Total de visualizações de página

domingo, 25 de outubro de 2020

'Mistério dos Planetas' mostra que Saturno, a joia do Sistema Solar, tem até chuva de diamante

= =---____------- ===  ----                                            -----________::_____   _____= =..= = =..= =..= = =____   _____::________                       --------- ====  -----------____---= =


Saturno também é conhecido como o noivo do Sistema Solar e é temperamental, com raios e tempestades.  
= =---____------- ===  ----                                            -----________::_____   _____= =..= = =..= =..= = =____   _____::________                      --------- ====  -----------____---= =
Por Fantástico  
25/10/2020 21h23 Atualizado há uma hora
Postado em 25 de outubro de 2020 às 22h25m



         .      Post.N.\9.512    .           
|||.__-_____    _________    ______    ____- _|||
'Mistério dos Planetas' mostra que Saturno, joia do Sistema Solar, tem chuva de diamante
'Mistério dos Planetas' mostra que Saturno, joia do Sistema Solar, tem chuva de diamante

A viagem do Mistério dos Planetas faz uma nova parada em Saturno, para os íntimos a joia do Sistema Solar. Cientistas dizem que no planeta famoso pelos anéis tem até chuva de diamante.

Com seu sistema de anéis de aproximadamente 300 mil quilômetros de largura, Saturno é o noivo do Sistema Solar que gosta de caprichos extravagantes, como raios que piscam e tempestades que rodopiam feito furacões.

Além de tudo isso, ele também é misterioso. Não é possível se apoiar nele, porque Saturno não tem superfície sólida. É uma atmosfera que parece nunca se acabar.

Veja na reportagem por que ele é desse jeito e o que tem a ver a densa atmosfera gasosa com os anéis feitos de gelo.

------++-====-----------------------------------------------------------------------=================---------------------------------------------------------------------------------====-++------

Primeiro ninho de vespas assassinas é encontrado e destruído nos EUA

= =---____------- ===  ----                                            -----________::_____   _____= =..= = =..= =..= = =____   _____::________                       --------- ====  -----------____---= =


Cientistas rastrearam os insetos e encontraram o ninho na cidade de Blaine.  
= =---____------- ===  ----                                            -----________::_____   _____= =..= = =..= =..= = =____   _____::________                      --------- ====  -----------____---= =
Por G1  
25/10/2020 16h32 Atualizado há uma hora
Postado em 25 de outubro de 2020 às 17h35m



         .      Post.N.\9.511    .           
|||.__-_____    _________    ______    ____- _|||
A vespa gigante asiática é a maior do mundo e pode medir mais de 5 cm — Foto: WSDA/BBC
A vespa gigante asiática é a maior do mundo e pode medir mais de 5 cm — Foto: WSDA/BBC

Equipes fortemente protegidas no estado de Washington trabalharam no sábado (24) para destruir o primeiro ninho das chamadas vespas assassinas descoberto nos Estados Unidos. 

Encontrado na cidade de Blaine, perto da fronteira canadense, o ninho tem o tamanho de uma bola de basquete e continha cerca de 100 a 200 vespas, de acordo com cientistas que anunciaram a descoberta na sexta-feira.

A vespa gigante asiática capturada em julho (ao centro), em comparação com outras da mesma espécie — Foto: WSDA/BBC
A vespa gigante asiática capturada em julho (ao centro), em comparação com outras da mesma espécie — Foto: WSDA/BBC

O Departamento de Agricultura do estado passou semanas procurando, prendendo e usando dispositivos de rastreamento para localizar a vespas gigantes asiáticas.

Os insetos foram aspirados da cavidade de uma árvore . Trajes especiais utilizados pelas equipes evitam que os ferrões de 6 milímetros das vespas machuquem os trabalhadores, que também usavam protetores faciais porque as vespas presas podem cuspir veneno doloroso em seus olhos.

Tudo que você precisa saber sobre as vespas que apareceram nos EUA

A árvore será cortada para extrair vespas recém-nascidas e saber se alguma rainha já deixou a colmeia, disseram os cientistas. As autoridades suspeitam que mais ninhos possam estar na área e continuarão procurando.

Apesar do apelido e do exagero que gerou temores em um ano já sombrio, os maiores vespas do mundo matam no máximo algumas dezenas de pessoas por ano nos países asiáticos, e especialistas dizem que provavelmente é bem menos.

