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terça-feira, 5 de outubro de 2021

Três estudos mostram que maioria de casos graves e mortes por Covid é de pessoas sem vacinação completa

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Em São Paulo, quase nove a cada dez pessoas que precisaram ser hospitalizadas não tinham completado a vacinação. Já o número de óbitos pela doença foi quase 15 vezes maior entre os não imunizados.
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Por Jornal Nacional

Postado em 05 de outubro de 2021 às 23h40m


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Três estudos mostram que maioria de casos graves e mortes por Covid é de pessoas sem vacinação completa
Três estudos mostram que maioria de casos graves e mortes por Covid é de pessoas sem vacinação completa

Três estudos realizados em diferentes estados brasileiros concluíram que a maioria esmagadora de casos graves e de mortes por Covid é de pessoas sem a vacinação completa.

A eficácia das vacinas já se comprova do lado de fora dos hospitais, onde está a maior parte da população vacinada. Um estudo inédito do Instituto de Infectologia Emílio Ribas acompanhou pacientes internados por complicações de Covid no estado de São Paulo. De janeiro a 15 de setembro deste ano, foram 1.172 internações. Quase nove em cada dez que precisaram de hospital não tinham completado a vacinação. Já o número de óbitos pela doença foi quase 15 vezes maior entre os não imunizados.

Chama muito a atenção o número muito importante de internações confirmadas por Covid em indivíduos ainda não vacinados, destaca Ana Freitas Ribeiro, médica do Instituto Emílio Ribas.

Olhando de perto o perfil dos vacinados que precisaram de internação, 83% tinham doenças pré-existentes. Ainda assim, menos da metade precisou de UTI.

É muito bom para que aquelas pessoas que ainda tenham dúvidas em tomar sua vacina ou que estejam com seu calendário atrasado - tomou primeira, falta segunda, falta reforço - que procurem as unidades de saúde e faça sua vacinação, diz Ana Freitas Ribeiro.

Um outro estudo da Fiocruz, de Mato Grosso do Sul, faz coro. A partir de dados nacionais, os pesquisadores traçaram o perfil de pacientes que não sobreviveram à Covid entre 1° e 26 de setembro. Na população até 59 anos, só 12% dos que morreram tinham completado o esquema de vacinação. Na mesma faixa etária, os não totalmente vacinados somaram 85% do total de mortos.

A gente tem uma população grande de pessoas que, infelizmente, vieram a óbito com apenas uma dose da vacina. Então, é importante reforçar que a proteção máxima é com 14 dias pós a segunda dose de vacina, ressalta Júlio Croda, médico infectologista da Fundação Oswaldo Cruz.

No mundo todo, o surgimento de novas variantes do coronavírus trouxe preocupações. No Brasil, os dados mostram que, mesmo diante da delta, que tem maior capacidade de transmissão, o número de mortes está caindo, e que as vítimas fatais são principalmente pessoas que não completaram o esquema de vacinação.

A Universidade Federal de Minas Gerais olhou de perto a evolução da doença em infectados por diferentes variantes internados no estado. Entre os pacientes que não sobreviveram, 67% não estavam vacinados; 22% tinham apenas uma dose ou menos de 15 dias da segunda; e apenas 11% completaram o esquema de vacinação contra a Covid.

"A gente tem que pensar que toda vez que um vírus encontra uma barreira, que é uma pessoa vacinada, diminui sua chance de transmissão. Então, quanto maior número de pessoas que estiverem vacinadas, menor vai ser a circulação do vírus na nossa população, e muito mais fácil de a gente controlar a pandemia de Covid-19, explica o virologista da UFMG Renato Santana.

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Pesquisadores identificam pela primeira vez pegadas de dinossauros no RN; veja imagens

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Vestígios foram encontrados na Fazenda dos Pingos, próximo ao município de Assu. Segundo UFRN, pesquisa comprova presença dos dinossauros no estado há 120 milhões de anos.
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Por g1 RN

Postado em 05 de outubro de 2021 às 17h00m


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Pegadas de dinossauros foram identificadas pela primeira vez no Rio Grande do Norte RN  — Foto: Divulgação/UFRN
Pegadas de dinossauros foram identificadas pela primeira vez no Rio Grande do Norte RN — Foto: Divulgação/UFRN

Pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e de outras duas instituições identificaram pela primeira vez pegadas de dinossauros no Rio Grande do Norte.

