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domingo, 21 de julho de 2019

Novo estudo mostra desafios para alimentar dez bilhões em 2050 Por Amelia Gonzalez, G1 19/07/2019 13h52 Atualizado há 2 dias

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 Por Amelia Gonzalez, G1  
 19/07/2019 13h52  Atualizado há 2 dias  
 Postado em 21 de julho de 2019 às 14h00m  
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Imagens de comida desperdiçada no Ceasa, em São Paulo — Foto: Amelia Gonzales/G1Imagens de comida desperdiçada no Ceasa, em São Paulo — Foto: Amelia Gonzales/G1

Se continuarmos usando os bens naturais como estamos usando hoje, em 2050 será muito difícil ter alimento suficiente para as dez bilhões de pessoas que, segundo as últimas estimativas, vão conviver no planeta naquele ano.

Se não mudarmos os métodos de produção e consumo, para ter alimentos necessários em 2050 será preciso que se danifique todas as florestas e campos de produção agrícola, eliminando milhares de espécies de fauna e flora. Esta é uma das muitas conclusões do relatório que a organização World Resource Institute (WRI - organização mundial de pesquisas sobre desenvolvimento) acaba de editar em seu site.

Não existe uma única solução para o problema, segundo o estudo, que se chama "Relatório de Recursos Mundiais: Criando o Futuro de Alimentos Sustentáveis", mas várias. Uma delas, é claro, é usar os bens naturais com mais eficiência, sobretudo evitando o desperdício de alimentos. Há três lacunas, identificadas pelos estudiosos da agência da ONU para o Meio Ambiente (UN Environment) e para o Desenvolvimento (Pnud), além do Banco Mundial, que se debruçaram sobre dados e apoiaram o WRI para tornar o relatório completo.

Uma dessas lacunas é chamada de "Lacuna da terra", e se baseia no fato de que será preciso 600 milhões de hectares a mais de expansão agrícola em 2050, tendo como referência 2010. Ou seja, uma área quase duas vezes maior do que a Índia.

É necessário, portanto, que se reduza o crescimento da demanda, diminuindo também a perda de alimentos, o desperdício. E, já que o atual governo aposta que o mundo corporativo será o único alavancador do desenvolvimento no país, é bom que se cobre menos desperdício sobretudo na produção dos alimentos. Mas há que ter uma responsabilidade também dos cidadãos que compram a comida. Dados da agência da ONU para Alimentação e Agricultura (FAO, na sigla em inglês), mostram que 28% dos alimentos se perdem no processo de produção agrícola e mais 28% são jogados no lixo após chegarem às casas dos consumidores. No mundo, cerca de 1,3 bilhão de toneladas de comida são descartadas por ano.

Outra sugestão dos pesquisadores do relatório é a de se comer menos e uma dieta mais saudável. Isto pode parecer um paradoxo, num mundo que ainda tem 821,6 milhões de pessoas que vão dormir diariamente sem ter consumido o necessário para o seu desenvolvimento. No entanto, faz sentido a sugestão porque mostra que é possível aumentar a produção de alimentos sem precisar expandir tanto o uso de terras. Tem que reduzir o desmatamento, restaurar trufeiras e vincular ganhos de produtividade com a conservação do ecossistema.

Se melhorar a gestão da pesca selvagem, regulando e ordenando mais, a oferta de peixes vai aumentar. E se reduzir as emissões de gases poluentes, o que é possível com o uso adequado de tecnologias na produção, também será possível entender que, no fim e ao cabo, a questão de falta de alimentos no mundo é um falso problema. O que está difícil é, sim, que haja uma distribuição melhor dos alimentos.
Como diz Ignacy Sachs, ecossocioeconomista polonês de 92 anos, que já foi conselheiro da ONU e acompanha as Conferências do Clima desde a primeira, de 1972, em Estocolmo, não é falta de alimento, mas é falta de dinheiro para comprá-lo que afeta os famintos no mundo.

