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terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Renault Captur 2.0: primeiras impressões

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Fora o design, SUV baseado no Duster não tem grandes diferenciais sobre os diversos rivais; maior pecado é a transmissão ultrapassada nesta versão.

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Renault Captur 2.0 quer se destacar pelo visual, mas usa mecânica atrasada

O Renault Captur é o sétimo SUV compacto a ser lançado no Brasil em 2 anos. Antes dele, vieram Honda HR-V, Jeep Renegade, Peugeot 2008, Jac T5, Nissan Kicks e, mais recentemente, Hyundai Creta.

Os dois primeiros inauguraram esta nova e animada fase para o segmento, deixando para trás, inclusive em vendas, os pioneiros Ford EcoSport e Renault Duster.

Em vez de mexer no SUV que já tinha, tática que será adotada pela Ford, a Renault preferiu lançar um novo carro, feito a partir do Duster, e rebaixar o veterano à condição de seu utilitário de entrada.
Pena não ter apostado ao menos em motores e transmissão mais modernos.

Renault Captur (Foto: Gustavo Epifânio/Renault)
Renault Captur (Foto: Gustavo Epifânio/Renault)

Ele quer ser 'sensual'
Como fazer o Captur se destacar entre tantos concorrentes, chegando “por último”? A resposta da montadora é: com design.
O SUV não é um modelo completamente inédito. Trata-se de uma evolução do Captur europeu, lançado em 2013 com base na mais recente geração do Clio vendida lá (não confundir com a que era ofertada no Brasil, bastante defasada).
 Veja os destaques do Renault Captur 2.0 (Foto:   G1)
Veja os destaques do Renault Captur 2.0 (Foto: G1)

Nessa reformulação, a Renault preferiu usar a plataforma do Duster, maior, mas não abriu mão do desenho francês, alterando apenas alguns detalhes. A grade frontal, semelhante à de Sandero e Logan e de acordo com identidade atual dos carros da marca foi mantida.

O C que as luzes de LED formam na moldura do farol de neblina, na grade inferior, são a assinatura do Captur. Junte a isso linhas que pretendem passar a ideia de um carro robusto, mas elegante. Ou, como chega a exagerar a Renault, sensual.
Luzes de LED em forma de C são a assinatura do Captur (Foto: Gustavo Epifânio/Renault)
Luzes de LED em forma de C são a assinatura do Captur (Foto: Gustavo Epifânio/Renault)
Gostos à parte, faz sentido que a montadora levante a bandeira do visual. É o que destaca o Captur da longa fila de rivais. Mesmo depois de experimentá-lo, fica difícil pinçar outro elemento que faça o carro se sobressair.
O SUV da Renault está encaixado, inclusive no preço, na realidade de seus rivais: carros que misturam características de vários segmentos, que são voltados para a cidade -apesar do apelo de utilitários- e que surfam na onda do interesse de uma clientela que ainda compra carro zero.

De onde vem
O Captur que chega às lojas no Brasil, produzido no Paraná, estreou primeiro na Rússia, no ano passado. Além de pequenas alterações visuais, ele tinha uma letra diferente no nome em relação ao europeu: Kaptur.
Captur do Brasil é o mesmo que o Kaptur da Rússia; o visual de ambos deriva do Captur europeu, com pequenas diferenças (Foto: Divulgação)
Captur do Brasil é o mesmo que o Kaptur da Rússia; o visual de ambos deriva do Captur europeu, com pequenas diferenças (Foto: Divulgação)

O projeto de desenvolver um SUV para fora de Europa surgiu bem antes, em 2012, perto do lançamento do Captur original. À frente estava o brasileiro Antonio Fleischmann, que comanda os projetos da Renault para a América Latina. Ele explica por que o Captur que o Brasil terá não vai ser aquele baseado no Clio europeu:
(O Captur europeu) não servia, nem o tamanho, nem o conjunto mecânico. Então, escolhemos a plataforma do Duster
Por isso, o modelo tem o maior comprimento e distância entre-eixos na comparação com os jovens SUVs. Ele é um pouco mais baixo e seu porta-malas é menor que o do irmão mais velho, mas supera os concorrentes atuais.
Renault Duster (à esq) e o Captur (Foto: Gustavo Epifânio/Renault)
Renault Duster (à esq) e o Captur (Foto: Gustavo Epifânio/Renault)

Renault Captur (à esq) e o Duster (Foto: Gustavo Epifânio/Renault)
Renault Captur (à esq) e o Duster (Foto: Gustavo Epifânio/Renault)

É um Duster ‘gourmet’?
Não é muito justo resumir o Captur a um Duster gourmetizado. Houve modificações também em freios, suspensão e, de acordo com Fleischmann, na estrutura –que, no Duster, foi duramente criticada pelo Latin NCap em 2015.

