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quarta-feira, 22 de junho de 2022

Médicos recomendam: dormir é um ótimo remédio

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A Academia Americana de Medicina do Sono lançou campanha mostrando que descansar é indispensável para a saúde. Confira dez dicas que vão te ajudar!
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Por Mariza Tavares — Rio de Janeiro

Postado em 22 de junho de 2022 às 09h15m

 #.*Post. - N.\ 10.375*.#

No começo do mês, a Academia Americana de Medicina do Sono lançou uma campanha para conscientizar os norte-americanos sobre a importância de dormir para garantir uma boa saúde. De acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC na sigla em inglês), um em cada três adultos daquele país descansa menos de sete horas por noite.Sabemos que a privação crônica do sono está associada a um quadro de prejuízo para o estado geral de qualquer indivíduo, diminuindo sua imunidade e aumentando o risco do surgimento de inúmeras doenças. Não dormir também interfere na regulação do humor e na saúde mental, afirmou Jennifer Martin, professora na faculdade de medicina da UCLA (Universidade da Califórnia, Los Angeles).

Carneirinhos fora da cartilha da higiene do sono:  não leve aparelhos eletrônicos, como celulares e tablets, para o quarto  — Foto:  Pixabay
Carneirinhos fora da cartilha da higiene do sono: não leve aparelhos eletrônicos, como celulares e tablets, para o quarto — Foto: Pixabay

Se você sofre de insônia, não está só. A atriz Jennifer Aniston, a inesquecível Rachel de Friends, recentemente veio a público para falar que o problema a acompanha há décadas, mas que demorou para procurar um médico: me dei conta de que estava letárgica, comendo mal, sem vontade de me exercitar e com grandes olheiras. A Coreia do Sul é um dos países com os maiores índices de privação de sono do mundo, com efeitos devastadores sobre sua população. Segundo reportagem da BBC, o vício em remédios para capotar se tornou uma epidemia nacional.

Estudo da Universidade de Northwestern mostra que, quando dormimos, a exposição à luz, mesmo moderada, prejudica a função cardiovascular e aumenta a resistência à insulina. Os resultados indicam que apenas uma noite com o quarto moderadamente iluminado é capaz de alterar a regulação cardiovascular e da glicose no organismo, explicou Phyllis Zee, chefe do departamento de medicina do sono na instituição. A investigação provou que os batimentos cardíacos aumentavam e os indivíduos apresentavam resistência à insulina pela manhã. Os participantes não tinham conhecimento das alterações que ocorriam à noite, mas os pesquisadores comprovaram os distúrbios. É como se esse sono fosse leve e fragmentado, disse a doutora Daniela Grimaldi, uma das autoras do trabalho.

Seguem dez recomendações dos especialistas em higiene do sono:

  1. Exercite-se durante o dia, mas não nas duas horas que antecedem a ida para a cama.
  2. Não tire sonecas durante o dia.
  3. À noite, evite cafeína e álcool. Refeições pesadas e excesso de líquidos também atrapalham.
  4. Crie uma rotina para desacelerar à noite. Tome um banho morno, ouça música relaxante, leia um livro.
  5. Diminua a temperatura do quarto.
  6. Não deixe luzes acesas no cômodo. Cerre as cortinas, instale blackouts e use uma máscara para dormir se precisar.
  7. Nada de aparelhos eletrônicos, como celulares e tablets, perto da cama. Assista à TV apenas na sala.
  8. Invista no conforto: um bom colchão e travesseiro (s) fazem toda a diferença.
  9. Visualize coisas ou lugares que te façam feliz.
  10. Utilize o método de relaxamento criado pelo médico Andrew Weil conhecido como 4-7-8 (neste vídeo, ele próprio ensina como fazer). Siga o passo a passo, mas não se preocupe se não conseguir segui-lo à risca: vá no seu ritmo!
  • Coloque sua língua delicadamente atrás dos seus dentes superiores
  • Solte todo o ar pela boca
  • Em seguida, inspire pelo nariz, num total de 4 segundos
  • Segure a respiração durante 7 segundos
  • Expire pela boca durante 8 segundos, fazendo um som como shuuuu, até que todo o ar tenha sido expelido
  • Repita o processo quatro vezes
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terça-feira, 21 de junho de 2022