Os vestígios são de duas espécies diferentes: um saurópode, com cerca de 9 a 12 metros de altura, e um ornitópode, com cerca de 8 metros de comprimento.

As pegadas foram encontradas num local chamado de Fazenda dos Pingos, localizado na Formação Açu da Bacia Potiguar, próximo à cidade de Assu, cerca de 200 quilômetros distante da capital Natal.

De acordo com os pesquisadores, os dinossauros habitaram o estado há cerca de 120 milhões de anos, no período chamado de Cretáceo.

Pegadas de dinossauros foram identificadas pela primeira vez no Rio Grande do Norte RN  — Foto: Divulgação/UFRN
Pegadas de dinossauros foram identificadas pela primeira vez no Rio Grande do Norte RN — Foto: Divulgação/UFRN

As duas espécies identificadas eram herbívoras, ou seja, se alimentavam apenas de folhas. Os saurópodes são os famosos dinossauros pescoçudos, segundo os pesquisadores. Já os ornitópodes tinham como características as patas que lembram as de aves.

De acordo com a UFRN, embora não tenham sido localizados ainda fósseis de dinossauros no Rio Grande do Norte, as pegadas descritas pelos pesquisadores comprovam, de forma definitiva, que os dinossauros estiveram em solo potiguar.

Fósseis de dinossauros já chegaram a ser identificados na Bacia Potiguar, mas essa formação geológica abrange também uma parte do Ceará e as descobertas ocorreram no lado cearense da bacia.

Pegadas de dinossauros foram identificadas pela primeira vez no Rio Grande do Norte RN  — Foto: Divulgação/UFRN
Pegadas de dinossauros foram identificadas pela primeira vez no Rio Grande do Norte RN — Foto: Divulgação/UFRN

O processo de descoberta e identificação foi publicado no último dia 27 de setembro em artigo na edição especial em homenagem a Diógenes de Almeida Campos do periódico Anais da Academia Brasileira de Ciências.

O trabalho é assinado por um trio de pesquisadores: a professora Maria de Fátima C. F. dos Santos, do Museu Câmara Cascudo da UFRN, ex-diretora da instituição e hoje aposentada; Fernando Henrique S. Barbosa, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ); e por Giuseppe Leonardi, do Instituto Cavanis (Veneza, Itália), uma das maiores referências mundiais na identificação de pegadas de dinossauros.

Reconstrução artística dos produtores de vestígios, mostrando o provável ambiente de vida dos animais — Foto: Divulgação/Arte/Guilherme Gehr
Reconstrução artística dos produtores de vestígios, mostrando o provável ambiente de vida dos animais — Foto: Divulgação/Arte/Guilherme Gehr

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Mudanças climáticas estão 'escurecendo' a Terra, aponta estudo

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Cientistas do Instituto de Tecnologia de Nova Jersey, nos EUA, apontam que o planeta está refletindo cerca de meio watt a menos de luz por metro quadrado do que há 20 anos, o equivalente a uma redução de 0,5% no brilho refletido.
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Por g1

Postado em 05 de outubro de 2021 às 16h25m


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Terra está brilhando menos, mostra estudo americano. — Foto: ESA/NASA
Terra está brilhando menos, mostra estudo americano. — Foto: ESA/NASA

Um estudo publicado na revista Geophysical Research Letters mostra que a Terra já não é tão brilhante quanto antes e que ela tem escurecido em um ritmo perceptível nos últimos anos devido às mudanças climáticas.

Os cientistas do Instituto de Tecnologia de Nova Jersey, nos Estados Unidos, autores do estudo publicado no final de agosto, medem há 20 anos o brilho da Terra, fenômeno em que parte da luz emitida pelo Sol é refletida pelo planeta de volta ao espaço. Nos últimos três anos, eles perceberam que a reflectância da Terra começou a diminuir consideravelmente.

