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segunda-feira, 13 de setembro de 2021

Empresa anuncia US$ 15 milhões para trazer à vida um mamute extinto há 10 mil anos

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Intenção da empresa americana "Colossal" não é fazer cópias perfeitas do gigante extinto, mas sim adaptar o DNA do mamute usando parte do genoma do elefante asiático.
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Por G1

Postado em 13 de setembro de 2021 às 17h00m


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Reconstrução de um exemplar de mamute-lanoso que está no Museu Real da Columbia Britânica  — Foto: rpongsaj/Wikimedia Commons
Reconstrução de um exemplar de mamute-lanoso que está no Museu Real da Columbia Britânica — Foto: rpongsaj/Wikimedia Commons

Uma empresa de biociência e genética anunciou nesta segunda-feira (13) o investimento de 15 milhões de dólares (cerca de 78 milhões de reais) para trazer o mamute-lanoso de volta à vida. Para recriar o animal extinto há cerca de 10 mil anos, os pesquisadores planejam usar parte do genoma dos elefantes asiáticos.

O gigante conhecido por suas presas invertidas e alongadas era um mamífero que se alimentava de plantas e habitava as áreas mais congelantes do globo, façanha que só era possível graças às duas camadas de pelo espesso que mantinham seu sangue quente.

O audacioso projeto que promete trazer de volta à vida criaturas da Idade do Gelo foi anunciado pela empresa americana Colossal, fundada por Ben Lamm, um empresário de tecnologia e software, e George Church, geneticista pioneiro na abordagem sobre edição de genes e professor de genética de Harvard.

Segundo eles, trazer o mamute-lanoso representa não só um grande avanço para a ciência na possibilidade de reverter o cenário de espécies extintas, mas também uma forma de combater às mudanças climáticas.

Filhote de mamute começa a ser exposto em países da Ásia
Filhote de mamute começa a ser exposto em países da Ásia

É possível trazer espécies extintas de volta à vida?

Segundo a Colossal, sim. Contudo, a ideia não é fazer cópias exatas do gigante extinto, mas sim adaptá-lo utilizando parte do DNA do elefante asiático, o animal vivo que possui o maior número de genes semelhantes ao do mamute.

"Embora o mamute-lanoso não esteja vivo andando pelas tundra, o código genético do animal está quase 100% vivo nos elefantes asiáticos de hoje. Precisamente, os dois mamíferos compartilham uma composição de DNA 99,6% semelhante", defendem os cientistas.

Para isso, os pesquisadores irão criar embriões utilizando células retiradas da pele de elefantes asiáticos e, em laboratório, irão reverter os estágios dessas células até que se tornem células-tronco, que são células mais versáteis e que carregam o DNA dos mamutes.

Células específicas responsáveis pela caracterização dos peles, presas, camada de gordura e outras características que fazem os mamutes adaptáveis às regiões mais frias do globo serão identificadas a partir da comparação com o genoma extraído da carcaça de mamutes recuperados no permafrost -nome dado à camada permanentemente congelada abaixo da superfície da Terra.

"Graças ao seu habitat no permafrost, tundra e regiões congeladas de estepe, muitos mamutes que morreram nunca se deterioraram completamente - em vez disso, permaneceram selados no gelo para serem descobertos posteriormente. Assim, as amostras de tecido coletadas contêm DNA intacto, comida não digerida nos estômagos dos mamutes, pelos, presas e muito mais", afirmam os pesquisadores.

Caso esses processos sejam bem-sucedidos, os embriões serão levados para uma barriga de aluguel ou um útero artificial, onde serão gestados. A gestação de um elefante, caso se desenvolva sem problemas, dura 22 meses.

Mamute com quase 40 mil anos de idade está em exposição no Japão
Mamute com quase 40 mil anos de idade está em exposição no Japão

Como poderia ajudar no combate às mudanças climáticas?

Segundo os pesquisadores, os mamutes poderiam ajudar a combater o avanço das mudanças climáticas trazendo de volta a vegetação original das tundras, que mais se assemelham a um pasto, do que o que é atualmente, coberto por musgos.

