Total de visualizações de página

terça-feira, 7 de março de 2023

Magenta, a cor que oficialmente não existe e foi criada por nosso cérebro

<<<===+===.=.=.= =---____--------   ----------____---------____::____   ____= =..= = =..= =..= = =____   ____::____-----------_  ___----------   ----------____---.=.=.=.= +====>>>


No espectro de luz visível, estão todas as cores que conseguimos perceber… com exceção de uma.
<<<===+===.=.=.= =---____--------   ----------____---------____::____   ____= =..= = =..= =..= = =____   ____::____-----------_  ___----------   ----------____---.=.=.=.= +====>>>
TOPO
Por BBC

Postado em 07 de março de 2023 às 16h05m

 #.*Post. - N.\ 10.706*.#

No espectro de luz visível estão todas as cores que conseguimos perceber… com exceção de uma — Foto: BBC
No espectro de luz visível estão todas as cores que conseguimos perceber… com exceção de uma — Foto: BBC

Observe a imagem acima: ela ilustra a variedade de cores presentes no espectro da luz visível, que nossos olhos conseguem perceber.

Talvez você não tenha notado, mas há uma em particular que não aparece: o magenta.

Ele não está lá e nem no espectro da luz visível na natureza. Por que, então, nós o vemos?

Nossos cérebros são processadores de informação esponjosos que convertem os bilhões de eventos que acontecem ao nosso redor em sinais que podemos entender.

São sons, aromas, sabores, sensações… um desses elementos que estão ao nosso redor são os campos eletromagnéticos, formados por ondas que, a depender da frequência, podem produzir uma série de efeitos.

O espectro de luz visível é uma porção pequena do espectro eletromagnético — Foto: BBC
O espectro de luz visível é uma porção pequena do espectro eletromagnético — Foto: BBC

Algumas servem, por exemplo, para aquecer os alimentos no micro-ondas, outras nos mostram os ossos do corpo nos exames de raios-x, e há aquelas que fazem com que os programas de rádio viagem das estações de transmissão aos aparelhos dos ouvintes.

O corpo humano é capaz de perceber com os sentidos apenas uma pequena fração desses comprimentos de onda - grande parte através dos olhos, por meio do que se chama de luz visível.

Por que detectamos apenas uma faixa restrita do espectro de ondas eletromagnéticas é algo ainda em estudo.

Mas sabemos, por exemplo, é que as ondas com comprimento entre 400 e 700 nanômetros, ou o espectro de luz visível, são os únicos comprimentos de onda que viajam facilmente pela água. Esse intervalo é também a parção do espectro de ondas eletromagnéticas que o Sol mais emite.

Como nossos primeiros ancestrais viveram no mar e estavam expostos ao Sol, faz sentido termos evoluído para detectar os comprimentos de onda mais comuns e úteis no espectro.

Das ondas às cores

Nossos olhos detectam cores por meio de cones, células especializadas que se concentram na mácula, o centro da retina.

Existem três tipos de cones no olho humano:

  • - Tipo L: sensível a comprimentos de onda longos
  • - Tipo M: sensível a comprimentos de onda médios
  • - Tipo S: sensível a comprimentos de onda curtos

Os cones S detectam os azuis; os M, os verdes; os Ls, os vermelhos. Mas vemos mais do que apenas vermelho, verde e azul. Isso porque as células cone dos olhos se sobrepõem nos comprimentos de onda que detectam, como ilustra o gráfico seguinte:

Observando a imagem, é possível perceber que, quando um raio de luz com um comprimento de onda de 570 nanômetros entra no olho, ele estimula os cones L e M. — Foto: BBC
Observando a imagem, é possível perceber que, quando um raio de luz com um comprimento de onda de 570 nanômetros entra no olho, ele estimula os cones L e M. — Foto: BBC

Observando a imagem, é possível perceber que, quando um raio de luz com um comprimento de onda de 570 nanômetros entra no olho, ele estimula os cones L e M.

As respostas são combinadas e transformadas em uma mensagem elétrica que é enviada ao longo do nervo óptico para o cérebro como um único sinal. E é esse sinal que interpretamos como luz amarela.