O estudo aponta que o planeta está refletindo cerca de meio watt a menos de luz por metro quadrado do que há 20 anos, o equivalente a uma redução de 0,5% no brilho refletido.

O problema é que, apesar de estar refletindo uma quantidade menor de luz do sol, a Terra está recebendo uma maior quantidade dessa radiação.

"A Terra está recebendo mais calor porque a luz refletida está sendo reduzida, então tem mais luz do sol entrando", explica Philip Goode, pesquisador do Instituto de Tecnologia de Nova Jersey e principal autor do estudo.

A diminuição do brilho da Terra pode estar ocorrendo, segundo o estudo, por causa de uma diminuição na cobertura de nuvens, já que a luz do sol é refletida de volta para o espaço quando encontra uma camada de nuvens. Com isso, quando há uma diminuição na cobertura de nuvens, é permitida a entrada de mais luz solar no planeta.

A maior diminuição na cobertura de nuvens ocorreu nas costas oeste das Américas do Norte e do Sul, segundo o estudo, a mesma região onde as temperaturas da superfície do mar têm aumentado devido às mudanças climáticas.

À medida que o oceano aquece e esfria em diferentes lugares, ocorrem mudanças na trajetória da corrente de jato. Essa mudança tem um impacto direto nas condições meteorológicas e no clima de longo prazo, especialmente nas costas ocidentais das Américas do Sul e do Norte, dizem os pesquisadores, sem especificar quais são as condições.

Aquecimento dos oceanos é maior do que se pensava
Aquecimento dos oceanos é maior do que se pensava

Brilho da Terra

Cerca de 30% da luz que a Terra recebe do Sol é refletida pelas nuvens e volta no universo, iluminando a superfície da Lua visível do nosso planeta.

A quantidade de luz refletida pelo Sol varia de noite para e de estação para estação. Os meses da primavera no hemisfério Norte, nos dias próximos à lua nova, é a melhor época para observar o fenômeno.

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'Uma nova pandemia já é considerada inevitável', diz diretora-adjunta da OMS

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Para Mariângela Simão, é apenas questão de tempo para surgir novo fenômeno.
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TOPO
Por Márcia Bechara, RFI

Postado em 05 de outubro de 2021 às 10h30m


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Mariângela Simão, diretora adjunta para acesso a medicamentos da Organização Mundial de Saúde — Foto: Reprodução/OMS
Mariângela Simão, diretora adjunta para acesso a medicamentos da Organização Mundial de Saúde — Foto: Reprodução/OMS

Em entrevista à RFI, a diretora-geral adjunta da Organização Mundial de Saúde, Mariângela Simão, afirmou que a OMS prepara uma "tratado sobre pandemias" e que um novo fenômeno pandêmico é apenas "uma questão de tempo". Segundo Mariângela Simão, uma nova pandemia é "inevitável" e a questão é "quando ela vai acontecer".

Simão diz que a OMS terá uma Assembleia Mundial de Saúde em novembro em que será discutida a possibilidade de desenvolver um "tratado para pandemias". A decisão, segundo ela, ainda não foi aprovada, mas o tema circula entre os países, "não só por reforçar o papel da OMS em uma situação de emergência de interesse público como essa", mas também porque "cria uma série de formalidades que os países e o setor privado têm que tomar no caso de uma emergência como uma pandemia mundial", explica.

A OMS já se prepara para uma nova pandemia? "Vai ter uma próxima pandemia", diz Simão. "Isso é uma coisa que a gente já sabe e que é inevitável. É uma questão de quando vai acontecer", diz.

"Essa pandemia, depois da gripe espanhola, foi a mais impactante e é também uma constatação: acho que o mundo precisa acordar porque a gente vê que não foram apenas os países em desenvolvimento que fora afetados. Afetou o mundo todo, ninguém estava preparado", considera. "A Assembleia Mundial de Saúde agora em novembro estará discutindo a possibilidade de desenvolver um tratado para pandemias", conta a diretora-geral adjunta da OMS.

