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segunda-feira, 11 de agosto de 2025

O que sucesso do 'PIX da Índia' revela sobre ofensiva de Trump contra o PIX brasileiro

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Sistema de pagamentos instantâneos da Índia é anterior ao PIX e também desenvolvido por iniciativa do governo, mas tem ficado fora do escrutínio dos EUA na força-tarefa montada em torno do tarifaço de Donald Trump.
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TOPO
Por Camilla Veras Mota — São Paulo

Postado em 11 de Agosto de 2.025 às 07h15m

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Pesquisa aponta Pix como principal método de pagamento dos brasileiros
Pesquisa aponta Pix como principal método de pagamento dos brasileiros

O sistema de pagamentos instantâneos da Índia, o Unified Payments Interface (UPI), é anterior ao PIX brasileiro, maior, tem mais funcionalidades e também foi desenvolvido a partir de uma iniciativa do governo.

Ele tem ficado, entretanto, fora do escrutínio dos Estados Unidos na força-tarefa montada em torno do tarifaço de Donald Trump, enquanto o PIX é alvo de uma investigação comercial aberta pelo governo americano em 15 de julho e ainda em andamento.

O PIX foi colocado na lista de supostas práticas "desleais" que vêm sendo analisadas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), que se refere a ele indiretamente no documento em que detalha a investigação como "serviço de pagamento eletrônico desenvolvido pelo governo".

A medida ensejou comentários de figuras como o economista Paul Krugman, ganhador do prêmio Nobel, que elogiou o sistema brasileiro de pagamentos, e manifestações frequentes do ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em defesa da plataforma.

A Índia chegou a ser penalizada na última semana pelos EUA com uma tarifa adicional de 25% — o que elevou a alíquota incidente sobre seus produtos ao mesmo patamar do Brasil, 50% —, mas o motivo foi a compra de petróleo da Rússia, país que é alvo de sanções americanas.

O UPI segue fora do radar do protecionismo da gestão Trump.

Nesse sentido, a BBC News Brasil conversou com especialistas em meios de pagamento e um analista de relações internacionais para entender as semelhanças e diferenças entre o modelo indiano e o brasileiro, comparação que pode lançar luz sobre as razões que levaram o governo americano a colocar o PIX em sua linha de tiro.

Banco Central é operador e regulador do Pix, modelo que não se repete na Índia — Foto: Getty Images via BBC
Banco Central é operador e regulador do Pix, modelo que não se repete na Índia — Foto: Getty Images via BBC

A origem do UPI

O Unified Payments Interface (UPI) surgiu em 2016, quatro anos antes do PIX existir no Brasil, com características parecidas: um sistema de pagamentos instantâneo, usado tanto para transferir recursos de pessoa para pessoa quanto para realizar compras, que funcionava 24 horas por dia, de forma gratuita e sem a necessidade do uso de dados bancários como número da conta e agência.

Ele foi parte de uma iniciativa em larga escala do governo indiano para promover a digitalização no país. Batizada de India Stack, o projeto incluiu o lançamento de um RG digital e até a desmonetização de boa parte das cédulas que circulavam no país, para desincentivar o uso de dinheiro físico.

O UPI foi desenvolvido por um consórcio de entidades financeiras (National Payments Corporation of India, NPCI) reunido por iniciativa do Banco Central da Índia.

Juntos, eles montaram a infraestrutura por trás da plataforma, que se tornou o principal meio de pagamento no país, respondendo hoje por 83% das transações digitais.

O dado é de um relatório divulgado em janeiro pelo Banco Central, que ressalta que o UPI "impulsionou a Índia à vanguarda no fornecimento de soluções de pagamento digital como um 'bem público'", abordagem que teria "potencial para ser replicada em outros países".

Hoje cerca 500 milhões de indianos usam o serviço, conforme os números divulgados em julho pelo governo, e o sistema processa mais de 18 bilhões de transações por mês.

Consórcio indiano também lançou cartão de crédito e débito, chamado de RuPay — Foto: Reuters via BBC
Consórcio indiano também lançou cartão de crédito e débito, chamado de RuPay — Foto: Reuters via BBC

Pagamento offline e comando de voz

Também por ter sido lançado primeiro, o UPI apresentou uma série de soluções que, com o tempo, foram sendo incorporadas pelo PIX.

