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sábado, 11 de março de 2023

A nova aposta de cientistas para capturar CO2 da atmosfera e reduzir aquecimento global

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Cientistas apresentam nova maneira de remover o dióxido de carbono da atmosfera, transformando-o em bicarbonato de sódio — um projeto até três vezes mais eficaz do que a tecnologia atual.
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TOPO
Por BBC

Postado em 11 de março de 2023 às 12h40m

 #.*Post. - N.\ 10.713*.#

Uma nova maneira de capturar dióxido de carbono da atmosfera e armazená-lo no mar foi apresentada por cientistas.

Os autores da proposta, publicada na revista científica Science Advances, dizem que a nova abordagem captura o CO2 da atmosfera de forma até três vezes mais eficiente do que os métodos atuais.

O dióxido de carbono, que contribui para o aquecimento global, pode ser transformado em bicarbonato de sódio e armazenado de maneira segura e barata na água do mar.

O novo método pode acelerar a implantação da tecnologia de remoção de carbono, segundo especialistas.

Enquanto o mundo se esforçava para limitar e reduzir as emissões de dióxido de carbono nas últimas décadas, várias empresas se concentraram no desenvolvimento de tecnologias para retirar CO2 da atmosfera.

A Climeworks, na Suíça, talvez seja a mais conhecida. Nos últimos dez anos, a companhia desenvolveu máquinas para absorver o ar da atmosfera que filtram e retêm as moléculas de dióxido de carbono.

A Climeworks criou a maior usina de captura direta de ar do mundo na Islândia.  — Foto: Getty Images via BBC
A Climeworks criou a maior usina de captura direta de ar do mundo na Islândia. — Foto: Getty Images via BBC

Em uma usina na Islândia, o CO2 capturado é injetado nas profundezas do subsolo, onde é permanentemente transformado em rocha.

A empresa começou recentemente a vender um serviço de remoção de carbono certificado para grandes clientes corporativos, incluindo Microsoft, Spotify e Stripe.

Mas o grande desafio para a maioria das abordagens atuais de captura direta do ar é o custo.

O CO2, embora seja um poderoso agente do aquecimento global, está relativamente diluído na atmosfera em cerca de 400 partes por milhão (ppm).

São necessárias então máquinas enormes que requerem grandes quantidades de energia para absorver e descarregar o CO2.

Essa nova abordagem, que utiliza resinas e outras substâncias químicas já disponíveis, promete uma eficiência muito maior e um menor custo, segundo os cientistas envolvidos.

A equipe de pesquisa recorreu a uma abordagem usada para aplicação na água e "ajustou" os materiais existentes para remover CO2 da atmosfera.

Plantar árvores em larga escala, como é feito na China, é uma forma barata de captura direta do ar, mas requer grandes áreas de terra.  — Foto: Getty Images via BBC
Plantar árvores em larga escala, como é feito na China, é uma forma barata de captura direta do ar, mas requer grandes áreas de terra. — Foto: Getty Images via BBC

Nos testes, o novo material de absorção híbrido foi capaz de retirar até três vezes mais CO2 do que as substâncias existentes.

"Que eu saiba, não há material de absorção que, mesmo a 100.000 ppm, mostre a capacidade que obtivemos na captura direta de ar de 400 ppm", afirmou o principal autor do estudo, Arup Sengupta, que é professor da Universidade de Lehigh, nos EUA.

"Essa capacidade simples de capturar CO2 em alta quantidade em um pequeno volume de material é um aspecto único do nosso trabalho."

O desenvolvimento, que está em estágio inicial, foi bem recebido por outros representantes do setor.

"Fico feliz em ver este artigo publicado, é muito emocionante e tem uma boa chance de transformar os esforços de captura de CO2", disse a professora Catherine Peters, da Universidade de Princeton, nos EUA, especialista em engenharia geológica, que não estava envolvida no projeto de pesquisa.

"O que é inteligente nisso é que o ponto de partida foi uma tecnologia projetada anteriormente para uso na água. Esse avanço aplica essa tecnologia à fase gasosa — uma ideia nova."

"O desempenho demonstrado para a captura de CO2 é promissor."

Um dos grandes desafios na captura de CO2 é o que fazer com o gás retido.

