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quarta-feira, 27 de janeiro de 2021

Em um ano, 11,5 milhões perderam emprego no setor privado, enquanto setor público seguiu contratando

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Número é superior à população de Portugal e reflete os efeitos da pandemia do novo coronavírus; setor público foi na contramão e contratou 145 mil servidores no período, segundo levantamento do IDados.  
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Por Bianca LIma e Luiz Guilherme Gerbelli, GloboNews e G1  
27/01/2021 06h38 Atualizado há 6 horas
Postado em 27 de janeiro de 2021 às 12h40m


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Em um ano, 11,5 milhões perdem emprego no setor privado
Em um ano, 11,5 milhões perdem emprego no setor privado

Em meio à pandemia do novo coronavírus, a economia brasileira viu um contingente superior à população de Portugal deixar o mercado de trabalho no setor privado.

Entre os meses de setembro de 2019 e de 2020, 11,5 milhões de brasileiros saíram da população ocupada no setor privado – número recorde, segundo levantamento realizado pela consultoria IDados, com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Trimestral. Na contramão, nesse mesmo período, o setor público criou 145,4 mil postos de trabalho.

No total, o Brasil tinha 70,6 milhões de trabalhadores que atuavam no setor privado em setembro do ano passado - número que inclui formais, informais, empregadores, conta própria, entre outros. Já no setor público, eram 11,8 milhões.

"O ciclo de contratações do setor público acompanha muito mais o calendário das eleições do que a economia do país", explica Mariana Leite, pesquisadora do IDados. "Até porque os servidores, em sua maioria, têm estabilidade no emprego. E a demanda por serviços públicos, em momentos de crise, não diminui tanto quanto a demanda por serviços privados", complementa.

População ocupada — Foto: Economia G1
População ocupada — Foto: Economia G1

A diferença de trajetória dos empregos público e privado indica que as desigualdades no mercado de trabalho devem ser reforçadas pela crise atual. Isso porque, além de criar vagas, o funcionalismo paga o dobro da iniciativa privada.

Segundo o IDados, a remuneração média dos servidores era de R$ 3.951 em setembro de 2020 – valor 94,4% superior aos R$ 2.032 oferecidos pela iniciativa privada.

O mecânico de manutenção Roberto Xavier de Souza, de 47 anos, se prepara para engrossar a fila de desempregados da iniciativa privada. Com o encerramento da produção da Ford em São Bernardo do Campo (SP), ele foi demitido, mas, em seguida, recontratado pela empresa responsável por fazer a desmontagem da fábrica da montadora.

O desemprego tem data para chegar na vida dele: maio de 2021, quando a desmontagem deverá ser concluída. Sem a perspectiva de contratação no setor privado, ele planeja sobreviver com a fabricação própria de móveis de ferro galvanizado e aço escovado.

"A preocupação é tanta que estou tentando me virar sozinho. Não penso em procurar emprego por causa da minha idade, apesar de eu já ter bastante bagagem na área profissional", afirma Roberto.

Mecânico de manutenção Roberto Xavier de Souza deve ficar desempregado em maio — Foto: Arquivo Pessoal
Mecânico de manutenção Roberto Xavier de Souza deve ficar desempregado em maio — Foto: Arquivo Pessoal

Mesmo empregado, Roberto viu sua qualidade de vida piorar. No novo trabalho, o salário é 80% menor, o que obrigou o mecânico a promover ajustes no orçamento doméstico. Casado e pai de dois filhos, ele é o principal provedor de recursos em casa.

"Eu tive de cortar muita coisa. Cortei internet, reduzi energia elétrica, economizei na água, até a qualidade da alimentação teve de mudar. Tive de reduzir muitos custos dentro de casa", diz. 
Patamar recorde

Com a deterioração do emprego privado, a participação do setor público no mercado de trabalho passou a rondar um patamar recorde.

No trimestre encerrado em junho de 2020, a proporção de funcionários públicos chegou a 14,8% da população ocupada, o máximo já apurado desde que a Pnad Contínua começou a ser realizada, em 2012. Em setembro, apresentou um leve recuo, para 14,3%.