A modalidade que permite que pagamentos recorrentes sejam feitos de forma automática, por exemplo. Recém-lançada no Brasil como PIX automático, ela existe no UPI desde 2020, observa Sulivan Rocha, especialista em meios de pagamentos que já trabalhou como consultor na área.

E há ferramentas que ainda não apareceram aqui no Brasil, como a possibilidade de realizar pagamentos offline (muito útil na Índia, por exemplo, para usuários de zonas rurais afastadas, onde o serviço de internet pode ser ruim) e por comando de voz.

Expansão internacional

Outra frente em que o UPI avançou primeiro foi na expansão internacional. Hoje, a plataforma pode ser acessada em locais como Butão, Nepal, Cingapura, Emirados Árabes Unidos, Sri Lanka e França, resultado de acordos diretos da Índia com cada um desses países.

"Eles sempre foram muito vocais nisso, de que queriam criar um sistema internacional que fosse uma alternativa ao Swift", diz Rocha. O Swift é hoje uma das principais ferramentas usadas para a realização de transações financeiras internacionais, operado por uma cooperativa com cerca de 11.500 instituições financeiras.

A próxima fronteira de crescimento, segundo um relatório recente do Ministério das Finanças da Índia, seriam os países dos Brics, para os quais o primeiro-ministro Narendra Modi tem divulgado o UPI.

A plataforma foi, aliás, um dos assuntos discutidos entre ele e o presidente Lula em uma longa ligação na última quinta-feira (7/8), segundo comunicado do Planalto.

Outro produto que também tem se espalhado em outros países é o cartão de crédito desenvolvido pelo mesmo consórcio que lançou o UPI.

Batizado de RuPay ("ru" vem de "rúpia", a moeda indiana), ele concorre diretamente com bandeiras americanas como Visa e MasterCard e acabou de ser integrado com o UPI (uma solução semelhante ao PIX no crédito).

Rocha lembra que o Banco Central brasileiro já mencionou a possibilidade de internacionalização do PIX, mas que essa fronteira ainda não foi rompida de forma "oficial".

O sistema passou a funcionar em outros países recentemente — Argentina e Paraguai, por exemplo —, mas como uma solução desenvolvida pelo setor privado.

Fintechs brasileiras como a PagBrasil desenvolveram ferramentas que permitem a lojistas em alguns locais fora do Brasil processarem pagamentos de consumidores brasileiros por meio do PIX. A operação de câmbio é feita na hora (com o valor, por exemplo, em pesos argentinos convertidos para real) e já com a cobrança do IOF.

"Não é uma solução oficial, foi desenvolvida pelo mercado", ressalta Rocha.

Google Pay é um dos principais provedores usados com UPI — Foto: Getty Images via BBC
Google Pay é um dos principais provedores usados com UPI — Foto: Getty Images via BBC

'Efeito PIX' e inovação à brasileira

Em um artigo recente, a pesquisadora Polina Kempinsky listou o histórico e as características do PIX e do UPI e fez uma comparação dos dois sistemas.

No Brasil, a forma como o PIX foi estruturado (leia mais abaixo) beneficiou empresas nacionais, especialmente bancos digitais e fintechs. "Alavancando o modelo do PIX", elas desenvolveram inovação e cresceram, expandindo-se inclusive para outros mercados.

Isso acabou fazendo do país uma referência internacional. O sistema de pagamentos instantâneos que a Colômbia se prepara para lançar (Bre-B), por exemplo, é inspirado no PIX e foi desenvolvido em parceria com uma empresa brasileira, a Dock.

"O Brasil é bem conhecido hoje por seus 'neobancos' [bancos digitais] e pelo seu ecossistema doméstico de inovação financeira", diz ela à BBC News Brasil.

O Nobel Paul Krugman elogiou o PIX por ser quase instantâneo e por ter custos de transação baixos e sugeriu que o Brasil pode ter inventado o futuro do dinheiro com esse sistema.

"Outras nações podem aprender com o sucesso do Brasil no desenvolvimento de um sistema de pagamento digital", escreveu Krugman.

O papel do Banco Central

Apesar de PIX e UPI terem sido criados a partir de iniciativas do governo, o desenho e a execução dos projetos foram bem diferentes.

No Brasil, o modelo foi desenvolvido completamente dentro da estrutura do Banco Central. A autoridade monetária chegou a colher contribuições de bancos e fintechs em consultas públicas e por meio do "fórum PIX", mas manteve maior controle sobre o processo e implementação da plataforma.