Uma peculiaridade estranha desse sistema é que, quando dois feixes de luz cujos comprimentos de onda somam a mesma coisa - neste caso, 570 nanômetros - entram no olho ao mesmo tempo, o sinal que é enviado ao cérebro é o mesmo.

Esses dois raios de luz combinados também nos fazem ver o amarelo.

A tela do aparelho pelo qual você está vendo as imagens também funciona de acordo com a maneira como nosso cérebro percebe as cores. Se você olhar de perto, verá que as telas são compostas de pequenos grupos de luzes vermelhas, verdes e azuis - mas podem reproduzir todo o espectro.

Cada cor que percebemos pode ser gerada por meio desse caminho duplo: um único comprimento de onda de luz ou uma combinação de comprimentos de onda que estimulam nossos cones da mesma maneira.

Exceto uma.

O magenta tem uma paleta variada — Foto: BBC
O magenta tem uma paleta variada — Foto: BBC

O magenta

Oficialmente, o magenta não existe.

Não há comprimento de onda de luz para o magenta, o que significa que é o cérebro humano que cria essa cor. Mas como?

Nós o percebemos apenas quando os cones S e L captam um sinal de luz vermelho e azul puro.

Não sabemos ainda porque o cérebro o cria. O mecanismo pode ter sido, contudo, muito útil a nossos ancestrais primatas que viviam em florestas verdes.

Frutas e flores da cor magenta teriam maior contraste contra um fundo verde, e vê-las tornou mais fácil para nossos ancestrais encontrar alimentos.

Nosso cérebro faz todos esses tipos de saltos cognitivos estranhos o tempo todo. Você pode se surpreender com o quanto do mundo ao seu redor não é exatamente o que parece ser.

*Este texto foi adaptado do vídeo da BBC Reel "Magenta: A cor que não existe". Se quiser ver o conteúdo original, em inglês, clique aqui.

- Texto originalmente publicado em https://www.bbc.com/portuguese/articles/cj5yvyn80l0o

------++-====-----------------------------------------------------------------------=======;;==========--------------------------------------------------------------------------------====-++-----

Egito: arqueólogos descobrem miniesfinge sorridente; veja FOTO

<<<===+===.=.=.= =---____--------   ----------____---------____::____   ____= =..= = =..= =..= = =____   ____::____-----------_  ___----------   ----------____---.=.=.=.= +====>>>


Segundo pesquisadores, estátua pode representar o imperador romano Cláudio.
<<<===+===.=.=.= =---____--------   ----------____---------____::____   ____= =..= = =..= =..= = =____   ____::____-----------_  ___----------   ----------____---.=.=.=.= +====>>>
Por g1

Postado em 07 de março de 2023 às 12h10m

 #.*Post. - N.\ 10.705*.#

Uma foto sem data divulgada pelo Ministério de Antiguidades do Egito em 6 de março de 2023 mostra um trabalhador desenterrando a esfinge perto do Templo de Dendera, na província de Qina. — Foto: Ministério Egípcio de Antiguidades/AFP
Uma foto sem data divulgada pelo Ministério de Antiguidades do Egito em 6 de março de 2023 mostra um trabalhador desenterrando a esfinge perto do Templo de Dendera, na província de Qina. — Foto: Ministério Egípcio de Antiguidades/AFP

Autoridades egípcias anunciaram nesta segunda-feira (6) a descoberta de uma miniesfinge "sorridente" que pode representar o imperador romano Claúdio, que governou entre os anos 41 a 54 d.C.

A esfinge de calcário foi encontrada perto do templo de Dendera, 500 quilômetros ao sul do Cairo, a capital do Egito, em um "tanque de água bizantino localizado em uma tumba de dois andares", informou o Ministério de Turismo e Antiguidades, em um comunicado.

Na ocasião também foi descoberta, ao seu lado, uma "estela [objeto de pedra] romana gravada em demótico e hieróglifos".

A estela ainda deve ser decifrada para levar à identidade do imperador, de acordo com a equipe egípcia encarregada das escavações.

O Egito revelou uma série de grandes descobertas arqueológicas nos últimos meses, principalmente na necrópole de Saqqara, perto do Cairo, e no planalto de Gizé, que abriga a pirâmide de Quéops, a última das sete maravilhas do Mundo Antigo que ainda está de pé.

