alamy

“Para viver acima do solo, você paga uma verdadeira fortuna pelo aquecimento e refrigeração, já que, muitas vezes, faz mais de 50°C no verão”, afirma Jason Wright, o morador local que administra o Riba’s.

Por outro lado, muitas casas subterrâneas em Coober Pedy são relativamente baratas. Em um recente leilão, o preço médio das casas de três quartos foi de cerca de 40 mil dólares australianos (cerca de R$ 126 mil).

Muitas dessas propriedades eram extremamente básicas ou precisavam de reforma, mas existe uma grande diferença entre esses valores e os praticados na cidade grande mais próxima, Adelaide. Lá, o preço médio das residências é de 700 mil dólares australianos (cerca de R$ 2,25 milhões).

E as casas subterrâneas oferecem outros benefícios. Um deles é que não há insetos.

“Quando você chega à porta, as moscas saem das suas costas, elas não querem entrar no escuro e no frio”, conta Wright. E também não há poluição sonora e luminosa embaixo da terra.

Curiosamente, o estilo de vida subterrâneo também pode oferecer alguma proteção contra terremotos. Wright descreve que os tremores de terra na região produzem um ruído vibrante que aumenta e passa através do subterrâneo até o outro lado.

“Tivemos dois [terremotos] desde que me mudei para cá e nunca sequer me abalei”, ele conta. Mas o nível de segurança das estruturas subterrâneas durante atividades sísmicas depende inteiramente do seu tamanho, complexidade e profundidade.

Rocha da região explica praticidade única das casas subterrâneas de Coober Pedy — Foto: Getty Images/BBC
Rocha da região explica praticidade única das casas subterrâneas de Coober Pedy — Foto: Getty Images/BBC

Configuração ideal

A questão é se as casas subterrâneas poderiam ajudar as pessoas a combater os efeitos das mudanças climáticas em outros lugares do planeta. E por que elas são tão poucas?

Existem diversas razões que explicam a praticidade única da construção de subterrâneos em Coober Pedy. A primeira são as rochas da região.

“Elas são muito moles, você pode raspá-las com um canivete ou com a unha”, afirma Barry Lewis, funcionário do centro de informações turísticas da cidade.

Nos anos 1960 e 70, os moradores de Coober Pedy ampliaram suas casas da mesma forma que criaram as minas de opala, usando pás, picaretas e explosivos. Algumas delas não exigiram muito trabalho para serem escavadas, já que muitos moradores usaram poços de minas abandonados como pontos de partida.

Mas, hoje em dia, os túneis costumam ser escavados com equipamento industrial.

“Uma boa máquina de perfuração de túneis pode retirar cerca de seis metros cúbicos de rocha por hora, de forma que você pode ter uma casa subterrânea construída em menos de um mês”, explica Wright.

Na Capadócia, existem muitas casas escavadas na rocha vulcânica. Elas não são mais usadas como moradia — Foto: Getty Images/BBC
Na Capadócia, existem muitas casas escavadas na rocha vulcânica. Elas não são mais usadas como moradia — Foto: Getty Images/BBC

Mas ainda é possível escavar manualmente. Por isso, quando os moradores precisam de mais espaço, às vezes eles simplesmente começam a cavar. E, como se trata de uma área de mineração de opala, não é raro que um projeto de reforma acabe dando lucros.

Já houve um homem que encontrou uma gema grande saindo da parede enquanto instalava um chuveiro e, durante uma obra de ampliação, um hotel local descobriu opalas no valor de 1,5 milhão de dólares australianos (cerca de R$ 4,8 milhões).

O arenito também é estruturalmente estável sem precisar de apoios. Por isso, é possível construir salões literalmente cavernosos com pé-direito alto, em qualquer forma que você quiser, sem acrescentar materiais.

Na verdade, a construção de túneis em Coober Pedy é tão simples que muitos moradores têm casas de luxo sofisticadas, com piscinas subterrâneas, salões de jogos, grandes banheiros e salas de estar de alto padrão.

Um morador local chegou a descrever sua casa subterrânea “como um castelo”, com 50 mil tijolos aparentes e portas em arco em todos os quartos.

