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quarta-feira, 6 de agosto de 2025

Cérebro reage com defesa imunológica só de ver pessoas doentes se aproximando, diz pesquisa

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Pesquisadores identificam que o cérebro reage como se estivesse diante de uma infecção real ao ver sinais de doença. Estudo foi publicado na revista Nature Neuroscience.
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Por Redação g1

Postado em 06 de Agosto de 2.025 às 10h00m

#.* --  Post. - Nº.\  11.759  --  *.#

Pesquisa analisou que quando pessoa com sinal de doença se aproxima, isso ativa áreas de defesa no cérebro — Foto: Reprodução
Pesquisa analisou que quando pessoa com sinal de doença se aproxima, isso ativa áreas de defesa no cérebro — Foto: Reprodução

Pesquisadores descobriram que o cérebro ativa células imunológicas imitando a resposta a uma infecção real apenas ao ver alguém doente se aproximando.

O estudo foi conduzido por cientistas da Universidade de Lausanne, na Suíça, em parceria com outros institutos, e publicado na revista Nature Neuroscience na última semana.

O sistema imunológico humano reage rapidamente a infecções, mas nem sempre com velocidade suficiente para evitar o contágio. O que os pesquisadores queriam entender era quão cedo o corpo percebe o risco e começa a reagir.

Coração de titânio: paciente sobrevive mais de 100 dias pela 1° vez com o dispositivo
Coração de titânio: paciente sobrevive mais de 100 dias pela 1° vez com o dispositivo

Como foi feito o estudo

Na pesquisa, voluntários saudáveis usaram óculos de realidade virtual que mostravam avatares em dois grupos: alguns com sinais de doença, outros sem.

Os 248 participantes foram divididos em dois grupos:

  • 🧠 Um grupo viu os avatares;
  • 🧠 O outro não viu os avatares, mas recebeu uma vacina contra a gripe, representando uma exposição real a um patógeno.

Ao todo, foram realizados cinco experimentos enquanto os participantes eram monitorados por eletroencefalograma.

Nos testes, os voluntários viam rostos com expressão neutra, doente (como com erupções na pele) ou com medo. Se sentissem um toque no rosto ao ver o avatar, deveriam apertar um botão.

O que se observou foi que, ao ver avatares com sinais de doença, os participantes pressionavam o botão quando os rostos ainda pareciam distantes mais do que quando viam expressões neutras ou de medo.

O que os pesquisadores descobriram

Eles descobriram que a aproximação de um avatar doente ativava áreas do cérebro ligadas à percepção do espaço pessoal (a região ao redor do corpo). Em seguida, houve um aumento na atividade da rede de saliência do cérebro, responsável por reconhecer e responder a ameaças.

🧠 Essa atividade cerebral desencadeou um aumento na frequência de células linfoides inatas, que fazem parte da primeira linha de defesa do corpo.

Exames de ressonância magnética funcional (fMRI) confirmaram os achados. Quando os avatares doentes apareciam, havia uma conexão maior entre essa rede cerebral de detecção de ameaças e o hipotálamo — região fundamental para a regulação do organismo.

🧠 E mais: exames de sangue ainda mostraram que a resposta daqueles que viram os avatares com sinais de doença foi semelhante aos daqueles que tomaram a vacina. Ou seja, que realmente tiveram a exposição.

Segundo os pesquisadores, os resultados mostram a agilidade da resposta imunológica. Mas mais estudos ainda são necessários para entender como esse reconhecimento visual pode ajudar na proteção contra doenças.

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Vespas podem conter o segredo para retardar o processo de envelhecimento, diz estudo

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Pesquisa inédita mostra que inseto metálico pode desacelerar seu relógio molecular e prolongar a vida após um período de dormência na fase larval.
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Por Redação g1

Postado em 06 de Agosto de 2.025 às 07h00m

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A vespa-joia tem ganhado destaque na ciência justamente por ter um sistema de metilação do DNA funcional — Foto: Carlos Eduardo Quaresma/Acervo Pessoal
A vespa-joia tem ganhado destaque na ciência justamente por ter um sistema de metilação do DNA funcional — Foto: Carlos Eduardo Quaresma/Acervo Pessoal

Um estudo liderado por cientistas da Universidade de Leicester, no Reino Unido, revelou que a vespa-joia (Nasonia vitripennis) — um inseto conhecido por seu brilho metálico — é capaz de retardar significativamente o envelhecimento biológico. O segredo está em uma espécie de tempo limite natural durante o desenvolvimento, que desacelera seu chamado "relógio epigenético" antes mesmo da fase adulta.