Rocha atinge Júpiter com força de 2 milhões de toneladas de TNT e provoca maior clarão já visto desde 1994

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Explosão pode ter sido semelhante a um dos maiores impactos de meteoritos da história recente da Terra, afirmam cientistas. Pesquisa ainda não foi revisada por pares.
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Por Roberto Peixoto, g1

Postado em 21 de junho de 2022 às 17h00m

 #.*Post. - N.\ 10.374*.#

Corpo celeste atingiu Júpiter em outubro de 2021.  — Foto: Arimatsu et al/Kyoto University/PONCOTS
Corpo celeste atingiu Júpiter em outubro de 2021. — Foto: Arimatsu et al/Kyoto University/PONCOTS

Uma rocha espacial atingiu a "superfície" gasosa de Júpiter em outubro do ano passado e o impacto dessa colisão, que pode ter sido a maior em 28 anos, foi tão forte que observadores aqui da Terra conseguiram capturar o fenômeno.

De acordo com os cientistas que fizeram o registro, astrônomos e astrofísicos da Universidade de Kyoto, no Japão, essa explosão foi equivalente a 2 milhões de toneladas de TNT e provocou o maior clarão explosivo já capturado no gigante gasoso desde 1994, quando o cometa Shoemaker-Levy 9 atingiu o planeta com uma força de mais de 300 milhões de bombas atômicas, provocando segundo a Nasa "cicatrizes" escuras e aneladas que acabaram sendo apagadas pelos ventos de Júpiter.

Já esse novo flagra foi feito pela Câmera de Observação Planetária para Pesquisas de Transiente Óptico (PONCOTS), um projeto colaborativo de observação astronômica dedicado especificamente ao monitoramento desses clarões em Júpiter.

O estudo, que ainda não foi revisado por pares, também descreve que a rocha tinha uma massa de cerca de 4,1 milhões de kg e entre 15 a 30 metros de diâmetro, o suficiente para liberar uma energia de impacto equivalente ao meteorito Tunguska, que atingiu a Terra em 1908, mais especificamente na província russa da Síberia, e que é considerado "o maior impacto cósmico testemunhado" pela humanidade moderna.

"Essa detecção indica que eventos de impacto semelhantes a Tunguska em Júpiter ocorrem aproximadamente uma vez por ano, duas a três ordens de magnitude mais frequentes que os impactos terrestres", disseram os pesquisadores no artigo.

Detalhe mostra região do clarão. — Foto: Arimatsu et al/Kyoto University/PONCOTS
Detalhe mostra região do clarão. — Foto: Arimatsu et al/Kyoto University/PONCOTS

Ainda de acordo com os autores da publicação, estudar como esses fenômenos acontecem em Júpiter é importante porque oferece uma oportunidade para a ciência melhor compreender as consequências de possíveis impactos semelhantes aqui na superfície terrestre.

"Como esses impactos ocorrem apenas uma vez a cada 102 - 103 anos na Terra, suas características de emissão são desconhecidas", pontuaram.

Segundo a agência espacial norte-americana, o impacto do Tunguska foi tão forte que uma onda de choque sísmica chegou a ser registrada na Inglaterra.

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segunda-feira, 20 de junho de 2022

Quanto tempo já passou desde o Big Bang e como isso é medido

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As estimativas têm uma margem de erro de 200 milhões de anos. Mas essa imprecisão está sendo reduzida graças a cronômetros cósmicos cada vez mais precisos.
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TOPO
Por Ruth Lazkoz, BBC

Postado em 20 de junho de 2022 às 12h50m

 #.*Post. - N.\ 10.373*.#

Impressão artística da espaçonave Planck da Agência Espacial Europeia, cuja principal missão é estudar a radiação cósmica de fundo em micro-ondas (CMB), relacionada ao Big Bang — Foto: ESA via BBC
Impressão artística da espaçonave Planck da Agência Espacial Europeia, cuja principal missão é estudar a radiação cósmica de fundo em micro-ondas (CMB), relacionada ao Big Bang — Foto: ESA via BBC

O universo não tem vergonha de revelar sua idade. Existem inúmeros caminhos que nos permitem descobrir quanto tempo se passou desde o Big Bang até os dias de hoje.

