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sábado, 4 de março de 2023

Do cafezinho ao etanol: como El Niño pode afetar Brasil em 2023

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Agência da ONU vê 55% de chance de fenômeno voltar em junho, elevando as temperaturas globais. No Brasil, pode afetar produção de grãos, cana de açúcar e outros setores.
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TOPO
Por BBC

Postado em 04 de março de 2023 às 10h00m

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Agência da ONU vê 55% de chance de El Niño voltar em junho — Foto: Getty Images
Agência da ONU vê 55% de chance de El Niño voltar em junho — Foto: Getty Images

A Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência especializada das Nações Unidas (ONU) para a meteorologia, alertou em 1º de março para um possível retorno este ano do fenômeno atmosférico El Niño.

Segundo a agência, há uma probabilidade de 15% de o El Niño voltar entre abril e junho. As chances sobem para 35% entre maio e julho, e são de 55% de junho a agosto.

O El Niño provoca um aquecimento fora do normal das águas do Oceano Pacífico na parte equatorial, elevando as temperaturas globais.

Nos últimos três anos, o mundo esteve sob influência do La Niña, que esfria as águas do Pacífico na mesma região e contribuiu para frear temporariamente o aumento das temperaturas no planeta, segundo o secretário-geral da OMM, Petteri Taalas – ainda que os últimos oito anos tenham sido alguns dos mais quentes já registrados.

A última vez em que o mundo enfrentou um forte El Niño foi entre 2015 e 2016.

Aquele foi o segundo El Niño mais poderoso desde 1950, atrás apenas do ocorrido em 1997 e 1998.

Sob influência do fenômeno e das mudanças climáticas, o ano de 2016 foi o mais quente já registrado na história, segundo a OMM.

No Brasil, o El Niño naquele biênio intensificou a seca no Nordeste e provocou estiagem prolongada no Norte, centro-norte de Minas e de Goiás e no Distrito Federal.

Além disso, houve fortes inundações no Sul, e impactos sobre o setor elétrico e a produção de alimentos.

E agora? O que pode vir pela frente no Brasil com a volta do El Niño?

Entenda como o fenômeno pode influenciar do cafezinho ao etanol que abastece o carro.

Como El Niño afeta o clima no Brasil

"Niño" que dá nome ao fenômeno é ninguém menos do que o menino Jesus (el niño Jesús, em espanhol). O evento climático recebeu esse nome por ser primeiro identificado por pescadores do Peru e Equador na época do Natal.

"O El Niño e a La Niña são duas fases opostas do mesmo fenômeno, que chamamos de El Niño Oscilação Sul [ou ENSO, na sigla em inglês]", explica Vinícius Lucyrio, meteorologista da Climatempo.

Aquecimento e resfriamento do Pacífico equatorial entre 1950 e 2022 — Foto: METEREOLOGIA UNIFEI
Aquecimento e resfriamento do Pacífico equatorial entre 1950 e 2022 — Foto: METEREOLOGIA UNIFEI

"É um fenômeno que acopla condições oceânicas e atmosféricas. Ou seja: é o oceano influenciando diretamente na condições atmosféricas."

O El Niño é a fase quente deste fenômeno, que traz águas de temperatura mais elevada para a faixa equatorial do Pacífico Sul, na costa norte do Peru e do Equador, se estendendo ao sul da linha imaginária até quase a Oceania.

Isso ocorre por um enfraquecimento dos ventos alísios, um sistema de ventos que sopram de leste para oeste na região equatorial, explica Lucyrio.

Já a La Niña é a fase fria do fenômeno, com temperaturas abaixo da média nas água do Pacífico Sul, sob efeito de ventos alísios fortalecidos que favorecem a ressurgência de águas profundas mais frias na costa do Peru e do Equador.

"É uma ótima fase para pesca, porque traz águas mais ricas em nutrientes das profundezas do oceano para as áreas mais superficiais", observa.

No Brasil, a La Niña afeta as chuvas nos dois extremos do país.