Inexistente no SUV mais antigo, o controle de estabilidade é de série no novato. O item de segurança deverá ser obrigatório para carros novos a partir de 2020, mas foi ignorado na versão básica do Creta, por exemplo. Há ainda airbags laterais.
Interior do Captur 2.0 Intense (Foto: Gustavo Epifânio/Renault)
Interior do Captur 2.0 Intense (Foto: Gustavo Epifânio/Renault)

O painel do Captur é sóbrio, com controles bem distribuídos: nada de botão do retrovisor perdido no console central de Duster. A central MediaNav, sensível ao toque e talvez a fácil de usar no segmento, é boa herança, mas alguns rivais têm sistemas mais modernos.
O nível de acabamento poderia ser um diferencial gritante entre Captur e Duster: infelizmente, não é.
A parte gourmet aparece em detalhes como a chave-cartão, que tem o mesmo funcionamento das presenciais: permite acionar o botão de partida e trancar ou destravar o carro remotamente. Ela é uma característica da Renault e aparece em outros modelos na Europa.
Europa.
Chave-cartão do Captur (Foto: Gustavo Epifânio/Renault)
Chave-cartão do Captur (Foto: Gustavo Epifânio/Renault)

O maior pecado
Seu principal pecado frente os outros é o conjunto mecânico da configuração mais cara, que, por ora, deve ser a mais procurada, segundo a montadora: a 2.0 automática (R$ 88.490).
Nesta versão, o motor igual ao do Duster é combinado com uma caixa automática já ultrapassada, de 4 marchas. A Renault diz que ela sofreu ajustes em relação ao Duster, mais ainda deixa a desejar.
Motor 2.0 do Captur sofre para conversar com a transmissão (Foto: Gustavo Epifânio/Renault)
Motor 2.0 do Captur sofre para conversar com a transmissão (Foto: Gustavo Epifânio/Renault)

Não há previsão de adotar, por exemplo, a transmissão de dupla embreagem e 6 marchas que o Duster recebeu no exterior. E nem de casar o motor 2.0 com o câmbio CVT. A opção que terá esse tipo de transmissão será a 1.6, mas daqui a 3 meses.

Ao volante
O G1 experimentou a versão 2.0 em um trajeto de cerca de 100 km entre São Paulo e a Estrada Velha de Santos.
Bancos confortáveis e suspensão que filtra bem a buraqueira tornam a jornada agradável. Quem busca um SUV pela posição de dirigir vai gostar do Captur.
Posição de dirigir do Renault Captur é alta (Foto: Gustavo Epifânio/Renault)
Posição de dirigir do Renault Captur é alta (Foto: Gustavo Epifânio/Renault)

A direção, porém, podia ser mais leve, problema já visto no Duster e na picape Oroch.

Para a montadora, o conjunto desta versão 2.0 deve satisfazer o tipo de público que o Captur visa: acima dos 40 anos, que busca um carro para a família.

De fato, o motor não é o mais potente da categoria, mas seus 148 cv não deveriam ser um problema, exceto pela ultrapassada transmissão. As trocas de marcha continuam sem agilidade, incomodando principalmente nas retomadas.

Conclusão
Sem grandes diferenciais, o Captur pode se tornar uma aspiração de quem é fã do estilo da Renault e não coloca desempenho em primeiro lugar. Mas faltam armas para entrar na dura briga do HR-V e do Renegade. Com essas versões, talvez nem mesmo supere o próprio Duster em vendas tão cedo.
Renault Captur (Foto: Gustavo Epifânio/Renault)
Renault Captur (Foto: Gustavo Epifânio/Renault)

Central multimídia MediaNAV está inclusa só na versão 2.0 (Foto: Gustavo Epifânio/Renault)
Central multimídia MediaNAV está inclusa só na versão 2.0 (Foto: Gustavo Epifânio/Renault)

Renault Captur (Foto: Gustavo Epifânio/Renault)
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Renault Captur (Foto: Gustavo Epifânio/Renault)
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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Alemanha vai encalhar navio no gelo por um ano na 'maior expedição científica ao Polo Norte'

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Embarcação de pesquisa vai coletar dados para ajudar a melhorar modelos climáticos que preveem aquecimento da região.

