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sexta-feira, 5 de maio de 2023

Palácios, joias, selos raros e até cisnes: qual é a fortuna do rei Charles III e da família real britânica?

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Patrimônio do novo rei, que será coroado neste sábado (6), é quase o dobro do atribuído à sua mãe, a rainha Elizabeth II.
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Por André Catto, g1

Postado em 05 de maio de 2023 às 07h00m

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Rei Charles III em seu primeiro discurso de Natal como monarca. — Foto: Victoria Jones/Pool Photo via AP
Rei Charles III em seu primeiro discurso de Natal como monarca. — Foto: Victoria Jones/Pool Photo via AP

O rei Charles III, que será coroado neste sábado (6), tem uma fortuna pessoal estimada em 600 milhões de libras, segundo levantamento do jornal britânico Sunday Times, um dos principais do país. No patrimônio do monarca – que inclui um conjunto complexo de propriedades – estão, entre outros bens e investimentos, palácios, joias, selos raros e até cisnes.

A fortuna pessoal do novo rei atinge algo em torno de R$ 3,8 bilhões, na cotação desta quinta-feira (4).

A coroação será transmitida pela GloboNews, e a transmissão poderá ser acompanhada pelo g1.

O patrimônio de Charles é quase o dobro do atribuído à sua mãe, a rainha Elizabeth II, de 370 milhões de libras (cerca de R$ 2,3 bilhões) – de quem ele herdou uma gama gigantesca de bens.

Como o Rei Charles III pode ser mais rico que a Rainha Elizabeth?Como o Rei Charles III pode ser mais rico que a Rainha Elizabeth?

De acordo com o levantamento do Sunday Times, Charles III já vinha turbinando suas reservas pessoais ao poupar lucros recebidos via Ducado da Cornualha, um império comercial que gera rendimentos ao príncipe (entenda mais abaixo o que são os ducados).

A publicação do jornal britânico também destaca que os rendimentos de Charles foram impulsionados em meio a uma ambiciosa política de investimentos, que foi adotada pelo então príncipe de Gales após seu divórcio com a princesa Diana, no início dos anos 1990.

A coroação de rei Charles III, neste sábado, ocorre oito meses após a morte da rainha Elizabeth, aos 96 anos. Ela foi a monarca britânica mais longeva da história, com mais de 70 anos de reinado.

Ranking da Forbes

Coroa é colocada sobre o caixão da rainha Elizabeth II — Foto: Reuters
Coroa é colocada sobre o caixão da rainha Elizabeth II — Foto: Reuters

Em novembro do ano passado, a revista Forbes também havia divulgado estimativas sobre a fortuna do novo rei. Devido à diferença metodológica de cálculo e à complexidade dos ativos da família real britânica, o resultado foi um pouco diferente – mas igualmente expressivo.

Segundo a revista, o monarca herdou de sua mãe um total de US$ 500 milhões, incluindo castelos, joias, obras de arte, selos raros, entre outros. Passou também a supervisionar instituições que administram cerca de US$ 42 bilhões em ativos, incluindo alguns dos palácios reais mais famosos do mundo, como o de Buckingham.

O ativo mais valioso do rei Charles III, de acordo com a Forbes, é o Crown Estate, um amplo portfólio imobiliário com US$ 17,5 bilhões em ativos líquidos. Nele, está incluída a Regent Street, uma das maiores ruas comerciais de Londres.

O patrimônio da família real britânica

Mensurar o império financeiro dos Windsor não é simples. Além dos palácios e joias da coroa, a fortuna inclui longas extensões de terra, que vão de propriedades de escritórios a um importante estádio de críquete (esporte de origem inglesa, que utiliza bola e tacos), além de terras agrícolas nos arredores do Reino Unido.

No caso do rei Charles III, ao assumir o trono, ele recebeu automaticamente o Ducado de Lancaster. Com isso – e seguindo a tradição –, o Ducado da Cornualha, antes em posse de Charles, passou ser de seu filho mais velho, o príncipe William, primeiro na linha de sucessão ao trono britânico.