No Sul, ficam mais irregulares, favorecendo períodos de estiagem e seca. Já no Norte e Nordeste, há um aumento das precipitações, principalmente entre agosto e fevereiro.

A La Niña também traz temperaturas abaixo da média ao país, ao favorecer a passagem de frentes frias. Isso ajuda a explicar, por exemplo, o verão mais ameno esse ano no Sudeste, observa o especialista da Climatempo.

Já o El Niño traz tempo mais quente em todo o Brasil, principalmente entre o final do inverno e o verão. E, nas chuvas, o sinal se inverte. No Norte e Nordeste, a chuva tende a ficar abaixo da média, enquanto no Sul, fica acima.

"Pode haver inundações severas e solo encharcado no Sul, trazendo prejuízos à produção agrícola", diz Lucyrio, ponderando porém que a produtividade na região também pode ser beneficiada pela maior quantidade de chuvas.

Segundo o meteorologista, os modelos apontam uma probabilidade acima de 60% de ocorrência de El Niño no período de junho, julho e agosto. E a transição entre o La Niña e o El Niño deve acontecer de forma mais acelerada do que o padrão histórico.

Em vermelho, a probabilidade de El Niño; em azul, de La Niña; em cinza, a fase neutra, conforme os trimestres, com a inicial de cada mês (ex: FMA = fevereiro, março e abril) — Foto: IRI/CPC
Em vermelho, a probabilidade de El Niño; em azul, de La Niña; em cinza, a fase neutra, conforme os trimestres, com a inicial de cada mês (ex: FMA = fevereiro, março e abril) — Foto: IRI/CPC

Impactos do cafezinho ao etanol

Os analistas são cautelosos em apontar possíveis impactos do El Niño na produção agrícola brasileira, já que ainda não é possível saber qual será a intensidade do fenômeno que pode ter início esse ano.

Mas, com base na ocorrência do evento climático no passado, é possível obter algumas pistas.

Um dos cultivos que podem ser afetados é o do café, segundo Natália Gandolphi, analista da consultoria HedgePoint Global Markets.

'O El Niño historicamente afetou negativamente a produção de café no Brasil', diz analista — Foto: Getty Images
'O El Niño historicamente afetou negativamente a produção de café no Brasil', diz analista — Foto: Getty Images

Essa é uma possível má notícia para os apreciadores da bebida, já que o café moído chegou a acumular alta de preços de mais de 60% em 12 meses em meados de 2022, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), sob efeito de secas e geadas que afetaram a safra.

Desde então, a inflação do café perdeu força, mas o produto nunca retomou o patamar anterior de preços, com o pacote de 500g vendido a um preço médio de R$ 15,48 ao fim de 2022, de acordo com a Fundação Procon-SP.

"No geral, quando observamos os eventos de El Niño, há uma redução média de 5% na produção de [café do tipo] Arábica", diz Gandolphi, analista da HedgePoint especialista neste produto.

Isso acontece, segundo ela, porque o El Niño provoca um inverno mais quente, prejudicando o desenvolvimento vegetativo do pé de café.

A época de florada, após setembro, e de crescimento, desenvolvimento e maturação dos frutos também pode ser prejudicada pelas temperaturas mais elevadas, diz a especialista.

"O El Niño historicamente afetou negativamente a produção de café no Brasil e isso é um fator altista [para os preços do produto]. Mas, hoje, a perspectiva para a safra 2024-2025, que seria a afetada pelo El Niño, é muito boa", pondera.

Na cultura de cana-de-açúcar, o pico da safra no Brasil ocorre entre abril e agosto.

"Se vier um El Niño forte, ele pode levar a um inverno mais úmido. Isso é ruim para o ritmo da safra de açúcar, porque, se chove demais, as usinas não conseguem moer", explica Lívea Coda, analista de açúcar e etanol da HedgePoint.

'Um evento climático que afete a moagem afeta tanto o açúcar como o etanol', diz analista — Foto: Getty Images
'Um evento climático que afete a moagem afeta tanto o açúcar como o etanol', diz analista — Foto: Getty Images

"Também é ruim para a concentração de sacarose, porque, nessa etapa do desenvolvimento da cana, se chove muito, ela fica mais 'aguada', com menor concentração de açúcar. Então, poderia ser ruim para a safra 2023-2024 do Brasil", diz Coda.