“Temos alguns subterrâneos surpreendentes por aqui”, afirma Wright. Ele explica que os moradores são notoriamente reservados – outra possível consequência de viver embaixo da terra – e você só consegue descobrir algo sobre eles quando é convidado para jantar.

Questão de umidade

Os benefícios de Cooper Pedy não seriam os mesmos em outros lugares parecidos.

Das muitas moradias em rochas habitadas por seres humanos, a maioria fica em locais secos. Elas incluem desde as torres e paredes construídas nos rochedos de Mesa Verde, no Colorado (Estados Unidos), habitadas por mais de 700 anos pelo povo conhecido como ancestral pueblo, até os elaborados templos, túmulos e palácios escavados no arenito rosa de Petra, na Jordânia.

Atualmente, uma das últimas aldeias cortadas na rocha e ainda habitadas do mundo é Kandovan, aos pés do monte Sahand, no Irã – um vale marcado por estranhas cavernas pontiagudas que foram escavadas e transformadas em casas, como uma colônia de cupinzeiros. A região recebe apenas 11 mm de chuva por mês, em média, durante todo o verão.

Mas construir embaixo da terra em regiões mais úmidas é claramente mais complicado.

O metrô de Londres é um exemplo. Para impermeabilizar seus túneis subterrâneos originais, construídos no século 19, eles foram revestidos com diversas camadas de tijolos e uma generosa camada de betume.

Atualmente, são utilizados métodos mais modernos. Mas, mesmo com essas precauções, ainda é comum a incidência de mofo preto nas galerias.

Coober Pedy é uma cidade incomum no sul da Austrália, onde tudo é subterrâneo, de igrejas a locais de acampamento — Foto: Getty Images/BBC
Coober Pedy é uma cidade incomum no sul da Austrália, onde tudo é subterrâneo, de igrejas a locais de acampamento — Foto: Getty Images/BBC

O mesmo problema afeta fundações de edifícios, porões e estacionamentos subterrâneos em regiões com forte incidência de chuvas em todo o mundo.

Existem duas razões principais para o fenômeno. Uma é a falta de ventilação, que pode fazer com que a umidade da cozinha, dos banheiros e da própria respiração das pessoas se condense nas frias paredes das cavernas. O outro motivo é a água subterrânea, se as construções estiverem perto do lençol freático.

As cavernas de Hazan, em Israel, são uma complexa rede de esconderijos subterrâneos construídos pelos judeus para escapar da perseguição dos romanos no século 2 d.C.. Ela inclui cozinhas, salões, reservatórios de água e um mausoléu de urnas funerárias.

A apenas 66 metros de distância da entrada da caverna, a temperatura nos túneis cai significativamente em comparação com o lado externo. Mas a umidade também é o dobro dos 40% verificados na entrada da caverna.

Um dos motivos pode ser o fato de que o sistema de cavernas foi construído em rocha porosa, em uma área de planície. Nestas condições, a tendência é de que o volume de água subterrânea seja maior. E seus corredores estreitos e entradas limitadas fazem com que haja pouco fluxo de ar.

Mas, em Coober Pedy, construída sobre 50 metros de arenito poroso, as condições são áridas até nos subterrâneos.

“Aqui é muito, muito seco”, afirma Wright.

Poços de ventilação garantem o fornecimento adequado de oxigênio e permitem que a umidade das atividades internas escape do subterrâneo. Mas eles, muitas vezes, são simples canos que se estendem através do teto.

Esses bunkers à prova de calor trazem, entretanto, um fator de preocupação. Lewis mora atualmente na superfície, em um parque para trailers. Sua casa subterrânea ficava embaixo do mesmo ponto onde ele mora hoje, mas ela simplesmente desabou.

“Não acontece com muita frequência”, segundo ele. “Ela estava em um local ruim.”

Também não é incomum que os moradores derrubem acidentalmente uma parede, atravessando até a casa do vizinho.

Apesar do contratempo, Lewis sente falta da vida nos subterrâneos. E Wright também recomenda o ambiente embaixo da terra para pessoas que sofrem em locais com temperaturas absurdamente altas. Para ele, “é moleza quando você sente aquele calor”.

E se o mundo continuar esquentando, é possível, sim, que, num futuro próximo, comecem a pipocar pirâmides de areia como as de Coober Pedy em outros lugares do mundo.