Estima-se que, de lá para cá, se passaram 13,4 bilhões de anos, com uma margem de erro de 200 milhões de anos.

Um intervalo de incerteza que abrange centenas de milhões de anos não é pouca coisa. No entanto, essa imprecisão está diminuindo, graças aos cronômetros cósmicos cada vez mais precisos.

Para conhecer a idade exata do universo, nos aproveitamos do fato de ele estar em expansão, algo que sabemos há quase um século.

Essa expansão produz fenômenos com números gigantescos. Por exemplo: um objeto próximo da nossa galáxia, o buraco negro Sagitário A*, está se afastando a 80.000 km/s de um de seus primos distantes, o OJ287.

Isso acontece basicamente com quase todos os buracos negros do universo. Eles estão se afastando uns dos outros na mesma velocidade que suas galáxias hospedeiras.

No entanto, a confiança nos resultados científicos depende da repetição dos experimentos. E isso é algo que o universo não permite.

A galáxia GN-z11 (em destaque, à direita) é o objeto mais distante já detectado pelos astrônomos e existia quando o universo tinha apenas 400 milhões de anos. A imagem é do Telescópio Espacial Hubble — Foto: Nasa
A galáxia GN-z11 (em destaque, à direita) é o objeto mais distante já detectado pelos astrônomos e existia quando o universo tinha apenas 400 milhões de anos. A imagem é do Telescópio Espacial Hubble — Foto: Nasa

Como medir o tempo desde o Big Bang

Para compensar essa impossibilidade de repetir os experimentos, comparamos diferentes fontes de dados. Desta forma, conseguimos ajustar bem nossos cronômetros cósmicos.

Mas, afinal, como podemos medir o tempo decorrido desde o Big Bang?

Nossos dados fundamentais são o fator Hubble. Trata-se de uma quantidade de dados que representa o crescimento percentual médio do universo ao longo do tempo. Vamos imaginar que podemos medir esse crescimento em si e também a que taxa ele ocorreu. Combinando os dois fatores, obtemos o tempo decorrido nessa evolução. Ou seja, temos um cronômetro cósmico em mãos.

Mas vamos colocar essa explicação em termos do cotidiano. Um produto cosmético revolucionário promete deixar os cílios de uma pessoa duas vezes mais longos em apenas 60 dias. Seguindo essa lógica, se aplicarmos a substância e repararmos que nossos cílios cresceram 50%, isso significa que um mês terá se passado desde o início da aplicação, correto?

A resposta, porém, pode não ser tão simples assim. Se não colocarmos o produto diariamente de forma constante, a taxa de crescimento dos cílios vai desacelerar. Deduzimos assim que o tempo de medição com base na mudança de tamanho pode levar a erros.

Precisamos saber bem o que aconteceu no dia a dia para entender essa transformação. Isso é o que chamamos de controlar o experimento. Mas será que esse também é um método ruim para medir a idade do universo?

Quando o universo era mais jovem que a Terra

Em 1947, o físico George Gamow usou os dados do fator Hubble para estimar a idade do universo em 2,5 bilhões de anos. Pouco depois, os geólogos dataram a idade da Terra em 4,5 bilhões. Como o universo poderia ser mais jovem que o nosso planeta?

Obviamente, a estimativa da idade do universo estava errada. O problema era que não se entendia bem como fazer esse cálculo. Mas sabia-se que a expansão normalmente diminui a densidade dos componentes do universo. E, de acordo com a natureza de cada um deles, esse processo acontece em taxas diferentes.

Nas primeiras eras do universo, a radiação dominou. Como a radiação se dissipa muito rapidamente, ela foi substituída por matéria escura, já que a densidade desse composto diminui mais lentamente.

Tudo isso segue o que está descrito nas equações de Einstein. A natureza da radiação e da matéria escura faz com que o universo desacelere. Isso significa que, embora nessas etapas também houvesse expansão, o ritmo foi ficando cada vez menor.

