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domingo, 8 de março de 2026

Após China erguer megaporto bilionário no Peru, EUA anunciam R$ 7,8 bilhões para base naval no mesmo país

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Investimentos bilionários de Estados Unidos e China no Peru revelam nova disputa estratégica por influência na América Latina, envolvendo infraestrutura portuária, presença militar e controle de rotas comerciais fundamentais para o comércio global e a segurança regional.
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Alisson Ficher
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 07/03/2026 às 21:14
Postado em 08 de Março de 2.026 às 10h30m
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Após China erguer megaporto bilionário no Peru, EUA anunciam R$ 7,8 bilhões para base naval no mesmo país
Após China construir megaporto bilionário no Peru, EUA anunciam investimento de R$ 7,8 bilhões para modernizar base naval e ampliar influência regional. (Imagem: Reuters/Kevin Lamarque)

Em um cenário internacional marcado por disputas comerciais, influência geopolítica e presença militar estratégica, a América Latina voltou a chamar a atenção das grandes potências globais.

Nas últimas décadas, a região tem se transformado em um importante campo de disputa econômica e diplomática entre países que buscam ampliar sua influência em rotas comerciais, infraestrutura logística e segurança regional.

Esse movimento ganhou novos capítulos quando dois gigantes globais — China e Estados Unidos — passaram a direcionar bilhões de dólares para projetos estratégicos em um mesmo país sul-americano.

Segundo informações divulgadas pelo portal Correio do Estado, os Estados Unidos anunciaram um investimento de aproximadamente US$ 1,5 bilhão (cerca de R$ 7,8 bilhões) para modernizar uma base naval no Peru, movimento que ocorre pouco tempo após a China financiar a construção de um gigantesco porto comercial no mesmo país.

China amplia presença com megaporto de bilhões

A iniciativa chinesa foi marcada pela construção do megaporto de Chancay, localizado a cerca de 70 quilômetros de Lima, capital peruana.

O projeto, avaliado em aproximadamente US$ 3,5 bilhões (cerca de R$ 18,3 bilhões), representa um dos maiores investimentos logísticos da China na América Latina.

O porto foi projetado para se tornar um importante hub de comércio entre a América do Sul e a Ásia, reduzindo o tempo de transporte de mercadorias e fortalecendo rotas comerciais estratégicas.

Segundo analistas internacionais, o megaporto faz parte da estratégia chinesa de expansão global de infraestrutura, frequentemente associada à chamada Nova Rota da Seda (Belt and Road Initiative), que busca ampliar a presença econômica do país em diferentes regiões do mundo.

Além de facilitar o comércio internacional, o projeto também reforça a influência econômica da China no continente, aproximando ainda mais os laços entre Pequim e países latino-americanos.

A inauguração oficial do porto de Chancay ocorreu em novembro de 2024, consolidando o empreendimento como um dos maiores projetos portuários já realizados na região.

Estados Unidos respondem com modernização naval

Em meio ao avanço da presença chinesa no Peru, o governo dos Estados Unidos decidiu reforçar sua própria estratégia de cooperação militar e segurança na região.

Segundo o acordo anunciado por Washington, US$ 1,5 bilhão serão destinados à modernização da base naval de Callao, localizada próxima ao principal aeroporto internacional de Lima.

O investimento busca ampliar a infraestrutura da base e fortalecer a capacidade de cooperação entre as forças de segurança dos dois países.

O projeto também prevê a presença de até 20 especialistas norte-americanos, incluindo profissionais ligados ao governo e ao setor privado, que deverão atuar no país ao longo da próxima década.

De acordo com autoridades envolvidas nas negociações, a iniciativa faz parte de um plano mais amplo de reforço das relações de segurança entre Estados Unidos e Peru.

A estratégia busca aumentar a cooperação em áreas como defesa marítima, proteção de rotas comerciais e estabilidade regional.

Peru ganha novo peso no tabuleiro geopolítico

Com investimentos simultâneos de grandes potências globais, o Peru passou a ocupar uma posição cada vez mais relevante no cenário geopolítico da América Latina.

