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domingo, 6 de julho de 2025

A sequência de erros graves que fez um navio dos EUA abater um avião de passageiros do Irã em 1988

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65 crianças estavam na lista de 290 mortos. Americanos aceitaram indenizar famílias, mas nunca pediram desculpas formais.
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Por Daniel Médici, g1

Postado em 06 de Julho de 2.025 às 06h00m

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Iran Air 655: Por que um navio americano derrubou avião civil iraniano com 290 passageiros
Iran Air 655: Por que um navio americano derrubou avião civil iraniano com 290 passageiros

A derrubada de um avião comercial por militares americanos, há quase 40 anos, é uma das maiores tragédias da história do Irã e ajudou a implodir as relações já deterioradas entre os países naquele momento.

No total, 290 pessoas morreram, sendo 254 iranianos. Entre os mortos, havia 65 crianças. A data é lembrada com luto no Irã desde então. Todos os anos, familiares das vítimas vão ao mar jogar flores.

O Irã abriu um processo no Tribunal de Haia, e o caso foi resolvido num acordo em 1996. Washington aceitou pagar US$ 61,8 milhões às famílias, mas nunca pediu desculpas públicas pelas mortes.

Recentemente, as tensões voltaram ao nível máximo depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mandou bombardear instalações nucleares do Irã em apoio a seu aliado Benjamin Netanyahu, premiê de Israel.

Em julho de 1988, o contexto era a guerra entre Irã e Iraque, que era governado pelo ditador Saddam Hussein (derrubado pelas forças americanas décadas depois).

Na manhã do dia 3 de julho de 1988, um domingo, imagens de corpos sem vida flutuando no mar chocaram os iranianos ao serem transmitidas na TV.

Eram passageiros e tripulantes do voo Iran Air 655. O Airbus A300 havia decolado do sul do país e foi abatido à luz do dia por mísseis teleguiados disparados por um moderno navio de guerra americano. Os destroços caíram no Golfo Pérsico.

Iranianos com os caixões das vítimas do voo da Iran Air, abatido por navio dos EUA — Foto: Wikimedia Commons
Iranianos com os caixões das vítimas do voo da Iran Air, abatido por navio dos EUA — Foto: Wikimedia Commons

A sequência de erros do navio que era 'menina dos olhos'

A sequência de eventos começa dentro do navio USS Vincennes, um cruzador de mísseis guiados lançado ao mar em 1984 e pertencente à frota do Pacífico da Marinha americana.

O Vincennes fazia parte de um enorme contingente de navios que patrulhavam o Golfo Pérsico e o Estreito de Ormuz em 1988.

USS Vincennes, em imagem de 1994 — Foto: Wikimedia Commons
USS Vincennes, em imagem de 1994 — Foto: Wikimedia Commons

Naquele momento, Irã e Iraque atacavam navios na tentativa de sufocar as exportações de petróleo um do outro – em particular, os iranianos tentavam interromper a passagem de petroleiros e navios mercantes que escoavam o petróleo iraquiano via Kuwait, que atravessavam o Golfo Pérsico.

No comando do Vincennes estava o capitão William Rogers 3º, um veterano com mais de 20 anos de serviço.

O navio não havia participado de nenhum combate até então, mas era a menina dos olhos da Marinha americana, equipado com metralhadoras, mísseis teleguiados e helicópteros – além do sistema de combate Aegis de última geração, que usava radares e computadores para direcionar mísseis em direção a seus alvos. Apenas cinco navios tinham o sistema na época, resultado de um investimento bilionário.

Os EUA eram aliados de Saddam e se comprometeram a escoltar navios que saíssem do Kuwait, na maior operação de comboio naval já vista desde a Segunda Guerra Mundial.

Destroços do Iran Air 655 — Foto: Wikimedia Commons
Destroços do Iran Air 655 — Foto: Wikimedia Commons

Proa apontada para Ormuz

Naquela manhã, a proa do Vincennes estava apontada para a direção oposta a Ormuz, indo para o Bahrein, onde a Marinha dos EUA havia estabelecido seu centro de comando no Golfo. A tripulação do cruzador tinha uma folga programada para o dia seguinte, feriado da Independência americana.

Não significaria que o estreito ficaria desguarnecido: estavam patrulhando diferentes pontos da região o USS John Hancock, o USS Halsey, o USS O’Brien, o USS Fahrion e o USS Coronado, entre outros. A sigla USS significa "United States Ship", ou navio dos Estados Unidos.

Por volta das 7h da manhã daquele domingo, no horário local, a fragata USS Elmer Montgomery registrou uma movimentação suspeita de lanchas da Guarda Revolucionária iraniana ao redor de um navio mercante paquistanês. O Montgomery também notou que os tripulantes iranianos estavam armados com metralhadoras e lança-foguetes, segundo o relatório americano do incidente.