Segundo ela, se o fenômeno se estender de dezembro a fevereiro, a precipitação no Centro-Sul pode diminuir, principalmente no norte de São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso, comprometendo a próxima safra.

"Havendo um evento climático que afete a moagem, afeta tanto para o açúcar, como para o etanol. Se tiver um El Niño muito forte, que atrapalhe o ritmo da safra, pode ter um impacto na disponibilidade total de produto, e isso é uma pressão inflacionária para preços", explica.

"Mas precisaria ter um evento muito forte, muito relevante, para isso acontecer e termos de fato um problema na safra brasileira de cana."

Grãos e proteína animal

Pedro Schicchi, analista de grãos e proteína animal da consultoria, explica que um inverno mais úmido pode ser benéfico para a safra de milho de inverno no Mato Grosso e Goiás.

'Uma maior produção de milho pode reduzir o custo da ração para produtores de frango e suínos', diz analista — Foto: Getty Images
'Uma maior produção de milho pode reduzir o custo da ração para produtores de frango e suínos', diz analista — Foto: Getty Images

O evento também pode favorecer a safra de soja no Sul do país, com maior volume de chuvas, embora possa prejudicar o grão no Centro-Oeste, devido ao tempo mais seco.

"Se a chuva realmente vier e tivermos maior produção de milho, isso pode reduzir o custo da ração para os produtores de frango e suínos", diz Schicchi.

"Para o gado bovino, a chuva amplia a área de pastagem, então, o efeito também pode ser positivo."

Mas isso pode não necessariamente impactar o consumidor final, afirma o analista.

"Pode ser que essa redução de custos não seja repassada por diversos motivos, como o alto volume de exportação, real desvalorizado. Então, isso interage com outros fatores de mercado."

E o setor elétrico?

No Brasil, os principais reservatórios hidrelétricos ficam nas regiões Sudeste e central do país.

"Para o setor elétrico, geralmente a La Niña é melhor, porque favorece a formação de zona de convergência do Atlântico Sul e frentes estacionárias nessas regiões", explica o meteorologista Filipe Pungirum, mestre em Clima pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

"O El Niño favorece um tempo mais quente e seco na porção centro-norte do país e, por isso, não costuma ser positivo para a manutenção dos reservatórios de energia."

Reservatório de Furnas opera atualmente com volume útil de 96%, segundo ONS — Foto: Divulgação/Eletrobras
Reservatório de Furnas opera atualmente com volume útil de 96%, segundo ONS — Foto: Divulgação/Eletrobras

Por regiões, os reservatórios de Norte, Nordeste e Minas Gerais costumam ser prejudicados por um El Niño forte, enquanto o Sul é beneficiado – mas a região tem poucos reservatórios.

O fenômeno também costuma elevar as temperaturas nas capitais, pressionando a demanda, já que o ar condicionado se tornou o principal fator de pico do consumo elétrico nacional.

O meteorologista pondera, porém, que os reservatórios do país se encontram em excelente momento.

Segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), os reservatórios do Sudeste e Centro-Oeste encerraram fevereiro em patamares superiores a 70%, maior nível desde 2012. Enquanto no Sul e Nordeste, os níveis estão acima de 80%, e no Norte, em quase 100%.

"Mesmo se esse próximo El Niño for bem rigoroso e tivermos poucas chuvas, não vai ser tão grave quanto nas últimas crises", acredita o especialista.

- Texto originalmente publicado em https://www.bbc.com/portuguese/articles/c14n1d7dlexo

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sexta-feira, 3 de março de 2023

Os incríveis aquedutos que podem ajudar a explicar as famosas Linhas de Nazca

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A tecnologia é considerada extraordinariamente avançada para a época em que foi criada e, hoje, passa por um processo de restauração.
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TOPO
Por Guillermo D. Olmo, BBC

Postado em 03 de março de 2023 às 07h00m

 #.*Post. - N.\ 10.700*.#

A tecnologia dos olhos de água é considerada extraordinariamente avançada para a época em que foi criada — Foto: DIVULGAÇÃO
A tecnologia dos olhos de água é considerada extraordinariamente avançada para a época em que foi criada — Foto: DIVULGAÇÃO

As Linhas de Nazca, no sul do Peru, são um enigma histórico que há décadas desperta a imaginação e a curiosidade de viajantes, historiadores e arqueólogos.