Na quinta-feira (2), o país também anunciou que encontrou um túnel de nove metros no interior da Pirâmide de Gizé que poderia ser o caminho para chegar à "verdadeira câmara funerária do rei Quéops".

Mais ao sul, em Luxor, as autoridades se depararam com as ruínas de uma "cidade romana inteira", dos primeiros séculos da Era Cristã.

Para alguns especialistas, no entanto, a sucessão de descobertas pode ter mais motivação política e econômica do que científica.

O Egito vive grave crise econômica e o setor de turismo é um dos principais motores de sua economia.

------++-====-----------------------------------------------------------------------=======;;==========--------------------------------------------------------------------------------====-++-----

Com renda em alta, brasileiro que ganha menos que um salário mínimo deixará de ser a maior parcela dos trabalhadores

<<<===+===.=.=.= =---____--------   ----------____---------____::____   ____= =..= = =..= =..= = =____   ____::____-----------_  ___----------   ----------____---.=.=.=.= +====>>>


Recuperação recente do mercado de trabalho fez diminuir parcela de quem não chega ao mínimo e aumentar, a nível recorde, população que ganha mais que dois salários mínimos.
<<<===+===.=.=.= =---____--------   ----------____---------____::____   ____= =..= = =..= =..= = =____   ____::____-----------_  ___----------   ----------____---.=.=.=.= +====>>>
Por Raphael Martins, g1

Postado em 07 de março de 2023 às 06h15m

 #.*Post. - N.\ 10.704*.#

Cédulas de real nas mãos de uma pessoa. notas, dinheiro, reais, dólares, cotação, câmbio, valor, economia. -HN- — Foto: Marcos Santos/USP Imagens
Cédulas de real nas mãos de uma pessoa. notas, dinheiro, reais, dólares, cotação, câmbio, valor, economia. -HN- — Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Com a taxa de desemprego na casa dos 7,9% em dezembro, o país fechou o ano de 2022 com o menor nível de desempregados desde o início de 2015. Ainda assim, um terço dos trabalhadores brasileiros vivem com rendimento menor do que um salário mínimo.

Em números absolutos, são mais de 33,2 milhões de pessoas vivendo com menos do que o mínimo. Trata-se de uma realidade que vem desde o baque no mercado de trabalho, causado pela pandemia de Covid-19 e retratado à época pelo g1.

A boa notícia é que, agora, a tendência é de melhora dos números: desde junho, a quantidade de trabalhadores que recebem entre meio e um salário mínimo está em queda. De lá para cá, são quase 2 milhões a menos nesta faixa de renda.

E não é só: no trimestre final de 2022, o número de trabalhadores que recebem mais que dois salários mínimos bateu recorde da série histórica, chegando a 32,9 milhões de pessoas. A expectativa é que esse grupo se torne a maior parcela dos trabalhadores já no próximo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Segundo Bruno Imaizumi, economista da LCA Consultores e autor do levantamento com base nos dados da PNAD, a trajetória do mercado de trabalho deve manter a tendência de queda entre os que recebem menos que um salário mínimo, mesmo sem um aumento expressivo do número de empregados.

Isso reflete, em parte, as trocas de emprego dentro do mercado de trabalho, conforme trabalhadores qualificados retornam para empregos com remuneração mais alta, ou à medida que fica mais previsível a formação de empregos em setores mais afetados pela pandemia — como no setor de serviços.

O ano de 2022 foi um ano forte do ponto de vista de ocupação, mas nem tanto pelo lado da renda. Já 2023 deve ser o contrário: um aumento de renda sem tanta criação de vagas, diz o economista.

A vida com menos de 1 salário mínimo
A vida com menos de 1 salário mínimo

Desaceleração da economia

Enquanto os números do mercado de trabalho trazem algum alento, a perspectiva de crescimento da atividade faz o contraponto de preocupação para os economistas.

Na semana passada, os resultados do Produto Interno Bruto (PIB) mostram que o 4º trimestre de 2022 foi o primeiro a registrar queda em relação aos três meses anteriores desde o 2º trimestre de 2021. O recuo foi de 0,2% contra a janela passada.