Do Bahrein, o almirante Anthony Less controlava a operação americana na região. Segundo a versão oficial dos acontecimentos, ele e seu chefe de combates de superfície, Richard McKenna, decidiram despachar um dos helicópteros do Vincennes para ver o que estava acontecendo.

McKenna ordenou a Rogers que o Vincennes mantivesse sua posição mais ao sul do local, em águas dos Emirados Árabes Unidos, enquanto o helicóptero realizava a verificação.

Centro de comando militar do USS Vincennes, em imagem de arquivo — Foto: Marinha dos EUA/Wikimedia commons
Centro de comando militar do USS Vincennes, em imagem de arquivo — Foto: Marinha dos EUA/Wikimedia commons

Nesse momento, é dado o primeiro passo em direção à tragédia

A bordo do helicóptero, o tenente Mark Collier nota uma movimentação de barcos iranianos ao redor de outro navio mercante, mas seu capitão não solicita apoio dos militares. Collier nota a frota da Guarda revolucionária recuando, mas, em vez de retornar ao Vincennes, ele decide escoltar as embarcações hostis.

Pouco depois, ele ouve tiros e explosões. Assustado, reporta ao Vincennes ter sofrido um ataque.

O capitão Rogers, do centro de comando de combate do Vincennes, recebe a mensagem de Colliers. Ele entende que uma agressão foi cometida contra o Vincennes, e, portanto, as regras de engajamento permitem um contra-ataque.

Regras de engajamento, no jargão militar, são diretrizes que ditam em qual momento e circunstâncias o uso da força é legítimo.

Essas diretrizes haviam sido flexibilizadas na operação Earnest Will a partir de maio de 1987, pouco mais de um ano antes, quando a embarcação USS Stark foi alvejada por fogo amigo iraquiano, num incidente que deixou 37 militares mortos. Desde então, os capitães estavam autorizados a atirar mesmo antes de terem suas embarcações atacadas diretamente.

De observador, o Vincennes agora se coloca em posição de ataque. Rogers ordena um deslocamento em velocidade máxima para o norte, em direção à costa iraniana, e pede ao almirante Less permissão para disparar contra as embarcações da Guarda Revolucionária.

À distância, o Vincennes e o Montgomery direcionam suas metralhadoras para dois grupos de pequenas embarcações. Alguns poucos combatentes iranianos não seriam páreos para um navio equipado com sistema Aegis, mas os radares do Vincennes detectam uma possível ameaça real à integridade do navio: um caça militar iraniano F-14.

Airbus A300 da Iran Air abatido por míssil dos EUA em 3 de julho de 1988; imagem mostra aeronave em 1987 — Foto: Reiner Geerdts/Wikimedia Commons
Airbus A300 da Iran Air abatido por míssil dos EUA em 3 de julho de 1988; imagem mostra aeronave em 1987 — Foto: Reiner Geerdts/Wikimedia Commons

Voo atrasado

Enquanto a tensão escalava no mar, alguns quilômetros ao norte, na cidade costeira de Bandar Abbas, o dia era igual a qualquer outro: o comandante Mohsen Rezaian, de 38 anos, se preparava para decolar o Airbus A300 da Iran Air, que fazia o voo 655 em direção a Dubai.

O voo 655 havia atrasado na escala em Bandar Abbas, mas o trajeto até o destino final levaria apenas cerca de meia hora.

Rezaian era um dos 290 ocupantes do Airbus A300 que havia partido de Teerã algumas horas antes. Treinado nos EUA, ele falava inglês fluentemente e sabia que, se questionado pelos navios americanos no Golfo, deveria fornecer se identificar por rádio.

Como parte da identificação, ele havia colocado o código 6760 no transponder da aeronave, que indicava para os radares da região, entre outras coisas, que se tratava de uma aeronave civil. Além do mais, o voo percorreria um corredor aéreo internacional reconhecido.

Por volta das 10h15 no horário local, ele recebeu autorização do controle de tráfego aéreo e decolou de Bandar Abbas. Parecia que tudo estava ok —mas não.

Um avião se aproxima: tensão na sala de comando

Dentro da sala de comando militar do Vincennes, o ambiente era tenso. O operador de rádio detectou uma decolagem no aeroporto de Bandar Abbas, usado pelo Irã tanto para voos comerciais quanto para operações militares.

Desconfiado, o suboficial Andrew Anderson consultou um papel com a relação de voos comerciais previstos, com o fuso horário do Bahrein (30 minutos à frente do Irã). O sistema IFF, sistema que lê os sinais do transponder e identifica de determinada aeronave ou navio é aliada ou inimiga, dizia que se tratava de um avião civil – mas ele não estava convencido.