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 Navio Polarstern vai embarcar na maior expedição de pequisa ao Polo Norte  (Foto: Mario Hoppmann/ Instituto Alfred Wegener )
Navio Polarstern vai embarcar na maior expedição de pequisa ao Polo Norte (Foto: Mario Hoppmann/ Instituto Alfred Wegener ) 

Uma empreitada alemã está sendo considerada a maior expedição de pesquisa já planejada ao Ártico.

Um navio de pesquisa de 120 metros de comprimento, o Polarstern, deverá encalhar e flutuar pelo mar de gelo do Polo Norte. A viagem de 2.500 quilômetros começa em 2019 e deve durar um ano.

Pesquisadores esperam reunir informações sobre a região onde o clima vem mudando rapidamente. Mês passado, a extensão do gelo do Ártico foi a menor já registrada (durante a era dos satélites) para o mês de janeiro, com temperaturas vários graus acima da média de longo prazo.

"A redução do gelo do Ártico vem ocorrendo muito mais rapidamente do que os modelos climáticos podem prever, então precisamos de modelos melhores para ter previsões mais precisas para o futuro", disse o professor Markus Rex, que coordenará o chamado projeto MOSAiC.

"Há uma previsão de que em poucas décadas o Ártico não tenha gelo no verão. Esse seria um mundo diferente e precisamos saber disso antecipadamente; precisamos saber se isto vai ou não ocorrer".

Rex detalhou o plano durante o encontro anual da Associação Americana para Avanços da Ciência (AAAS, na sigla em inglês).

O pesquisador alemão do Instituto Alfred Wegener, em Bremerhaven, disse que a expedição custará 63 milhões de euros (R$ 207 mihões), dos quais a maior parte já está financiada, com contribuições de parceiros internacionais estratégicos. Reino Unido, Rússia, China e Estados Unidos estão entre eles.

A missão lembra a expedição do explorador norueguês Fridtjof Nansen que, por volta de 1890, foi o primeiro a chegar ao Polo Norte e flutuar pelo mar congelado.
Uma escuna chamada Tara também atravessou o oceano de gelo - das águas da Sibéria até o Estreito de Fram - da mesma maneira, há uma década.

Mas o Polarstern é uma enorme plataforma científica e sua lista de tarefas e objetivos faz os esforços anteriores na região parecerem pequenos.

"Estamos embarcando vários equipamentos: muitos contêineres com instrumentos de medição, sensores de uso remoto para serem instalados no local, disse Rex".

"Vamos coletar amostras de água, gelo e ar, além de instalar acampamentos no mar gelado próximo ao Polarstern e a até 20-30 quilômetros de distância. E toda a instalação vai ficar à deriva pelo Ártico. Isto vai nos dar novas e fascinantes informações sobre o sistema climático".

A equipe do MOSAiC planeja até instalar uma pista de decolagem para que um avião de pesquisa auxilie o Polarstern.
Rota possível. O Polastern seria levado ao topo do mundo e liberado no Estreito de Fram, entre a Groenlândia e o arquipélago norueguês de Svalbard.  (Foto: MOSAIC) 
Rota possível. O Polastern seria levado ao topo do mundo e liberado no Estreito de Fram, entre a Groenlândia e o arquipélago norueguês de Svalbard. (Foto: MOSAIC)

Será uma expedição complicada para os cientistas envolvidos, especialmente durante meados do inverno, quando o Sol não surgirá no horizonte. Os pesquisadores também terão que estar alertas à aproximação de ursos polares predadores.

Mas o professor Rex disse que a empreitada é vital para a compreensão da região remota, destacando sua importância até para quem vive longe do Polo Norte.

"Um polo mais quente afetaria os padrões climáticos em latitudes médias (entre os trópicos e os polos Sul e Norte)", ele disse à BBC News. 

"O aquecimento do Ártico signfica que o contraste existente entre o Polo Norte e nossas latitudes será reduzida no futuro. Isto significa que o ar gelado do Ártico poderá chegar às nossas latitudes, e o ar mais quente de latitudes baixas, ao Polo Norte. Isto certamente provocará um grande impacto no clima".

O Polarstern deverá ser posicionado no gelo marinho em meados de 2019, com a previsão de ser liberado um ano depois. 
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