Palácio de de Buckingham, em Londres — Foto: Reuters
Palácio de de Buckingham, em Londres — Foto: Reuters

Em definição simples, ducados são territórios tradicionalmente governados por um duque ou uma duquesa. Nesse caso, são conjuntos de propriedades privadas, que incluem terras, ativos e outros bens. O Ducado de Lancaster é de propriedade do soberano de turno do Reino Unido – ou seja, o rei ou a rainha.

O portfólio de terras e propriedades no Ducado da Cornualha é significativamente maior do que o Ducado de Lancaster, conforme levantamento do jornal The Washington Post: abrange 0,2% de todas as terras no Reino Unido, incluindo o Lord's Cricket Ground – o famoso estádio de críquete.

Propriedades em destaque

Tanto o Castelo de Balmoral, na Escócia, quanto o Sandringham Estate, na Inglaterra, foram transmitidos à rainha Elizabeth pelo pai dela, o rei George VI – e devem ficar com Charles III.

O Crown Estate, que se mantém na lista de principais propriedades da família real, inclui luxuosas propriedades em Londres. Apesar de ser um patrimônio formal da família, está sob o controle do governo britânico – que recebe as centenas de milhões de dólares geradas pela carteira a cada ano.

O governo devolve, então, 25% do lucro do Crown Estate à realeza, sob o que é conhecido como Subsídio Soberano. Em 2021, o balanço financeiro público da família real listou a doação em cerca de US$ 99 milhões – dinheiro destinado a pagar a manutenção dos palácios e outras despesas.

Os custos significativos de segurança da realeza não estão incluídos. E, em vez disso, são pagos pelo tesouro do governo britânico.

Milhões de dólares e cisnes: a herança de Elizabeth II

Cisnes no rio Tâmisa, após a morte da rainha Elizabeth II — Foto: Reuters
Cisnes no rio Tâmisa, após a morte da rainha Elizabeth II — Foto: Reuters

Além dos US$ 500 milhões estimados pela Forbes, a rainha Elizabeth II também deixou para Charles III uma grande variedade de animais: 32 mil cisnes e um número desconhecido de golfinhos, baleias e esturjões (um tipo de peixe de cuja ova é feito o caviar).

Essa atribuição à família real tem uma explicação: ainda no século XII, foi decidido conceder ao ocupante do trono britânico a propriedade dos animais, cujas espécies estão ameaçadas de extinção, com o objetivo de preservar sua população.

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quinta-feira, 4 de maio de 2023

Pesquisadores descobrem fóssil de nova espécie de camarão com 90 milhões de anos no Piauí

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O novo gênero de camarão fóssil foi denominado como Somalis. Já a nova espécie foi chamada de Somalis Piauiensis.
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Por Laura Moura, g1 PI

Postado em 04 de maio de 2023 às 08h05m

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Pesquisadores encontram primeiro camarão fóssil no Piauí e descobrem nova espécie — Foto: Divulgação
Pesquisadores encontram primeiro camarão fóssil no Piauí e descobrem nova espécie — Foto: Divulgação

Pesquisadores da Universidade Federal do Piauí (UFPI) descobriram um novo gênero e uma nova espécie de camarão fóssil com cerca de 90 milhões de anos. O material foi coletado em 2018, na localidade Saco do Pau Ferro, no município de Caldeirão Grande do Piauí e, após uma série de análises do fóssil pelos paleontólogos, a nova descoberta foi publicada em uma revista internacional e de renome da área.

Trata-se do primeiro camarão fóssil encontrado no Piauí. O novo gênero de camarão fóssil foi denominado como Somalis, em homenagem à professora Maria Somália Sales Viana, da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), em Sobral (CE), devido a sua extensa contribuição aos estudos de geologia e paleontologia no Nordeste e no país. Já a nova espécie foi chamada de Somalis Piauiensis.

