Objetivo:
“Projetando o futuro e o desenvolvimento autossustentável da sua empresa, preparando-a para uma competitividade e lucratividade dinâmica em logística e visão de mercado, visando sempre e em primeiro lugar, a satisfação e o bem estar do consumidor-cliente."
Intenção da empresa americana "Colossal" não é fazer cópias perfeitas do gigante extinto, mas sim adaptar o DNA do mamute usando parte do genoma do elefante asiático. ===+===.=.=.= =---____--------- ---------____------------____::_____ _____= =..= = =..= =..= = =____ _____::____-------------______--------- ----------____---.=.=.=.= +==== Por G1 Postado em 13 de setembro de 2021 às 17h00m |||==---____ ____-------___ ___ _____ ___-- ________ ____::__||| .| .Post.- N.\ 9.978. |. |||.__-_____ _____ ____ ______ ____- _||
Reconstrução de um exemplar de mamute-lanoso que está no Museu Real da Columbia Britânica — Foto: rpongsaj/Wikimedia Commons
Uma empresa de biociência e genética anunciou nesta segunda-feira (13) o
investimento de 15 milhões de dólares (cerca de 78 milhões de reais)
para trazer o mamute-lanoso de volta à vida. Para recriar o animal extinto há cerca de 10 mil anos, os pesquisadores planejam usar parte do genoma dos elefantes asiáticos.
O gigante conhecido por suas presas invertidas e alongadas
era um mamífero que se alimentava de plantas e habitava as áreas mais
congelantes do globo, façanha que só era possível graças às duas camadas
de pelo espesso que mantinham seu sangue quente.
O audacioso projeto que promete trazer de volta à vida criaturas da Idade do Gelo
foi anunciado pela empresa americana Colossal, fundada por Ben Lamm, um
empresário de tecnologia e software, e George Church, geneticista
pioneiro na abordagem sobre edição de genes e professor de genética de
Harvard.
Segundo eles, trazer o mamute-lanoso representa não só um grande avanço
para a ciência na possibilidade de reverter o cenário de espécies
extintas, mas também uma forma de combater às mudanças climáticas.
Filhote de mamute começa a ser exposto em países da Ásia
É possível trazer espécies extintas de volta à vida?
Segundo a Colossal, sim. Contudo, a ideia não é fazer cópias exatas do gigante extinto, mas sim adaptá-lo utilizando parte do DNA do elefante asiático, o animal vivo que possui o maior número de genes semelhantes ao do mamute.
"Embora
o mamute-lanoso não esteja vivo andando pelas tundra, o código genético
do animal está quase 100% vivo nos elefantes asiáticos de hoje.
Precisamente, os dois mamíferos compartilham uma composição de DNA 99,6% semelhante", defendem os cientistas.
Para isso, os pesquisadores irão criar embriões utilizando células
retiradas da pele de elefantes asiáticos e, em laboratório, irão
reverter os estágios dessas células até que se tornem células-tronco,
que são células mais versáteis e que carregam o DNA dos mamutes.
Células específicas responsáveis pela caracterização dos peles, presas,
camada de gordura e outras características que fazem os mamutes
adaptáveis às regiões mais frias do globo serão identificadas a partir
da comparação com o genoma extraído da carcaça de mamutes recuperados no
permafrost -nome dado à camada permanentemente congelada abaixo da superfície da Terra.
"Graças ao seu habitat no permafrost, tundra e regiões congeladas de estepe, muitos mamutes que morreram nunca se deterioraram completamente - em vez disso, permaneceram selados no gelo para serem descobertos posteriormente. Assim, as amostras de tecido coletadas contêm DNA intacto, comida não digerida nos estômagos dos mamutes, pelos, presas e muito mais", afirmam os pesquisadores.
Caso esses processos sejam bem-sucedidos, os embriões serão levados
para uma barriga de aluguel ou um útero artificial, onde serão gestados.
A gestação de um elefante, caso se desenvolva sem problemas, dura 22
meses.
Mamute com quase 40 mil anos de idade está em exposição no Japão
Como poderia ajudar no combate às mudanças climáticas?
