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domingo, 22 de maio de 2011

ENTREVISTA - Gustavo Kuerten: 'O que está acontecendo no tênis é inacreditável'

$**$ Dez anos depois do tri na França, Guga diz que o esporte é 'mais justo' hoje...



    VALÉRIA ZUKERAN - Enviada Especial - O Estado de S.Paulo

    ##=## FLORIANÓPOLIS - O tênis mudou muito desde que Gustavo Kuerten erguia seu terceiro troféu em Roland Garros, há dez anos. Pior para Guga. “A quadra rápida não é mais tão rápida e o saibro não é tão lento. Hoje a disputa para ser o número 1 é mais justa porque, na minha época, um cara bom no saibro, para ser o número 1, tinha dificuldade”, diz.

    Agora na arquibancada do Grand Slam francês (ele viajará a Paris para assistir ao torneio, que começa neste domingo), o maior tenista brasileiro da história se encanta com a evolução do tênis internacional mas ainda quer ser útil ao esporte no País. Depois de ajudar na formação de novos talentos, ele agora quer auxiliar o Brasil a ter mais treinadores de alto nível.
    Se os anos colaboraram para o tênis mudar, não tiveram impacto algum no estilo de Guga, 34 anos, que concedeu entrevista ao Estado na sede de sua empresa (que administra seus direitos de imagem), na capital catarinense, com o uniforme habitual: o expediente, no sofisticado escritório, é cumprido de camiseta, moletom, bermuda e chinelos, trocados pelo tênis apenas quando é hora de entrar em ação.


    Leia a seguir a íntegra da entrevista.

    Como você imaginava seu futuro quando ganhou Roland Garros pela terceira vez? Imaginava que, dez anos depois, sua vida estaria tal como está agora?Bem diferente. Eu não sabia o momento quando ira parar de jogar. Achava que depois de terminada a carreira eu estaria totalmente descansando, viajando para surfar. Pensei que iria usar o tempo livre para alguns prazeres que eu tinha poucas possibilidades de fazer. E achei que eu ia me afastar mais do tênis. Eu estou muito ligado. Aliás não tem como estar mais ligado do que estou atualmente. Acredito que o distanciamento que tive, durante cinco ou seis meses, quando terminou a carreira, foi ótimo para mim mas, na hora que comecei a me perceber, me fez voltar a grudar no tênis de novo. E eu achei que não ia ser dessa forma. Talvez o fato de eu ter parado muito precocemente tenha ajudado nisso. Na minha cabeça, acho que ficou uma lacuna ainda do envolvimento com o tênis que deveria ter sido feito dentro da quadra se prolongada minha carreira por muito mais anos, e isso veio a se tornar um desafio em outras áreas e muitos deles vinculados ao tênis.

    Você tinha projetos do tipo "daqui a X anos eu paro"? Sabemos que alguns atletas fazem esse tipo de planejamento: "Vou jogar mais uns cinco ou seis anos e depois vou parar"...Não. Na minha cabeça aquilo ainda estava distante. Até mesmo porque eu estava no auge e não tinha nenhuma intenção (de parar). A minha vida sempre foi mais (conduzida) pela sensibilidade, pelo impulso instintivo, do que por um planejamento em longo prazo. As coisas sempre (aconteceram) mais pelo próprio sabor, (pelo) que eu ia distinguindo. E eu ia fazendo coisas mais planejadas a curto e médio prazo.

    Passados estes dez anos, o que mais marcou naquela campanha do tri? Quais são suas recordações mais fortes?Naquele ano, sem dúvida foi minha partida com o (Michael) Russell. Na realidade, naquele jogo, e até agora considero, eu estava fora do campeonato. Ele estava me ganhando por 2 sets a 0, 5 a 2 no terceiro set. Naquela situação, já tinha desistido. Foi algo muito mais do acaso do que da persistência porque, se (bem) me lembro, no match point, eu estava tão desinteressado que cheguei a jogar duas ou três bolas boas as quais não me importava mais se iriam dentro ou fora. Já contava como perdido aquele jogo. Neste lado, o tênis - o esporte como um todo, mas o tênis especificamente - é capcioso ao extremo: um centímetro, às vezes meio... Acertei duas bolas na linha no match point que se fossem fora, eu estaria casa hoje e teria dois troféus só. Em outro ponto (do jogo) a sensação já foi completamente oposta: eu estava com reais chances de vencer a partida, em questão de, no máximo, 30 segundos. Ou seja, (o que eu vivi) foi o oposto dos sentimentos. É um pouco do tênis. Por isso que aquela partida foi, sem dúvida, o maior envolvimento emocional que eu já tive dentro de um jogo de tênis, mesmo a Copa Davis sendo mais importante afetivamente para mim e eu já ter tido momentos incríveis. Ali tudo aconteceu na minha cabeça - frustração por completo e depois a peripécia de passar para satisfação por completo - em um período de duas horas. Conseguir viver tudo isso e depois de dois sets comecei a jogar cada vez melhor, melhor, melhor... Saí daquele jogo com a convicção de que seria o campeão do torneio. Então passei de um resultado frustrante, em qualquer tipo de perspectiva minha para o evento, para já me credenciar literalmente como o campeão. E tudo (aconteceu) em matéria de sensações porque não é palpável isso. Não existe como um objeto. É só na parte abstrata mesmo. Foi muito forte aquilo ali, sem dúvida (vencer aquele jogo) foi mais emotivo para mim, mais valoroso, do que na hora que eu estava levantando o troféu, que eu ganhei o último ponto da final. Para mim, já estava levantando o troféu no momento que eu virei aquela partida. Depois foi uma consequência natural. Tanto é que (foi) desta forma que tentei transmitir: a minha primeira reação de desenhar um coração (depois do jogo Guga desenhou um coração com a raquete no saibro da quadra) foi muito mais no sentido de demonstrar a entrega por completo que eu realmente tenho com o tênis, minha relação com o tênis e com o público, porque eles me ajudaram muito a ir encontrando uma solução (para sair do momento adverso). Aí, na final, eu fiz questão de fazer novamente (o coração) e deixar bem claro que foi uma resultante da situação primária, do jogo contra o Russell. Então, se (alguém me) perguntar sobre aquilo na minha carreira inteira, (qual) foi o (momento) emocional de maior relevância, foi sem dúvida esse jogo.

    E a final? Como você estava mentalmente em comparação aos outros anos? Afinal, em 1997 (ano da primeira vitória) você era um azarão e já na terceira decisão de título você estava defendendo a vitória do ano anterior, com uma responsabilidade. Não sei se foi mais difícil ou mais fácil...Eu progredi na escala. Na segunda final, eu praticamente entrei meio a meio (em termos de chances de ganhar) - não era considerado o favorito naquele jogo, era completamente neutro - e na terceira (final) eu já era um favorito absoluto. Acho que já havia dois ou três anos que eu não perdia para o (Alex) Corretja (adversário da final). Eu havia ganhado dele diversas vezes nos últimos meses. Como fator que poderia me ajudar ou atrapalhar, me atrapalhou mais e ajudou muito mais a ele (Corretja), que conseguiu se erguer e jogar bem, melhor do que em outros jogos que ele disputou comigo. Eu realmente senti essa dificuldade - de não estar enfrentando o mesmo cara que há três semanas ou quatro atrás eu tinha vencido com facilidade. Eu acho que eu já tinha bastante experiência em conviver com esse lance do favoritismo, pois eu havia sido o número 1 do mundo o ano inteiro até chegar em Roland Garros e no ano anterior (2000) já havia vencido muito também. Então, sabia lidar muito com isso, mas Corretja me surpreendeu bastante. Então, neste aspecto, os dois primeiros sets foram completamente iguais, eu diria até com certa vantagem para ele. Acho que demonstrei que eu era realmente mais favorito, que eu tinha capacidade, a partir do momento em que ele desperdiçou a primeira oportunidade e meu jogo foi crescendo, crescendo... Ele baixou um pouco da intensidade que ele estava, o que é natural, e abriu-se um gap (uma diferença) muito grande. Ele me surpreendeu e conseguiu levar o jogo me incomodando o tempo inteiro. E eu me lembro bem: 5 a 5, eu sacando e vantagem dele, que arriscou uma devolução que não costumava fazer, mas estava fazendo e dando certo. Errou de alguma forma por uma questão de centímetros. Se bobear, não chega a um centímetro. Ali vem uma sensação que a chance dele passou para mim. Então começou a entrar um questionamento na cabeça do adversário (enquanto) eu (fiquei) totalmente seguro do outro lado, tanto que no próximo game eu quebrei (o saque de Corretja) e fiz 7/5. A partir daí as coisas se igualaram e eu passei a soltar o braço e acertar, acertar, acertar. Foi interessante porque eu ganhei 6/1 e 6/0 e fiquei, durante uma hora, desfrutando do prazer que é ganhar Roland Garros, coisa que não é natural. No jogo anterior, desde o meu primeiro match point até o último, foi uma hora de sofrimento porque eu conseguia o match point, depois voltava (a vantagem). Foi um parto praticamente. Com o Corretja foi diferente porque pude saborear (a vitória) por um tempo imenso sabendo que aquele jogo eu já tinha conquistado - ele já não estava fazendo força suficiente para resistir. Então isso também foi bacana porque é um privilégio. Normalmente os jogos são acirrados que não dá para ter sensação de vitória (durante a partida). É mais no pós (jogo).