Enquanto isso, marimbondos, vespas e abelhas normalmente encontradas nos Estados Unidos matam uma média de 62 pessoas por ano, segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças.

A verdadeira ameaça das vespas gigantes asiáticas - que têm 5 centímetros de comprimento - são os ataques devastadores às abelhas, que já estão sob o cerco de problemas como ácaros, doenças, pesticidas e perda de alimentos.

O inseto invasor é normalmente encontrado na China, Japão, Tailândia, Coréia do Sul, Vietnã e outros países asiáticos. O estado de Washington e a província canadense de British Columbia são os únicos lugares onde as vespas foram encontradas no continente.

O Departamento de Agricultura de Washington (WSDA) tem procurado ativamente por ninhos de vespas gigantes asiáticas desde que as primeiras vespas foram capturadas no início deste ano.

A primeira detecção confirmada de uma vespa gigante asiática em Washington foi feita em dezembro de 2019 e a primeira vespa foi presa em julho deste ano. Vários outros foram capturados posteriormente, todos no condado de Whatcom.

As vespas gigantes asiáticas, uma praga invasiva não nativa dos Estados Unidos, são as maiores vespas do mundo e predadoras de abelhas melíferas e outros insetos. Um pequeno grupo de vespas gigantes asiáticas pode matar uma colmeia inteira em questão de horas.

------++-====-----------------------------------------------------------------------=================---------------------------------------------------------------------------------====-++------

Investimento no Brasil cairá na década pela 1ª vez desde os anos 80, aponta estudo

= =---____------- ===  ----                                            -----________::_____   _____= =..= = =..= =..= = =____   _____::________                       --------- ====  -----------____---= =


Levantamento realizado pela FGV mostra que taxa de investimento deve recuar 2,2% ao ano, em média, entre 2011 e 2020. Incertezas sobre a trajetória da dívida pública e endividamento elevado das empresas são principais obstáculos para retomada.  
= =---____------- ===  ----                                            -----________::_____   _____= =..= = =..= =..= = =____   _____::________                      --------- ====  -----------____---= =
Por Luiz Guilherme Gerbelli, G1  
25/10/2020 07h29 Atualizado há 4 horas
Postado em 25 de outubro de 2020 às 11h35m


         .      Post.N.\9.510    .           
|||.__-_____    _________    ______    ____- _|||

Ao fim desta década, a economia brasileira vai ter colhido mais um indicador ruim. Entre 2011 e 2020, os investimentos deverão ter registrado queda média de 2,2% ao ano, mostra levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV).

Será a primeira queda do investimento para um período de dez anos desde 1980, conhecida como a década perdida.

O investimento é mais um dado que evidencia a fraqueza econômica do país na década atual. Outro levantamento do Ibre já apontou que o Produto Interno Bruto (PIB) do período de 2011 e 2020 será o pior dos últimos 120 anos, pelo menos.

Nos anos recentes, o fraco desempenho dos investimentos se concentrou de 2014 em diante, período a partir do qual a economia brasileira enfrentou uma dura recessão até 2016, observou um triênio de lenta recuperação e, agora em 2020, passou a ser impactada pela pandemia de coronavírus, que colocou o país novamente em recessão.

Fraco desempenho — Foto: Economia G1
Fraco desempenho — Foto: Economia G1

"O Brasil tem nos últimos 40 anos duas décadas perdidas, então isso explica o fato de o país estar com esse quadro de crescimento fraco", diz Marcel Balassiano, pesquisador do Ibre/FGV e um dos autores do levantamento. O estudo também teve a participação dos economistas do Ibre Claudio Considera e Juliana Trece.

Para calcular o dado do investimento na década atual, o Ibre utilizou a projeção para o desempenho do investimento contida no relatório de inflação, do Banco Central. A expectativa é de queda de 6,6% neste ano.

Se não houvesse a crise provocada pela pandemia, o desempenho do investimento continuaria fraco. No relatório de inflação de dezembro do ano passado, portanto, antes de iniciada a pandemia, a expectativa era de alta de 4,1% para os investimentos, o que levaria a década atual a apresentar uma queda média de 1,2%.