Segundo os pesquisadores, os mamutes poderiam ajudar a combater o avanço das mudanças climáticastrazendo
de volta a vegetação original das tundras, que mais se assemelham a um
pasto, do que o que é atualmente, coberto por musgos.
Isso ajudaria a evitar o aquecimento do permafrost e, consequentemente, seu descongelamento.
A pele camaleônica criada em laboratório detecta cores e padrões ao redor e imita-os. ===+===.=.=.= =---____--------- ---------____------------____::_____ _____= =..= = =..= =..= = =____ _____::____-------------______--------- ----------____---.=.=.=.= +==== Por G1 12/09/2021 07h26 Atualizado há um dia Postado em 13 de setembro de 2021 às 09h35m |||==---____ ____-------___ ___ _____ ___-- ________ ____::__||| .| .Post.- N.\ 9.977. |. |||.__-_____ _____ ____ ______ ____- _||
Robô camaleão: pesquisadores criam "pele" artificial capaz de se camuflar
Pesquisadores da Universidade Nacional de Seul, na Coreia do Sul,
construíram um robô camaleão coberto por uma pele artificial semelhante
à do animal, capaz de detectar cores e padrões no ambiente e imitá-los
para se camuflar. (assista ao vídeo)
Nas imagens divulgadas pelos cientistas, o robô camaleão caminha por
diferentes painéis. Conforme o piso muda de cor, o robozinho também muda
imediatamente, se confundindo com o chão.
A pele camaleônica criada em laboratório usa uma tinta especial que
muda de cor com base na temperatura das cores, detectada por minúsculos
aquecedores flexíveis.
Um microprocessador recebe as informações sobre a cor do ambiente. Ele
tem informações sobre as temperaturas necessárias para mudar a cor da
pele do lagarto de acordo com o seu entorno.
O objetivo da invenção, segundo o engenheiro mecânico e professor da
Universidade Nacional de Seul, Ko Seung-Hwan, é a criação de um
dispositivo, que pode ser vestido, para alterar em tempo real sua cor e
padrões.
"O padrão do uniforme militar da Coreia do Sul é feito para bosques e
certas cores. Portanto, se você usar este uniforme militar no deserto,
pode ser facilmente exposto. Mudar ativamente as cores e os padrões para
combinar com os diferentes ambientes é a chave de tecnologia de
camuflagem. E tornamos isso possível", disse Seung-Hwan à Reuters.
Para oceanógrafo, ecossistema deve demorar pelo menos 5 anos para se restabelecer. Historiadora afirma que 'impactos ambientais são pouco debatidos'. ===+===.=.=.= =---____--------- ---------____------------____::_____ _____= =..= = =..= =..= = =____ _____::____-------------______--------- ----------____---.=.=.=.= +==== Por Joana Caldas e Rafaela Cardoso*, G1 SC e NSC 12/09/2021 11h00 Atualizado há 6 minutos Postado em 12 de setembro de 2021 às 11h30m |||==---____ ____-------___ ___ _____ ___-- ________ ____::__||| .| .Post.- N.\ 9.976. |. |||.__-_____ _____ ____ ______ ____- _||
Obra de alargamento da faixa de areia em Balneário Camboriú atrai curiosos
A obra de alargamento da faixa de areia da Praia Central de Balneário Camboriú,
no Litoral Norte, avançou 1,4 mil metros de praia até sexta-feira (10),
desde 22 de agosto. Os trabalhos estão chamando a atenção e chegaram a
virar uma espécie de ponto turístico para os curiosos.
Mar e prédios na Praia Central de Balneário Camboriú na sexta-feira (10) — Foto: Element Films/Divulgação
Especialistas também acompanham a obra e debatem os possíveis impactos ambientais.
O oceanógrafo Jules Soto, que também é curador do Museu Oceanográfico
da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), afirmou que o alargamento
deve trazer benefícios para o local.
