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quarta-feira, 18 de dezembro de 2024

Dólar fecha em leve alta e renova recorde após bater R$ 6,20 em dia turbulento no mercado

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Moeda fechou em alta de 0,02%, cotada a R$ 6,0956. BC tentou conter disparada ao longo do dia com dois leilões, mas o dólar só freou após Lira anunciar votação para parte do pacote de corte de gastos. Ibovespa encerrou com avanço de 0,92%, aos 124.698 pontos.
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Por Redação g1 — São Paulo

Postado em 18 de dezembro de 2024 às 09h00m

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BC cita disparada do dólar e anúncio do pacote fiscal para choque de juros

Em dia turbulento, o dólar fechou em leve alta nesta terça-feira (17) e bateu seu novo recorde de cotação: R$ 6,0956.

  • A moeda norte-americana começou o dia em forte alta, em meio à piora das expectativas sobre o pacote fiscal do governo, que aguarda votação no Congresso. Pela primeira vez, o dólar chegou à casa dos R$ 6,20.
  • Depois de mais duas intervenções do BC com vendas de dólares, a alta da moeda não foi revertida, mas amenizou. Com isso, o dólar voltou para a casa de R$ 6,12.
  • A moeda seguiu em trajetória de alta até que o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, anunciou que um dos textos do pacote fiscal deve ser votado nesta terça. Somente então, o dólar conseguiu baixar da casa dos R$ 6,10.

Na máxima do dia, a moeda norte-americana chegou a R$ 6,2065. Entenda abaixo, com mais detalhes, quais foram os acontecimentos do dia que levaram o dólar à forte turbulência vista nesta terça-feira.

A forte subida do dólar pela manhã ocorreu porque pioraram as expectativas do mercado financeiro com o desenho do pacote de cortes de gastos enviado pelo governo federal ao Congresso Nacional. A ideia é economizar R$ 70 bilhões nos próximos dois anos, e um total de R$ 375 bilhões até 2030.

O governo precisa reduzir os gastos porque tem uma meta de zerar o déficit público pelos próximos dois anos — ou seja, gastar o mesmo tanto que arrecada em 2024 e 2025. São as regras definidas pelo arcabouço fiscal, o conjunto de normas para controle das contas públicas.

O arcabouço também estipula que o governo deve começar a arrecadar mais do que gasta a partir de 2026, para controlar o endividamento público. Mas os investidores já não acreditam que as medidas tomadas pelo governo até aqui tenham o potencial para conter o avanço da dívida pública no longo prazo.

O mercado tinha a expectativa de que o governo mexesse em gastos estruturais nesse pacote de corte de gastos — como a Previdência, benefícios reajustados pelo salário mínimo e os pisos de investimento em saúde e educação. Isso não aconteceu.

Segundo os analistas, essas despesas tendem a subir em velocidade acelerada e têm potencial de anular esse esforço do pacote em pouco tempo. O governo, contudo, é avesso às medidas, que mexeriam com políticas públicas e com promessas de campanha do presidente Lula.

Ainda durante a manhã, o Banco Central (BC) realizou mais duas intervenções no mercado de câmbio para reduzir a pressão do dólar sobre o real. O primeiro leilão vendeu US$ 1,2 bilhão, o segundo, US$ 2 bilhões. O movimento de forte alta não foi revertido, mas amenizou e voltou aos R$ 6,12.

O avanço só perdeu força depois que o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, anunciou que o plenário da Casa pretende votar, nas próximas horas, um dos textos que compõem o pacote fiscal, além do projeto de regulamentação da reforma tributária.

"Não estou garantindo a aprovação nem rejeição. Nós vamos votar, estamos discutindo, conversando, dialogando, encontrando textos para votar, mas o calendário de votação é esse", disse.