Sexta-feira promete mais calor pelo Brasil; veja a previsão para o país e para sua região
Sexta-feira promete mais calor pelo Brasil; veja a previsão para o país e para sua região

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quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

Ranking da CBF: Flamengo é líder pelo sexto ano seguido, e Corinthians assume segundo lugar

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Cruzeiro e Mirassol são times com maiores ascensões entre o top-30; veja lista
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Por Redação do ge — Recife

Postado em 25 de Dezembro de 2.025 às 07h00m
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É campeão! Flamengo vence no Maraca e conquista o Brasileirão
É campeão! Flamengo vence no Maraca e conquista o Brasileirão

Dono das duas maiores torcidas do País, Flamengo e Corinthians ocupam os dois primeiros lugares na nova atualização do Ranking de Clubes (RNC) da CBF, divulgado nesta quarta-feira. A liderança, pelo sexto ano consecutivo, pertence ao Rubro-negro, que conquistou o Campeonato Brasileiro e soma 16.314 pontos.

+ Veja a classificação final do Campeonato Brasileiro 2025

Flamengo é campeão brasileiro 2025 — Foto: Paula Reis / Flamengo
Flamengo é campeão brasileiro 2025 — Foto: Paula Reis / Flamengo

Já o Corinthians, campeão da Copa do Brasil, alçou duas posições e assumiu o segundo lugar, que antes era do rival São Paulo, somando 14.930 pontos.

O Palmeiras, vice do Brasileirão, permanece em terceiro, com 13.860 pontos, seguido pelo Atlético-MG (13.696), agora em quarto lugar, e pelo São Paulo, que perdeu três posições e fecha o top-5, com 13.556 pontos.

Vasco 1 x 2 Corinthians | Melhores momentos | Final | Copa do Brasil 2025
Vasco 1 x 2 Corinthians | Melhores momentos | Final | Copa do Brasil 2025

Cruzeiro e Mirassol são os que ganharam mais posições

Porém, nenhum outro clube teve uma ascensão maior que o Cruzeiro, considerando os 20 primeiros colocados do Ranking. Terceiro colocado do Brasileirão e semifinalista da Copa do Brasil, a Raposa ultrapassou oito equipes e agora aparece na 11ª posição. Uma abaixo do Vasco, vice-campeão da Copa do Brasil, que ganhou cinco posições e fecha o Top-10.

Porém, o maior crescimento entre os clubes que disputaram o Brasileirão deste ano coube ao surpreendente Mirassol, quarto colocado em sua primeira participação na Série A. O clube do interior paulista saiu da 37ª para a 28ª colocação. Um salto de nove posições.

Veja o top-30 do Ranking da CBF 2025

  1. Flamengo: 16.314 pontos (🟰)
  2. Corinthians: 14.930 pontos (⬆️+2)
  3. Palmeiras: 13.860 pontos (🟰)
  4. Atlético-MG: 13.696 pontos (⬆️+1)
  5. São Paulo: 13.556 pontos (⬇️ - 3)
  6. Fluminense: 13.006 pontos (⬆️ +1)
  7. Botafogo: 12.834 pontos (⬆️ +1)
  8. Athletico- PR: 12.656 pontos ( ⬇️ -2)
  9. Bahia: 12.632 pontos (⬆️ +2)
  10. Vasco: 11.330 pontos (⬆️ +5)
  11. Cruzeiro: 11.010 pontos (⬆️ +8)
  12. Grêmio: 10.636 (⬇️ -2)
  13. Fortaleza: 10.383 (⬇️ -4)
  14. Internacional: 10.014 (⬇️ -2)
  15. Red Bull Bragantino: 9.802 (⬇️ -1)
  16. Santos: 8.852 pontos (🟰)
  17. Juventude: 8.426 pontos (⬆️ +1)
  18. Atlético-GO: 7.476 pontos (⬇️ -1)
  19. América-MG: 7.429 pontos (⬇️ -6)
  20. Vitória: 7.205 pontos (⬆️ +3)
  21. Ceará: 7.122 pontos(⬆️ +1)
  22. Cuiabá: 6.746 pontos (⬇️ -2)
  23. Goiás: 6.463 pontos (⬇️ -2)
  24. Coritiba: 6.381 pontos (🟰)
  25. Sport: 6.340 pontos (🟰)
  26. CRB: 6.150 pontos ( ⬆️ +1)
  27. Criciúma: 6.090 pontos (⬇️ -1)
  28. Mirassol: 5.537 pontos (⬆️ +9)
  29. Vila Nova: 4.750 pontos (🟰)
  30. Operário-PR: 4.525 pontos (⬆️ +1)
Como são definidas as colocações?