Ao longo dos dez minutos seguintes, o Vincennes manda uma dezena de mensagens de rádio, a maioria delas pela frequência militar e outras pela frequência civil:

“Aeronave desconhecida no curso 206, velocidade 316, posição 2702N/05616E. Você está se aproximando de um navio de guerra da Marinha dos EUA. Solicito que permaneça afastado.”

Ao fazer novamente uma checagem pelo IFF, Anderson tem uma surpresa: o dispositivo mostra agora se tratar de uma aeronave militar voando em direção ao Vincennes.

O Irã dispunha de diversos caças americanos F-14 adquiridos antes da Revolução Islâmica de 1979. O temor da tripulação do Vincennes era de que um deles seja utilizado para atacá-los em meio à troca de fogo com os barcos da Guarda Revolucionária.

“Possível Astro!”, grita Anderson (em referência ao código militar para F-14) na sala de comando, para o capitão Rogers, às 10h21.

Rogers decide acionar o sistema de mísseis do navio, mas hesita em dar a ordem de fogo. O operador de rádio tentava ainda fazer contato, sem que a aeronave respondesse. O tempo para decidir atacar estava se acabando, porém: a cerca de 37 km, o Vincennes estaria vulnerável a um ataque com mísseis de um F-14.

Um grito e uma ordem de ataque

Um grito soou na sala de comando militar: a aeronave estava "rapidamente descendo e aumentando a velocidade", executando o que parecia ser a manobra clássica de um ataque aéreo.

Apenas 18 km separavam o Vincennes da aeronave quando Rogers deu a ordem de ataque e girou a chave no painel de comando que acionava o disparo de dois mísseis terra-ar SM-2 Block II. Eram 10h24 da manhã, e o primeiro disparo atingiu em cheio o alvo cerca de 30 segundos após o lançamento. A notícia foi recebida com comemoração e alívio pelo centro de comando militar do navio.

A alegria passou a desconfiança quando os primeiros marinheiros notaram uma asa caída no mar, grande demais para pertencer a um F-14. Logo se soube que o míssil não havia derrubado caça algum, mas o voo Iran Air 655.

Não houve nenhum tempo de reação —e todos morreram quando a aeronave explodiu. A bordo estavam 290 pessoas, incluindo 16 mulheres e 65 crianças.

A comoção com o incidente tomou conta do Irã, num episódio ainda anualmente relembrado. Do lado americano, a responsabilidade de buscar respostas recaiu sobre o almirante William Fogarty.

Sequência de erros vem à tona

O almirante conduziu entrevistas com os envolvidos e coletou dados para produzir um relatório final sobre a tragédia.

O sistema Aegis do Vincennes registrou todos os parâmetros do momento do combate, de forma semelhante às caixas-pretas dos aviões.

Entre as descobertas da investigação, duas se destacam:

  • Em primeiro lugar, em nenhum momento o comandante do Iran Air inseriu um código militar (1100) em seu transponder. O relatório conclui que o sistema do navio ainda estava lendo os sinais enviados da pista do aeroporto de Bandar Abbas minutos após a decolagem do Airbus, sem que o operador percebesse. Isso foi considerado, em parte, uma falha de projeto da interface do sistema Aegis. O relatório aponta que um caça F-14 estava na pista do aeroporto naquele momento, já que o local tinha uso civil e militar.
  • Ainda mais surpreendente, porém, foi constatar que, segundo os dados coletados pelo Aegis, o Airbus da Iran Air pilotado pelo comandante Rezaian não executou em momento algum a manobra de descida em alta velocidade que fez o capitão Rogers decidir pelo lançamento dos mísseis.

O relatório de William Fogarty atribui o fenômeno a uma condição psicológica chamada “confirmação de cenário” (ou “scenario fulfillment”, no original em inglês). Ou seja, em um momento de estresse, a tripulação foi levada a crer que a aeronave não identificada estava executando um movimento de ataque porque aquela era a ação para a qual eles estavam em alerta.

O Airbus não chegou a interromper sua subida desde o momento da decolagem em Bandar Abbas.

Fogarty, em seu relatório, não culpa diretamente nenhum dos militares americanos pelo ocorrido, que é classificado como um “incidente trágico e lamentável” provocado pela “névoa da guerra”, que obrigou o capitão Rogers e sua equipe a tomarem decisões cruciais em poucos segundos.

O relatório vai além e afirma que o Irã deveria assumir parte da culpa, por permitir a decolagem de aeronaves civis perto de uma área conflagrada, em um aeroporto também usado para fins militares. 
Condecorações e a reação do Irã

Ao fim de sua missão, o USS Vincennes foi recebido com honras ao aportar em San Diego, na Califórnia. Vários de seus tripulantes foram condecorados, incluindo o capitão Rogers, agraciado com a Legião de Honra.

Tais atitudes não foram bem recebidas por Teerã. O regime do aiatolá Khomeini entendeu o relatório e as condecorações como provocações, e acusou os EUA de abaterem de propósito uma aeronave civil iraniana.