Os resultados, publicados na prestigiada revista científica PNAS, mostram que as vespas que passaram por esse estado de pausa viveram mais e envelheceram mais lentamente, indicando que o ambiente pode influenciar diretamente o ritmo do envelhecimento — até mesmo antes do nascimento.

Uma pausa que reprograma o tempo

No experimento, os pesquisadores induziram um estado de dormência nas larvas das vespas ao expor suas mães ao frio e à escuridão. O processo, chamado diapausa, é semelhante à hibernação e retardou o desenvolvimento dos filhotes.

Ao voltarem à atividade normal, essas vespas adultas apresentaram uma expectativa de vida 36% maior e um envelhecimento molecular 29% mais lento do que os insetos que não passaram pela diapausa. A desaceleração foi medida por meio do relógio epigenético, um dos marcadores mais precisos do envelhecimento biológico, baseado nas mudanças químicas no DNA — como a metilação — que se acumulam com o tempo.

É como se as vespas que fizeram uma pausa no início da vida voltassem com tempo extra no banco, explica o professor Eamonn Mallon, especialista em Biologia Evolutiva e autor sênior do estudo.

Implicações para a saúde humana

A vespa-joia tem ganhado destaque na ciência justamente por ter um sistema de metilação do DNA funcional, assim como os humanos. Além disso, sua vida curta facilita experimentos sobre longevidade.

O estudo também identificou alterações em vias metabólicas fundamentais, como aquelas ligadas à insulina e à detecção de nutrientes — as mesmas que vêm sendo investigadas em terapias anti-envelhecimento em humanos. Ou seja, embora o experimento tenha sido feito com insetos, os cientistas acreditam que ele pode lançar luz sobre mecanismos conservados ao longo da evolução.

Compreender como e por que o envelhecimento acontece é um grande desafio científico, diz Mallon. Este estudo abre novos caminhos para a pesquisa, não apenas na biologia das vespas, mas também na possibilidade de desenvolvermos intervenções que atuem diretamente nas raízes moleculares do envelhecimento.
“Dar um tempo” pode fazer diferença

Embora outras espécies já tenham demonstrado a capacidade de reduzir o envelhecimento durante períodos de dormência, esta é a primeira evidência de que o efeito pode perdurar após o retorno ao estado ativo — inclusive influenciando diretamente no ritmo de envelhecimento do organismo.

Em suma, esta pequena vespa pode conter grandes respostas sobre como podemos dar uma pausa no envelhecimento, concluiu o professor Mallon.

Com as descobertas, a Nasonia vitripennis se consolida como uma nova estrela nos estudos sobre envelhecimento e pode ajudar cientistas a desenvolver estratégias para desacelerar o envelhecimento humano desde as fases iniciais da vida.

Pesquisa revela que envelhecimento da população também é causado por fatores políticos
Pesquisa revela que envelhecimento da população também é causado por fatores políticos

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Os caramujos ameaçados de extinção por serem bonitos demais

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Pesquisadores em Cuba e no Reino Unido estão trabalhando juntos para desvendar os segredos biológicos dos caramujos Polymita.
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TOPO
Por BBC

Postado em 06 de Agosto de 2.025 às 05h00m

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Espécies de caracol Polymita são encontradas no leste de Cuba — Foto: Bernardo Reyes-Tur/BBC
Espécies de caracol Polymita são encontradas no leste de Cuba — Foto: Bernardo Reyes-Tur/BBC

Pesquisadores embarcaram em uma missão para salvar o que alguns consideram ser os caramujos mais bonitos do mundo — e também para desvendar seus segredos biológicos.

Os caramujos arborícolas do gênero Polymita estão desaparecendo de seus habitats florestais nativos no leste de Cuba. Eles possuem conchas vibrantes, coloridas e com padrões extravagantes.