Vários países começam a relaxar as medidas de combate à Covid
Vários países começam a relaxar as medidas de combate à Covid

A reunião ainda deve ser um momento para discutir questões atuais sobre as variantes do coronavírus e a distribuição da vacina. "Acho que tem duas coisas, um lado é em relação a esse coronavírus específico que é o Sars-Cov-2 e as variantes, algumas variantes de preocupação, como o caso da Delta, que está presente em 188 países", analisa. "Então a preocupação e o empenho [da OMS] em aumentar a cobertura vacinal é global mas em todos os países e não apenas em alguns, para evitar que novas variantes preocupantes surjam", diz Simão.

Adolescente recebe a primeira dose da vacina Pfizer contra a Covid-19 em uma escola particular em Quito, capital do Equador, em 13 de setembro de 2021 — Foto: Rodrigo Buendia/AFP
Adolescente recebe a primeira dose da vacina Pfizer contra a Covid-19 em uma escola particular em Quito, capital do Equador, em 13 de setembro de 2021 — Foto: Rodrigo Buendia/AFP

Vacina para adolescentes após prioritários

Sobre a vacinação de adolescentes enquanto política de saúde pública, Mariângela Simão diz que "a OMS emite uma recomendação baseada num grupo de especialistas que auxilia a organização neste sentido". "Desde julho desse ano, a gente tem recomendações relacionadas ao uso da vacina da Pfizer, é a única que tem recomendação para utilização na população entre 12 a 15 anos, e já havia a recomendação para pessoas acima de 16 anos", lembra.

"Mas a OMS faz a ressalva que a vacina deve ser priorizada para adolescentes portadores de comorbidades. No entanto, para a geral da população de adolescentes, a vacina para este grupo deve ser administrada após a cobertura de todos os outros grupos prioritários. Essa é a recomendação para os países que ainda não atingiram uma cobertura mais alta na população de adultos", diz.

Vacinação intranasal

Em relação à vacina intranasal, incentivada por especialistas pela facilidade de aplicação (que talvez diminuísse algumas resistências) mas também por proteger a porta de entrada do vírus, a diretora é cautelosa na hora de avaliar esse tipo de imunização.

"A gente ainda não tem nenhuma vacina nasal aprovada globalmente para a covid. Acredito que algumas possam estar em fase 3, a última fase antes dela ser autorizada emergencialmente em algum país. Faz sentido se pensarmos num tipo de produto ideal, seria ótimo uma vacina que pudesse ser administrada via nasal, mas ainda não estamos lá", afirma. 
Vacinação das crianças

"Não tem vacina aprovada ainda para criança então não pode ter uma política nacional usando vacinas que não foram aprovadas para idade abaixo de 12 anos", lembra a diretora. "Nós só temos uma vacina aprovada para uso em adolescentes a partir de 12 anos. Tem vários estudos em andamento, mas nenhuma delas foi aprovada ainda pela OMS para uso em crianças", aponta Simão.

Para Mariângela Simão, ainda não existem indicações claras da OMS de que a vacina anticovid possa virar uma vacina anual. "No entanto, é possível que isso aconteça. Esse é o comportamento desse tipo de vírus, da família dos coronavírus, de se tornarem endêmico. O importante é ter sempre em mente que o mais importante é evitar que as pessoas mais suscetíveis morram por conta desse vírus e que a economia pare como parou", afirma.

"Inequidade vacinal"

Sobre a desigualdade no acesso às vacinas para diferentes populações de todo o planeta, ela lembra que "trata-se de uma inequidade vacinal, a gente tem uma enorme distância entre a cobertura média vacinal em alguns continentes, e, por exemplo, o continente africano. A média global hoje é de 32%, mas as médias, como se sabe, são 'burras', porque existem os extremos. O território da União Africana tem hoje menos do que 4% de cobertura vacinal", sublinha Mariângela Simão.

Tratamento para a Covid

"A OMS já recomendou mais cedo neste ano a utilização da betametazona, uma medicação que está a 50, 70 anos no mercado é um corticoesteróide, para pacientes graves em ambientes hospitalares porque ele impacta na mortalidade", lembra Mariângela Simão.