"O coronavírus agravou uma situação. Mas sem a doença, o Brasil continuaria com esse problema (de fraco investimento)", afirma Juliana.


Incertezas travam investimentos

A taxa de investimentos é medida pela Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que apura tudo o que se investe em máquinas, bens duráveis, aumento da capacidade produtiva e construção civil.

O avanço deste componente do PIB é fundamental para que o país consiga colher um crescimento mais sustentável e robusto ao longo dos próximos anos e, assim, aumentar a riqueza da sua população, afirmam os economistas. Mas desde 1980, o avanço médio da taxa investimento no país é de apenas 0,5% ao ano.

"O Brasil tomou a decisão de ficar parado, não tomou a decisão de crescer, de distribuir renda", diz Considera. "O país ficou três anos crescendo 1% ao ano, é praticamente o avanço da população. É renda per capita crescendo zero.

Mais do que um retrovisor fraco, há uma dúvida sobre se o Brasil vai ser capaz de recuperar a força dos investimentos no futuro.

O país lida com uma série de incertezas. A maior delas está na área fiscal. Com a pandemia, o endividamento do governo deve se aproximar de 100% do PIB neste ano, um patamar considerado alta para uma economia emergente como a brasileira.

A principal dúvida na área fiscal é se o governo vai manter o teto de gastos, que limita o crescimento das despesas à inflação do ano anterior. Na leitura do mercado, uma eventual deterioração das contas públicas pode levar a uma fuga de investidores do país, o que provocaria uma depreciação do câmbio e um consequente aumento da taxa básica de juros – hoje em 2% ao ano.

Juros mais altos encarecem a tomada de crédito pelas empresas para realizar novos investimentos.

"Existe o receio de que a trajetória da dívida pública cause ainda mais problemas", diz Considera. "Não cumprir o teto traz muita insegurança para os investidores. E a situação do capital externo, que está mais saindo do que entrando, pode se agravar ainda mais."

Investimentos estrangeiros no Brasil registram quedas em 2020
Investimentos estrangeiros no Brasil registram quedas em 2020

Há ainda uma agenda longa e já antiga de reformas estruturais que o Brasil precisa endereçar, como a tributária, para melhorar o ambiente de negócios. "As reformas são na direção de atrair investimentos. É fundamental que sejam realizadas", afirma Considera.

Empresas endividadas

Além de provocar uma piora do cenário macro, a pandemia afetou a saúde financeira das maiores empresas do Brasil, com o aumento do endividamento, o que também se torna um empecilho para a retomada dos investimentos.

No primeiro semestre, a relação entre endividamento líquido sobre capital próprio das companhias chegou a 73,5%, segundo levantamento do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi). Isso quer dizer que, para cada R$ 1 em dinheiro dos sócios, as empresas têm quase R$ 0,74 em financiamentos.

No primeiro semestre de 2019, essa relação era de 58,7%.

Mais dívida — Foto: Economia G1
Mais dívida — Foto: Economia G1

"Esse é um quadro que dificulta muito o investimento. É preciso lembrar que são duas crises próximas e que já houve um bom aumento do endividamento das empresas na crise anterior" , afirma o economista-chefe do Iedi, Rafael Cagnin. "A primeira onda de endividamento ainda não tinha sido totalmente digerida pelas empresas."

O levantamento do Iedi foi realizado com 240 empresas não-financeiras

Influência dos juros e de leilões de infraestrutura

A retomada dos investimentos no país passa pelo cenário de juros baixos - o que reforça a necessidade de acerto das contas públicas - e pela retomada dos leilões de infraestrutura.

Na última recessão, entre o fim de 2014 e 2016, o cenário para a melhora dos investimentos era considerado até mais difícil, avalia o diretor do ASA Investments, Carlos Kawall. Naquela ocasião, os juros estavam mais altos e a Operação Lava Jato provocava estragos econômicos em boas parte das maiores construtoras do país.

"A taxa de juros a 2% está ajudando numa retomada imobiliária, por exemplo", diz Kawall. "O financiamento imobiliário é um das poucas modalidades (de crédito) que sofreu pouco ou quase não sofreu com a crise e logo se recuperou."