"É
uma praia ideal para fazer esse tipo de trabalho que está sendo feito,
de engenharia, que já se fez em diversas praias do Brasil. É uma defesa
contra as ressacas. Inclusive, na minha opinião, isso vai favorecer
muito a questão do ecossistema da praia", disse.
Mesmo a favor da obra o pesquisador citou os reflexos dela no ecossistema da praia.
"Os
primeiros anos, logicamente, são de impacto. Essa simples mudança das
camadas de sedimento, de fazer uma dragagem, tirar de uma jazida mais ao
fundo e jogar, nós temos pelo menos uns cinco anos de restabelecimento
do ecossistema, da fauna associada ao sedimento, entre várias outras
questões".
Um dos impactos ambientais mais visíveis foi o aparecimento de centenas de conchas na praia, ainda no final de agosto.
Conchas em Balneário Camboriú — Foto: NSC/Divulgação
"O que aconteceu em Balneário Camboriú, durante o processo de dragagem,
ao ressuspender poluentes, e um material muito fino, produzindo uma
pluma, esse material, assim como lá no começo dos anos 2000, pode ter
sufocado muitos dos moluscos observados mortos. É muito importante nós
aproveitarmos isso que está acontecendo para corrigirmos os rumos das
nossas intervenções", afirmou o biólogo e pesquisador da Universidade
Federal de Santa Catarina (UFSC) Paulo Horta.
Turismo e construção civil
A historiadora Mariana Schlickmann acredita que os impactos ambientais são pouco estudados.
Mas destacou benefícios. “Para o turismo vai ser bom, claro, vai
aumentar a faixa de areia. Quem tenta andar na cidade entre Natal e Ano
Novo sabe que é difícil", disse.
Ela estudou a história da cidade desde a emancipação, que ocorreu em 1964. Antes, o município pertencia à vizinha Camboriú.
Praia Central de Balneário Camboriú em 1965 — Foto: Carlos Alberto Schlup/Arquivo pessoal
“Desde o começo, o município se organizou em torno da questão do
turismo.” As praias e a implantação da BR-101, que corta a cidade,
permitiram um estímulo à atividade.
Schlickmann contou a história da cidade no livro “Do Arraial do
Bonsucesso a Balneário Camboriú – Mais de 50 anos de História”. Para
escrever, ela conversou com moradores e teve acesso a outras entrevistas
registradas no Arquivo Histórico de Balneário Camboriú.
Praia Central de Balneário Camboriú em 2016 — Foto: Carlos Alberto Schlup/Arquivo pessoal
“Existem
várias opiniões. De modo geral, quem mora aqui [Balneário] há muito
tempo tem uma opinião mais crítica sobre a construção civil na cidade. A
gente piscou e saiu uma casa ou um comércio local para ter um
arranha-céu", disse a historiadora.
Em 1970, o alargamento já começou a ser discutido como uma alternativa
para o crescimento econômico, mas não foi adiante por falta de
tecnologia.
Em 2001, um plebiscito foi realizado para que a população pudesse se
manifestar sobre o projeto. A maioria dos eleitores foi favorável à
ampliação. Entretanto, somente parte da obra foi realizada, na Barra
Sul.
“A construção civil é importante, gera muitos empregos e é um atrativo
turístico, mas ela tem que acontecer de uma forma saudável,
autossustentável para a cidade. O que a gente tem hoje não corresponde a
isso”, acrescentou.
Para a historiadora a realização da atual obra de alargamento, iniciada
em março de 2021, não houve tanta mobilização popular e debates para
ouvir os moradores como ocorreu nos anos anteriores. “O debate foi muito
aquém do necessário. Poderia ter sido algo muito bacana para os
cidadãos da cidade”, disse.
Expectativa dos moradores
Quem assistiu ao crescimento acelerado do município, aguarda com
expectativa para saber qual será a dinâmica da cidade após a ampliação.
João Luiz da Silva, de 67 anos, acompanhou de perto a mudança na
paisagem da cidade, que deu espaço a arranha-céus, avenidas movimentadas
e uma orla cada vez mais recheada de turistas.
