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domingo, 15 de maio de 2022

Globo Repórter investiga os mistérios da memória e revela pesquisa inédita sobre os impactos da ‘Covid longa’ no cérebro

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Um estudo apontou perda de memória recente em pacientes que tiveram Covid leve ou grave. O programa também mostrou uma pesquisa com idosos e acompanhou crianças de uma escola pública de SP que investe em meditação.
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Por Globo Repórter

Postado em 15 de maio de 2022 às 10h30m

 #.*Post. - N.\ 10.323*.#

O estudo — feito na Rede Sarah com 614 pacientes que tiveram a doença — mostrou sequelas desconhecidas da Covid, como deficiências na concentração, atenção e fluência verbal, e em todos os participantes foi constatado algum grau de perda de memória.

Foi registrado ainda aumento nos níveis de ansiedade e depressão. A média de idade dos pacientes com esses problemas é de 47,6 anos, e a maioria é de mulheres. A pesquisa relatou também que as sequelas afetam tanto quem teve Covid grave quanto os casos leves, e podem durar mais de um ano.

Jornalista é uma das pacientes da pesquisa — Foto: Globo Repórter
Jornalista é uma das pacientes da pesquisa — Foto: Globo Repórter

O programa contou o caso da jornalista de 31 anos que lia dez livros por mês e passou a não se lembrar de mais nada ao virar uma página, e o do gerente de RH que saía de casa para trabalhar e esquecia para onde estava indo.

Os dois passaram por tratamentos na Rede Sarah. Os programas de reabilitação incluem estimulação neuropsicológica e da capacidade cognitiva.

Gerente de RH contou ao Globo Repórter sobre episódios de esquecimento — Foto: Globo Repórter
Gerente de RH contou ao Globo Repórter sobre episódios de esquecimento — Foto: Globo Repórter

O dom da memória

O Globo Repórter também investigou os mistérios da boa memória, que em algumas profissões pode garantir o sucesso e até um ganho a mais. O garçom Paulo Gonçalves que o diga. Entre bandejas, pratos e copos, ele descobriu que tinha o dom da lembrança: atende várias mesas, não anota nada e nunca confunde os pedidos. Os clientes ficam impressionados.

Garçom não precisa anotar pedidos para atender clientes — Foto: Globo Repórter
Garçom não precisa anotar pedidos para atender clientes — Foto: Globo Repórter

Quem também revelou seus segredos para ter uma boa memória foi o ator Antonio Fagundes, que já fez mais de 30 novelas. Segundo ele, é necessário “deletar” algumas informações.Você tem que apagar. Eu entendo que a gente tem um HD no cérebro e ele deve ter um limite”.

O ator é conhecido pela capacidade de decorar textos que ele prefere receber minutos antes de gravar.

Antonio Fagundes consegue decorar longos textos em poucos minutos — Foto: Globo Repórter
Antonio Fagundes consegue decorar longos textos em poucos minutos — Foto: Globo Repórter

“Dou uma lida nas cenas para saber do que se trata, aonde vai. Se percebo que a cena é relativamente fácil, deixo para decorar na hora da gravação. Se tem uma fala de duas páginas, uma coisa maior, dou mais umas duas ou três lidas para me localizar melhor. Mas isso leva cinco, dez minutos”, contou Fagundes.

Já no teatro é diferente. Apesar de repetir o mesmo texto toda noite, o ator diz que precisa se aprofundar. "Esqueça a decoreba", brincou.

Idosos com supermemória

O programa mostrou ainda os idosos que passaram dos 80 anos e mantêm uma memória extraordinária. É o caso da psicóloga Leniza Castelo Branco, de 85 anos, que ainda trabalha. Ela está sendo estudada por neurologistas que buscam formas de combater o Alzheimer.

Aos 85 anos, psicóloga conta a rotina para manter a boa memória — Foto: Globo Repórter
Aos 85 anos, psicóloga conta a rotina para manter a boa memória — Foto: Globo Repórter

Outra cabeça invejável é a do Seu Valdemiro Francisco, de 74 anos, que é taxista em São Paulo há mais de duas décadas e sabe de cor os caminhos da cidade. Ele também está fazendo parte de uma pesquisa, que tem como objetivo testar o quanto atividades físicas, como o pilates, podem melhorar a memória e as reações ao dirigir.