Trata-se do desfecho de um processo de perda de força da atividade econômica, visto trimestre a trimestre. Sem espaço de estímulos à economia, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terá desafios para garantir a atividade econômica e manter o nível de emprego no médio prazo.

Variação trimestral do PIB brasileiro  — Foto: Editoria de Arte/g1
Variação trimestral do PIB brasileiro — Foto: Editoria de Arte/g1

A economista-chefe da A.C. Pastore, Paula Magalhães, acredita que será muito difícil não acontecer uma desaceleração brusca, contando que o país tem um patamar de juros altos e que há uma falta de motor para o consumo com o alto endividamento da população.

A desaceleração da economia já se mostra com os dados de crédito, inadimplência subindo, e isso vai impactar o consumo. Por enquanto, o mercado de trabalho vai bem, mas os dados são muito defasados e ele responde por último entre os termômetros que temos, diz a economista.

Segundo o blog do Valdo Cruz, o presidente Lula conta justamente com as medidas que seu governo está adotando neste início de ano, como aumento real do salário mínimo e novo Bolsa Família, para reverter a desaceleração do crescimento da economia brasileira.

------++-====-----------------------------------------------------------------------=======;;==========--------------------------------------------------------------------------------====-++-----

segunda-feira, 6 de março de 2023

A missão para salvar o maior sapo do mundo

<<<===+===.=.=.= =---____--------   ----------____---------____::____   ____= =..= = =..= =..= = =____   ____::____-----------_  ___----------   ----------____---.=.=.=.= +====>>>


Camaronês tenta aprender os segredos da rã ameaçada da extinção que pode chegar até o tamanho de um gato
<<<===+===.=.=.= =---____--------   ----------____---------____::____   ____= =..= = =..= =..= = =____   ____::____-----------_  ___----------   ----------____---.=.=.=.= +====>>>
TOPO
Por Helen Briggs, BBC

Postado em 06 de março de 2023 às 06h25m

 #.*Post. - N.\ 10.703*.#

Cedric Fogwan segura uma das rãs-golias que quebraram recordes — Foto: JEANNE D'ARC PETNGA via BBC
Cedric Fogwan segura uma das rãs-golias que quebraram recordes — Foto: JEANNE D'ARC PETNGA via BBC

Quando Cedrick Fogwan viu pela primeira vez uma rã gigante, ficou bastante impressionado com suas proporções.

As rãs-golias podem crescer até o tamanho de um gato, é são consideradas os maiores anuros - ordem de anfíbios que inclui os sapos, rãs e pererecas - do mundo.

É quase como segurar um bebê (humano), diz ele, que carregou uma delas em uma missão de resgate.

O conservacionista camaronês ficou tão cativado que montou um projeto para lutar pelo futuro da espécie, que está ameaçada de extinção.

Quando descobri que esta espécie era única – a maior do mundo – disse que era algo que não encontramos facilmente em nenhum outro lugar e fiquei orgulhoso disso, diz ele.

"As pessoas na área dizem que são abençoadas por ter algo assim; eles atribuem a isso um valor cultural."

As rãs-golias podem ser tão grandes quanto um gato de estimação, medindo até 32 cm de comprimento e pesando mais de 3,25 kg — Foto: CEDRICK FOGWAN via BBC
As rãs-golias podem ser tão grandes quanto um gato de estimação, medindo até 32 cm de comprimento e pesando mais de 3,25 kg — Foto: CEDRICK FOGWAN via BBC

Durante décadas, a rã-golias foi caçada em excesso para alimentação e comércio de animais de estimação em Camarões e na Guiné Equatorial, os dois países onde é encontrada.

Seu habitat ao lado de rios e córregos está sendo rapidamente destruído e o anfíbio agora é classificado como ameaçado de extinção.

A rã é pouco conhecida pela ciência e, mesmo em Camarões, muitos locais desconhecem seu valor para o ecossistema - uma de suas funções é caçar insetos que danificam plantações.

A equipe de conservação trabalha para persuadir os caçadores a se tornarem cientistas cidadãos, registrando a localização das rãs em vez de usá-las como alimento.

Eles também estão trabalhando com grupos locais para ajudar a estabelecer a criação de caracóis para fornecer uma fonte alternativa de alimento.