Mas essa noção colidiu com as evidências encontradas em outros experimentos. Neles, a taxa de expansão do universo estava aumentando.

O anel de matéria escura modelado computacionalmente nesta imagem abrange cerca de cinco milhões de anos-luz e foi sobreposto digitalmente à imagem ao fundo, em azul difuso. Essa formação aconteceu quando duas galáxias colidiram — Foto: NASA, ESA, MJ JEE Y H. FORD ET AL. (JOHNS HOPKINS)
O anel de matéria escura modelado computacionalmente nesta imagem abrange cerca de cinco milhões de anos-luz e foi sobreposto digitalmente à imagem ao fundo, em azul difuso. Essa formação aconteceu quando duas galáxias colidiram — Foto: NASA, ESA, MJ JEE Y H. FORD ET AL. (JOHNS HOPKINS)

A chegada da energia escura

Havia um novo componente reivindicando proeminência nesse processo: a energia escura.

Por uma dessas coincidências mágicas, os efeitos dos diferentes estágios do universo são compensados. Em outras palavras, o atraso original na taxa de expansão foi compensado pela aceleração atual. Portanto, é sensato adivinhar a idade do universo diretamente através do fator Hubble.

Reiteramos que neste tipo de trabalho é necessário medir aumentos de escala em nada menos que o próprio universo. Para fazer isso, aproveitamos o fato de que a expansão amplia o comprimento de ondas eletromagnéticas que nos chegam das estrelas.

O efeito correspondente é o chamado redshift. Isso é feito, por exemplo, em espectroscopia usando extensos catálogos com padrões de intensidades e comprimentos de onda. Dessa forma, são identificados objetos praticamente idênticos entre si, mas diferentes quando se leva em conta as profundidades do universo.

É importante ter em mente que, quanto mais distantes esses objetos estiverem comparativamente, a luz deles terá sofrido mais alongamento. Por exemplo, a luz vermelha que chega até nós da galáxia mais distante conhecida, a GN-z11, é ultravioleta.

A base dos cronômetros cósmicos

Ao calcular o desvio da luz vermelha de uma galáxia distante, estimamos a expansão que ocorreu desde o momento em que cada raio de luz foi emitido. Então, o cálculo é repetido com uma galáxia idêntica e os resultados são comparados.

O próximo passo é calcular a média dessa diferença de expansão no intervalo de tempo correspondente. E essa janela temporária precisamente será a diferença no tempo de viagem da luz, dependendo se ela vem de uma galáxia ou de outra. Isso equivale a obter a diferença entre as idades das galáxias.

Assim, forja-se uma técnica que está emergindo com força: os cronômetros cósmicos. Com essa ideia brilhante, com perdão do trocadilho, espera-se poder arbitrar a disputa sobre os valores do fator Hubble entre as medições do universo local e do universo profundo.

Esses avanços vão ampliar nossa ambição para enfrentar o maior quebra-cabeça de todos. Como o universo se formou? Por ora, não sabemos — Foto: NASA/JPL-CALTECH/ESA/CXC/STSCI
Esses avanços vão ampliar nossa ambição para enfrentar o maior quebra-cabeça de todos. Como o universo se formou? Por ora, não sabemos — Foto: NASA/JPL-CALTECH/ESA/CXC/STSCI

Um atalho para saber a idade de cada estrela

Como as galáxias têm centenas de bilhões de estrelas, é precisa ter um pouco de cuidado.

Para obter as idades das galáxias e das estrelas, deve-se usar uma média demográfica geral. E fazemos isso não porque queremos, mas porque não podemos fazer de outra maneira. É muito difícil determinar a idade de cada estrela de forma individual.

Felizmente, um truque providencial facilita essa tarefa. Ele consiste em usar com sucesso um sinal muito específico de mudança na intensidade da luz emitida a 4.000 angstroms [uma unidade de medida de comprimento]. A técnica depende da presença de metais que aquecem a galáxia e permite arredondar os resultados obtidos por meio dos cronômetros cósmicos.

