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terça-feira, 10 de maio de 2022

Por que países não aumentam produção de petróleo para controlar preços

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Os preços do petróleo estão em alta, então por que os países exportadores de petróleo não tentam derrubá-los?
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TOPO
Por BBC

Postado em 10 de maio de 2022 às 11h00m

 #.*Post. - N.\ 10.317*.#

Rússia produz mais de 10 milhões de barris de petróleo por dia e ajuda Opep a manter preços altos — Foto: Getty Images via BBC
Rússia produz mais de 10 milhões de barris de petróleo por dia e ajuda Opep a manter preços altos — Foto: Getty Images via BBC

Os maiores exportadores de petróleo do mundo se reuniram no dia 5 de maio, em meio a apelos de todo o mundo para reduzir os preços.

Mas membros do grupo de países produtores de petróleo Opep+ - que inclui a Rússia - não estão correndo para ajudar.

Mas o que é Opep+?

A Opep+ é um grupo de 23 países exportadores de petróleo que se reúne todos os meses em Viena para decidir quanto petróleo bruto será colocado no mercado mundial.

No núcleo deste grupo estão os 13 membros da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), que são principalmente países do Oriente Médio e da África. Ele foi formado em 1960 como um cartel, com o objetivo de fixar a oferta mundial de petróleo e, por consequência, seu preço.

Atualmente, as nações que compõem a Opep produzem cerca de 30% do petróleo bruto do mundo - por volta de 28 milhões de barris por dia. O maior produtor da entidade é a Arábia Saudita - mais de 10 milhões de barris diários.

Em 2016, quando os preços do petróleo estavam particularmente baixos, a Opep uniu forças com 10 produtores que oficialmente não faziam parte do grupo para criar a Opep+.

Entre eles está a Rússia, que também produz mais de 10 milhões de barris por dia.

Juntas, essas nações são responsáveis por cerca de 40% de todo o petróleo bruto do mundo.

"A Opep+ adapta a oferta e a demanda para equilibrar o mercado", diz Kate Dourian, do Energy Institute. "Eles mantêm os preços altos ao reduzir a oferta quando a demanda por petróleo cai."

A Opep+ também poderia baixar os preços colocando mais petróleo no mercado, que é o que grandes importadores como os Estados Unidos e o Reino Unido desejam.

Como os preços do petróleo ficaram tão altos?

Na primavera de 2020, quando a covid-19 se espalhou pelo mundo e os países entraram em confinamento, o preço do petróleo caiu devido à falta de compradores.

"Os produtores estavam pagando às pessoas para tirar o óleo de suas mãos, porque não tinham espaço suficiente para armazenar tudo", diz Dourian.

Depois, os membros da Opep+ concordaram em reduzir a produção em 10 milhões de barris por dia, para aumentar o preço.

Em junho de 2021, com a demanda por petróleo começando a se recuperar, a Opep+ começou a aumentar gradualmente a oferta, colocando 400 mil barris extras por dia nos mercados mundiais. Agora, está fornecendo cerca de dois milhões e meio de barris diários a menos do que na primavera de 2020.

No entanto, quando a Rússia invadiu a Ucrânia, o preço do petróleo subiu para mais de US$ 100 o barril. Isso causou aumentos significativos no preço da gasolina nas bombas.

"Quando a Opep+ cortou a oferta em 10 milhões de barris por dia em maio de 2020, eles cortaram muito", diz David Fyfe, economista-chefe da Argus Media.

"Agora eles estão aumentando a oferta a um ritmo lento que não leva em conta os efeitos da crise entre Rússia e Ucrânia."

Há um temor entre os compradores de petróleo de que a União Europeia siga os Estados Unidos e imponha um embargo às importações de petróleo da Rússia, diz Fyfe. A Europa importa atualmente mais de dois milhões e meio de barris de petróleo da Rússia por dia.

"A ameaça de um embargo ao petróleo russo assustou os mercados", diz ele, "porque pode levar a um aperto agudo na oferta".

Por que a Opep+ não aumenta a produção de petróleo?