Paleontólogos Dr. Paulo Victor de Oliveira (UFPI) e Dra. Olga Alcântara Barros (URCA), responsáveis pela descoberta — Foto: Divulgação
Paleontólogos Dr. Paulo Victor de Oliveira (UFPI) e Dra. Olga Alcântara Barros (URCA), responsáveis pela descoberta — Foto: Divulgação

“O nosso camarão é diferente de todos os camarões já descritos na literatura. Como ele é diferente, ele não se enquadrou em nenhum gênero e nenhuma espécie”, explicou um dos pesquisadores responsáveis pela descoberta, o professor Paulo Victor de Oliveira, da UFPI de Picos.

O fóssil está tombado no Laboratório de Paleontologia de Picos, na instituição de ensino. O tombamento é um conjunto de ações realizadas pelo poder público para preservar, por meio da aplicação de legislação específica, bens de valor histórico, cultural, arquitetônico, ambiental e também de valor afetivo para a população, impedindo que venham a ser destruídos ou descaracterizados.

“Todo material fóssil precisa estar tombado numa coleção científica. Ele passa a compor essa coleção e ele fica guardado e disponível para estudos futuros, para análises de outros pesquisadores”, explicou.

Pesquisadores encontram primeiro camarão fóssil no Piauí e descobrem nova espécie — Foto: Divulgação
Pesquisadores encontram primeiro camarão fóssil no Piauí e descobrem nova espécie — Foto: Divulgação

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quarta-feira, 3 de maio de 2023

Astrônomos descobrem 'impressões digitais' das primeiras estrelas do Universo

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Achado irá ajudar cientistas a compreender melhor a natureza das primeiras estrelas que se formaram após o Big Bang.
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Por Roberto Peixoto, g1

Postado em 03 de maio de 2023 às 13h20m

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Imagem artística mostra nuvem de gás com diferentes elementos químicos, ilustrados aqui por representações esquemáticas dos vários átomos. — Foto: ESO/L. Calçada, M. Kornmesser
Imagem artística mostra nuvem de gás com diferentes elementos químicos, ilustrados aqui por representações esquemáticas dos vários átomos. — Foto: ESO/L. Calçada, M. Kornmesser

Cientistas revelaram nesta quarta-feira (3) a descoberta de "impressões digitais" deixadas pela explosão das primeiras estrelas do Universo (veja representação artística acima).

O achado inédito é fruto de observações do conjunto de telescópios VLT (Very Large Telescope, em inglês), localizado no Chile.

Segundo os pesquisadores, três nuvens de gás cuja composição química corresponde à que se espera das primeiras explosões estelares foram descobertas.

Usando quasares, uma fonte de luz muito brilhante alimentada por buracos negros supermassivos no coração de galáxias distantes, os pesquisadores foram capazes de detectar e estudar essas distantes nuvens.

Isso é possível porque à medida que a luz de um quasar viaja pelo espaço, ela passa por nuvens de gás onde diferentes elementos químicos deixam uma marca.

Com isso, como cada elemento deixa um conjunto diferente de "riscas" nesse processo, cientistas conseguem encontrar e diferenciar essas pistas, analisando o chamado espectro eletromagnético, formado pelas ondas de rádio, micro-ondas e a luz que enxergamos todos os dias.

"A nossa descoberta abre novos caminhos no estudo indireto da natureza das primeiras estrelas, complementando plenamente os estudos de estrelas da nossa galáxia", diz Stefania Salvadori, professora da Universidade de Florença e coautora do estudo publicado hoje na revista científica Astrophysical Journal.

Diagrama mostra como astrônomos analisam a composição química de nuvens de gás distantes, utilizando a luz de um objeto de fundo como um quasar. — Foto: ESO/L. Calçada
Diagrama mostra como astrônomos analisam a composição química de nuvens de gás distantes, utilizando a luz de um objeto de fundo como um quasar. — Foto: ESO/L. Calçada

E essas estrelas primordiais, que os cientistas acreditam que eram dezenas ou centenas de vezes mais massivas do que o nosso Sol, morreram rapidamente em poderosas explosões no começo do Universo.

Para se ter ideia, "logo após" (numa escala astronômica) o Big Bang, esses astros eram muito diferentes das estrelas que vemos atualmente. Quando surgiram, há 13,5 mil milhões de anos, estas estrelas continham apenas hidrogénio e hélio, os elementos químicos mais simples que existem na natureza.

