Objetivo:
“Projetando o futuro e o desenvolvimento autossustentável da sua empresa, preparando-a para uma competitividade e lucratividade dinâmica em logística e visão de mercado, visando sempre e em primeiro lugar, a satisfação e o bem estar do consumidor-cliente."
Vulcão Hayli Gubbi, no nordeste da Etiópia, estava inativo desde o fim da Era do Gelo. Cinzas chegaram ao Iêmen, Índia e Paquistão. <<<===+===.=.=.= =---____-------- ----------____---------____::____ ____= =..= = =..= =..= = =____ ____::____-----------_ ___---------- ----------____---.=.=.=.= +====>>> Por RFI Postado em 24 de Novembro de 2.025 às 15h50m #.* -- Post. - Nº.\ 11.957 -- *.#
Vulcão na Etiópia que estava inativo desde a Era do Gelo entra em
erupção em 23 de novembro de 2025. — Foto: Governo de Afar via AP
Depois de 12 mil anos de silêncio, o vulcão Hayli Gubbi despertou. Localizado no nordeste da Etiópia,
o vulcão entrou em erupção no domingo (23) pela primeira vez desde a
Era do Gelo, segundo o Programa Global de Vulcanismo mantido pela
organização norte-americana Smithsonian Institution.
A última vez que o Hayli Gubbi mostrou sinais de vida foi no final da Era do Gelo— um intervalo tão longo que torna este evento histórico e surpreendente.
O vulcão Hayli Gubbi está situado na região de Afar, a aproximadamente
800 quilômetros a nordeste da capital Addis Abeba, próximo à fronteira
com a Eritreia. Ele se encontra no Vale do Rift, uma área de grandes
perturbações geológicas devido ao encontro de duas placas tectônicas, e
marcada por intensa atividade vulcânica.
O Programa Global de Vulcanismo da Smithsonian Institution afirmounão ter registro de erupções do Hayli Gubbi desde o Holoceno, período iniciado há cerca de 12 mil anos.
Imagem de satélite mostra fumaça de vulcão Hayli Gubbi, na Etiópia, que
entrou em erupção pela 1ª vez desde a Era do Gelo, em 24 de novembro de
2025. — Foto: Nasa via Reuters
O vulcanólogo Simon Carn, professor da Universidade de Michigan,
confirmou na plataforma Bluesky que o Hayli Gubbi “não registrou nenhuma
erupção durante o Holoceno”.
De acordo com o Centro de Observação de Cinzas Vulcânicas de Toulouse
(VAAC), o Hayli Gubbi, que atinge cerca de 500 metros de altitude,
entrou em erupção no domingo, liberando espessas colunas de fumaça que
chegaram a 14 quilômetros de altura.
O
fenômeno durou várias horas e terminou ainda no mesmo dia. Cinzas
sobrevoaram o Iêmen, o Omã, a Índia e também o norte do Paquistão,
segundo o VAAC.
Em vídeos divulgados nas redes sociais é possível ver uma espessa coluna de fumaça branca se elevando em direção ao céu (veja imagem do topo).
Não havia registro de feridos ou danos até a última atualização desta
reportagem, mas o vulcão está localizado em uma área remota e pouco
povoada.
Lei inédita no mundo busca reduzir riscos online para crianças, mas enfrenta críticas. <<<===+===.=.=.= =---____-------- ----------____---------____::____ ____= =..= = =..= =..= = =____ ____::____-----------_ ___---------- ----------____---.=.=.=.= +====>>> Por BBC 23/11/2025 03h00 Atualizado há 03 horas Postado em 23 de Novembro de 2.025 às 06h00m #.* -- Post. - Nº.\ 11.956 -- *.#
Adolescente utilizando o telefone celular — Foto: Liam Shaw/Unsplash
A partir do dia 10 de dezembro, empresas de redes sociais na Austrália
vão ter que tomar "medidas razoáveis" para impedir que menores de 16
anos criem contas em suas plataformas e garantir que perfis já
existentes sejam desativados ou removidos.
O governo diz que a medida — uma política inédita no mundo e popular
entre muitos pais — visa reduzir "pressões e riscos" a que crianças
estão expostas nas redes sociais, decorrentes de "recursos que as
encorajam a passar mais tempo diante das telas, enquanto oferecem, ao
mesmo tempo, conteúdos prejudiciais à saúde e ao bem-estar".