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, apelou repetidamente à Arábia Saudita para aumentar sua produção de petróleo, mas sem sucesso.

O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, também pediu à Arábia Saudita e aos Emirados Árabes Unidos que aumentem a produção. O pedido também foi negado.

"A Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos têm capacidade ociosa, mas se recusam a aumentar a produção por conta própria", diz Kate Dourian.

"Eles não querem ser ditados pelo Ocidente. Eles estão dizendo que a lacuna entre oferta e demanda está diminuindo e que os altos preços de hoje simplesmente refletem o pânico por parte dos compradores de petróleo."

Outras nações da Opep+ estão encontrando dificuldades para aumentar sua produção de petróleo.

"Produtores como Nigéria e Angola têm subestimado suas cotas de produção em um milhão de barris por dia no ano passado", diz David Fyfe.

"O investimento caiu durante a pandemia - e as instalações de petróleo, em alguns casos, não tiveram manutenção. Agora, eles estão descobrindo que não podem realmente entregar aumentos de produção na íntegra." 
Qual é a posição da Rússia?

A Opep+ também tem que respeitar os desejos da Rússia, já que é um dos dois maiores parceiros da aliança.

"Os russos estão satisfeitos com os preços neste nível", diz Carole Nakhle, CEO da Crystol Energy.

"Eles não têm nada a ganhar em vê-los diminuir. A Opep quer manter boas relações com a Rússia, então é mais provável que continuem com o acordo do ano passado. Isso significa aumentar a oferta de petróleo muito gradualmente a partir de agora até setembro."

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segunda-feira, 9 de maio de 2022

Guedes defende redução no IPI e diz que imposto é 'contra a indústria brasileira'

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Declaração do ministro da Economia ocorre dias após o STF ter suspendido a medida do governo que reduziu a alíquota do IPI para uma série de produtos.
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Por Alexandro Martello, g1 — Brasília

Postado em 09 de maio de 2022 às 11h05m

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O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta segunda-feira (9) que o Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) é um tributo "contra a indústria brasileira".

Ele participou do lançamento do Monitor de Investimentos, plataforma digital desenvolvida em parceria entre o ministério e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) com apoio financeiro do governo britânico.

"Desindustrializamos o Brasil nos ultimo 30, 40 anos [com o IPI]. Na reforma tributária, inclusive, ele acabava, convergindo para o modelo da OCDE [Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, grupo de nações desenvolvidas que o governo fez pedido de ingresso]", afirmou o ministro durante o evento.

O IPI incide sobre os produtos industrializados. A tributação é repassada ao consumidor. O imposto possui várias alíquotas, variando, em sua maior parte, de zero a 30%, mas pode chegar a 300% no caso de produtos nocivos à saúde, como cigarros com tabaco.

O governo federal busca, com a redução do IPI, dar fôlego para a indústria e estimular a economia, que sofre com baixo crescimento, inflação e desemprego. Pelos decretos, alguns produtos tiveram redução de 25% no IPI e outros chegam a 35%.

Moraes suspende corte de IPI para produtos da Zona FrancaMoraes suspende corte de IPI para produtos da Zona Franca

Decisão do STF

A declaração do ministro da Economia vem após decisão, tomada na última sexta-feira (6), pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal Federal (STF), de suspender a redução do IPI para produtos de todo o país que também são produzidos pela Zona Franca de Manaus. A decisão do ministro é cautelar (provisória).

Moraes acolheu pedido do partido Solidariedade. A sigla argumentou que reduzir o IPI para produtos de todo o país que concorrem com o da Zona Franca reduz a vantagem dos artigos de Manaus, que já contam com desoneração. Isso, segundo o Solidariedade, afeta o desenvolvimento da região e a preservação ambiental.

O corte adicional de IPI, agora suspenso por Moraes, beneficiava empresas externas à Zona Franca de Manaus em setores que concorrem com a produção da região, como calçados, tecidos, artigos de metalurgia, aparelhos de TV e de som, armas, móveis, brinquedos e máquinas.

O governo do Amazonas também é contra os decretos de redução do IPI assinados pelo governo federal e vinha tentando costurar um acordo com o Palácio do Planalto para evitar a medida.

