“Estamos falando sobre
estratégia das nações, decisões políticas, bases
socioeconômicas, recursos no território e a ponte que une esses dois
extremos: as capacidades, as possibilidades e intenções”, afirmou.
Ao comentar especificamente os efeitos dos conflitos no Golfo Pérsico,
o professor disse que a China consegue transformar o atual cenário em
uma oportunidade para ampliar seu poder global. “A China é o grande que
se beneficia desse processo, porque ela é um grande ator econômico”,
declarou.
Na
avaliação de Migon, os Estados Unidos enfrentam um desgaste de sua
capacidade militar em razão do consumo de recursos e equipamentos
envolvidos em conflitos recentes.
“A
China percebe os Estados Unidos perdendo o poder militar, seja pelo
orçamento investido, pelo consumo de munições e armamentos ou
pelas perdas de determinados elementos de
combate, como aeronaves e radares. Com isso, ela consegue aumentar o seu
poder global”, disse.
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O coronel destacou que Pequim tem aproveitado esse momento para fortalecer suas Forças Armadas,
especialmente no campo naval e tecnológico. Segundo ele, a Marinha
chinesa deixou de ser voltada principalmente para águas interiores e
passou a desenvolver maior capacidade de projeção.
“A
China tinha uma marinha que era mais restrita a águas interiores, agora
é uma marinha com penetração de maior competência, começou a ter
porta-aviões, absorve tecnologias mais avançadas, vem avançando muito em
tecnologias quânticas, radares quânticos que dificultam, por exemplo,
submarinos, que dificultam aviões invisíveis”, explicou.
Apesar do avanço militar chinês, Migon ressaltou
que o crescimento econômico continua sendo um fator central para a
estratégia de Pequim. Para ele, a China busca ampliar sua influência sem
necessariamente partir para um confronto neste momento.
Na
visão do professor da Eceme, a combinação entre expansão econômica,
desenvolvimento tecnológico e fortalecimento militar permite à China
aumentar sua posição no sistema internacional enquanto evita, por
enquanto, uma ruptura direta com seus principais rivais.
“Os
chineses têm um poder militar crescente, estão se estruturando para
isso, se beneficiam de bom comércio, riquezas, melhoria de qualidade de
vida. Então, para que desafiar com um conflito, ou para que desafiar com
um conflito neste momento, que eu consigo me beneficiar, crescer
economicamente, crescer militarmente?”, questionou.
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*Publicado por Jorge Fernando Rodrigues
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