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terça-feira, 11 de janeiro de 2022

Presidente do Turcomenistão ordena o fechamento de 'Porta do inferno' .

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Cratera arde há mais de 50 anos. Área é rica em petróleo e gás natural e se tornou ponto turístico. Mandatário afirma que as chamas são responsáveis por problemas ambientais e representam risco à saúde da população local.
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Por g1

Postado em 11 de janeiro de 2022 às 09h35m

Post.- N.\ 10.159

Cratera de fogo atrai turistas a deserto do Turcomenistão — Foto: Igor Sasin/AFP
Cratera de fogo atrai turistas a deserto do Turcomenistão — Foto: Igor Sasin/AFP

O presidente do Turcomenistão, Gurbanguly Berdymukhamedov, disse no fim de semana que pretende por fim à famosa cratera de gás natural que queima no país há décadas.

"A cratera afeta negativamente o meio ambiente e a saúde das pessoas que vivem nas proximidades", disse Berdymukhamedov em um pronunciamento televisionado no sábado (8).

Chamado "Porta do inferno", o local é um tradicional destino turístico com 70 metros de diâmetros e chamas que se veem de longe na paisagem desértica.

Cratera pode ser vista de longe, principalmente durante a noite — Foto: Igor Sasin/AFP
Cratera pode ser vista de longe, principalmente durante a noite — Foto: Igor Sasin/AFP

O presidente turcomeno levantou questões ambientais e econômicas para sua decisão de pôr fim ao fogo e pediu ao governo para que se encontrem maneiras seguras de apagar o incêndio.

"Estamos perdendo recursos naturais valiosos, pelos quais poderíamos obter lucros significativos e usá-los para melhorar o bem-estar do nosso povo", defendeu o mandatário.

A área tem uma quantidade significativa de petróleo e gás natural. E o "incêndio" começou quando geólogos da ex-União Soviética perfuravam a região, em 1971, para obter gás. O chão sob a plataforma cedeu e abriu o buraco.

Buraco apareceu em 1971 após ação de geólogos da antiga União Soviética que colocaram fogo nos gases — Foto: Igor Sasin/AFP
Buraco apareceu em 1971 após ação de geólogos da antiga União Soviética que colocaram fogo nos gases — Foto: Igor Sasin/AFP

O poço de fogo foi o resultado de um erro de cálculo simples por cientistas soviéticos, em 1971. Os geólogos perfuraram uma caverna subterrânea para obter gás.

Temendo que a cratera emitisse gases venenosos, os cientistas tomaram a decisão de colocar fogo, pensando que o gás iria queimar rapidamente. Mas as chamas não acabaram em mais de 50 anos, em um símbolo poderoso das vastas reservas de gás do Turcomenistão. Enquanto isso, visitantes viajam até lá para conferir o fenômeno de perto.

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sábado, 8 de janeiro de 2022

Telescópio James Webb, da Nasa, assume forma final no espaço; primeiras imagens devem chegar em 5 meses

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Anúncio foi feito neste sábado (8) pela agência espacial americana.
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Por Lara Pinheiro, g1

Postado em 08 de janeiro de 2022 às 14h00m

Post.- N.\ 10.158

A previsão é de que o James Webb chegue ao seu destino final, a cerca de 1,5 milhão de quilômetros da Terra, daqui a duas semanas. Astrônomos esperam olhar para trás no tempo (veja detalhes mais abaixo) até 100 milhões de anos após o Big Bang.

O telescópio ainda será alinhado e calibrado. Só daqui a 5 meses a agência deverá receber as primeiras imagens imagens dele, segundo anunciou na rede social Twitter:

Na publicação, é possível ouvir um áudio anunciando a implantação dos espelhos do telescópio, e, ao lado, imagens dos cientistas da Nasa comemorando:

Cientistas da Nasa comemoram implantação dos espelhos do telescópio James Webb, que assumiu sua forma final no espaço neste sábado (8). — Foto: Reprodução/Twitter Nasa
Cientistas da Nasa comemoram implantação dos espelhos do telescópio James Webb, que assumiu sua forma final no espaço neste sábado (8). — Foto: Reprodução/Twitter Nasa

O James Webb é tão grande que teve que ser dobrado para caber no foguete que o lançou. A operação mais arriscada ocorreu no início desta semana, quando o protetor contra a radiação solar, do tamanho de uma quadra de tênis, se abriu, fornecendo sombra abaixo de zero para o espelho e os detectores infravermelhos.