Isso ajudaria a evitar o aquecimento do permafrost e, consequentemente, seu descongelamento.

Pesquisadores estimam que o permafrost mantém quase 1,7 trilhão de toneladas de carbono aprisionado, ou seja, quase o dobro do dióxido de carbono (CO2) presente na atmosfera.

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Pesquisadores criam robô camaleão com "pele" artificial capaz de se camuflar; veja o vídeo

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A pele camaleônica criada em laboratório detecta cores e padrões ao redor e imita-os.
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Por G1

Postado em 13 de setembro de 2021 às 09h35m


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Robô camaleão: pesquisadores criam "pele" artificial capaz de se camuflar
Robô camaleão: pesquisadores criam "pele" artificial capaz de se camuflar

Pesquisadores da Universidade Nacional de Seul, na Coreia do Sul, construíram um robô camaleão coberto por uma pele artificial semelhante à do animal, capaz de detectar cores e padrões no ambiente e imitá-los para se camuflar. (assista ao vídeo)

Nas imagens divulgadas pelos cientistas, o robô camaleão caminha por diferentes painéis. Conforme o piso muda de cor, o robozinho também muda imediatamente, se confundindo com o chão.

A pele camaleônica criada em laboratório usa uma tinta especial que muda de cor com base na temperatura das cores, detectada por minúsculos aquecedores flexíveis.

Um microprocessador recebe as informações sobre a cor do ambiente. Ele tem informações sobre as temperaturas necessárias para mudar a cor da pele do lagarto de acordo com o seu entorno.

O objetivo da invenção, segundo o engenheiro mecânico e professor da Universidade Nacional de Seul, Ko Seung-Hwan, é a criação de um dispositivo, que pode ser vestido, para alterar em tempo real sua cor e padrões.

"O padrão do uniforme militar da Coreia do Sul é feito para bosques e certas cores. Portanto, se você usar este uniforme militar no deserto, pode ser facilmente exposto. Mudar ativamente as cores e os padrões para combinar com os diferentes ambientes é a chave de tecnologia de camuflagem. E tornamos isso possível", disse Seung-Hwan à Reuters.

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domingo, 12 de setembro de 2021

Especialistas debatem impactos ambientais de alargamento de praia em Balneário Camboriú

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Para oceanógrafo, ecossistema deve demorar pelo menos 5 anos para se restabelecer. Historiadora afirma que 'impactos ambientais são pouco debatidos'.
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Por Joana Caldas e Rafaela Cardoso*, G1 SC e NSC

Postado em 12 de setembro de 2021 às 11h30m


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Obra de alargamento da faixa de areia em Balneário Camboriú atrai curiosos
Obra de alargamento da faixa de areia em Balneário Camboriú atrai curiosos

A obra de alargamento da faixa de areia da Praia Central de Balneário Camboriú, no Litoral Norte, avançou 1,4 mil metros de praia até sexta-feira (10), desde 22 de agosto. Os trabalhos estão chamando a atenção e chegaram a virar uma espécie de ponto turístico para os curiosos.

Mar e prédios na Praia Central de Balneário Camboriú na sexta-feira (10) — Foto: Element Films/Divulgação
Mar e prédios na Praia Central de Balneário Camboriú na sexta-feira (10) — Foto: Element Films/Divulgação

Especialistas também acompanham a obra e debatem os possíveis impactos ambientais. O oceanógrafo Jules Soto, que também é curador do Museu Oceanográfico da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), afirmou que o alargamento deve trazer benefícios para o local.

"É uma praia ideal para fazer esse tipo de trabalho que está sendo feito, de engenharia, que já se fez em diversas praias do Brasil. É uma defesa contra as ressacas. Inclusive, na minha opinião, isso vai favorecer muito a questão do ecossistema da praia", disse.

Mesmo a favor da obra o pesquisador citou os reflexos dela no ecossistema da praia.

"Os primeiros anos, logicamente, são de impacto. Essa simples mudança das camadas de sedimento, de fazer uma dragagem, tirar de uma jazida mais ao fundo e jogar, nós temos pelo menos uns cinco anos de restabelecimento do ecossistema, da fauna associada ao sedimento, entre várias outras questões".

