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quinta-feira, 17 de junho de 2021

Vírus de resgate Avaddon encerra operações e empresa cria ferramenta para decifrar arquivos

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Vítimas poderão recuperar arquivos sem pagar o resgate. Sistemas brasileiros também foram atacados, segundo investigadores.
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TOPO
Por Altieres Rohr
É fundador de um site especializado na defesa contra ataques cibernéticos

Postado em 17 de junho de 2021 às 11h00m


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Sites do vírus Avaddon foram retirados do ar e chaves de decifragem foram enviadas a especialistas. — Foto: Armin Hanisch/Freeimages.com
Sites do vírus Avaddon foram retirados do ar e chaves de decifragem foram enviadas a especialistas. — Foto: Armin Hanisch/Freeimages.com

Especialistas identificaram que os servidores da infraestrutura do vírus de resgate Avaddon não estão mais disponíveis e que o site na "deep web" usado para negociar os pagamentos também foi retirado do ar, indicando que as operações foram encerradas.

O conteúdo publicado por perfis que os criadores do vírus mantinham em fóruns de hackers também foi eliminado.

Um arquivo contendo 2.934 chaves de decifragem também foi enviado ao site "Bleeping Computer", que é especializado em segurança e tem destaque na cobertura de ataques desse tipo de praga digital. A mensagem tinha um remetente anônimo.

Os vírus de resgate embaralham os arquivos dos sistemas atacados e exigem que a vítima pague para receber uma ferramenta capaz de desfazer o estrago. No entanto, com as chaves divulgadas, é possível criar uma ferramenta que recupere os dados sem o pagamento.

Esse trabalho já foi realizado pela Emsisoft, que colocou a ferramenta em seu site. A ferramenta também poderá ser sugerida pelo site "No More Ransom", caso ele identificar um arquivo cifrado pelo Avaddon.
É possível recuperar arquivos sequestrados por vírus de resgate?
É possível recuperar arquivos sequestrados por vírus de resgate?

Segundo autoridades policiais nos Estados Unidos e na Austrália, que compilaram uma lista de países atacados pelo Avaddon, os hackers atingiram alvos no Brasil.

Segundo a empresa de segurança Cybereason, os hackers enviavam e-mails com anexos de extensão dupla (como ".jpg.zip") para confundir o destinatário e conseguir uma porta de entrada para a rede das empresas.

O Avaddon pertence ao grupo de vírus de resgate que tentam extrair dados dos sistemas das vítimas e ameaçam vazar as informações caso o pagamento seja negado.

Sendo assim, a recuperação dos sistemas nem sempre é o suficiente para anular o prejuízo causado pelo vírus.

Contudo, a queda do site onde o Avaddon listava suas vítimas também significa que essas informações não estão mais acessíveis, embora seja possível que elas voltem ao ar em outro canal.

Além do Brasil, da Austrália e dos Estados Unidos, o vírus também atingiu diversos países na Europa e no Oriente Médio.
Site do Avaddon onde vítimas podiam obter informações específicas e negociar pagamento com criminosos. — Foto: Reprodução/Cybereason
Site do Avaddon onde vítimas podiam obter informações específicas e negociar pagamento com criminosos. — Foto: Reprodução/Cybereason

Atividade encerrada após um ano

O Avaddon foi descoberto em junho de 2020, mas não chamou muita atenção até maio de 2021, quando o FBI e a polícia australiana publicaram o alerta sobre a atividade dos criminosos.

Segundo dados da empresa de segurança Recorded Future, o Avaddon se tornou um dos vírus mais ativos após esse aumento nos ataques – até ele ser repentinamente desativado.

Ainda de acordo com a empresa, os hackers haviam anunciado a pretensão de mudar o funcionamento do ransomware para um modelo "privado", abandonando o formato "ransomware como serviço", em que muitos criminosos podem atuar para instalar o vírus nas redes de empresas.

Alguma mudança no vírus de resgate já era esperada após essa movimentação, mas não havia indícios de que a operação seria definitivamente encerrada.

É o segundo vírus de resgate que encerra suas operações em pouco mais de um mês. Pouco após atacar o oleoduto da Colonial Pipeline nos Estados Unidos, os operadores do vírus DarkSide também "fecharam as portas", alegando pressão das autoridades.

Especialistas chegaram a cogitar a possibilidade de que os responsáveis pelo DarkSide teriam tentado fugir com o dinheiro para dar "calote" nos "afiliados" que ainda deveriam receber sua comissão referente aos ataques que ajudaram a realizar.