De fato, não estimamos apenas o fator Hubble atual dessa maneira, mas isso também serve para épocas anteriores. Combinando esse conhecimento com a cosmologia relativista, refinamos nossa compreensão da energia escura. E a roda continua girando e nos dando respostas sobre os componentes do universo.

Atualmente, temos apenas um número modesto dos tais cronômetros cósmicos. Mesmo assim, eles são extremamente precisos. No entanto, há grandes esperanças de ampliar esses resultados em missões futuras.

Isso permitiria construir um catálogo poderoso e informativo. Os experimentos promissores a que me refiro são o EUCLID e o Nancy Roman, missões lançadas pela Agência Espacial Europeia e a Nasa, respectivamente.

Sem dúvida, elas vão melhorar as perspectivas dos cronômetros cósmicos para se posicionarem como peças-chave que conseguirão medir não apenas o fator Hubble, mas também a evolução do próprio universo.

Esses avanços vão ampliar nossa ganância para enfrentar o maior quebra-cabeça de todos: como o universo foi formado? Por ora, não sabemos. Mas podemos reafirmar o que o físico James Clerk Maxwell disse: "A ignorância totalmente consciente é um prelúdio para qualquer avanço real no conhecimento."

*Este artigo foi publicado originalmente no The Conversation. Você pode ler a versão original aqui.

Ruth Lazkoz é professora de Física Teórica na Universidade do País Basco - Euskal Herriko Unibertsitate.

'Este texto foi originalmente publicado em https://www.bbc.com/portuguese/curiosidades-61810473

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domingo, 19 de junho de 2022

Por que há uma 'febre do ouro' dos combustíveis fósseis no mundo, apesar das mudanças climáticas

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Niklas Höhne, especialista do NewClimate Institute, comenta relatório que avalia o impacto da guerra na Ucrânia no combate às mudanças climáticas.
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TOPO
Por BBC, Ángel Bermúdez

Postado em 19 de junho de 2022 às 15h40m

 #.*Post. - N.\ 10.372*.#

Gás natural liquefeito pode ser transportado em navio - e é uma das alternativas usadas pelos países europeus para substituir o gás russo — Foto: BBC/GETTY IMAGES
Gás natural liquefeito pode ser transportado em navio - e é uma das alternativas usadas pelos países europeus para substituir o gás russo — Foto: BBC/GETTY IMAGES

Alguns dos compromissos firmados por quase duzentos líderes durante a última Cúpula do Clima — a COP26, realizada em novembro de 2021 em Glasgow, na Escócia — para combater as mudanças climáticas estão em risco diante da guerra na Ucrânia.

Entre elas estão a atualização até 2022 das metas de redução de emissões de gases de efeito estufa e a eliminação gradual dos subsídios que reduzem artificialmente o custo de combustíveis fósseis como carvão, petróleo e gás natural.

Um relatório publicado na última semana sobre o impacto do conflito causado pela invasão russa ao território ucraniano no combate às mudanças climáticas aponta a existência de uma espécie de "febre do ouro" global para a construção de infraestruturas de produção, transporte e processamento de combustíveis fósseis, em especial gás natural liquefeito (GNL).

O documento foi elaborado pelo Climate Action Tracker (CAT, na sigla em inglês), projeto independente que monitora as ações dos governos para enfrentar as mudanças climáticas e as contextualiza com o objetivo estabelecido pelo acordo de Paris de "manter o aquecimento bem abaixo de 2°C e fazer esforços para limitar o aquecimento a 1,5°C".

O relatório destaca, por exemplo, os planos de construção de novas usinas de GNL na Alemanha, na Itália, na Grécia e na Holanda, enquanto países como Estados Unidos, Canadá, Catar, Egito e Argélia planejam aumentar suas exportações do combustível.

Em paralelo, muitos países produtores de combustíveis fósseis incrementaram a produção e governos em mais de uma dezena de países desenvolvidos estão reduzindo impostos sobre o consumo de combustível ou de energia, incentivando, assim, o consumo.