Um dos impactos ambientais mais visíveis foi o aparecimento de centenas de conchas na praia, ainda no final de agosto.

Conchas em Balneário Camboriú — Foto: NSC/Divulgação
Conchas em Balneário Camboriú — Foto: NSC/Divulgação

"O que aconteceu em Balneário Camboriú, durante o processo de dragagem, ao ressuspender poluentes, e um material muito fino, produzindo uma pluma, esse material, assim como lá no começo dos anos 2000, pode ter sufocado muitos dos moluscos observados mortos. É muito importante nós aproveitarmos isso que está acontecendo para corrigirmos os rumos das nossas intervenções", afirmou o biólogo e pesquisador da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Paulo Horta.

Turismo e construção civil

A historiadora Mariana Schlickmann acredita que os impactos ambientais são pouco estudados. Mas destacou benefícios. Para o turismo vai ser bom, claro, vai aumentar a faixa de areia. Quem tenta andar na cidade entre Natal e Ano Novo sabe que é difícil", disse.

Ela estudou a história da cidade desde a emancipação, que ocorreu em 1964. Antes, o município pertencia à vizinha Camboriú.

Praia Central de Balneário Camboriú em 1965 — Foto: Carlos Alberto Schlup/Arquivo pessoal
Praia Central de Balneário Camboriú em 1965 — Foto: Carlos Alberto Schlup/Arquivo pessoal

Desde o começo, o município se organizou em torno da questão do turismo. As praias e a implantação da BR-101, que corta a cidade, permitiram um estímulo à atividade.

Schlickmann contou a história da cidade no livro Do Arraial do Bonsucesso a Balneário Camboriú – Mais de 50 anos de História. Para escrever, ela conversou com moradores e teve acesso a outras entrevistas registradas no Arquivo Histórico de Balneário Camboriú.

Praia Central de Balneário Camboriú em 2016 — Foto: Carlos Alberto Schlup/Arquivo pessoal
Praia Central de Balneário Camboriú em 2016 — Foto: Carlos Alberto Schlup/Arquivo pessoal

Existem várias opiniões. De modo geral, quem mora aqui [Balneário] há muito tempo tem uma opinião mais crítica sobre a construção civil na cidade. A gente piscou e saiu uma casa ou um comércio local para ter um arranha-céu", disse a historiadora.

Em 1970, o alargamento já começou a ser discutido como uma alternativa para o crescimento econômico, mas não foi adiante por falta de tecnologia.

Em 2001, um plebiscito foi realizado para que a população pudesse se manifestar sobre o projeto. A maioria dos eleitores foi favorável à ampliação. Entretanto, somente parte da obra foi realizada, na Barra Sul.

A construção civil é importante, gera muitos empregos e é um atrativo turístico, mas ela tem que acontecer de uma forma saudável, autossustentável para a cidade. O que a gente tem hoje não corresponde a isso, acrescentou.

Para a historiadora a realização da atual obra de alargamento, iniciada em março de 2021, não houve tanta mobilização popular e debates para ouvir os moradores como ocorreu nos anos anteriores. O debate foi muito aquém do necessário. Poderia ter sido algo muito bacana para os cidadãos da cidade, disse.

Expectativa dos moradores

Quem assistiu ao crescimento acelerado do município, aguarda com expectativa para saber qual será a dinâmica da cidade após a ampliação.

João Luiz da Silva, de 67 anos, acompanhou de perto a mudança na paisagem da cidade, que deu espaço a arranha-céus, avenidas movimentadas e uma orla cada vez mais recheada de turistas.

A minha relação com Balneário é de sangue. Você nascer numa cidade e ver essa cidade se desenvolver é uma coisa espetacular, destaca.

O morador é a favor do alargamento da faixa de areia. Ele acredita que essa é a solução para que a praia volte a comportar a quantidade de banhistas, especialmente durante a temporada. João conta que a expectativa e a curiosidade dos moradores estão altas, assim como as de pessoas de outras regiões.

Tem gente vindo de outros municípios para Balneário só para ver o alargamento. Até isso mudou a rotina do turismo da cidade. É uma situação muito interessante, afirma.