Os atuais critérios passaram a ser adotados a partir do ranking de 2013. A pontuação é estabelecida a partir de um cálculo sobre o desempenho dos clubes nas competições nacionais realizadas nos últimos cinco anos. Para cada ano, são atribuídos pesos a serem convertidos em pontuação, com as competições mais recentes tendo valor maior.

Tabela de conversões de pontos para o Ranking Nacional de Clubes da CBF — Foto: Reprodução
Tabela de conversões de pontos para o Ranking Nacional de Clubes da CBF — Foto: Reprodução

Líderes do ranking no Brasil ano a ano

  • 2013: Fluminense (16.208 pontos)
  • 2014: Grêmio (15.286 pontos)
  • 2015: Cruzeiro (15.328 pontos)
  • 2016: Corinthians (14.664 pontos)
  • 2017: Grêmio (15.038 pontos)
  • 2018: Palmeiras e Cruzeiro (15.288 pontos)
  • 2019: Palmeiras (16.914 pontos)
  • 2020: Palmeiras (16.640 pontos)
  • 2021: Flamengo (16.768 pontos)
  • 2022: Flamengo (17.054 pontos)
  • 2023: Flamengo (17.210 pontos)
  • 2024: Flamengo (16.678 pontos)
  • 2025: Flamengo (16.996 pontos)
  • 2026: Flamengo (16.314 pontos)
Bruno Henrique levanta a taça de campeão brasileiro no Flamengo — Foto: Adriano Fontes / Flamengo
Bruno Henrique levanta a taça de campeão brasileiro no Flamengo — Foto: Adriano Fontes / Flamengo

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terça-feira, 23 de dezembro de 2025

IPCA-15: preços sobem 0,25% em dezembro e fecham o ano com alta de 4,41%

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A prévia da inflação indica que o IPCA deve encerrar o ano dentro do intervalo da meta do Banco Central, fixada em 3%, com tolerância entre 1,5% e 4,5%.
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Por Janize Colaço, g1 — São Paulo

Postado em 23 de Dezembro de 2.025 às 10h00m
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IPCA-15 fecha 2025 em 4,41%, dentro da meta da inflação
IPCA-15 fecha 2025 em 4,41%, dentro da meta da inflação

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), a prévia da inflação oficial, foi de 0,25% em dezembro, segundo dados divulgados nesta terça-feira (23) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Com a alta registrada em dezembro, o IPCA-15 fecha o ano com inflação acumulada de 4,41%, ainda dentro do intervalo da meta definida pelo Banco Central. No mesmo mês de 2024, o índice havia subido 0,34%.

O resultado vem 0,05 ponto percentual (p.p.) acima do registrado em novembro, quando o índice avançou 0,20%. Além disso, a variação ficou levemente abaixo das projeções do mercado, que apontavam avanço de 0,27% no mês e inflação de 4,43% no acumulado de 12 meses.

Dos nove grupos de produtos e serviços que compõem o IPCA-15, sete registraram aumento de preços em dezembro. O maior avanço e também o maior impacto sobre o índice vieram do grupo Transportes, que subiu 0,69% no mês e respondeu por 0,14 ponto percentual do resultado total.

Em sentido oposto, o grupo Artigos de Residência apresentou queda de 0,64%, retirando 0,02 ponto percentual do índice, e acumulou a quarta redução consecutiva nos preços médios.

Entre os demais grupos, as variações foram mais moderadas: Saúde e Cuidados Pessoais teve leve recuo de 0,01%, enquanto Vestuário registrou alta de 0,69%, a maior depois de Transportes.