Taxista não precisa de GPS para circular pelas mais de 50 mil ruas de São Paulo — Foto: Globo Repórter
Taxista não precisa de GPS para circular pelas mais de 50 mil ruas de São Paulo — Foto: Globo Repórter

Meditação ajuda no foco

O Globo Repórter também acompanhou crianças de uma escola pública da Zona Leste de São Paulo que resolveu investir em meditação. A teoria, que na prática vem dando bons resultados, é que a meditação ajuda os alunos a ter mais atenção na sala de aula, a focar naquilo que está sendo ensinado, a lidar com as emoções e a manter o equilíbrio emocional.

Escola pública de São Paulo ensina alunos a meditar — Foto: Globo Repórter
Escola pública de São Paulo ensina alunos a meditar — Foto: Globo Repórter

O programa mostrou ainda a importância da memória corporal e espacial dos bailarinos, que em um único espetáculo executam mais de cinco mil passos.

“O corpo tem memória afetiva, rítmica, memória do caminho dele para chegar a um movimento”, afirmou a bailarina Deborah Colker.

Globo Repórter mostra a memória dos bailarinos  — Foto: Globo Repórter
Globo Repórter mostra a memória dos bailarinos — Foto: Globo Repórter

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sábado, 14 de maio de 2022

Preço médio de veículos usados tem 1ª queda após 21 meses seguidos de alta

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Dados do IBGE mostram quem, na média nacional, houve deflação para automóveis usados. Já entre os veículos novos foi registrada a 20ª alta seguida de preços.
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Por Daniel Silveira, g1 — Rio de Janeiro

Postado em 14 de maio de 2022 às 09h00m

 #.*Post. - N.\ 10.322*.#

Concessionária de veículos seminovos na região de Ribeirão Preto, SP, em registro feito em abril de 2022 — Foto: Reprodução/EPTV
Concessionária de veículos seminovos na região de Ribeirão Preto, SP, em registro feito em abril de 2022 — Foto: Reprodução/EPTV

O preço médio de veículos usados no Brasil sofreu, em abril, a primeira queda após 21 meses consecutivos de alta. Já entre os veículos novos foi registrada a 20ª alta seguida. É o que apontam os dados divulgados esta semana pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Conforme o levantamento do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, os preços médios de automóveis usados caíram 0,47% na passagem de março para abril. O resultado interrompeu uma sequência de alta iniciada em julho de 2020.

Já os preços médios dos automóveis novos subiram 0,44% na mesma comparação, mantendo a trajetória de alta de preços iniciada em setembro de 2020.

No ano, os carros novos ficaram 4,86% mais caros, enquanto os preços dos usados subiram 3,36%. Em 12 meses, a alta também foi maior entre os novos: 17,58%, ante 15,48% entre os usados.

Crise no setor

De acordo com o pesquisador André Almeida, analista da pesquisa realizada pelo IBGE, este movimento nos preços é reflexo da crise enfrentada pelo setor automobilístico diante da pandemia do coronavírus.

"Com a pandemia, ocorreu um desarranjo das cadeias globais de produção e, por conta disso, houve falta de peças para a produção de automóveis. Aos poucos, a indústria busca se ajustar ao novo cenário de mercado.

A indústria automotiva sofre há meses com falta de peças e componentes eletrônicos, que tem obrigado empresas como Volkswagen a conceder férias coletivas em fábricas para ajuste na produção, apontou a Reuters.

Movimento esporádico

Para o pesquisador André Braz, economista do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas, a queda de preços dos automóveis usados observada em abril pode ter sido pontual.

Acho que essa queda de preços apurada em abril é um movimento esporádico. Não dá pra concluir só por um mês que essa queda dos preços seja efeito de juros sobre a demanda, por exemplo, disse.

Com a fila para entrega de veículos novos cada vez maior diante da crise enfrentada pelas montadoras, a demanda pelos veículos usados aumenta cada vez mais. Diante disso, lembrou Braz, o movimento natural dos preços deveria ser de alta, não de queda.

O preço é sensível à demanda. Então, se a demanda está subindo, os preços também deveriam aumentar, apontou.