Cientistas da Nasa comemoram implantação dos espelhos do telescópio James Webb, que assumiu sua forma final no espaço neste sábado (8). — Foto: Bill Ingalls/Nasa via AP
Cientistas da Nasa comemoram implantação dos espelhos do telescópio James Webb, que assumiu sua forma final no espaço neste sábado (8). — Foto: Bill Ingalls/Nasa via AP

Controladores de voo em Baltimore, no estado americano de Maryland, começaram então a abrir o espelho primário na sexta (7), desdobrando o lado esquerdo como uma mesa suspensa.

O espelho primário é feito de berílio, um metal leve, porém robusto e resistente ao frio, noticiou a agência de notícias americana Associated Press. Cada um de seus 18 segmentos é revestido com uma camada ultrafina de ouro, altamente reflexiva da luz infravermelha:

O espelho de 18 segmentos do Telescópio Espacial James Webb vai capturar a luz infravermelha de algumas das primeiras galáxias que se formaram. — Foto: Reprodução/Twitter Nasa
O espelho de 18 segmentos do Telescópio Espacial James Webb vai capturar a luz infravermelha de algumas das primeiras galáxias que se formaram. — Foto: Reprodução/Twitter Nasa

Os segmentos hexagonais do espelho, do tamanho de uma mesa de centro, devem ser ajustados nas próximas semanas, "para que possam se concentrar em estrelas, galáxias e mundos alienígenas que podem conter sinais atmosféricos de vida", disse a AP.

O que é o James Webb?

O James Webb é o novo telescópio espacial da Nasa (JWST, na sigla em inglês: James Webb Space Telescope). Ele é, basicamente, um grande observatório espacial que consegue enxergar objetos – como estrelas, galáxias e exoplanetas – super distantes no espaço.

Sua massa é de 6,5 toneladas. Ele custou US$ 10 bilhões (cerca de R$ 56,4 bilhões).

Ele vai permitir aos astrônomos, literalmente, enxergar coisas no Universo que eles não conseguiam ver antes – como as primeiras galáxias que surgiram nele.

Telescópio James Webb, da Nasa. — Foto: Reprodução/Twitter Nasa Webb Telescope
Telescópio James Webb, da Nasa. — Foto: Reprodução/Twitter Nasa Webb Telescope

Isso é possível por dois motivos: o primeiro é que o James Webb é muito grande: seu espelho primário tem 6,5m de diâmetro (quase 3 vezes maior que o do telescópio Hubble, seu antecessor).

O segundo é que ele consegue enxergar em infravermelho. O Hubble só enxergava uma faixa limitada desse comprimento de onda.

Como a luz infravermelha tem um comprimento de onda mais longo que os outros, o James Webb vai conseguir olhar mais para trás no tempo – e enxergar as primeiras galáxias que se formaram no início do Universo.

É como olhar para o passado.

James Webb sendo lançado ao espaço em 25 de dezembro. — Foto: Reprodução
James Webb sendo lançado ao espaço em 25 de dezembro. — Foto: Reprodução

"Quanto mais longe [está a galáxia], mais no passado. É um efeito meio maluco de relatividade, mas você pode pensar assim: quando a gente está vendo uma coisa muito distante, está vendo uma coisa que aconteceu há muito tempo atrás – há bilhões de anos – e simplesmente levou muito tempo para a luz chegaàr até aqui", explica o astrônomo Thiago Signorini Gonçalves, do Observatório do Valongo, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Nas palavras da própria Nasa, o telescópio vai "alterar de forma fundamental o nosso entendimento sobre o universo".