Participação do setor público — Foto: Economia G1
Participação do setor público — Foto: Economia G1

"O setor público está sempre contratando, aumentando as despesas e os salários, enquanto que o mercado de trabalho privado opera numa outra lógica e recebe todos os impactos, quer seja de uma adversidade excepcional - como a que estamos vivendo agora -, quer seja das adversidades da economia e da estrutura do país como um todo", afirma Ana Carla Abrão, economista e sócia da consultoria Oliver Wyman.

A estrutura da carreira no setor público ajuda a explicar por que há um aumento na contratação, apesar do cenário de restrição fiscal enfrentado por municípios, estados e União. Com promoções e progressões em excesso, há sempre falta de funcionários na ponta, explica Ana Carla, o que acaba criando uma necessidade permanente de contração de pessoal.

"Existe um mecanismo que faz com que novas contratações sejam sempre necessárias, porque falta servidor na ponta, embora haja até excesso de pessoas na atividade meio e nos topos das carreiras", afirma a economista.

No Brasil, o gasto com pessoal é a segunda maior despesa do governo federal, atrás apenas dos benefícios previdenciários. O que os especialistas dizem é que a burocracia brasileira não é numerosa, se comparada ao restante do mundo, mas custa caro por causa dos elevados salários. A saída, segundo eles, passa por reformas que alterem a estrutura das carreiras em todos os entes federativos.

"O gasto salarial destoa (do resto do mundo) e vem crescendo de forma contínua. Sem que haja uma reforma administrativa, ele continuará crescendo e, daqui a pouco, o Brasil será o país que mais gasta, proporcionalmente ao PIB, com despesa de pessoal", diz Ana Carla.

Em setembro do ano passado, o governo enviou uma proposta de reforma administrativa ao Congresso, mas as mudanças valeriam apenas para os novos servidores. O texto propõe, por exemplo, o fim da estabilidade para parte dos funcionários públicos e extingue os chamados penduricalhos, que são benefícios, além do salário, garantidos aos servidores.

Governo envia ao Congresso reforma administrativa com regras novas para futuros servidores
Governo envia ao Congresso reforma administrativa com regras novas para futuros servidores

A pesquisa do IDados não detalha qual ente federativo foi responsável pela maior parte das contrações de servidores no último ano. Em nota, o Ministério da Economia informou que "não foi criado nenhum cargo efetivo (...) entre 2019 e 2020" no poder executivo federal civil.

Uma crise diferente

O levantamento do IDados evidencia que a atual crise do mercado de trabalho tem sido diferente das observadas em anos anteriores. Em períodos recessivos, a população ocupada sempre recua no setor privado, mas não com a intensidade vista atualmente. O que se percebe, agora, é que os brasileiros desistiram de procurar emprego.

Entre dezembro de 2015 e 2016, por exemplo, quando o país lidava com a combinação de uma crise econômica e política, a destruição de postos no setor privado chegou a quase 2 milhões. Ou seja, a destruição de empregos causada pela pandemia é cerca de seis vezes maior do que a verificada na última recessão.

"Em outras crises, o que a gente via, principalmente na de 2014, era uma saída muito forte do mercado formal, mas ela era compensada com uma maior informalidade da população", afirma Mariana, do IDados. "Dessa vez, o que parece estar acontecendo é que, por falta de emprego, a população tem saído totalmente da força de trabalho", diz a pesquisadora.

Com a pandemia e o descontrole da doença no país, muitos brasileiros deixaram de sair de casa para procurar emprego e passaram a ser considerados fora da força de trabalho do país. O Auxílio Emergencial também contribuiu para que uma parcela significativa da população pudesse ficar sem trabalhar durante a crise sanitária.

Fim do auxílio emergencial: Norte e Nordeste terão economias prejudicadas
Fim do auxílio emergencial: Norte e Nordeste terão economias prejudicadas

"Pelo menos para a população mais pobre, o Auxílio Emergencial ajudou a manter a renda", afirma Mariana. "Existem registros que a pobreza caiu no Brasil, em grande parte por causa do auxílio."

O Auxílio Emergencial foi pago até dezembro e chegou a 68 milhões de trabalhadores. O custo do programa foi de R$ 300 bilhões e representou um elevado gasto para o governo num momento de restrição fiscal. A equipe econômica ainda não indicou se o programa será continuado ou se ganhará um substituto.