Uma evidência nesse sentido foi a obrigatoriedade de adesão a todas as instituições financeiras com mais de 500 mil contas transacionais, algo que não aconteceu no caso do UPI na Índia, onde a participação foi voluntária.

Essa diferença talvez explique por que o modelo brasileiro foi o que teve adoção mais rápida no mundo, chegando a quase 74% da população no terceiro ano de existência. Em 2024, ressalta Kempinsky, o UPI tinha atingido 350 milhões de usuários, o que era relevante em números absolutos, mas correspondia a 25% da população indiana.

"Na Índia foi muito mais uma parceria público-privada supervisionada pelo Banco Central da Índia com a Associação de Bancos da Índia", pontua Rocha.

Nesse modelo, o BC da Índia atua principalmente como regulador, deixando o papel de operador para o setor privado.

Apesar de ter o Brasil como um de seus maiores mercados, o WhatsApp não conseguiu alavancar adesão à sua solução de pagamentos entre usuários no país — Foto: Getty Images via BBC
Apesar de ter o Brasil como um de seus maiores mercados, o WhatsApp não conseguiu alavancar adesão à sua solução de pagamentos entre usuários no país — Foto: Getty Images via BBC

Big techs: ganhadoras com UPI e perdedoras com PIX

Essa característica acabou favorecendo grandes empresas americanas, que hoje são protagonistas na última etapa da cadeia do UPI, a do consumidor final.

Enquanto o PIX funciona dentro do aplicativo de cada instituição financeira ou empresa de pagamentos, o UPI é processado por terceiros.

"Os bancos são os provedores de conta, porém não é no aplicativo do banco que você entra para fazer a transação. Você usa uma carteira digital", explica Rocha.

E duas empresas americanas, Google e Walmart, respondem por mais de 80% das transações com o UPI, com Google Pay e PhonePe.

Essa característica marca outra grande diferença entre os dois modelos. Em seu artigo, apresentado durante o mestrado em políticas públicas na Universidade de Harvard, Kempinsky coloca as big techs como grandes "perdedoras" do PIX.

Ela menciona o caso do WhatsApp, que chegou a lançar a função de transferências e pagamentos no Brasil em 2020, mas teve de suspendê-la por ordem do Banco Central, que argumentou necessidade de analisar potenciais riscos à concorrência no setor de pagamentos. O PIX foi lançado cerca de seis meses depois.

"Essa abordagem faz parte de uma política geral para fortalecer o ecossistema doméstico em detrimento da participação de multinacionais", ela ressalta no texto.

No caso da Índia, o papel cada vez maior de multinacionais tem gerado preocupação em relação a temas como privacidade de dados e concentração de mercado, a ponto de o governo considerar impor um limite de 30% de participação para os provedores de aplicativos.

Pix é um dos sistemas com adoção mais rápida no mundo — Foto: Getty Images via BBC
Pix é um dos sistemas com adoção mais rápida no mundo — Foto: Getty Images via BBC

PIX na mira de Trump

O governo americano anunciou em meados de julho uma investigação comercial contra o Brasil.

No documento divulgado pelo USTR, o órgão faz uma menção indireta ao PIX como um dos motivos. Segundo o relatório, um sistema "desenvolvido pelo governo" poderia estar prejudicando empresas americanas que atuam no setor de pagamentos.

"O Brasil também parece envolver-se em uma série de práticas desleais em relação aos serviços de pagamento eletrônico, incluindo, mas não se limitando a promover seu serviço de pagamento eletrônico desenvolvido pelo governo", diz um trecho do documento que não elenca a quais práticas supostamente ilegais ele se refere.

Na avaliação de Thiago Aragão, diretor de estratégia da consultoria Arko Advice, grandes empresas de tecnologia dos Estados Unidos provavelmente observam com interesse os desdobramentos da investigação comercial que o governo americano abriu contra o Brasil, não só em relação ao PIX.

"O Brasil é um mercado altamente estratégico para essas empresas", ele destaca, emendando que ele é um dos países do mundo que mais usa WhatsApp, que mais acessa o Google e consome Netflix.

"E isso cria um receio num mundo que ainda está buscando formas de regular as big techs", completa.

No caso do PIX, Aragão chama atenção para empresas como o WhatsApp, que pertence à Meta, dona também do Facebook.