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quarta-feira, 5 de janeiro de 2022

Robô Curiosity, da Nasa, chega a área de Marte batizada de Roraima

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Área do planeta vermelho é semelhante ao Monte Roraima, situado na fronteira entre o Brasil, Venezuela e Guiana, por isso leva o nome do estado de Roraima. Imagem foi divulgada nesta terça-feira (4) nas redes sociais do robô.
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Por Yara Ramalho, g1 RR — Boa Vista

Postado em 05 de janeiro de 2022 às 19h40m

Post.- N.\ 10.157

Área em Marte é semelhante ao Monte Roraima. — Foto: NASA/JPL-Caltech/MSSS
Área em Marte é semelhante ao Monte Roraima. — Foto: NASA/JPL-Caltech/MSSS

O robô Curiosity, da Nasa, a agência espacial norte-americana, chegou nesta quarta-feira (5) a um quadrante de Marte que tem o nome de Roraima. O Curiosity também é conhecido como Laboratório de Ciência de Marte (MSL, na sigla em inglês) e está em solo marciano desde 2012.

A região chamada de Roraima em Marte ganhou esse nome porque a área se assemelha ao Monte Roraima, situado na fronteira entre o Brasil, Venezuela e Guiana.

Ao chegar no espaço, o robô publicou no Twitter uma foto em preto e branco do quadrante de mapeamento. Dessa vez, o Curiosity deve seguir em direção a uma passagem estreia delimitada por "algumas mesas planas", conforme a agência espacial.

"Ano novo, nova vista. Cheguei a um quadrante de mapeamento chamado de Roraima. Tem o nome do estado mais setentrional do Brasil e do Monte Roraima. O terreno na região de Roraima na Terra é semelhante a esta área em Marte - colinas de topo plano e algumas encostas íngremes", publicou nas redes.

Área do planeta é semelhante ao Monte Roraima, na fronteira entre o Brasil, Venezuela e Guiana.  — Foto:  NASA/JPL-Caltech/MSSS/Evilene Paixão e Roberto Mebs
Área do planeta é semelhante ao Monte Roraima, na fronteira entre o Brasil, Venezuela e Guiana. — Foto: NASA/JPL-Caltech/MSSS/Evilene Paixão e Roberto Mebs

O Monte Roraima, na Terra, tem 2,8 mil metros de altura e é considerado uma das 50 maravilhas do mundo, conforme o guia Lonely Planet. Por conta das belezas naturais, o Monte também já foi cenário de filmes de animação como "UP - Alta Aventuras" da Disney/Pixar, em 2009.

O local faz parte de um conjunto de montanhas chamadas tepuis, formações em forma de mesa que parecem levantar do solo. Essas montanhas estão entre as mais antigas formações geológicas do planeta. Estima-se que tenham até dois bilhões de anos –para efeito de comparação, a separação dos continentes teve início há cerca de 200 milhões de anos.

Para chegar ao ponto turístico, é necessário fechar um pacote turístico feito por agências brasileiras ou venezuelanas, pois, apesar de também estar no Brasil, o acesso ao Monte Roraima é feito pelo lado venezuelano.

Ainda de acordo com a Nasa, da área chamada de Roraima é possível ver "o quadrante de Torridon e ver as 'terras altas escocesas' de Marte com a bela vista anexa do entalhe Maria Gordon". Além da borda da cratera de Gale na parte central de Marte à distância.

Monte Roraima fica entreo Brasil, enezuela e Guiana — Foto: Evilene Paixão e Roberto Mebs/Arquivo
Monte Roraima fica entre o Brasil, e Venezuela e Guiana — Foto: Evilene Paixão e Roberto Mebs/Arquivo

'Dias marcianos'

O Curiosity está em Marte desde 2012, em uma missão exploratória da Nasa. Desde então, os cientistas que trabalham no programa contam o tempo de estada do robô no planeta vizinho à Terra tanto usando o calendário terrestre tanto com o cálculo de "dias marcianos", que duram 25 horas.