O FBI revelou depois que estava de fato monitorando esses invasores e que conseguiu interceptar as criptomoedas pagas como resgate pela Colonial Pipeline. Porém, nenhuma prisão foi realizada.

Dúvidas sobre segurança, hackers e vírus? Envie para g1seguranca@globomail.com

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Illuminati: 12 curiosidades sobre uma das sociedades secretas mais fascinantes da história

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Ordem dos Illuminati ou dos Illuminati da Baviera? Veja o que se sabe sobre a famosa organização clandestina.
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TOPO
Por Emma Slattery Williams, BBC

Postado em 14 de junho de 2021 às 09h45m


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Emblema dos Illuminati da Baviera — Foto: BBC
Emblema dos Illuminati da Baviera — Foto: BBC

Illuminati é o nome dado tanto a uma sociedade real formada há 245 anos, quanto a uma sociedade fictícia.

A versão fictícia até hoje alimenta teorias de conspiração, incluindo alegações de que se trataria de uma organização global secreta e misteriosa cuja intenção seria dominar o mundo.

Supostamente, eles estariam por trás de algumas das maiores revoluções e assassinatos da história.

Mas quem realmente eram os Illuminati? É verdade que eles controlam o planeta?

Veja o que se sabe sobre esta que se tornou uma das sociedades secretas mais fascinantes da história.

1. Quem eram os Illuminati originais?

A Ordem dos Iluminados, ou Illuminati, foi uma sociedade secreta formada na Baviera (hoje parte da Alemanha contemporâneaque existiu de 1776 a 1785. Seus membros originalmente se referiam a si próprios como perfetibilistas.

O grupo foi inspirado pelos ideais do Iluminismo e fundado pelo professor de direito canônico Adam Weishaupt (1748-1830). Ele queria promover a educação da razão e da filantropia e se opor à superstição e à influência religiosa na sociedade.

Weishaupt buscava mudar a forma como os Estados eram governados na Europa, removendo a influência da religião no governo e dando ao povo uma nova fonte de "iluminação", ou esclarecimento.

Acredita-se que a primeira reunião dos Illuminati da Baviera ocorreu em uma floresta perto de Ingolstadt em 1º de maio de 1776. Lá, cinco homens estabeleceram as regras que orientariam a ordem secreta.

Com o tempo, os objetivos do grupo se concentraram em influenciar decisões políticas e mudar instituições como a monarquia e a Igreja.

Alguns membros dos Illuminati se juntaram aos maçons para recrutar novos membros.

Um pássaro conhecido como a 'coruja de Minerva(Minerva é a antiga deusa romana da sabedoria) acabou se tornando seu símbolo principal.
Coruja europeia era animal sagrado da deusa Atenas na mitologia grega; na cultura romana, era o pássaro de Minerva — Foto: Getty Images via BBC
Coruja europeia era animal sagrado da deusa Atenas na mitologia grega; na cultura romana, era o pássaro de Minerva — Foto: Getty Images via BBC

2. Qual é a relação entre os Illuminati e os maçons?

Os maçons são uma ordem que se desenvolveu a partir de agremiações de construtores de catedrais da Idade Média.

Em alguns países, especialmente nos Estados Unidos, existe uma certa paranoia histórica sobre os maçons. Em 1828, um movimento político conhecido como Partido Antimaçônico foi estabelecido com o único objetivo de combater a ordem.

Como os Illuminati recrutaram originalmente os maçons, os dois grupos costumam ser confundidos um com o outro.

3. Como era possível se unir aos Illuminati?

Representação do século 19 de um ritual de iniciação Illuminati. Na verdade, poucos detalhes sobre verdadeira natureza da cerimônia são conhecidos — Foto: Getty Images via BBC
Representação do século 19 de um ritual de iniciação Illuminati. Na verdade, poucos detalhes sobre verdadeira natureza da cerimônia são conhecidos — Foto: Getty Images via BBC

Para se juntar aos Illuminati, você precisava ter o consentimento total dos outros membros, possuir riqueza e ter uma boa reputação dentro de uma família considerada adequada.

Além disso, havia um sistema hierárquico para os membros dos Illuminati.

Depois de entrar como "novato", você se graduaria como "minerval" e depois para um "iluminado minerval". Mais tarde, essa estrutura se tornou mais complicada, exigindo 13 graus de iniciação para se tornar um membro.

4. Os Illuminati tinham rituais?

Eles faziam rituais – embora a maioria permaneça desconhecida – e usavam pseudônimos para manter as identidades dos membros em segredo.