Reforma tributária

Em 2020, na primeira etapa da proposta de reforma tributária, o governo chegou a dizer que o IPI seria substituído por um imposto seletivo sobre cigarros e bebidas alcoólicas. A proposta, porém, ainda está sendo debatida no Congresso Nacional.

Apelidado na ocasião pelo ministro Guedes de imposto sobre o "pecado", o imposto seletivo em discussão incidiria sobre cigarros e bebidas alcoólicas, que apresentam as chamada "externalidades negativas"— ou seja, causam efeitos colaterais sobre os consumidores e, consequentemente, oneram o serviço público de saúde.

Além da redução do IPI, o ministro da Economia também defendeu, nesta segunda-feira, o que ele chamou de "programa de crescimento verde" do governo, além nossa reforma do Imposto de Renda, que passou na Câmara dos Deputados mas que segue paralisada no Senado Federal.

"Temos de reduzir os impostos sobre as empresas, que baixam no mundo e sobem no Brasil há 40 anos. A hora é agora, já aprovamos na Câmara, está travada no Senado. Podemos fazer uma versão mais enxuta, tributando super ricos e baixando tributo sobre as empresas. A ideia era baixar [o IR das empresas] de 34% para 26% no primeiro momento", afirmou.

Investimentos

Sobre investimentos, tema da palestra, Guedes afirmou que o modelo baseado em investimentos públicos acabou, pois levou à corrupção na política e à estagnação na economia.

Ele voltou a defender um modelo baseado em investimentos privados, impulsionado por concessões, privatizações e mudanças dos chamados marcos regulatórios (lei e normas).

Com a regra do teto de gastos, que limita o crescimento da maior parte das despesas à inflação do ano anterior, os investimentos públicos vêm sendo limitados nos últimos anos. Em 2021, atingiram o menor nível em 17 anos.

"Já temos contratados R$ 860 bilhões em compromissos de investimentos em concessões, privatizações. Com as reformas de marcos regulatórios, saneamento, gás natural, telecom 5G, o Brasil se transformou na maior fronteira de investimentos do mundo, na hora em que o mundo pede para investimentos em segurança alimentar e energético", declarou.

Segundo ele, em um momento que o mundo concentra esforços na busca por segurança alimentar e energética, em meio às tensões da guerra na Ucrânia, o Brasil "está dizendo que está aberto a esses investimentos". Para o ministro, o monitor de investimentos que está sendo lançado nesta segunda-feira ajudará a contabilizar os investimentos do setor privado na economia.

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domingo, 8 de maio de 2022

Guia para carreira em TI: profissões, salários, por onde começar e como se desenvolver em tecnologia

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Com falta mão de obra, a área conta com remuneração alta e dá oportunidades mesmo para quem tem pouca experiência. Não à toa a rotatividade é grande e setor atrai até quem tem outras profissões.
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Por Tiago Alcântara, Luciana de Oliveira, Victor Hugo Silva, Vivian Souza e Paola Patriarca, g1

Postado em 08 de maio de 2022 às 10h00m

 #.*Post. - N.\ 10.315*.#

Com falta mão de obra, a área de TI oferece salários altos e oportunidades para quem tem pouca experiência — Foto: hisIsEngineering no Pexels
Com falta mão de obra, a área de TI oferece salários altos e oportunidades para quem tem pouca experiência — Foto: hisIsEngineering no Pexels

Enquanto quase 12 milhões de brasileiros estão desempregados, segundo dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), um setor apresenta uma situação bem diferente: falta mão de obra.

Na tecnologia da informação, chamada de TI, existe muito mais demanda do que gente que pode suprir. E olha que em 2021 foram gerados quase 200 mil empregos na área, segundo a associação das empresas de tecnologia, a Brasscom. Veja abaixo as áreas que mais vão gerar emprego em TI.

A pandemia acelerou um movimento que já crescia: com tanta gente em casa, mais do que nunca se recorreu à tecnologia para tudo. Entre as empresas, quem ainda não era digital teve que correr para ser.