Um estudo encomendado pelo governo australiano no começo do ano apontou
que 96% das crianças de 10 a 15 anos usam redes sociais e que 7 em cada
10 delas já foram expostas a conteúdo ou comportamentos nocivos, que
vão de material contra mulheres a vídeos de brigas e conteúdos que
promovem distúrbios alimentares e suicídio.
Uma em cada 7 crianças também relatou ter sido alvo de assédio por
adultos ou crianças mais velhas, e mais da metade disse ter sofrido
cyberbullying.
Quais plataformas foram afetadas?
O governo australiano nomeou até agora dez plataformas incluídas na
proibição: Facebook, Instagram, Snapchat, Threads, TikTok, X, YouTube,
Reddit e as plataformas de streaming Kick e Twitch.
Também há pressão para expandir a medida a jogos online. Temendo serem
alvo, plataformas como Roblox e Discord passaram a adotar verificações
de idade em alguns recursos.
O governo australiano informou que continuará revisando a lista de
plataformas atingidas pelas restrições e que vai considerar três
critérios ao fazê-lo. São eles: se o único ou "significativo" objetivo
da plataforma é permitir interação social online entre dois ou mais
usuários; se permite que usuários interajam com todos ou parte dos
demais; e se permite postagem de conteúdo.
YouTube Kids, Google Classroom e WhatsApp não foram incluídos por não
atenderem a esses critérios. Crianças ainda poderão acessar a maior
parte do conteúdo em plataformas como o YouTube, que não exigem conta.
Crianças e pais não serão penalizados pelo descumprimento da medida. A
responsabilidade é das empresas de redes sociais, que podem ser multadas
em até 49,5 milhões de dólares australianos (cerca de R$ 170,3 milhões)
em caso de infrações graves ou repetidas infrações.
O governo australiano exige que as empresas adotem "medidas razoáveis"
para manter menores de idade fora das plataformas, usando tecnologias de
verificação de idade (sem especificar quais).
Entre as possibilidades, estão o uso de documentos oficiais,
reconhecimento facial ou de voz com inferência de idade. Essa segunda
utiliza informações online além da data de nascimento, como
comportamento ou interações na internet, para estimar a idade de uma
pessoa.
O governo australiano recomenda que as plataformas utilizem múltiplos
métodos para verificar a idade dos usuários. Segundo as regras, não será
permitido confiar apenas na declaração dos próprios menores ou na
confirmação dos pais.
A Meta, dona das plataformas Facebook, Instagram e Threads, anunciou
que começará a encerrar contas de adolescentes a partir de 4 de
dezembro. Usuários removidos por engano poderão comprovar idade usando
documento oficial ou um vídeo selfie, informou a empresa.
As outras plataformas afetadas não detalham como irão cumprir a proibição.
Jovem usa o celular — Foto: Freepik
Vai funcionar?
Sem uma ideia clara sobre os métodos que serão adotados, é difícil
prever se a proibição será eficaz, mas há temores de que tecnologias de
verificação de idade falhem em detectar menores de idade ou bloqueiem
usuários por engano.
Relatórios do próprio governo australiano apontou, por exemplo, que
tecnologias de reconhecimento facial são menos confiáveis para o
público-alvo da medida.
O valor das multas também foi questionado. Segundo Stephen Scheeler,
ex-executivo do Facebook, disse à agência de notícias Australian
Associated Press (APP), "a Meta leva cerca de uma hora e 52 minutos para
gerar US$ 50 milhões [cerca de R$ 264 milhões] em receita".
Críticos argumentam que a proibição, mesmo se aplicada corretamente,
não reduzirá efetivamente os riscos online para crianças, já que sites
de relacionamento, plataformas de jogos e chatbots de inteligência
artificial não foram incluídos. Chatbots recentemente ganharam destaque
na mídia por supostamente incentivarem crianças ao suicídio e por
manterem conversas "sensuais" com menores de idade.
Outros alertam que adolescentes que dependem das redes sociais para
interações sociais podem ficar isolados, defendendo que educar as
crianças sobre o uso seguro das plataformas seria mais eficaz.
A ministra das Comunicações, Annika Wells, reconheceu que a medida pode não ser "perfeita".