Infelizmente, essas conchas são cobiçadas por colecionadores e, segundo especialistas, o comércio delas está levando os animais à extinção.

Biólogos em Cuba e especialistas da Universidade de Nottingham, no Reino Unido, uniram força para salvar as seis espécies conhecidas de Polymita.

As conchas dos caramujos são vendidas como itens decorativos e ornamentos — Foto: Angus Davison/BBC
As conchas dos caramujos são vendidas como itens decorativos e ornamentos — Foto: Angus Davison/BBC

A mais ameaçada delas é a Polymita sulphurosa, que apresenta um tom verde-limão com padrões de chamas azuis ao redor de suas espirais, além de faixas laranja e amarelas em sua concha.

Mas todas as espécies de Polymita são incrivelmente brilhantes e coloridas, o que, por si só, já é um mistério evolutivo.

"Um dos motivos que fez eu me interessar por esses caracóis é porque eles são muito bonitos", explicou o geneticista evolutivo e especialista em moluscos, professor Angus Davison, da Universidade de Nottingham.

A ironia, segundo ele, é que essa é a razão pela qual eles estão ameaçados de extinção.

As cores vibrantes dos caramujos do gênero Polymita fazem deles um atrativo para comercialização — Foto: Bernardo Reyes-Tur/BBC
As cores vibrantes dos caramujos do gênero Polymita fazem deles um atrativo para comercialização — Foto: Bernardo Reyes-Tur/BBC

"A beleza deles atrai pessoas que colecionam e vendem as conchas. Então, justamente o que os torna diferentes e tão interessantes para mim, enquanto cientista, é o que, infelizmente, os coloca em risco."

Ao fazer uma pesquisa online, encontramos várias plataformas onde vendedores, baseados no Reino Unido, oferecem conchas de caramujos Polymita. Em um dos sites, uma coleção de sete conchas estava sendo anunciada por 160 libras (R$ 1.170, na cotação atual).

"Sabemos que algumas dessas espécies estão bastante ameaçadas. Então, não seria preciso muito esforço — se alguém já as coleta em Cuba e comercializa — para levá-las à extinção", explica Davison.

"Conchas são compradas e vendidas como itens decorativos, mas cada concha vazia já foi, um dia, um animal vivo."

Embora existam normas internacionais para proteger os caramujos Polymita, elas são difíceis de aplicar.

Segundo a Convenção sobre Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas de Extinção, é ilegal retirar os caramujos ou suas conchas de Cuba sem permissão. Mas é legal vender as conchas em outros lugares.

Projeto internacional entre pesquisadores de Cuba e do Reino Unido investiga formas de preservar os caramujos Polymita — Foto: Bernardo Reyes-Tur/BBC
Projeto internacional entre pesquisadores de Cuba e do Reino Unido investiga formas de preservar os caramujos Polymita — Foto: Bernardo Reyes-Tur/BBC

O professor Davison afirma que, com as mudanças climáticas e a perda das florestas afetando o habitat natural desses animais em Cuba, "é fácil imaginar que pessoas coletando conchas levariam uma população à extinção."

Para tentar impedir isso, Davison está trabalhando junto com o professor Bernardo Reyes-Tur, da Universidade do Oriente, em Santiago de Cuba, que é biólogo conservacionista.

O objetivo desse projeto internacional é compreender melhor como os caramuojos evoluíram e fornecer informações que podem ajudar na sua conservação.

O papel de Reyes-Tur nessa iniciativa é talvez o mais desafiador: trabalhar com fornecimento de energia elétrica instável e em um clima quente.

Isso fez com que ele levasse os Polymita para dentro da própria casa para reproduzi-los em cativeiro. "Eles ainda não se reproduziram, mas estão se saindo bem", nos informou durante uma entrevista por chamada de vídeo.

Diante da energia instável e clima quente, o professor Bernardo Reyes-Tur levou alguns caramujos para casa com o objetivo de reproduzi-los em cativeiro — Foto: Bernardo Reyes-Tur
Diante da energia instável e clima quente, o professor Bernardo Reyes-Tur levou alguns caramujos para casa com o objetivo de reproduzi-los em cativeiro — Foto: Bernardo Reyes-Tur

"É desafiador. Nós temos apagões aqui o tempo todo."