Armazená-lo sob o solo ou mar nos antigos poços de petróleo é uma abordagem amplamente utilizada. Mas o novo artigo sugere que, com o acréscimo de algumas substâncias químicas, o CO2 capturado pode ser transformado em bicarbonato de sódio e armazenado de maneira simples e segura na água do mar.

Apesar da rápida implantação da energia renovável, controlar o aumento das temperaturas globais provavelmente vai exigir também uma ampla remoção de carbono da atmosfera.  — Foto: Getty Images via BBC
Apesar da rápida implantação da energia renovável, controlar o aumento das temperaturas globais provavelmente vai exigir também uma ampla remoção de carbono da atmosfera. — Foto: Getty Images via BBC

Sengupta contou que quer criar uma empresa spin-off para desenvolver ainda mais a tecnologia.

Ele acredita que a remoção de CO2 dessa maneira será não só fundamental para limitar o aumento das temperaturas globais, como também poderá ser diretamente empoderadora para os países em desenvolvimento.

"Temos que levá-la a lugares como Bangladesh, Barbados ou Maldivas, eles também têm um papel a desempenhar, não podem ser apenas espectadores que continuam sofrendo."

Alguns cientistas são relutantes em colocar muita ênfase em tecnologias novas e emergentes, como a captura direta do ar, porque temem que possam diluir os esforços de redução das emissões de carbono por parte de governos e indivíduos.

Mas com os limites de temperatura estabelecidos pelo acordo climático de Paris ameaçados pelas crescentes emissões, muitos outros sentem que a rápida implantação da captura direta do ar, além da redução drástica no carbono, é a melhor chance de evitar mudanças climáticas perigosas.

"Se tornou ainda mais importante agora que definitivamente passamos do ponto, em que temos que recuperar o carbono do meio ambiente", afirmou o professor Klaus Lackner, pioneiro no campo da remoção do CO2.

"A captura direta do ar terá que ficar mais barata para ser uma contribuição útil. Estou otimista de que se possa fazer isso."

Sengupta compartilha desse otimismo, acreditando que a nova abordagem pode remover o CO2 da atmosfera por menos de US$ 100 por tonelada.

Este texto foi publicado originalmente em https://www.bbc.com/portuguese/articles/c3gdg70ye3ro

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Vulcão entra em erupção na Indonésia e cobre vilarejos de cinzas

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Nenhuma vítima foi registrada. Vulcão Merapi expeliu fumaça e cinzas de até 7 quilômetros neste sabado (11).
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Por g1

Postado em 11 de março de 2023 às 10h25m

 #.*Post. - N.\ 10.712*.#

Vulcão entra em erupção na Indonésia
Vulcão entra em erupção na Indonésia

O vulcão Merapi, na Indonésia, entrou em erupção neste sábado (11), expelindo fumaça e cinzas sobre os vilarejos próximos à cratera, disse a agência de gerenciamento de desastres do país em um comunicado.

O vulcão localizado na região de Yogyakarta entrou em erupção por volta das 12h do horário local (2h da manhã em Brasília) e expeliu nuvens quentes de até 7 quilômetros, informou a agência de notícias Reuters.

Nenhuma vítima foi registrada, segundo agência indonésia de gestão de desastres (BNPB).

Vulcão entra em erupção na Indonésia e cobre vilarejos de cinzas — Foto: Reuters
Vulcão entra em erupção na Indonésia e cobre vilarejos de cinzas — Foto: Reuters

Moradores da comunidade próxima foram avisados ​​para interromper qualquer atividade nas zonas de perigo, que variam entre três a sete quilômetros de raio da cratera, disse o comunicado.

O Merapi tem 2.963 metros de altura e é um dos vulcões mais ativos da Indonésia. Ele já estava no segundo maior nível de alerta do país.

Yulianto, um oficial do posto de monitoramento local, disse que nenhum morador foi evacuado.

Região ficou coberta de cinzas, mas não houve vítimas, segundo a agência de notícias France Presse. — Foto: Reuters
Região ficou coberta de cinzas, mas não houve vítimas, segundo a agência de notícias France Presse. — Foto: Reuters

"Isso só foi observado como um evento único, houve 5-6 avalanches. Se a cobertura continuar a aumentar e a distância for superior a 7 quilômetros, é provável que os moradores sejam recomendados a evacuar", disse ele.