Voltando ao relatório, entre as cinco sugestões o que os estudiosos apresentam, é possível identificar uma linha de conduta que perpassa as soluções para o fim da fome no mundo. Trata-se de uma tomada de consciência, não só por parte de quem produz, como também por parte de quem tem mais recursos e pode comprar o que quiser para comer. Uma mudança nos hábitos de consumo pode ajudar bastante. Quantos de nós não jogamos fora alimentos que foram comprados sem que, verdadeiramente, tivéssemos previsão de comê-los? Fazer uma única compra mensal no supermercado pode ser muito bom para evitar trabalho, mas eis aí um hábito que pode ser modificado.

Nesta sexta-feira (19), conversando com uma vizinha, ela me falou sobre mudanças em seus hábitos de consumo. Entre várias novas resoluções – brinquei com ela, dizendo que se pareciam com "resoluções de meio de ano" – ela me confidenciou que, a partir de agora, pretende ir às compras uma vez por semana.

"Assim eu consigo administrar melhor. Compro manteiga só quando acaba, queijo só quando acaba, yogurte idem. E sabe que estou fazendo mais contato com o que gasto também? Já baixei um pouco o investimento em alimentação na nossa planilha porque é possível, desse jeito, também ordenar melhor o consumo aqui em casa. Adolescentes, sabe como são, né? Às vezes vão à geladeira e ficam olhando, buscando uma guloseima qualquer para comer, enquanto o que precisam mesmo é de gastar energia", disse-me ela.

A vizinha trabalha fora, o marido também, e têm dois jovens em casa. Contou-me que os três ficaram surpresos com os novos hábitos na casa e com uma frase que ela passou a repetir, quase como um mantra: "Vamos descascar mais do que desembrulhar coisas para comer".

Não é fácil para ninguém. Decerto também há de dar muito trabalho para as grandes corporações perseguirem com lupa os buracos por onde escoam alimentos sem que se deem conta.
Lembrei-me de uma visita que fiz à Ceasa, principal Central de Abastecimento que fica em Irajá, zona Norte do Rio, há pouco mais de um ano, e de como fiquei impressionada com a quantidade de produtos que são jogados fora, em imensas caçambas de lixo estrategicamente instaladas entre cada um dos 43 pavilhões.

A cena dos alimentos desperdiçados na Ceasa é triste e fica ainda mais melancólica quando se vê pessoas diariamente catando ali o que vão levar para consumir em casa. Ali é um dos muitos lugares na cidade do Rio de Janeiro onde se pode ver, não só a fome de muitos – sim, no Brasil há quem passa fome – como o enorme passo que se precisa dar para entender que o mundo precisa de mudanças. Não só para poder alimentar a todos em 2050. A urgência é agora.
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    sábado, 20 de julho de 2019

    'Spotter day' reúne fotógrafos de todo o Brasil para clicar aviões no Aeroporto Internacional de Viracopos; veja fotos

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    Evento dedicado à fotografia profissional e amadora ocorreu na manhã deste sábado (20) em Campinas (SP). O último 'Spotter day' em Viracopos foi em 2015.
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     Por Luciano Calafiori, G1 Campinas e Região  

     Postado em 20 de julho de 2019 às 13h00m  
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    'Spotter day' reúne fotógrafos profissionais e amadores no Aeroporto Internacional de Viracopos em Campinas. — Foto: Luciano Calafiori/G1
    'Spotter day' reúne fotógrafos profissionais e amadores no Aeroporto Internacional de Viracopos em Campinas. — Foto: Luciano Calafiori/G1

    Fotógrafos de todo o Brasil amanheceram diante da pista do Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP), neste sábado (20). De um total de 640 inscrições para o "Spotter day", 110 foram selecionadas. Os spotters - aqueles dedicados à observação de aeronaves - começaram os trabalhos antes das 6h sob termômetros marcando perto de 10ºC.

    Além de um clima privilegiado, fotógrafos profissionais e amadores foram surpreendidos pelo pouso de um Antonov 124, que saiu da Argentina rumo a Viracopos perto das 9h. O modelo de transporte de cargas foi o maior avião do mundo do tipo por anos, até o surgimento do Antonov 225.
    Viracopos recebe fotógrafos para observação de aeronaves e pouso do Antonov
    Viracopos recebe fotógrafos para observação de aeronaves e pouso do Antonov

    O último "Spotter day" em Viracopos foi em 2015. No Dia de Santos Dumont, pai da aviação, o G1 acompanhou a sessão de fotos e preparou uma galeria de imagens. Veja os cliques abaixo.