    Você acha que ser número do mundo 1 hoje é mais difícil do que na sua época? Acredita que hoje as características do tênis tornaram mais difícil que um atleta como você, que sempre teve saibro como sua melhor superfície, possa prevalecer? A impressão que tenho é de que os tenistas de quadras rápidas estão prevalecendo mais. Você concorda? Como você avalia?Eu avalio que mudou bastante, mas no sentido de que hoje as superfícies são mais homogêneas: a quadra rápida já não é mais tão rápida e o saibro (também) não é tão lento. Tudo é mais o meio termo. Isso corresponde, em fatos reais, que o (Rafael) Nadal tem condições de ganhar Roland Garros e Wimbledon, assim como o (Roger) Federer já o fez, e o (Novak) Djokovic tem a possibilidade. Acho que desde o período no qual eu comecei como profissional, até um pouco antes, já começaram a puxar a vertente do jogo para um equilíbrio maior, para que o melhor jogador tivesse mais condições de vencer em situações equilibradas. Hoje eles (dirigentes da Associação de Tenistas Profissionais, ATP) chegaram muito próximo a isso. Não sei se fez bem ou mal ao tênis porque que o Federer não perdia nenhum jogo, e se perdia era para o Nadal, e o Nadal não perdia para ninguém. E se tornou até um pouco chato: era sempre Nadal e Federer, Nadal e Federer. Hoje está muito mais interessante com o Djokovic, que vem rompendo (barreiras), e o (Andy) Murray, que é um jogador atraente. Para mim essa mobilidade é mais interessante. Mas o tênis, sem dúvida nenhuma, hoje está (adotando) uma linha, de que (se preparar para) Roland Garros e Wimbledon (os extremos em quadras lentas e rápidas) é (questão) de alguns tipos de ajuste. Não tem nenhum jogador que jogue saque e voleio o tempo inteiro como era antes. As (trocas de) bolas aumentaram. Então a dificuldade de fazer com que o jogo fique tão ligeiro como era antes, de pequenas trocas de bola... (tudo) é muito mais complicado. Consequentemente, os jogadores estão mais velozes, principalmente na parte física. No deslocamento, dá para ver que, cada vez os jogadores são maiores e mais ágeis. Hoje a disputa para ser o número 1 é mais justa porque, na minha época, um cara que era bom no saibro para ser o número 1 tinha muita dificuldade. Eu só fui número 1 porque ganhei uma Masters Cup em uma superfície completamente distinta, que é no carpete e ganhei em quadra dura naquele ano. Só não ganhei na grama porque não joguei - não fui a Wimbledon nem a nenhum outro torneio (de grama) naquele ano. Naquela época, jogar bem realmente em todas as superfícies era mais complexo. Não era fácil de se adaptar à diferentes superfícies. Hoje realmente o melhor tem mais chance de vencer em qualquer tipo de quadra, o que é interessante mas a zebra pode ser ao mesmo tempo desagradável. Depende um pouco de quem está assistindo.

    Como você está vendo a ascensão do Djokovic?
    É praticamente inacreditável as coisas que vem acontecendo no tênis. É de difícil compreensão porque não se via isso há muito, muito tempo. (As coisas estão voltando para) a época que não era nem Open e ainda não era nem Aberto, como eles chamavam. O cara está ficando 40 partidas, 50 sem perder. O Federer fez isso durante alguns anos, o Nadal ainda faz muito no saibro, até que perdeu para o Djokovic. O que (para mim) é estranho é a diferença que existe hoje entre uns poucos jogadores e a maioria dos outros. Nos últimos 20 anos não tinha tanto isso. O Sampras ficou diversos anos, seis, sete anos como o número um, mas era difícil para ele ficar como número um. Era acirrado. No saibro ele nunca ganhava e tinha (os momentos) de baixa também. Este ano, (a disputa) é (da) largada e até o final. Acho que muito se deve a isso: à similaridade do circuito. O circuito buscou ser mais similar para dar mais condições aos melhores de vencer. E isto está acontecendo. Começam a surgir possibilidades de alguém que possa vencer o Nadal, (coisa) difícil de encontrar no saibro. Aí aparece o Djokovic. Aí o Nadal não perde para ninguém, só para o Djokovic realmente. E ele (Djokovic), consequentemente, não perdeu para ninguém: está 39 partidas invicto, quase rompendo o recorde que era do Villas (na verdade é do americano John McEnroe, 42 vitórias). Eu achei que nos tempos atuais isso não ia acontecer mais. Mas está acontecendo. Os recordes estão sendo quebrados de uma forma constante, todos eles. Se (a gente) for ver os recordes do tênis, quase todos são de jogadores atuais.


    Você acha que o Djokovic vem para ficar?
    Sem dúvida.


    Mas para fazer um trio com Nadal e Federer para disputar os principais torneios ou ele está só em uma fase boa? Ele (Djokovic) está (há) três anos chegando, chegando, chegando. E é um momento de maturidade porque ele tem 23, 24 anos. É o momento de ele ter essa sensação. Tecnicamente, ele já competia de igual para igual com o Nadal e o Federer, mas mentalmente ele não tinha essa convicção. Esta é uma geração brilhante, eu considero. Alguns ainda são garotos - o Federer um pouco mais velho - só que o que eles estão fazendo e a diferença que eles têm sobre os outros jogadores é admirável porque é uma constância de resultados surpreendente.

    Falando em ascensão, e o Bellucci? Ele vem conseguindo um bom progresso ultimamente...Minha análise sempre foi em termos técnicos e possibilidades que ele tem no futuro. Porque dentro de suas características dá para pensar nas coisas que ele pode conquistar com o tempo. Já não é de hoje que venho dizendo que ele tem grandes chances de ser um dos 20 do mundo. É natural, o jogo dele, bloqueou. Se percebe que ele tem muitos subsídios a mais do que outros jogadores que eu vejo. Também fui questionado quando ele se aproximou do Larri (Passos, seu ex-técnico e técnico de Bellucci) e achei isso a melhor decisão para ambos e o melhor que poderia acontecer para o Brasil. É bom para todo mundo isso, até porque repercutiu três dias seguidos no Jornal Nacional: "o tênis novamente..." Imagino a inspiração para as crianças e, com toda a minha história embutida, vêm tudo à tona. Acho que foi fundamental. E para ele, (o progresso) dá para tirar pelo exemplo particular que foi em Madri: ele não receou para ganhar do Murray e para ganhar do (Thomas) Berdych - dois jogadores entre os 10 do mundo. Na verdade, ele dominou (o confronto) contra os dois jogadores e dominou contra o Djokovic (que eliminou Bellucci na semifinal) até certo ponto. A partir de alguns detalhes ele começou a duvidar, o que é natural também, porque é a primeira experiência dele neste tipo de evento. Mas o que eu considero de maior valor, além do que eu falei, são as possibilidades que tem no jogo dele para enfrentar jogadores bons. Sendo assim, é questão de aprimoramento e aprender a lidar oscilações como a de sair do Torneio de Madri e chegar em Roma na primeira rodada, com uma motivação baixa. Sair de uma semifinal e entrar em uma primeira rodada contra um cara desconhecido em uma quadra lá no final...

