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segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Vendas do comércio caem em dezembro e fecham 2013 com o pior resultado em dez anos

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Recuo no último mês do ano foi de 0,2%; no acumulado, expansão foi de 4,3%.
Receita do setor cresceu 11,9% no ano passado.
RIO - As vendas no varejo brasileiro registraram queda de 0,2% em dezembro, na comparação com novembro, de acordo com a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) divulgada pelo IBGE nesta quinta-feira. Foi o primeiro resultado negativo após nove meses de alta. 

No acumulado do ano passado, o setor avançou 4,3%, o menor resultado em dez anos. A receita nominal em dezembro cresceu 0,5% sobre novembro, e acumulou alta de 11,9% em 2013, ainda segundo os dados do IBGE.

Analistas ouvidos pela Reuters estimavam que as vendas teriam alta de 0,40% em dezembro sobre novembro, de acordo com a mediana de 21 projeções que variaram de queda de 0,20% a alta de 2,80%. Para a comparação anual, a expectativa era de ganho de 5,10% na mediana de 21 estimativas, com os números variando de 3,90 a 6,20%.

Pressionado, segundo o IBGE, pela desaceleração do ritmo de crescimento da massa real de salário, o segmento de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo avançou apenas 1,9%, contra alta de 8,5% em 2012. Ainda assim, teve o maior peso no índice, respondendo por 22,6% da taxa registrada.

Por serem essenciais, os artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria tiveram alta acima da média do setor, de 10,1% em relação ao ano anterior. O segmento respondeu por 15% da taxa total.

No comércio varejista ampliado, que considera os segmentos de carros, motos, partes e peças e de material de construção, a queda na comparação com novembro foi ainda maior: 1,5%. O acumulado do ano mostrou alta de 3,6%, depois de expansão de 8% em 2012. Já a receita teve queda de 1% em dezembro sobre novembro, e alta de 8,9%.

Em novembro, as vendas no varejo brasileiro haviam registrado alta de 0,7% e a receita nominal, de 1,1% sobre outubro, acumulando avanço de 12% entre janeiro e novembro, e de 11,9% em 12 meses.

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Após 13 anos de saldo positivo, país deve ter déficit comercial


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Dependência de ‘commodities’ e desaceleração chinesa afetam resultado
BRASÍLIA - Após 13 anos de superávits anuais ininterruptos, a balança comercial brasileira caminha para um déficit em 2014. A principal razão desse cenário pouco promissor é a falta de controle sobre 65,3% do total de exportações, o equivalente a US$ 158 bilhões de tudo que foi vendido no exterior em 2013.

São as chamadas commodities, cujos preços são formulados de acordo com os humores do mercado internacional. A conta inclui itens como soja, minério de ferro, celulose, suco de laranja, etanol, óleos combustíveis, gasolina, café e açúcar, entre outros.

A vulnerabilidade do país às oscilações internacionais de preços já era evidente no ano passado. O saldo da balança comercial, de US$ 2,56 bilhões, foi o pior desde 2000. O desempenho só não foi pior em razão de uma manobra contábil, com a inclusão na conta de exportações de sete plataformas vendidas a empresas estrangeiras e alugadas para a Petrobras. Na prática, elas nunca deixaram o país.

Problemas com vizinhos
Especialistas e técnicos do governo acreditam que os preços das commodities continuarão caindo este ano, devido à possibilidade de desaceleração do consumo na China e à recuperação da economia americana. Para piorar, a indústria está à mercê da concorrência chinesa e de outros asiáticos, não só no mercado interno, mas em outros países.

— Há pouco o que se fazer para melhorar esse cenário — disse o presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro.

Assim como já ocorre com a Venezuela, a Argentina ameaça atrasar pagamentos, desestimulando exportações para aquele país, principalmente de pequenas e médias empresas, que não têm fôlego para esperar meses pelo dinheiro. Ao mesmo tempo, crescem as importações de bens de consumo, entre os quais alimentos, automóveis, calçados e móveis. A avaliação geral é que o governo está apático.

— Essa apatia pode estar ocorrendo porque o governo espera algum efeito da desvalorização cambial que ocorreu na segunda metade de 2013. Outro fator é que estamos em ano eleitoral — disse o economista Fábio Silveira, da GO Consultores.

Até semana passada, havia queda generalizada nas cotações de commodities. Os preços do milho e do café, por exemplo, caíram 32,5% e 28,2%, respectivamente, ante fevereiro de 2013. O óleo de soja apresentou redução de 29,4% e do frango, 15,1%. Essas variações precisam ser compensadas pelo aumento do volume embarcado desses produtos, para que o valor exportado não caia, diz o presidente da AEB.

A situação fica ainda pior, porque o Brasil precisa conviver com vizinhos problemáticos: Argentina e Venezuela, terceiro e sétimo parceiros comerciais, foram responsáveis pela compra, no ano passado, de quase US$ 25 bilhões em produtos brasileiros. A Venezuela mantém um câmbio artificial desde a época do então presidente Hugo Chávez, que morreu no ano passado.