    Fotógrafos acompanham nascer do sol no Aeroporto Internacional de Viracopos em Campinas. — Foto: Luciano Calafiori/G1
    Fotógrafos acompanham nascer do sol no Aeroporto Internacional de Viracopos em Campinas. — Foto: Luciano Calafiori/G1

    Fotógrafa busca melhor ângulo com celular no 'Spotter day' em Viracopos, aeroporto de Campinas. — Foto: Luciano Calafiori/G1
    Fotógrafa busca melhor ângulo com celular no 'Spotter day' em Viracopos, aeroporto de Campinas. — Foto: Luciano Calafiori/G1

    Amanhecer em Viracopos reúne fotógrafos no 'Spotter day', em Campinas. — Foto: Luciano Calafiori/G1
    Amanhecer em Viracopos reúne fotógrafos no 'Spotter day', em Campinas. — Foto: Luciano Calafiori/G1

    Avião pousa em Viracopos, aeroporto em Campinas, e é flagrado no 'Spotter day'. — Foto: Luciano Calafiori/G1
    Avião pousa em Viracopos, aeroporto em Campinas, e é flagrado no 'Spotter day'. — Foto: Luciano Calafiori/G1
    Avião pousa em Viracopos e é registrado no 'Spotter day', em Campinas. — Foto: Luciano Calafiori/G1Avião pousa em Viracopos e é registrado no 'Spotter day', em Campinas. — Foto: Luciano Calafiori/G1

    Fotógrafos chegaram no Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas, às 5h deste sábado (20) para 'Sportter day'. — Foto: Luciano Calafiori/G1Fotógrafos chegaram no Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas, às 5h deste sábado (20) para 'Sportter day'. — Foto: Luciano Calafiori/G1

    Amanhecer em Viracopos reúne fotógrafos no 'Spotter day', em Campinas. — Foto: Luciano Calafiori/G1Amanhecer em Viracopos reúne fotógrafos no 'Spotter day', em Campinas. — Foto: Luciano Calafiori/G1

    Antonov 124 se aproxima de Viracopos e é registrado no 'Spotter day', em Campinas. — Foto: Luciano Calafiori/G1Antonov 124 se aproxima de Viracopos e é registrado no 'Spotter day', em Campinas. — Foto: Luciano Calafiori/G1

    Antonov 124 pousa em Viracopos e é registrado no 'Spotter day', em Campinas. — Foto: Luciano Calafiori/G1Antonov 124 pousa em Viracopos e é registrado no 'Spotter day', em Campinas. — Foto: Luciano Calafiori/G1

    Céu azul em Viracopos em 'Spotter day', em Campinas. — Foto: Luciano Calafiori/G1Céu azul em Viracopos em 'Spotter day', em Campinas. — Foto: Luciano Calafiori/G1

    Antonov 124 pousa em Viracopos e é registrado no 'Spotter day', em Campinas. — Foto: Luciano Calafiori/G1Antonov 124 pousa em Viracopos e é registrado no 'Spotter day', em Campinas. — Foto: Luciano Calafiori/G1

    Viracopos tem 'Spotter day' neste sábado (20) em Campinas. — Foto: Luciano Calafiori/G1Viracopos tem 'Spotter day' neste sábado (20) em Campinas. — Foto: Luciano Calafiori/G1

    Fotógrafa registra aviões no 'Spotter day' no Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas. — Foto: Luciano Calafiori/G1Fotógrafa registra aviões no 'Spotter day' no Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas. — Foto: Luciano Calafiori/G1

    Fotógrafos apontam câmeras para o Aeroporto Internacional de Viracopos no 'Spotter day', em Campinas. — Foto: Luciano Calafiori/G1Fotógrafos apontam câmeras para o Aeroporto Internacional de Viracopos no 'Spotter day', em Campinas. — Foto: Luciano Calafiori/G1

    'Spotter day' em Viracopos, aeroporto internacional de Campinas. — Foto: Jonatan Morel/EPTV'Spotter day' em Viracopos, aeroporto internacional de Campinas. — Foto: Jonatan Morel/EPTV