    E depois pegar o Nadal...É, teoricamente pega um jogo duro... Mas sair das adversidades que o tênis propõe o tempo inteiro é a lapidação final do tenista. (A forma) como cada um lida com isso (é o) que é definitivo: ela vai dizer se ele vai chegar entre os dez, se ele pode ir mais além ainda. São todos esses detalhes. Mas o jogo dele (Bellucci) é evidente. Eu acho que este ano ele belisca para estar - e já está aí - entre os 20 do mundo. Ele tem chances reais de ser um possível top 10 daqui alguns anos porque eu vejo outros jogadores que foram top 10 recentemente e considero que o jogo dele tem mais potencial do que de outros caras.

    Por exemplo...O (Mikhail): Youzhny: o Bellucci é um cara que saca melhor, tem uma bola mais pesada. Não se mexe tão bem quanto o Youzhny mas também se mexe bem para o tamanho dele. É só aprender um pouco a tornar as jogadas mais ágeis. Outros jogadores: o (Fernando) Verdasco, que há pouco ganhou do Murray e ganhou do Berdych. Eu acho que ainda ele (Bellucci) não está no nível de um Murray e um Berdych ou um Verdasco, mas para estar entre os 20. O tênis é muito uma escala. Ele ganhou do primeiro top 10, que foi o Murray, e agora? Agora foi mais um degrau que ele avançou. No tênis quando se é 100 do mundo não se pode pensar lá na frente, em ser um top 10. É a cada momento "eu estou confortável com essa situação". Primeiro eu avancei, depois eu tenho de estar confortável para avançar para a próxima (etapa). Ou acontecem fatos isolados, como o que me aconteceu depois do meu primeiro (título) em Roland Garros. Eu fui campeão e em uma semana o meu ranking estava em 15 (do mundo). Até eu me adaptar com aquilo demorou um ano. Eu não era um jogador que estava condicionado para ser 15 do mundo. Eu deveria estar a 30, 40 do mundo...

    Mas você não estava condicionado fisicamente ou mentalmente?Totalmente, técnica... (Não estava) preparado para estar entre os 15 do mundo. Esta análise é difícil porque (só hoje) eu conheço o tênis para balancear todos os níveis de importância e botar tudo como se eu estivesse preparado. Mas é muito abstrato. Quando eu paro para analisar o Bellucci ou algum outro jogador é nesse aspecto. Às vezes tem um tenista que belisca um top 10, mas sai de lá e nunca mais vai chegar. E acontece de uma hora para outra. (Foi) o caso do (Martin) Verkerk , um holandês que foi vice de Roland Garros para (depois) ser um 100 do mundo. São coisas que acontecem. Então a gente tem uma análise mais criteriosa. No caso dele (Bellucci), ele é um jogador que há um ano entrou para 30, 30 e poucos do mundo, e ele está totalmente confortável. A tendência daí é estar subindo, porque ele vai aprimorar muitas coisas ainda no seu jogo dele e tem condições de melhorar porque as características dão margem para crescer em vários aspectos.

    Mudando um pouco de assunto, sem sair totalmente do tênis, eu lembro que a atual gestão da CBT (Confederação Brasileira de Tênis) tinha muitos planos quando assumiu o comando e a impressão que dá para quem não acompanha o tênis tão de perto é de que as coisas estão andando na velocidade que deveriam. Como você avalia a preparação para aproveitar tudo aquilo que você conseguiu proporcionar, pensando em o Brasil formar no futuro uma escola, assim como, por exemplo, a Espanha?Aquele momento (meu auge da carreira) foi uma explosão, o ápice, da antiga gestão que foi muito problemática na época. Até o boicote da Copa Davis, quando a gente ficou sem jogar... O tênis chegou, por incrível que pareça, ao melhor e ao pior momento contemporâneo (simultaneamente): os melhores resultados do tênis e o pior momento de gestão. Nos mesmos últimos dez anos e na mesma linha de tempo. Foi muito frustrante para todos que acompanham o tênis e principalmente para a gente, que vive do tênis. Pô, a gente lutou um monte para trazer um torneio aqui para o Brasil, que depois veio, e tudo que a gente podia fazer para ajudar, para tentar melhorar, a gente fazia. Também a minha preocupação maior era com a minha carreira naquele momento. O que ajudou muito hoje é que a gente tem capacidade de contribuir de muito mais formas para o tênis, apesar de não ter tanto impacto constante, como era um dia atrás do outro mexendo com a cabeça das pessoas nos torneios. Eu vejo que a atual gestão, ela vem trabalhando bem, apesar de que velocidade é algo de é quase impossível exigir porque a gente tem de pensar em formar o básico ainda. E isso demora. Para formar um cara capacitado em ser um treinador vai, no mínimo, uns quatro ou cinco anos. Eu vejo que eles estão fazendo alguns projetos pontuais que são bons, projetos com juvenis auxiliando inclusive alguns dos meninos que a gente acompanha aqui bem próximo e alguns que estão na academia do Larri também. Estão rodando o Brasil todo e identificando precocemente os garotos que têm mais qualidade para investir nesses rapazes. Estão investindo em treinadores, mas a gente ainda não tem nem um know how para poder capacitar entende? Então é difícil. O Brasil vive, em todas as esferas, essa dificuldade de mão de obra fundamental, alguém que saiba ensinar mão de obra. Se eu quiser hoje capacitar professores, eu preciso ter pelo menos uns 3 ou 4 grupos de capacitadores. Isso é o que a gente faz no Instituto. Fomentar foi um trabalho de dez anos até que a hoje gente tem um corpo que consegue fazer capacitação da metodologia. A (CBT) tem bons trabalhos e ela vem conseguindo de volta o prestígio de volta, o que é muito difícil. A Confederação foi praticamente incinerada há alguns anos. Hoje, conosco, a relação é super tranquila. A gente procura também facilitar e ajudar sempre a confederação. A intenção é crescer ainda mais. A gente tem até um projeto, que esperamos saia a qualquer momento, para vincular um grupo de juvenis - cerca de 14, 15 jogadores - ao acompanhamento do Larri, como um técnico supervisor da equipe. (Também teremos) alguns treinadores na parte mais de rotina, do dia a dia, para que esses caras também tenham a capacidade de ir aprendendo, aprimorando, e usando essa ferramenta como parâmetro. O vôlei dá muito embasamento. Pelo menos eu procuro enxergar a fórmula de eficiência que eles têm e adaptar à especificidade do tênis a estrutura do vôlei. A gente vem tentando, até com a confederação, bolar um projeto para esses juvenis e botar isso na prática mesmo, de forma pontual, de menor para maior de forma a , uma hora, a coisa realmente vingar. Mas, até tendo como parâmetro o próprio vôlei, isso é um processo: aquela primeira geração que teve resultados com o Bernard em 1984 resultou, quase dez anos depois (1992), (à conquista da) medalha de ouro. A partir daí (de uma medalha olímpica) a coisa anda porque o Brasil tem um potencial para o esporte imenso. Tem qualidade para muitos esportes fora a quantidade de pessoas (para praticar). É igual a China que botou o povo para fazer esportes. Com um bilhão de pessoas fazendo, vai ter gente fazendo bem. Então, construir isso é a grande complexidade na engrenagem. Mas às vezes as coisas não se percebem com tanta facilidade porque a gente quer ver o ótimo. Até dar o giro completo (sair do ostracismo para a vitória)... Depois de dez anos de excelência, o pessoal fala "é o vôlei, é o vôlei". Mas a partir do que surgiu 1992 já havia algo de espetacular acontecendo.