Hoje, sabe-se que as gigantescas linhas e geoglifos foram obra dos habitantes da cultura nazca, que habitaram a região da cidade de Ica entre os séculos 1 e 7, no deserto costeiro no centro-sul do Peru.

Mas ainda existem muitas incógnitas, que deram origem às mais diversas interpretações. Algumas atribuem a formação das linhas à ação de extraterrestres.

Sabe-se também que nem a cultura nazca nem as linhas fabulosas teriam sido possíveis sem o extraordinário sistema de poços e canais subterrâneos de Nazca.

Esses aquedutos permitiram que os campos de Nazca fossem irrigados e produzissem os alimentos necessários para o florescimento de uma cultura próspera em uma das áreas mais áridas e inóspitas do continente americano.

Eles foram batizados deolhos de água", devido aos pontos de captação de água dos aquedutos e aos respiradouros em forma de espiral com cerca de sete metros de profundidade que permitem o acesso à água em alguns pontos da rede.

Ana María Cogorno, presidente da Associação María Reiche, diz que "sem água não há vida, então, toda essa cultura única não teria sido possível sem os aquedutos".

Cogorno faz parte de um projeto de conservação dos aquedutos, em colaboração com o Ministério da Cultura do Peru, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e a multinacional peruana de refrigerantes AJE Group. Muitos ainda são usados hoje ​​para fornecer água aos habitantes da região.

Os aquedutos de Nazca

Os aquedutos de Nazca são um sistema hídrico surpreendentemente avançado para a época.

Segundo o Ministério da Cultura do Peru, a maioria foi construída entre os anos 300 e 500, entre os períodos conhecidos como Nazca Primitiva e Nazca Média.

Estima-se que eles datem de uma época próxima à da construção das linhas e geoglifos.

Os aquedutos permitiram que a água emergisse do lençol freático — Foto: DIVULGAÇÃO
Os aquedutos permitiram que a água emergisse do lençol freático — Foto: DIVULGAÇÃO

É um sistema de galerias filtrantes, com poços, reservatórios e canais (alguns subterrâneos e outros a céu aberto) escavados pelos nazca.

Dessa maneira, foi possível extrair a água do lençol freático sob os terrenos desérticos.

O sistema capta a água por filtração e a conduz por trechos subterrâneos e descobertos até ser armazenada em um reservatório de onde é posteriormente distribuída para lavouras. — Foto: BBC
O sistema capta a água por filtração e a conduz por trechos subterrâneos e descobertos até ser armazenada em um reservatório de onde é posteriormente distribuída para lavouras. — Foto: BBC

O sistema capta a água por filtração e a conduz por trechos subterrâneos e descobertos até ser armazenada em um reservatório de onde é posteriormente distribuída para lavouras.

Os canais têm uma extensão de mais de 9,5 km e conseguem irrigar mais de 3 mil hectares de terra (o equivalente a cerca de 4,2 mil campos de futebol).

Alberto Martorell, chefe da Diretoria Descentralizada de Cultura de Ica, destaca que eles "foram feitos com a água de infiltração e neve dos Andes, que passava pelo subsolo e, dali, era captada pelos aquedutos de uma área onde não há água na superfície durante a maior parte do ano.

Quem estuda a cultura de Nazca também a admira por seu conhecimento de astronomia e matemática. Os canais são mais um exemplo da sabedoria deste mundo antigo e misterioso.