Carlos Alberto Schlup, de 68 anos, veio de Rio do Sul para Balneário Camboriú em 1963 com a família. Quando chegou, as ruas ainda não tinham números, havia pouco calçamento e a areia era muito branquinha. De lá para cá, ele conta que mudou praticamente tudo.

Aquele charme, aquela essência de cidadezinha pequena, do interior, acabou, relembra o morador.

Schlup afirma que gosta das duas versões de Balneário Camboriú: aquela que conheceu durante a infância e a que atualmente é cenário da aposentadoria.

O que diz a prefeitura?

Segundo a secretária do Meio Ambiente Maria Heloísa Furtado Lenzi, os impactos da obra na cidade são temporários. Ela cita, por exemplo, o ruído causado pelos trabalhos, ou plumas de sedimentos, que ocorre quando se mexe no fundo oceânico.

"São impactos temporários que, assim que a atividade parar de acontecer, os impactos param também. Então a grande maioria dos impactos negativos são temporários e que podem ser mitigados", explicou.

De acordo com Maria Heloísa, o aparecimento das conchas ao longo da praia é previsto e ocorre por conta do trabalho da draga, que retira sedimentos de dentro do mar para compor a faixa de areia. Chamados de "biodetritos", eles são sobras de moluscos, crustáceos e fazem parte do ciclo oceânico.

* Sob supervisão de Joana Caldas

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sábado, 11 de setembro de 2021

Seca vai deixar alimentos ainda mais caros; entenda

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Falta de chuvas reduziu colheitas e secou pastagens, diminuindo a oferta no campo. Veja como devem ficar os preços do café, açúcar, hortaliças, carnes, ovos, leite, feijão e arroz.
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Por Paula Salati, G1

Postado em 11 de setembro de 2021 às 15h30m


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Seca vai deixar alimentos ainda mais caros. — Foto: G1
Seca vai deixar alimentos ainda mais caros. — Foto: G1

Energia elétrica, combustível, alimentos... o aumento generalizado de preços na economia já apertou muito o orçamento dos brasileiros, que não estão vendo os seus salários acompanharem o ritmo acelerado da inflação.

Com menos renda disponível e desemprego elevado, as famílias já fizeram substituições e diminuíram a qualidade do prato. E a tendência é de que não haja muita trégua nos próximos meses, diante da maior seca no país em 91 anos.

Veja mais abaixo como vão ficar os preços do café, açúcar, hortaliças, carne bovina, frango e ovos, leite, feijão e arroz.

A falta de chuvas que atinge o campo do Centro-Sul desde 2020 já provocou queda na produção de diversas culturas como café, laranja, cana-de-açúcar, milho, carne bovina, feijão, entre outros.

Não bastasse a redução de oferta, o baixo nível dos reservatórios das usinas hidrelétricas fez com que o governo acionasse as termelétricas, que produzem energia mais cara, elevando, assim, os gastos de produção das fazendas, indústrias e comércios, causando um efeito em cascata em toda a economia.

"Os custos com energia elétrica vão ficar pressionados por um bom tempo, afetando, principalmente a agroindústria, que consome mais energia do que os produtores. Naturalmente, isso vai aparecer no preço final dos produtos", diz Felippe Serigati, professor da Escola de Economia de São Paulo, da FGV.

A volta das chuvas neste mês deve favorecer culturas que são plantadas agora, como a soja. Mas o nível de precipitação ainda é baixo para encher reservatórios, gerando incertezas para as lavouras que dependem de irrigação, como hortaliças, arroz e feijão.

Veja o impacto da seca e a tendência dos preços em cada alimento:

Falta de chuvas já provocou perdas na produção de café, cana-de-açúcar, feijão, entre outros. — Foto: Arte/G1
Falta de chuvas já provocou perdas na produção de café, cana-de-açúcar, feijão, entre outros. — Foto: Arte/G1

O vídeo abaixo, que foi ao ar no Fantástico em 29 de agosto, mostra como a alta dos preços impacta a vida dos brasileiros.