A localização estratégica do país, voltada para o Oceano Pacífico e conectada a importantes corredores comerciais da América do Sul, torna o território especialmente atraente para projetos de infraestrutura e segurança.

Além dos investimentos chineses e norte-americanos, outros países também demonstraram interesse em ampliar parcerias econômicas com o Peru.

Os Emirados Árabes Unidos, por exemplo, anunciaram um investimento adicional de cerca de US$ 400 milhões para ampliar em aproximadamente 80% a capacidade operacional do porto comercial de Callao.

Esses projetos fazem parte de uma estratégia peruana para reposicionar o país no cenário econômico e político regional.

Atualmente, o Peru é considerado a quinta maior economia da América do Sul, e o governo local busca consolidar o país como um centro logístico e comercial de grande importância no continente.

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Fórmula 1: veja as máquinas mais impressionantes que os pilotos aceleram fora das pistas

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O g1 selecionou alguns superesportivos que os pilotos já foram flagrados dirigindo pelas ruas. Lewis Hamilton, Max Verstappen e Lando Norris tem perfis diferentes de compra, mas evidentemente todos gostam de velocidade.
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Por Carlos Cereijo, g1 — São Paulo

Postado em 08 de Março de 2.026 às 09h05m
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A temporada 2026 da Fórmula 1 já está em andamento e os novos carros dominam as conversas. Há pilotos satisfeitos ao volante e outros que enfrentam dificuldades, cada um com sua personalidade.

Fora das pistas, os pilotos de F1 também expressam a paixão pela velocidade. Alguns se limitam a aparecer com os carros fornecidos pelas equipes, enquanto outros desembolsam milhões de dólares em coleções particulares.

O g1 selecionou três carros das coleções particulares de pilotos da temporada 2026 da F1. Há desde um ícone dos anos 1980 que quase foi destruído até um hipercarro inspirado em protótipos de Le Mans.

Veja os modelos abaixo.

Max Verstappen: Aston Martin Valkyrie

Max Verstappen (esq) participou dos testes do Aston Martin Valkyrie — Foto: Divulgação / Aston Martin
Max Verstappen (esq) participou dos testes do Aston Martin Valkyrie — Foto: Divulgação / Aston Martin

Quando não está em casa, dedicado ao simulador, o tetracampeão mundial já foi visto nas ruas pilotando Porsche 911 GT3 RS, Honda NSX, Aston Martin DB11 e outros modelos.

Sem dúvida, o carro mais extremo de sua coleção é o Aston Martin Valkyrie.

Verstappen participou dos testes do hipercarro em 2020 e depois foi visto com sua unidade em Mônaco. Em 2023, um vídeo com o piloto abusando da velocidade com o Valkyrie causou polêmica.

Max Verstappen participou dos teste do Aston Martin Valkyrie — Foto: Divulgação / Aston Martin
Max Verstappen participou dos teste do Aston Martin Valkyrie — Foto: Divulgação / Aston Martin

O Valkyrie é inspirado em carros de F1 e protótipos de Le Mans. O foco está na aerodinâmica e no equilíbrio, para manter os 1.171 cv de potência sob controle.

Para gerar essa força, a Aston Martin utiliza um motor V12 de 6,5 litros que gira até 11.100 rpm e entrega 1.001 cv, com a ajuda de um motor elétrico de 120 kW acoplado a uma bateria de 1,2 kWh.

O peso é de apenas 1.270 kg, semelhante ao de um carro 1.0, e a velocidade máxima chega a 354 km/h.

Curiosamente, este não é o carro mais caro da lista: em leilão recente, um Valkyrie foi vendido por quase US$ 3 milhões.

Lewis Hamilton: Pagani Zonda LH760

Lewis Hamilton posa com seu Pagani Zonda LH760 — Foto: Reprodução / Instagram
Lewis Hamilton posa com seu Pagani Zonda LH760 — Foto: Reprodução / Instagram

Lewis Hamilton é piloto da Ferrari, mas sua relação com a Itália não é recente. Em 2014, o heptacampeão publicou nas redes sociais fotos do Pagani Zonda LH760.