No entanto, graças a documentos secretos apreendidos, sabe-se como os novatos conseguiam passar para um nível superior na hierarquia dos Illuminati:

  • Produzir um relatório sobre todos os livros que possuíam
  • Escrever uma lista de seus próprios pontos fracos
  • Revelar os nomes de seus próprios inimigos.

O novato então prometia sacrificar interesses pessoais pelo bem da sociedade.

5. O que é o olho que tudo vê?

Pirâmide e "olho que tudo vê", símbolos usados ​​no Grande Selo dos Estados Unidos (usado para autenticações) e impressos em papel-moeda no país. — Foto: Getty Images via BBC
Pirâmide e "olho que tudo vê", símbolos usados ​​no Grande Selo dos Estados Unidos (usado para autenticações) e impressos em papel-moeda no país. — Foto: Getty Images via BBC 

"Olho da Providência", um símbolo que lembra um olho dentro de um triângulo, aparece em igrejas ao redor do mundo, bem como em edifícios maçônicos e na nota de um dólar americano.

Além de ser associado à Maçonaria, também foi associado aos Illuminati como um símbolo do controle e vigilância do mundo pelo grupo. 

Originalmente um emblema cristão, "o olho que tudo vê" tem sido usado em pinturas para representar a vigilância de Deus sobre a humanidade.

No século 18, começou a ser usado de novas maneiras, por exemplo, na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de Jean-Jacques-François Le Barbier (1738-1826), uma versão ilustrada do documento de direitos humanos aprovado pela Assembleia Nacional Constituinte de França em 1789.

Nesse caso, indicava um instrumento que representava o policiamento de uma nação que há pouco tempo havia se tornado democrática.

Não há uma ligação oficial entre o olho que tudo vê e os Illuminati; a conexão atribuída a eles provavelmente se deve ao fato de que o grupo original compartilhava semelhanças com os maçons, que usavam a imagem como símbolo de Deus

6. Os Illuminati conseguiram dominar o mundo?

Algumas pessoas acreditam que os Illuminati controlam o mundo hoje. Segundo essa tese, eles seriam tão discretos que conseguiriam ter todo esse poder sem que a sociedade tivesse clareza sobre isso.

Como muitos membros da Ordem dos Illuminati se misturaram aos maçons e vice-versa, é difícil julgar o sucesso dos Illuminati, mas a maioria dos historiadores acredita que o grupo original só conseguiu ter uma influência moderada.

7. Houve algum membro famoso entre os Illuminati?

Em 1782, os Illuminati haviam crescido para cerca de 600 membros, incluindo nobres alemães como o Barão Adolph von Knigge, que, como ex-maçom, ajudou a moldar a organização e a expansão do grupo.

Inicialmente, os alunos de Weishaupt eram os únicos membros, mas médicos, advogados e intelectuais logo passaram a fazer parte.

Em 1784, estima-se que havia entre 2 mil e 3 mil membros Illuminati. Algumas fontes dizem que o renomado escritor Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832também aderiu ao grupo, mas isso é contestado.

8. Os Illuminati desapareceram?

Em 1784, Karl Theodor, duque da Baviera, proibiu a criação de qualquer tipo de sociedade que não fosse previamente autorizada por lei. No ano seguinte, ele aprovou uma segunda regra, proibindo expressamente a existência dos Illuminati.

Durante a prisão de membros suspeitos dos Illuminati, documentos comprometedores (defendendo ideias como ateísmo e suicídio) foram encontrados em sua posse, bem como instruções para a realização de abortos.

Isso cimentou a crença de que o grupo era uma ameaça tanto para o Estado quanto para a Igreja.

Depois disso, a Ordem dos Illuminati parece ter desaparecido, embora alguns acreditem que ela continue ativa.

9. O que aconteceu com Adam Weishaupt?

Johann Adam Weishaupt (1748-1830), filósofo alemão, fundador da Ordem da Sociedade Secreta dos Illuminati. — Foto: Getty Images via BBC
Johann Adam Weishaupt (1748-1830), filósofo alemão, fundador da Ordem da Sociedade Secreta dos Illuminati. — Foto: Getty Images via BBC

Adam Weishaupt acabou sendo destituído de seu posto na Universidade de Ingolstadt.

Depois de ser exilado da Baviera, ele passou o resto de sua vida em Gotha, na Turíngia (Alemanha), e morreu em 1830.

10. Por que o mito dos Illuminati continuou vivo?

A partir do momento em que foram dissolvidos, as teorias da conspiração sobre os Illuminati começaram a se estabelecer.

Em 1797, o padre jesuíta Augustin Barruel sugeriu que sociedades secretas como a Ordem dos Illuminati haviam liderado a Revolução Francesa. Barruel é considerado o pai da Antimaçonaria.