Contatos sem resposta

Restava ainda saber por que as tentativas de contato direcionadas ao Iran Air 655 não haviam sido respondidas. O comandante Rezaian falava inglês fluentemente e estava ciente de que deveria monitorar frequências de rádio civis e militares durante o voo.

Uma investigação paralela da Icao (Organização Internacional da Aviação Civil, vinculada à ONU) concluiu que o Iran Air recebeu quatro mensagens, três vindas do USS Vincennes e uma, em frequência civil, de um outro navio próximo, o USS Sides. Outras sete mensagens enviadas por frequência militar pelo Vincennes não foram recebidas.

Apenas a última comunicação, vinda do Sides 40 segundos antes do lançamento dos mísseis pelo capitão Rogers, era inequivocamente direcionada ao Iran Air, concluiu a ICAO.

Em todas as outras, o rádio-operador do Vincennes mandou mensagens ao Airbus identificando-o pela velocidade em relação ao solo. Rezaian, porém, estava com seus equipamentos configurados para mostrar a velocidade em relação ao ar, o que levou ele e sua equipe, possivelmente, a concluir que o Vincennes estava tentando contato com outro avião.

De fato, havia uma aeronave militar iraniana próxima que aparecia no radar do Airbus, que a tripulação do Iran Air acreditava ser destinatária da mensagem dos americanos.

Além disso, Rezaian e sua equipe estavam voando em um corredor aéreo internacional reconhecido.

‘Mar de mentiras’

Novas luzes foram jogadas sobre o caso em 1992, quando dois jornalistas da revista “Newsweek” tiveram acesso à íntegra do relatório Fogarty.

Em um artigo intitulado “Mar de mentiras”, que também contou com entrevistas com os envolvidos, a revista revelou que, no momento do ataque, o Vincennes havia entrado cerca de 4 km dentro do espaço marítimo do Irã, “em clara violação do direito internacional”.

O artigo também descreve o capitão Rogers como “belicoso”, visto pelos seus pares como ávido por combates, mesmo que desnecessário –muito provavelmente em busca de uma batalha que o elevasse à patente de almirante, o que ele nunca atingiu.

De fato, Rogers havia desviado o curso do Vincennes sem o consentimento dos superiores nas primeiras horas daquele dia 3 de julho. Tão logo o helicóptero que integrava a embarcação reportou ter sido atacado, alguns minutos depois, ele se deslocou em velocidade máxima para confrontar as embarcações iranianas, numa manobra que lhe obrigou a tomar decisões de forma muito mais rápida.

As relações entre EUA e Irã, já deterioradas desde a Revolução Islâmica de 1979, nunca mais se recuperaram.

Iran Air 655: o avião abatido por um navio dos Estados Unidos — Foto: Arte/g1
Iran Air 655: o avião abatido por um navio dos Estados Unidos — Foto: Arte/g1

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sábado, 5 de julho de 2025

Brasil reivindica ilha submersa no Atlântico do tamanho da Espanha rica em 'minerais do futuro'; entenda

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Formação geológica conhecida como Elevação do Rio Grande está a 1.200 km da costa do RS e contém minerais conhecidos como 'terras raras'; cobiçados no mundo todo. Estudos comprovam que o local um dia foi uma ilha vulcânica tropical.
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Por Gustavo Foster, g1 RS

Postado em 05 de Julho de 2.025 às 06h00m

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Veja como é a Elevação Rio Grande, ilha submersa no litoral do RS
Veja como é a Elevação Rio Grande, ilha submersa no litoral do RS

Uma ilha submersa no Oceano Atlântico do tamanho da Espanha é reivindicada pelo Brasil desde 2018 junto à Organização das Nações Unidas (ONU). Conhecida como Elevação do Rio Grande, a ilha está a 5 mil metros de profundidade e a cerca de 1.200 km da costa do Rio Grande do Sul. A formação pode um dia ter sido parte do território que hoje é o Brasil.

Evidências científicas mostram que o solo, antes de submergir, era idêntico ao do interior de São Paulo. A reivindicação é feita com base na Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM), que permite aos países ampliar sua plataforma continental, desde que comprovem essa continuidade geológica. (Entenda mais abaixo)

🔎Estudos feitos por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) indicam que a ilha de 500 mil km² contém "terras raras" (minerais 'do futuro', considerados estratégicos para a transição energética), além de basalto (rocha vulcânica) e camadas de argila vermelha — que comprovam que o local já foi uma ilha vulcânica tropical.

"São minerais que ocorrem na natureza. Ou o país tem reserva ou não tem, não tem como criar uma indústria de minerais. E o Brasil tem muito desta riqueza. O que encontramos é uma concentração anômala de minerais na Elevação Rio Grande", explica a pesquisadora Carina Ulsen, da USP.