O modelo foi feito sob encomenda e leva as iniciais de Hamilton. A pintura roxa é chamada de Viola LH, e a carroceria tem acabamentos escolhidos pelo piloto.

Este Zonda usa como base a configuração RS, que nasceu por sua vez da versão R, feita somente para as pistas de corrida.

A curiosidade é que, apesar de ser uma marca italiana, o motor é da Mercedes AMG. Isso por que o argentino Horacio Pagani, fundador da marca, conseguiu um ótimo acordo com marca alemã.

O acerto foi intermediado pelo amigo e compatriota Juan Manuel Fangio. O pentacampeão de F1 era amigo de Pagani.

Lewis Hamilton posa com seu Pagani Zonda LH760 — Foto: Reprodução / Instagram
Lewis Hamilton posa com seu Pagani Zonda LH760 — Foto: Reprodução / Instagram

São 760 cv de potência e 79,5 kgfm de torque gerados por um motor V12 de 7,3 litros, enviados às rodas traseiras por meio de câmbio manual. O carro foi vendido por Lewis Hamilton em 2021.

Em 2023, o novo proprietário destruiu a dianteira do Zonda e danificou as suspensões dianteira e traseira. No fim de 2025, o modelo reapareceu restaurado à condição original.

Como cada unidade é exclusiva, é difícil estimar o preço. Em 2025, um Pagani Zonda Riviera foi arrematado por mais de US$ 10,1 milhões.

Lando Norris: Ferrari F40

Ferrari F40 — Foto: Divulgação / Ferrari
Ferrari F40 — Foto: Divulgação / Ferrari

Lando Norris, atual campeão da F1, ganhou as manchetes em 2025 por um acidente em Mônaco, mas não foi em uma pista de corrida nem com o inglês ao volante.

Um amigo deu um passeio com a Ferrari F40 de Lando Norris e, após uma curva nas redondezas do principado, perdeu o controle e bateu a traseira do carro contra o guard rail.

Norris comentou o incidente algum tempo depois, afirmando que a F40 ainda não havia voltado às ruas e que ele não estava satisfeito com a situação.

A Ferrari lançou a F40 em 1987 para celebrar os 40 anos da empresa. O modelo é uma evolução do que a marca já vinha fazendo com a GTO.

A F40 foi o último carro apresentado ao público com a presença do fundador, Enzo Ferrari, que faleceu em agosto de 1988.

Ferrari F40 — Foto: Divulgação / Ferrari
Ferrari F40 — Foto: Divulgação / Ferrari

Os números são superlativos até hoje, especialmente considerando as especificações de 1987.

O motor 2,9 V8 biturbo gera 478 cv e 58,8 kgfm de torque. A aceleração de 0 a 100 km/h leva 4,1 segundos, e a velocidade máxima chega a 324 km/h.

Em leilão recente, o preço de uma Ferrari F40 superou US$ 3,8 milhões.

Lando Norris também tem outro modelo italiano na coleção, um Lamborghini Miura. Resta torcer para que nenhum amigo peça uma volta com ele.

Novos carros da Fórmula 1 prometem deixar temporada imprevisível
Novos carros da Fórmula 1 prometem deixar temporada imprevisível

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sábado, 7 de março de 2026

Guerra no Irã: petróleo sobe quase 30% na semana por conflito no Oriente Médio

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Escalada do conflito envolvendo o Irã interrompe tráfego em rota vital para o petróleo mundial e impulsiona cotações. Especialistas alertam para risco de inflação global e impactos nos combustíveis e na economia.
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Por Redação g1 — São Paulo
07/03/2026 00h00 
Postado em 07 de Março de 2.026 às 07h00
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Petróleo chega a US$ 90 com guerra no Irã
Petróleo chega a US$ 90 com guerra no Irã

A escalada do conflito no Oriente Médio provocou uma alta de quase 30% nos preços do petróleo nos mercados internacionais nesta semana.

A interrupção do tráfego no Estreito de Ormuz — rota estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo — elevou as preocupações com o abastecimento global e pressionou as cotações.