“A
minha relação com Balneário é de sangue. Você nascer numa cidade e ver
essa cidade se desenvolver é uma coisa espetacular”, destaca.
O morador é a favor do alargamento da faixa de areia. Ele acredita que
essa é a solução para que a praia volte a comportar a quantidade de
banhistas, especialmente durante a temporada. João conta que a
expectativa e a curiosidade dos moradores estão altas, assim como as de
pessoas de outras regiões.
“Tem
gente vindo de outros municípios para Balneário só para ver o
alargamento. Até isso mudou a rotina do turismo da cidade. É uma
situação muito interessante”, afirma.
Carlos Alberto Schlup, de 68 anos, veio de Rio do Sul para Balneário
Camboriú em 1963 com a família. Quando chegou, as ruas ainda não tinham
números, havia pouco calçamento e a areia era “muito branquinha”. De lá
para cá, ele conta que “mudou praticamente tudo”.
“Aquele charme, aquela essência de cidadezinha pequena, do interior, acabou”, relembra o morador.
Schlup afirma que gosta das duas versões de Balneário Camboriú: aquela
que conheceu durante a infância e a que atualmente é cenário da
aposentadoria.
O que diz a prefeitura?
Segundo a secretária do Meio Ambiente Maria Heloísa Furtado Lenzi, os
impactos da obra na cidade são temporários. Ela cita, por exemplo, o
ruído causado pelos trabalhos, ou plumas de sedimentos, que ocorre
quando se mexe no fundo oceânico.
"São impactos temporários que, assim que a atividade parar de
acontecer, os impactos param também. Então a grande maioria dos impactos
negativos são temporários e que podem ser mitigados", explicou.
De acordo com Maria Heloísa, o aparecimento das conchas ao longo da
praia é previsto e ocorre por conta do trabalho da draga, que retira
sedimentos de dentro do mar para compor a faixa de areia. Chamados de
"biodetritos", eles são sobras de moluscos, crustáceos e fazem parte do
ciclo oceânico.
Falta de chuvas reduziu colheitas e secou pastagens, diminuindo a oferta no campo. Veja como devem ficar os preços do café, açúcar, hortaliças, carnes, ovos, leite, feijão e arroz. ===+===.=.=.= =---____--------- ---------____------------____::_____ _____= =..= = =..= =..= = =____ _____::____-------------______--------- ----------____---.=.=.=.= +==== Por Paula Salati, G1 11/09/2021 14h54 Atualizado há 29 minutos Postado em 11 de setembro de 2021 às 15h30m |||==---____ ____-------___ ___ _____ ___-- ________ ____::__||| .| .Post.- N.\ 9.975. |. |||.__-_____ _____ ____ ______ ____- _||
Seca vai deixar alimentos ainda mais caros. — Foto: G1
Energia elétrica, combustível, alimentos... o aumento generalizado de preços na economia já apertou muito o orçamento dos brasileiros, que não estão vendo os seus salários acompanharem o ritmo acelerado da inflação.
Veja mais abaixo como vão ficar os preços do café, açúcar, hortaliças, carne bovina, frango e ovos, leite, feijão e arroz.
A falta de chuvas que atinge o campo do Centro-Sul desde 2020 já provocou queda na produção de diversas culturas como café, laranja, cana-de-açúcar, milho, carne bovina, feijão, entre outros.
Não bastasse a redução de oferta, o baixo nível dos reservatórios das
usinas hidrelétricas fez com que o governo acionasse as termelétricas,
que produzem energia mais cara, elevando, assim, os gastos de produção das fazendas, indústrias e comércios, causando um efeito em cascata em toda a economia.
"Os custos com energia elétrica vão ficar pressionados por um bom tempo,
afetando, principalmente a agroindústria, que consome mais energia do
que os produtores. Naturalmente, isso vai aparecer no preço final dos
produtos", diz Felippe Serigati, professor da Escola de Economia de São
Paulo, da FGV.
A
volta das chuvas neste mês deve favorecer culturas que são plantadas
agora, como a soja. Mas o nível de precipitação ainda é baixo para
encher reservatórios, gerando incertezas para as lavouras que dependem
de irrigação, como hortaliças, arroz e feijão.