"O processo vai parecer um pouco desorganizado no início. Grandes reformas sempre são assim", afirmou em novembro.
Existem preocupações relacionadas à proteção de dados?
Críticos também questionam a coleta e armazenamento em grande escala de
dados necessários para a verificação de idade, e os riscos de uso
indevido dessas informações.
Nos últimos anos, a Austrália — como grande parte do mundo — registrou
uma série de vazamentos de dados de grande repercussão, incluindo casos
em que informações pessoais sensíveis foram roubadas e vendidas ou
divulgadas.
O governo, porém, afirma que a legislação inclui "fortes proteções"
para dados pessoais. Essas medidas determinam que as informações só
podem ser usadas para verificação de idade e devem ser destruídas após
esse processo, com "penalidades severas" em caso de violação.
A lei também estabelece que as plataformas devem oferecer alternativas
ao uso de documentos oficiais para a verificação de idade.
Como as empresas de redes sociais reagiram?
As empresas de redes sociais reagiram com preocupação à proibição
anunciada em novembro de 2024. Elas alegaram que a medida seria difícil
de implementar, fácil de contornar, trabalhosa para os usuários, além de
representar riscos à privacidade.
Também afirmaram que a proibição poderia levar crianças a áreas
perigosas da internet (onde não há controles) e privar os jovens de
contato social. A Snap, proprietária do Snapchat, e o YouTube chegaram a
negar que fossem empresas de redes sociais.
A controladora do YouTube, Google, ainda avalia se entrará com ação
legal contra a inclusão da plataforma. A empresa não respondeu ao pedido
de comentário da BBC.
Mesmo ao anunciar que implementaria a proibição de forma antecipada, a
Meta afirmou que a medida deixaria os adolescentes com "proteções
inconsistentes entre os diversos aplicativos que usam".
Em audiências parlamentares em outubro, TikTok e Snap disseram que ainda se opõem à proibição, mas que irão cumpri-la.
A Kick, a única empresa australiana incluída na medida, afirmou que
adotará uma "série de medidas" e continuará a se engajar "de forma
construtiva" com as autoridades.
Outros países têm proibições semelhantes?
A proibição do uso de redes sociais por menores de 16 anos é inédita no mundo, e outros países acompanharão a medida de perto.
Diversas abordagens já foram testadas em outros lugares para limitar o
tempo de tela e o acesso de crianças a conteúdos nocivos, mas nenhuma
adotou uma proibição total nas plataformas envolvidas.
No Reino Unido, novas regras de segurança introduzidas em julho preveem
multas elevadas ou até prisão de executivos caso empresas não
implementem medidas para proteger jovens de conteúdos ilegais ou
prejudiciais.
Outros países europeus permitem o uso de redes sociais por menores
apenas com consentimento dos pais. Em setembro, uma investigação
parlamentar francesa recomendou a proibição para menores de 15 anos,
além de um "toque de recolher" digital para adolescentes de 15 a 18
anos.
A Dinamarca anunciou planos para proibir redes sociais para menores de
15 anos, enquanto a Noruega estuda proposta semelhante. O governo da
Espanha enviou ao parlamento um projeto de lei exigindo autorização dos
responsáveis legais para menores de 16 anos.
Nos Estados Unidos, uma tentativa no estado de Utah de impedir o acesso
de menores de 18 anos às redes sociais sem consentimento dos pais foi
bloqueada por um juiz federal no ano passado.
No Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou em setembro
deste ano o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (conhecido
como "ECA Digital"), que estabelece a responsabilidade de empresas de
tecnologia de proteger menores de 18 anos de conteúdos prejudiciais.
Além disso, determina que contas de menores de 16 anos em plataformas
devem ser vinculadas à conta de um responsável legal.
A regulação da lei, prevista para entrar em vigor em março de 2026,
ficará a cargo da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD).
Poucos meses antes, em junho deste ano, o Supremo Tribunal Federal
(STF) brasileiro ampliou a regulamentação de plataformas digitais,
definindo que empresas podem ser responsabilizadas por conteúdos
criminosos postados por terceiros. Conteúdos graves, como mensagens
antidemocráticas, pornografia infantil e incentivo ao suicídio, devem
ser removidos ativamente, enquanto outros só precisam ser apagados após
notificação.
Adolescentes tentarão driblar a proibição?