A ideia de aumentar o consumo de combustíveis fósseis para responder à atual crise energética foi questionada na terça-feira (14/6) pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, que argumentou que investir recursos em carvão, petróleo ou gás para enfrentar as consequências da guerra na Ucrânia é "ilusório".

A BBC News Mundo (serviço em língua espanhola da BBC) conversou com Niklas Höhne, especialista do NewClimate Institute, organização sem fins lucrativos com sede em Berlim que é parte do consórcio que elabora o CAT, sobre os achados do estudo e sobre as necessidades que existem hoje no contexto do combate às mudanças climáticas.

BBC News Mundo - O Climate Action Tracker elaborou um estudo sobre a resposta global à guerra da Ucrânia na perspectiva do combate às mudanças climáticas. Quais as conclusões?

Niklas Höhne - No momento há governos que estão tratando de fazer as coisas de maneira diferente por causa da crise energética. Têm que responder à atual situação em que não podem seguir importando combustíveis fósseis da Rússia.

E eles podem fazer duas coisas: tentar obter combustível de outro lugar ou trabalhar para aumentar a eficiência e aproveitar melhor a energia renovável.

Infelizmente, descobrimos que a maioria dos países está passando por uma espécie de "febre do ouro" em busca de novas infraestruturas em torno dos combustíveis fósseis, novos gasodutos de gás natural liquefeito (GNL), novos portos de GNL e novos campos de óleo e gás.

Isso é muito contraproducente para a política de combate à mudança climática porque, uma vez construída essa infraestrutura, ela será usada por várias décadas e nos prenderá a um futuro com muito carbono.

BBC News Mundo - Por que as novas infraestruturas seriam usadas por várias décadas?

Höhne - A questão sobre as novas infraestruturas é que é caro construir um gasoduto, por exemplo, e isso significa que, uma vez que você o constrói, os investidores vão querer usá-lo por décadas.

O problema é que queremos reduzir o consumo de gás para zero globalmente até meados do século — e se agora construirmos uma nova infraestrutura, essa redução será muito difícil. Esses investimentos nos vincularão a altas emissões de gases de efeito estufa ou acabarão como ativos ociosos.

Para importar GNL, os países precisam de terminais portuários construídos especificamente para este fim — Foto: BBC/GETTY IMAGES
Para importar GNL, os países precisam de terminais portuários construídos especificamente para este fim — Foto: BBC/GETTY IMAGES

BBC News Mundo - O senhor se mostra preocupado com a construção dessas novas infraestruturas. Mas de que outras maneiras os governos estão trabalhando contra as metas climáticas em meio à crise atual?

Höhne - O principal problema é a infraestrutura, mas há outra questão - quase todos os governos que avaliamos têm acenado aos consumidores com reduções de impostos sobre combustíveis fósseis. Isso não é uma boa ideia.

Entendo que os governos queiram ajudar os consumidores e a indústria, mas devem apoiar apenas aqueles que realmente necessitam, mais para a população pobre ou para a indústria que está realmente em perigo.

Mas o que estão fazendo é reduzir os impostos sobre os combustíveis fósseis [de maneira ampla], reduzindo assim os custos para todos os cidadãos e empresas petrolíferas, mesmo aqueles que podem pagar e que podem abandonar os combustíveis fósseis. Isso também não é uma boa ideia.

BBC News Mundo - Mas no contexto atual, em que a inflação e os preços da energia estão tão altos, quais são as alternativas para os governos? Muitas pessoas hoje têm dificuldade de encher o tanque para ir trabalhar. Existe alguma solução viável?

Höhne - Sim, se a ideia é compensar o aumento dos preços de energia, então deve-se compensar as famílias mais pobres, e não as mais ricas.

Alguns sugeriram uma política de compensação com base per capita, para que cada pessoa recebesse a mesma quantia. Outros dizem que é melhor passar pelo sistema tributário, para que a população pobre receba um incentivo fiscal adicional ou dinheiro extra no bolso, o que definitivamente seria possível e seria uma opção melhor.

A verdadeira solução a longo prazo, entretanto, é economizar energia e usar mais energia renovável. Economizar energia é sempre uma opção lucrativa.