O trabalho de conservação está começando a dar frutos, com rãs-golias retornando a novos rios na reserva do Monte Nlonako, na região litorânea de Camarões.

A ligação feita por um ex-caçador, que relatou que uma rã havia sido capturado por um vizinho, foi um ponto de virada para o projeto. Cedric conseguiu resgatar o animal e devolvê-lo à natureza.

"Acredito que podemos tê-la para sempre e podemos continuar orgulhosos dela", diz ele.

O projeto para salvar a rã-golias é apoiado pelo Conservation Leadership Program (CLP) administrado pela Fauna & Flora International, BirdLife International e pela Wildlife Conservation Society.

------++-====-----------------------------------------------------------------------=======;;==========--------------------------------------------------------------------------------====-++-----

domingo, 5 de março de 2023

ONU chega a acordo histórico para proteger a vida marinha em alto mar

<<<===+===.=.=.= =---____--------   ----------____---------____::____   ____= =..= = =..= =..= = =____   ____::____-----------_  ___----------   ----------____---.=.=.=.= +====>>>


Foco é nas regiões fora das águas das fronteiras nacionais, conhecidas como alto mar. Discussões sobre esse tratado aconteciam há quase 20 anos.
<<<===+===.=.=.= =---____--------   ----------____---------____::____   ____= =..= = =..= =..= = =____   ____::____-----------_  ___----------   ----------____---.=.=.=.= +====>>>
TOPO
Por Associated Press

Postado em 05 de março de 2023 às 08h00m

 #.*Post. - N.\ 10.702*.#

Países assinam acordo histórico para proteger oceanos
Países assinam acordo histórico para proteger oceanos

Após duas semanas de negociações em Nova York (EUA), os membros das Nações Unidas concordaram com um tratado unificado para proteger a biodiversidade em alto mar – quase metade da superfície do planeta.

A Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar começou a se encontrar em 1994, antes que a biodiversidade marinha fosse um conceito bem estabelecido.

Uma estrutura atualizada para proteger a vida marinha nas regiões fora das águas das fronteiras nacionais, conhecidas como alto mar, está em discussão há mais de 20 anos, mas os esforços anteriores para chegar a um acordo foram repetidamente paralisados. O tratado de acordo unificado foi alcançado no final do sábado.

Nós realmente só temos dois grandes bens comuns globais – a atmosfera e os oceanos, disse a bióloga marinha de Georgetown, Rebecca Helm. Embora os oceanos possam atrair menos atenção, proteger esta metade da superfície da Terra é absolutamente crítico para a saúde do nosso planeta.

Agora que o tão esperado texto do tratado foi finalizado, Nichola Clark, especialista em oceanos do Pew Charitable Trusts que observou as negociações em Nova York, disse:Esta é uma oportunidade única em uma geração para proteger os oceanos - uma grande vitória para biodiversidade.

O tratado criará um novo órgão para gerenciar a conservação da vida oceânica e estabelecer áreas marinhas protegidas em alto mar. E Clark disse que isso é fundamental para alcançar a recente promessa da Conferência de Biodiversidade da ONU de proteger 30% das águas do planeta, bem como suas terras, para conservação.

Tartaruga nada próximo a coral debaixo d'água na Austrália — Foto: Sam McNeil, File/AP
Tartaruga nada próximo a coral debaixo d'água na Austrália — Foto: Sam McNeil, File/AP

O tratado também estabelece regras básicas para a realização de avaliações de impacto ambiental para atividades comerciais nos oceanos.

Isso significa que todas as atividades planejadas para o alto mar precisam ser analisadas, embora nem todas passem por uma avaliação completa, disse Jessica Battle, especialista em governança dos oceanos do Fundo Mundial para a Natureza.