Fantástico mostra o impacto da inflação na vida dos brasileiros
Fantástico mostra o impacto da inflação na vida dos brasileiros

Café pode subir até 40%

O café é uma das culturas que já foi severamente impactada pela seca desde o ano passado. A estiagem nas principais regiões produtoras, como Minas Gerais, São Paulo e Espírito Santo, prejudicou a florada e o crescimento dos frutos.

E, em julho, os cafezais sofreram mais um baque com três ondas de geadas. As lavouras atingidas perderam folhas e, em algumas, houve até mesmo morte de plantas.

O resultado será uma produção menor nesta temporada que, naturalmente, seria mais baixa por conta da bienalidade da cultura: ano par é de safra alta, ano ímpar é de safra baixa.

Essa queda de oferta, somada aos custos dos insumos e dólar, deve provocar um aumento de até 40% nos preços do café nos supermercados até setembro, segundo o diretor-executivo Celírio Inácio, da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic).

Qual cafeteira ou máquina de café ideal para você? Conheça os tipos e saiba usar  — Foto: Ben Kolde/Unsplash
Qual cafeteira ou máquina de café ideal para você? Conheça os tipos e saiba usar — Foto: Ben Kolde/Unsplash

Ele explica que 70% do valor final do produto é definido pela cotação do grão no mercado internacional, que disparou nos últimos dias, puxado, dentre outros fatores, pela redução da oferta no Brasil.

Os custos da indústria com energia elétrica também serão repassados para o preço final do café, mas Inácio ainda não sabe precisar de quanto será.

O café é colhido em meados do ano e, nesses meses de setembro e outubro, a chuva é essencial para o desenvolvimento da florada. "Então é preciso que chova o suficiente para que o produtor tenha uma estimativa sobre a sua produção", afirma Inácio.

A próxima temporada do café é de safra alta, mas por conta dos problemas climáticos que já ocorreram, essas podem vir menor do que o normal, destaca Renato Garcia Ribeiro, pesquisador da equipe de café do Cepea.

"Estamos vindo de um período de 1 a 2 anos com as plantas sofrendo com a seca, uma geada que derrubou bem as folhas e matou algumas plantas. Então, talvez a gente não tenha uma safra de alta tão alta sim", afirma.

Açúcar em alta

Preço do açúcar aumentou por causa da quebra de safra provocada pela seca. — Foto: Mathilde Langevin/Unplash
Preço do açúcar aumentou por causa da quebra de safra provocada pela seca. — Foto: Mathilde Langevin/Unplash

O açúcar que acompanha o cafezinho também deve continuar pesando no bolso do brasileiro. No acumulado de janeiro a agosto, o preço do refinado já subiu 27%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A alta é resultado de uma redução da oferta provocada, em boa parte, por uma seca que atingiu as lavouras de cana de abril de 2020 a meados deste ano, explica Antonio de Padua Rodrigues, diretor-técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).

Somando com as geadas e os incêndios recentes, a expectativa é de que a safra atual tenha uma queda de 75 milhões de toneladas em relação à temporada anterior.

"Se você tem uma redução da oferta, uma quebra agrícola, você impacta preços até um determinado limite, até o incremento da próxima safra que vai acontecer em abril. E aí a gente depende das chuvas que vão ocorrer daqui a até lá", diz Padua.

"A gente precisa de chuvas de novembro a março, que é o período desenvolvimento da planta, para uma melhora da safra", acrescenta.

Salada mais 'salgada'

Cultivo de hortaliças depende de irrigação e preocupação do setor é se terá água suficiente nos reservatórios até o próximo ano. — Foto: Celso Tavares/G1
Cultivo de hortaliças depende de irrigação e preocupação do setor é se terá água suficiente nos reservatórios até o próximo ano. — Foto: Celso Tavares/G1

O cultivo hortaliças é muito dependente da irrigação e, por isso, a principal preocupação do setor é se terá água suficiente nos reservatórios até o próximo ano, diz Margarete Boteon, professora e coordenadora do Projeto Hortifruti Brasil, do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

"Apesar de já ter um efeito da estiagem nas folhosas, cenoura, por exemplo, o mais preocupante é quanto a reserva hídrica a partir de outubro e no primeiro semestre de 2022. O maior limitador é não ter disponibilidade para irrigação", afirma Margarete.

