Material ficará cerca de três semanas na Estação Espacial Internacional, que receberá organóides pela primeira vez na história.
Por Carolina Dantas, G1
Postado em 20 de julho de 2019 às 11h00m

Postado em 20 de julho de 2019 às 11h00m
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A equipe do cientista brasileiro Alysson Muotri, da Universidade da Califórnia em San Diego (UCSD), vai enviar os "minicérebros" que usa em pesquisas para o espaço. As pequenas versões do órgão estarão dentro de uma caixa. O lançamento para a Estação Espacial Internacional (ISS) está prevista para ocorrer neste domingo (21) e será a primeira vez que a base irá receber organoides deste tipo. A ideia é entender como as células nervosas podem reagir às condições extremas fora da Terra.
"Minicérebros" são a versão de laboratório do órgão mais complexo do ser humano, mas muito simplificada e reduzida. Eles não têm uma estrutura completa e não têm consciência, mas simulam de forma rudimentar o tipo de organização celular que existe no cérebro humano.
Eles são usados em estudos que buscam entender a reação a tratamentos, o desenvolvimento celular cerebral e como são expressos genes de algumas condições ou doenças. Servem, por exemplo, para pesquisas sobre o autismo da equipe da UCSD, liderada por Muotri.
O projeto é chamado pela ISS de "The Effect of Microgravity on Human Brain Organoids" ("Efeito da microgravidade em organóides do cérebro humano"). O nome da missão que levará o projeto, escolhido pela Nasa, é BOARDS (Organoides cerebrais em pesquisa avançada desenvolvida no espaço, na tradução da sigla em inglês). O estudo busca responder:
- Qual é o efeito da microgravidade nos "minicérebros";
- Qual é a resposta dos "minicérebros" ao estresse e outros estímulos que serão aplicados;
- Se a microgravidade tem algum efeito na sobrevivência e função celular, integridade metabólica e regulação dos neurônios.
"A gente sabe que lá no espaço os 'minicérebros' estarão crescendo de uma forma diferente. Seria isso uma vantagem ou uma desvantagem para o desenvolvimento do cérebro humano?", diz Alysson.
"E, numa futura colonização do espaço pelos humanos, entendendo os impactos negativos, a gente poderia tentar preparar o cérebro humano antes de ir", completa.
No final do experimento, que tem duração de três semanas, os cerca de 100 "minicérebros" retornarão à Terra. A equipe de pesquisadores da UCSD irá medir a contagem das células, os indicadores de metabolismo e a expressão dos genes.
Patrick O’Neill, da comunicação da ISS, confirmou ao G1 o envio do material está previsto para o domingo. Já Muotri informou que o lançamento pode atrasar e ocorrer na segunda-feira (22).
"Esta será a primeira vez que uma carga com organoides cerebrais será lançada para a Estação Espacial Internacional. Outros organoides, pequenas massas vivas de células que interagem e crescem, já foram enviados para outras missões", disse O’Neill.
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Outras pesquisas
Em janeiro deste ano, a equipe liderada por Alysson desvendou a relação entre um defeito genético e comportamentos típicos do autismo, transtorno que afeta o desenvolvimento do cérebro. Há dois anos, o uso de "minicérebros" também ajudou a bloquear a ação de uma doença neurológica, a síndrome de Aicard-Goutierres.
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