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terça-feira, 26 de janeiro de 2021

Bolsas de NY recuam e Nasdaq interrompe sequência de recordes

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O Nasdaq fechou em queda de 0,07%, a 13.626,06 pontos, interrompendo uma sequência de quatro sessões consecutivas nas quais renovou sua máxima histórica. 
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TOPO
Por Valor Online  
26/01/2021 19h32 Atualizado há 2 horas
Postado em 26 de janeiro de 2021 às 21h35m


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Os índices acionários viraram para terreno negativo nos minutos finais da sessão e fecharam em queda nesta terça-feira (26), interrompendo a sequência de ganhos do Nasdaq, enquanto os investidores aguardam a divulgação de uma série de balanços importantes.

O Nasdaq fechou em queda de 0,07%, a 13.626,06 pontos, interrompendo uma sequência de quatro sessões consecutivas nas quais renovou sua máxima histórica. O S&P 500, por sua vez, recuou 0,15%, a 3.849,62 pontos, e o Dow Jones caiu 0,07%, a 30.937,04 pontos.

A semana marca o ápice da temporada de balanços do quarto trimestre de 2020, com mais de um quinto das empresas que compõem o S&P 500 divulgando os seus resultados.

Placa de Wall Street perto da bolsa de Nova York — Foto: REUTERS/Shannon Stapleton
Placa de Wall Street perto da bolsa de Nova York — Foto: REUTERS/Shannon Stapleton

Destaques

Após o fechamento das negociações em Nova York, a Microsoft reportou uma alta de mais de 30% nos lucros do quarto trimestre, a US$ 15,5 bilhões, superando com folga a expectativa de consenso, de US$ 12,6 bilhões, de acordo com levantamento da FactSet. Por volta das 19h05, a ação da gigante de tecnologia sobe 3,93% nas operações pós-mercados, depois de fechar em alta de 1,22%.

A semana terá ainda a divulgação dos resultados de outras companhias importantes nos EUA, com a Tesla e as gigantes de tecnologia Apple e Facebook divulgando os seus números amanhã.

Os balanços divulgados antes da abertura hoje também foram positivos: as ações da General Electric (+2,73%), Johnson & Johnson (+2,71%) e da Raytheon Technologies (+1,39%) fecharam todas em alta, com as companhias tendo reportado resultados trimestrais melhores do que o esperado.

Destaque também para a disparada da ação da GameStop, que subiu 92,71% nesta terça, com investidores individuais comprando a ação em massa. A disparada segue uma sequência de fortes movimentos, com a ação acumulando uma alta atordoante de mais de 785% em 2021.

Entre os dados, destaque positivo para a confiança do consumidor nos EUA, que aumentou em janeiro, de acordo com dados do Conference Board divulgados mais cedo. O índice de confiança do consumidor aumentou para 89,3 pontos em janeiro, de 87,1 revisados para baixo em dezembro. A leitura supera as estimativas dos economistas ouvidos pelo "Wall Street Journal" que esperavam que o sentimento do consumidor caísse ligeiramente para 88,0.

Os investidores aguardam, agora, a conclusão da primeira reunião de política monetária do Federal Reserve no ano. "As alterações no comunicado da decisão provavelmente devem ser pequenas. O presidente [Jerome Powell] provavelmente permanecerá 'dovish' [favorável ao afrouxamento monetário] em relação às políticas, mesmo enquanto expressa algum otimismo sobre o crescimento", afirmam os estrategistas da TD Securities.

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Ano de 2020 tem recorde de ataques à liberdade de imprensa desde início da série na década de 1990, diz Fenaj

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Federação Nacional dos Jornalistas registrou 428 casos de violência, mais do que o dobro do ano retrasado. Aumento está associado à 'sistemática ação do presidente da República, Jair Bolsonaro', segundo o relatório.  
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Por G1 Rio  
26/01/2021 10h00 Atualizado há 3 horas
Postado em 26 de janeiro de 2021 às 13h00m


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Levantamento mostra recorde de ataques à imprensa em 2020
Levantamento mostra recorde de ataques à imprensa em 2020

O ano de 2020 registrou 428 casos de ataques à liberdade de imprensa, de acordo com a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj). Foi o ano mais violento desde o início do levantamento na década de 1990, de acordo com o relatório Violência Contra Jornalistas e Liberdade de Imprensa no Brasil, publicado nesta terça (26).

De 2019 para 2020, o número dobrou. Eram 208 ocorrências, o que representa um aumento de 105%.