Adolescentes entrevistados pela BBC disseram que estão criando novas
contas com idades falsas antes da entrada em vigor da proibição, embora o
governo tenha alertado as redes sociais de que espera que detectem e
removam esses perfis.
Na internet, jovens também têm recomendado aplicativos alternativos e dado dicas para tentar contornar a medida.
Alguns adolescentes, incluindo influenciadores, passaram a usar contas
conjuntas com os pais. Além disso, alguns também preveem o aumento no
uso de VPNs — que ocultam o país de acesso à internet — como ocorreu no
Reino Unido após a implementação das regras de controle de idade.
Com quase três décadas de carreira, comandante Karina Buchalla Lutkus, de 46 anos, relata preconceito no início, decepções em processos seletivos e emoção ao conquistar o cargo atual. <<<===+===.=.=.= =---____-------- ----------____---------____::____ ____= =..= = =..= =..= = =____ ____::____-----------_ ___---------- ----------____---.=.=.=.= +====>>> Por Paola Patriarca, g1 SP — São Paulo 22/11/2025 05h00 Atualizado há 02 horas Postado em 22 de Novembro de 2.025 às 07h00m #.* -- Post. - Nº.\ 11.955 -- *.#
Do preconceito à cabine do A380: a jornada da 1ª comandante brasileira do maior avião comercial do mundo
Filha de piloto, Karina Buchalla Lutkus, de 46 anos, queria desde
pequena seguir os passos do pai, mesmo sabendo que ainda havia pouco
espaço para mulheres na aviação e que enfrentaria desafios.
Com 28 anos de carreira, após um começo marcado pelo preconceito de
colegas de curso, que a mandavam desistir, ela alcançou um marco pessoal
que também entrou para a história do país: em 27 de outubro deste ano, tornou-se a primeira brasileira a assumir o posto de comandante do Airbus A380 da Emirates, o maior avião comercial do mundo.
Em entrevista aog1, Karina afirmou que foi o momento mais emocionante de toda a sua carreira.
"Parece
que passa um filme: 28 anos voando, desde a menina até todas as
adversidades e obstáculos superados. É um misto de realização,
felicidade, vitória. Eu me emocionei bastante, e o checador do exame
percebeu e disse: 'É um longo caminho'. Eu respondi: 'Você não faz
ideia'. Foi demais."
O marco foi compartilhado pela Associação das Mulheres Aviadoras do
Brasil nas redes sociais. A entidade ressaltou que ele "simboliza todas
as mulheres que sonham em voar cada vez mais alto".
O perfil oficial da Airbus, fabricante do A380, também comemorou. "O
maior avião de passageiros do mundo está em ótimas mãos. Parabéns à
comandante Karina pela conquista e por inspirar novas gerações",
escreveu a empresa em uma publicação no Instagram.
Antes de morar na capital paulista e seguir para Dubai, o começo da carreira foi em São José do Rio Preto, interior deSão Paulo.
Ela conta que, quando fez 16 anos, o pai, na época comandante da
companhia aérea Varig, começou a perguntar para qual curso ela prestaria
no vestibular.
"Eu sempre falava, desde pequena, que queria ser piloto. Eles acharam
que eu iria mudar de ideia e desistir. Mas falei: 'Pai, quero ser
piloto'. Ele tinha muito receio do que eu poderia sofrer por causa de
preconceito e falava: 'Como você vai casar e ter filhos?'. Eu falei: 'É o
que eu quero, é o que eu amo'. Ele: 'Então, vamos para o aeroclube, vou
te levar para fazer um voo de instrução. Se você realmente gostar, eu
deixo você começar o curso'."
Karina Buchalla Lutkus se tornou a primeira mulher brasileira a comandar um Airbus A380 — Foto: Arquivo pessoal
Karina foi para o aeroclube e relembra que ficou sabendo depois que o pai pediu para o instrutor fazer manobras mais radicais.
"Era para tentar me fazer desistir, me assustar um pouco. Porém, a cada
manobra que ele fazia, mais eu gostava, mais eu queria. Quando a gente
pousou, o instrutor virou para o meu pai e falou: 'Puxa, ela tem jeito.
Ela gostou, ela adorou'."