"Nosso trabalho não é advogar a favor da mineração submarina, mas estudar a região e entender o que temos lá embaixo do ponto de vista mineral, animal e vegetal", diz Carine.

O Brasil tem a segunda maior reserva de "terras raras" do mundo, segundo o Ministério de Minas e Energia (MME). Contudo, ainda não domina plenamente a tecnologia de beneficiamento e transformação industrial desses minerais.

Na prática, isso significa que o país ainda exporta, em boa parte, os minerais como commodities brutas, sem agregar valor.

Segundo a Marinha do Brasil, a Elevação do Rio Grande fica em uma área conhecida como Margem Oriental-Meridional. Essa área é uma das três que são reivindicadas pelo governo brasileiro em águas internacionais.

A Margem Oriental-Meriodional tem 1.500.000 km² e fica mais ao Sul. Além dessa, há os territórios nomeados Região Sul e Margem Equatorial. As três áreas ficam além da Zona Econômica Exclusiva (ZEE) do Brasil.

➡️ ZEE: território marítimo que abrange uma faixa de 200 milhas náuticas (aproximadamente 370 quilômetros) a partir do litoral, estabelecido como território brasileiro desde a assinatura da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito Mar (CNUDM), em 10 de dezembro de 1982. O território além desta faixa é considerado patrimônio da humanidade.

O pleito do governo brasileiro por controle da Margem Oriental-Meridional está em análise pela Comissão de Limites da Plataforma Continental (CLPC) da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar desde 26 de fevereiro de 2025.

Ainda de acordo com a Marinha, que é responsável por esse tipo de solicitação às autoridades internacionais, um documento emitido pela CLPC em março referendou a metodologia e os argumentos utilizados pelo Brasil na definição do novo território.

Agora, o Brasil aguarda definição da ONU sobre o pedido. Não há prazo para resposta.

Solo da ilha submersa é idêntico ao do interior de SP

De acordo com pesquisadores, a área mapeada possui picos que ultrapassam 4 mil metros de altura — mais altos que o Pico da Neblina, a montanha mais elevada do Brasil, que tem menos de 3 mil metros.

Estudos indicam que a antiga ilha vulcânica tinha clima tropical e, muito provavelmente, era recoberta de florestas e rodeada por recifes. Com o tempo, a formação foi sendo naturalmente erodida pela ação do vento, da chuva e das ondas, e coberta por sucessivas erupções de lava, que deram origem aos tapetes de argila vermelha espremidos entre camadas de basalto preto.

Imagens feitas com veículo não tripulado mostram cânion que corta Elevação do Rio Grande — Foto: Luigi Jovane/USP
Imagens feitas com veículo não tripulado mostram cânion que corta Elevação do Rio Grande — Foto: Luigi Jovane/USP

As primeiras evidências começaram a aparecer em fevereiro de 2018, numa expedição liderada por pesquisadores do Instituto Oceanográfico (IO) da USP que utilizou um navio de pesquisa para realizar dragagens.

Uma segunda expedição, realizada oito meses depois com um navio britânico, permitiu liberar um veículo submarino não-tripulado de operação remota (ROV), que fez imagens em alta resolução das camadas expostas na borda do cânion que corta a Elevação do Rio Grande, conhecido como a “Grande Fenda” (ou Rifte Cruzeiro do Sul, na nomenclatura oficial). Veja as imagens no vídeo que abre essa reportagem.

Essas evidências mostram que, em seu estado original, o solo era idêntico ao do interior de São Paulo, com terra vermelha.

“O fato de que estamos encontrando esses indícios, de que essa área era uma ilha até pouco tempo atrás, é muito importante, porque mostra que havia uma relação direta com o continente”, avalia o pesquisador Luigi Jovane, da USP.

Atualmente, pesquisadores da USP e de outras universidades, como Mackenzie, UNB, UERJ, Unisinos e Ufes, buscam estudar questões como legislação internacional, impactos ambientais, biologia, geologia e outros aspectos da Elevação Rio Grande.

No que diz respeito ao pedido do governo brasileiro, essa similaridade é um dos principais aspectos levados em conta pelos órgãos internacionais que fazem a avaliação.

Imagens do Rifte Cruzeiro do Sul, cânion que corta a Elevação do Rio Grande, mostram depósitos de basalto e camadas de argila vermelha — Foto: Luigi Jovane/USP
Imagens do Rifte Cruzeiro do Sul, cânion que corta a Elevação do Rio Grande, mostram depósitos de basalto e camadas de argila vermelha — Foto: Luigi Jovane/USP


Minérios raros: o que são as matérias-primas do acordo comercial anunciado por Trump entre EUA e China
Minérios raros: o que são as matérias-primas do acordo comercial anunciado por Trump entre EUA e China

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sexta-feira, 4 de julho de 2025

Comer uma maçã por dia realmente faz bem à saúde? 'Uma maçã por dia mantém o médico longe', diz o ditado.