Por isso, a nova descoberta dos cientistas promete trazer novas perspectivas para a observação desses astros.

O Observatório Europeu do Sul, por exemplo, responsável pelo VLT, tem planos ainda mais ambiciosos para a sua próxima geração de telescópios e instrumentos, como o futuro Extremely Large Telescope (ELT), poderosa instalação que está sendo construída a cerca de 20km do VLT.

"[Com esse telescópio] poderemos estudar com um detalhe extremo muitas destas nuvens raras de gás, conseguindo finalmente desvendar a natureza misteriosa das estrelas primordiais", acrescentou Valentina D'Odorico, investigadora no Instituto Nacional de Astrofísica, na Itália, e coautora do estudo.

Compare as fotos do supertelescópio James Webb com seu antecessorCompare as fotos do supertelescópio James Webb com seu antecessor

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Fotógrafo flagra iceberg com formato fálico na costa do Canadá

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Registro viralizou nos últimos dias nas redes sociais. 'Já perdi a conta de quantas pessoas vieram falar comigo sobre essa foto', disse o canadense Ken Pretty em entrevista ao g1.
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Por g1

Postado em 03 de maio de 2023 às 07h00m

 #.*Post. - N.\ 10.777*.#

Imagem de iceberg em formato fálico foi tirada em Harbour Grace, em Newfoundland, no Canadá. — Foto: Ken Pretty/Arquivo Pessoal
Imagem de iceberg em formato fálico foi tirada em Harbour Grace, em Newfoundland, no Canadá. — Foto: Ken Pretty/Arquivo Pessoal

Há 7 anos o canadense Ken Pretty, da pacata cidade de Dildo (sem trocadilhos aqui, a cidade existe mesmo no mapa), vem fazendo registros das gélidas águas do litoral do país, flagrando animais como baleias e formações típicas como icebergs, que costumam se deslocar pela região nesses meses do ano.

Mas uma coleção de fotos do último desses passeios que Pretty fez na quinta-feira (27) se tornou especial depois que usuários nas redes sociais associaram as imagens a um formato fálico.

Antes mesmo de postar os registros no Facebook, o canadense conta em entrevista ao g1 que já imaginava que as fotos teriam uma repercussão, mas não tinha ideia do tamanho disso.

"Eu sabia que elas iriam chamar muita atenção nas redes sociais, mas nem sonhei que se tornariam virais", conta.

Imagem de iceberg em formato fálico foi tirada em Harbour Grace, em Newfoundland, no Canadá. — Foto: Ken Pretty/Arquivo Pessoal
Imagem de iceberg em formato fálico foi tirada em Harbour Grace, em Newfoundland, no Canadá. — Foto: Ken Pretty/Arquivo Pessoal

O registro inusitado foi feito em Harbour Grace, uma pequena cidade localizada na província canadense de Terra Nova e Labrador.

E as fotos repercutiram bastante, principalmente depois que veículos canadenses revelaram a origem do autor dos retratos: "Homem de Dildo 'quebra a internet' com foto de iceberg fálico", lia um dos registros.

Pretty brinca que tudo isso contribuiu ainda mais para divertir quem descobria a história, mas revela uma certa preocupação quando questionado sobre a percepção das pessoas com a preservação ambiental e o aquecimento global (que está aumentando consideravelmente o derretimento de geleiras em todo o mundo).

"No ano passado vimos muito mais icebergs que estamos vendo este ano", revela.

O fotógrafo Ken Pretty segura o seu drone com que fez o flagra do iceberg. — Foto: Ken Pretty/Arquivo Pessoal
O fotógrafo Ken Pretty segura o seu drone com que fez o flagra do iceberg. — Foto: Ken Pretty/Arquivo Pessoal

De acordo com a CBC, a emissora pública do Canadá, dados do Serviço de Gelo do país mostram que mais de 200 formações do tipo estavam nessa região apenas na semana passada, quanto o canadense fez o registro com seu drone.