"Em julho a OMS fez uma recomendação para o que a gente chama de anticorpos monoclonais, bioterapêuticos, os bloqueadores da L6. Então estes dois medicamentos foram recomendados em julho e essa semana que passou a OMS recomendou uma outra combinação de anticorpos monoclonais, o coquetel do Regeneron e que é bem como você falou, essas medicações são caras e de baixa disponibilidade e elas têm o objetivo de impedir morte. Elas são utilizadas em ambiente hospitalar a gente ainda não tem nenhuma medicação aprovada pra prevenção, profilaxia e nenhuma medicação aprovada para casos leves", lembra a executiva.

"Esse é o objetivo básico, trabalhar com a indústria farmacêutica para que os países tenham acesso a preços sustentáveis para poder dar acesso aos seus pacientes", diz Simão. "Isso no momento está bastante difícil porque está concentrada em apenas dois produtores, um deles concentra 3 dos 4 produtos a Roche, Regeneron, e a Sanofi com outro produto, então está muito concentrado com uma capacidade de produção que não é grande. A expectativa é que a gente vai ter nesses primeiros 6 meses de produção uma disponibilidade ainda difídil desses produtos e um preço alto, essa é uma conversa que está acontecendo nesse momento com a Roche", afirma.

Farmacêutica americana anuncia antiviral que reduz pela metade hospitalizações e mortes por Covid
Farmacêutica americana anuncia antiviral que reduz pela metade hospitalizações e mortes por Covid

Covax: vacina para os países pobres

"Os Estados Unidos não só se comprometeram o ano que vem em doar 500 milhões de doses da Pfizer, mas o governo norte-americano já possibilitou a entrada de 200 milhões de doses da Pfizer neste ano", lembra Simão. "Então a França e vários outros países estão doando, o que é muito bem-vindo. Não resolve todo o problema mas é muito bem-vindo que países que têm condições e que já atingiram coberturas vacinais maiores estejam contribuindo para uma maior equidade da cobertura global", diz a diretora-geral adjunta da OMS, cujo diretor-geral, Tedros Adhanom Ghebreyesus, não se cansa de criticar a falta de "equidade vacinal" entre países pobres e ricos.

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segunda-feira, 4 de outubro de 2021

'Uchuu', a simulação mais exata e completa do universo que te permite 'viajar no tempo'

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Cientistas do Japão, Espanha e outros países recriaram a evolução do universo com um supercomputador. E eles disponibilizaram o programa gratuitamente para todos os usuários interessados.
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Por BBC

Postado em 04 de outubro de 2021 às 13h35m


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Uchuu nos permite visualizar a matéria escura e como ela é distribuída, por exemplo, em um objeto supermassivo como um grande aglomerado de galáxias (skiesanduniverses.org) — Foto: IAA-CSIC via BBC
Uchuu nos permite visualizar a matéria escura e como ela é distribuída, por exemplo, em um objeto supermassivo como um grande aglomerado de galáxias (skiesanduniverses.org) — Foto: IAA-CSIC via BBC

Uma equipe internacional de pesquisadores não apenas criou um universo virtual inteiro. Ela também o tornou disponível gratuitamente para todos com acesso à Internet.

Uchuu, termo que significa universo em japonês, é a simulação mais realista do cosmos feita até hoje.

O projeto foi desenvolvido pelo Observatório Astronômico Nacional do Japão (NAOJ) em colaboração com o Instituto de Astrofísica de Andalucía (IAA-CSIC), o Centro de Supercomputación de Galicia (CESGA) e a rede acadêmica e de pesquisa espanhola RedIRIS.

Outros grupos de pesquisa do Japão, EUA, Argentina, Austrália, Chile, França e Itália também participam da iniciativa.

A simulação nos permitirá estudar a evolução do universo com um nível de detalhe e informação sem precedentes, praticamente desde depois do Big Bang até o presente.

"Uchuu visa basicamente recriar como o universo se formou, toda a estrutura, tudo o que vemos desde quando o universo estava apenas em sua infância e tinha 400 mil anos", disse o cosmólogo Francisco Prada, professor do Conselho Superior de Pesquisa Científica da Espanha (CSICdo Instituto de Astrofísica da Andaluzia (IAA) à BBC News Mundo (serviço de notícias em espanhol da BBC).