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Mas o que dizem os estudos científicos sobre o tema?
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TOPO
Por Jessica Bradley

Postado em 04 de Julho de 2.025 às 07h00m

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Passamos a vida ouvindo que 'uma maçã por dia mantém o médico longe', mas será que a fruta realmente traz benefícios fora do comum para a nossa saúde? — Foto: GETTY IMAGES via BBC
Passamos a vida ouvindo que 'uma maçã por dia mantém o médico longe', mas será que a fruta realmente traz benefícios fora do comum para a nossa saúde? — Foto: GETTY IMAGES via BBC

O mundo inteiro adora maçãs.

Todos os anos, são produzidas quase 100 milhões de toneladas da fruta em todo o planeta.

Existem maçãs com as mais diversas cores e sabores. E elas conquistaram, há muito tempo, a fama de preservar nossa saúde.

A frase popular em língua inglesa "uma maçã por dia mantém o médico longe" vem de um provérbio galês um pouco mais longo, escrito em 1866: "Coma uma maçã antes de ir para a cama e você tirará o ganha-pão do médico."

Mas existe alguma verdade nesta antiga máxima? As maçãs são realmente mais saudáveis do que outras frutas?

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Por que as maçãs são tão saudáveis

Vamos começar analisando os nutrientes oferecidos pelas maçãs.

Elas são uma rica fonte de fitoquímicos, como flavonóis. Estes compostos já foram relacionados a diversos benefícios à saúde, como a manutenção do peso e a redução do risco de doenças cardíacas.

As maçãs também contêm diversos polifenóis, como antocianinas. Elas ajudam a fornecer a cor vermelha da casca das frutas e são associadas à melhora da saúde cardíaca.

Outro polifenol encontrado nas maçãs é a floridzina. Descobriu-se que ela ajuda a controlar os níveis de glicose.

As maçãs também contêm muita fibra, principalmente pectina, que reduz a quantidade de lipoproteínas de baixa densidade (LDLs, na sigla em inglês) no sangue – ou seja, o colesterol ruim.

A pectina também reduz a absorção de açúcar e gordura dos alimentos, ajudando a estabilizar nossos níveis de açúcar no sangue.

Estes nutrientes das maçãs realmente parecem oferecer benefícios à saúde.

Em 2017, uma análise de cinco estudos associou o consumo de maçãs a uma redução de 18% do desenvolvimento de diabetes tipo 2.

Outra análise de 18 estudos, realizada em 2022, concluiu que comer mais maçãs – ou alimentos derivados de maçãs, como o suco da fruta – pode reduzir o colesterol, se o hábito for mantido por mais de uma semana.

O consumo de maçãs aparentemente está associado a diversos benefícios à saúde. — Foto: GETTY IMAGES via BBC
O consumo de maçãs aparentemente está associado a diversos benefícios à saúde. — Foto: GETTY IMAGES via BBC

Manter uma dieta saudável de forma geral pode reduzir o risco de desenvolvimento de câncer em até 40%.

Isso se deve, em grande parte, aos fitoquímicos, compostos bioativos que são comuns nas maçãs. Alguns estudos chegaram a relacionar o consumo da fruta à redução do risco de desenvolvimento de certos tipos de câncer.

O hábito parece estar associado a diversos benefícios à saúde – e sabemos que a maçã contém compostos saudáveis. Mas será que elas, especificamente, são mais eficazes do que outros alimentos de origem vegetal para afastar os médicos do nosso caminho?

"As maçãs não contêm muita vitamina C e não têm ferro nem cálcio", afirma a professora de Nutrição e Ciências Alimentares Janet Colson, da Universidade do Centro do Estado do Tennessee, nos Estados Unidos.

"Mas elas contêm muitos outros ingredientes que promovem a saúde e fazem maravilhas para o corpo."


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Inúmeros compostos

As maçãs contêm compostos comuns a muitas frutas e verduras, incluindo os polifenóis úteis, segundo a professora de Biologia Vegetal Flavia Guzzo, da Universidade de Verona, na Itália.

Os polifenóis são fortes moléculas antioxidantes. Elas ajudam a equilibrar a proporção entre estas moléculas e os radicais livres no nosso corpo. Os radicais livres são moléculas de oxigênio altamente reativas, que podem danificar as células.

Mantendo os radicais livres sob controle, reduzimos o risco de desenvolver doenças como câncer e doenças cardíacas, devido à inflamação a longo prazo.

Alguns pesquisadores afirmam que as maçãs contêm o "segundo nível mais alto de poder antioxidante entre todas as frutas".

As maçãs também contêm o polifenol floridzina. Da mesma forma que a pectina, ela aparentemente reduz a absorção de açúcar dos alimentos na corrente sanguínea.