Veja o impacto da seca e a tendência dos preços em cada alimento:
Falta de chuvas já provocou perdas na produção de café, cana-de-açúcar, feijão, entre outros. — Foto: Arte/G1
O vídeo abaixo, que foi ao ar no Fantástico em 29 de agosto, mostra como a alta dos preços impacta a vida dos brasileiros.
Fantástico mostra o impacto da inflação na vida dos brasileiros
Café pode subir até 40%
O café é uma das culturas que já foi severamente impactada pela seca
desde o ano passado. A estiagem nas principais regiões produtoras, como
Minas Gerais, São Paulo e Espírito Santo, prejudicou a florada e o crescimento dos frutos.
E, em julho, os cafezais sofreram mais um baque comtrês ondas de geadas. As lavouras atingidas perderam folhas e, em algumas, houve até mesmo morte de plantas.
O resultado será uma produção menor nesta temporada que, naturalmente,
seria mais baixa por conta da bienalidade da cultura: ano par é de safra
alta, ano ímpar é de safra baixa.
Essa
queda de oferta, somada aos custos dos insumos e dólar, deve provocar
um aumento de até 40% nos preços do café nos supermercados até setembro,
segundo o diretor-executivo Celírio Inácio, da Associação Brasileira da
Indústria de Café (Abic).
Qual cafeteira ou máquina de café ideal para você? Conheça os tipos e saiba usar — Foto: Ben Kolde/Unsplash
Ele explica que 70%
do valor final do produto é definido pela cotação do grão no mercado
internacional, que disparou nos últimos dias, puxado, dentre outros
fatores, pela redução da oferta no Brasil.
Os custos da indústria com energia elétrica também serão repassados
para o preço final do café, mas Inácio ainda não sabe precisar de quanto
será.
O café é colhido em meados do ano e, nesses meses de setembro e outubro, a chuva é essencial para o desenvolvimento da florada."Então é preciso que chova o suficiente para que o produtor tenha uma estimativa sobre a sua produção", afirma Inácio.
A próxima temporada do café é de safra alta, mas por conta dos
problemas climáticos que já ocorreram, essas podem vir menor do que o
normal, destaca Renato Garcia Ribeiro, pesquisador da equipe de café do
Cepea.
"Estamos vindo de um período de 1 a 2 anos com as plantas sofrendo com a
seca, uma geada que derrubou bem as folhas e matou algumas plantas.
Então, talvez a gente não tenha uma safra de alta tão alta sim", afirma.
Açúcar em alta
Preço do açúcar aumentou por causa da quebra de safra provocada pela seca. — Foto: Mathilde Langevin/Unplash
O açúcar que acompanha o cafezinho também deve continuar pesando no bolso do brasileiro.
No acumulado de janeiro a agosto, o preço do refinado já subiu 27%,
segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A alta é resultado de uma redução da oferta provocada, em boa parte, por uma seca que atingiu as lavouras de cana de abril de 2020 a meados deste ano, explica Antonio de Padua Rodrigues, diretor-técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).
Somando com as geadas e os incêndios recentes, a expectativa é de que a
safra atual tenha uma queda de 75 milhões de toneladas em relação à
temporada anterior.
"Se
você tem uma redução da oferta, uma quebra agrícola, você impacta
preços até um determinado limite, até o incremento da próxima safra que
vai acontecer em abril. E aí a gente depende das chuvas que vão ocorrer
daqui a até lá", diz Padua.
"A gente precisa de chuvas de novembro a março, que é o período desenvolvimento da planta, para uma melhora da safra", acrescenta.
Salada mais 'salgada'
Cultivo de hortaliças depende de irrigação e preocupação do setor é se
terá água suficiente nos reservatórios até o próximo ano. — Foto: Celso
Tavares/G1
O cultivo hortaliças é muito dependente da irrigação e, por isso, a principal preocupação do setor é se terá água suficiente nos reservatórios até o próximo ano,
diz Margarete Boteon, professora e coordenadora do Projeto Hortifruti
Brasil, do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).