Caçadores de icebergs costumam procurar bastante o país para fazer flagras do tipo. O governo da província onde o fotógrafo fez o registro tem até um site específico para isso: o Iceberg Finder.

Agora é preciso fazer um alerta: quem deseja encontrar a formação capturada por Pretty vai se decepcionar: ela já derreteu e perdeu sua característica mais marcante.

Derretimento de geleiras

O registro de mais um iceberg derretendo serve como mais um alerta para a atual emergência climática. Na semana passada, a Organização Meteorológica Mundial (WMO) alertou que o nível do mar está subindo duas vezes mais rápido do que na primeira década de medições (1993-2002) e atingiu um novo recorde no ano passado.

Além disso, o documento da agência da ONU demonstrou que as geleiras estão derretendo em um ritmo dramático e não podem mais ser conservadas, já que os indicadores de mudança climática atingiram níveis recordes, uma tendência que deve se consolidar até 2060.

O derretimento extremo das geleiras e o calor recorde dos oceanos - que causa a expansão do volume de água - contribuíram para uma elevação média do nível do mar da ordem de 4,62 mm por ano entre 2013 e 2022, disse à agência da ONU em um relatório detalhando a devastação da mudança climática.

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terça-feira, 2 de maio de 2023

Salário mínimo de R$ 1.320: quanto o piso aumentou em cada governo?

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Sob Lula, salário mínimo volta a ter ganho real, após estagnação nos governos Temer e Bolsonaro. Mas piso a R$ 1.320 ainda compra menos cestas básicas do que em 2018.
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TOPO
Por Thais Carrança, BBC

Postado em 02 de maio de 2023 às 06h15m

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Sob Lula, salário mínimo volta a ter ganho real, mas ainda compra menos cestas básicas do que em 2018 — Foto: MARCELLO CASAL JR./AGÊNCIA BRASIL
Sob Lula, salário mínimo volta a ter ganho real, mas ainda compra menos cestas básicas do que em 2018 — Foto: MARCELLO CASAL JR./AGÊNCIA BRASIL

O novo salário mínimo de R$ 1.320 começou a valer nesta segunda-feira (01/05), representando uma alta de 1,4% ou R$ 18 em relação ao valor de R$ 1.302 que vigorava desde 1º de janeiro.

O reajuste acima da inflação havia sido uma das promessas de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que com isso retoma a valorização do piso salarial, uma das marcas dos seus dois primeiros mandatos.

Mas quanto o salário mínimo se valorizou em cada governo, desde o fim da hiperinflação com a aprovação do Plano Real?

E qual o impacto do reajuste desse ano e do esperado para 2024 para as contas do governo?

Perguntamos aos economistas Daniel Duque, pesquisador do Ibre-FGV (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas), e Vilma Pinto, diretora da IFI (Instituição Fiscal Independente) do Senado Federal.

Lula anuncia salário mínimo de R$ 1.320 a partir de maio e aumento da isenção de IR para R$ 2.640Lula anuncia salário mínimo de R$ 1.320 a partir de maio e aumento da isenção de IR para R$ 2.640

Quanto o salário mínimo valorizou em cada governo
Quanto o salário mínimo valorizou em cada governo — Foto: BBC
Quanto o salário mínimo valorizou em cada governo — Foto: BBC

Quando Fernando Henrique Cardoso (PSDB) assumiu a Presidência em 1995, o salário mínimo valia R$ 70 e chegaria a R$ 240 no fim do seu segundo mandato, em 2002.

Sob Lula, foi de R$ 240 a R$ 545 em oito anos, entre 2003 e 2010. Sob Dilma Rousseff (PT), passou de R$ 622 a R$ 880, nos seus pouco mais de cinco anos de mandato, interrompidos pelo impeachment.

Michel Temer (MDB) assumiu o governo com o mínimo a R$ 880 e entregou a R$ 954. Enquanto sob Jair Bolsonaro (PL), o valor foi de R$ 998 a R$ 1.212.

Agora, sob o terceiro mandato de Lula, o mínimo começou janeiro em R$ 1.302 e passou a R$ 1.320 em maio.