Localizada no Círculo de Fogo do Pacífico, a Indonésia tem mais vulcões do que qualquer outro país. A última erupção violenta do Merapi foi em 2010, matando mais de 350 pessoas.

Vulcão entra em erupção na Indonésia e cobre vilarejos de cinzas — Foto: Reuters
Vulcão entra em erupção na Indonésia e cobre vilarejos de cinzas — Foto: Reuters


O Merapi tem 2.963 metros de altura e é um dos vulcões mais ativos da Indonésia. Ele já estava no segundo nível de alerta mais alto do país. — Foto: Reuters
O Merapi tem 2.963 metros de altura e é um dos vulcões mais ativos da Indonésia. Ele já estava no segundo nível de alerta mais alto do país. — Foto: Reuters


Mulher observa erupção do vulcão Merapi, na Indonésia. — Foto: Reuters
Mulher observa erupção do vulcão Merapi, na Indonésia. — Foto: Reuters

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sexta-feira, 10 de março de 2023

IPCA sobe 0,84% em fevereiro, puxado por gastos com educação

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Segmento teve alta de mais de 6% no mês com o reajuste de mensalidades de cursos regulares. Índice acumula 5,60% em 12 meses.
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Por Raphael Martins, g1

Postado em 10 de março de 2023 às 13h00m

 #.*Post. - N.\ 10.711*.#

IPCA: mais uma vez, destaque para o grupo de Educação, em virtude dos reajustes de preços praticados no início do ano. — Foto: Júlio César Costa/g1
IPCA: mais uma vez, destaque para o grupo de Educação, em virtude dos reajustes de preços praticados no início do ano. — Foto: Júlio César Costa/g1

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador considerado a inflação oficial do país, subiu 0,84% em fevereiro, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado vem na sequência de um avanço de 0,53% em janeiro e foi mais brando que em fevereiro de 2022, mês que havia fechado com alta de 1,01%

Com isso, o país passa a ter uma inflação acumulada de 5,60% na janela de 12 meses.

Os dois primeiros meses de 2023 acumulam alta de 1,37% nos preços. Neste mês, oito dos nove grupos de preços registraram alta. A exceção foi vestuário (-0,24%), que também teve queda em janeiro (-0,27%).

Na outra ponta, o grande peso para o resultado do IPCA de fevereiro foi o grupo de Educação, que teve alta de 6,28% no mês. Segundo o IBGE, essa foi a taxa mais alta desde fevereiro de 2004, quando houve variação de 6,70%.

Na composição geral, o grupo representou 0,35 ponto percentual do total do índice no mês. A alta elevada reflete os reajustes de mensalidade praticados no início do ano.

Veja o resultado dos nove grupos que compõem o IPCA:

  • Alimentação e bebidas: 0,16%
  • Habitação: 0,82%
  • Artigos de residência: 0,11%
  • Vestuário: -0,24%
  • Transportes: 0,37%
  • Saúde e cuidados pessoais: 1,26%
  • Despesas pessoais: 0,44%
  • Educação: 6,28%
  • Comunicação: 0,98%


Educação em forte alta

A abertura do grupo de Educação mostra que o ensino médio registrou a alta percentual mais relevante (10,28%), mas foi acompanhado de perto pelo ensino fundamental (10,06%), pré-escola (9,58%) e creche (7,20%). O maior peso, contudo, vem do ensino fundamental, que trouxe impacto de 0,15 ponto percentual no índice do mês.

O IBGE ainda destaca altas relevantes no ensino superior (5,22%), em cursos técnicos (4,11%) e pós-graduação (3,44%). Os cursos regulares, que reúnem todas essas categorias, tiveram aumento médio de 7,58%.

Fevereiro é sempre muito marcado pela educação, pois os reajustes efetuados pelos estabelecimentos de ensino na virada do ano são contabilizados nesse mês. Normalmente, essa alta de educação fica indexada ao próprio IPCA, ou seja, o reajuste das mensalidades é baseado na inflação do ano anterior, explica o gerente da pesquisa, Pedro Kislanov. 
Produtos de higiene, energia e aluguel pesaram

O grupo Saúde e cuidados pessoais (1,26%) também teve peso importante no resultado do IPCA de fevereiro, em especial por conta dos itens de higiene pessoal, que tiveram alta de 2,80%. Dentro da composição do índice, o grupo teve peso de 0,16 ponto percentual para o resultado final.