O Brasil é um dos três principais mercados para a plataforma, e no entanto o segmento de pagamentos está, de certa forma, fechado para ela — já que os brasileiros dificilmente trocariam o PIX pelo sistema de pagamentos do aplicativo, que foi liberado em 2023.

"Eu acredito que a questão do WhatsApp tem mais a ver do que os cartões de crédito", opina Aragão, referindo-se às discussões que aconteceram após o anúncio da abertura da investigação comercial pelo USTR apontando Visa e Mastercard como grandes adversárias do PIX.

Em seu artigo, Kempinsky pondera que os dados sobre transações com cartão de crédito mostram um quadro mais complexo sobre o impacto dos sistemas de pagamento instantâneo.

A inclusão financeira promovida pelo PIX e pelo UPI permitiram que os bancos ganhassem novos clientes e tivessem, com isso, um novo público para oferecer cartões.

Depois do lançamento do PIX, a taxa de crescimento anual composta (medida usada no setor, identificada pela sigla CAGR) quase triplicou, atingindo 31,7% entre 2020 e 2022. Segundo ela, movimento semelhante aconteceu na Índia com o UPI.

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domingo, 10 de agosto de 2025

Corrida por terras raras: descoberta de jazida em MG atrai mais de 100 pedidos de mineração

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Pelo menos 100 pedidos de pesquisa foram apresentados à Agência Nacional de Mineração (ANM) em dois anos na região de cratera de vulcão considerado 'unicórnio' da mineração.
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Por Fabiana Assis, g1 Sul de Minas

Postado em 10 de Agosto de 2.025 às 09h00m

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Vulcão inativo no Sul de MG abriga jazida de terras raras
Vulcão inativo no Sul de MG abriga jazida de terras raras

A presença de um grande depósito de terras raras em uma cratera de um vulcão extinto em Poços de Caldas (MG), no Sul de Minas Gerais, considerado um “unicórnio” da mineração, levou a uma “especulação imobiliária” por áreas que podem conter estes minerais.

Nos anos de 2023 e 2024, logo após o anúncio de que empresas australianas estavam investindo para minerar a região, a Agência Nacional de Mineração (ANM) recebeu mais de uma centena de pedidos de pesquisa de terras raras na cratera e seu entorno, o equivalente a um terço de todas as autorizações de pesquisa para estes minérios concedidas para Minas Gerais no período.

Terras raras são um conjunto de 17 minérios de difícil extração, considerados estratégicos para as áreas de tecnologia e energética (veja infográfico abaixo). Estes compostos são alvo de disputas comerciais entre China e Estados Unidos. No fim de julho, os EUA manifestaram desejo de fazer acordo com o Brasil para obter os minerais.

Corrida por terras raras

Amostra de argila com terras raras retirada do Sul de Minas — Foto: Anova Mineração
Amostra de argila com terras raras retirada do Sul de Minas — Foto: Anova Mineração

A cratera do vulcão - também chamada de planalto - de Poços de Caldas possui cerca de 800 km², a maioria coberta com argila contendo íons de terras raras. A área engloba, além de Poços, os municípios mineiros de Andradas, Caldas e o município de Águas da Prata em São Paulo.

A região é considerada um "unicórnio" da mineração devido ao tamanho da jazida, capaz de abastecer 20% da demanda mundial, e à facilidade de extração, uma vez que os minérios estão próximos à superfície do solo.

Região da cratera do vulcão de Poços de Caldas (MG) tem cerca de 100 pedidos de pesquisa de solo para terras raras — Foto: Agência Nacional de Mineração (ANM)
Região da cratera do vulcão de Poços de Caldas (MG) tem cerca de 100 pedidos de pesquisa de solo para terras raras — Foto: Agência Nacional de Mineração (ANM)

Além das centenas de pedidos de pesquisa de solo, empresas estão fazendo sondagens iniciais em municípios ao redor de Poços de Caldas e Caldas, como Cabo Verde, Muzambinho, Botelhos, Campestre no Sul de Minas e Caconde, divisa com o estado de São Paulo.

O geólogo Paulo Henrique Silva Lopes, responsável por várias pesquisas de solo por minerais, acredita que o interesse em áreas fora da cratera se deve à possibilidade de a lava do vulcão ter se espalhado pela região.