Mas, para avaliar quanto o mínimo se valorizou em cada governo, não basta olhar para os valores nominais. É preciso descontar a inflação de cada período.

Para fazer esse cálculo, Daniel Duque, da FGV, deflacionou os valores do salário mínimo pelo IPCA, índice oficial de inflação do país.

Salário mínimo se valorizou sob FHC, Lula e Dilma, em diferentes níveis — Foto: Ricardo Stuckert/Presidência
Salário mínimo se valorizou sob FHC, Lula e Dilma, em diferentes níveis — Foto: Ricardo Stuckert/Presidência

E o que os dados mostram é que o mínimo se valorizou 30,5% no primeiro mandato de FHC e 7,3% no segundo, totalizando uma valorização real de 40% nos oito anos do tucano.

Lula registrou a maior valorização entre os presidentes que governaram o país após a hiperinflação. No seu primeiro mandato, a valorização do mínimo foi de 38,3% e no segundo, de 17,4%, totalizando 62,4% de ganhos acima da inflação em oito anos.

No governo Dilma, com o crescimento do país perdendo fôlego, os ganhos reais do salário mínimo também perderam força: foram de 12,4% no primeiro mandato da petista e 5,5% no segundo, somando 18,5% em seus pouco mais de cinco anos na presidência, até o impeachment.

Sob Temer e Bolsonaro, o país abandonou a política de valorização real do mínimo, passando a reajustar o salário base apenas pela inflação.

Com isso o piso estagnou, registrando variação negativa de 0,2% nos pouco mais de dois anos de gestão do emedebista e desvalorização real de 1,2% durante os quatro anos de Bolsonaro.

Agora, com os dois reajustes já anunciados por Lula em 2023, o mínimo voltou a ter ganho real: de 6,1% até maio, considerando a inflação projetada para o mês atual no boletim Focus.

Poder de compra em relação à cesta básica

Uma outra forma de avaliar o que aconteceu com o salário mínimo em cada governo é ver o poder de compra do piso em relação à cesta básica.

Utilizando o valor da cesta básica de São Paulo calculado pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), Duque encontra que o poder de compra do salário mínimo cresceu 57,4% nos dois mandatos de FHC; 52,7% sob os oito anos de Lula; apenas 3,4% nos governos Dilma; 1,7% sob Temer; despencando 24,3% durante os quatro anos de governo Bolsonaro, em meio à forte alta do preço dos alimentos no período.

Com os reajustes anunciados por Lula, e diante do valor esperado para a cesta básica em abril e maio, o poder de compra do mínimo em relação à cesta básica volta a crescer este ano, em 10,4%.

Ainda assim, o salário mínimo de R$ 1.320 só compra atualmente cerca de 1,6 cesta básica, ainda abaixo das 2,2 cestas que eram possíveis comprar com o mínimo em agosto de 2018, ponto mais alto do poder de compra do piso em relação à cesta básica, registrado durante o governo Temer.

 — Foto: BBC
— Foto: BBC

O que aconteceu em cada governo

"A política de valorização do salário mínimo sempre teve basicamente dois vetores, que são muito entrelaçados: a situação econômica e a situação fiscal do país", observa Duque.

O economista lembra que, no primeiro mandato de FHC, houve uma combinação de bom crescimento econômico, com inflação sob controle. O salário mínimo também estava muito subvalorizado, após 20 anos de inflação alta e reajustes não proporcionais.

"Havia bastante espaço para fazer o reajuste, e o real supervalorizado contribuiu para uma menor inflação de alimentos, o que também aumentou o poder de compra do salário", afirma.

Já no segundo governo FHC, o cenário se complica, com crescimento menor e piora da situação das contas públicas. Em 1999, é implantado o chamado Tripé Macroeconômico – conjunto de medidas que combinava câmbio flutuante, metas de inflação e metas fiscais.

"O maior controle fiscal pressionou para não haver tanto reajustes do mínimo [já que o salário base serve de referência para gastos públicos como aposentadorias, benefícios sociais e salários do funcionalismo]. Não houve perda real, mas também não houve grande valorização no período", diz Duque.