Muitas espécies marinhas — incluindo golfinhos, baleias, tartarugas marinhas e muitos peixes — fazem longas migrações anuais, atravessando fronteiras nacionais e o alto mar. Os esforços para protegê-los – e as comunidades humanas que dependem da pesca ou do turismo relacionado à vida marinha – já foram prejudicados por uma confusa colcha de retalhos de leis

Grupo de golfinhos são vistos na baía de Guanabara, no Rio de Janeiro — Foto: Silvia Izquierdo/AP
Grupo de golfinhos são vistos na baía de Guanabara, no Rio de Janeiro — Foto: Silvia Izquierdo/AP

------++-====-----------------------------------------------------------------------=======;;==========--------------------------------------------------------------------------------====-++-----

sábado, 4 de março de 2023

Do cafezinho ao etanol: como El Niño pode afetar Brasil em 2023

<<<===+===.=.=.= =---____--------   ----------____---------____::____   ____= =..= = =..= =..= = =____   ____::____-----------_  ___----------   ----------____---.=.=.=.= +====>>>


Agência da ONU vê 55% de chance de fenômeno voltar em junho, elevando as temperaturas globais. No Brasil, pode afetar produção de grãos, cana de açúcar e outros setores.
<<<===+===.=.=.= =---____--------   ----------____---------____::____   ____= =..= = =..= =..= = =____   ____::____-----------_  ___----------   ----------____---.=.=.=.= +====>>>
TOPO
Por BBC

Postado em 04 de março de 2023 às 10h00m

 #.*Post. - N.\ 10.701*.#

Agência da ONU vê 55% de chance de El Niño voltar em junho — Foto: Getty Images
Agência da ONU vê 55% de chance de El Niño voltar em junho — Foto: Getty Images

A Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência especializada das Nações Unidas (ONU) para a meteorologia, alertou em 1º de março para um possível retorno este ano do fenômeno atmosférico El Niño.

Segundo a agência, há uma probabilidade de 15% de o El Niño voltar entre abril e junho. As chances sobem para 35% entre maio e julho, e são de 55% de junho a agosto.

O El Niño provoca um aquecimento fora do normal das águas do Oceano Pacífico na parte equatorial, elevando as temperaturas globais.

Nos últimos três anos, o mundo esteve sob influência do La Niña, que esfria as águas do Pacífico na mesma região e contribuiu para frear temporariamente o aumento das temperaturas no planeta, segundo o secretário-geral da OMM, Petteri Taalas – ainda que os últimos oito anos tenham sido alguns dos mais quentes já registrados.

A última vez em que o mundo enfrentou um forte El Niño foi entre 2015 e 2016.

Aquele foi o segundo El Niño mais poderoso desde 1950, atrás apenas do ocorrido em 1997 e 1998.

Sob influência do fenômeno e das mudanças climáticas, o ano de 2016 foi o mais quente já registrado na história, segundo a OMM.

No Brasil, o El Niño naquele biênio intensificou a seca no Nordeste e provocou estiagem prolongada no Norte, centro-norte de Minas e de Goiás e no Distrito Federal.

Além disso, houve fortes inundações no Sul, e impactos sobre o setor elétrico e a produção de alimentos.

E agora? O que pode vir pela frente no Brasil com a volta do El Niño?

Entenda como o fenômeno pode influenciar do cafezinho ao etanol que abastece o carro.

Como El Niño afeta o clima no Brasil

"Niño" que dá nome ao fenômeno é ninguém menos do que o menino Jesus (el niño Jesús, em espanhol). O evento climático recebeu esse nome por ser primeiro identificado por pescadores do Peru e Equador na época do Natal.

"O El Niño e a La Niña são duas fases opostas do mesmo fenômeno, que chamamos de El Niño Oscilação Sul [ou ENSO, na sigla em inglês]", explica Vinícius Lucyrio, meteorologista da Climatempo.

Aquecimento e resfriamento do Pacífico equatorial entre 1950 e 2022 — Foto: METEREOLOGIA UNIFEI
Aquecimento e resfriamento do Pacífico equatorial entre 1950 e 2022 — Foto: METEREOLOGIA UNIFEI

"É um fenômeno que acopla condições oceânicas e atmosféricas. Ou seja: é o oceano influenciando diretamente na condições atmosféricas."

O El Niño é a fase quente deste fenômeno, que traz águas de temperatura mais elevada para a faixa equatorial do Pacífico Sul, na costa norte do Peru e do Equador, se estendendo ao sul da linha imaginária até quase a Oceania.

Isso ocorre por um enfraquecimento dos ventos alísios, um sistema de ventos que sopram de leste para oeste na região equatorial, explica Lucyrio.