Desde que assumiu, a equipe econômica sempre defendeu que a participação da iniciativa privada deveria liderar a retomada dos investimentos em infraestrutura no país. Mas, em quase dois anos, o governo conseguiu tirar pouca coisa do papel.

Em janeiro deste ano, a equipe econômica esperava leiloar ao menos seis estatais.

"O cenário é bom para a infraestrutura. A retomada dos leilões se dá em outra base (em relação ao governo Dilma). Dessa vez, com a atratividade adequada", afirma Kawall. "O único problema é que se trata de um processo lento, na medida em que toda a parte regulatória é demorada."

------++-====-----------------------------------------------------------------------=================---------------------------------------------------------------------------------====-++------

sábado, 24 de outubro de 2020

Como o aquecimento global levou a uma corrida de arqueólogos por tesouros antes congelados

= =---____------- ===  ----                                            -----________::_____   _____= =..= = =..= =..= = =____   _____::________                       --------- ====  -----------____---= =


À medida que a temperatura global aumenta, artefatos pré-históricos preservados no gelo das montanhas estão derretendo e se deteriorando. 
= =---____------- ===  ----                                            -----________::_____   _____= =..= = =..= =..= = =____   _____::________                      --------- ====  -----------____---= =
Por Matt Stirn, BBC  
23/10/2020 14h17 Atualizado há 22 horas
Postado em 24 de outubro de 2020 às 12h20m



         .      Post.N.\9.509    .           
|||.__-_____    _________    ______    ____- _|||
Uma equipe de arqueólogos parte em expedição até o acampamento base das montanhas Teton, nos EUA — Foto: Matt Stirn/BBC
Uma equipe de arqueólogos parte em expedição até o acampamento base das montanhas Teton, nos EUA — Foto: Matt Stirn/BBC

Acordei no meio da noite com cristais de gelo caindo no meu rosto. De dentro da barraca, em meio às cobertas, ouvi um ruído distante que parecia ser de um animal farejando.

Ainda atordoado, abri o zíper do saco de dormir e sentei. Comecei a prestar atenção nos barulhos lá fora, sem tirar o olho da lata de spray para espantar ursos que estava na minha frente.

Ouvi as corredeiras de um riacho próximo e o relinchar de um de nossos cavalos, que pastava nos arredores do Parque Nacional de Yellowstone. Até que escutei o barulho de gravetos quebrando, à medida que alguém – ou algo – se aproximava.

Abri a barraca, me deparei com a névoa branca que cobria a pradaria e, logo em seguida, avistei as pegadas frescas de um lobo no chão, a poucos centímetros de onde eu estava dormindo.

Uma colega que estava junto à fogueira contou que um grupo de quatro lobos passou cheirando a minha barraca.

"Eram apenas as montanhas dizendo bom dia", acrescentou ela, colocando a chaleira de volta na brasa.

"Depois de uma visita como essa, teremos um dia extraordinário."

Em 15 anos trabalhando com cientistas nas Montanhas Rochosas dos EUA, fiquei cara a cara com ursos pardos, escapei de incêndios florestais, cruzei rios transbordando a cavalo e descobri aldeias pré-históricas. Mas nunca pensei na visita de um lobo como uma bênção.

No entanto, à medida que a luz avermelhada do sol iluminava as cordilheiras acima da gente, eu olhei para os campos cobertos de neve e me perguntei que histórias as montanhas nos revelariam hoje.

Como arqueólogo das montanhas, estudo como culturas passadas viviam em grandes altitudes e ambientes cobertos de neve acima da chamada linha das árvores - altitude máxima onde a vegetação consegue crescer. Os turistas geralmente descrevem os penhascos e desfiladeiros congelados da paisagem alpina como hostis e assustadores.

Mas, por ter sido criado aos pés da Cordilheira Teton, no Wyoming, bem no coração das Montanhas Rochosas, sempre me senti em casa aqui. Na verdade, a 3 mil metros de altura é onde me sinto mais vivo.

Um pedaço de madeira antigo emerge do degelo nas montanhas do Wyoming — Foto: Matt Stirn/BBC
Um pedaço de madeira antigo emerge do degelo nas montanhas do Wyoming — Foto: Matt Stirn/BBC

No entanto, só quando comecei a explorar meu quintal com um olhar diferente que percebi que as montanhas escondem muitas histórias que conectam o homem à natureza.