"A explosão de casos está associada à sistemática ação do presidente da República, Jair Bolsonaro, para descredibilizar a imprensa e à ação de seus apoiadores contra veículos de comunicação social e contra os jornalistas. Ela começou em 2019 e agravou-se em 2020, quando a cobertura jornalística da pandemia provocada pelo novo coronavírus foi pretexto para dezenas de ataques do presidente e dos que o seguiram na negação da crise sanitária".

O levantamento mostra que Bolsonaro foi responsável por 175 casos, o que corresponde a cerca de 41% dos ataques. Ele cometeu, segundo a Fenaj, 145 casos de descredibilização da imprensa, 26 agressões verbais, duas ameaças diretas e dois ataques à Fenaj.

Total de ataques

Tanto em 2019, quanto em 2020 houve dois assassinatos e dois casos de racismo. O relatório afirma que "o registro de duas mortes de jornalistas, por dois anos seguidos, é evidência concreta de que há insegurança" para o exercício profissional.

Os jornalistas assassinados foram Léo Veras, que denunciava o crime organizado na fronteira com o Paraguai, e Edney Neves, que trabalhava na campanha à reeleição da Prefeitura de Peixoto de Azevedo, no Mato Grosso, e relatou que recebia ameaças.

Distribuição por casos:

  • Assassinatos - 2
  • Agressões físicas - 32
  • Agressões verbais/virtuais - 76
  • Ameaças/intimidações - 34
  • Ataques cibernéticos - 34
  • Atentado - 1
  • Censuras - 85
  • Cerceamentos à liberdade de expressão por meio de ações judiciais - 16
  • Descredibilização da imprensa - 152
  • Impedimentos ao exercício profissional - 14
  • Injúrias raciais/racismo - 2
  • Sequestro/cárcere privado - 2
  • Violência contra a organização dos trabalhadores/sindical - 6

O relatório destaca ainda o aumento de censura (750%) e de agressões verbais/ataques virtuais (280%) de um ano para o outro. Estas, segundo o levantamento, cresceram com o incentivo do presidente.

"Jornalistas passaram a ser agredidos por populares nas ruas e os ataques virtuais, por meio de redes sociais e aplicativos de mensagens, tornaram-se comuns. Apesar do aumento significativo, é muito provável que ainda haja subnotificação dos casos, porque muitos profissionais não chegam a denunciar o ataque sofrido", diz o relatório.

Relatório da Fenaj aponta aumento de ataques à liberdade de imprensa em 2020; veja quem são os agressores — Foto: Reprodução/Fenaj
Relatório da Fenaj aponta aumento de ataques à liberdade de imprensa em 2020; veja quem são os agressores — Foto: Reprodução/Fenaj

Regiões

Relatório da Fenaj aponta aumento de ataques à liberdade de imprensa em 2020; veja números por região — Foto: Reprodução/Fenaj
Relatório da Fenaj aponta aumento de ataques à liberdade de imprensa em 2020; veja números por região — Foto: Reprodução/Fenaj

O Sudeste é a região com mais casos de violência direta ontra jornalistas, mas o Centro-Oeste registra o maior número de atentados à liberdade de imprensa.

A unidade federativa com números mais altos é o Distrito Federal, que contabilizou as censuras na Empresa Brasil de Comunicação (EBC), já que é o local da empresa.

Relatório da Fenaj aponta aumento de ataques à liberdade de imprensa em 2020; veja casos por estado — Foto: Reprodução/Fenaj
Relatório da Fenaj aponta aumento de ataques à liberdade de imprensa em 2020; veja casos por estado — Foto: Reprodução/Fenaj

Gênero

Relatório da Fenaj aponta aumento de ataques à liberdade de imprensa em 2020; veja ataques por gênero (em casos como a descredibilização da imprensa não há identificação de gênero) — Foto: Reprodução/Fenaj
Relatório da Fenaj aponta aumento de ataques à liberdade de imprensa em 2020; veja ataques por gênero (em casos como a descredibilização da imprensa não há identificação de gênero) — Foto: Reprodução/Fenaj

Segundo o relatório, manteve-se a prevalência de agressões a jornalistas do sexo masculino. Entre as mulheres que foram vítimas de cerceamento à liberdade de impressão, 64 sofreram algum tipo de agressão.

Em alguns casos, a identificação de gênero não é realizada por se tratar de ataques como a descredibilização da imprensa.