Veja abaixo a variação dos grupos em dezembro:

  • Alimentação e bebidas: 0,13%
  • Habitação: 0,17%
  • Artigos de residência: -0,64%
  • Vestuário: 0,69%
  • Transportes: 0,69%
  • Saúde e cuidados pessoais: -0,01%
  • Despesas pessoais: 0,46%
  • Educação: 0,00%
  • Comunicação: 0,01%

O que influenciou a prévia da inflação em dezembro?

No grupo Transportes, o principal impacto individual sobre o índice veio das passagens aéreas. Os preços subiram 12,71% no mês, o que respondeu por 0,09 ponto percentual do resultado total da inflação — ou seja, quase dois terços da contribuição do grupo.

O transporte por aplicativo também pesou no índice, com aumento de 9,00% e impacto de 0,02 ponto percentual.

Os combustíveis, por sua vez, tiveram alta média de 0,26%, após terem recuado 0,46% em novembro. Dentro do grupo, o etanol subiu 1,70% e a gasolina avançou 0,11%. Em sentido contrário, o gás veicular apresentou queda de 0,26% e o óleo diesel recuou 0,38%, o que ajudou a conter uma alta ainda maior no grupo de Transportes.

Ainda no grupo Transportes, os preços do transporte público urbano registraram queda, influenciados por medidas pontuais adotadas em algumas capitais. Entre os principais destaques:

  • 🚌 Ônibus urbano: recuo de 0,69%, refletindo a gratuidade aos domingos e feriados em Belém (-5,93%) e Brasília (-7,43%), além da redução tarifária em Curitiba (-3,41%).
  • 🚇 Metrô: queda de 0,62%, puxada principalmente por Brasília (-7,43%); em São Paulo, a redução foi de 0,20%.
  • 🚆Trem: baixa de 0,11%.
  • 🔁 Integração do transporte público: recuo de 0,16%, em razão da liberação do pagamento da passagem nos dias de aplicação das provas do Enem, em 9 e 16 de novembro.

No grupo Vestuário, os preços subiram 0,69% em dezembro, com aumentos espalhados por diferentes tipos de roupas. As maiores altas foram observadas nas roupas infantis, que ficaram 1,05% mais caras, seguidas pelas roupas femininas (0,98%) e masculinas (0,70%).

Já o grupo Despesas pessoais apresentou desaceleração da inflação no fim do ano. Após subir 0,85% em novembro, o avanço foi menor em dezembro, de 0,46%. Dentro desse grupo, a hospedagem teve queda de 1,18%, revertendo a forte alta de 4,18% registrada no mês anterior.

Em sentido oposto, alguns serviços continuaram pressionando os preços, como cabeleireiro e barbeiro (1,25%), empregado doméstico (0,48%) e pacotes turísticos (2,47%), contribuindo para manter o grupo em alta.

Avanço modesto em outros grupos

O grupo Habitação registrou alta de 0,17% em dezembro. Esse resultado foi influenciado principalmente pelo aluguel residencial, que subiu 0,33%, e pela taxa de água e esgoto, com aumento de 0,66% — refletindo reajustes tarifários adotados em algumas capitais, que pressionaram os preços no mês.

Ainda dentro de Habitação, a energia elétrica residencial apresentou queda de 0,22% em dezembro. Um dos fatores por trás desse recuo foi a mudança no sistema de bandeiras tarifárias, que define cobranças extras na conta de luz conforme as condições de geração de energia.

  • 🔴 Em novembro, vigorava a bandeira vermelha patamar 1, que acrescentava R$ 4,46 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos.
  • 🟡 Já em dezembro, passou a valer a bandeira amarela, com um adicional menor, de R$ 1,885 para o mesmo nível de consumo.

O grupo Alimentação e bebidas, que tem o maior peso no índice de inflação, registrou alta de 0,13% em dezembro. Dentro desse grupo, a alimentação no domicílio — ou seja, os alimentos comprados para consumo em casa — caiu 0,08%, marcando a sétima queda consecutiva na média de preços.

Alimentos que ficaram mais baratos em dezembro:

  • 🍅 Tomate: queda de 14,53%
  • 🥛 Leite longa vida: recuo de 5,37%
  • 🍚 Arroz: baixa de 2,37%

Alimentos que ficaram mais caros no mês:

  • 🥩 Carnes: alta de 1,54%
  • 🍎 Frutas: aumento de 1,46%

Já a alimentação fora do domicílio, que inclui gastos em bares, restaurantes e lanchonetes, apresentou alta de 0,65% em dezembro. O avanço foi influenciado principalmente pelo aumento nos preços do lanche (0,99%) e da refeição (0,62%), refletindo custos maiores nesse tipo de serviço.