'Hostis demais'

Quando era adolescente, passava os verões guiando montanhistas por todo o Wyoming. E, durante um passeio à Cordilheira Wind River, encontrei uma ponta de flecha perto das nossas barracas. A ideia de que 2 mil anos antes outra pessoa havia acampado no mesmo local, me fez pensar em por que as montanhas sempre atraíram a humanidade.

Quando comecei a faculdade naquele outono, tentei pesquisar sobre a história das montanhas de Wyoming, mas só consegui encontrar uma referência em uma revista arqueológica antiga: "a região montanhosa era hostil demais para abrigar povos pré-históricos".

Vários meses depois, fiquei sabendo que um arqueólogo de Wyoming chamado Richard Adams tinha acabado de descobrir uma aldeia pré-histórica inteira a apenas alguns quilômetros de onde eu encontrara a ponta da flecha. Entrei em contato com ele, e fui convidado a participar do projeto de escavação da aldeia.

Adams me ensinou que as montanhas guardavam segredos antigos à espera de serem revelados. Decidi então trocar minha corda de escalada por uma espátula, e comecei uma nova e emocionante carreira em busca daquele passado misterioso.

Hoje eu gerencio projetos nas montanhas da América do Norte – de escavações arqueológicas a pesquisas por satélite para localizar aldeias pré-históricas. Uma aventura fascinante. E, às vezes, custo a acreditar que tudo começou com uma descoberta casual aos 17 anos de idade.

Como muitos arqueólogos consideraram por muito tempo as regiões montanhosas hostis demais para abrigar povos antigos, a maioria das cordilheiras permanece imensamente inexplorada.

No entanto, para aqueles que começaram a trabalhar entre os picos mais altos do mundo, as altitudes elevadas são terras desconhecidas apaixonantes que estão apenas começando a ser compreendidas.

No verão, meus colegas e eu caminhamos até as profundezas das Montanhas Rochosas, dos picos gelados da Cordilheira de Wyoming até as altas planícies do Colorado. Estávamos em busca de aldeias desconhecidas, aparatos de caça, pedreiras e outras evidências de vida desde aproximadamente 13.000 a.C. (quando acredita-se que o homem tenha chegado pela primeira vez à América do Norte) até hoje.

Mas, diferentemente da arqueologia de uma maneira geral, há algo peculiar no nosso trabalho: as pistas que encontramos nem sempre estão enterradas no solo; às vezes, elas estão congeladas, presas debaixo do gelo.

Nas cadeias de montanha ao redor do mundo, os povos antigos usavam os campos cobertos de neve, as geleiras e as placas de gelo para caçar, armazenar alimentos e servir como pontes em terrenos inacessíveis. Assim como os montanhistas de hoje, esses andarilhos antigos de vez em quando deixavam cair itens pessoais que, com o passar do tempo, ficaram presos e preservados no gelo.

Fragmentos do esqueleto de um bisão americano, outrora preservados no gelo, também sugerem que esses animais já viveram em altitudes muito mais altas — Foto: Matt Stirn/BBC
Fragmentos do esqueleto de um bisão americano, outrora preservados no gelo, também sugerem que esses animais já viveram em altitudes muito mais altas — Foto: Matt Stirn/BBC

Enquanto descobrimos muitos artefatos pré-históricos de pedra, e não biodegradáveis, nossas descobertas mais fascinantes são os chamados "artefatos de placas de gelo", como flechas de madeira, couro e outros materiais orgânicos que teriam entrado em decomposição se não tivessem sido enterrados em um freezer natural.

Esses artefatos incrivelmente raros oferecem pistas inestimáveis sobre diversos aspectos – de padrões de migração nos primórdios da humanidade à culinária pré-histórica, além de indicar como o ambiente e o clima mudaram ao longo de milênios.

Mas, embora haja tanta informação científica retida nas camadas de gelo, elas correm o risco iminente de desaparecer para sempre.

Corrida contra o tempo

À medida que as temperaturas globais aumentam, o gelo das montanhas está derretendo a um ritmo sem precedentes, e esses artefatos perecíveis que permaneceram preservados por milhares de anos estão descongelando e se desintegrando rapidamente.

Portanto, procurar relíquias em placas de gelo não é apenas algo emocionante – mas uma verdadeira corrida contra o tempo.