As linhas e geoglifos de Nazca são obras de uma cultura admirada por seu conhecimento de matemática e astronomia — Foto: MARTIN BERNETTI
As linhas e geoglifos de Nazca são obras de uma cultura admirada por seu conhecimento de matemática e astronomia — Foto: MARTIN BERNETTI

Martorell indica, no entanto, que, embora a rede tivesse basicamente a finalidade de irrigação, "a proximidade de algumas nascentes com outras sugere que elas também tinham um uso cerimonial".

Porque são importantes?

A cultura nazca é uma das ricas civilizações pré-hispânicas, cujo legado enche de orgulho muitos peruanos.

Os historiadores concordam que seu desenvolvimento desempenhou um papel fundamental na evolução humana no território do Peru.

A maioria dos especialistas considera os aquedutos de Nazca uma das criações mais originais desta cultura e uma das mais decisivas para seu desenvolvimento.

No deserto onde se localizava a cultura nazca, não há água na superfície na maior parte do ano — Foto: GETTY IMAGES
No deserto onde se localizava a cultura nazca, não há água na superfície na maior parte do ano — Foto: GETTY IMAGES

O arqueólogo Abdul Yalli destaca queé um sistema hidráulico único no mundo andino.

Por isso, é protegido pelo Estado peruano como Bem Cultural da Nação desde 2006, e a Unesco colabora com os esforços de conservação.

A continuidade de seu uso o converteu em uma questão vital para os habitantes da região, além de seu valor histórico e cultural.

Os aquedutos melhor preservados ainda estão em operação, mas outros não foram conservados da mesma maneira.

Yalli explica que alguns aquedutos estão abandonados e alguns até desapareceram devido à expansão urbana de Ica.

Yalli foi um dos responsáveis ​​pelo projeto de reabilitação dos aquedutos de Ocongalla e Cantalloc. Em Ocongalla, foram removidos 500 metros de matagal e erguidos 120 metros de muros.

Começaram os trabalhos de restauração do aqueduto Ocongalla — Foto: DIVULGAÇÃO
Começaram os trabalhos de restauração do aqueduto Ocongalla — Foto: DIVULGAÇÃO

O objetivo é continuar a médio prazo os trabalhos com outros aquedutos e criar um centro de interpretação arqueológica em Ocongalla que ajude a aprofundar o aprendizado do uso racional da água.

Para Cogorno, que se dedica à recuperação do legado da cultura nazca, "as linhas e aquedutos formam uma obra espetacular e, por isso, é um local sagrado, onde se sente o valor de milhares de anos de história e que vale a pena preservar.

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quinta-feira, 2 de março de 2023

Técnica moderna descobre corredor na Grande Pirâmide de Gizé que pode ser entrada para áreas não descobertas

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Segundo os pesquisadores, o corredor inacabado tem nove metros de comprimento.
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Por g1

Postado em 02 de março de 2023 às 08h10m

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Turistas andam de carroça em frente ao planalto das Grandes Pirâmides em Gizé, no Egito, em imagem de dezembro de 2022. — Foto: REUTERS/Amr Abdallah Dalsh/Imagem de Arquivo
Turistas andam de carroça em frente ao planalto das Grandes Pirâmides em Gizé, no Egito, em imagem de dezembro de 2022. — Foto: REUTERS/Amr Abdallah Dalsh/Imagem de Arquivo

Autoridades de antiguidades egípcias anunciaram nesta quinta-feira (2) a descoberta de um corredor oculto de nove metros de comprimento atrás da entrada principal da Grande Pirâmide de Gizé que, segundo eles, pode ser a porta de entrada para novas descobertas.

A descoberta foi feita no âmbito do projeto Scan Pyramids, que desde 2015 usa aparelhos modernos de tecnologia, incluindo scaners e uma espécie de endoscópio para espiar dentro da pirâmide, a última das Sete Maravilhas do Mundo Antigo ainda de pé.