    Mas justamente esta é a questão que divide o vôlei e o tênis: o vôlei soube aproveitar os resultados e crescer, mas o tênis teve a Maria Ester Bueno e não progrediu e há o risco de que seu legado não dar frutos no futuro....O que eu sempre digo: o Brasil no tênis tem de ter, pelo menos, 3 a 5 jogadores entre os 100 do mundo e dois entre os 50. É uma condição normal pela quantidade de jogadores que a gente tem, pela capacidade dos atletas, pelos juvenis. Só que isso dentro de uma estrutura ótima, que funcione bem. Tem coisas boas acontecendo, mas ainda não funcionam bem. E essa é a análise que é feita. Quem não está acompanhando muito faz essa análise: "Pô, não vejo uma estrutura montada boa, adequada."

    É que, quando a atual gestão assumiu, eram muitos os planos: fazer um centro de treinamento, (eles contrataram) o Emílio Sanchez... Será que tudo isso está tendo o efeito desejado ou a gente está deixando o cavalo passar encilhado e não vamos montar? Vamos perder o bonde da história de novo?Eu considero que o centro de treinamento não vai mudar nada. Atualmente, não é o principal. Aconselho sempre eles (dirigentes da CBT) a irem por outro tipo de caminho. Primeiro precisamos de treinadores adequados para gerir o centro de treinamento, senão não adianta: a gente vai colocar a coisa lá e vai produzir errado. Além do mais, a Olimpíada (do Rio, em 2016) teria de legar esse espaço (o centro de treinamento). Podemos ter um centro de treinamento, mas precisa ser só o básico do básico. (Antes,) precisamos ter outros cuidados que são ainda maiores.

    Você se identifica com algum jogador da atualidade? Alguém em quadra faz lembrar você em algum momento da carreira?Não. Atualmente não. Não tem porque nunca me identifiquei. Se for parar para analisar, acho que meu estilo, se for para comparar com esses três (principais) que estão em pauta - o Federer, o Nadal e o Djokovic - tá muito mais próximo do Federer do que do Djokovic e do Nadal: eu tenho a esquerda com uma mão, meus golpes são mais soltos. (Minha) forma de jogar é mais similar a do Federer. Mas, ao mesmo tempo, o interno, a maneira como eu competia, ela já está próxima do Djokovic ou do Nadal, (algo) entre os dois. Eu era um cara mais solto na quadra, ria mais, como o Djokovic. Talvez ele represente mais esta espontaneidade e o espírito com que eu jogava dentro da quadra. Mas foge um pouco de muitas similaridades. Cada um (dos top 2) tem um pouco da forma com que eu jogava.

    Agora vamos falar um pouquinho de vida pessoal. Como está a vida de casado? (Guga se casou com Mariana Soncini em outubro do ano passado).Está boa. Aliás casamento é o que mais tem acontecido na minha vida (conta que a maioria dos amigos também está se casando).

    Mas interfere no seu planejamento de trabalho no que diz respeito ao tênis? Por que vai ter um momento que a família vai exigir um pouco mais...Foi uma decisão própria no sentido de terminar toda a minha carreira para poder ter esse momento mais particular para a família. Eu tenho necessidade de estar próximo para iniciar esta etapa. Então, para mim, apesar de estar envolvido em projetos, eu estou muito mais presente (em família). É incomparável (com meu tempo de tenista). É bom estar com a minha cabeça desenvolvendo estratégias, ideias, e vinculado à família. Sempre estamos todos juntos, dia das mães com as duas famílias reunidas. Projeto para também futuramente ter filhos. Eu casei há pouco tempo.

    Falando em filhos, faz planejamentos em relação a isso?Faço, mas não faço. Tenho total interesse em ter filhos, mas não sou de "ah, (vai ser) no ano que vem, então vou me planejar para aproveitar agora..." Vai vir naturalmente. Eu não gostaria é de ter um filho antes de ter me casado, ter encontrado alguém para compartilhar dessa experiência e (quero) fazer parte da vivência com meu filho. Então, agora que estou mais próximo (da família), estou avançando nesse caminho (da paternidade) e é até a pergunta que eu mais escuto. Antes era quando que eu ia casar, agora é quando que vou ter filho. Eu diria que estou pronto para passar para o próximo estágio. Avançar e passar para a próxima pergunta.

    Já que você falamos sobre filhos, você pensa em ter um filho seguindo a sua carreira? Afinal tem o lado duro (de ser tenista) e você conhece outros esportes, como o surfe, e teve a oportunidade de viajar o mundo inteiro... Se um filho seu dissesse "eu quero ser tenista", o que você faria?Eu me preocupo muito mais em estar presente, eu estar de acordo com as expectativas dele, ter um relacionamento legal. O tipo de esporte...Bem, eu vou tentar incentivar para o esporte sem sombra de dúvida. Eu acho que o esporte é um aprendizado para a vida espetacular. Tentarei criar (meu filho) da forma que eu tive a oportunidade de ser criado. Eu aprecio muito a maneira como minha mãe conseguiu proporcionar para a gente a infância, passar pelas etapas da vida e desfrutar desses momentos de ingenuidade, de alegria, sem compromisso. Vou tentar eu curtir a relação com meu filho. É difícil ter a noção, prever, se vai ser homem, ou mulher, se vai ser para o tênis... Eu considero muito a vida dele. Vai ser a vida de outra pessoa que vou ter a oportunidade de estar próximo e ter um envolvimento, uma responsabilidade, mas é (adotarei) o critério usado comigo. Sempre tive a oportunidade de estar tomando minhas próprias decisões. Vou fomentar informações para ele para que ele faça as coisas certas.

    E se você tiver um filho tenista? Qual a primeira coisa que você faria para prepará-lo melhor?Escolher um professor bom. Não está fácil... Mas acho que começa na base. A gente tem muitos casos nos quais o garoto desiste do tênis porque o tênis é um esporte individual e difícil. Ele vai contra as nossas necessidades iniciais: brincar, fazer coisas mais simples, mais fáceis. Hoje existem novos métodos que dão a possibilidade de uma criança aprender com quatro anos, com uma raquetinha e aprender direito já. Eu brinco (lembrando) que, com cinco anos, eu carregava uma raquete maior do que eu. Tinha de carregar com as duas mãos e jogar - era de qualquer jeito. Mas era divertido para mim, era gostoso e eu fiquei no tênis. O que eu aconselho para os pais é isso: um bom professor, não no sentido de já se preocupar com a direita do menino, com a parte técnica, mas (no sentido de) ser algo lúdico, que ele tenha um interesse e uma sociabilidade. Não precisa, com cinco, seis anos, ter um professor que fique uma hora só com aquele menino todos os dias. Tem de ser uma coisa mais em grupo, tem de ter um ambiente mais favorável. E tem a parte técnica obviamente - quanto melhor o professor, quanto mais apto ele estiver a estar condicionar o menino, já vamos ganhando tempo.