Em 2007, Craig Lee, da Universidade Estadual de Montana, nos EUA, descobriu uma vara de formato estranho em um pedaço de gelo que estava derretendo a 3.200 metros de altura no norte de Wyoming.

Após uma análise mais detalhada, ele percebeu que a vareta era, na verdade, o dardo de uma lança feita há 10.300 anos. Até o momento, é o artefato congelado mais antigo já encontrado no mundo.

A descoberta inesperada de Lee ressaltou a urgência de salvar esses artefatos do degelo – e levou a uma corrida nas Montanhas Rochosas para resgatá-los.

À medida que mais arqueólogos se aventuraram na tundra alpina americana na última década, uma série de artefatos foram descobertos – de flechas de 1.300 anos a cestas trançadas de vime e arcos de madeira, revelando descobertas surpreendentes.

A análise da madeira mostrou, por exemplo, que grupos pré-históricos preferiam ce

rtas espécies de árvores para fazer suas flechas; o pólen congelado ofereceu dados paleoclimáticos detalhados, indicando que a linha das árvores costumava ser muito mais alta; e sementes de dejetos descongelados mostraram que, diferentemente de hoje, o bisão americano vivia a mais de 3 mil metros de altura.

Um mundo de novas descobertas se abriu, mas essa janela não permanecerá aberta para sempre. Dado o grande número de placas de gelo e sua localização remota, nunca conseguiremos alcançá-las a tempo.

Numa época em que computadores e satélites substituíram machetes e capacetes, muitos exploradores lamentam que a era dos descobrimentos tenha terminado. No entanto, nossas expedições reproduziram as práticas de muitos povos que viveram nos primórdios da América do Norte.

Como nos aventuramos nas profundezas das montanhas de um dos lugares mais remotos dos EUA, precisamos usar cavalos para transportar equipamentos e alimentos pelas encostas.

Montamos acampamentos selvagens com vista para lagos azul-turquesa, colhemos plantas comestíveis de prados próximos, assamos na fogueira carne de caça fresca, como alces ou carneiros selvagens, e dormimos sob as estrelas. De muitas maneiras seguir os mesmos passos dos povos antigos que estamos estudando nos ajuda a entendê-los melhor.

Nunca se sabe que pedaços de gelo podem revelar itens pré-históricos, por isso passamos os dias caminhando pela montanha e explorando a cordilheira em busca de pistas. Quando avistamos artefatos ou ossos de animais protuberantes em meio ao degelo no verão, os extraímos com cuidado e envolvemos com gaze e plástico para protegê-los na viagem de volta a cavalo.

No laboratório, fotografamos, fazemos datação por radiocarbono e identificamos cada artefato antes de congelá-lo novamente em um repositório de museu ou universidade.

A emoção de descobrir uma tigela de pedra pré-histórica ou uma ponta de lança de 8.000 anos em campo é sempre emocionante. Mas é no laboratório que podemos conhecer as fascinantes histórias por trás desses artefatos – como as refeições que foram preparadas nesses recipientes e para onde os povos antigos viajavam em busca das pedras que usariam como arma.

Apesar das incontáveis bolhas no pé, noites geladas e hordas de mosquitos, sou grato por chamar as montanhas de meu escritório. Toda vez que encontro algum artefato à beira do gelo, lembro da minha pequena participação na preservação das montanhas e da história da humanidade.

Quando era um jovem alpinista, passei infinitos dias explorando os picos das Montanhas Teton e, naquela época, diria a você que sabia tudo sobre elas. Mas, nos últimos 15 anos, aprendi que não importa se você está em um ambiente familiar ou desconhecido, sempre haverá algo mais a ser descoberto.

Em todos os cantos do mundo, há uma nova e fascinante história à espera de ser contada.