Um corredor escondido dentro da Grande Pirâmide de Gizé foi descoberto por pesquisas do projeto Scan Pyramids, do Ministério de Turismo Egípcio de Antiguidades. — Foto: Reprodução/Reuters
Um corredor escondido dentro da Grande Pirâmide de Gizé foi descoberto por pesquisas do projeto Scan Pyramids, do Ministério de Turismo Egípcio de Antiguidades. — Foto: Reprodução/Reuters

Uma das possibilidades para explicar a construção do corredor inacabado é que ele provavelmente foi aberto para aliviar o peso da pirâmide na entrada principal, sete metros abaixo, ou em outra câmara ou espaço ainda não descoberto, disse Mostafa Waziri, chefe do Conselho Supremo de Antiguidades do Egito, conforme informou a agência de notícias Reuters.

De acordo com Christian Grosse, professor da "Technical University of Munich" e um dos líderes do projeto, várias técnicas de varredura digital foram usadas para localizar o espaço, incluindo medições de ultrassom e radares de penetração no solo.

Ele espera que essas técnicas levem a novas descobertas dentro da pirâmide.

"Existem dois grandes blocos de calcário no final da câmara, e agora a questão é o que está por trás dessas pedras e abaixo da câmara", disse Grosse. 
A Grande Pirâmide

A Grande Pirâmide foi construída como uma tumba monumental por volta de 2.560 aC, durante o reinado do faraó Khufu, ou Quéops.

Ela tem uma altura de 146 metros, a estrutura mais alta construída pela humanidade até a Torre Eiffel ser erguida em Paris em 1889.

Atualmente é consenso que ela teve uma função funerária e que abrigou os corpos dos faraós Quéops, Quéfren e Miquerinos.

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PIB do Brasil avança 2,9% em 2022, mesmo com 4º trimestre de queda

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Na parcela final do ano, atividade econômica registrou queda de 0,2%, marcando a desaceleração gradual da economia ao longo do ano.
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Por Raphael Martins, g1

Postado em 02 de março de 2023 às 09h30m

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Setor de serviços — que engloba bares, restaurantes, hotelaria, salões de beleza e outras atividades do tipo — turbinaram o PIB brasileiro em 2022 — Foto: Fábio Tito/g1
Setor de serviços — que engloba bares, restaurantes, hotelaria, salões de beleza e outras atividades do tipo — turbinaram o PIB brasileiro em 2022 — Foto: Fábio Tito/g1

O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 2,9% no ano de 2022, divulgou nesta quinta-feira (2) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A atividade teve grande impulso do setor de serviços, o principal da economia brasileira, que acelerou principalmente no primeiro semestre. Estímulos fiscais dados à economia impulsionaram os números, junto com o chamado efeito reabertura, em que o retorno a bares, restaurantes, salões de beleza, turismo e outras atividades provocou um aumento expressivo do consumo.

No segundo semestre, porém, os dois fenômenos perderam força e causaram uma desaceleração gradual da economia.

Resultado foi uma queda de 0,2% no 4º trimestre do ano, interrompendo uma sequência de cinco trimestres positivos. Ainda assim, em relação ao 4º trimestre de 2021, a atividade teve um avanço de 1,9% em 2022.

Em 2021, o PIB brasileiro havia crescido 5%, também na esteira da retomada econômica depois dos impactos da pandemia de Covid-19.

Principais destaques do PIB em 2022:

  • Serviços: 4,2%
  • Indústria: 1,6%
  • Agropecuária: -1,7%
  • Consumo das famílias: 4,3%
  • Consumo do governo: 1,5%
  • Investimentos: 0,9%
  • Exportações: 5,5%
  • Importação: 0,8%
Destaque para serviços

Em valores correntes, o PIB brasileiro totalizou R$ 9,9 trilhões em 2022, com taxa de investimento de 18,8%. O PIB per capita teve alta real de 2,2% ante o ano anterior e alcançou R$ 46.154,60 em 2022.

Como esperado, o setor de serviços foi destaque absoluto pela ótica da oferta, com alta de 4,2% no ano. Em valores correntes, foram R$ 5,8 trilhões no ano.

Segundo os dados do IBGE, todas as atividades de serviços tiveram crescimento neste ano:

  • Outras atividades de serviços: 11,1%;
  • Transporte, armazenagem e correio: 8,4%;
  • Informação e comunicação: 5,4%;
  • Atividades imobiliárias: 2,5%;
  • Administração, defesa, saúde e educação públicas e seguridade sociais: 1,5%;
  • Comércio: 0,8%;
  • Atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados: 0,4%.