O grupo Artigos de residência registrou queda de 0,64%, resultado da redução de preços em itens como eletrodomésticos e equipamentos (-1,41%) e produtos de TV, som e informática (-0,93%), que ajudaram a aliviar a inflação no mês.

Serviços no radar dos economistas

Na avaliação dos economistas, o IPCA-15 de dezembro veio em linha com as expectativas do mercado, mas a composição do resultado acendeu um sinal de alerta, especialmente por causa do comportamento dos preços de serviços — segmento considerado mais sensível ao nível de atividade econômica e ao mercado de trabalho.

Carlos Thadeu, economista de inflação e commodities da BGC Liquidez, explica que, embora o índice cheio tenha batido com as projeções, a abertura do indicador surpreendeu.

Segundo ele, os serviços subjacentes, que excluem itens mais voláteis e ajudam a medir a tendência estrutural da inflação, ficaram mais pressionados do que o esperado, enquanto os preços de bens industriais avançaram acima das estimativas.

De acordo com Thadeu, a aceleração dos serviços subjacentes para 0,52% refletiu pressões já identificadas nas coletas da instituição, como transporte por aplicativo, cinema e refeições fora do domicílio. Além disso, as passagens aéreas contribuíram para a maior volatilidade recente do grupo.

“O número é ruim pois veio com um delta expressivo de Serviços Subjacentes em relação ao que o mercado esperava”, afirma. Para ele, a atenção agora se volta ao primeiro trimestre de 2026 e ao risco de estímulos econômicos continuarem interferindo nas decisões de política monetária.

Avaliação semelhante é feita por Mariana Rodrigues, economista da SulAmérica Investimentos, que define o resultado como em linha no headline — expressão usada para se referir ao índice cheio —, mas com piora na qualidade da inflação.

Na leitura da economista, a principal surpresa negativa foi a inflação de serviços subjacentes acima do previsto, o que reforça o cenário de reaceleração desses preços no fim do ano, mesmo com a inflação total ainda abaixo do teto da meta estabelecida pelo Banco Central.

“Ao mesmo tempo, a reversão da deflação em bens industriais ocorreu mais rapidamente do que o previsto, enquanto, em alimentação no domicílio, a queda de preços perdeu força com a aceleração das carnes, influenciada por fatores sazonais típicos de dezembro.”

Para Pablo Spyer, conselheiro da Ancord e economista, os dados confirmam que o processo de desinflação segue em andamento, mas de forma irregular.

Ele destaca que há sinais relevantes de alívio nos preços dos alimentos consumidos em casa e dos bens industriais, ainda influenciados por descontos e por uma demanda mais fraca.

Por outro lado, alerta que os serviços continuam sendo o principal desafio, refletindo um mercado de trabalho aquecido e pressões típicas do fim do ano.

“O resultado não altera de forma relevante o cenário-base para a política monetária, reforçando uma postura prudente do Banco Central. O IPCA-15 confirma um cenário de inflação sob controle, mas ainda longe de confortável”, diz.

Tatiana Pinheiro, economista-chefe da Galapagos Capital, também chama atenção para a deflação observada em grupos importantes, como alimentação no domicílio, artigos de residência e educação.

Esse movimento ajudou a trazer o índice de difusão — indicador que mede a proporção de itens com aumento de preços — de volta a um patamar mais compatível com a meta de inflação de 3%.

Ainda assim, ela ressalta que a inflação de serviços, tanto a cheia quanto a subjacente, segue acima de 6% no acumulado de 12 meses, o que mantém o Banco Central em uma posição desconfortável para iniciar cortes na taxa de juros.

“Será necessária uma desaceleração mais clara da inflação de serviços para que o ciclo de corte se consolide”, afirma.

Passageiros no terminal 2 do Aeroporto Internacional de Guarulhos. — Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
Passageiros no terminal 2 do Aeroporto Internacional de Guarulhos. — Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

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