Enquanto isso, nos laboratórios bem equipados da Universidade de Nottingham, a pesquisa genética é realizada.

Lá, o professor Davison e sua equipe conseguem armazenar pequenas amostras de tecido dos caramujos em freezers criogênicos para preservá-los.

Esse material pode ser usado para decodificar o genoma dos animais — o conjunto biológico de instruções codificadas que define o que cada caramujo é.

O grupo pretende usar essas informações para confirmar quantas espécies existem atualmente, como elas se relacionam entre si e qual parte do código genético dá a elas esse padrão único e extraordinário de cores.

A esperança é que eles consigam desvendar esses segredos biológicos antes que essas criaturas coloridas, que já são compradas e vendidas, sejam levadas à extinção.

"O leste de Cuba é o único lugar do mundo onde esses caramujos são encontrados", afirma Davison.

"É lá que está o conhecimento — onde vivem e trabalham as pessoas que conhecem, amam e compreendem esses caramujos. Esperamos que as informações genéticas que conseguimos reunir possam contribuir para a conservação deles."

COP 30 - O que é o Acordo de Paris?
COP 30 - O que é o Acordo de Paris?

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terça-feira, 5 de agosto de 2025

Submarino Titan: perda de integridade do casco e segurança 'gravemente falha' causaram implosão, conclui investigação

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Guarda Costeira dos EUA divulgou nesta terça (5) relatório final de investigação sobre a implosão do submersível, ocorrida em 2023, e disse que 'tragédia era evitável'.
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Por Redação g1

Postado em 05 de Agosto de 2.025 às 10h55m

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O que é uma 'implosão' e o que acontece quando um submarino implode?
O que é uma 'implosão' e o que acontece quando um submarino implode?

O submarino Titan implodiu por ter sido projetado de forma inadequada, e por "graves falhas" de protocolos de segurança adotados pela empresa Oceangate, afirmou a Guarda Costeira dos Estados Unidos no relatório final, divulgado nesta terça-feira (5), da investigação sobre a implosão.

Ainda segundo a Guarda Costeira americana, o desastre ocorrido em 2023 é considerado evitável, e a principal causa que levou à implosão do Titan foi a perda de integridade estrutural de seu casco de fibra de carbono.

Relembre 💭 O submarino Titan desapareceu no dia 18 de junho de 2023 durante uma expedição aos destroços do navio Titanic. Havia 5 pessoas no veículo, o então diretor-executivo da Oceangate, Richard Stockton Rush, um copiloto e três bilionários. Segundo a investigação, o veículo implodiu a cerca de 3.350 metros de profundidade por conta da pressão da água e todos os passageiros morreram instantaneamente. Relembre o caso aqui.

"A principal causa [da implosão] é o fato de a Oceangate não ter seguido protocolos de engenharia estabelecidos para segurança, testes e manutenção do submersível. (...) Por vários anos antes do incidente, a empresa usou táticas de intimidação, o argumento de que realizava operações científicas e sua reputação positiva para escapar da fiscalização. Ao criar e explorar de forma estratégica uma confusão acerca das regras e supervisões, a empresa conseguiu operar o Titan totalmente fora dos protocolos estabelecidos para mergulhos em grandes profundidades", afirmou a Guarda Costeira americana.

O documento também apontou falhas nos processos de certificação, manutenção e inspeção do submarino, além de "uma cultura de trabalho tóxica na Oceangate". Veja abaixo as causas da implosão listadas pela Guarda Costeira americana:

  1. O design do Titan e testes conduzidos pela Oceangate não seguiram princípios básicos de engenharia para construir um casco resistente o suficiente para operar com segurança em ambientes de alta pressão;
  2. O casco submarino, feito de fibra de carbono, apresentava falhas que enfraqueceram a estrutura como um todo, e cita elementos como enrolamento, cura, colagem, espessura do casco e padrões de fabricação;
  3. A Oceangate não investigou a fundo incidentes anteriores à expedição ao Titanic que comprometeram a integridade do casco e de outros componentes críticos do Titan, e continuou o utilizando sem realizar inspeções adequadas.
  4. A Oceangate não fez um estudo para determinar a vida útil do casco do Titan, e não fez manutenções preventivas durante período em que ficou fora de operação antes da expedição ao Titanic em 2023;
  5. A Oceangate confiou excessivamente em um sistema de monitoramento em tempo real para avaliar a condição do casco, mas não analisou adequadamente os dados fornecidos por esse sistema;
  6. A empresa mantinha um ambiente de trabalho tóxico, em que usava demissões de funcionários experientes e a constante ameaça de desligamento para desencorajar empregados e prestadores de serviço a levantarem preocupações sobre segurança.

O relatório divulgado nesta terça corrobora relatos de fragilidades do submarino Titan e negligência dos donos da Oceangate durante testemunhos de ex-funcionários da empresa em audiência pública em 2024. (Leia mais abaixo)

Veja momento em que equipe de buscas encontra destroços do submarino Titan
Veja momento em que equipe de buscas encontra destroços do submarino Titan


teste arte titan — Foto: arte g1
teste arte titan — Foto: arte g1

Falhas no Titan e incidentes anteriores à implosão

Uma audiência pública do Conselho de Investigação Marítima da Guarda Costeira dos EUA feita em setembro de 2024 revelou falhas no Titan, detalhes da implosão do submarino e incidentes anteriores ignorados pal Oceangate.

O ex-diretor de operações da Oceangate, David Lochridge, disse ter avisado sobre falhas do submarino Titan em grandes profundidades em 2018, cinco anos antes da implosão. Após relatar problemas com a fibra de carbono e pedir mais testes no submarino, inclusive na profundidade dos destroços do Titanic, ele foi demitido.

A constituição do casco do Titan, feito de fibra de carbono, é um tema visado por especialistas. O engenheiro principal da American Bureau of Shipping, Roy Thomas, disse em testemunho que apesar de ser um material forte e leve, a fibra de carbono é “suscetível a falhas por fadiga” sob pressurização repetida e a água salgada pode enfraquecer o material de várias maneiras.

Segundo autoridades da Guarda Costeira, o submarino não havia sido revisado de forma independente, como é prática comum. O cofundador da Oceangate, Guillermo Sohnlein, afirma que o Titan tinha certificações e vínculos com a Nasa e a Boeing, porém funcionários das empresas relataram participação limitada no processo de criação do Titan, por ser um submarino experimental e pela Oceangate não ter acatado recomendações.

Testemunhas relataram na audiência que ouviram sons altos de estalos em expedições anteriores à da implosão. O engenheiro do Conselho Nacional de Segurança nos Transportes (NTSB, na sigla em inglês) Don Kramer afirmou que o casco do Titan apresentava imperfeições que remontam ao processo de fabricação e se comportou de maneira diferente após um "forte estrondo" ser ouvido durante mergulho um ano antes da tragédia.

Novas imagens divulgadas de destroços do submarino Titan encontrados pelas equipes de buscas em 22 de setembro de 2023. — Foto: Guarda Costeira dos EUA
Novas imagens divulgadas de destroços do submarino Titan encontrados pelas equipes de buscas em 22 de setembro de 2023. — Foto: Guarda Costeira dos EUA

O Titan também apresentou falhas apenas dias antes da expedição que resultou na implosão, segundo o ex-diretor científico da OceanGate, Steven Ross. Durante um mergulho, o submarino ficou instável e fez com que os passageiros a bordo fossem "lançados de um lado para o outro" —o incidente levou uma hora para retirar a embarcação da água.

O capitão Jamie Frederick, comandante da unidade de Boston da Guarda Costeira, pareceu chocado ao saber que o capitão do navio de apoio ao Titan disse ter sentido, em retrospectiva, uma leve trepidação no momento em que o submersível implodiu durante o mergulho no ano passado.

Frederick disse que era inconcebível que eles não compartilharam isso no momento que as buscas estavam sendo realizadas, entre 18 e 22 de junho de 2022. Segundo ele, isso "certamente teria mudado a equação" na resposta de resgate empregada pela Guarda Costeira.