Segundo o blog do Valdo Cruz, para evitar uma desidratação das medidas propostas e garantir a aprovação do pacote, o governo prepara mais R$ 800 milhões de emendas parlamentares para serem liberadas nesta reta de final de ano, além dos R$ 7,6 bilhões já empenhados para deputados e senadores até esta segunda.

Apesar do cenário ruim, o Ibovespa, principal índice acionário da bolsa de valores brasileira, a B3, encerrou com avanço de 0,92%, aos 124.698 pontos.

Veja abaixo o resumo dos mercados.

O dólar fechou em alta de 0,02%, cotado a R$ 6,0956, novo recorde nominal (que é o valor da moeda sem ajuste pela inflação). Veja mais cotações.

Com o resultado, acumulou:

  • ganhos de 1,01% na semana;
  • alta de 1,58% no mês;
  • avanço de 25,62% no ano.

Na véspera, a moeda norte-americana subiu 0,99%, cotada a R$ 6,0942.

Ibovespa

O Ibovespa fechou em alta de 0,92%, aos 124.698 pontos.

Com o resultado, acumulou:

  • alta de 0,07% na semana;
  • perda de 0,77% no mês;
  • recuo de 7,07% no ano.

Na véspera, o índice caiu 0,84%, aos 123.560 pontos.

Valdo Cruz: Ata do Copom foi sem ruídos

O que está mexendo com os mercados?

A parte do pacote de corte de gastos que os deputados pretendem votar hoje é o PLP 210, segundo Arthur Lira. Esse é um projeto complementar ao pacote de corte de gastos, enviado pelo governo ao Congresso. Ele impõe travas para concessão de créditos tributários em caso de déficit e amplia o poder do governo para congelar o pagamento de emendas parlamentares.

"Nós vamos votar a tributária, vamos votar a lei que trata de multinacionais, o projeto de turismo e o PLP 210", explicou o presidente, após chegada à Câmara nesta tarde.

Pelo texto, o Executivo poderá bloquear ou contingenciar essa categoria de recursos, seguindo a proporção de congelamento de outras despesas discricionárias.

Segundo Lira, os outros projetos do pacote fiscal: o que limita o ganho real do salário mínimo e a proposta que restringe o acesso ao abono salarial, ficarão para quarta-feira (18).

Também nesta terça, houve a divulgação da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil (BC), que avaliou justamente a disparada da moeda nas últimas semanas como um dos fatores para aumentar os juros brasileiros. (leia mais abaixo)

No dia 11, o Copom elevou a Selic em 1 ponto percentual, de 11,25% para 12,25% ao ano. Além disso, antecipou que fará outras duas altas de mesma magnitude nas próximas reuniões. Isso deve levar a taxa Selic a um patamar de 14,25% ao ano.

Na ata, o Copom diz que esse cenário "afetou, de forma relevante, os preços de ativos" (como dólar e juros futuros), e que o repasse de um dólar mais alto para os preços dos produtos e serviços é perigoso para a inflação.

"Desse modo, o Comitê deve acompanhar de forma mais detida como se dará a transmissão da taxa de câmbio e das condições financeiras para preços e atividade", avaliou o Banco Central.

Sobre a proposta de pacote fiscal anunciada pelo governo, que gerou tensão no mercado financeiro, o BC avaliou que a "percepção dos agentes econômicos afetou, de forma relevante, os preços de ativos, assim como as expectativas especialmente o prêmio de risco (juros), as expectativas de inflação e a taxa de câmbio".

Com a piora das expectativas de inflação, o BC afirma que o cenário se tornou "mais adverso e requerendo uma política monetária mais contracionista [alta maior dos juros]". Isso trouxe ao mercado mais certeza de que o cenário está complexo.

Desde o fim da semana passada, o BC voltou ser mais ativo para tentar conter o forte avanço do dólar, e passou a intervir na taxa de câmbio com a realização de leilões de dólar.

Desde então, foram cerca de US$ 12 bilhões injetados no mercado, entre os leilões de linha (em que o BC recompra esses dólares para mantê-los nas reservas internacionais) e à vista (em que a moeda é apenas vendida, e não retorna).