O primeiro presidente dos EUA, George Washington (1732-1799), escreveu uma carta no ano seguinte dizendo acreditar que a ameaça dos Illuminati havia sido evitada, acrescentando mais combustível à ideia de que a ordem ainda existia.

Livros e sermões condenando o grupo continuaram aparecendo, e o terceiro presidente dos Estados Unidos, Thomas Jefferson (1743-1826), foi falsamente acusado de ser um de seus membros.

11. Por que tanta gente ainda acredita nos Illuminati hoje em dia?

A ideia da existência de Illuminatis dominando o mundo nunca desapareceu totalmente e ainda se insinua na cultura popular.

Em 1963, um texto chamado "Principia Discordiafoi publicado, promovendo um sistema de crenças alternativo conhecido como 'Discordianismo'. O conteúdo apelava à anarquia e à desobediência civil perpetrando informações falsas, e entre seus seguidores estava o escritor Robert Anton Wilson (1932-2007).

Alguns seguidores do discordianismo enviaram cartas falsas a revistas afirmando que eventos como o assassinato do presidente dos Estados Unidos, John F. Kennedy (1917-1963), havia sido obra dos Illuminati.

Wilson posteriormente publicou um livro com Robert Shea, "The Illuminatus! Trilogy", que se tornou um sucesso e inspirou um novo gênero de ficção de conspiração, incluindo o romance do americano Dan Brown (e filme subsequente) "Anjos e Demônios".

Nestas obras, os Illuminati também estavam ligados ao satanismo e a outros ideais que estavam muito distantes daqueles associados ao grupo bávaro original do século 18.

12. O que é a nova Ordem Mundial e como ela se conecta aos Illuminati?

Aqueles que acreditam na teoria de uma Nova Ordem Mundial defendem a ideia de que um grupo de pessoas da elite global estaria tentando governar o mundo.

Além dos presidentes dos Estados Unidos, várias estrelas pop foram acusadas de serem membros, incluindo até Beyoncé e Jay-Z. Ambos negam as acusações.

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terça-feira, 15 de junho de 2021

O estranho comportamento do núcleo da Terra que intriga os cientistas

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Por razões desconhecidas, o núcleo interno do nosso planeta, uma massa compacta de ferro e níquel, está crescendo mais rápido de um lado que do outro.
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TOPO
Por BBC

Postado em 15 de junho de 2021 às 09h45m


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Núcleo da Terra é uma 'cápsula do tempo' — Foto: Getty via BBC
Núcleo da Terra é uma 'cápsula do tempo' — Foto: Getty via BBC

A milhares de quilômetros embaixo da terra está ocorrendo um fenômeno científico que ninguém sabe explicar.

É que o núcleo interno do nosso planeta, uma massa compacta de ferro e níquel, está crescendo mais rápido de um lado que do outro.

Um estudo realizado por sismólogos da Universidade da Califórnia, em Berkeley, nos Estados Unidos, e publicado na revista científica Nature Geoscience, revelou que a área do núcleo, localizada numa zona abaixo do mar de Banda, na Indonésia, é maior que a parte que se encontra no outro extremo, debaixo do Brasil.

Por meio de simulações de computador, os especialistas criaram uma espécie de mapa que mostra o crescimento do núcleo da Terra durante os últimos 1 bilhão de anos.

E chegaram à conclusão que ele se comportou num "padrão desequilibrado", com novos "cristais de ferro" que se formam mais rapidamente do seu lado asiático.

"O lado oeste tem aparência diferente do lado leste até o centro, não só na parte superior do núcleo interno, como alguns sugeriram. A única maneira de explicar isso é que um lado esteja crescendo mais rápido que o outro", disse Daniel Frost, um dos cientistas que participaram da pesquisa, em um comunicado.

De acordo com os especialistas, esse fenômeno tem implicações para o campo magnético da Terra (que nos protege das partículas perigosas do Sol).

Isso porque o campo magnético é formado pela convecção no núcleo externo, impulsionada pela liberação de calor do núcleo interno.

As evidências

O interior da Terra é formado por camadas parecidas com as de uma cebola. A última delas (a mais profunda) é o núcleo interno sólido de ferro e níquel, que tem um raio de 1.200 km, aproximadamente três quartos do tamanho da Lua.

Ele é rodeado por um núcleo externo fluido de ferro fundido e níquel, de aproximadamente 2,4 mil km de espessura. O núcleo externo, por sua vez, é circundado por um manto de rocha quente com 2,9 mil km de espessura e coberto por uma fina crosta rochosa fria na superfície.