Um dos fatores que poderiam explicar essa queda de preços registrada em abril, segundo Braz, é do chamado efeito-calendário – abril teve menor número de dias úteis que março.

Pode ser que as concessionárias tenham feito algumas promoções para não deixar o consumo cair durante os dois feriados e, na média, os preços tenham caído um pouco. Um só mês de queda não aponta para uma tendência de queda, enfatizou o economista.

Braz ponderou, no entanto, que a sequência de alta de juros mantida pelo Banco Central para tentar frear a inflação no país tende, nos próximos meses, a pressionar a queda de preços dos veículos.

Se os juros estão mais altos, está ficando mais caro financiar um carro. Isso faria com que a demanda esfriasse e, com isso, os preços recuariam, apontou o economista do Ibre/FGV.

O efeito dos juros sobre a demanda ainda não foi observado no IPCA. Segundo Braz, isso é evidenciado pelo índice de difusão do IPCA, que passou de 76,13% em março para 78,25% em abril. Tal indicador reflete o espalhamento da alta de preços entre os 377 produtos e serviços pesquisados pelo IBGE.

Se mais produtos estão ficando mais caros e essa alta é maior que a do mês anterior, então ainda não podemos falar em pressão de juros sobre a demanda, concluiu.

Alta na venda de veículos novos, queda na de usados

A despeito da crise enfrentada na produção, a venda de veículos novos registrou, em abril, o melhor resultado do ano, segundo dados divulgados pela associação de montadoras, a Anfavea.

De acordo com o balanço da entidade, a média diária de vendas foi de 7.750 unidades no mês, uma alta de 0,3% sobre março, e o melhor resultado desde dezembro. Frente a abril de 2021, no entanto, as vendas tiveram queda de 15,9%. E, na comparação entre quadrimestres, o recuo chegou a 21,4%.

Já a venda de automóveis usados registrou queda em diversas bases de comparação. De acordo com os dados divulgados pela Fenabrave, que reúne as associações de concessionárias, foram vendidas, em abril, 675,3 mil unidades, o que representa uma queda de 13,7% na comparação com março.

Essa queda, no entanto, seria por efeito-calendário, já que a média diária de vendas se manteve estável em 35,5 mil veículos e março teve mais dias úteis que abril.

No acumulado do ano foram negociados 2,68 milhões de carros, o que indica queda de 23% na comparação com iguais meses do ano passado.

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sexta-feira, 13 de maio de 2022

Mundo pode ter aquecimento de 1,5°C até 2026, alerta ONU

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Temperatura média global pode ficar mais do que 1,5°C acima dos níveis pré-industriais nos próximos anos, diz relatório. Derretimento do gelo ártico e clima mais úmido no nordeste do Brasil são possíveis consequências.
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TOPO
Por Deutsche Welle

Postado em 13 de maio de 2022 às 11h55m

 #.*Post. - N.\ 10.321*.#

Ativistas climáticos participam de uma manifestação do lado de fora do local da Cúpula do Clima COP26 da ONU em Glasgow, em 12 de novembro de 2021 — Foto: AP/Scott Heppell, Arquivo
Ativistas climáticos participam de uma manifestação do lado de fora do local da Cúpula do Clima COP26 da ONU em Glasgow, em 12 de novembro de 2021 — Foto: AP/Scott Heppell, Arquivo

O mundo tem 50% de chance de registrar um aquecimento de 1,5ºC em relação aos níveis pré-industriais, mesmo que por um breve período, até 2026, afirmou nesta segunda-feira (9) a Organização Meteorológica Mundial (OMM).

Isso não significa que o mundo estaria cruzando o limite de aquecimento de longo prazo de 1,5ºC, que os cientistas estabeleceram como teto para evitar mudanças climáticas catastróficas. Mas um ano com um aquecimento de 1,5ºC poderia oferecer uma amostra de como seria cruzar esse limite por um longo período, afirmou a organização.

"Estamos cada vez mais perto de atingir temporariamente a meta mais baixa do Acordo de Paris", disse o secretário-geral da OMM, Petteri Taalas. Assinado em 2015, o Acordo de Paris estabeleceu como objetivo limitar o aumento da temperatura a 2ºC, e, de preferência a menos de 1,5ºC, em relação à era pré-industrial.