  • O barril do Brent encerrou esta sexta-feira (6) cotado a US$ 92,69, alta superior a 8% em relação ao dia anterior e de 27,88% no acumulado da semana.
  • Já o petróleo americano West Texas Intermediate (WTI) fechou a US$ 90,90, avanço de mais de 12% no dia e de 35,63% na semana.

Em poucos dias, o preço do barril subiu mais de US$ 20, e desde o início do ano o aumento já supera US$ 30.

Especialistas avaliam que a valorização reflete a combinação entre risco geopolítico elevado e impactos concretos no fluxo de energia.

Escalada da guerra no Irã

A tensão aumentou ainda mais nesta semana, após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que passou a exigir a rendição incondicional" do Irã.

O país é um dos principais produtores globais de petróleo e o conflito acabou afetando diretamente a navegação no Golfo Pérsico.

Segundo empresas que monitoram rotas marítimas, o tráfego de petroleiros no Estreito de Ormuz praticamente parou desde o início da guerra.

Cerca de 300 embarcações estão paradas na região aguardando condições de segurança para seguir viagem.

Ataques também atingiram navios que transportam petróleo.

Em terra, o conflito também se intensificou.

O Irã lançou uma nova série de mísseis contra Israel, levando milhões de pessoas a buscar abrigo. A ofensiva ocorreu após fracassarem tentativas diplomáticas em Washington para interromper os ataques americanos.

No mesmo período, um submarino dos EUA afundou um navio de guerra iraniano próximo ao Sri Lanka, em um episódio que deixou ao menos 80 mortos.

Sistemas de defesa aérea da Otan também interceptaram um míssil iraniano lançado em direção à Turquia.

Diante do risco de interrupções prolongadas no fornecimento de energia, alguns países produtores já começaram a reduzir suas atividades.

O Iraque diminuiu sua produção em cerca de 1,5 milhão de barris por dia, em meio a dificuldades de armazenamento e exportação.

Vista aérea da costa iraniana e da ilha de Qeshm, no estreito de Ormuz — Foto: Reuters
Vista aérea da costa iraniana e da ilha de Qeshm, no estreito de Ormuz — Foto: Reuters

Rotas de petróleo entram em alerta

Especialistas alertam que, caso o bloqueio no Estreito de Ormuz continue, cerca de 3,3 milhões de barris diários podem deixar de chegar ao mercado internacional em poucos dias.

Outros países também adotaram medidas emergenciais.

A China pediu que suas principais refinarias suspendam exportações de diesel e gasolina, enquanto os EUA autorizaram temporariamente o fornecimento de petróleo russo à Índia, apesar das sanções vigentes.

O Catar, maior exportador de gás natural liquefeito do Golfo, declarou força maior nas exportações após ataques a instalações energéticas. Fontes do setor indicam que pode levar pelo menos um mês para que a produção volte ao normal.

Para tentar reduzir os riscos à navegação, o governo americano afirmou que a Marinha dos EUA poderá escoltar navios mercantes que tentarem atravessar o Estreito de Ormuz, embora analistas avaliem que o fluxo dificilmente voltará ao nível anterior ao início da guerra no curto prazo.

Alta do petróleo pode pressionar combustíveis e inflação

A alta do petróleo já começa a gerar preocupações sobre seus efeitos na economia global.

Segundo o especialista em direito tributário pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e diretor da Mix Fiscal, Fabrício Tonegutti, a interrupção na principal rota de exportação de petróleo do Oriente Médio tende a pressionar os preços da energia e gerar impactos em diversos setores.

O conflito aumentou o risco de interrupção de petróleo no Oriente Médio, isso fez com que o preço do barril subisse de US$ 65 para US$ 90 nos últimos dias. Quando o preço do petróleo sobe no mercado internacional, isso acaba impactando diretamente o Brasil, explica.

De acordo com ele, o primeiro efeito costuma aparecer nos combustíveis, já que o país utiliza referências internacionais para definir preços, mesmo sendo produtor de petróleo.