"Conseguimos, com um supercomputador intensamente dedicado ao projeto, recriar toda a física envolvida, basicamente todas as equações da gravidade de Einstein e os componentes energéticos e materiais do universo, bem como todos os processos envolvidos numericamente."

A simulação, que já está disponível na nuvem do CESGA, permitirá aos cientistas focar em diferentes momentos da história do universo e facilitará a compreensão de fenômenos como a evolução das galáxias e a formação de buracos negros.

Supercomputador

A simulação foi possibilitada pelo supercomputador ATERUI II, o mais poderoso dedicado exclusivamente à astrofísica, que pertence ao Observatório Astronômico Nacional do Japão.

"Outros grandes computadores como o Mare Nostrum em Barcelona podem ter muito mais processadores. Mas a vantagem do ATERUI é que ele se dedica a poucos projetos em astrofísica", diz Prada.

"E isso permite que você tenha uso exclusivo por muito tempo para poder fazer uma simulação como essa, que de outra forma seria impossível. Tivemos a sorte de usar o ATERUI por um ano inteiro 48 horas todos os meses exclusivamente. Este é um enorme privilégio."

ATERUI II é o computador mais poderoso do mundo dedicado exclusivamente à astrofísica — Foto: NAOJ via BBC
ATERUI II é o computador mais poderoso do mundo dedicado exclusivamente à astrofísica — Foto: NAOJ via BBC

Tomoaki Ishiyama, da Chiba University no Japão, foi o responsável pelo desenvolvimento e execução do código que criou a simulação.

O resultado "são três petabytes de dados, o equivalente a quase um milhão de fotos de um telefone móvel de 12 megapixels", disse Ishiyama, segundo a agência EFE.

A simulação consiste em 2,1 bilhões de partículas em um cubo virtual de 9,6 bilhões de anos-luz de lado, uma dimensão comparável à metade da distância que existe entre a Terra e as galáxias mais distantes observadas, diz o CSIC.

Todos os dados para análise estão guardados no CESGA, centro misto do CSIC e da Junta de Galicia, podendo também ser descarregados online através do servidor IAA.

Evolução da galáxia

Uchuu permitirá aos cientistas estudar detalhadamente diferentes momentos e cenários da história do universo, ao longo de mais de 13 bilhões de anos.

"Pela primeira vez podemos estudar na mesma simulação tanto objetos muito pequenos quanto objetos enormes, tanto galáxias com massas menores que nossa Via Láctea quanto aglomerados de galáxias muito grandes, ou mesmo vazios enormes, mantendo a mesma resolução. Isso não havia sido possível ainda em uma mesma simulação."

"É como se em outra simulação você pudesse estudar apenas carros. Mas com nossa simulação nós conseguimos estudar de um skate até um avião ou um superpetroleiro, e também poderíamos ver como todos esses objetos estão distribuídos tanto em uma planície ou no Himalaia ou nas águas do oceano, em ambientes muito diferentes de densidade da matéria."

"As galáxias do universo estão distribuídas no que chamamos de estrutura de grande escala: existem grandes vazios, onde existem muito poucas galáxias, existem filamentos, existem grupos como a Via Láctea e Andrômeda e depois existem grandes objetos que são mil vezes mais massivos do que a nossa Via Láctea."

A simulação permite ver, por exemplo, como pequenas galáxias se agregam (se fundem) ao longo da história e formam outras maiores, algo chamado de formação hierárquica da estrutura do universo, explica Prada.

"Foi assim que a Via Láctea se formou. Ela vem 'comendo' muitos objetos minúsculos e isso faz parte da história da formação da galáxia."

A simulação também permitiria estudar a colisão de duas galáxias que possuem buracos negros muito massivos que podem produzir ondas gravitacionais.

"Galáxias massivas como a Via Láctea têm um buraco negro. É essencial entender o crescimento dessas estruturas porque isso também tem relação com a taxa de acréscimo de matéria dos buracos negros, como eles se formam."