O ano mais quente registrado até agora foi 2016, quando a temperatura média ficou em torno de 1,2ºC acima dos níveis pré-industriais, que se referem ao período entre 1850 e 1900.

O relatório da OMM foi divulgado entre a última Conferência da ONU sobre o Clima – a COP26, que aconteceu em Glasgow, na Escócia – e a próxima, a COP27, que será realizada no Egito. Cerca de 30 mil participantes são esperados em Sharm-el-Sheikh, em novembro, incluindo 120 chefes de Estado e de governo.

Impactos de um aquecimento de 1,5ºC

A probabilidade de exceder 1,5ºC por um curto período vem aumentando desde 2015: em 2020, cientistas estimaram essa chance em 20% e a revisaram no ano passado para até 40%.

Mesmo um ano com 1,5ºC de aquecimento pode gerar impactos terríveis, como a destruição de recifes de coral mundo afora e a redução da cobertura de gelo no Ártico. Com um aumento da temperatura global, é provável que o clima fique mais seco no sudoeste dos EUA e da Europa nos próximos cinco anos e mais úmido na região do Sahel, na África, no norte da Europa, no nordeste do Brasil e na Austrália.

Em termos de média de longo prazo, a temperatura média global está agora cerca de 1,1ºC acima da média pré-industrial.

"Perdas e danos associados ou exacerbados pelas mudanças climáticas já estão ocorrendo, alguns deles provavelmente irreversíveis num futuro próximo", afirmou Maxx Dilley, vice-diretor de clima da OMM. 
Políticas atuais pode levar a aquecimento de 3,2ºC

No âmbito do Acordo de Paris de 2015, os líderes mundiais se comprometeram a, idealmente, não cruzar o limite de 1,5ºC no longo prazo, mas, até agora, os países têm ficado aquém do objetivo de reduzir as emissões globais.

O nível de atividade econômica e políticas atuais colocam o mundo no caminho de um aquecimento de cerca de 3,2ºC até o final do século, preveem cientistas.

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quinta-feira, 12 de maio de 2022

O que são buracos negros, como o Sagitário A*, da foto do Event Horizon Telescope

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O g1 conversou com especialistas e listou 10 perguntas para entender o que a ciência sabe e ainda falta descobrir sobre esses misteriosos e fascinantes fenômenos do espaço.
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Por Roberto Peixoto, g1

Postado em 12 de maio de 2022 às 10h40m

 #.*Post. - N.\ 10.320*.#

Imagem do Event Horizon Telescope mostra pela primeira vez o Sagittarius A*, buraco negro supermassivo a mais de 26 mil anos-luz da Terra. — Foto: EHT
Imagem do Event Horizon Telescope mostra pela primeira vez o Sagittarius A*, buraco negro supermassivo a mais de 26 mil anos-luz da Terra. — Foto: EHT

Nesta quinta-feira (12), uma equipe internacional de cientistas conseguiu capturar pela primeira vez a imagem real do Sagitário A* (lê-se Sagiário A, estrela), um buraco negro supermassivo que está localizado no centro da nossa Via Láctea.

Mas para quem não é um astrofísico, um cientista da Nasa ou estudioso do fenômeno, o tema dos buraco negros é uma fonte de dúvidas.

Por isso, o g1 ouviu especialistas no tema para entender o que são, de fato, esses corpos celestes e por que até mesmo os pesquisadores que os estudam têm inúmeras questões sem respostas sobre seu funcionamentos, visto que eles desafiam as leis da física que conhecemos hoje.

Nessa reportagem você vai entender, em 10 perguntas, o que sabemos sobre esses fenômenos.

Um buraco negro é uma espécie de abismo cósmico que suga para si tudo o que se aproxima - a uma determinada distância - dele.

Nem mesmo a luz escapa de ser atraída por esses objetos. Por isso que os buracos negros são, de fato, negros.

E isso acontece porque a atração gravitacional desses corpos é extremamente forte.