Em 2018, o robô completou 2 mil dias caminhando na superfície de Marte. No mesmo ano, a Nasa fez uma seleção de algumas das imagens mais bonitas do planeta vermelho já enviadas pelo Curiosity.

Robô comemorou 2 mil 'dias marcianos' em 2018. — Foto: NASA/JPL-CALTECH/MSSS
Robô comemorou 2 mil 'dias marcianos' em 2018. — Foto: NASA/JPL-CALTECH/MSSS

A primeira imagem que o Curiosity produziu chegou apenas 15 minutos depois da aterrissagem em Marte, no dia 5 de agosto de 2012. O recebimento das imagens e de outros dados depende de um satélite da Nasa que sobrevoa a órbita de Marte, chamado Mars Reconnaissance Orbiter (MRO).

Um ciclo completo do MRO em torno do planeta vermelho determina um "dia marciano", chamado pelos pesquisadores de "sol".

Até 2018, o robô já havia percorrido 18,4km, desde o ponto onde pousou (batizado de Bradbury) até o cume Vera Rubin (VRR, na sigla em inglês), composta por r altas concentrações de hematita, formado por óxido de ferro.

Foto panorâmica mostra parte do caminho de 18,4 km percorrido pelo Curiosity nos últimos cinco anos — Foto: NASA/JPL-CALTECH/MSSS
Foto panorâmica mostra parte do caminho de 18,4 km percorrido pelo Curiosity nos últimos cinco anos — Foto: NASA/JPL-CALTECH/MSSS

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terça-feira, 4 de janeiro de 2022

Puxado pelos EUA, mundo registra recorde de 2,4 milhões de novos casos de Covid em 1 dia

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Estados Unidos registraram mais de 1 milhão de infectados em apenas 24 horas pela 1ª vez desde o início da pandemia. Dados são do 'Our World in Data'.
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Por Lucas Sampaio, g1

Postado em 04 de janeiro de 2022 às 08h40m

Post.- N.\ 10.156

Pessoas aguardam em fila para fazer teste de Covid-19 em Chicago, nos Estados Unidos, em local de testagem gratuito em 30 de dezembro de 2021. O estado de Illinois registrou 30.386 novos casos na quinta-feira, superando em mais de 9 mil o recorde estadual anterior. — Foto: Nam Y. Huh/AP
Pessoas aguardam em fila para fazer teste de Covid-19 em Chicago, nos Estados Unidos, em local de testagem gratuito em 30 de dezembro de 2021. O estado de Illinois registrou 30.386 novos casos na quinta-feira, superando em mais de 9 mil o recorde estadual anterior. — Foto: Nam Y. Huh/AP

O mundo registrou um recorde de 2,4 milhões de novos casos de Covid-19 nas últimas 24 horas, impulsionado pelos Estados Unidos, que pela primeira vez desde o início da pandemia registrou mais de 1 milhão de infectados em apenas 1 dia. Veja no gráfico abaixo.

Foi também a primeira vez que o mundo registrou mais de 2 milhões de novos casos (o recorde anterior havia sido registrado em 30 de dezembro de 2021, quando foram contabilizados 1,95 milhão).

O 1,08 milhão de infectados nos EUA é quase o dobro do recorde anterior (590 mil), também registrado em 30 de dezembro. Os dados são do "Our World in Data", projeto ligado à Universidade de Oxford.

Recorde de novos casos de Covid-19 nos EUA e no mundo — Foto: Arte/g1
Recorde de novos casos de Covid-19 nos EUA e no mundo — Foto: Arte/g1

Apesar da explosão no número de infectados devido à variante ômicron do novo coronavírus, que é altamente contagiosa, o número de mortes segue em queda.

Com o avanço da vacinação contra a Covid-19 pelo mundo, a média de óbitos nos últimos 7 dias caiu abaixo de 6 mil pela primeira vez desde outubro de 2020 e está abaixo inclusive da primeira onda da pandemia, em abril de 2020 (quando chegou a 7,1 mil). Veja no gráfico abaixo.