------++-====-----------------------------------------------------------------------=================---------------------------------------------------------------------------------====-++------

sexta-feira, 23 de outubro de 2020

Os segredos de sucesso do grupo 'Formiga', gigante chinês que quer mudar o mundo financeiro

= =---____------- ===  ----                                            -----________::_____   _____= =..= = =..= =..= = =____   _____::________                       --------- ====  -----------____---= =


O Ant Group, que revolucionou o mercado financeiro chinês, promete abrir o capital nas próximas semanas, sugerindo uma expansão para outros países. 
= =---____------- ===  ----                                            -----________::_____   _____= =..= = =..= =..= = =____   _____::________                      --------- ====  -----------____---= =
TOPO
Por BBC  
23/10/2020 09h24 Atualizado há 7 horas
Postado em 23 de 0utubro de 2020 às 16h35m



         .      Post.N.\9.509    .           
|||.__-_____    _________    ______    ____- _|||
O Grupo Formiga não parou de crescer e a expectativa é de que em breve lance aquele que será o maior IPO da história — Foto: Getty Images
O Grupo Formiga não parou de crescer e a expectativa é de que em breve lance aquele que será o maior IPO da história — Foto: Getty Images

A empresa tem o nome de um inseto, a formiga, mas seu tamanho é gigante.

O Ant Group (grupo formiga), que, com mais de 1 bilhão de usuários ativos em sua plataforma Alipay e um valor de mercado estimado de US$ 316 bilhões, tornou-se o maior conglomerado empresarial de finanças e comércio digital na China.

Esta "formiga" gigante parece estar longe de querer parar. Nas próximas semanas, a empresa realizará o que, previsivelmente, será o maior IPO da história — quando companhias de capital fechado passam a vender suas ações na bolsa de valores.

O Ant Group já revolucionou as transações comerciais na China, tornando-se o primeiro meio de pagamento digital em um país tradicionalmente vinculado ao uso do dinheiro físico, e muitos analistas acreditam que, com sua enorme oferta de ações, o conglomerado busca dar o primeiro passo para sua expansão internacional.

Como tudo começou

Hoje, mais de 80 milhões de fornecedores oferecem seus produtos por meio de alguns dos serviços do grupo, mas os pilares desse sucesso foram estabelecidos há anos.

O empresário Jack Ma havia criado o Alibaba, plataforma de comércio digital, mas se deparou com o problema da falta de meios e garantias de pagamento em um país onde poucos tinham acesso a cartões de crédito e muitos comerciantes não se dispunham a enviar seus produtos ao comprador caso ele não pagasse antecipadamente.

Então, Ma criou o Alipay, o embrião do Ant Group, um serviço de confiança digital que garantia o valor do item comprado até que ele chegasse na casa do comprador.

"Alipay resolveu os problemas de subdesenvolvimento dos serviços financeiros na China", disse Martin Chorzempa, pesquisador do Instituto Peterson de Economia Internacional, à BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC.

"O comércio eletrônico foi difícil no início porque poucas pessoas tinham cartões de crédito. A maioria dos bancos era estatal e se concentrava mais em atender outras empresas estatais do que consumidores privados."

Isso significava que não tinham acesso a produtos de crédito ou financiamento.

Ma declarou em 2008: "Se os bancos não mudarem, nós mudaremos os bancos."

É isso que seu grupo parece ter conseguido nesses anos.

Com o tempo, seus serviços se diversificaram e hoje a empresa vende milhões de créditos por meio de sua plataforma. O usuário recebe a resposta ao seu pedido em poucos minutos no smartphone.

O Ant cobra juros mais baixos do que os bancos tradicionais, que na verdade são os que concedem os empréstimos.

As entidades financeiras pagam uma comissão ao Ant Group por ele levar novos clientes aos bancos e por algo muito mais valioso: informações de cadastro sobre solvência e perfil de risco.

"Uma empresa como esta, com centenas de milhões de usuários e uma tonelada de informações sobre eles, pode desempenhar um papel fundamental, pois pode avaliar o risco de qualquer pessoa de um modo que os bancos não podem", diz Chorzempa. Tudo isso de forma mais rápida e barata que um banco tradicional.

Os usuários compram, pagam e solicitam créditos por meio da plataforma, que permite ao Grupo acessar informações pessoais e financeiras que vão além do banco tradicional e facilita a previsão da solvência de um cliente.

Nas palavras de Chorzempa: "A formiga aplicou tecnologia para resolver problemas e conseguiu quebrar as barreiras das instituições financeiras existentes para abrir o mercado."