"Apesar
de já ter um efeito da estiagem nas folhosas, cenoura, por exemplo, o
mais preocupante é quanto a reserva hídrica a partir de outubro e no
primeiro semestre de 2022. O maior limitador é não ter disponibilidade
para irrigação", afirma Margarete.
O déficit hídrico pode gerar redução na oferta de hortaliças, que já foram prejudicadas pelas geadas em julho, provocando aumento de preços. Mas, segundo Margarete, não vai dar para colocar tudo na conta da seca.
"Vamos
supor que chova e o preço suba da mesma forma. Isso vai acontecer por
uma série de variáveis: geadas, custos de produção em alta - os insumos
sofrem a influência do dólar, a própria conta de energia para quem
irriga -, a disputa por terras para arrendamento com a cultura de soja",
diz.
Segundo Margarete, o repasse do custo de produção para os preços ao
consumidor pode ser limitado, entretanto, pelo orçamento apertado das
famílias.
Pasto mais seco
Carne bovina vai continuar aumentando de preço. — Foto: Lucas Rangel
O setor de carnes também precisa que chova para aumentar a qualidade das pastagens que alimentam os bovinos.
"A base da alimentação é pasto. Se não chove, eu tenho menos produção de pasto, menos boi gordo para o abate e o preço sobe", diz Thiago Bernardino de Carvalho, pesquisador da equipe de pecuária do Cepea.
Já faz tempo que o consumidor enfrenta preços altos da carne por conta
dessa situação e, segundo Carvalho, não deve ter muita trégua.
"Nós
já tivemos uma redução da oferta por causa da falta de chuvas desde
outubro do ano passado. O primeiro impacto foi a diminuição do boi de
pasto. O segundo é o retardamento da engorda dos bezerros que estão
desmamando agora", afirma.
Até os produtores que criam gado em confinamento também enfrentam aumento de custos com o milho e a soja por causa da quebra de safra causada pela seca. Esses grãos viram ração para os animais.
André Braz, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV, reforça que a tendência para os próximos meses é de mais alta no preço do carne.
Isso deve ser resultado de um verão que tende a ser "pouco chuvoso", o que reduz ainda mais a qualidade das pastagens, e de um dólar ainda muito valorizado em relação ao real, estimulando aumento da exportação e queda da oferta interna.
Frango e ovos mais caros
Gasto com energia elétrica nos frigoríficos pressiona preços do frango. — Foto: Reprodução/TV Grande Rio
O frango e o ovo, que costumam substituir a carne bovina, também ficarão ainda mais caros nos próximos meses.
Nas granjas, o principal fator de pressão continua sendo os altos
preços da ração, que representa 75,8% dos custos de produção, segundo
dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
Já os gastos com energia elétrica, usada para aquecer e resfriar os ambientes, representam apenas 1,35% dos custos dos aviários.
"Nas
plantas frigoríficas, o custo com energia é maior e já está sendo
repassado para os preços [ao consumidor], junto com outros custos:
milho, farelo de soja, papelão, diesel", diz Ricardo Santin, presidente
da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).
Em 12 meses até agosto, o preço nos mercados do frango em pedaços subiu
25%, enquanto os ovos registraram alta de 23%, segundo o IBGE.
Leite depende de energia
Incentivar o aumento do consumo é um dos objetivos dos produtores de leite — Foto: CNA/Divulgação
A seca também pode aumentar ainda mais os preços do leite por causa da redução da oferta e aumento dos gastos com energia elétrica.
A falta de chuvas tem prejudicado o desenvolvimento da alimentação volumosa do rebanho, que corresponde às gramíneas das pastagens, silos e fenos.
E, assim como na produção de carnes e ovos, produtores convivem preços altos do milho e soja, além da energia elétrica, diz o presidente da Associação Brasileira de Produtores de Leite (Abraleite), Geraldo Borges.