As maçãs também são uma boa fonte de compostos fenólicos, que são outra forma de fitoquímico. Um estudo concluiu que moradores dos Estados Unidos conseguem cerca de 20% da sua ingestão total de fenólicos das maçãs.

Pesquisas indicam que os compostos fenólicos das maçãs são associados à redução do risco de doenças cardíacas, câncer, asma, diabetes e obesidade.

Mas não são só os poderosos polifenóis e o efeito antioxidante que levam os cientistas a recomendar as maçãs em relação a outras frutas.

Diversos estudos recomendam o consumo regular da fruta simplesmente porque ela é facilmente disponível. Ou seja, comer maçãs regularmente é algo que muitas pessoas podem fazer com relativa facilidade.

Estudos indicam que, de forma geral, as pessoas que consomem maçãs são mais saudáveis. — Foto: GETTY IMAGES via BBC
Estudos indicam que, de forma geral, as pessoas que consomem maçãs são mais saudáveis. — Foto: GETTY IMAGES via BBC

É claro que as maçãs têm o potencial de melhorar nossa saúde. Mas dizer que comer uma delas todos os dias irá evitar que precisemos ir ao médico pode ser um exagero.

Felizmente, um estudo de 2015 abordou exatamente esta questão.

Os pesquisadores analisaram cerca de 9 mil pessoas. Elas informaram o que comiam em um período de 24 horas, como indicativo da sua dieta típica diária.

O estudo concluiu que os consumidores de maçãs consultavam os médicos com menos frequência que os demais participantes. Mas este resultado não foi estatisticamente significativo, já que os consumidores de maçãs costumam ter melhor nível educacional e fumar menos.

"A principal descoberta, de que não existe muita associação entre as pessoas que consomem regularmente uma maçã por dia e a probabilidade de consultar um médico, é porque é algo complexo", afirma o principal pesquisador do estudo, o professor de Epidemiologia Matthew Davis, da Escola de Medicina Dartmouth Geisel, no Estado americano de New Hampshire.

"Segundo nossas análises, as pessoas que consomem maçãs possuem melhor saúde em geral", segundo ele.

Afasta o médico ou o farmacêutico?

Mas os pesquisadores também descobriram que os participantes que consumiam maçã diariamente apresentavam menos probabilidade de usar medicamentos com prescrição médica. E esta conclusão foi significativa, mesmo depois de ajustadas as diferenças socioeconômicas entre os participantes que comiam ou não uma maçã por dia.

Por isso, o documento conclui que um ditado mais adequado seria: "Uma maçã por dia mantém o farmacêutico longe".

Mas Davis questiona as frases que falam de uma maçã por dia. Para ele, pode haver outra razão por que ele e seus colegas não encontraram conexão entre o consumo diário de maçãs e as consultas com o médico.

"Parte-se da premissa de que você só visita o médico quando está doente, mas as pessoas se consultam para check-ups anuais e outros procedimentos de prevenção", explica ele. Foi por isso que Davis também analisou os dados sobre a probabilidade de usar medicamentos receitados.

Para ele, "isso indica que as maçãs reduzem a probabilidade de doenças crônicas".

O benefício não vem só do consumo da fruta; o suco e o purê de maçã também podem ser saudáveis. — Foto: GETTY IMAGES via BBC
O benefício não vem só do consumo da fruta; o suco e o purê de maçã também podem ser saudáveis. — Foto: GETTY IMAGES via BBC

Em última análise, Davis afirma que as maçãs sozinhas não são suficientes para impedir você de consultar um médico.

O mais recomendado é manter uma alimentação saudável em geral, "o que, na verdade, é o significado do provérbio", segundo ele.

Colson concorda que a frase da maçã por dia se refere ao consumo regular de alimentos de origem vegetal. As maçãs são um bom exemplo porque têm custo acessível, são encontradas com muita facilidade e podem ser armazenadas por um bom tempo.

"Antes das geladeiras, você colocava maçãs no porão e elas duravam muito, sem criar mofo", ela conta.

Outros estudos encontraram benefícios à saúde relativos ao consumo diário de maçãs, mas somente entre as pessoas que comem mais de uma delas por dia.

Em um estudo publicado em 2020, pesquisadores dividiram 40 participantes (todos com níveis de colesterol levemente elevados) em dois grupos. Um dos grupos comeu duas maçãs por dia e o outro consumiu uma bebida de maçã, com quantidade similar de calorias.

O experimento durou oito semanas. Os participantes não fizeram nenhuma outra alteração na sua alimentação, exceto pelos produtos de maçã.

Os pesquisadores concluíram que os consumidores de maçã apresentaram redução clinicamente significativa dos seus níveis de colesterol no final do estudo.

Mas o tamanho da pesquisa é um dos seus pontos fracos. Uma amostra de 40 participantes é relativamente pequena para podermos tirar grandes conclusões.