Já a La Niña é a fase fria do fenômeno, com temperaturas abaixo da média nas água do Pacífico Sul, sob efeito de ventos alísios fortalecidos que favorecem a ressurgência de águas profundas mais frias na costa do Peru e do Equador.

"É uma ótima fase para pesca, porque traz águas mais ricas em nutrientes das profundezas do oceano para as áreas mais superficiais", observa.

No Brasil, a La Niña afeta as chuvas nos dois extremos do país.

No Sul, ficam mais irregulares, favorecendo períodos de estiagem e seca. Já no Norte e Nordeste, há um aumento das precipitações, principalmente entre agosto e fevereiro.

A La Niña também traz temperaturas abaixo da média ao país, ao favorecer a passagem de frentes frias. Isso ajuda a explicar, por exemplo, o verão mais ameno esse ano no Sudeste, observa o especialista da Climatempo.

Já o El Niño traz tempo mais quente em todo o Brasil, principalmente entre o final do inverno e o verão. E, nas chuvas, o sinal se inverte. No Norte e Nordeste, a chuva tende a ficar abaixo da média, enquanto no Sul, fica acima.

"Pode haver inundações severas e solo encharcado no Sul, trazendo prejuízos à produção agrícola", diz Lucyrio, ponderando porém que a produtividade na região também pode ser beneficiada pela maior quantidade de chuvas.

Segundo o meteorologista, os modelos apontam uma probabilidade acima de 60% de ocorrência de El Niño no período de junho, julho e agosto. E a transição entre o La Niña e o El Niño deve acontecer de forma mais acelerada do que o padrão histórico.

Em vermelho, a probabilidade de El Niño; em azul, de La Niña; em cinza, a fase neutra, conforme os trimestres, com a inicial de cada mês (ex: FMA = fevereiro, março e abril) — Foto: IRI/CPC
Em vermelho, a probabilidade de El Niño; em azul, de La Niña; em cinza, a fase neutra, conforme os trimestres, com a inicial de cada mês (ex: FMA = fevereiro, março e abril) — Foto: IRI/CPC

Impactos do cafezinho ao etanol

Os analistas são cautelosos em apontar possíveis impactos do El Niño na produção agrícola brasileira, já que ainda não é possível saber qual será a intensidade do fenômeno que pode ter início esse ano.

Mas, com base na ocorrência do evento climático no passado, é possível obter algumas pistas.

Um dos cultivos que podem ser afetados é o do café, segundo Natália Gandolphi, analista da consultoria HedgePoint Global Markets.

'O El Niño historicamente afetou negativamente a produção de café no Brasil', diz analista — Foto: Getty Images
'O El Niño historicamente afetou negativamente a produção de café no Brasil', diz analista — Foto: Getty Images

Essa é uma possível má notícia para os apreciadores da bebida, já que o café moído chegou a acumular alta de preços de mais de 60% em 12 meses em meados de 2022, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), sob efeito de secas e geadas que afetaram a safra.

Desde então, a inflação do café perdeu força, mas o produto nunca retomou o patamar anterior de preços, com o pacote de 500g vendido a um preço médio de R$ 15,48 ao fim de 2022, de acordo com a Fundação Procon-SP.

"No geral, quando observamos os eventos de El Niño, há uma redução média de 5% na produção de [café do tipo] Arábica", diz Gandolphi, analista da HedgePoint especialista neste produto.

Isso acontece, segundo ela, porque o El Niño provoca um inverno mais quente, prejudicando o desenvolvimento vegetativo do pé de café.

A época de florada, após setembro, e de crescimento, desenvolvimento e maturação dos frutos também pode ser prejudicada pelas temperaturas mais elevadas, diz a especialista.

"O El Niño historicamente afetou negativamente a produção de café no Brasil e isso é um fator altista [para os preços do produto]. Mas, hoje, a perspectiva para a safra 2024-2025, que seria a afetada pelo El Niño, é muito boa", pondera.

Na cultura de cana-de-açúcar, o pico da safra no Brasil ocorre entre abril e agosto.

"Se vier um El Niño forte, ele pode levar a um inverno mais úmido. Isso é ruim para o ritmo da safra de açúcar, porque, se chove demais, as usinas não conseguem moer", explica Lívea Coda, analista de açúcar e etanol da HedgePoint.