Ameaça a manufaturados
A Argentina já impôs inúmeras barreiras às importações, deve atrasar pagamentos de mercadorias compradas do exterior e depende fortemente do mercado brasileiro. No ano passado, o país registrou um superávit comercial acima de US$ 3 bilhões no intercâmbio com o Brasil.

— O problema crônico que tínhamos com a Venezuela passamos a ter com a Argentina. Além de não vendermos por causa das barreiras, agora não conseguimos receber. O nosso grande parceiro começa a desestimular qualquer relação comercial — disse o diretor de Desenvolvimento Industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Carlos Eduardo Abijaodi.

Um integrante do governo revelou que existe grande preocupação com a exportação de produtos manufaturados. Somente o setor de eletroeletrônicos e bens de informática e de comunicações teve déficit de US$ 35 bilhões no ano passado.

— O setor industrial precisa lidar com juros altos e carga tributária elevada. A indústria brasileira está muito enfraquecida. Sem a desvalorização do real frente ao dólar, em torno de 17%, a situação estaria bem pior para os manufaturados — ressaltou Fábio Silveira.

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domingo, 16 de fevereiro de 2014

Brasil já vive a crise climática global


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Perturbações na Austrália e no Pacífico mudam padrões e causam calor no País e no Alasca, neve no leste dos EUA e cheia na Inglaterra

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Herton Escobar - O Estado de S. Paulo
SÃO PAULO - Calor extremo e seca no Sudeste brasileiro. Nevascas e frio intenso na costa leste dos Estados Unidos. Ondas de calor no Alasca e na China em pleno inverno. Enchentes na Inglaterra. 

Temperaturas escaldantes e incêndios florestais por toda a Austrália. Tudo isso acontecendo ao mesmo tempo; e não é por acaso, segundo os meteorologistas.

"Todos esses eventos estão conectados dentro de um sistema climático global", disse ao Estado a pesquisadora Maria Assunção da Silva Dias, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da Universidade de São Paulo. 

Um sistema que, segundo ela - e a esmagadora maioria dos cientistas - está sendo alterado pelo acúmulo de gases do efeito estufa lançados na atmosfera pelo homem nos últimos 150 anos.

Treze dos 14 anos mais quentes já registrados pelo homem ocorreram nos últimos 14 anos, com a exceção de 1998. O ano passado foi o sexto mais quente. E o clima de 2014 parece ter começado fora dos trilhos também, com eventos extremos de temperatura e precipitação - para mais ou para menos - espalhados por todos os continentes.

O foco dessas perturbações atuais, segundo Assunção, está do outro lado do mundo. Mais especificamente no norte da Austrália e no sul da Indonésia, onde está chovendo muito, e na região central do Oceano Pacífico, onde está chovendo pouco.

Isso altera os padrões das correntes de jato (ventos fortes de altitude) nos dois hemisférios; o que altera os padrões de chuva típicos desta época, tornando o tempo extremamente estável e persistente em regiões de latitudes mais altas. 

O clima parece que "estacionou" nessas regiões, intensificando todos os efeitos. Um cenário que demonstra claramente como as mudanças climáticas são um problema global, que afetará todos os países, independentemente de sua posição geográfica ou situação econômica, dizem os especialistas.

Os modelos globais de previsão climática variam bastante entre si, mas todos preveem aumento na ocorrência de eventos climáticos extremos nas próximas décadas, por causa do aquecimento global. "Os extremos vão ficar mais intensos e ocorrer com mais frequência", resume Assunção.

Ligação. O que está acontecendo agora, portanto, é exatamente o que os cientistas do clima preveem que começará a ocorrer com mais frequência daqui para a frente. Estabelecer uma relação direta de causa e efeito entre o aquecimento global e um evento climático qualquer, porém, é extremamente difícil.

"Sempre que há algum fenômeno extremo em curso as pessoas perguntam se isso tem a ver com o aquecimento global, mas essa é uma pergunta muito difícil de responder", explica o meteorologista Marcelo Seluchi, coordenador-geral de pesquisa e desenvolvimento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

A resposta, segundo ele, depende de um análise estatística do comportamento do clima ao longo de várias décadas, para ter certeza de que se trata de uma mudança sistemática e não apenas de flutuação pontual. 

"Mesmo dez anos é pouco tempo", avalia Seluchi, com a ressalva de que não é possível esperar por essa certeza para começar a agir, pois já será tarde demais para reverter o processo. O economista Nicholas Stern coloca os fatos de forma contundente. 

"A mudança climática está aqui, agora", diz o título de um artigo escrito por ele, manchete do jornal britânico The Guardian, dia 14, com uma foto do Rio Tâmisa transbordando sobre Londres.

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