Num cenário de retomada do crescimento econômico, Lula realiza em seu primeiro mandato a maior valorização do mínimo do período pós-Plano Real.

Em 2007, essa política de valorização é consolidada em uma regra, que previa a correção anual do mínimo pela variação da inflação do ano anterior, mais o crescimento do PIB de dois anos antes. Essa regra viraria lei em 2011.

Mesmo assim, no segundo mandato de Lula, a valorização perde um pouco de força.

"O governo Dilma mantém a mesma política de valorização, mas num cenário de crescimento menor, que resulta em reajustes do mínimo mais baixos", observa Duque.

Sob Temer e Bolsonaro, num cenário de restrições fiscais, a política de valorização do mínimo é abandonada e os reajustes passam a ser feitos apenas pela inflação.

Soma-se a isso, no governo Bolsonaro, uma forte alta da inflação de alimentos – impactados pela pandemia, quebras de safra por questões climáticas e a guerra da Ucrânia – que prejudicou ainda mais o poder de compra do salário mínimo em relação à cesta básica.

Com a volta da valorização, Duque destaca a importância do salário básico.

"O salário mínimo foi bastante responsável por reduzir a desigualdade de renda no país entre 1995 a 2015", observa o economista.

"Houve efeito importante também no combate à pobreza, devido principalmente aos benefícios atrelados a esse valor."

Segundo o Dieese, o Brasil tem 60,3 milhões de pessoas com rendimento referenciado no salário mínimo, sendo 24,8 milhões de beneficiários do INSS e 18,4 milhões de empregados, entre outros grupos.

O mínimo também impacta trabalhadores sem carteira e por conta própria, já que serve de referência para toda a economia.

Impacto do reajuste do mínimo nas contas públicas

Apesar desses efeitos positivos, a valorização do mínimo tem um custo.

Segundo cálculo do governo, cada R$ 1 de aumento do salário mínimo impacta em R$ 368,5 milhões por ano as contas públicas.

Assim, a alta de R$ 18 que passa a valer agora em maio deve gerar um impacto de R$ 4,5 bilhões nas contas do governo entre maio e dezembro deste ano.

Para 2024, o governo enviou o projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) com uma previsão de salário mínimo de R$ 1.389, que considerava apenas o reajuste pela inflação.

Mas, segundo o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, o governo deve apresentar um projeto de lei ao Congresso retomando a política de valorização real que vigorou nos governos petistas anteriores.

Caso a regra seja retomada, o mínimo iria R$ 1.429 em 2024, gerando um custo de R$ 14,7 bilhões adicionais para as contas do governo no próximo ano.

Além disso, o governo somente até maio já aumentou o valor do Bolsa Família, reajustou os salários do funcionalismo público em 9% e anunciou o aumento da faixa de isenção do Imposto de Renda para R$ 2.640.

Diante de tudo isso, os analistas veem com descrença a promessa do Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, de zerar o déficit primário já em 2024.

O resultado primário é a diferença entre receitas e despesas do governo e o déficit acontece quando esse resultado está no negativo.

"A meta de zerar o déficit no próximo ano não é compatível com a estrutura atual de receitas e despesas do governo", considera Vilma Pinto, diretora da IFI.

Assim, o governo vai ter que cortar gastos ou aumentar a arrecadação para reequilibraras contas públicas.

"O governo tem sinalizado que isso deve acontecer pelo lado das receitas [isto é, com maior arrecadação], mas a grande questão é que não pode ser uma receita não recorrente, tem que ser algo que gere efeito de médio prazo, para que haja impacto na sustentabilidade das contas públicas", explica a economista.

"Como nossa dívida já está em nível elevado, se não conseguirmos gerar resultado que faça ela ficar estável, isso mexe na expectativa dos agentes e aumenta o risco fiscal. Isso tem consequências para a atividade econômica, com efeitos na inflação e na taxa de desemprego."

Ou seja, se o desequilíbrio das contas públicas continuar, o benefício do reajuste do salário mínimo acima da inflação poderá ser corroído por uma aceleração dos preços e por menor geração de empregos.

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