Já o grupo Habitação, que subiu 0,82% em fevereiro, teve contribuição importante dos preços de energia elétrica residencial (1,37%). Ainda dentro de grupo, houve alta de 0,88% vinda do aluguel residencial. Ambos são aumentos sazonais que costumam pesar nesta época do ano.

IPCA sobe 0,84% em fevereiro e acumula 5,60% em 12 mesesIPCA sobe 0,84% em fevereiro e acumula 5,60% em 12 meses

De olho nos combustíveis

O grupo Transportes ainda não foi pressionado em fevereiro pela reoneração dos impostos sobre combustíveis, que será de R$ 0,47 para a gasolina e de R$ 0,02 para o etanol. O retorno dos impostos federais só foi anunciado no dia 28, e deve se refletir nos preços apenas em março.

Ainda assim, a maior contribuição para a alta de Transportes (0,37%) veio da gasolina, que subiu 1,16%. Já etanol (-1,03%), gás veicular (-2,41%) e óleo diesel (-3,25%) tiveram quedas superiores a 1%, ressalta o IBGE.

Outro destaque foi a redução expressiva de preços de passagens aéreas: queda de 9,38%.

Vestuário em queda

O único grupo que registrou redução de preços nesta medição do IBGE foi Vestuário. Trata-se de um setor que acumulou sucessivas altas desde o impacto da pandemia de Covid-19, em virtude da redução de compra causada pelo isolamento social e por conta das quebras da cadeia logística.

Esse grupo vinha apresentando sucessivas altas há muito tempo. É natural, portanto, que os preços comecem a baixar, diz Kislanov, pesquisador do IBGE.

Neste mês, destaque para as quedas das roupas masculinas (-0,58%) e femininas (-0,45%).

INPC tem alta de 0,77% em fevereiro

Por fim, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) — que é usado como referência para reajustes do salário mínimo, pois calcula a inflação para famílias com renda mais baixa — teve alta de 0,77% em fevereiro. Em janeiro, a alta foi de 0,46%.

Assim, o INPC acumula alta de 1,23% no ano e de 5,47% nos últimos 12 meses. Em fevereiro de 2022, a taxa foi de 1%.

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Como mudanças climáticas estão alterando comportamento, reprodução e tamanho de animais

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Peixes, caranguejos, macacos, lagartos e até abelhas já sofrem com os efeitos provocados pelas mudanças do clima.
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TOPO
Por Rone Carvalho, BBC

Postado em 10 de março de 2023 às 11h45m

 #.*Post. - N.\ 10.710*.#

— Foto: GETTY IMAGES via BBC
— Foto: GETTY IMAGES via BBC

Asas desproporcionais, aumento de tamanho, reprodução de mais fêmeas do que machos e dificuldade para reconhecer alimentos devido a modificações cognitivas estão na lista de alterações sofridas por animais devido às mudanças do clima.

Pesquisas mostram que para conseguir sobreviver ao aumento da temperatura, à poluição de rios e aos eventos climáticos extremos, como longos períodos de seca e de chuvas intensas, espécies estão alterando o seu modo de vida, sua maneira de se reproduzir e até o seu tamanho.

Na lista de animais mais atingidos pelas alterações do clima, as abelhas aparecem como um dos mais impactados. Não é à toa que cada vez mais é difícil encontrá-las em diversos pontos do mundo em que eram frequentes.

"Com o aumento das secas, o período de floração das plantas diminui. Com isso, muitas abelhas não estão conseguindo néctar e pólen, que coletam nas flores. Consequentemente estão desaparecendo", diz Michael Hrncir, professor do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (SP).

Contudo, os impactos negativos sobre as abelhas não ocorrem apenas por falta de alimento. Pesquisas mostram que o aumento de temperatura também está provocando deformações nas asas de algumas espécies. "Em decorrência do estresse causado pelas mudanças climáticas temos comprovação que algumas abelhas nascem com uma asa maior que a outra."