Por meio do estudo de ondas sísmicas, os especialistas analisam como se comportam essas camadas, mas faz anos que têm notado que as ondas não se distribuem na mesma direção quando viajam entre os polos e na zona equatorial.

Essa suposição foi a base para a compreensão de que poderia haver uma certa diferença no núcleo da Terra, responsável por esse fenômeno.

"O movimento do ferro líquido no núcleo externo retira o calor do núcleo interno, fazendo com que ele congele", disse Frost na revista científica Live Science.

"Isso significa que o núcleo externo tem recebido mais calor do lado leste (sob a Indonésia) do que do oeste (sob o Brasil)", acrescentou.

Segundo o cientista, a melhor forma de visualizar o que está acontecendo a milhares de quilômetros de profundidade é imaginar um corte do tronco da árvore formado por anéis de crescimento que partem de um ponto central.

O centro dos anéis, neste caso, seria deslocado do centro da árvore, de modo que os círculos fiquem mais espaçados no lado leste da árvore e mais próximos no lado oeste.

No entanto, este crescimento mais rápido sob o Mar da Indonésia não deixou o núcleo desequilibrado, explicam os cientistas.

A gravidade distribui o novo crescimento uniformemente, mantendo o núcleo interno esférico e expandindo seu raio em média um milímetro por ano.

A idade do núcleo

As simulações por computador permitiram também aos sismólogos estabelecer uma data mais precisa para a formação do núcleo terrestre.

E sabe-se que o núcleo se formou quando a Terra já havia se organizado, aparentemente a partir da concentração de metais como ferro e níquel.

"Determinamos limites bastante flexíveis para a idade do núcleo interno, entre 500 e 1,5 bilhão de anos, o que pode ajudar no debate sobre como o campo magnético foi gerado antes que o núcleo interno sólido existisse", disse Barbara Romanowicz, outra pesquisadora que participou do estudo.

"Sabemos que o campo magnético já existia 3 bilhões de anos atrás, então outros processos devem ter conduzido a convecção no núcleo externo naquela época", acrescentou.

De acordo com a pesquisa, a idade mais jovem do núcleo interno pode significar que, no início da história da Terra, o calor que fervia o núcleo do fluido vinha de elementos leves que se separaram do ferro, não da cristalização deste metal.

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segunda-feira, 14 de junho de 2021

Entenda por que está chovendo menos no Brasil e se há risco de nova crise hídrica em SP

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Além da falta de água nas torneiras de casa, da conta de luz mais cara e do risco de apagão, a seca pode ter impactos significativos na economia brasileira, de acordo com pesquisador. Três fenômenos explicam a redução de chuvas em todo o Brasil; entenda. Sabesp diz que demanda por água na região metropolitana é menor do que em 2014.
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Por Bárbara Muniz Vieira, G1 SP — São Paulo

Postado em 14 de junho de 2021 às 12h00m


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Sistema Cantareira: Vista da Represa do Jaguari, em Jacareí, em foto de 2 de junho de 2021. — Foto: LUIS LIMA JR/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO
Sistema Cantareira: Vista da Represa do Jaguari, em Jacareí, em foto de 2 de junho de 2021. — Foto: LUIS LIMA JR/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO

Cinco estados brasileiros, entre eles São Paulo, enfrentam o que já é considerada a pior seca em 91 anos, de acordo com um comitê de órgãos do governo federal, que emitiu pela primeira vez na história um alerta de emergência hídrica para o período de junho a setembro. Mas por que tem chovido menos?

De acordo com especialistas, três fenômenos explicam a falta de chuvas no Brasil:

  • O desmatamento da Amazônia;
  • O aquecimento global causado por queima de combustíveis fósseis;
  • O fenômeno natural La Niña

Além da falta de água nas torneiras de casa, da conta de luz mais cara e do risco de apagão, a seca pode ter impactos significativos na economia brasileira, de acordo com o cientista Paulo Artaxo, doutor em física atmosférica pela Universidade de São Paulo (USP) e estudioso da Amazônia há 37 anos.

Estamos em uma trajetória que está colocando em xeque a economia brasileira. A economia quase que exclusivamente baseada em carne e soja pode não ser mais viável em 10 anos. Qual é o futuro do Brasil que queremos? O futuro como exportadores de carne e soja está comprometido. Queremos um país com riscos de vulnerabilidade tão fortes, que pode quebrar com uma seca? Além disso, se os países não pararem de queimar combustível fóssil, o Brasil está perdido, afirma.