"A partir daquele momento, meu pai me deu todo o apoio, toda a
orientação técnica, os caminhos que eu teria que seguir, horas de voo,
exames, como conduzir essa carreira. E minha mãe me deu o suporte
emocional, sempre me incentivando a conquistar aquilo que eu queria.
Minha mãe sempre priorizou isso: 'Faça aquilo que você sonha, seja
independente, conquiste tudo o que você deseja'", lembra.
'Desiste, isso não é coisa de mulher'
Karina afirma que o começo sempre é o mais difícil na aviação, ainda mais por não haver muitas mulheres pilotando.
"A aviação, nesse começo, já é difícil, até conseguir as horas de voo
necessárias para entrar numa companhia aérea. Sendo mulher, ficou um
pouco mais difícil. Tive casos de não me deixarem voar no próprio curso.
Quando comecei a fazer o [curso de] piloto privado, alguns colegas de
sala falavam: 'Desiste, você nunca vai servir para isso, não é coisa de
mulher'. Mas eu nunca dei bola. Eu tinha todo o suporte em casa e segui
meu caminho."
Karina Buchalla Lutkus quando pilotou monomotor pela primeira vez foi
destaque em jornal regional — Foto: Reprodução/Diário da Região
Conseguir um emprego foi ainda mais desafiador. Karina diz que chegou a trabalhar sem ganhar salário.
"Eu consegui voar em um aerotáxi em Rio Preto. Voava aeronaves de
pequeno porte, como Navajo, Baron, Seneca. Depois houve uma mudança de
dono, e um deles não estava muito feliz em ter uma mulher conduzindo os
aviões dele. Acabei, então, indo para Cuiabá. Voei por um período lá. Eu
tinha um primo piloto, que fez o contato com um amigo dele, também
piloto em Cuiabá", relata.
"Trabalhei
em torno de três anos sem ganhar salário nenhum. Eu trabalhava de
graça, pagava minhas despesas, mas ganhava horas de voo. Isso já me
ajudou muito para conseguir as horas necessárias para ingressar numa
companhia aérea."
Em 2001, Karina participou de um processo para pilotos da Varig, com
cerca de 3 mil candidatos. Ao chegar à etapa final, faltando pouco para
ser admitida, o processo foi cancelado.
"Eu comecei o processo, fui passando em todas as etapas e, quando
estava na última, no simulador, foi exatamente no dia 11 de setembro de
2001, quando ocorreu o atentado das Torres Gêmeas. Isso causou uma crise
mundial na aviação, a Varig reviu os planos e cancelou a admissão.
Então eu cheguei a passar em tudo, mas não entrei."
No ano seguinte, passou em um processo da então TAM. "Estava feliz da
vida, entrei direto no Airbus 320, aeronave supermoderna. Fiz todo o
treinamento em simulador, estava com uniforme pronto. Um dia antes do
meu primeiro voo, a TAM sofreu dois acidentes pequenos no mesmo dia e
também teve que rever os planos. Eles interromperam o trabalho de cerca
de 400 pilotos, e eu fui demitida um dia antes do meu primeiro voo."
Dois anos depois, Karina retornou para a TAM e desta vez conseguiu
voar. Ficou até 2019, quando pediu desligamento para ir para a Emirates.
"Entrei [na TAM] como copiloto de Fokker 100, e fiquei um ano e dois
meses. Depois fui para o Airbus 320 e fiquei 10 meses. Em seguida, fui
para o Airbus 330, fazendo voos internacionais para Europa e Estados
Unidos. Fiquei quase quatro anos no 330. Com tempo total de seis anos de
TAM, fui promovida a comandante da frota 320 — 319, 320 e 321",
relembra.
No comando da maior aeronave do mundo
Karina Buchalla Lutkus se tornou a primeira mulher brasileira a comandar um Airbus A380 — Foto: Arquivo pessoal
Karina ressaltou que entrar na Emirates sempre foi seu sonho. Além
dela, há outras mulheres de diversas nacionalidades que atuam na empresa
como piloto.
"Eu sempre quis voar uma grande aeronave pelo mundo inteiro e em uma
grande empresa aérea internacional. Adiei um pouco porque meu pai estava
doente. Ele tinha mal de Parkinson. Depois que ele faleceu, fui em
busca daquilo que eu sempre sonhei."
Ela conta que quando a Emirates contrata o piloto como primeiro
oficial, já há um planejamento para que o profissional se torne
comandante.