Matthew McCoy, um ex-funcionário da OceanGate, relatou ter se demitido após uma conversa "tensa" em que Stockton Rush disse a ele que o submarino seria registrado nas Bahamas e lançada do Canadá para evitar a fiscalização dos EUA. Segundo McCoy, Rush lhe falou a ele que "se a Guarda Costeira se tornasse um problema, então ele compraria um congressista para resolver a questão."

Em outro depoimento, um passageiro que pagou para uma expedição ao Titanic em 2021 disse que a jornada foi abortada quando a embarcação começou a apresentar problemas mecânicos. Percebemos que tudo o que ele conseguia fazer era girar em círculos, fazendo curvas à direita, disse Fred Hagen. Nesse ponto, obviamente não seríamos capazes de navegar até o Titanic. Ele afirmou que o Titan voltou à superfície e a missão foi cancelada.

Hagen disse que estava ciente dos riscos envolvidos no mergulho.Qualquer pessoa que quisesse ir era ou delirante se não pensasse que era perigoso, ou estava aceitando o risco, ele disse.

Buracos na camada de fibra de carbono de protótipo do submarino Titan após testes de pressão da água. — Foto: Reprodução/Guarda Costeira dos EUA
Buracos na camada de fibra de carbono de protótipo do submarino Titan após testes de pressão da água. — Foto: Reprodução/Guarda Costeira dos EUA

Novas imagens e última mensagem

Durante a rodada de audiências, novas imagens dos destroços do Titan foram reveladas. Entre elas, um vídeo do momento em que o submarino foi encontrado pelas equipes de busca.

Também foi revelada a última mensagem enviada de dentro do submarino para o barco de apoio na superfície.

"Está tudo bem", dizia a mensagem, escrita momentos antes da implosão.
Negligência e ganância da Oceangate
Stockton Rush em imagem sem data publicada no site da OceanGate — Foto: Reprodução/OceanGate
Stockton Rush em imagem sem data publicada no site da OceanGate — Foto: Reprodução/OceanGate

O ex-diretor de engenharia da OceanGate, Tony Nissen, contou em depoimento que se negou a pilotar o submarino quando Stockton Rush o pediu porque não confiava na equipe de operações.

"Não vou entrar nele", disse Nissen à época.

Questionado sobre decisões de segurança e testes, Nissen também revelou que foi apressado para começar as operações que a pressão para colocar o Titan na água era "100%".

David Lochridge, o ex-diretor de operações, afirmou também que se sentiu usado pela OceanGate, que teria o contratado para dar lastro científico às operações da empresa.

"O objetivo principal da empresa era ganhar dinheiro. (...) Havia muito pouco em termos de ciência", afirmou Lochridge.

Outros relatos também dão conta de uma necessidade da empresa de colocar o projeto em ação o mais rápido possível, muitas vezes ignorando orientações de especialistas. Um ex-funcionário disse que a empresa estava sem dinheiro, e as expedições eram a forma de renda para manter a Oceangate funcionando.

A diretora de administração da OceanGate, Amber Bay, contestou uma pergunta sobre um senso de desesperoda empresa para completar os mergulhos devido ao alto preço cobrado --cada cliente pagava US$ 250 mil (cerca de R$ 1,36 milhões) pela experiência.

Amber insistiu que a empresa não realizaria mergulhos que fossem arriscados apenas para atender a uma demanda. No entanto, disse ao painel da Guarda Costeira:Definitivamente, havia uma urgência em cumprir o que havíamos prometido e uma dedicação e perseverança em direção a esse objetivo.

O presidente do Conselho de Investigação Marítima, Jason Neubauer, disse que o painel completaria seu trabalho de produzir o relatório e pressionaria por mudanças na forma de recomendações à liderança da Guarda Costeira "para ajudar a garantir que ninguém tenha que enfrentar uma ocorrência semelhante no futuro".

Neubauer afirmou que suas recomendações ao comandante incluirão propostas de segurança, juntamente com qualquer conduta criminosa. Se o painel acreditar que houve conduta criminosa, essa recomendação será tratada em um processo separado.

Minha prioridade é resolver essa questão de maneira rápida, porque sinto que há questões globais em jogo, disse Neubauer.

 Estados Unidos

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