Miram Leitão: "Não há esse 'fim de mundo' que o mercado vê"

Encontro de Haddad com Lula

Enquanto o quadro fiscal do país permanece no radar dos investidores, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, fez uma visita ao presidente Lula nesta segunda (16). O petista recebeu alta hospitalar no domingo (15), após ter feito uma cirurgia de emergência para drenar um hematoma na cabeça.

Durante o encontro, Haddad disse que tratou sobre a reforma tributária e o pacote de cortes de gastos enviado ao Congresso com o presidente, e reforçou aos jornalistas que o apelo do presidente é para que as medidas não sejam desidratadas pelos parlamentares.

"O presidente disse ontem que ninguém se preocupa mais com a questão fiscal quanto ele. Por isso, o apelo que ele está fazendo é para que as medidas não sejam desidratadas", afirmou o ministro.

"Temos um conjunto de medidas que garante a robustez do arcabouço fiscal e para garantir que vamos continuar cumprindo com as metas nos próximos anos", acrescentou.

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair

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segunda-feira, 16 de dezembro de 2024

Dólar chega a R$ 6,09, mas passa a cair após leilão de dólares pelo BC; Ibovespa oscila

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Na sexta, moeda norte-americana avançou 0,43%, cotada a R$ 6,0347. O Ibovespa, principal índice da bolsa, recuou 1,13%, aos 124.612 pontos.
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Por Redação g1 — São Paulo

Postado em 16 de dezembro de 2024 às 10h00m

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Dólar — Foto: REUTERS/Lee Jae-Won
Dólar — Foto: REUTERS/Lee Jae-Won

O dólar abriu o pregão em forte alta nesta segunda-feira (16), chegando a R$ 6,09. O Banco Central realizou um leilão além do que estava programado para ajudar a conter a sequência recente de altas.

Na sexta-feira (13), o BC havia anunciado um leilão de até US$ 3 bilhões com compromisso de recompra. Nessa modalidade, chamada de leilão de linha, os recursos retornam posteriormente para as reservas internacionais.

Entretanto, antes mesmo desse leilão, marcado para as 10h20, a autoridade monetária anunciou um leilão de divisas no mercado à vista, ou seja, sem o retorno dos dólares para as reservas.

Nesse leilão, que aconteceu por conta das 9h30, foram vendidos US$ 1,63 bilhão ao mercado financeiro. A medida levou a cotação de volta para a casa dos R$ 6,05.

O mercado aguarda nesta semana uma série de divulgações econômicas importantes. Entre os indicadores do dia, destaque para o boletim Focus desta segunda-feira. Analistas do mercado financeiro ouvidos pelo Banco Central passaram a traçar estimativas de juros maiores nos próximos anos, além de uma inflação mais alta em 2024 e 2025.

Além da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) na terça-feira, espera-se também a reunião do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) para definição das novas taxas de juros americanas. Na quinta, sai o relatório trimestral de inflação.

Ainda no cenário doméstico, investidores continuaram a monitorar o noticiário, em meio às preocupações com a desidratação do pacote fiscal do governo no Congresso Nacional.

O Ibovespa, principal índice de ações da bolsa, abriu oscilando sem direção definida.

Às 10h15, o dólar operava em queda de 0,09%, cotado a R$ 6,0290. Na máxima, chegou a R$ 6,0980. Veja mais cotações.

Na sexta-feira, a moeda norte-americana subiu 0,43%, cotado a R$ 6,0347.

Com o resultado, acumulou:

  • queda de 0,60% na semana
  • alta de 0,57% no mês;
  • avanço de 24,36% no ano.

Ibovespa

No mesmo horário, o Ibovespa operava em alta de 0,03%, aos 124.714 pontos.

Na sexta, o índice caiu 1,13%, aos 124.612 pontos.