Primeira imagem nítida do campo magnético de um buraco negro ao centro da galáxia Messier 87. — Foto: EHT Collaboration
Primeira imagem nítida do campo magnético de um buraco negro ao centro da galáxia Messier 87. — Foto: EHT Collaboration

Um grande mal-entendido é que os buracos negros sugam seus arredores. Isso não acontece: coisas podem cair em um buraco negro, mas apenas quando estão perto dele, explica ao g1 Jakob van den Eijnden, astrofísico e pesquisador na Universidade de Oxford.  
2 - Quais são os tipos de buracos negros?

Existem três tipos catalogados pelos astrônomos: buracos negros estelares, buracos negros intermediários e buracos negros supermassivos.

Os buracos negros estelares são os menores. Eles são formados quando uma estrela massiva morre, numa explosão chamada de supernova. Geralmente têm uma massa (a quantidade de matéria de um objeto) entre 10 e 100 vezes maior que o Sol.

Já os intermediários - entre 100 e 100 mil vezes a massa do Sol - não são muito comuns. É tão difícil encontrá-los que alguns cientistas questionam se esses de fato existem. Mas no ano passado, um grupo pesquisadores apresentou um trabalho sobre a descoberta de um deles.

Por fim, os supermassivos habitam o centro da maioria das galáxias do Universo, e geralmente surgem após a formação de suas galáxias, engolindo tudo o que veem pela frente. Como o próprio nome sugere, eles são um dos objetos mais pesados do espaço, com massas que variam de milhões a bilhões de massas solares.

3 - O buraco negro é mesmo um buraco?

NÃO, um buraco negro não é um buraco.

Albert Einstein previu pela primeira vez a existência de buracos negros em 1916, mas foi somente em 1967 que o termo foi cunhado pelo astrônomo americano John Wheeler.

O termo se refere ao fato de que tudo que é atraído pela força da gravidade para um buraco negro fica preso dentro dele e parece desaparecer, tal como num buraco.

"[Nos buracos negros] temos uma situação que nem a luz escapa. Então, a matéria vai ser atraída e vai cair como se estivesse caindo num buraco, numa caçapa. Por isso, esse nome buraco foi dado metaforicamente", diz o astrofísico e docente da FEI, Cássio Barbosa.

4 - Por que dizemos que os buracos negros desafiam as leis da física?

Quando qualquer objeto cruza o horizonte de eventos de um buraco negro, ou seja, a borda deles, ele não tem mais escapatória.

A gravidade é tão intensa nesse ponto que esse objeto passa por um processo conhecido como espaguetificação: ele é dilacerado pelo campo gravitacional do buraco negro num formato que lembra um espaguete, em formas finas e alongadas.

Concepção artística mostra uma estrela sendo devorada por um buraco negro.  — Foto: ESO/M. Kornmesse
Concepção artística mostra uma estrela sendo devorada por um buraco negro. — Foto: ESO/M. Kornmesse

Isso acontece porque ao centro do buraco negro temos um ponto tão pequeno e massivo que sua densidade chega ao infinito, o que é algo inexplicável pela física e matemática atual.

Esse coração do buraco negro, chamado de singularidade, é onde o espaço e tempo deixam de existir como os conhecemos atualmente.

"O que desafia as leis da natureza não são os buracos negros que são bem descritos pela relatividade geral, mas a singularidade", destaca George Matsas, professor de Física da UNESP. 
5 - Quantos buracos negros existem no Universo? Quantos temos na Via Láctea?

Segundo o Space Telescope Science Institute, o centro científico de operações dos telescópios Hubble e James Webb, existem tantos buracos negros no Universo que é impossível contá-los.

É como contar os grãos de areia de uma praia. A conta é inimaginável. Para se ter ideia, os cientistas estimam que um buraco negro estelar nasce a cada segundo.

Infraestruturas dos Observatórios de Mauna Kea, no Havaí, que faz parte do Event Horizon Telescope. — Foto: J. Weintroub/ESO
Infraestruturas dos Observatórios de Mauna Kea, no Havaí, que faz parte do Event Horizon Telescope. — Foto: J. Weintroub/ESO

O Sagittarius A* não está sozinho. A estimativa é que existam 100 milhões de buracos negros por aqui.

6 - Qual é o buraco negro mais distante já descoberto?

Segundo a Nasa, o buraco negro supermassivo mais distante já descoberto faz parte de um quasar chamado J0313-1806, um objeto tão luminoso quanto uma estrela, por isso chamado de "quase estelar".