O déficit de chuvas atual já é considerado severo, segundo Sistema Nacional de Meteorologia (SNM), que representa o comitê de órgãos do governo federal. O alerta emitido vale para os estados que se localizam na bacia do Rio Paraná: São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul e Paraná.

No caso de São Paulo, o paulistano ainda tem fresco na memória o que foi o desabastecimento de água na capital de 2014 a 2015. No final de maio de 2014, quando houve crise hídrica, o volume do Sistema Cantareira atingiu 3,6% de sua capacidade, e a Sabesp passou a operar bombeando água do chamado volume morto.

No vídeo abaixo, veja quando o governo emitiu alerta de crise hídrica para cinco estados:
Governo emite alerta para crise hídrica em cinco estados
Governo emite alerta para crise hídrica em cinco estados

Trata-se de uma reserva com 480 bilhões de litros de água situada abaixo das comportas das represas do Cantareira. Até então, essa água nunca tinha sido usada para atender a população.

Só o Cantareira abastece, por dia, cerca de 7,5 milhões de pessoas, ou 46% da população da Região Metropolitana de São Paulo, segundo a Agência Nacional de Águas (ANA), órgão que regulamenta o setor.

Começo de ano seco

No primeiro trimestre deste ano, o volume de chuva na região que abastece o Sistema Cantareira foi o mais baixo desde o final da crise hídrica, em 2016, e ficou abaixo do registrado no primeiro trimestre de 2013.

As chuvas de verão são importantes para garantir a recarga dos mananciais e, assim, haver água suficiente para atravessar os meses mais secos do ano.

Por isso é preocupante que tenha chovido pouco nos primeiros meses de 2021, de acordo com análise de Pedro Luiz Côrtes, professor do Programa de Pós-Graduação em Ciência Ambiental do Instituto de Energia e Ambiente (IEE) da Universidade de São Paulo (USP).

Há risco de haver nova seca e crise de abastecimento em 2022, já que teremos uma redução das chuvas com o início do período de estiagem. A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) nega haver possibilidade de desabastecimento.

Neste domingo (13), o Cantareira operava com 46,6% de sua capacidade, menos de dez pontos percentuais do que foi registrado no mesmo dia de junho de 2013, pré-crise hídrica.

Entenda os fenômenos que afetam o volume de chuvas:

Desmatamento na Amazônia

Sim, o desmatamento da Amazônia é uma das causas para chover menos na região central do Brasil, inclusive no estado de São Paulo. Uma das provas disso aconteceu em agosto de 2019, quando uma chuva preta caiu na capital paulista e o dia "virou noite".

Na época, o Climatempo disse que a fumaça proveniente de queimadas na região amazônica, dos estados do Acre e Rondônia e da Bolívia, chegou a São Paulo pela ação dos ventos, o que causou a chuva preta e a escuridão na capital.

Esses ventos que muitas vezes trazem chuva para São Paulo vêm da região equatorial do Oceano Atlântico e são chamados de ventos alísios.

Eles trazem a umidade do oceano no sentido leste a oeste e, chegando na Amazônia, essa umidade se precipita em forma de chuva. Essa chuva hidrata o solo e é absorvida pelas raízes mais profundas das grandes árvores, que são essenciais nesse processo.

As árvores drenam a umidade e por meio da transpiração, devolvem a umidade para o ar, de forma que o ciclo de umidade e chuva vai se repetindo levada pelos ventos, de acordo com Cortês, da USP.

A soja ou a pastagem, por exemplo, não têm raízes profundas e não conseguem desempenhar o mesmo papel. Com a intensificação do desmatamento, a floresta corre o risco de entrar em um ciclo em que perde a capacidade de manutenção da umidade atmosférica e esse processo pode tornar-se irreversível, explica.

Depois de passarem pela Amazônia e se recarregarem com a umidade da floresta, os ventos seguem o caminho em direção à Cordilheira dos Andes. Ao se encontrarem com a formação rochosa do local, fazem a curvaem direção à região central do Brasil, chegando ao Sudeste e Sul.

Por onde passam, esses ventos, se forem úmidos, trazem chuva – daí o nome popular de rios voadores para o que os cientistas chamam de Ventos de Zona de Convergência do Atlântico Sul.

Porém, com cada vez menos árvores na Amazônia, há cada vez menos umidade para os ventos transportarem e cada vez menos chuva no Centro-Oeste, Sudeste e Sul.