O recorde de mortes em 24 horas no mundo segue sendo de 20 de janeiro de 2021: 18.062. O dia marca também o recorde de óbitos nos EUA (4.442) e a posse do atual presidente Joe Biden. Atualmente, o país têm registrado uma média de 1,2 mil mortes por dia.


Covid-19 nos EUA

Três pessoas testam positivo para a Covid-19 a cada segundo nos Estados Unidos, com Nova York voltando a ser o epicentro da pandemia, e a explosão de novos casos já está afetando o funcionamento de empresas e órgãos públicos nos EUA (veja no vídeo abaixo).

Atualmente, um terço dos paramédicos de Nova York, 21% dos policiais e 18% dos bombeiros estão afastados com Covid-19. No metrô, duas linhas estão fechadas porque os funcionários ficaram doentes.

Aumento de casos de Covid nos EUA afeta funcionamento de empresas e órgãos públicos
Aumento de casos de Covid nos EUA afeta funcionamento de empresas e órgãos públicos

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segunda-feira, 3 de janeiro de 2022

Como as fêmeas de algumas espécies conseguem engravidar sem um macho

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Cada vez mais pesquisas científicas revelam como algumas fêmeas de diversas espécies podem se reproduzir por partenogênese - sem participação do macho.
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TOPO
Por BBC

Postado em 03 de janeiro de 2022 às 13h30m

Post.- N.\ 10.155

Uma fêmea de dragão-d'água-chinês (Physignathus cocincinus) gerou outra fêmea (à esquerda) sem a ajuda de um macho — Foto: SMITHSONIAN’S NATIONAL ZOO
Uma fêmea de dragão-d'água-chinês (Physignathus cocincinus) gerou outra fêmea (à esquerda) sem a ajuda de um macho — Foto: SMITHSONIAN’S NATIONAL ZOO

Um dragão-d'água-chinês eclodiu de um ovo no Smithsonian National Zoo, um zoológico em Washington, nos Estados Unidos, o que deixou os tratadores chocados. Por quê? A mãe do pequeno réptil nunca tinha estado com um macho antes. Por meio de testes genéticos, os cientistas do zoológico descobriram que a fêmea, nascida em 24 de agosto de 2016, havia sido gerada por meio de um modo reprodutivo chamado partenogênese.

Partenogênese é uma palavra grega que significa "nascimento virgem", mas se refere especificamente à reprodução assexuada feminina. Embora muitas pessoas possam presumir que esse tipo de gestação é assunto da ficção científica ou de textos religiosos, a partenogênese é surpreendentemente comum em toda a árvore da vida e é encontrada em uma variedade de organismos, incluindo plantas, insetos, peixes, répteis e até pássaros.

Já os mamíferos, incluindo os seres humanos, precisam de certos genes oriundos do esperma, então eles são incapazes de partenogênese.

Geração de filhotes sem esperma

A reprodução sexual envolve uma fêmea e um macho, cada um contribuindo com material genético na forma de óvulos ou esperma, para criar uma prole única. A grande maioria das espécies de animais se reproduz sexualmente, mas as fêmeas de algumas espécies são capazes de produzir ovos contendo todo o material genético necessário para a reprodução.

As fêmeas dessas espécies, que incluem algumas vespas, crustáceos e lagartos, se reproduzem apenas por partenogênese e são chamadas de partenógenos obrigatórios.

Um grande número de espécies experimenta partenogênese espontânea, processo mais bem documentado em animais mantidos em ambientes de zoológico, como o dragão-d'água-chinês no Smithsonian National Zoo ou um tubarão-de-pontas-negras-do-recife no Aquário de Virgínia, também nos Estados Unidos. Os partenógenos espontâneos geralmente se reproduzem sexualmente, mas podem ter ciclos ocasionais que produzem óvulos prontos para o desenvolvimento.