O déficit hídrico pode gerar redução na oferta de hortaliças, que já foram prejudicadas pelas geadas em julho, provocando aumento de preços. Mas, segundo Margarete, não vai dar para colocar tudo na conta da seca.

"Vamos supor que chova e o preço suba da mesma forma. Isso vai acontecer por uma série de variáveis: geadas, custos de produção em alta - os insumos sofrem a influência do dólar, a própria conta de energia para quem irriga -, a disputa por terras para arrendamento com a cultura de soja", diz.

Segundo Margarete, o repasse do custo de produção para os preços ao consumidor pode ser limitado, entretanto, pelo orçamento apertado das famílias.

Pasto mais seco

Carne bovina vai continuar aumentando de preço. — Foto: Lucas Rangel
Carne bovina vai continuar aumentando de preço. — Foto: Lucas Rangel

O setor de carnes também precisa que chova para aumentar a qualidade das pastagens que alimentam os bovinos.

"A base da alimentação é pasto. Se não chove, eu tenho menos produção de pasto, menos boi gordo para o abate e o preço sobe", diz Thiago Bernardino de Carvalho, pesquisador da equipe de pecuária do Cepea.

Já faz tempo que o consumidor enfrenta preços altos da carne por conta dessa situação e, segundo Carvalho, não deve ter muita trégua.

"Nós já tivemos uma redução da oferta por causa da falta de chuvas desde outubro do ano passado. O primeiro impacto foi a diminuição do boi de pasto. O segundo é o retardamento da engorda dos bezerros que estão desmamando agora", afirma.

Até os produtores que criam gado em confinamento também enfrentam aumento de custos com o milho e a soja por causa da quebra de safra causada pela seca. Esses grãos viram ração para os animais.

André Braz, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV, reforça que a tendência para os próximos meses é de mais alta no preço do carne.

Isso deve ser resultado de um verão que tende a ser "pouco chuvoso", o que reduz ainda mais a qualidade das pastagens, e de um dólar ainda muito valorizado em relação ao real, estimulando aumento da exportação e queda da oferta interna.

Frango e ovos mais caros

Gasto com energia elétrica nos frigoríficos pressiona preços do frango. — Foto: Reprodução/TV Grande Rio
Gasto com energia elétrica nos frigoríficos pressiona preços do frango. — Foto: Reprodução/TV Grande Rio

O frango e o ovo, que costumam substituir a carne bovina, também ficarão ainda mais caros nos próximos meses.

Nas granjas, o principal fator de pressão continua sendo os altos preços da ração, que representa 75,8% dos custos de produção, segundo dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Já os gastos com energia elétrica, usada para aquecer e resfriar os ambientes, representam apenas 1,35% dos custos dos aviários.

"Nas plantas frigoríficas, o custo com energia é maior e já está sendo repassado para os preços [ao consumidor], junto com outros custos: milho, farelo de soja, papelão, diesel", diz Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

Em 12 meses até agosto, o preço nos mercados do frango em pedaços subiu 25%, enquanto os ovos registraram alta de 23%, segundo o IBGE.

Leite depende de energia

Incentivar o aumento do consumo é um dos objetivos dos produtores de leite — Foto: CNA/Divulgação
Incentivar o aumento do consumo é um dos objetivos dos produtores de leite — Foto: CNA/Divulgação

A seca também pode aumentar ainda mais os preços do leite por causa da redução da oferta e aumento dos gastos com energia elétrica.

A falta de chuvas tem prejudicado o desenvolvimento da alimentação volumosa do rebanho, que corresponde às gramíneas das pastagens, silos e fenos.

E, assim como na produção de carnes e ovos, produtores convivem preços altos do milho e soja, além da energia elétrica, diz o presidente da Associação Brasileira de Produtores de Leite (Abraleite), Geraldo Borges.

"A atividade leiteira utiliza energia elétrica para equipamentos como bombas de água, ordenhadeiras mecânicas, tanques resfriadores de leite, ventiladores, sistemas de irrigação, principalmente nos sistemas com maior tempo confinado ou irrigação", diz Borges.