Mídia

Relatório da Fenaj aponta aumento de ataques à liberdade de imprensa em 2020; veja violência por tipo de mídia — Foto: Reprodução/Fenaj
Relatório da Fenaj aponta aumento de ataques à liberdade de imprensa em 2020; veja violência por tipo de mídia — Foto: Reprodução/Fenaj

Os jornalistas televisivos são os mais atingidos pelas agressões diretas. A EBC (que inclui veículos como TV, rádio, site e agência de notícias) foi contabilizada separadamente e ficou em segundo, seguida dos jornalistas que trabalham em portais (mídia digital).

Agressores

O relatório mostra que o principal autor de ataques foi o presidente Jair Bolsonaro. Depois dele, servidores públicos foram os que mais atacaram. Em terceiro estão os políticos — Bolsonaro foi excluído desta categoria por ser o líder em ataques.

Relatório da Fenaj aponta aumento de ataques à liberdade de imprensa em 2020; veja quem são os agressores — Foto: Reprodução/Fenaj
Relatório da Fenaj aponta aumento de ataques à liberdade de imprensa em 2020; veja quem são os agressores — Foto: Reprodução/Fenaj

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IPCA-15: prévia da inflação oficial fica em 0,78% em janeiro, aponta IBGE

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Este foi o maior resultado para um mês de janeiro desde 2016. Índice desacelerou na passagem de dezembro para janeiro pressionado pela energia elétrica, que teve bandeira tarifária reduzida, mas alimentos seguem pressionando a inflação no país.  
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Por Daniel Silveira, G1 — Rio de Janeiro  
26/01/2021 09h00 Atualizado há 2 horas
Postado em 26 de janeiro de 2021 às 11h00m


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Redução da bandeira tarifária das contas de energia elétrica ajudou a desacelerar o indicador prévio da inflação na passagem de dezembro para janeiro, segundo o IBGE — Foto: Marcos Santos / USP Imagens
Redução da bandeira tarifária das contas de energia elétrica ajudou a desacelerar o indicador prévio da inflação na passagem de dezembro para janeiro, segundo o IBGE — Foto: Marcos Santos / USP Imagens

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), que é uma prévia da inflação oficial do país, ficou em 0,78% em janeiro, conforme divulgado nesta terça-feira (26) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Este foi o maior resultado para um mês de janeiro desde 2016, quando o índice ficou em 0,92%.

Em 12 meses, o IPCA-15 acumula alta de 4,30%, acima dos 4,23% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores.

Em dezembro de 2020, o IPCA-15 ficou em 1,06%. A desaceleração do indicador, segundo o IBGE, foi pressionada pela energia elétrica, já que houve redução das contas de luz devido à mudança da bandeira tarifária. Todavia, os preços dos alimentos seguem pressionando a inflação no país.

IPCA-15, prévia da inflação oficial (variação mensal)  — Foto: Economia/G1
IPCA-15, prévia da inflação oficial (variação mensal) — Foto: Economia/G1

Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados pelo IBGE, oito apresentaram alta em janeiro. Apenas comunicação apresentou deflação no mês.

Veja o resultado para cada um dos grupos:

  • Alimentação e bebidas: 1,53%
  • Habitação: 1,44%
  • Artigos de residência: 0,81%
  • Vestuário: 0,85%
  • Transportes: 0,14%
  • Saúde e cuidados pessoais: 0,66%
  • Despesas pessoais: 0,40%
  • Educação: 0,11%
  • Comunicação: -0,01%

Para seis grupos, o índice desacelerou na passagem de dezembro para janeiro. Houve aceleração do indicador apenas para Vestuário, Saúde e cuidados pessoais e Despesas pessoais. 

Alimentação segue pressionando a inflação

De acordo com o IBGE, o maior impacto no IPCA-15 de janeiro partiu do grupo de Alimentação e bebidas, embora a alta nos preços deste grupo tenha desacelerado de 2% em dezembro para 1,53% em janeiro.

A desaceleração dos preços da alimentação ocorreu principalmente por conta dos alimentos para consumo no domicílio, que passaram de 2,57% em dezembro para 1,73% em janeiro.