O diesel ficando mais caro significa que o frete também vai encarecer, o que ocasiona o aumento do preço dos alimentos, produtos de supermercado e praticamente tudo que depende da logística para chegar ao consumidor final, afirma.

Tonegutti acrescenta que o encarecimento da energia tende a pressionar a inflação e pode chegar ao bolso dos consumidores em poucas semanas.

Não é um efeito imediato, mas costuma aparecer em algumas semanas, diz.

Segundo ele, a evolução do conflito será determinante para o comportamento das cotações. Caso a tensão diminua, os preços podem recuar.

Por outro lado, se a crise persistir na região, alguns analistas já projetam que o barril de petróleo pode se aproximar da marca de US$ 100.

Infográfico - Estreito de Ormuz — Foto: Arte/g1
Infográfico - Estreito de Ormuz — Foto: Arte/g1

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Como Irã criou drones 'suicidas' de baixo custo para provocar caos no Oriente Médio

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Difíceis de detectar, eles são lançados para sobrecarregar as defesas de adversários e, agora, tentam impor pressão aos Estados Unidos.
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TOPO
Por BBC

Postado em 07 de Março de 2.026 às 06h00m
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Ilustração de drone usado pelo Irã para atacar adversários no Oriente Médio — Foto: BBC
Ilustração de drone usado pelo Irã para atacar adversários no Oriente Médio — Foto: BBC

O presidente Donald Trump afirmou que os mísseis e a indústria de mísseis do Irã seriam "totalmente aniquilados" quando os Estados Unidos iniciaram os ataques aéreos contra o país no último sábado (28), mas não mencionou os drones iranianos.

Seis dias depois, o Irã lançou mais de 2.000 drones de baixo custo contra alvos em todo o Oriente Médio, em uma tentativa de sobrecarregar as defesas e semear o caos na região.

Esses drones "kamikaze", chamados de Shahed, carregam explosivos que detonam com o impacto e podem causar danos significativos. O ataque mais letal contra forças americanas até o momento se deu com um drone que atingiu uma base no Kuwait, matando seis soldados dos Estados Unidos.

A maioria dos ataques teve como alvo aliados dos EUA no Golfo Pérsico, países que abrigam, em maior ou menor grau, militares e equipamentos americanos. Mas também atingiram embaixadas, infraestrutura energética essencial, aeroportos comerciais e hotéis de luxo.

Alguns ataques ocorreram em cidades densamente povoadas, provocando medo nas ruas e nos governos dos países do Golfo Pérsico. Alguns especialistas dizem que isso pode fazer parte de uma estratégia iraniana para "impor o terror" e pressionar os EUA a encerrar o conflito.

Vídeo mostra momento em que míssil iraniano atinge base dos EUA no Bahrein 

Outro vídeo dos Emirados Árabes Unidos um drone se chocando contra um hotel em Palm Jumeirah, o luxuoso arquipélago artificial de Dubai, gerando uma enorme bola de fogo e um estrondo que reverberou pela cidade. 
Veja o momento em que hotel de luxo de Dubai é atingido por retaliação iraniana
Veja o momento em que hotel de luxo de Dubai é atingido por retaliação iraniana 

Os ataques com drones ao setor de energia na região têm sido particularmente impactantes. A maior refinaria de petróleo da Arábia Saudita, em Ras Tanura, na costa do Golfo Pérsico, interrompeu a produção após um incêndio causado por destroços de um drone interceptado.

No Catar, o maior terminal de exportação de gás natural liquefeito do mundo também foi fechado após ser alvejado por drones iranianos.

Custo baixo, engenharia potente

Os drones estão causando danos consideráveis ​​em toda a região, considerando seu design simples e custo de produção relativamente baixo. O drone de longo alcance Shahed-136, fabricado no Irã, tem um custo estimado entre US$ 20 mil e US$ 50 mil, o equivalente a R$ 106,2 mil a R$ 266 mil.