Por exemplo, dirigir mais devagar, diminuir um pouco o aquecimento no inverno, restringir o acesso de carros às cidades para que as pessoas usem o transporte público. Subsidiar mais o transporte público para que as pessoas não usem carros, mas sim transporte coletivo — são muitas as opções para os governos ajudarem seus cidadãos e empresas nesta crise.

BBC News Mundo - No relatório, o senhor aponta que a maioria dos países ocidentais procurou reduzir ou parar completamente de comprar combustíveis fósseis da Rússia, e muitos anunciaram metas ambiciosas para a transição para fontes de energia renováveis, como eólica e solar. Isso não é bom para a luta contra as mudanças climáticas?

Höhne - Sim, há coisas que alguns países estão fazendo bem. Vários aumentaram suas metas para energia renovável e alguns também introduziram subsídios para o transporte público.

Tudo bem, mas estamos tão atrasados ​​na política climática e precisamos cortar as emissões tão drasticamente que não temos tempo para cometer erros.

A Agência Internacional de Energia diz que, a partir de agora, não devemos investir em nenhuma nova infraestrutura de combustíveis fósseis. E se agora vemos uma "corrida do ouro" em investimentos em infraestrutura de energia de combustíveis fósseis, isso seria um problema sério nesse sentido.

Neste momento, devemos usar o mesmo dinheiro, esforço e tempo para impulsionar a eficiência energética e energia renovável, e não expandir a infraestrutura de combustíveis fósseis.

BBC News Mundo - Mas é realmente possível aproveitar no curto prazo as fontes renováveis ​​para resolver a crise atual?

Höhne - Bom, a expansão das energias renováveis ​​não é rápida, mas a construção de um novo gasoduto ou a construção de um novo terminal de GNL também não. Na essência, é o mesmo problema.

O mais rápido é reduzir o consumo de energia — dirigindo mais devagar ou diminuindo o aquecimento. Isso seria muito rápido, mas infelizmente muitos governos não estão usando essa opção.

BBC News Mundo - O relatório do CAT não menciona a China, o maior consumidor de energia do mundo. Qual sua opinião sobre a resposta de Pequim a esta crise?

Höhne - Acho que a China tem sido um pouco menos afetada pela crise. O país tem algum comércio de energia com a Rússia, mas não é tão dependente quanto a Europa.

A China também está pensando em aumentar suas metas para energia renovável. Isso seria bom. Mas, ao mesmo tempo, tem considerado comprar petróleo e gás mais baratos da Rússia. Em condições de mercado, até poderia ser, mas por outras razões isso não seria um bom sinal.

A China é muito importante do ponto de vista climático. É responsável por um quarto das emissões globais de gases de efeito estufa, e o que acontece lá é muito importante para as emissões globais e o clima do planeta.

BBC News Mundo - E a América Latina? Não há menção a países latino-americanos no relatório.

Höhne - Não. Atualmente, as exportações de GNL e gás estão mais concentradas na América do Norte, África e Ásia.

Mas há outra coisa positiva que vimos: alguns governos estão fazendo acordos para fornecer ou comprar hidrogênio verde. Acho que é uma nova oportunidade. Pensávamos que isso aconteceria em cinco anos ou mais, mas já está acontecendo agora. Portanto, há uma aceleração que é boa.

A América Latina tem muito potencial para energia renovável. Poderia pensar em exportar hidrogênio verde feito a partir de energia renovável e vendê-lo para a Europa ou outras regiões, e acho que seria uma boa oportunidade de negócio.

BBC News Mundo - O senhor tem outras recomendações ou soluções alternativas para esta crise?

Höhne - Tem mais uma coisa. Muitas empresas de combustíveis fósseis estão tendo lucros recordes porque os preços da energia estão altos, enquanto os custos de produção permanecem os mesmos.

Alguns governos começaram a tributar esses lucros adicionais e investir os recursos arrecadados em energias renováveis. Apenas alguns, entretanto, o fizeram — e essa poderia ser outra medida tomada pelos governos neste momento.

- Este texto foi originalmente publicado em https://www.bbc.com/portuguese/geral-61805434

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