Ao fundo você pode ver toda a distribuição da matéria no universo. Fazendo um zoom, é possível ver em detalhes um aglomerado de galáxias que tem mil vezes a massa da Via Láctea. E com zoom ainda maior, se vê pequenas galáxias orbitando ao redor de um objeto mais massivo (skiesanduniverses.org) — Foto: IAA-CSIC via BBC
Ao fundo você pode ver toda a distribuição da matéria no universo. Fazendo um zoom, é possível ver em detalhes um aglomerado de galáxias que tem mil vezes a massa da Via Láctea. E com zoom ainda maior, se vê pequenas galáxias orbitando ao redor de um objeto mais massivo (skiesanduniverses.org) — Foto: IAA-CSIC via BBC

'Óculos de matéria escura'

Uma característica fundamental sobre o Uchuu é que ele incorpora não apenas matéria visível, mas também a misteriosa matéria escura e energia escura.

A matéria comum, composta de átomos, representa menos de 5% da energia total do universo.

A matéria escura, uma forma de matéria que não interage com a luz e só é detectável por seus efeitos gravitacionais, representa cerca de 25%. O resto, 70%, é o que os cientistas chamam de energia escura.

Na visualização Uchuu disponível no YouTube, por exemplo, se enxerga a matéria escura e como ela se distribui em um objeto supermassivo, como poderia ser um grande aglomerado de galáxias.

"Nossa simulação tem todos os ingredientes, todos os parâmetros que conhecemos hoje nas proporções certas", disse Prada.

As imagens do Uchuu são equivalentes a "colocar óculos especiais" para visualizar a matéria escura.

"Houve um momento na história do universo em que a gravidade teve que competir com a energia escura porque, se você tivesse apenas a gravidade, toda a matéria começaria a entrar em colapso."

"No entanto, chega um momento na história do universo em que essa energia escura começa a dominar que não sabemos o que é, mas sabemos em termos práticos que é como uma força repulsiva, como uma pressão contra a gravidade,", explicou Prada para a BBC News Mundo.

"Um dos grandes desafios para Uchuu é que por ter simulado toda a estrutura do universo e ser capaz de comparar todas as estatísticas que observamos — por exemplo, quantos grandes aglomerados de galáxias temos, quantos grandes vazios, como o as galáxias estão agrupadas —, poderemos interpretar melhor a natureza da energia escura e da matéria escura, que até hoje não sabemos o que é."

"Entende-se que a matéria escura é uma partícula elementar, mas não sabemos o que é. E a energia escura não se tem nem ideia dela, entende-se que o universo está se expandindo rapidamente no momento mais tardio, mas não sabemos o que causa essa expansão acelerada."

Diferentes instantes da história do Universo — Foto: IAA-CSIC via BBC
Diferentes instantes da história do Universo — Foto: IAA-CSIC via BBC

Francisco Prada explica: "Esta imagem mostra quatro instantes da história do universo, o presente está abaixo e o passado está acima. E as três colunas correspondem a diferentes regiões do universo".

"Por exemplo, o da direita é muito interessante porque mostra o processo de formação de um grande vazio."

"Se formos para o presente, você verá que a densidade de galáxias lá é muito baixa, existem grandes regiões que têm um déficit, um vácuo de galáxias, então podemos voltar no tempo e ver como isso se formou."

"Na primeira coluna você vê um objeto semelhante à Via Láctea; é como se colocássemos óculos no céu e víssemos matéria escura."

"Se em vez disso eu der a vocês uma imagem do que só pode ser visto pelo telescópio, seria uma bela galáxia como as das imagens do Hubble, mas vemos toda a matéria escura, porque em nossa própria galáxia deve haver milhares de pequenos objetos que são matéria escura."

"E no meio você vê um aglomerado de galáxias que é um objeto mil vezes mais massivo."

Da Argentina e do Chile

A cientista Sofía Alejandra Cora, do Instituto de Astrofísica de La Plata, da Argentina, também participa do projeto Uchuu.

Cora é pesquisadora independente do Conselho Nacional de Pesquisa Científica e Técnica (Conicet) e professora associada da Faculdade de Ciências Astronômicas e Geofísicas da Universidade Nacional de La Plata.

"O principal objetivo da minha participação neste projeto é gerar um catálogo de galáxias a partir dos dados da simulação de Uchuu, que considera apenas matéria escura."