Com o resultado, acumulou:

  • queda de 1,06% na semana;
  • perda de 0,84% no mês;
  • recuo de 7,13% no ano.

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair

O que está mexendo com os mercados?

O boletim Focus é a sondagem semanal do Banco Central a mais de 100 instituições financeiras, para saber o que pensam dos números da economia.

Para este ano, a projeção do mercado para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou de 4,84% para 4,89% da semana passada para essa. Com isso, segue acima do teto da meta de inflação para este ano, que é de 4,50%.

A meta central de inflação é de 3% neste ano – e será considerada formalmente cumprida se o índice oscilar entre 1,5% e 4,5% neste ano. Segundo analistas, o aumento de gastos públicos é um fator que tem pesado para o aumento das projeções de inflação.

Para 2025, a estimativa de inflação subiu novamente na semana passada, avançando de 4,59% para 4,60%, também acima do teto de 4,50%. Para 2026, a expectativa permaneceu em 4%.

Os economistas do mercado financeiro também passaram a prever um aumento maior da taxa básica de juros da economia brasileira nos próximos anos. Na semana passada, o BC elevou os juros pela terceira vez, para 12,25% ao ano e indicou que deve subir a taxa novamente no começo de 2025.

Para o fechamento de 2025, a projeção do mercado para o juro básico da economia subiu de 13,5% para 14% ao ano. Para o fim de 2026, o mercado financeiro elevou a projeção de 11% para 11,25% ao ano.

Para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2024, a projeção do mercado subiu de 3,39% para 3,42%. Já para 2025, a previsão de alta do PIB do mercado financeiro subiu de 2% para 2,01%.

No exterior, o foco ficou com a divulgação de novos indicadores econômicos nos Estados Unidos e na Europa.

Os futuros dos principais índices de Wall Street subiam nesta segunda-feira, com os investidores à espera de um corte na taxa de juros pelo Federal Reserve nesta semana, bem como a divulgação de dados que darãos as pistas de quais serão os passos do BC americano no ano que vem.

As novas previsões do Fed podem confirmar as apostas do mercado de que o BC será mais contido com o ritmo de cortes em 2025, visto que o crescimento econômico continua forte, a inflação segue persistente e há uma nova agenda econômica mais protecionista (e possivelmente inflacionária) à vista com a posse de Donald Trump como presidente dos EUA.

"O foco principal será o Fed, que deve cortar os juros em 25 pontos-base, mas acreditamos que o Fed reduzirá as expectativas de cortes mais adiante", disseram analistas do SEB.

A última decisão do Fed sobre a taxa de juros no ano ocorrerá na quarta-feira, com os investidores precificando uma chance de mais de 97% de uma redução de 0,25 ponto percentual nos juros, de acordo com a ferramenta FedWatch da CME.

Na Europa, a presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, reafirmou que reduzirá ainda mais as taxas de juros se a inflação continuar a se aproximar de sua meta de 2%, já que não é mais necessário restringir o crescimento econômico.

O BCE já cortou as taxas de juros quatro vezes este ano e os investidores estão apostando em um afrouxamento ainda maior da em 2025, já que os temores com a inflação desapareceram em grande parte e o crescimento econômico anêmico é agora uma preocupação maior.

"Se os dados que estão chegando continuarem a confirmar nosso cenário básico, a direção da viagem é clara e esperamos reduzir ainda mais as taxas de juros", disse Lagarde em um discurso em Vilnius.
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domingo, 15 de dezembro de 2024

As rochas em equilíbrio que desafiam a gravidade e ajudam a entender risco de terremotos

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Em todo o mundo, milhares de rochas em equilíbrio precário estão empoleiradas em estranhas posições, prestes a cair. Antes consideradas simples curiosidades geológicas, elas agora estão aumentando nosso conhecimento sobre o risco de terremotos
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TOPO
Por Richard Fisher

Postado em 15 de dezembro de 2024 às 06h45m

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À primeira vista, parece que estas rochas podem ser derrubadas com um pequeno empurrão — Foto: Getty Images via BBC
À primeira vista, parece que estas rochas podem ser derrubadas com um pequeno empurrão — Foto: Getty Images via BBC

A impressão é que elas podem cair com um simples espirro.