E por trás de cada ferramenta acessada, de cada aplicativo que faz chegar comida, remédio, transporte, comprovante de vacinação, que faz pagamentos e que mantém as conversas em dia existem muitos profissionais de TI. Mas não o tanto que o mercado precisa.

A Brasscom estima que o Brasil forme 53 mil pessoas em cursos de perfil tecnológico por ano. Só que, nesse período, o mercado requer, em média, 159 mil profissionais. Ou seja: a conta não fecha.

Os principais efeitos disso são:

  1. aumento nos salários de quem já é especialista na área. A remuneração em tecnologia (incluindo benefícios) é pelo menos 2,5 vezes maior do que a média salarial brasileira, segundo a Brasscom. As posições mais altas no guia de salários deste ano da consultoria de recrutamento Robert Half beiram os R$ 50 mil.
  2. oportunidades para quem tem pouca experiência. A busca por profissionais juniores, com no máximo dois anos de carreira, cresceu mais de 170% no 1º semestre de 2021, frente ao mesmo período do ano anterior, aponta a plataforma GeekHunter. Segundo a Robert Half, a faixa salarial para essas posições pode variar de R$ 3.000 a R$ 9.000, dependendo da carreira.

Não à toa muitos profissionais costumam trocar rápido de emprego, como se sempre existisse algo melhor ali ao lado: e muitas vezes tem mesmo.

Para você não perder oportunidades, o g1 ouviu dezenas de profissionais da área, especialistas em recrutamento e professores para montar um superguia para quem quer entrar na TI:

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Só Brasil e Turquia têm inflação, juros e desemprego de dois dígitos entre as grandes economias

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Último registro desta 'tríplice coroa' negativa no país tinha sido durante a recessão de 2016. Além de impactar a renda e o consumo, situação rara compromete o ritmo de recuperação da economia, que segue com projeções de crescimento bem abaixo da média mundial e dos emergentes. 
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Por Darlan Alvarenga, g1

Postado em 08 de maio de 2022 às 11h35m

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 Brasil é um caso raro de país com taxas de dois dígitos de inflação, juros e desemprego. — Foto: Aloisio Mauricio/Fotoarena/Estadão Conteúdo
Brasil é um caso raro de país com taxas de dois dígitos de inflação, juros e desemprego. — Foto: Aloisio Mauricio/Fotoarena/Estadão Conteúdo

O Brasil é um caso raro de país com taxas de dois dígitos de inflação, juros e desemprego. Entre as grandes economias do mundo, apenas a Turquia vive tal situação, aponta levantamento feito para o g1 pela agência de classificação de risco Austin Rating.

A Argentina e Rússia também estão no topo dos rankings das maiores taxas de inflação e de juros básicos do mundo, mas mantêm um desemprego abaixo de dois dígitos. Já a África do Sul e a Espanha possuem desemprego superior ao do Brasil, mas inflação e juros bem menores.

O levantamento reúne os dados mais atualizados de 23 países, que representam 81,4% do PIB global, além das taxas da zona do euro.

Veja abaixo os rankings:

Rankings de juros, desemprego e inflação — Foto: Arte g1
Rankings de juros, desemprego e inflação — Foto: Arte g1

No Brasil, taxas de dois dígitos nos 3 indicadores não eram registradas desde a recessão de 2016. Considerando os dados oficiais desde 2012, quando começou a série atual da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad), essa tríplice coroa' só ocorreu em 4 meses, segundo a Austin.

Veja o quadro abaixo:

"Essas 4 ocasiões foram as únicas vezes que houve 2 dígitos nos três indicadores. Agora neste ano que passou a ser recorrente", afirma o economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, autor do levantamento. 
Inflação

Já são 8 meses seguidos com a inflação anual acima dois dígitos o Brasil, segundo mostrou a prévia da inflação de abril divulgada pelo IBGE. A Selic superou os 10% em fevereiro e foi elevada na última quarta-feira (4) para 12,75% ao ano – maior patamar desde 2017. Já a taxa de desemprego ficou em 11,1% no 1º trimestre e se mantém em dois dígitos desde o final de 2015.