Ao contrário de muitos drones comerciais, o Shahed não pode ser operado remotamente enquanto está no ar. Em vez disso, ele é pré-programado antes do lançamento para seguir uma rota definida até um alvo, utilizando um sistema de navegação por satélite. Com um alcance máximo de 2.500 km, ele poderia voar de Teerã a Atenas, por exemplo.

Embora não seja particularmente rápido, especialmente quando comparado a mísseis balísticos, o perfil fino do drone e sua capacidade de voar em baixa altitude dificultam sua detecção por radares e sistemas de alerta centrados na ameaça de mísseis.

Ficha técnica do Shahed-136, drone 'kamikaze' — Foto: BBC
Ficha técnica do Shahed-136, drone 'kamikaze' — Foto: BBC

Modelo copiado pela Rússia e pelos Estados Unidos

Esse drone foi amplamente utilizado pela Rússia na guerra da Ucrânia para atingir cidades densamente povoadas e usinas de energia, com efeitos devastadores. O Irã exportou drones Shahed para seu aliado nos últimos anos, e os russos agora também estão produzindo suas próprias variantes baseadas no projeto iraniano.

Mick Mulroy, ex-fuzileiro naval americano, oficial paramilitar da CIA e subsecretário-adjunto de Defesa para o Oriente Médio, disse à BBC News que os drones "provaram ser altamente eficazes" em conflitos anteriores, tanto que os EUA desenvolveram sua própria versão.

Os EUA não divulgaram quantos drones foram produzidos, mas dados sobre a quantidade que o Irã está lançando sobre seus inimigos estão sendo divulgados.

Os Emirados Árabes Unidos afirmam que mais de mil drones iranianos foram disparados contra o país até o momento, e 71 conseguiram ultrapassar as defesas estatais.

Mas cada interceptação tem um preço. Os drones podem ser abatidos de diversas maneiras, incluindo o uso de dispositivos especializados de interferência GPS e sistemas de armas a laser, mas muitos estão sendo abatidos por mísseis disparados de caças ou sistemas de mísseis lançados da terra, com alto custo.

Quando o Irã atacou Israel com centenas de drones em 2024, o Reino Unido teria usado caças da RAF para abater alguns drones com mísseis que custam cerca de £ 200 mil cada (cerca de R$ 1,4 milhões na cotação atual).

Drone Shahed-136, criado pelo Irã e aperfeiçoado pela Rússia, é exibido em frente à catedral de São Miguel em Kiev, na Ucrânia — Foto: Valentyn Ogirenko/Reuters
Drone Shahed-136, criado pelo Irã e aperfeiçoado pela Rússia, é exibido em frente à catedral de São Miguel em Kiev, na Ucrânia — Foto: Valentyn Ogirenko/Reuters

Forçar os EUA e seus aliados a utilizarem seus estoques de interceptores faz parte da estratégia iraniana de implantação de drones e mísseis, de acordo com Nicholas Carl, especialista em Irã do centro de pesquisa American Enterprise Institute.

Mas Carl afirmou que o regime também está tentando "impor terror e pressão psicológica" aos EUA e seus parceiros regionais para pressionar Donald Trump por um acordo de cessar-fogo.

Não se sabe por quanto tempo o Irã conseguirá manter essa pressão. Acredita-se que o país tenha produzido em massa dezenas de milhares de drones Shahed antes da guerra, mas não se sabe o quanto desse estoque permanece intacto após dias de ataques dos EUA e de Israel.

Imagens divulgadas na segunda-feira pela agência de notícias Fars, afiliada à Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, mostram fileiras de drones no que parece ser um bunker subterrâneo. Mas não se sabe quando o vídeo foi gravado.

Vídeo de agência iraniana mostra suposto arsenal de drones
Vídeo de agência iraniana mostra suposto arsenal de drones

Na quinta-feira, o almirante Cooper disse que o número de drones lançados pelo Irã caiu 83% desde o primeiro dia de combates, enquanto o uso de mísseis balísticos diminuiu 90%.

"O Irã está com dificuldades para manter seus ataques com mísseis e drones, e isso pode se tornar ainda mais difícil nos próximos dias, à medida que a pressão militar dos EUA e de Israel persistir", acrescentou Carl.
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