Em todo o mundo, milhares de rochas em equilíbrio precário estão empoleiradas em estranhas posições, prestes a cair. Antes consideradas simples curiosidades geológicas, elas agora estão aumentando nosso conhecimento sobre o risco de terremotos.

Esses rochedos delicadamente posicionados que, teimosamente, permanecem de pé oferecem a oportunidade de estudar as profundezas da história, desde muito antes que os modernos sismômetros pudessem avaliar a movimentação do solo.

"As únicas testemunhas que podemos consultar são essas rochas precárias", afirma o geólogo Dylan Rood, do Imperial College de Londres. "Elas são as testemunhas daquilo que aconteceu um dia."

As rochas em equilíbrio precário permitem que nós nos preparemos para o futuro, melhorando os mapas de risco de terremotos que servem de base para os planos de desastres, prêmios de seguro e códigos de construção civil.

Essas rochas instáveis, que desafiam a gravidade, chegam até a ajudar os engenheiros a avaliar o estresse depositado sobre as usinas nucleares, depósitos de resíduos radioativos e imensas represas.

Fragilidade

As rochas em equilíbrio precário pertencem a uma categoria de formação de terrenos chamada "fraturas geológicas frágeis". Algumas delas surgiram devido à erosão, como os arcos de rochas ou pináculos, em forma de torres.

O Parque Nacional dos Arcos, no Estado americano de Utah, abriga milhares dessas formações. Nelas, a água da chuva ou a ação de congelamento e descongelamento desgastou o calcário até que ele chegasse ao ponto de colapso iminente.

Algumas rochas estão na mesma posição há milhões de anos. — Foto: Getty Images via BBC
Algumas rochas estão na mesma posição há milhões de anos. — Foto: Getty Images via BBC

No litoral, o mar pode escavar formações geológicas frágeis na forma de penhascos. Eles formam arcos que, um dia, irão desabar, deixando os rochedos na costa. Um dos mais conhecidos do mundo é o Old Man of Hoy, nas ilhas Orkney, na Escócia, muito apreciado pelos alpinistas.

Outras formações geológicas frágeis crescem ao longo do tempo, como as estalactites ou estalagmites. Em alguns casos, estas formações que parecem pingentes de gelo chegam a atingir vários metros de comprimento e peso considerável. Mas seu diâmetro não ultrapassa o de um braço humano.

Todas essas formações são impressionantes, mas os rochedos em equilíbrio precário são particularmente fotogênicos. Eles parecem monumentos megalíticos, colocados sobre um pequeno poleiro por alguma divindade ou civilização antiga.

É possível encontrá-las em todo o mundo. As rochas Brimham, em Yorkshire, na Inglaterra; a Bola de Manteiga de Krishna, na Índia; e Kummakivi, na Finlândia, são apenas alguns exemplos.

Nos Estados Unidos, elas estão espalhadas por diversos Estados, desde as rochas Metolius, em Oregon, até a rocha Bubble, no Maine.

E, em certos países, essas rochas chegam a adquirir significado religioso. Os fiéis budistas da Rocha Dourada, em Mianmar, cobriram a pedra com revestimento dourado. Eles acreditam que um fio de cabelo do Buda evita a queda da formação.

A Rocha Dourada de Mianmar adquiriu significado religioso e agora é uma grande atração turística. — Foto: Getty Images via BBC
A Rocha Dourada de Mianmar adquiriu significado religioso e agora é uma grande atração turística. — Foto: Getty Images via BBC

Os rochedos precários mantêm seu delicado equilíbrio por dois motivos.