    Fotógrafos participam do 'Spotter day' em Viracopos, aeroporto de Campinas. — Foto: Luciano Calafiori/G1Fotógrafos participam do 'Spotter day' em Viracopos, aeroporto de Campinas. — Foto: Luciano Calafiori/G1

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    Cientista brasileiro envia 'minicérebros' para o espaço para desvendar reação das células

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    Material ficará cerca de três semanas na Estação Espacial Internacional, que receberá organóides pela primeira vez na história.
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     Por Carolina Dantas, G1  

     Postado em 20 de julho de 2019 às 11h00m  

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    O pesquisador brasileiro Alysson Muotri — Foto: Arquivo Pessoal/Alysson Muotri O pesquisador brasileiro Alysson Muotri — Foto: Arquivo Pessoal/Alysson Muotri

    A equipe do cientista brasileiro Alysson Muotri, da Universidade da Califórnia em San Diego (UCSD), vai enviar os "minicérebros" que usa em pesquisas para o espaço. As pequenas versões do órgão estarão dentro de uma caixa. O lançamento para a Estação Espacial Internacional (ISS) está prevista para ocorrer neste domingo (21) e será a primeira vez que a base irá receber organoides deste tipo. A ideia é entender como as células nervosas podem reagir às condições extremas fora da Terra.

    "Minicérebros" são a versão de laboratório do órgão mais complexo do ser humano, mas muito simplificada e reduzida. Eles não têm uma estrutura completa e não têm consciência, mas simulam de forma rudimentar o tipo de organização celular que existe no cérebro humano.

    Eles são usados em estudos que buscam entender a reação a tratamentos, o desenvolvimento celular cerebral e como são expressos genes de algumas condições ou doenças. Servem, por exemplo, para pesquisas sobre o autismo da equipe da UCSD, liderada por Muotri.
    O projeto é chamado pela ISS de "The Effect of Microgravity on Human Brain Organoids" ("Efeito da microgravidade em organóides do cérebro humano"). O nome da missão que levará o projeto, escolhido pela Nasa, é BOARDS (Organoides cerebrais em pesquisa avançada desenvolvida no espaço, na tradução da sigla em inglês). O estudo busca responder:
    • Qual é o efeito da microgravidade nos "minicérebros";
    • Qual é a resposta dos "minicérebros" ao estresse e outros estímulos que serão aplicados;
    • Se a microgravidade tem algum efeito na sobrevivência e função celular, integridade metabólica e regulação dos neurônios.
    "A gente sabe que lá no espaço os 'minicérebros' estarão crescendo de uma forma diferente. Seria isso uma vantagem ou uma desvantagem para o desenvolvimento do cérebro humano?", diz Alysson.
    "E, numa futura colonização do espaço pelos humanos, entendendo os impactos negativos, a gente poderia tentar preparar o cérebro humano antes de ir", completa.
    No final do experimento, que tem duração de três semanas, os cerca de 100 "minicérebros" retornarão à Terra. A equipe de pesquisadores da UCSD irá medir a contagem das células, os indicadores de metabolismo e a expressão dos genes.

    Patrick O’Neill, da comunicação da ISS, confirmou ao G1 o envio do material está previsto para o domingo. Já Muotri informou que o lançamento pode atrasar e ocorrer na segunda-feira (22).
    "Esta será a primeira vez que uma carga com organoides cerebrais será lançada para a Estação Espacial Internacional. Outros organoides, pequenas massas vivas de células que interagem e crescem, já foram enviados para outras missões", disse O’Neill.
    Minicérebros são pequenas versões do principal órgão nervoso — Foto: ReproduçãoMinicérebros são pequenas versões do principal órgão nervoso — Foto: Reprodução

    Outras pesquisas
    Em janeiro deste ano, a equipe liderada por Alysson desvendou a relação entre um defeito genético e comportamentos típicos do autismo, transtorno que afeta o desenvolvimento do cérebro. Há dois anos, o uso de "minicérebros" também ajudou a bloquear a ação de uma doença neurológica, a síndrome de Aicard-Goutierres.
    Como foram criados os 'minicérebros' — Foto: Arte/G1 
    Como foram criados os 'minicérebros' — Foto: Arte/G1
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