Ele está a 13 bilhões de anos-luz de distância da Terra e é cerca de 1,6 bilhão de vezes maior que o nosso Sol.

"Observar um quasar muito distante significa não só ver indiretamente um buraco negro, mas também um buraco negro muito antigo, já que a luz tem velocidade finita. Se J0313-1806 está a 13 bilhões de anos-luz de distância da Terra, significa que a foto que registramos hoje é de como o quasar era há 13 bilhões de anos atrás", diz Matsas.

7 - O que há dentro de um buraco negro?

Esse é um dos grandes mistérios da ciência. Nas palavras da cientista Andrea Gehz – que investiga buracos negros e foi uma das vencedoras do Nobel de Física de 2020 pelo seu trabalho – ninguém sabe.

"Não temos nenhuma ideia do que há dentro do buraco negro – eles são o colapso do entendimento das leis da física", declarou Gehz.

O astrofísico van den Eijnden explica que muitas coisas permanecem desconhecidas quando o assunto é buraco negro. Um campo de estudo ativo, por exemplo, é o que investiga o que acontece com um material quando ele cai num buraco negro: como é, quais são suas propriedades e por que parte desse material é lançado para o espaço na forma de jatos.

"De fato, esses processos que acontecem perto do horizonte de eventos são difíceis de observar e, portanto, pouco compreendidos", observa o pesquisador. 
8 - O que é o Sagittarius A* e onde ele está?

O Sgr A* é um buraco negro supermassivo, 4 milhões de vezes mais que o Sol, com um diâmetro ainda maior, cerca de 18 vezes mais que a nossa estrela (veja infográfico acima).

Ele está estacionado na constelação de Sagitário, que é visível nos hemisférios norte e sul (a constelação, não o buraco negro).

Sua descoberta foi revelada para a comunidade científica pelos astrônomos Bruce Balick e Robert L. Brown, nos anos 1970, inicialmente como uma fonte de rádio brilhante no centro da Via Láctea.

Veja localização do buraco negro — Foto: NASA
Veja localização do buraco negro — Foto: NASA

Van den Eijnden explica que o Sagitário A* é relativamente quieto: não há uma grande quantidade de material sendo atraída para ele. Por isso, só podemos estudá-lo porque ele está em nossa própria Galáxia.

"Se uma cópia exata de Sagitário A* estivesse localizada em outra galáxia distante, ele seria muito silencioso e fraco para ser estudado", diz.

"Na maior porte do tempo, esse buraco negro não está ativo. Por isso, a gente não tem como tirar alguma conclusão a respeito dele, porque ele simplesmente não está mandando informações", acrescenta o astrofísico da FEI, Cássio Barbosa.

9 - A Terra pode ser engolida por um buraco negro? Seria o Sgr A* uma ameaça?

Os buracos não vagam por aí no espaço, engolindo tudo o que encontram pela frente.

A Nasa explica que, assim como outros objetos no espaço, eles seguem as leis da gravidade.

Por isso, a órbita de um teria que estar muito próxima do nosso sistema solar para afetar a vida aqui na Terra, o que não acontece, nem mesmo com o Sgr A*.

10 - O que podemos aprender estudando Sagittarius A* e a imagem desse buraco negro supermassivo?

O astrofísico e pesquisador da Universidade de Oxford explica que, como o Sgr A* está tão perto de nós (quando comparado com outros buracos negros), podemos estudá-lo mesmo se somente pequenas quantidades de material estejam caindo dentro dele.

E é justamente isso que acontece com esse objeto ao centro da nossa Via Láctea. A título de comparação, o M87 tem uma taxa muito maior de material que é absorvida.

Por isso, ressalta Van den Eijnden, podemos estudar o que acontece nos arredores desse buraco negro de uma forma que não podemos observar em nenhum outro lugar do universo.

"Estudar buracos negros em geral nos permite estudar física nas circunstâncias mais extremas, que são tão extremas que não podemos recriá-las em um laboratório na Terra".

(VÍDEO: Telescópio registra estrela sendo engolida por buraco negro.)

Telescópio registra estrela sendo engolida por buraco negroTelescópio registra estrela sendo engolida por buraco negro

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