“Hoje é uma cratera extinta, mas quando o vulcão estava ativo, foi uma caldeira muito forte e a lama provocada pela lava pode ter ido para os arredores e se espalhado, ajudada pela chuva, por uma área grande ao redor da caldeira que era muito intensa”, afirmou. 
Pesquisa virou um negócio

A autorização de pesquisa é o primeiro passo em um longo processo para a concessão de lavra que permite a exploração da área demarcada. Qualquer pessoa física ou jurídica pode fazer um pedido de pesquisas, desde que cumpra os requisitos, pague as taxas e apresente um relatório ao longo de 3 anos. O descumprimento desta exigência resulta em multa.

A pesquisa pode ir de apenas coleta de material do solo até grandes perfurações. Mas, de acordo com Lopes, apenas uma pequena parcela das pesquisas chega a uma concessão de lavra, ou seja, à fase de extração do minério. A grande maioria dos pedidos fica pelo caminho, ou porque o requisitante perde os prazos estabelecidos, ou porque os processos vão sendo protelados.

Descoberta de terras raras no Sul de Minas levou à corrida de empresas para pesquisar a região em busca dos minerais, considerados estratégicos — Foto: Divulgação / Meteoric
Descoberta de terras raras no Sul de Minas levou à corrida de empresas para pesquisar a região em busca dos minerais, considerados estratégicos — Foto: Divulgação / Meteoric

Nem todo mundo que pede autorização para pesquisa pretende fazer a mineração. Uma grande parte das autorizações é pedida por profissionais e empresas que pretendem comercializar os direitos minerais concedidos pela ANM depois de realizar a pesquisa.

O técnico em mineração Rafael Cruz de Oliveira, dono da RCO Mineração, é uma dessas pessoas. Ele faz pesquisas iniciais com o objetivo de vendê-las para empresas com estrutura para fazer a mineração. A empresa já negociou áreas em Poços de Caldas e em Goiás com empresas nacionais e estrangeiras e tem autorização de pesquisa de terras raras em mais de 100 áreas, nos estados de Minas Gerais, Goiás e Bahia.

“Depois que sai o alvará da ANM, a gente pode pesquisar e a gente tem o trabalho de conversar com o dono da terra, pegar as amostras, enviar para o laboratório, mas a gente não consegue chegar ao nível de minerar porque é um investimento muito alto”, explicou.

Neste ponto, quando a descoberta é consistente e há a possibilidade de mineração, geralmente ocorre a negociação com empresas de mineração.

Nova jazida de terras raras

Amostra de solo retirado de área de pesquisa de terras raras em Turvolândia, MG — Foto: RCO Mineração/Divulgação
Amostra de solo retirado de área de pesquisa de terras raras em Turvolândia, MG — Foto: RCO Mineração/Divulgação

É o que está acontecendo com a mais nova descoberta da empresa de Oliveira e seus sócios, uma área com depósito de terras raras em Turvolândia (MG), que fica a cerca de 40 quilômetros da cratera de Poços de Caldas.

A região apareceu em estudos geofísicos da Companhia Brasileira de Pesquisa Recursos Minerais, ligada ao Ministério de Minas e Energia (MME), sobre a região de São Gonçalo do Sapucaí (MG) e pelo menos 20 autorizações de pesquisas foram concedidas nesta região em 2023 e 2024.

Algumas delas foram para a RCO, que tem permissão para explorar 25 mil hectares. Até o momento, pouco mais de 20% desta área foram pesquisados, mas os resultados já despertam a atenção de empresas estrangeiras.

Em busca da mineração

A região também atrai empresas que estão investindo no Sul de Minas com o objetivo de se tornarem mineradoras de terras raras.

É o caso da Anova, uma empresa que se descreve como 100% mineira e que teve origem com a extração de ferro em Cabo Verde. A proximidade das minas da empresa com Poços de Caldas despertou o interesse em entrar na corrida pelas terras raras.

“A gente foi vendo que havia alguns requerimentos, aí foi usando o nosso networking para ver o que o pessoal estava encontrando, foi até geólogos e viu que fazia sentido. Já tinha um pequeno estudo inicial, mas quando a gente fala em terras raras, ainda é o oceano”, afirmou Edgard Jones, sócio da empresa.

A empresa tem sete áreas de pesquisa requeridas em nome próprio, além de outras em conjunto com parceiros em Caldas e Santa Rita de Caldas, e tem planos para montar uma planta piloto em um desses municípios para a exploração dos minerais, mesmo já sendo sondada por empresas estrangeiras interessadas nas áreas.