Mesmo que a floresta seja restaurada, demora-se anos para que as árvores criem raízes profundas para desempenhar o mesmo papel das que vem sendo devastadas. Uma plantação de soja não desempenha o mesmo papel da floresta nativa.
Infográfico simplificado mostra importância de floresta amazônica para chuvas no Brasil central — Foto: G1
Infográfico simplificado mostra importância de floresta amazônica para chuvas no Brasil central — Foto: G1

A situação é preocupante. A taxa anual de desmatamento da Amazônia, calculada via monitoramento de satélite pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (taxa Prodes), voltou a crescer a partir de 2015, saltando para mais de 11 mil quilômetros quadrados em 2020.

O que tem acontecido é que os ventos continuam soprando, mas geram menor quantidade de chuvas na região central e isso tem afetado reservatórios como Serra da Mesa, Furnas, Emborcação e Itumbiara. São reservatórios que estão com níveis baixos e isso não é uma situação sazonal ou eventual, isso já vem acontecendo nos últimos 8 a 10 anos, afirma Côrtes.

Prejuízo

Um estudo publicado em maio deste ano na prestigiada revista científica Nature Communications por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e outras fez um cálculo usando as áreas desmatadas no sul da Amazônia para saber o quanto isso reduziu a precipitação de chuvas e quanto trouxe de prejuízo.

Trata-se da região que mais sofreu com a expansão agrícola e madeireira no país e que concentra a maior parte das terras cultiváveis e de pastagens da região.

O estudo demonstrou que o avanço do desmatamento da Amazônia é economicamente prejudicial para a agricultura da região, já que a prática reduz o volume anual de chuvas, essencial para as plantações. O prejuízo chega a U$ 1 bilhão por ano.

Segundo os pesquisadores, essa redução avança de tal modo que, em breve, se nada for feito, poderá inviabilizar o lucrativo sistema de dupla safra hoje praticado na região.
Desmatamento na Amazônia atingiu em 2020 o maior índice dos últimos 12 anos — Foto: Getty Images via BBC
Desmatamento na Amazônia atingiu em 2020 o maior índice dos últimos 12 anos — Foto: Getty Images via BBC

Aquecimento global

O aumento global da temperatura e a alteração global no ciclo hidrológico está impactando o Brasil fortemente, reduzindo as chuvas principalmente no Nordeste brasileiro e na região central, segundo Artaxo.

Essas não são projeções para o futuro, é o que já está acontecendo hoje. Todos os modelos climáticos mostram que o aumento da temperatura reduz a precipitação no Brasil central. E o que estamos observando é que essa seca na maior parte do país é uma combinação de todos esses impactos juntos, afirma o professor.

Uma das previsões mais óbvias do aquecimento global é que em algumas áreas continentais, em particular o Nordeste brasileiro e a região central, vão se tornar mais secas, de acordo com Artaxo.

A própria vazão do rio São Francisco diminuiu significativamente. Regiões do Nordeste brasileiro que eram áreas semiáridas já estão se tornando áridas. Não é previsão para o futuro, isso já está acontecendo agora, afirma.

Atualmente o aquecimento global é causado principalmente por emissões da queima de combustíveis fósseis, como carvão, petróleo e gás natural.

Calcula-se que 83% de todos os gases de efeito estufa lançados na atmosfera vêm da queima de combustível fóssil e 17% das emissões globais vêm de desmatamento de florestas tropicais. O Brasil é de longe o maior emissor de gases de efeito estufa por causa do desmatamento, de acordo com o pesquisador.

Os gases de efeito estufa já aumentaram em 1,4 grau a temperatura no Brasil central e estamos indo na trajetória de ter um aumento de temperatura de 3 a 4 graus. Isso vai reduzir significativamente a chuva e vai dificultar a produtividade agrícola.

Para frear esse processo, segundo o professor, é preciso fazer muito mais do que economizar água.

O que tem de fazer são duas coisas: parar o desmatamento da Amazônia e fazer pressão nos países desenvolvidos para que eles reduzam a emissão de gases de efeito estufa com a queima de combustíveis fósseis. Sem isso a gente vai ficar enxugando gelo", afirma Artaxo.

"É perigoso entrar nesse argumento de economizar água. Nós vamos ter de economizar água nos próximos 50 anos? Mesmo que pararmos de desmatar a Amazônia hoje, se os países desenvolvidos não pararem de queimar combustíveis fósseis, o Brasil vai continuar a se tornar cada vez mais seco."

La Niña

Um fenômeno natural responsável por chover menos na Região Sul do Brasil é o La Niña. A última vez que ele chegou ao país foi no segundo semestre de 2020 e durou até o começo de maio de 2021, provocando uma estiagem severa no Sul, que atingiu também o estado de São Paulo.