O que explica essa 'tríplice coroa'

Mais do que indicar uma situação econômica bastante ruim no Brasil, a conjunção de taxas de dois dígitos de inflação, juros e desemprego escancara os efeitos das sucessivas crises dos últimos anos e dos problemas estruturais da economia brasileira, que há anos vem registrando baixo crescimento.

Temos no Brasil um problema tão crônico, tão estrutural, que a relação dessas variáveis sai do padrão técnico-econômico", afirma Agostini, destacando que a inflação e o desemprego costumam ter uma relação inversa. Ou seja, quando um aumenta, o outro diminui.

O economista explica que, embora a inflação tenha se tornado um problema global, puxada principalmente pela disparada dos preços da energia e de commodities, em países como os Estados Unidos ela também tem sido alimentada pela situação de praticamente pleno emprego.

"Nos Estados Unidos, há renda para absorver a alta da inflação. Então é natural que se tenha um juro também maior. Já no Brasil, a gente não tem um mercado de trabalho para absorver essa inflação alta e o juros tem que subir para combater essa inflação de custos", observa.

Para Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados, essa tríplice coroa também é resultado da instabilidade política, da crise fiscal e da falta de avanço na agenda de reformas. Já são oito anos seguidos de contas do governo federal no vermelho.

Estamos pagando o preço de anos de descaso em relação a uma boa política econômica e também de uma boa política. Temos feito algumas reformas, mas reformas que são insistentemente burladas. Para um país emergente que depende de investimento e da entrada de capital, a incerteza e essa polarização política é a pior coisa que poderia ter", afirma Vale.

Ele lembra que, em 2016, a aprovação de reformas e de medidas de ajuste fiscal como a criação do teto de gastos foram fatores que contribuíram para a queda do dólar frente ao real e para a inflação desacelerar abaixo dos dois dígitos.

Vale explica que o alto nível de endividamento do setor público é um dos fatores que tem mantido o dólar em patamar elevado no Brasil e obrigado a uma elevação da taxa básica de juros mais acelerada e acentuada no Brasil, que retomou a liderança do ranking mundial de juros reais.

"Dado que a política fiscal entrou no modo eleição, a gente depende quase que exclusivamente do Banco Central para controlar a inflação. O juro está subindo com muito mais intensidade agora muito por conta disso", afirma o economista, citando a decisão do governo de mudar a regra do teto de gastos e o pacote de "bondades" quem vem sendo adotado pelo presidente Jair Bolsonaro em busca da reeleição.

"São medidas que podem parecer que são positivos no curto prazo, como redução de imposto, mas que tem um custo enorme lá na frente. É um preço alto que a gente já está pagando e vai pagar ainda mais nos próximos anos", acrescenta.

"O Brasil tem uma inflação persistente", diz o economista André Perfeito
"O Brasil tem uma inflação persistente", diz o economista André Perfeito

Inflação persistente, juros ainda ladeira acima e estagnação

Apesar da perspectiva de desaceleração da inflação a partir dos próximos meses, as projeções para o IPCA fechado no ano seguem sendo revisadas para cima e o próprio Banco Central já admitiu que a meta de inflação deve superar pelo 2º ano seguido o teto da meta do governo, que tinha sido fixada em 3,5% para 2022.

O Itaú revisou nesta sexta-feira (6) sua projeção para o IPCA de 2022, de 7,5% para 8,5%, citando preços administrados como gasolina e energia elétrica mais elevados e desinflação mais lenta de bens no segundo semestre. A estimativa do banco para a Selic é de 13,75% ao ano, com uma extensão do ciclo de alta dos juros por mais dois meses. Já para a taxa de desemprego a previsão é de 12% ao final deste ano.

"Para a Austin, porém, ainda há risco do Brasil terminar o ano com taxa de dois dígitos de inflação, juros e desemprego". Os juros vão permanecer nesse nível por um bom tempo e a inflação até o final do ano corre o risco de ficar em dois dígitos", afirma Agostini.

