Partenogênese é uma palavra grega que significa "nascimento virgem", mas se refere especificamente à reprodução assexuada feminina. Embora muitas pessoas possam presumir que esse tipo de gestação é assunto da ficção científica ou de textos religiosos, a partenogênese é surpreendentemente comum em toda a árvore da vida e é encontrada em uma variedade de organismos, incluindo plantas, insetos, peixes, répteis e até pássaros.
Já os mamíferos, incluindo os seres humanos, precisam de certos genes
oriundos do esperma, então eles são incapazes de partenogênese.
Geração de filhotes sem esperma
A reprodução sexual envolve uma fêmea e um macho, cada um contribuindo
com material genético na forma de óvulos ou esperma, para criar uma
prole única. A grande maioria das espécies de animais se reproduz
sexualmente, mas as fêmeas de algumas espécies são capazes de produzir
ovos contendo todo o material genético necessário para a reprodução.
As fêmeas dessas espécies, que incluem algumas vespas, crustáceos e
lagartos, se reproduzem apenas por partenogênese e são chamadas de
partenógenos obrigatórios.
Um grande número de espécies experimenta partenogênese espontânea, processo mais bem documentado em animais mantidos em ambientes de zoológico,
como o dragão-d'água-chinês no Smithsonian National Zoo ou um
tubarão-de-pontas-negras-do-recife no Aquário de Virgínia, também nos
Estados Unidos. Os partenógenos espontâneos geralmente se reproduzem
sexualmente, mas podem ter ciclos ocasionais que produzem óvulos prontos
para o desenvolvimento.
Os cientistas aprenderam que a partenogênese espontânea pode ser um
traço hereditário, o que significa que as fêmeas que experimentam de
repente a partenogênese podem ter mais probabilidade de ter filhotes
capazes de fazer o mesmo.
Como as fêmeas podem fertilizar seus próprios ovos?
Uma pulga-da-água (Daphnia magna) carregando ovos partenogenéticos — Foto: Getty Images Para que a partenogênese aconteça, uma cadeia de eventos celulares deve ocorrer com sucesso. Primeiro, as fêmeas devem ser capazes de criar óvulos (oogênese) sem
estimulação de espermatozoides ou acasalamento. Em segundo lugar, os
ovos produzidos pelas fêmeas precisam começar a se desenvolver por conta
própria, formando um embrião em estágio inicial. Finalmente, os ovos
devem chocar com sucesso.
Cada etapa desse processo pode falhar facilmente, em sua maioria na
etapa dois, que exige que os cromossomos do DNA dentro do ovo se
dupliquem, garantindo um complemento de genes para a prole em
desenvolvimento.
De maneira alternativa, o ovo pode ser "fertilizado artificialmente"
por células remanescentes do processo de produção de ovo conhecido como
corpos polares. Qualquer que seja o método que dê início ao
desenvolvimento do embrião, em última análise, ele determinará o nível
de similaridade genética entre a mãe e sua prole.
Os eventos que desencadeiam a partenogênese ainda não são totalmente
compreendidos pela ciência, mas parecem incluir mudanças ambientais. Em
espécies que são capazes de reprodução sexuada e partenogênese, como os
pulgões, fatores estressantes como aglomeração e predação podem fazer
com que as fêmeas mudem da partenogênese para a reprodução sexuada, mas
não o contrário. Em pelo menos um tipo de plâncton de água doce, a alta
salinidade parece causar a mesma mudança.
Vantagens da auto-reprodução
Embora a partenogênese espontânea pareça ser rara, ela oferece alguns
benefícios para a fêmea que consegue alcançá-la. Em alguns casos, pode
permitir que as fêmeas gerem seus próprios parceiros de acasalamento.
O sexo da prole partenogenética é determinado pelo mesmo método, ou seja, na própria espécie.
Para organismos onde o sexo é determinado por cromossomos, como os
cromossomos XX feminino e XY masculino em alguns insetos, peixes e
répteis, uma fêmea partenogenética pode produzir descendentes apenas com
os cromossomos sexuais que ela tem em mãos - o que significa que ela
sempre produzirá XX, descendentes femininos. Mas para organismos em que
as fêmeas têm cromossomos sexuais ZW (como em cobras e pássaros), todos
os descendentes vivos produzidos serão ZZ e, portanto, machos ou, muito
mais raramente, WW - fêmeas.
Entre 1997 e 1999, uma serpente mantida no zoológico de Phoenix deu à
luz dois filhotes machos que sobreviveram até a idade adulta. Se uma
fêmea acasalasse com seu filho produzido partenogeneticamente, isso
constituiria consanguinidade.
Embora a consanguinidade possa resultar em uma série de problemas
genéticos, de uma perspectiva evolutiva é melhor do que não ter
descendência. A capacidade das fêmeas de produzir descendentes
masculinos por meio da partenogênese também sugere que a reprodução
assexuada na natureza pode ser mais comum do que os cientistas jamais
imaginaram.
Os biólogos observaram, por longos períodos de tempo, que as espécies
que se reproduzem por partenogênese frequentemente morrem de doenças,
parasitismo ou mudanças no habitat. A endogamia inerente às espécies
partenogenéticas parece contribuir para curtos cronogramas evolutivos.
As pesquisas científicas atuais sobre partenogênese buscam entender por
que algumas espécies são capazes de sexo e partenogênese, e se a
reprodução sexuada ocasional pode ser suficiente para uma espécie
sobreviver.
* Mercedes Burns é professora-assistente de Ciências Biológicas na Universidade de Maryland (EUA)
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