    Isso tem a ver com a sua recente iniciativa de trabalhar com formação de atletas? (Há seis meses Guga abriu em Florianópolis uma academia para crianças). Esse sentimento gerou em você esta necessidade?Gerou. E é o que vai acontecer no tênis. A gente faz pesquisas e depois de alguns estudos detecta algum objetivo ou algum buraco do tênis e vê no que você pode ser útil - até mesmo junto com a confederação, fazendo algumas coisas paralelas. A gente iniciou a semana Guga aqui, um evento para resgatar um pouco mais o tênis juvenil no sentido da competição, para eles (os jovens atletas) terem novamente a ambição de estar ali e não pensar somente no profissional. Foi o que aconteceu quando eu comecei a me destacar: todos os meninos de 14 anos queriam ser profissionais. Existe um momento em que o juvenil precisa ser juvenil e desenvolver naturalmente as coisas naquele estágio. Fizemos aquele evento para buscar isso, foi bem legal. Deu super certo desde o início. Agora começamos com a escolinha. O que eu mais escutava (em termos de pedidos e reclamações)? Começou assim essa pesquisa de campo. "Onde é que eu boto meu filho para jogar tênis?" "De onde é que ele é?" (Eu respondia:) "Não sei, não sei." Não me sentia muito confortável para indicar para as pessoas, mesmo sabendo de diversos professores em locais diferentes. Temos diversos técnicos trabalhando, mas não tinha essa certeza (de indicar), porque, na época que eu aprendi a jogar tênis, os que trabalhavam com iniciantes eram muito bons professores. Ele era muito bom e dava aula para todo mundo, tinha 15 anos de tênis, 20 anos de tênis. Quando eu ganhei Roland Garros houve uma procura de milhares de jogadores de tênis e, consequentemente, inúmeros professores surgiram. Na escala, esses caras, esses novos professores, que teriam menor importância, foram dar aulas para os iniciantes. Onde era para preparar melhor, começou a preparar pior. Então (criou-se) uma grande deficiência e hoje há trabalho para tentar reverter isso - começar a trabalhar mais (o professor) com o clube novamente. O garoto que quer ser professor da escolinha tem muito valor, e assim como outras profissões, e específica a de professor, ela cada vez ela está mais desvalorizada. Todo mundo quer viajar com o profissional, estar em uma academia treinando e às vezes até financeiramente dá mais lucro dar aula social. O cara que sobrou tem espaço na escolinha para dar aula e aí ficou (para os iniciantes) uma mão de obra não capacitada. Hoje a confederação vem fazendo alguns projetos de capacitação e (criação de) critérios para a capacitação de alguns professores. Acho que ainda é preciso melhorar bastante esse projeto, aprofundar mais para ter um rigor ainda maior. Deveria ter (critérios) em todas as etapas, dividindo, assim, em iniciação, depois em formação e aí depois já vem para o juvenil e a transição para o profissional. Em todas as etapas, diferentes professores: este cara está credenciado nível A, para ser professor até 8 anos, no outro estágio ele é nível C, não é A... Mais aprofundada. Ainda acho que os critérios são muito "tem condição de ser professor, ainda não é bom, é muito bom, é médio" mas não diz se serve para trabalhar com pedagogia, que é uma questão (importante) para trabalhar em uma criança de oito anos, se é para trabalhar com lazer... Aí é que houve muita mistura. Isso tem de estar mais claro, mas, como eu já falei, isso é pedir o ideal. Mas tem de buscar, o objetivo é esse.

    E quanto à programação para o tri de Roland Garros, a comemoração desses dez anos? Você vai para lá (Paris)? Vai ter alguma coisa lá? Vai ter alguma coisa por aqui?Eu estou indo para lá dia 30 (de maio) ou dia 1º (de junho). Eu tenho um evento que eu vou participar lá o faz já fiz parte no ano passado, quando recebi aquela premiação da ITF (Prêmio Philippe Chatrier, da Federação Internacional de Tênis). Não sei se este ano eles vão me entregar alguma coisa ou eu é quem vou entregar - provavelmente é isso que deve acontecer. Lá com certeza vai ter alguma homenagem porque eles estavam sondando à respeito aos 10 anos, em relação à Lacoste. Eles estão organizando alguma coisa e querem que eu esteja disponível lá, se eu não me engano, no final da semana. E depois, aqui, eu sei que o banco (Banco do Brasil, seu patrocinador) está programando uma homenagem para fazer no próximo dia 10. Por enquanto é o que eu sei. Não terei tantas atividades. Deixa eu ver....O exército entrou em contato querendo fazer uma homenagem.

    Vai ter os Jogos Mundiais Militares no Brasil.Este ano?

    É...Talvez seja isso. Esse ano todo tem muita referência a esse negócio dos dez anos. Aí volta e meia pinta alguma coisa, atividades relacionadas a isso, mas agora em Roland Garros e com a data, com certeza vai pintar mais coisa.

    E o Avaí, vai ser campeão da Copa do Brasil?A gente fica na torcida. Depois que ganhou do São Paulo nossa esperança aumentou.

    Tem promessa? Se ganhar você irá a todos os jogos da Libertadores? (O campeão da Copa do Brasil se classifica para a Taça Libertadores da América do ano seguinte)A tendência é essa. Esse ano que passou quase fui ao Equador para assistir (o Avaí) em Guayaquil que é a cidade do Lapentti (Nicolas, ex-tenista). Ele me convidou e eu só não fui porque tinha um compromisso, acho que eu estava nos Estados Unidos na época da Sul-Americana. O Avaí já estreou na Sul-Americana. Estamos indo, devagarzinho. Se não pegarmos Libertadores este ano, pegamos no ano que vem.

    Mercado de aviação experimental e desportiva cresce no Brasil

    Mas a indústria aeronáutica brasileira é muito ampla, e não somente um negócio lucrativo para uma grande empresa como a Embraer e seus fornecedores;


     


    R$=*=$R O Brasil de Alberto Santos Dumont honra o nome do pai da aviação. Atualmente, os jatos comerciais da Embraer voam em mais de 70 países e a empresa é referência mundial quando o assunto são aviões de treinamento militar.

    Mas a indústria aeronáutica brasileira é muito ampla, e não somente um negócio lucrativo para uma grande empresa como a Embraer e seus fornecedores. O mercado cresceu muito no país e já tem gente faturando alto no setor da aviação experimental.

    Equipamentos fabricados aqui quebraram vários recordes mundiais. Atualmente, as velas da Sol, por exemplo, são exportadas para 68 países. É a única empresa do gênero situada fora do continente asiático.

    A fábrica, que fatura R$ 6 milhões projetando velas, cortando e costurando pano, mostra que, por trás do desejo de domesticar o ar, se sustenta um grande negócio e vários pequenos negócios que empregam milhares de pessoas.

    Joãozinho na Igreja...

    Piada do Dia. = 048\2011








    Todo domingo, Joãozinho era obrigado a acordar cedo e
    ir para a igreja com sua mãe. No meio da missa ele não
    aguentava e caia no sono.

    O padre já não aguentava mais ver aquilo e fez uma
    pergunta para Joãozinho.

    - João quem é o nosso pai?
    A irmã de Joãozinho percebeu que ele estava dormindo e
    cutucou a chave na bunda dele e ele acordou.

    - DEUS!!!
    O padre deu os parabens a Joãozinho e prosseguiu a
    missa.

    João dormia em todas as missas.
    Um mês depois o padre quis pegar ele novamente e
    perguntou:

    - Qual o nome "da pessoa" que foi posta na cruz?
    A irmã de João novamente cutucou a chave na bunda dele
    e ele acordou.

    - JESUS CRISTO!!!.
    O padre continuou a missa, mas ele já estava pensando
    em outra pergunta para fazer para Joãozinho.

    Passado um certo tempo o padre percebeu que Joãozinho
    estava dormindo e perguntou:

    - O que a Eva disse para o Adão quando descobriram o
    pecado original?

    João esperto percebeu que sua mãe vinha com a chave e
    disse:

    - SE VOCÊ CUTUCAR ESSA CHAVE NA MINHA BUNDA DE NOVO EU TE QUEBRO A CARA!!!

    Cidadão 70

    =*= Obra de Orson Welles forjou sua fama e tradição ao longo do tempo.