“A gente fez esses requerimentos porque já eram áreas que a gente tinha mapeado previamente com litologia na literatura. As informações são poucas, mas a gente já fez os pedidos e já encontramos argila com teores significativos de terras raras que justificam a gente avançar com o projeto. A ideia da minha empresa é dar continuidade, buscar o apoio do Invest Minas (agência de fomento do governo mineiro) e tentar ser a primeira empresa mineira a explorar materiais que são ricos em terras raras”, disse Jones.

O empresário acredita que a repercussão que o Sul de Minas está tendo dentro do setor minerador fará com que ela seja tomada por projetos especuladores, mas que muitos deles não terão sucesso.

“Como aconteceu em áreas de ouro, depois em áreas de minério de ferro e outros minerais que foram se valorizando com o tempo, como o lítio, vai ter nas terras raras. A gente teve um boom quando as mineradoras australianas foram para o Sul de Minas, um tanto de gente só requerendo área meio que sem pé nem cabeça e acaba que não pesquisa e aquilo ali fica parado”, afirmou.

Terras Raras: jazida sobre vulcão inativo no Sul de MG pode colocar o Brasil como protagonista na corrida global por energia limpa — Foto: Arte g1
Terras Raras: jazida sobre vulcão inativo no Sul de MG pode colocar o Brasil como protagonista na corrida global por energia limpa — Foto: Arte g1

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O desmatamento é o maior vilão climático do Brasil?

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Desmatamento responde por quase metade das emissões de gases do Brasil em 2023. Nenhum outro setor — nem transporte, nem indústria — polui tanto quanto a devastação ambiental no país.
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Por Redação g1

Postado em 10 de Agosto de 2.025 às 06h00m

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COP30 - O desmatamento é o maior vilão climático do Brasil?
COP30 - O desmatamento é o maior vilão climático do Brasil?

Quando se fala em emissão de gases de efeito estufa, é comum pensar em carros, fábricas ou usinas. Mas no Brasil, o principal motor do aquecimento global está longe das grandes cidades e muito mais próximo da floresta: é o desmatamento. Segundo o mais recente levantamento do Observatório do Clima, quase metade das emissões nacionais em 2023 teve origem na destruição de vegetação nativa.

O Brasil emitiu, no total, 2,3 bilhões de toneladas de gases de efeito estufa naquele ano. Desse montante, 46% vieram do setor de mudança de uso da terra — que inclui, principalmente, o corte e queima de florestas. Isso significa que nenhuma outra atividade econômica do país — nem o transporte, nem a indústria, nem a agropecuária — contribui tanto para o aquecimento global quanto a devastação ambiental.

A relação é direta: quando o desmatamento diminui, as emissões também caem. Foi o que aconteceu em 2023, quando a taxa de desmate na Amazônia caiu 30%, segundo o Inpe. Como consequência, o país registrou a maior redução de emissões em 15 anos: uma queda de 12% em relação a 2022. O dado reforça o impacto imediato que políticas de preservação podem ter sobre a balança climática nacional.

Mas não se trata apenas de gás carbônico na atmosfera. O desmatamento também interfere no ciclo da água. Árvores liberam vapor pelas folhas, formando nuvens e gerando chuva. Quando a floresta é derrubada, esse ciclo se rompe: o ar fica mais seco, a frequência das chuvas diminui e aumenta o risco de eventos extremos, como secas prolongadas. É um efeito dominó que afeta a agricultura, a geração de energia e o abastecimento das cidades.

a COP 30 e nosso futuro

Outro agravante é o uso do fogo como ferramenta de limpeza de áreas recém-desmatadas. Incêndios intencionais ou descontrolados geram emissões adicionais e tornam o ambiente ainda mais vulnerável à degradação. Em 2024, por exemplo, queimadas intensas foram apontadas como fator de agravamento na degradação da Amazônia, contribuindo para o repique de 4% no desmatamento observado entre agosto daquele ano e julho de 2025.

A comparação com outros setores deixa claro o tamanho do problema. No mundo, as emissões vêm principalmente da queima de combustíveis fósseis. No Brasil, o desmatamento lidera isolado — e, por isso, combater esse processo é uma estratégia chave para conter o aquecimento global. Preservar os biomas é, antes de tudo, proteger o próprio futuro do país.

COP30 - O que são os "pontos de não retorno" do clima?
COP30 - O que são os "pontos de não retorno" do clima?

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