Em alguns casos, as geleiras carregaram as rochas e as depositaram em posições estranhas. As florestas do nordeste dos Estados Unidos, por exemplo, abrigam diversas dessas chamadas pedras erráticas.

Em outros casos, os rochedos parecem simplesmente terem sido colocados em um poleiro. O que aconteceu, na verdade, é que a sua base sofreu erosão gradualmente, até se tornar um pescoço estreito.

Janelas para a história

Os turistas costumam visitar os rochedos em equilíbrio precário para tirar selfies. Mas os sismólogos admiram essas rochas por outras razões. Elas podem revelar a atividade sísmica local em um passado distante.

Para entender melhor, precisamos voltar ao início dos anos 1990. Naquela época, os geólogos observaram um padrão curioso nos rochedos precários dos Estados americanos da Califórnia e de Nevada: geralmente, havia poucos deles perto dos limites das falhas geológicas.

Esta observação gerou uma ideia. Talvez as rochas pudessem revelar informações sobre os movimentos sísmicos do passado, antes da invenção dos precisos sismômetros modernos. Se um rochedo precário for encontrado em uma região —– e é possível imaginar há quanto tempo ele está ali, prestes a cair — isso significa que o terreno não se movimentou o suficiente para derrubá-lo.

Um dos primeiros rochedos a serem analisados desta forma foi a rocha Omak, no Estado americano de Washington — um rochedo glacial equilibrado sobre um poleiro minúsculo, a cerca de 90 km ao sul da fronteira entre os Estados Unidos e o Canadá.

Em 1872, ocorreu um forte terremoto no noroeste dos Estados Unidos, mas a tecnologia da época não conseguiu registrar com precisão qual foi a potência do sismo. Até que a permanência da rocha Omak no seu poleiro ajudou os geólogos a estimar um possível limite da gravidade daquele terremoto.

É ainda mais difícil determinar os impactos dos terremotos ocorridos antes do início dos registros humanos.

No campo da paleossismologia, geólogos procuram sinais de movimentos pré-históricos de terra, como rupturas de falhas geológicas, deslizamentos de terra ou detritos de tsunamis. Ocorre que muitos terremotos deixam poucos traços nos registros geológicos.

Mas, quando os sismólogos encontram rochedos precários que permaneceram de pé por milhares de anos, eles servem de testemunhas desses eventos. Sua análise aumenta a precisão dos mapas de risco de terremotos, especialmente em relação aos raros tremores mais fortes, que acontecem apenas em intervalos de milhares de anos.

Em setembro, pesquisadores do Serviço Geológico dos Estados Unidos publicaram uma análise de rochedos em equilíbrio precário, deixados para trás pelas geleiras, nos Estados de Nova York e Vermont.

Felizmente, não houve surpresas. Os rochedos sugerem que seus mapas, de forma geral, eram precisos. Mas nem sempre é isso que acontece.

Existe um casal de geólogos que ajuda a refinar e aprimorar a análise das rochas precárias. Anna e Dylan Rood, do Imperial College de Londres, desenvolveram uma metodologia mais precisa, baseada em probabilidades, para estudar as testemunhas sismológicas.

Se você encontrasse os Roods estudando um rochedo em equilíbrio precário no campo, você logo os reconheceria porque a rocha estaria toda marcada com fitas coloridas.

Com a tecnologia de detecção e telemetria por luz (Lidar, na sigla em inglês) e fotografias com drones, as fitas de marcação ajudam a criar modelos 3D computadorizados das rochas, para simular o que aconteceria com elas em diversos cenários sísmicos.

"Podemos calcular a probabilidade de tombamento da rocha com diversos abalos de terra, desde os terremotos muito pequenos e curtos até os realmente extremos", explica Anna.

Também é importante verificar se os rochedos realmente já eram instáveis durante os últimos terremotos. Para datar sua precariedade, os Roods analisam isótopos cosmogênicos nos minerais de quartzo das rochas, como berílio-10.