     
    Luiz Zanin Oricchio - O Estado de S.Paulo
     

     **#** Rosebud. Essa palavra, todo cinéfilo tem de cor na cabeça, desde que Cidadão Kane tornou-se o ícone mundial do cinema de arte. Não foi uma fama imediata. O mito Kane foi se construindo ao longo do tempo, forjando sua própria tradição e posteridade. Cidadão Kane teve sua première dia 1.º de maio de 1941, em Nova York. Chegou ao Brasil em 16 de junho do mesmo ano, antes da Europa. Compreende-se. A maior parte dos países europeus estava então envolvida na 2.ª Guerra e fechada ao cinema americano. Uma exceção era Portugal - neutro -, que colocou o filme de Welles em cartaz em outubro de 41, com o título de O Mundo a Seus Pés.

    Divulgação.
    Divulgação.
    Percalços. Welles teve de enfrentar a fúria do verdadeiro Kane
     
     

    **#** Em sua terra, Kane enfrentava percalços. O magnata das comunicações, William Randolph Hearst, reconheceu-se no personagem e boicotou a película. Via em Kane o homem poderoso e, no fundo, vazio, corrupto, destruidor de pessoas que era ele próprio. Havia outra alusão, de ordem sexual. Rosebud (botão de rosa) seria o apelido que Hearst dava à parte íntima da anatomia da amante, Marion Davies. Temeroso do poder de Hearst, Louis B. Mayer, boss da MGM, ofereceu à RKO US$ 800 mil para queimar o negativo. Por sorte, a oferta não foi aceita. No Oscar, Kane não teve melhor sorte. Indicado a nove categorias, ganhou apenas em uma - roteiro, de Herman Mankiewicz, dividindo o crédito com o próprio Welles.
    Kane se impôs aos poucos. A cada geração, enaltecido por camadas geológicas de exegeses e críticas favoráveis, foi ganhando a posição de "filme dos filmes". Uma espécie de princípio do cinema moderno, aquele que saía do cisma provocado pela entrada em cena do sonoro nos anos 30, e que subvertera a estética do silencioso. Os anos 20 haviam produzido todo o expressionismo alemão, boa parte da obra de Chaplin, os divisores de água de Eisenstein (Encouraçado Potemkin e Outubro). Com o sonoro, temia-se a regressão a uma estética anterior, colocando toda a força nos diálogos e esvaziando a imagem. Não precisava ser assim, e não foi. Kane não foi o único a demonstrá-lo, mas talvez o tenha feito com ênfase inigualável.
    Mesmo após o incrível sucesso crítico alcançado, Kane continuou a levantar polêmicas. Uma delas partiu da norte-americana Pauline Kael que, em seu ensaio Criando Kane, atribui a Mankiewicz a maior parte do mérito pelo sucesso de Kane. De acordo com Kael, é o texto brilhante que faz o filme. Ok, mas mesmo com o melhor dos textos, o que seria da obra sem a mescla de gêneros proposta por Welles, sem a profundidade de campo usada por Gregg Toland, a montagem descontínua de Robert Wise, a música de Bernard Herrmann, o uso criativo da narração radiofônica? Enfim, sem tudo aquilo que faz de Kane um filme (e não um texto) extraordinário, por obra e graça de Welles, o grande regente por trás de todos esses talentos?
    Sua influência posterior talvez seja inigualável, pois todo o melhor cinema moderno é seu devedor. Mesmo seu achado - a palavra "rosebud" -, que guia a trama nesse intrincado enigma chamado Charles Foster Kane, mantém sua força. Rever Cidadão Kane, 70 anos depois, ainda é uma experiência sem par. Terminamos o filme sem fôlego, contemplando aquela imagem singela e ao mesmo tempo misteriosa. Todos temos o nosso rosebud pessoal. Foi Kane que nos ensinou essa verdade simples.

    Vulcão entra em erupção na Islândia

    %**% Vulcão Grimsvoetn em atividade  está localizado na geleira Vatnajoekull, no sudeste do país.

    Foto: STR/AFP ZoomO vulcão Grimsvoetn está localizado na geleira Vatnajoekull O vulcão Grimsvoetn está localizado na geleira Vatnajoekull

    Da AFP

    O vulcão Grimsvoetn entrou em erupção neste sábado na maior geleira da Islândia, anunciaram os serviços meteorológicos islandeses, indicando que uma grande coluna de fumaça ergueu-se sobre a cratera.

    "Uma erupção teve início em Grimsvoetn e um avião está a caminho de lá para recolher mais informações", indicou à AFP o meteorologista Haraldur Eirkisson.

    "Havia uma nuvem erguendo-se de Grimsvoetn às 19h GMT (16h de Brasília) e pouco antes das 20h GMT (17h) alcançou 11 km de altura", acrescentou o cientista. O vulcão Grimsvoetn está localizado na geleira Vatnajoekull, no sudeste do país.

    Em abril de 2010, uma nuvem de cinzas expelida após a erupção do vulcão islandês Eyjafjöll obrigou as autoridades europeias a fechar o espaço aéreo da Europa. Mais de 100.000 voos foram cancelados e mais de oito milhões de passageiros ficaram bloqueados.

    Ainda não é possível determinar neste sábado à noite se as cinzas da erupção do Grimsvoetn podem provocar problemas como esse. O vulcão está situado sob uma espessa camada de gelo, o que foi determinante para os efeitos da erupção
    de abril de 2010.

    Banco do Brasil e 12 órgãos abrem inscrições para 1,4 mil vagas

    #** # Salários chegam a R$ 8.931,01 no Corpo de Bombeiros do Distrito Federal.
    Entre órgãos estão IML do Paraná e Tribunal de Justiça do Espírito Santo.





    Do G1, em São Paulo


    *B$B* Pelo menos 13 órgãos abrem inscrições nesta segunda-feira (23) e terça-feira (24) para 1.408 vagas e formação de cadastro de reserva em cargos de todos os níveis de escolaridade. Os salários chegam a R$ 8.931,01 no Corpo de Bombeiros do Distrito Federal.
    Os órgãos que abrem inscrições na segunda-feira (23) para 1.115 vagas e formação de cadastro de reserva são os seguintes: Banco do Brasil, DAE de Jundiaí, Prefeitura e Câmara de Açailândia (MA), Prefeitura de Campinas (SP), Prefeitura de Combinado (TO), Prefeitura de Estância (SE), Prefeitura de Jacinto (MG), Prefeitura de São José de Ribamar (MA), Prefeitura de Teixeiras (MG) e Secretaria da Segurança Pública do Paraná.
    Já na terça-feira o Corpo de Bombeiros do Distrito Federal, a Prefeitura de Igarapé (MG) e o Tribunal de Justiça do Espírito Santo abrem inscrições para 293 vagas e formação de cadastro.

    Banco do Brasil

    O Banco do Brasil lançou edital para formação de cadastro de reserva para o cargo de escriturário, que exige nível médio. Nesse tipo de concurso os aprovados são chamados conforme disponibilidade na instituição. O salário é de R$ 1.280,10, com gratificação de 25% paga mensalmente -
    veja aqui o edital.
    As vagas são para 51 cidades dos estados do Amazonas, Espírito Santo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Santa Catarina. É a primeira seleção do BB no ano que contempla o Sudeste.
    As inscrições podem ser feitas de 23 de maio a 16 de junho, através do site www.concursosfcc.com.br. A taxa de inscrição é de R$ 40.
    A prova objetiva será aplicada no dia 7 de agosto.