Um de seus serviços mais populares é o Yu e Bao (o tesouro excedente, em português), com o qual qualquer pessoa pode se tornar um investidor a partir do valor equivalente a US$ 0,15 (R$ 84) e obter seu dinheiro de volta a qualquer momento com apenas alguns cliques no telefone.

Estratégias como essa permitiram à companhia atrair uma multidão de trabalhadores de baixa renda e donos de pequenos negócios.

O Grupo Hormiga sabe quem é o cliente, onde ele vive, quanto ganha, quanto ele deve, como gosta de gastar e se paga em dia. É por isso que a empresa vale tanto nesse momento.

Essa estratégia também permitiu à empresa oferecer apólices de seguro (570 milhões entre junho de 2019 e junho de 2020) e produtos de investimento para pequenos poupadores até então negligenciados pelos bancos chineses.

Para onde vai a Formiga?

A ascensão desse colosso dos negócios reflete o crescimento do comércio digital na China e suas grandes "fintech", como as empresas de tecnologia financeira foram batizadas no mundo anglo-saxão.

E parece que essa idade de ouro vai durar muito tempo.

Em relatório elaborado antes do iminente IPO, a consultoria financeira Morning Star indicou que o Grupo Ant manterá sua posição de liderança no mercado por pelo menos 20 anos e destacou que o crescimento do uso da internet e pagamentos eletrônicos na China, ainda abaixo dos países desenvolvidos, vai continuar a aumentar nos próximos anos.

Quando as empresas decidem abrir o capital, geralmente o fazem em busca de investimentos para realizar novos projetos, como o desenvolvimento de novas tecnologias ou planos de expansão.

A escala sem precedentes da IPO do Grupo Ant leva muitos analistas a acreditar que a empresa planeja estender suas redes aos mercados ocidentais, que até agora resistiram à penetração dos gigantes chineses das fintech.

O Alipay é aceito como meio de pagamento em muitas partes do mundo porque é o que os turistas chineses usam, mas nenhuma plataforma conseguiu atrair muitos usuários ocidentais.

Zennon Kapron, fundador da consultoria Kapronasia, afirma que "no mundo dos negócios há muito se fala que o Ant Group abriria o capital; é um passo natural, porque o mercado chinês é muito competitivo, com outras plataformas fortes, como o Wechat, da Tencent, mas provavelmente também buscam capital com o qual possam ser mais agressivos em sua expansão internacional ."

Se o Ant Group embarcar nesta aventura, terá que superar obstáculos importantes.

Chorzempa prevê que o Ant "não teria tanto espaço nos países ocidentais porque não há muito espaço para melhorias no setor financeiro, que contam com sistemas maduros, bem desenvolvidos e sofisticados. Nos Estados Unidos, muitas pessoas têm cartão de crédito e podem usá-lo sem grandes dificuldades".

Também não ajuda o fato de muitos líderes ocidentais desconfiarem de uma empresa chinesa capaz de acessar os dados pessoais e financeiros de centenas de milhares de europeus ou americanos, como mostraram os problemas recentes com o aplicativo Tik Tok nos Estados Unidos — o presidente Donald Trump segue uma política cada vez mais hostil em relação às grandes empresas chinesas.

Na verdade, o Ant já viu alguns de seus planos frustrados no passado. Em 2018, as autoridades dos EUA impediram a empresa de assumir o controle do gigante das remessas Moneygram.

Assim, não é de se estranhar que, embora o Alibaba tenha escolhido Nova York como cenário para seu IPO em 2014, as ações do Ant Group agora estarão à venda apenas em Pequim, Xangai e Hong Kong. "O clima mudou muito desde então", diz Chorzempa.

Não está claro se concorrentes da companhia ou da China como a Tencent acabarão crescendo no Ocidente, mas eles já estabeleceram uma tendência que muitos especialistas consideram impossível de deter.

Chorzempa conclui que"o modelo 'fintech' chinês, que reúne comércio digital, redes sociais e serviços financeiros, é extremamente poderoso, e os bancos ocidentais correm risco ao ignorá-lo".

"Existem dificuldades que levam a dúvidas de que essas empresas acabarão dominando os serviços financeiros globais, mas o fato de o Facebook e outras empresas de tecnologia estarem tentando imitá-los revela que eles são o modelo do futuro."

------++-====-----------------------------------------------------------------------=================---------------------------------------------------------------------------------====-++------