"A
atividade leiteira utiliza energia elétrica para equipamentos como
bombas de água, ordenhadeiras mecânicas, tanques resfriadores de leite,
ventiladores, sistemas de irrigação, principalmente nos sistemas com
maior tempo confinado ou irrigação", diz Borges.
Ele afirma que, em algumas propriedades, como as com pastejo
rotacionado irrigado, o gasto com energia elétrica pode chegar até 50%
do custo total de produção.
Faltou água para o feijão
Feijão — Foto: Divulgação/Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA)
Os efeitos da crise hídrica ainda não foram totalmente repassados para os preços do feijão, que devem ter aumento daqui até o início de 2022, diz Marcelo Eduardo Lüders, presidente do Instituto Brasileiro do Feijão, Pulses e Colheitas Especiais (Ibrafe).
A alta do valor do alimento nos supermercados deve ocorrer por causa de umaqueda na oferta da leguminosaem função da seca que atingiu as lavouras. Sem chuvas suficientes desde o ano passado, o desenvolvimento do feijão das 1ª e 2ª safras foi prejudicado, principalmente noParaná, que é o principal estado produtor do grão.
Além disso, parte dos agricultores desistiram de plantar a 3ª safra entre maio e julho, que depende de 95% de irrigação, por causa da insuficiência de água nos reservatórios.
Para o próximo ano, a Conab prevê um aumento da produção do feijão, mas destaca que a crise hídrica continua sendo um dos principais fatores que podem prejudicar essa estimativa.
A menor oferta já impactou os preços no campo. O valor médio pago ao
produtor pela saca de feijão chegou a R$ 288,22 em agosto, alta de 30%
contra igual mês de 2020. Até julho do próximo ano, a Conab estima que a
saca deve subir mais, para algo em torno de R$ 310,13.
Lüders diz, no entanto, que os custos para produzir também subiram, como a conta de energia (nas áreas irrigadas esse custo pesa mais) e preços de insumos, como fertilizantes e defensivos, que sofrem a influência do dólar.
Segundo ele, consumidor
ainda não sentiu totalmente os efeitos da seca nos preços pois há um
pico de colheita de feijão nos meses de agosto e setembro. Passados esses meses, os impactos devem começar a aparecer.
"Com as perdas que aconteceram, o mercado, mais do que nunca, tem sido
pressionado para manter os preços. Por outro lado, temos uma limitante
que é o consumidor", afirma.
Arroz vai continuar caro
O preço do arroz deve se estabilizar em torno de R$ 5 o quilo. — Foto: Divulgação / Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga)
A maioria da produção do arroz é irrigada e, por isso, os custos de produção aumentam com a conta de energia em alta. Os produtores também dependem dos níveis dos reservatórios para definirem a área que será plantada a partir desse mês.
NoRio Grande do Sul, que responde por 70% da produção nacional, os reservatórios ainda não estão 100% e a previsão é de pouca chuva nos próximos dias, diz João Batista Camargo Gomes, diretor comercial do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga).
"Dois fatores influem diretamente na intenção de plantio. Um deles é a
disponibilidade hídrica: o produtor só pode plantar área para a qual
tenha água suficiente. Ele não pode arriscar. O outro é o custo de
produção, que aumentou muito em relação à safra anterior", diz Gomes,
ressaltando que a área de plantio deve ser ser definida nos próximos
dias no estado.
Por outro lado, esses fatores não devem se traduzir em uma disparada de preço tão forte como a do ano passado.
"O
preço do arroz deve se estabilizar em torno de R$ 5 o quilo. Não vai
subir aos níveis de 2020, mas também não vai baixar", afirma a diretora
executiva da Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz),
Andressa Silva.
Ela, que prevê manutenção da área plantada em relação à safra anterior, diz que o preço
pago ao produtor pela saca de arroz está, agora, em um nível que
consegue remunerá-lo, diferentemente do cenário pré-pandemia.
"O preço do arroz estava defasado há muito tempo e aumentou na pandemia
porque importantes países produtores, como a China e a Índia, trancaram
as exportações e o Brasil acabou exportando muito. O preço ainda se
mantém alto porque a demanda por arroz continua elevada", explica.