    China clona do MSN ao Google e lidera web

    Cláudia Trevisan, de O Estado de S. Paulo
     
     
     

    Cidade de Pequim - China
     
    $$=$$ PEQUIM - O mapa luminoso da presença global do Facebook mostra uma mancha negra sobre a China, onde a mais célebre rede social da internet é bloqueada, assim como YouTube e Twitter. Mas isso não significa que a maior população online do planeta está fora do universo dos microblogs, games e redes virtuais de amigos.
    Dentro da invisível Grande Muralha de Fogo levantada pela censura chinesa surgiram algumas das maiores empresas de internet do mundo, que começam a rivalizar com os originais que clonaram, em valor de mercado e número de usuários.
    O serviço de mensagens instantâneas QQ tem apenas 5% de seus clientes fora da China, mas a audiência doméstica é suficiente para colocá-lo em 10.º lugar no ranking dos sites mais visitados do mundo, elaborado pela consultoria Alexa - uma posição acima do MSN da Microsoft.

    Na origem do sucesso do QQ estão os 477 milhões de usuários da internet na China, quase o dobro dos 250 milhões existentes nos Estados Unidos. Em poucos anos, a população online do país asiático será o triplo da norte-americana, estima Duncan Clark, da empresa de consultoria BDA China. "O centro de gravidade da internet está mudando", observa.
    QQ é a face mais popular da Tencent, a maior companhia de internet da China e a terceira do mundo em valor de mercado, com US$ 52 bilhões, abaixo apenas do Google (US$ 171,2 bilhões) e Amazon (US$ 89,9 bilhões). Se o Facebook tivesse ações em Bolsa, certamente estaria à frente da empresa chinesa.

    O consultor Bill Bishop, editor do site Digichina, acredita que a internet representa o maior segmento da economia chinesa fora das mãos do Estado. As líderes são empresas de capital privado com ações nas Bolsas de Valores de Nova York ou Hong Kong - nenhuma tem papeis negociados na China.
    Entre as 12 representantes chinesas que apareceram na lista BrandZ das 100 marcas mais valiosas do mundo divulgada no início de maio, só duas não eram estatais: Baidu e Tencent, ambas do setor de internet.
    Elaborado pela agência Millward Brown Group, o ranking estimou o valor da marca Baidu em US$ 22,56 bilhões, alta de 141% em relação ao ano anterior, o que elevou a grife chinesa ao segundo lugar entre as de mais rápido crescimento do planeta, atrás apenas do Facebook.
    O vigor da internet também se reflete na lista dos chineses mais ricos elaborada pela Forbes. O primeiro lugar de 2011 é ocupado por Li Yanghong, de 42 anos, o fundador do Baidu. Também conhecido como Robin Li, ele é dono de uma fortuna de US$ 9,4 bilhões, o que o deixa na posição 95 no ranking global da revista. O criador da Tencent, Ma Huateng, 39 anos, aparece na 10.ª posição entre os chineses endinheirados, com US$ 5 bilhões.

    Idealizada para controlar a informação e barrar o que é considerado contrário aos interesses do Partido Comunista, a censura acabou funcionando como uma reserva de mercado, que permitiu o desenvolvimento dos sites chineses sem a ameaça de concorrência externa.
    Mas a proteção não é o único fator que explica o sucesso de alguns deles. O Baidu já era líder do mercado de buscas antes de o Google decidir transferir seu site chinês para Hong Kong, em março de 2010, em razão da intensificação da censura.
    De qualquer maneira, a saída de campo de seu principal competir elevou a fatia de mercado do Baidu de pouco mais de 60% para cerca de 80%. Nesse mesmo, o preço de suas ações na Nasdaq teve alta de quase 150%, o que jogou o valor de mercado da empresa para US$ 47,4 bilhões, mais que o dobro do Yahoo!. O Baidu está em sexto lugar no ranking dos sites mais visitados do mundo, segundo a consultoria Alexa, atrás de Google, Facebook, YouTube, Yahoo! e Live.
    Os campeões da internet chinesa só conseguiram prosperar porque se sujeitaram aos limites impostos pelo Partido Comunista, que os transformam em agentes executores da censura.

    Os sites são responsáveis por impedir que cheguem a seus portais todas as informações vetadas pelas autoridades de Pequim. A lista do que é proibido tem temas permanentes, como independência do Tibete, e outros que mudam de acordo com as circunstâncias.
    Diariamente, a relação do que está vetado é distribuída pelos censores de Pequim. Jasmim, nome do chá mais popular da China, foi banido desde que foi vinculado à Revolução do Jasmim que derrubou o governo da Tunísia, em janeiro.
    O agravamento da censura, a crescente dificuldade para atuar no país e o ataque de seu site por hackers foram os argumentos utilizados pelo Google para justificar a transferência de sua operação em chinês para Hong Kong. Na China, o Google tinha de a praticar a autocensura, como os demais sites do país.

    Diante da barreira à entrada de empresas estrangeiras na China, a compra de ações em Bolsa ou a aquisição de participação direta no capital das empresas chinesas se transformaram nos únicos caminhos pelos quais os investidores podem apostar no boom da internet no país.
    Há quem entre nesse mercado sem saber se terão uma rede de proteção. O site de relacionamento Renren, uma versão chinesa do Facebook, levantou US$ 743,4 milhões na Bolsa de Nova York este mês, dez vezes mais do que faturou em 2010. As ações perderam 24% desde então, mas estão em patamar que dá à companhia um valor de mercado de US$ 5,4 bilhões. "O Renren é pequeno, e isso certamente é uma bolha", afirma Clark, da BDA.

    sábado, 21 de maio de 2011

    Aqui quem manda é a natureza

    O turismo ecológico traz riqueza para a Tanzânia. Mas o excesso de visitantes ameaça o equilíbrio ambiental e o parque mais famoso do país pode ser cortado por uma estrada.
     
     
    Haroldo Castro (texto e fotos), de Serengeti (Tanzânia)

    Haroldo Castro/ÉPOCA
    LEI DA SELVA Uma impala perdida é atacada por duas leoas no Parque Ruaha. É um flagrante raro em safáris
     