Desses 2,9% de crescimento em 2022, os Serviços foram responsáveis por 2,4 pontos percentuais. Além de ser o setor de maior peso, foi o que mais cresceu, o que demonstra como foi alta a sua contribuição na economia no ano, analisa Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE.

Juntos, os serviços e a indústria representam cerca de 90% do PIB brasileiro.

Indústria avança pouco, agropecuária cai

A indústria teve, mais uma vez, resultados mistos, em que parte dos setores se beneficiou do ciclo econômico enquanto outras penaram para conseguir resultados.

Para o IBGE, o destaque positivo veio do setor de Eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos, que subiu 10,1% no ano, o que possibilitou bandeiras tarifárias mais favoráveis ao longo de 2022. Em seguida, bom resultado também par ao setor de Construção, que teve alta de 6,9%.

O crescimento dessa atividade está muito relacionado à recuperação em relação à crise hídrica de 2021. Além do crescimento da economia, houve o desligamento das térmicas, diminuindo os custos de produção, o que contribui para o aumento do valor adicionado da atividade, diz Rebeca Palis, do IBGE.

Ademais, a atividade de Construção, com alta de 6,9%, corroborada pelo aumento na sua ocupação, foi influenciada pelo ano eleitoral, que sempre apresenta uma maior quantidade de obras públicas.

Na outra ponta, as Indústrias de Transformação (-0,3%) e as Indústrias Extrativas (-1,7%) tiveram perdas por conta de quedas produtivas na metalurgia, produção de metal, de madeira, borra e plástico, e também na extração de minério de ferro.

Já a queda de 1,7% da agropecuária acontece depois de redução da produção da Agricultura. Pecuária e Pesca tiveram crescimento, mas não conseguiram reverter o resultado negativo.

A soja, principal produto da lavoura brasileira, com estimativa de queda de produção de 11,4%, foi quem mais puxou o resultado da Agropecuária para baixo no ano, sendo impactada por efeitos climáticos adversos, diz Palis. 
Consumo das famílias em destaque

Pela ótica da demanda, o Consumo das famílias foi o grande motor da economia, com alta de 4,3% no ano. Esse foi mais um número alavancado pelo efeito reabertura, após a liberação das atividades impactadas pela pandemia de Covid-19.

É importante dividir a demanda interna do setor externo, pois dos 2,9% do crescimento, 2 p.p. foram da demanda interna principalmente do consumo das famílias, e 0,9 p.p. da demanda externa, que também subiu, já que as nossas exportações cresceram mais do que as importações, afirma Rebeca Palis.

Segundo a economista Juliana Trece, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), cerca de 80% de crescimento de consumo em 2022 pode ser explicado pelo consumo de serviços.

Destaques ainda para o consumo de alojamento e alimentação que representaram em torno de 30% do consumo total no ano.

Perspectivas

Depois de cinco trimestres de altas puxadas pela retomada do setor de serviços, o resultado do 4º trimestre de 2022 mostra que os aumentos da taxa básica de juros, a Selic, feitos pelo Banco Central desde 2021 começam, enfim, a trazer consequências mais fortes para a economia.

Além dos sinais de uma desaceleração da atividade, economistas ainda esperam efeitos à frente no mercado de trabalho e na concessão de crédito — e a expectativa é que esses efeitos continuem a repercutir no PIB até o final do ano que vem.

O cenário é uma junção de um quadro de juros elevados, inflação ainda expressiva e de um maior endividamento das famílias. A projeção dos economistas para 2023 é que o PIB tenha um crescimento de apenas 0,84%, segundo o último relatório Focus do Banco Central.

Para os especialistas ouvidos pelo g1, a tendência é que a atividade tenha um crescimento mais contido neste ano, influenciada não apenas pelo ambiente doméstico, mas também pelo cenário internacional, cujas projeções também são de desaceleração.

PIB DO TERCEIRO TRIMESTRE DE 2022

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