Ele afirma que, em algumas propriedades, como as com pastejo rotacionado irrigado, o gasto com energia elétrica pode chegar até 50% do custo total de produção.

Faltou água para o feijão

Feijão — Foto: Divulgação/Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA)
Feijão — Foto: Divulgação/Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA)

Os efeitos da crise hídrica ainda não foram totalmente repassados para os preços do feijão, que devem ter aumento daqui até o início de 2022, diz Marcelo Eduardo Lüders, presidente do Instituto Brasileiro do Feijão, Pulses e Colheitas Especiais (Ibrafe).

A alta do valor do alimento nos supermercados deve ocorrer por causa de uma queda na oferta da leguminosa em função da seca que atingiu as lavouras. Sem chuvas suficientes desde o ano passado, o desenvolvimento do feijão das 1ª e 2ª safras foi prejudicado, principalmente no Paraná, que é o principal estado produtor do grão.

Além disso, parte dos agricultores desistiram de plantar a 3ª safra entre maio e julho, que depende de 95% de irrigação, por causa da insuficiência de água nos reservatórios.

Para o próximo ano, a Conab prevê um aumento da produção do feijão, mas destaca que a crise hídrica continua sendo um dos principais fatores que podem prejudicar essa estimativa.

A menor oferta já impactou os preços no campo. O valor médio pago ao produtor pela saca de feijão chegou a R$ 288,22 em agosto, alta de 30% contra igual mês de 2020. Até julho do próximo ano, a Conab estima que a saca deve subir mais, para algo em torno de R$ 310,13.

Lüders diz, no entanto, que os custos para produzir também subiram, como a conta de energia (nas áreas irrigadas esse custo pesa mais) e preços de insumos, como fertilizantes e defensivos, que sofrem a influência do dólar.

Segundo ele, consumidor ainda não sentiu totalmente os efeitos da seca nos preços pois há um pico de colheita de feijão nos meses de agosto e setembro. Passados esses meses, os impactos devem começar a aparecer.

"Com as perdas que aconteceram, o mercado, mais do que nunca, tem sido pressionado para manter os preços. Por outro lado, temos uma limitante que é o consumidor", afirma.

Arroz vai continuar caro

O preço do arroz deve se estabilizar em torno de R$ 5 o quilo. — Foto: Divulgação / Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga)
O preço do arroz deve se estabilizar em torno de R$ 5 o quilo. — Foto: Divulgação / Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga)

A maioria da produção do arroz é irrigada e, por isso, os custos de produção aumentam com a conta de energia em alta. Os produtores também dependem dos níveis dos reservatórios para definirem a área que será plantada a partir desse mês.

No Rio Grande do Sul, que responde por 70% da produção nacional, os reservatórios ainda não estão 100% e a previsão é de pouca chuva nos próximos dias, diz João Batista Camargo Gomes, diretor comercial do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga).

"Dois fatores influem diretamente na intenção de plantio. Um deles é a disponibilidade hídrica: o produtor só pode plantar área para a qual tenha água suficiente. Ele não pode arriscar. O outro é o custo de produção, que aumentou muito em relação à safra anterior", diz Gomes, ressaltando que a área de plantio deve ser ser definida nos próximos dias no estado.

Por outro lado, esses fatores não devem se traduzir em uma disparada de preço tão forte como a do ano passado.

"O preço do arroz deve se estabilizar em torno de R$ 5 o quilo. Não vai subir aos níveis de 2020, mas também não vai baixar", afirma a diretora executiva da Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz), Andressa Silva.

Ela, que prevê manutenção da área plantada em relação à safra anterior, diz que o preço pago ao produtor pela saca de arroz está, agora, em um nível que consegue remunerá-lo, diferentemente do cenário pré-pandemia.

"O preço do arroz estava defasado há muito tempo e aumentou na pandemia porque importantes países produtores, como a China e a Índia, trancaram as exportações e o Brasil acabou exportando muito. O preço ainda se mantém alto porque a demanda por arroz continua elevada", explica.

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