    reprodução/Revista Época
    =**= As planícies do Parque Nacional de Serengeti, na Tanzânia, são o palco de um dos espetáculos naturais mais impressionantes do planeta: a migração anual. Manadas de até 1,3 milhão de gnus, 200 mil zebras e 500 mil gazelas realizam um percurso circular de 700 quilômetros para buscar as pastagens esverdeadas pela chuva. O movimento dos animais transcende fronteiras. Entre agosto e outubro, eles deixam a Tanzânia e entram na Reserva Maasai Mara do Quênia, sem cercas ou limites. Mas um projeto do governo tanzaniano pode interferir na circulação dos bichos. A construção de uma rodovia, entre Arusha e Musoma, cruzaria o parque. Segundo o governo, a estrada deverá desenvolver a região. Para o setor turístico e para conservacionistas, será um desastre ecológico. “Ela fragmentaria o ecossistema, interferindo na migração”, afirma David Blanton, da ONG Serengeti Watch, dedicada a proteger o parque. “O projeto pode deixar um rastro de devastação na economia, na reputação e no orgulho do país.”
    A escolha do percurso da estrada de Serengeti simboliza os dilemas não só da Tanzânia, mas de todos os países com uma riqueza natural única. Esse patrimônio de vida selvagem sustenta um turismo gerador de empregos e de renda. Na Tanzânia, os 700 mil visitantes por ano contribuem com US$ 950 milhões à economia. É mais do que o faturamento da agricultura. Mas o desafio é evitar que a exploração excessiva dos parques ou de outras atividades econômicas prejudique o exuberante espetáculo natural. “O desenvolvimento de nosso país é prioritário, e o governo precisa investir mais em infraestrutura”, diz Scholastica Ponera, diretora da operadora Pongo Safaris, de Dar es Salaam, principal cidade do país. “Mas deve fazer isso sem manchar nosso patrimônio natural.”
    Em busca de uma solução conciliatória para a estrada de Serengeti, o governo alemão propôs um desenho alternativo, contornando a reserva e evitando a divisão do parque. É a chamada Rota Sul. Um dos argumentos é o benefício social. “Enquanto a Rota Norte favoreceria cerca de 430 mil tanzanianos, a Rota Sul, mais longa, beneficiaria uma população maior, de 2,3 milhões de habitantes”, afirma Boyd Norton, diretor da ONG Serengeti Watch. O Banco Mundial e a Alemanha ofereceram apoio técnico e financeiro. Mesmo assim, o presidente tanzaniano, Jakaya Kikwete, reeleito em outubro de 2010, ainda não aceitou oficialmente a oferta, insistindo, em seus discursos, na Rota Norte que atravessa o parque. Segundo o alemão Wolfgang Thome, radicado em Uganda e especialista em turismo, uma das razões seria a “instalação de uma fábrica de carbonato de sódio às margens do Lago Natron”, um lago alcalino situado a 80 quilômetros de Serengeti.
    Serengeti não é a única atração turística em risco na Tanzânia. Ironicamente, são os próprios visitantes que ameaçam a saúde ambiental da Área de Conservação Ngorongoro, eleita como patrimônio mundial pela Unesco. A região foi moldada há 2 milhões ou 3 milhões de anos, quando o Vulcão Ngorongoro teria explodido, formando uma cratera com quase 20 quilômetros de diâmetro. Dentro dela, há um ecossistema particular, onde proliferam mais de 25 mil mamíferos selvagens. Minha primeira surpresa ao visitar a área é com um elefante, o maior macho da espécie dentro da cratera. Sua presa mede quase 2 metros e chega a encostá-la no solo. Como as presas nunca param de crescer, não é difícil calcular que o gigante também deve ser um dos mais velhos do grupo. Os leões de Ngorongoro possuem uma história particular e nem sempre saudável. Há algumas décadas, devido aos cruzamentos entre o grupo, isolado de seus parentes do Parque Serengeti, alguns leões nasceram com problemas de consanguinidade e têm menor imunidade.
    Mais de 25 mil mamíferos selvagens se abrigam numa
    cratera vulcânica com 20 quilômetros de diâmetro
    Entrar nesse paraíso reservado é caro. O visitante paga US$ 200 para cada veículo, mais US$ 50 por pessoa. Essa contribuição alimenta os trabalhos de conservação de Ngorongoro com milhões de dólares anuais. O preço elevado também deveria inibir um número maior de visitantes, diminuindo o impacto em um ambiente tão frágil. Quando observo uma meia dúzia de carros indo para a mesma direção, levantando rastros de poeira, deduzo que um animal é o ponto magnético de convergência. No local, todos os olhos, binóculos, câmeras e filmadoras convergem para um guepardo. O felino, o animal mais veloz do planeta, com picos que atingem 120 quilômetros por hora, está sentado sobre suas patas traseiras e esquadrinha o horizonte em busca de alguma presa. O guepardo não muda de posição, e os carros continuam chegando. Quando olho a meu redor, conto 16 veículos, com um mínimo de quatro passageiros em cada um.
    O excesso de turistas pode pôr em risco a saúde ambiental da reserva. Pesquisadores concluíram que um grande número de visitantes rodeando um único animal pode causar estresse. O efeito mais negativo é inibir a iniciativa para caçar. Mesmo para o guepardo, que pode acelerar até 100 quilômetros por hora em apenas três segundos (como uma Ferrari), a perseguição tem um elevado custo energético. Por isso, o guepardo só vai investir em uma arrancada quando ele estiver certo que conseguirá a presa. E os turistas afugentaram as presas. O guepardo, enfim, se levanta e caminha em direção contrária à manada de jipes. Prefere jejuar por mais algumas horas. Essa cena acontece regularmente. A solução para Ngorongoro é mais simples do que a de Serengeti: basta limitar o número de vans dentro da cratera.
    Com uma possível estrada cortando o Serengeti e um congestionamento crescente de vans em Ngorongoro, a magia da observação de animais selvagens está se transferindo para outras áreas ainda intocadas, de acesso difícil. Uma delas é a Reserva Natural Selous. Sua mata é mais fechada do que a das savanas do norte e o campo de visão é mais reduzido. Nas primeiras duas horas em busca de animais, vejo apenas girafas e impalas. A apatia é quebrada por uma freada. No meio da estrada, descubro um animal deitado perto de uma poça de lama, lambuzado. É um cachorro-selvagem-africano, uma espécie rara e difícil de ser avistada. Ameaçado de extinção, já desapareceu no leste da África. Conservacionistas estimam que existam entre 3 mil e 5.500 animais, distribuídos em três locais específicos, como no Parque Nacional Kruger (África do Sul), no Delta do Okavango (Botsuana) e aqui na Reserva Selous.

    Mas a maior área protegida da Tanzânia é o Parque Nacional Ruaha (quase do tamanho de Sergipe). A árvore mais simbólica da África, o milenar baobá, capaz de guardar em seu interior milhares de litros de água, parece ter encontrado um solo perfeito em Ruaha. Um guarda-parques estima que haja, em Ruaha, meio milhão dessas árvores. Durante os nove meses que o baobá fica sem folhas, seus galhos secos e tortuosos parecem um emaranhado de raízes olhando para o céu. Durante os dias que transito pelas pistas de Ruaha, não cruzo com nenhuma caminhonete. Estou sozinho no lugar, uma sensação radicalmente oposta àquela em Ngorongoro. Aqui, a natureza se impõe. O número de elefantes é 100 vezes maior que o de pessoas que vivem no parque. São mais de 10 mil paquidermes, a maior população de elefantes do leste da África.
    O encontro mais espetacular acontece com leões. Em três dias, consigo ver 29 indivíduos em três diferentes grupos. Descubro um dos bandos jogado no solo, como trapos sujos. Os felinos parecem mortos. Em uma fração de segundo, porém, o macho do grupo acorda, rosna, se levanta e corre ao encontro de uma gazela perdida. Pega de surpresa, ela escolhe a rota de fuga errada e, em vez de regressar por onde veio, cai direto no antro das leoas. As fêmeas, exímias caçadoras, despertadas pelo rugido do macho, recebem a impala de boca aberta. Uma agarra o cangote, outra o flanco. Outras duas surgem e capturam as pernas. O macho também quer sua parte: ele arranca a cabeça. Em cinco segundos, a impala foi esquartejada por felinos que pareciam lerdos e dorminhocos. Presenciar uma caçada dessas é um evento raro. Não é coincidência que esse instante tenha acontecido em Ruaha, longe das vans de turistas de Ngorongoro e de uma futura rodovia que pretende cortar um santuário natural. Aqui, quem manda ainda é a natureza.


    Papa conversa com astronautas da ISS

    Papa conversa com astronautas da ISS

    Foto: Observatório Romano/AFPZoomO Bapa Bento 16 conversou com os 12 astronauas via satélite O Bapa Bento 16 conversou com os 12 astronauas via satélite

    Da Redação, com AFP

     

    $#**#$ O papa Bento 16 conversou neste sábado com os tripulantes da ISS (Estação Espacial Internacional), no âmbito da última missão do Endeavour, na primeira conexão via satélite mantida por um Papa com o espaço.

    "Bem-vindo a bordo da Estação Espacial, sua Santidade", afirmaram ao Papa os comandantes da ISS e do Endeavour, enquanto os demais tripulantes acenavam para o Papa, que respondeu com um sorriso e um aceno.

    Bento 16, falando a partir da biblioteca do Vaticano, destacou "a valentia, a disciplina e o compromisso" dos astronautas, antes de perguntar a eles sobre sua vida no espaço e sua percepção do mundo.

    "Quando vocês contemplam a Terra aí de cima, se perguntam sobre a maneira como as nações e os povos vivem juntos ou como a ciência pode contribuir para a paz?", perguntou o pontífice.

    "Daqui não se veem as fronteiras", respondeu o comandante Mark Kelly. A conversa teve uma duração de 20 minutos.

    O ônibus espacial americano Endeavour, com seis astronautas a bordo (um deles italiano) se acoplou à ISS no dia 18 de maio.