Alterações cognitivas

Diferentemente dos seres humanos, que conseguem controlar a temperatura do corpo, por serem seres endotérmicos, a temperatura das abelhas equivale à do ambiente em que estão inseridas mais a que produzem ao bater as asas. "Para se ter uma ideia, uma abelha bate, em média, 250 vezes as asas por segundo", apontou Michael.

Assim, se uma abelha está em um ambiente a 30 graus, ao bater as asas, o seu músculo ativo faz sua temperatura corporal chegar a até 42 graus. O problema é que a elevação da temperatura além de provocar um superaquecimento também ocasiona impactos cognitivos.

O aumento da temperatura está levando a perdas cognitivas em algumas espécies de abelhas — Foto: GETTY IMAGES via BBC
O aumento da temperatura está levando a perdas cognitivas em algumas espécies de abelhas — Foto: GETTY IMAGES via BBC

"Estudos revelam que algumas espécies de abelhas estão perdendo a capacidade de cognição, como reconhecer uma flor ou o caminho de volta para colônia, por exemplo, por conta da elevação da temperatura", ressaltou o pesquisador da USP.

O desaparecimento de abelhas pode provocar um efeito em cascata. Isso porque é através do seu trabalho de polinização que muitas sementes surgem e flores sobrevivem.

Sua capacidade de aumentar em cerca de 25% o rendimento das colheitas -, consequentemente, dos alimentos que comemos – corre risco à medida que mudanças drásticas no clima ocorrem.

Mais fêmeas do que machos

Quem também é impactado diretamente pelas mudanças do clima são os quelônios - tartarugas marinhas e de água doce.

Diferentemente de outros animais, elas dependem de um fator externo para que o sexo do filhote seja determinado.

É a temperatura da areia onde os ovos são colocados que vai estabelecer se nascerá uma fêmea ou um macho. Em regra, temperaturas altas (acima de 30 graus) produzem mais fêmeas; temperaturas mais baixas (abaixo de 29 graus) produzem mais machos.

"Entretanto, quando temos aumento da temperatura passamos a ter uma tendência de geração apenas de filhotes do sexo feminino. Isso provoca um desequilíbrio demográfico da espécie", afirmou Fernanda Werneck, especialista em anfíbios e répteis do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (Inpa).

Além disso, pela reprodução dos quelônios ser sexuada - macho transfere os espermatozoides para dentro do corpo da fêmea. A diminuição de indivíduos do sexo masculino provoca uma queda abrupta no número de exemplares da espécie, antes mesmo do processo de confecção dos ninhos.

Anfíbios diminuem de tamanho

Outros animais impactados pelas mudanças do clima são os anfíbios, como sapos, rãs e pererecas. Com o aumento da temperatura, espécies estão mais suscetíveis às infeções do fungo quitrídio - Batrachochytrium dendrobatidis -, responsável por declínios de diversas espécies de anuros, no passado.

O coordenador do Laboratório de Herpetologia e Comportamento Animal da Universidade Federal de Goiás (UFG), Rogério Pereira Bastos, aponta que a diminuição de locais apropriados para reprodução (corpos d’água), que estão ficando secos ou escassos, está fazendo com que algumas espécies diminuam de tamanho.

"Como o período seco tende a ficar maior, os anfíbios terão menor disponibilidade de presas para se alimentarem. Assim, eles chegarão à fase adulta com tamanho menor."

O problema é que o tamanho dos anfíbios influencia na vocalização do macho – mecanismo utilizado para atrair as fêmeas. Assim, as mudanças climáticas também estão alterando a reprodução de algumas espécies de anfíbios.

"Machos menores têm vocalizações mais agudas (frequências maiores) e machos maiores têm vocalização mais grave (frequências menores). Como a mudança climática está ocorrendo em período de tempo pequeno, será que o sistema auditivo das fêmeas ainda conseguirá reconhecer as vocalizações dos machos de suas espécies?", questionou o pesquisador.

Um estudo sobre a perereca Boana goiana, encontrada na Floresta Nacional da Silvânia (GO), mostrou que, em quase duas décadas, características do canto da espécie diminuíram à medida que a quantidade de recursos naturais reduziu na floresta.