'Um evento climático que afete a moagem afeta tanto o açúcar como o etanol', diz analista — Foto: Getty Images
'Um evento climático que afete a moagem afeta tanto o açúcar como o etanol', diz analista — Foto: Getty Images

"Também é ruim para a concentração de sacarose, porque, nessa etapa do desenvolvimento da cana, se chove muito, ela fica mais 'aguada', com menor concentração de açúcar. Então, poderia ser ruim para a safra 2023-2024 do Brasil", diz Coda.

Segundo ela, se o fenômeno se estender de dezembro a fevereiro, a precipitação no Centro-Sul pode diminuir, principalmente no norte de São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso, comprometendo a próxima safra.

"Havendo um evento climático que afete a moagem, afeta tanto para o açúcar, como para o etanol. Se tiver um El Niño muito forte, que atrapalhe o ritmo da safra, pode ter um impacto na disponibilidade total de produto, e isso é uma pressão inflacionária para preços", explica.

"Mas precisaria ter um evento muito forte, muito relevante, para isso acontecer e termos de fato um problema na safra brasileira de cana."

Grãos e proteína animal

Pedro Schicchi, analista de grãos e proteína animal da consultoria, explica que um inverno mais úmido pode ser benéfico para a safra de milho de inverno no Mato Grosso e Goiás.

'Uma maior produção de milho pode reduzir o custo da ração para produtores de frango e suínos', diz analista — Foto: Getty Images
'Uma maior produção de milho pode reduzir o custo da ração para produtores de frango e suínos', diz analista — Foto: Getty Images

O evento também pode favorecer a safra de soja no Sul do país, com maior volume de chuvas, embora possa prejudicar o grão no Centro-Oeste, devido ao tempo mais seco.

"Se a chuva realmente vier e tivermos maior produção de milho, isso pode reduzir o custo da ração para os produtores de frango e suínos", diz Schicchi.

"Para o gado bovino, a chuva amplia a área de pastagem, então, o efeito também pode ser positivo."

Mas isso pode não necessariamente impactar o consumidor final, afirma o analista.

"Pode ser que essa redução de custos não seja repassada por diversos motivos, como o alto volume de exportação, real desvalorizado. Então, isso interage com outros fatores de mercado."

E o setor elétrico?

No Brasil, os principais reservatórios hidrelétricos ficam nas regiões Sudeste e central do país.

"Para o setor elétrico, geralmente a La Niña é melhor, porque favorece a formação de zona de convergência do Atlântico Sul e frentes estacionárias nessas regiões", explica o meteorologista Filipe Pungirum, mestre em Clima pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

"O El Niño favorece um tempo mais quente e seco na porção centro-norte do país e, por isso, não costuma ser positivo para a manutenção dos reservatórios de energia."

Reservatório de Furnas opera atualmente com volume útil de 96%, segundo ONS — Foto: Divulgação/Eletrobras
Reservatório de Furnas opera atualmente com volume útil de 96%, segundo ONS — Foto: Divulgação/Eletrobras

Por regiões, os reservatórios de Norte, Nordeste e Minas Gerais costumam ser prejudicados por um El Niño forte, enquanto o Sul é beneficiado – mas a região tem poucos reservatórios.

O fenômeno também costuma elevar as temperaturas nas capitais, pressionando a demanda, já que o ar condicionado se tornou o principal fator de pico do consumo elétrico nacional.

O meteorologista pondera, porém, que os reservatórios do país se encontram em excelente momento.

Segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), os reservatórios do Sudeste e Centro-Oeste encerraram fevereiro em patamares superiores a 70%, maior nível desde 2012. Enquanto no Sul e Nordeste, os níveis estão acima de 80%, e no Norte, em quase 100%.

"Mesmo se esse próximo El Niño for bem rigoroso e tivermos poucas chuvas, não vai ser tão grave quanto nas últimas crises", acredita o especialista.

- Texto originalmente publicado em https://www.bbc.com/portuguese/articles/c14n1d7dlexo

------++-====-----------------------------------------------------------------------=======;;==========--------------------------------------------------------------------------------====-++-----