Os analistas destacam, porém, que a pior consequência desta combinação é o impacto direto no emprego e renda, e no ritmo de recuperação da economia brasileira.

"Estamos numa estagnação agora, mas o Brasil pode até entrar numa recessão também, alerta o economista da Austin, que não descarta eventuais retrações no PIB ao longo do ano, assim como ocorreu nos EUA no 1º trimestre.

O mercado financeiro estima atualmente um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 0,70% em 2022 e de 1% em 2023. O FMI faz uma projeção um pouco melhor, de avanço de 0,80% neste ano e de 1,4% no ano que vem. Ainda assim, a perspectiva para o Brasil segue bem abaixo da da média mundial e dos emergentes.

A Turquia, por exemplo, que está com uma inflação perto de 70% ao ano, tem previsão de crescimento do PIB de 2,7% em 2022 e de 3% em 2023.

"Essa situação de tríplice coroa, com inflação, juros e desemprego de dois dígitos, é um cenário que para desmontar vai ter um elevado custo econômico, que é justamente crescimento baixo de forma mais estrutural e mais longo prazo, e com a consequência de manter a taxa de desemprego alta por mais tempo", diz Vale.

Valdo Cruz: Com inflação e juros altos, Bolsonaro volta a apontar culpadosValdo Cruz: Com inflação e juros altos, Bolsonaro volta a apontar culpados
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quinta-feira, 5 de maio de 2022

20% da Bacia Amazônica estão impactados por atividades como mineração, diz estudo

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A maior bacia hidrográfica do Brasil e do mundo está em perigo. Segundo a Rede Ambiental Mídia, o avanço dos garimpos ilegais tem aumentado a degradação e o risco de conflitos.
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Por Jornal Hoje

Postado em 05 de maio de 2022 às 17h35m

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Estudo mostra impactos na maior bacia hidrográfica do BrasilEstudo mostra impactos na maior bacia hidrográfica do Brasil

Um estudo da Rede Ambiental Mídia, formada por cientistas e jornalistas, revelou, a partir de dados públicos, que 20% da Bacia Amazônica, a maior bacia hidrográfica do Brasil e do mundo, já estão altamente impactados por atividades como a mineração e a geração de energia hidrelétrica. O Jornal Hoje mostrou os detalhes.

Das mais de onze mil microbacias da região, 20% sofrem impactos considerados altos, muito altos ou extremos. Os rios mais ameaçados são o Xingu, Tapajós, Tocantins e Madeira. Segundo a pesquisa, quase todos os rios com impactos de alto risco são afetados pela agropecuária.

A hidrelétrica, a mineração e o garimpo geram alterações muito drásticas na água, né? Mudam completamente todo o fluxo, todo o curso de um rio, que é completamente alterado por essas atividades, então elas tiveram um peso maior no nosso cálculo do índice. Já a agropecuária, embora ela seja uma alteração mais entre aspas ''sutil'' aos cursos d'água, ela ocupa uma área muito maior, explica Cecilia Gontijo Leal, pesquisadora da USP/Projeto Aquazônia.

O estudo também alerta que as regiões mais críticas da Bacia Amazônica são aquelas que sofrem impactos de mais de uma atividade ao mesmo tempo. 21% dos rios pesquisados estão nessa situação, em que os riscos ao meio ambiente e às comunidades tradicionais podem ser muito mais graves.

Rio Xingu, no Parque Nacional do Xingu — Foto: Secom-MT
Rio Xingu, no Parque Nacional do Xingu — Foto: Secom-MT

O levantamento também mostra a importância das terras indígenas na proteção dos rios. Em mais de 80% desses territórios, o impacto sobre as bacias foi considerado médio ou baixo. Mesmo assim, o avanço dos garimpos ilegais tem aumentado a degradação e o risco de conflitos.

Uma das regiões mais atingidas é a terra indígena Kayapó, no Sul do Pará.

Estão impactando o rio, os peixes, toda a nossa forma de alimentação, toda nossa forma também de existência, porque no meu povo, em outros povos também, o rio ele faz parte da nossa cultura, diz Maial Kayapó, liderança indígena.

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