Os cientistas aprenderam que a partenogênese espontânea pode ser um traço hereditário, o que significa que as fêmeas que experimentam de repente a partenogênese podem ter mais probabilidade de ter filhotes capazes de fazer o mesmo.

Como as fêmeas podem fertilizar seus próprios ovos?

Uma pulga-da-água (Daphnia magna) carregando ovos partenogenéticos — Foto: Getty Images
Uma pulga-da-água (Daphnia magna) carregando ovos partenogenéticos — Foto: Getty Images

Para que a partenogênese aconteça, uma cadeia de eventos celulares deve ocorrer com sucesso. Primeiro, as fêmeas devem ser capazes de criar óvulos (oogênese) sem estimulação de espermatozoides ou acasalamento. Em segundo lugar, os ovos produzidos pelas fêmeas precisam começar a se desenvolver por conta própria, formando um embrião em estágio inicial. Finalmente, os ovos devem chocar com sucesso.

Cada etapa desse processo pode falhar facilmente, em sua maioria na etapa dois, que exige que os cromossomos do DNA dentro do ovo se dupliquem, garantindo um complemento de genes para a prole em desenvolvimento.

De maneira alternativa, o ovo pode ser "fertilizado artificialmente" por células remanescentes do processo de produção de ovo conhecido como corpos polares. Qualquer que seja o método que dê início ao desenvolvimento do embrião, em última análise, ele determinará o nível de similaridade genética entre a mãe e sua prole.

Os eventos que desencadeiam a partenogênese ainda não são totalmente compreendidos pela ciência, mas parecem incluir mudanças ambientais. Em espécies que são capazes de reprodução sexuada e partenogênese, como os pulgões, fatores estressantes como aglomeração e predação podem fazer com que as fêmeas mudem da partenogênese para a reprodução sexuada, mas não o contrário. Em pelo menos um tipo de plâncton de água doce, a alta salinidade parece causar a mesma mudança.

Vantagens da auto-reprodução

Embora a partenogênese espontânea pareça ser rara, ela oferece alguns benefícios para a fêmea que consegue alcançá-la. Em alguns casos, pode permitir que as fêmeas gerem seus próprios parceiros de acasalamento.

O sexo da prole partenogenética é determinado pelo mesmo método, ou seja, na própria espécie.

Para organismos onde o sexo é determinado por cromossomos, como os cromossomos XX feminino e XY masculino em alguns insetos, peixes e répteis, uma fêmea partenogenética pode produzir descendentes apenas com os cromossomos sexuais que ela tem em mãos - o que significa que ela sempre produzirá XX, descendentes femininos. Mas para organismos em que as fêmeas têm cromossomos sexuais ZW (como em cobras e pássaros), todos os descendentes vivos produzidos serão ZZ e, portanto, machos ou, muito mais raramente, WW - fêmeas.

Entre 1997 e 1999, uma serpente mantida no zoológico de Phoenix deu à luz dois filhotes machos que sobreviveram até a idade adulta. Se uma fêmea acasalasse com seu filho produzido partenogeneticamente, isso constituiria consanguinidade.

Embora a consanguinidade possa resultar em uma série de problemas genéticos, de uma perspectiva evolutiva é melhor do que não ter descendência. A capacidade das fêmeas de produzir descendentes masculinos por meio da partenogênese também sugere que a reprodução assexuada na natureza pode ser mais comum do que os cientistas jamais imaginaram.

Os biólogos observaram, por longos períodos de tempo, que as espécies que se reproduzem por partenogênese frequentemente morrem de doenças, parasitismo ou mudanças no habitat. A endogamia inerente às espécies partenogenéticas parece contribuir para curtos cronogramas evolutivos.

As pesquisas científicas atuais sobre partenogênese buscam entender por que algumas espécies são capazes de sexo e partenogênese, e se a reprodução sexuada ocasional pode ser suficiente para uma espécie sobreviver.

Mercedes Burns é professora-assistente de Ciências Biológicas na Universidade de Maryland (EUA)

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