Estes isótopos se formam quando os raios cósmicos atingem o quartzo. Por isso, eles estão presentes em maior quantidade quando a superfície da rocha foi exposta à atmosfera.

Vale da Lua, na Bolívia — Foto: Getty Images via BBC
Vale da Lua, na Bolívia — Foto: Getty Images via BBC

Eles revelam há quanto tempo o rochedo permanece no seu poleiro ou se a sua base já esteve enterrada no solo ou em outros detritos.

"É um relógio", explica Dylan. "Podemos calcular quando a rocha foi exposta."

Com estas técnicas, os Roods demonstraram que alguns mapas de risco dos Estados Unidos talvez precisem ser atualizados.

Analisando rochedos precários em Lovejoy Buttes, perto da falha de San Andreas na região de Los Angeles, eles concluíram que os riscos de terremotos que acontecem uma vez a cada 10 mil anos podem ter sido superestimados. Seus cálculos indicam que o tremor seria 65% menos potente naquela região do que o estimado anteriormente.

Infraestrutura vital

Os Roods se conheceram analisando rochas precárias perto da usina nuclear de Diablo Canyon, na Califórnia. Desde então, eles e seus colegas demonstraram que os rochedos podem ser úteis, particularmente para testar o estresse sobre a vulnerabilidade de construções humanas, como instalações nucleares ou grandes represas.

Na verdade, as rochas precárias se tornaram tão úteis para a indústria nuclear que a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) agora recomenda o estudo dessas rochas para reduzir o risco causado por terremotos perto das usinas nucleares.

Para determinar os riscos impostos a uma usina nuclear, os engenheiros precisam conhecer os impactos daquele raro terremoto "grande", que poderá rachar e abrir seu reator. Mas se não houver acontecido nenhum por milênios, fica difícil estimar a dimensão dos danos.

Rocha em equilíbrio precário no Parque Nacional dos Arcos, em Utah — Foto: Getty Images via BBC
Rocha em equilíbrio precário no Parque Nacional dos Arcos, em Utah — Foto: Getty Images via BBC

Quando os Roods e seus colegas mapearam e analisaram os rochedos perto da usina nuclear Diablo Canyon, eles conseguiram reduzir as incertezas nos mapas de risco em cerca de 50%.

Eles planejaram começar no final de outubro o estudo das frágeis formações geológicas da França. A companhia energética francesa EDF pediu que eles aprimorassem os mapas de risco sísmico das usinas nucleares e represas hidrelétricas do país.

No futuro, as rochas em equilíbrio precário também poderão ajudar os engenheiros a decidir onde enterrar resíduos radioativos. Um dos primeiros testes de uso dessas rochas no planejamento nuclear ocorreu na montanha Yucca, um possível depósito de resíduos nucleares em Nevada, nos Estados Unidos, agora descartado.

Pesquisadores da Universidade de Nevada em Reno analisaram os rochedos precários próximos revestidos com "verniz de rocha", uma substância rica em argila que se acumula ao longo do tempo nos desertos.

A presença do verniz demonstrou que algumas das rochas em equilíbrio precário haviam permanecido sem cair por até 80 mil anos – uma indicação de que o risco de terremotos na montanha Yucca era aceitável.

Por isso, se você encontrar algum dia um rochedo precário durante uma caminhada, imagine o que ele pode ter enfrentado para permanecer naquele lugar. Até os Roods ainda se maravilham com algumas dessas rochas instáveis que ainda estão de pé.

"Em um dos locais na Califórnia, você sozinho conseguiria balançá-las", afirma Dylan. "Isso realmente demonstra como elas são frágeis."

* Richard Fisher é o autor do livro A Visão Longa: Por que Precisamos Transformar Como o Mundo Observa o Tempo (em inglês) e editor do site Aeon.

Leia a versão original desta reportagem (em inglês) no site BBC Innovation.

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