"O processo para se tornar comandante começa no primeiro dia. A gente
tem todo o treinamento inicial como copiloto. Depois, a cada três meses,
passamos por sessões de simulador, uma sessão de handling [voo manual],
outra de emergências gerais aplicadas aos diversos cenários das rotas
da Emirates", diz.
"A cada seis meses, os cenários mudam. Com isso, você cobre uma grande
margem de adversidades que podem acontecer no voo. Quando atinge o
número de horas, setores de voo, pousos e decolagens, vários fatores,
você se torna elegível ao processo de upgrade."
Ainda conforme Karina, o processo inclui:
Avaliação psicotécnica;
Duas provas teóricas de sistemas e procedimentos;
Entrevista com o piloto-chefe;
Entrevista com a equipe administrativa.
Após a aprovação, começa o curso de upgrade, que dura cerca de três
meses, com várias sessões de simulador. Depois, começa a instrução em
rota. No final, há o voo de liberação para o cheque e o cheque final
(voo de familiarização em aeronave).
"No cheque final, já estou voando com um copiloto; o examinador fica no
'jump seat'[pequeno assento usado pela tripulação de cabine]. Quando
finalizei o último voo, dei a mão para o checador e ele disse:
'Parabéns, muito bem-feito'. Naquela hora, tive certeza de que tinha
passado. Foi o momento mais emocionante de toda a minha carreira."
"É incrível pilotar uma aeronave que leva esse número de passageiros
por voos de 15, 16 horas, com todo o conforto e segurança. A redundância
dos sistemas é incrível. É muita tecnologia. A Emirates tem uma frota
incrível. É muito prazeroso, muito gratificante sentir que estou no
comando de uma nave dessas. Só de tripulação, são 24 comissários. É
demais."
Airbus A380 da Emirates — Foto: Divulgação/Emirates
Rotina
Depois de morar anos em São Paulo, atualmente Karina mora em Dubai com o marido, piloto aposentado, e os dois filhos pequenos.
"Eu e meu marido nos conhecemos quando eu era copiloto do Airbus 330 na
TAM, e ele era meu passageiro. Depois nos casamos. No Brasil, era
complicado os dois voando, por serem voos mais curtos, com muitos dias
fora de casa. Aqui em Dubai, eu fico, em média, dois a três dias fora e
cinco dias em casa. Estou sempre em casa."
"Meu marido cuida das crianças quando eu estou voando, e cuidamos da
casa juntos. Não temos funcionários. Fazemos questão de aproveitar
nossos filhos. A qualidade de vida é excelente. Sou muito feliz com a
empresa, com o avião, com a segurança do país e com tudo o que Dubai
proporciona", destaca.
Airbus A380 da Emirates — Foto: Divulgação/Emirates
Ela conta que, em caso de voos longos, como Dubai–Brasil (15 horas),
Nova Zelândia (16 horas) ou alguns destinos nos EUA, viajam quatro
pilotos: dois comandantes e dois copilotos.
"Até a metade do voo, uma dupla opera e a outra descansa. Há uma área
reservada para descanso, com cama e sistema de entretenimento. Na metade
do voo, ocorre o revezamento. Antes do pouso, voltamos cerca de uma
hora antes, para revisar os procedimentos. No dia seguinte, inverte",
diz.
"Minha escala é superbalanceada. A Emirates foca muito para que
estejamos sempre aptos e descansados. Isso me permite fazer o que eu amo
e, principalmente, curtir minha família aqui em Dubai, que é meu
principal suporte."
Não desistir
Para as mulheres que querem ser pilotos, Karina aconselha persistirem.
"Nunca desistam dos sonhos. A gente consegue realmente tudo o que a
gente quer, desde que você tenha foco, comprometimento, dedicação,
resiliência. Às vezes, a gente passa por períodos [difíceis] na vida,
tanto na vida pessoal quanto na profissional. A gente levanta. A gente
cai, mas levanta. Não pode nunca desistir, [deve] sempre continuar
lutando."
Karina Buchalla Lutkus se tornou a primeira mulher brasileira a comandar um Airbus A380 — Foto: Reprodução/g1
Karina Buchalla Lutkus ao lado do marido que também é piloto, atualmente aposentado — Foto: Arquivo pessoal