"Já temos modelos que preveem como será a destruição geográfica dos anfíbios daqui a 50 anos. Nesta nova distribuição, teremos unidades de conservação? O que se vê é que não teremos. Então, seria interessante criar unidades de conservação nas áreas que serão mais adequadas para os anfíbios. Assim, poderemos conservar mais espécies, criando uma rede de proteção", defendeu Rogério.

Lagarto aumenta de tamanho

Ao mesmo tempo que existem espécies que estão diminuindo de tamanho, por conta das mudanças do clima, outras estão aumentando. É o que revela um estudo publicado no periódico científico Biological Journal of the Linnean Society, que comparou amostras do lagarto sul-americano Tropidurus torquatus, da década de 1960 com as de 2012.

Segundo a pesquisa, o aumento de aproximadamente dois graus na temperatura nas últimas décadas, fez com que essa espécie de lagarto atinja o tamanho adulto mínimo dois anos antes.

"Com as técnicas usadas, soubemos que, emm 1960, lagartos se tornavam sexualmente maduros por volta dos 5 anos em locais mais urbanos, e por volta dos 6 ou 7 anos em locais de floresta. No presente, a maturidade acontece ao menos dois anos antes. Se assumimos expectativas de vida similares, uma possibilidade é que o período de reprodução tenha sido acelerado", apontou Carlos Navas, professor do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP).

Para chegar à conclusão, que o aumento de temperatura pode ter influenciado no tamanho do lagarto sul-americano Tropidurus torquatus, os cientistas tomaram por base um estudo similar feito com uma espécie de geco - Homonota darwinii - da Patagônia argentina.

"Nele, encontramos que animais coletados em locais mais frios atingiam a maturidade sexual um ano mais tarde", apontou Navas.

Mais vulneráveis

Carla Piantoni, cientista da Universidade do Havaí, em Manoa (EUA), que também participou da pesquisa, ressalta que o fato dos lagartos serem animais ectotérmicos, ou seja, sua temperatura não é regulada diretamente pelo metabolismo, como acontece nos mamíferos, os deixa ainda mais vulneráveis ao aumento da temperatura provocado pelas mudanças climáticas.

"Muitos lagartos são bons mantendo temperaturas corporais relativamente estáveis, mas sempre que as condições de temperatura do ambiente permitem. Contudo, como nem sempre é o caso, terminam sendo expostos à variação termal. Essa variação pode ter impacto no desenvolvimento deles, na primeira reprodução e no número de ovos", apontou.

A especialista em anfíbios e répteis, Fernanda Werneck, do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (Inpa), que há anos tenta entender como a seleção natural atua sobre os animais da Amazônia, cita como exemplo o lagarto Tropidurus torquatus, popularmente conhecido como calango.

Encontrado em regiões do Cerrado e nas bordas de floresta, a espécie não tem conseguido se adaptar ao novo clima e tem desaparecido na última década.

Em contrapartida, o lagarto Cnemidophorus lemniscatus parece estar se beneficiando das mudanças do clima e expandindo sua presença. Contudo, o que parece ser benéfico a longo prazo pode ser ruim.

"Temos que entender que quando uma espécie migra para outra região para sobreviver, em busca de alimento ou de um ambiente parecido com o que ela vivia, essa nova espécie, normalmente, compete com espécies nativas. Isso causa prejuízos a longo prazo", explicou Werneck.

Macacos mudam comportamento

A perda de áreas de Mata Atlântica, seja para a pecuária ou agricultura também altera o comportamento dos macacos.

Em busca de sobreviver, o macaco-prego passou a tomar água de coco para evitar a desidratação. A constatação foi feita pelo pesquisador Hilton Japyassú da Universidade Federal da Bahia (UFBA), em parceria com Danilo Sabino e Esaú Marlon.

"Eles foram expulsos de áreas mais favoráveis à sua sobrevivência, e uma simulação computacional mostra que em cinquenta anos eles estarão restritos à Mata Atlântica do Sul da Bahia", ressaltou Hilton.

Segundo o pesquisador, atualmente, ao norte da Bahia, resiste uma população que passou a utilizar o mangue regularmente, ao aprender a abrir coco e beber sua água.