"Para fazer isso, as informações sobre as propriedades dos halos de matéria escura e a forma como eles crescem e se fundem ao longo do tempo são tomadas como base", ela explicou à BBC News Mundo.

"E um modelo semi-analítico de formação e evolução de galáxias é aplicado, levando em consideração vários processos físicos que determinam as propriedades das galáxias", continuou ele.

"Um modelo semi-analítico consiste em um conjunto de receitas analíticas simples que modelam diferentes processos físicos que afetam o gás e as estrelas que constituem uma galáxia."

"A versão mais recente do modelo usado por nosso grupo de trabalho na Argentina está descrita em um artigo nos Montlhy Notices da Royal Astronomical Society. Esta tarefa está em desenvolvimento."

'Pela primeira vez, podemos estudar objetos muito pequenos e objetos muito grandes na mesma simulação, mantendo a mesma resolução', diz Prada. (skiesanduniverses.org) — Foto: IAA-CSIC via BBC
'Pela primeira vez, podemos estudar objetos muito pequenos e objetos muito grandes na mesma simulação, mantendo a mesma resolução', diz Prada. (skiesanduniverses.org) — Foto: IAA-CSIC via BBC

Cristian Vega Martínez, pesquisador do Departamento de Astronomia e do Instituto de Pesquisa Multidisciplinar em Ciência e Tecnologia da Universidade de La Serena (ULS), no Chile, também participa do projeto.

"Um dos grandes desafios do Uchuu foi administrar e publicar a grande quantidade de dados que uma simulação desta categoria pode produzir".

"Este tipo de simulação pode facilmente gerar centenas de terabytes", disse Vega à BBC News Mundo.

"Portanto, estamos trabalhando ativamente para projetar as técnicas para manipular esses dados, fornecer uma maneira direta de compartilhá-los e fornecer ferramentas para seu uso."

Ele contribui com sua experiência na área de formação de galáxias e simulações de evolução, e seu conhecimento de computação de alto rendimento.

"Os dados publicados devem ser fornecidos de uma forma que possa ser útil para a comunidade", diz.

"Simulações desse tipo, que permitem modelar grandes volumes do universo (que simulam as estruturas que definem onde as galáxias se formam), são necessárias para poder contrastar nossas teorias físicas de formação de galáxias e da evolução do universo , com os resultados de grandes experimentos modernos (telescópios) ".

"É uma imagem do objeto de maior massa que temos na simulação de Uchuu. Você vê a distribuição da matéria escura neste objeto que corresponde a um enorme aglomerado de galáxias", diz Prada — Foto: IAA-CSIC via BBC
"É uma imagem do objeto de maior massa que temos na simulação de Uchuu. Você vê a distribuição da matéria escura neste objeto que corresponde a um enorme aglomerado de galáxias", diz Prada — Foto: IAA-CSIC via BBC

'Dar acesso a outras pessoas'

Para Francisco Prada, um dos principais motivos da importância do Uchuu é a sua disponibilidade gratuita.

"Como cientista, eu acredito na responsabilidade de dar acesso a outros cientistas que não têm a possibilidade de fazer essas simulações para que eles possam fazer ciência de alto nível, de última geração", disse.

"Tornamos isso público para todos os cientistas do mundo, e não apenas para os cientistas, mas também para todas as pessoas que possuem a Internet."

"E também na Galícia temos os dados, para que as pessoas possam entrar lá e fazer a análise dos dados sem precisar fazer download em casa. Por isso também disponibilizamos a capacidade informática, porque normalmente essa capacidade informática não está disponível a qualquer um."

A simulação, análise e divulgação pública dos dados foram financiadas por instituições públicas no Japão e na Espanha.

"O custo deste projeto é muito alto e há poucos grupos no mundo que podem fazer este projeto."

"Estamos na era do Big Data, onde o que Uchuu gerou é muito maior do que a quantidade de dados armazenados pelo YouTube, Amazon e Google juntos."

"Conseguimos realmente disponibilizar gratuitamente a pesquisa de pontapara a sociedade e os cientistas, isso é o que considero muito animador."

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