Outro estudo concluiu que comer três maçãs por dia estimulou perda de peso estatisticamente significativa e aumento dos níveis de glicose no sangue (que não foi estatisticamente significativo, segundo o acompanhamento) em 40 mulheres acima do peso.

Já em relação à melhor forma de consumir maçãs para obter o melhor benefício, Guzzo recomenda não descascá-las.

"Devemos comer a casca das maçãs, pois é nela que fica a maior parte dos seus polifenóis", segundo ela.

E as variedades mais antigas são preferíveis, em relação aos novos tipos de maçãs, segundo Guzzo.

Em 2021, ela e seus colegas publicaram um estudo analisando o valor nutricional da maçã Pom Prussian, uma variedade antiga do norte da Itália. Guzzo observou que ela é mais rica em polifenóis do que as variedades mais modernas.

"Quando os cultivadores selecionam novas variedades, eles buscam outras características, como o tamanho, o sabor e a robustez das árvores", explica ela. "E, quando eles selecionam estas características, em vez do teor de polifenóis, a variedade fica mais pobre [do ponto de vista da saúde]."

Para ela, alguns polifenóis podem produzir sabor amargo e as variedades mais doces provavelmente contêm menor proporção destes compostos.

Em relação à cor das frutas, Guzzo afirma que ela não tem tanta importância. Os polifenóis que tornam a casca das maçãs vermelha ou verde são bons para nós.

Em resumo, consumir uma maçã por dia pode não fazer você consultar o médico com menos frequência, mas poderá influenciar sua saúde em geral ou sua dependência de medicamentos de uso contínuo.

Mas, como sempre acontece, a perspectiva geral é mais complicada.

É ótimo comer uma maçã por dia, segundo Guzzo – desde que ela faça parte de uma alimentação rica em diversos outros alimentos de origem vegetal. Este, sim, é um fator fundamental para termos boa saúde.

Leia a versão original desta reportagem (em inglês) no site BBC Innovation.

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quinta-feira, 3 de julho de 2025

"Peñico": Arqueólogos descobrem cidade pré-histórica de 3.500 anos no Peru

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Centro urbano foi fundado entre 1.800 a 1.500 a.C e está localizado ao norte da província de Barranca
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Marco Aquino e Carlos Valdez, da Reuters
03/07/25 às 22:26 | Atualizado 03/07/25 às 22:28
Postdo em 03 de Julho de 2.025 às 22h45m

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Peñico no Peru
  • Reprodução Reuters

Arqueólogos anunciaram a descoberta uma cidade de 3.500 anos no Peru, nesta quinta-feira (3). O centro urbani de Peñico provavelmente serviu como um centro comercial ligando as culturas da costa do Peru com as dos Andes e da Amazônia.

Segundo especialistas, a cidade foi construída na mesma época das primeiras civilizações do Oriente Médio e da Ásia.

Imagens de drones divulgadas pelos pesquisadores mostram que o centro da cidade é marcado por uma estrutura circular em um terraço na encosta.

Restos de edifícios de pedra também podem ser vistos no registro da cidade, construída a 600 metros acima do nível do mar.

• Reprodução Reuters
• Reprodução Reuters

Localização estratégica

O centro urbano foi fundado entre 1.800 e 1.500 A.C e fica próximo ao local onde a civilização Caral, a mais antiga das Américas, se desenvolveu há 5 mil anos.

Caral, composta por 32 estruturas monumentais, é considerada contemporânea das civilizações do Egito, Índia, Suméria e China.

No entanto, ao contrário delas, desenvolveu-se em completo isolamento, de acordo com os pesquisadores.

Ruth Shady, arqueóloga que liderou a pesquisa em Peñico, disse que a cidade recém-descoberta é fundamental porque os especialistas acreditam que ela surgiu depois que a civilização Caral foi devastada pela mudança climática.

"Eles estavam situados em um local estratégico para o comércio, para o intercâmbio com sociedades do litoral, das terras altas e da selva", disse Shady.

O arqueólogo Marco Machacuay, pesquisador do Ministério da Cultura, disse em uma coletiva de imprensa que a importância de Peñico reside no fato de ser a continuação da sociedade Caral.

Após oito anos de estudos, os pesquisadores identificaram até 18 estruturas em Peñico, incluindo templos cerimoniais e complexos residenciais.

Os muros de uma praça central se destacam por seus relevos esculturais e representações de "Pututu", uma trombeta em forma de concha cujo som é transmitido por longas distâncias.

Em outros edifícios, os pesquisadores encontraram esculturas de argila de figuras humanas e animais, objetos cerimoniais e colares feitos de contas e conchas.

O Peru é um centro de culturas antigas e abriga sítios arqueológicos, como as ruínas incas de Machu Picchu, em Cusco, e as misteriosas linhas de Nazca, localizadas na região desértica ao longo da costa central do país.

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