"Para não se expor demais, os macacos usam do coqueiral abandonado. Além disso, constatamos que para não gastar muita energia, preferem os coqueiros mais baixos, e escolhem o coco pelo seu tamanho, dando preferência aos intermediários."

Oceano mais quente expulsa caranguejos

No litoral do Sudeste brasileiro, outro animal sofre processo semelhante para se adaptar ao oceano quase um grau mais quente do que há quarenta anos.

Tânia Márcia Costa, bióloga e professora do Instituto de Biociências da Universidade Estadual Paulista (Unesp), conta que o caranguejo chama-maré - Leptuca cumulanta – que até 2010, historicamente, tinha como limite sul o Estado do Rio de Janeiro, passou a habitar o litoral de São Paulo, onde as temperaturas são mais frias.

"O que vem acontecendo é um processo de tropicalização, com os animais procurando regiões mais frias. O problema é que quando eles chegam em regiões a que não estavam habituados podem comprometer todo o ecossistema. Levando à redução ou extinção de espécies nativas da nova área que ele passou a habitar", disse.

Diretamente relacionado com as mudanças climáticas, o aumento da temperatura dos oceanos é causado pela emissão de gases do efeito estufa. Em regra, o aquecimento atmosférico transmite energia térmica para as águas, que consequentemente aumentam de temperatura.

Dessa forma, como um efeito dominó, o aquecimento provocado pelo homem, culmina no aquecimento do oceano, que interfere diretamente na vida aquática.

"Temos três efeitos das mudanças climáticas que estão impactando diretamente os animais: aumento da temperatura; acidificação de oceanos e ambientes de água doce; e os recorrentes eventos extremos, como tempestades e secas", apontou Tânia.

Segundo a bióloga, os três efeitos interferem diretamente no organismo das espécies marinhas. Isso porque, ao aumentar a temperatura da água, a primeira resposta do animal com o metabolismo acelerado, normalmente, é elevar sua alimentação.

"Ou seja, ele vai precisar comer mais. Com isso, também vai ficar mais exposto a predação, ressaltou a bióloga. Sem contar que nem todos vão aguentar uma temperatura tão alta. Muitas espécies já estão no limite da temperatura", completou.

Aquecimento pode provocar fome

As inúmeras mudanças em pouco tempo são a grande preocupação dos pesquisadores que estudam como as alterações climáticas estão impactando os animais.

No caso dos peixes, que não são capazes de regular a temperatura do corpo e são dependentes interinamente da temperatura da água para sobreviver, um aumento de 1,5 grau já é suficiente para provocar a extinção de muitos desses seres, que são vitais na dieta da população.

"Embora várias dessas espécies aquáticas tenham aprendido a se adaptar a ambientes extremos ao longo de centenas de milhares de anos, elas nunca foram submetidas a uma situação tão complicada como as que estão sendo provocadas pelo homem", afirma Adalberto Val Luis, biólogo e pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

O biólogo cita o aumento da acidez da água, como um dos problemas que mais estão comprometendo a vida de peixes nos rios da Amazônia.

"Essa poluição da água não acontece apenas pelo desmatamento e pelas queimadas, mas também de como usamos o ambiente e descartamos medicamentos. Um anticoncepcional, por exemplo, descartado em um rio de maneira irregular pode impactar na reprodução de peixes e comprometer todo um ecossistema", alertou.

Para se ter uma ideia, 90% da proteína consumida pelas 25 milhões de pessoas que vivem na Amazônia brasileira advém dos peixes. Ou seja, as mesmas ações humanas que comprometem os animais hoje, podem ser responsáveis por provocar fome no futuro.

Possíveis soluções

Fernanda Werneck, do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (Inpa), alerta que antes de uma espécie ser extinta, normalmente, ela concede sinais: muda de habitat, tenta adaptar-se a nova temperatura ou sofre mutações.

"Uma espécie não é extinta do dia para a noite, esse processo acontece em capítulos. O problema é que já estamos vendo esses processos acontecendo. Por isso, da importância de medidas como combate ao desmatamento, preservação de áreas de conservação e incentivo à pesquisa. Toda espécie é importante para o ecossistema e para a vida no planeta", afirmou a pesquisadora.

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