O La Niña é um fenômeno que, ao contrário do El Niño, diminui a temperatura da superfície das águas do Oceano Pacífico tropical central e oriental. Mas, assim como o El Niño, gera uma série de mudanças significativas nos padrões de precipitação e temperatura no planeta.

O que acontece é que o La Niña muda o padrão de ventos na região equatorial, que se tornam mais ou menos intensos, e isso muda a chegada das frentes frias da região sul em direção a São Paulo.

Assim, o fenômeno reduz as chuvas na porção Sul do Brasil, e isso pode ter repercussão em São Paulo dependendo de sua intensidade. Ao mesmo tempo, o La Niña leva mais chuva ao Norte e ao Nordeste. Em 2021, especificamente, isso já vem ocorrendo com intensidade maior no Norte, de acordo com Côrtes.
Infográfico simplificado mostra os efeitos no clima causados pelo La Niña  — Foto: G1
Infográfico simplificado mostra os efeitos no clima causados pelo La Niña — Foto: G1

Chuva em São Paulo

O G1 tem mostrado que tem chovido menos do que a série histórica na região metropolitana de São Paulo. Em abril, seis dos sete mananciais que abastecem a região metropolitana de São Paulo tiveram déficit de chuvas. No Sistema Cantareira só choveu 10,8% do esperado no mês, um déficit de 89,2%.

Em maio, a situação se repetiu em seis dos sete mananciais que abastecem a região metropolitana de São Paulo. A queda de chuvas chegou a 48% no Sistema Cantareira.

O déficit de chuvas na região metropolitana de São Paulo deve continuar nos próximos meses, que são tradicionalmente mais secos, e avançar inclusive para o verão, quando normalmente chove mais, de acordo com Côrtes.

"O prognóstico é ruim. Estamos em um período de estiagem que está ainda mais seco que o usual. Quando voltar o período de chuvas em outubro, o prognóstico é que haverá um novo La Niña, então novamente a região sul vai ser comprometida com menos chuvas. Tudo indica que teremos primavera e verão tão secos quanto no ano passado e começo deste ano, e novamente teremos dificuldade de recarga nos reservatórios, diz Côrtes.

Esse cenário de estiagem permanece a até o segundo semestre do ano que vem, de acordo com o especialista. Na região central, em Goiás e Minas, o prognóstico é de redução da estiagem com a chegada do verão.

Alguns reservatórios vão conseguir acumular água, mas não a ponto de reverter a situação. Se tivermos a entrada de um El Niño no ano que vem, logo após o término do La Niña, ele só vai fazer efeito no segundo semestre de 2022, trazendo chuvas, afirma Côrtes.

Em nota, a Sabesp afirmou que modelos de previsão climáticas têm limitações e vêm apontando chuvas inferiores às médias. Por isso, a Companhia reforça a importância sobre uso consciente da água não só na estiagem, mas em qualquer época do ano, tema de campanhas permanentes da empresa.

De acordo com a Sabesp, "não há risco de desabastecimento neste momento na Região Metropolitana de São Paulo, mas a Companhia reforça a necessidade do uso consciente da água."

"É importante destacar ainda que a demanda atualmente na RMSP é inferior à registrada antes da crise de 2014 (como resultado da mudança de hábitos pela população e das campanhas permanentes de uso consciente): 70 mil L/s no primeiro trimestre de 2013, ante 63 mil L/s no primeiro trimestre de 2021."

"A Sabesp vem realizando nos últimos anos ações que estão ampliando a segurança hídrica e tornando o sistema de abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo mais resiliente, com destaque para:

• Integração do sistema, envolvendo 155 reservatórios e 10 áreas de interligações, o que permite transferências rotineiras entre regiões, conforme a necessidade operacional. A capacidade de transferência de água tratada foi ampliada em 300% desde 2014;

• Interligação Jaguari-Atibainha, que traz água da bacia do rio Paraíba do Sul para o sistema Cantareira;

• Novo Sistema Produtor São Lourenço;

• Centro de Controle dos Mananciais (CCM), com sistemas automatizados para acompanhamento de níveis dos reservatórios e pluviometria e tomada de decisões."

"Estão em andamento atualmente:

• A interligação do rio Itapanhaú, principal obra para reforçar a segurança hídrica na RMSP, inicia operação no fim de 2021 transferindo 400 L/s desse rio para o Sistema Alto Tietê. Até julho de 2022, serão em média 2,0 mil L/s;

• As interligações Rio Grande-Taiaçupeba e a Guaió-Taiaçupeba serão reativadas em 2021 após terem suas estruturas modernizadas;

• Está ativa a campanha Cuide Bem da Água, Cuide Bem de Você, sobre uso consciente."

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