As carnes (1,18%), o arroz (2,00%) e a batata-inglesa (12,34%) apresentaram altas menos intensas na comparação com o mês anterior, quando variaram 5,53%, 4,96% e 17,96%, respectivamente. Já as frutas subiram 5,68%, frente à alta de 3,62% no mês anterior, e contribuíram com o maior impacto (0,06 p.p.) entre os itens pesquisados.

No lado das quedas, o destaque foi o recuo nos preços do tomate (-4,14%).

Já os alimentos para consumo fora do domicílio seguiram movimento inverso e aceleraram de 0,58% em dezembro para 1,02% em janeiro. Enquanto a refeição (0,81%) apresentou variação próxima à do mês anterior (0,86%), o lanche passou de um recuo de 0,11% para alta de 1,45%, "contribuindo decisivamente para o resultado observado em janeiro", enfatizou o IBGE.

Energia elétrica tem o maior impacto individual no mês

Depois de Alimentação e bebidas, o segundo maior impacto no índice do mês partiu do grupo Habitação, que teve alta de 1,44% no mês, levemente abaixo do registrado em dezembro (1,50%).

O principal impacto na alta da Habitação partiu da energia elétrica que, segundo o IBGE, foi o item com o maior impacto individual no mês (0,14 p.p.), ajudando a desacelerar a inflação na passagem de dezembro para janeiro.

A energia elétrica passou de uma alta de 4,08% em dezembro para 3,14% em janeiro. Isso porque passou a vigorar a bandeira tarifária amarela, em que há acréscimo de R$1,34 na conta de luz a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos - em dezembro estava em vigor a bandeira tarifária vermelha patamar 2, cujo acréscimo é de R$ 6,24 para cada 100 kWh consumidos.

Ainda no grupo Habitação, o segundo maior impacto veio do gás de botijão, que teve alta de 2,42%, foi o oitavo mês consecutivo com alta de preços para o produto.

Alta dos transportes desacelera de 1,43% para 0,14%

O IBGE destacou que o grupo de Transportes, que é o segundo de maior peso no IPCA-15, apresentou forte de desaceleração - passou de 1,43% em dezembro para 0,14% em janeiro.

"Isso ocorreu tanto pela queda nos preços das passagens aéreas quanto pela alta menos intensa da gasolina, que passou de 2,19% em dezembro para 0,95%", destacou o IBGE.

As passagens aéreas registraram deflação de 20,49% em janeiro. Segundo o IBGE, essa queda também ajuda a explicar a desaceleração do IPCA-15 na passagem de dezembro para janeiro, somada à redução da energia elétrica.

Alta em todas as regiões

Todas as 11 regiões pesquisadas pelo IBGE registraram alta do IPCA-15 em janeiro, sendo que em apenas quatro delas o resultado tenha ficado abaixo da média nacional. O maior índice foi observado na região metropolitana do Recife, enquanto Brasília teve o menor resultado.

Veja a prévia da inflação para cada uma das regiões pesquisadas pelo IBGE:

  • Recife: 1,45%
  • Porto Alegre: 1,11%
  • Fortaleza: 0,97%
  • Belo Horizonte: 0,97%
  • Rio de Janeiro: 0,95%
  • Goiânia: 0,89%
  • Belém: 0,78%
  • Brasil: 0,78%
  • São Paulo: 0,63%
  • Curitiba: 0,62%
  • Salvador: 0,38%
  • Brasília: 0,33%

Para o cálculo do IPCA-15, o IBGE coletou os preços no período de 12 de dezembro de 2020 a 14 de janeiro de 2021 e os comparou àqueles vigentes de 13 de novembro a 11 de dezembro de 2020.

Perspectivas e meta de inflação

A meta central do governo para a inflação em 2021 é de 3,75%, e o intervalo de tolerância varia de 2,25% a 5,52%. Para alcançá-la, o Banco Central eleva ou reduz a taxa básica de juros da economia (Selic), que está atualmente em 2% ao ano.

Os analistas das instituições financeiras projetam uma inflação de 3,50% no ano, conforme aponta a última pesquisa Focus do Banco Central.

Em 2020, a inflação fechou em 4,52%, acima do centro da meta do governo, que era de 4%. Foi a maior inflação anual desde 2016.

Metas para a inflação estabelecidas pelo Banco Central — Foto: Aparecido Gonçalves/Arte G1
Metas para a inflação estabelecidas pelo Banco Central — Foto: Aparecido Gonçalves/Arte G1

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